24 dezembro 2010

Em mim

"Você nunca mudará o que aconteceu..."
(Stop crying your heart out - Oasis)

Eu sei, é o fim.
Não precisa repetir. Eu entendi. Acabou.
Você não tem mais a necessidade de compartilhar comigo os acontecimentos do seu dia.
Você não tem mais vontade de ir caminhar comigo no parque todos os sábados à tarde.
Você não se agrada mais em ser a outra metade da minha laranja.
Muito menos deseja que eu seja a futura mãe dos seus filhos.
Infelizmente eu sei de tudo isso. E isso dói tanto, mas tanto, que você jamais fará ideia da desolação em que me encontro. Porém, não tenha pena. Por favor, não sinta pena de mim. De você, só queria amor. Só amor. Porque o amor me bastava. Era tudo. O meu tudo.
E agora, me diz... O que eu faço com as cartas que você me escreveu? É inevitável lê-las e me derramar em infinitas lágrimas. É impossível ler todas aquelas juras de amor, cada linha, cada sentimento e não sentir o coração em frangalho, suplicando que todo o amor não tenha de fato morrido, que amanhã você aparecerá em minha casa e dirá que tudo foi um maldito engano, que você ainda me ama e sempre me amou. E me pedirá desculpas e que me beijará antes que eu responda qualquer coisa.
E agora, me diz... O que eu faço com as fotos? Aquelas da viagem a Fernando de Noronha, em que estamos tão felizes, sorridentes, noivos, com tantos projetos para os anos vindouros? O que eu faço? Rasgo? Queimo?
Não! Eu não posso queimar as cartas, as fotos... Não posso! Simplesmente porque as lembranças ficariam ainda mais vivas em minha memória. E eu não posso queimar minhas lembranças, a não ser que eu queime a mim mesma. E o que me mantém viva é a esperança de que um dia eu volte a dormir com a cabeça encostada em seu peito, que você volte a me chamar de Flor, de Amor e de Sua. Você nunca mudará o que aconteceu. Você não pode se apagar de mim. Não pode excluir o nosso amor do meu coração. É inapagável. Você é eterno. Eterno em mim.

(Erica Ferro)

*Conto para o projeto Bloínques.

* * *

Sim, minha gente: é um conto, apenas um conto.
Não terminei o meu noivado, até porque não tenho namorado, muito menos noivo! (risos)
Estava apenas querendo escrever sobre algo que não vivo, e nada como esses projetos que nos dão temas diversos para exercitemos nossa escrita.
Enfim, enfim... Então é Natal! E o que você fez? O Ano termina... E nasce outra vez...♫" (corrigido depois do comentário da querida Ana Seerig // tinha "cantado": E COMEÇA outra vez ♫ // risos imensos, nem sei cantar a música mais tradicional do Natal! que vergonha!)
Para quem comemora o Natal, Feliz Natal!
E para quem não comemora o Natal, vamos comer, amigo, e beber o álcool alheio, na casa alheia! (tem coisa melhor? - risos).
Agora é sério: infelizmente as pessoas só se lembram de serem amáveis, solidárias e boazinhas no Natal. E isso é uma pena. Dia de amar, de ser solidário, de enxergar as necessidades do outro é todos os dias, e não só uma vez ao ano. Isso é hipocrisia.
Ame hoje, ame amanhã, ame sempre. O amor basta. Amor cura, amor liberta, amor transforma.
Ame, apenas isso.
Desejo um Feliz Natal, não só hoje, mas todos os dias do ano.
Amor! É disso que eu preciso, que você precisa e que todas as outras pessoas do mundo precisam.
(...)
Quero agradecer a todos que me leem, que me elogiam, que me chamam de louca, de dramática e etc. Quero agradecer a todos que me incentivam sempre a continuar com o blog.
Obrigada. Obrigada aos 401 seguidores do blog (ontem cheguei a marca dos 400 seguidores). Fico muito feliz, não apenas com o número em si, pois isso é o que menos importa. Fico feliz realmente é com os amigos que aqui fiz. Gosto imensamente de vocês, saibam disso.
Um abraço da @ericona.
E até... quando for possível.



19 dezembro 2010

Quando as palavras são dispensáveis...

Estavam as três ali. Sabiam que tinham muito o quê falar, mas as palavras não surgiam. Sorriam umas pras outras, brincavam, riam, mas o que diziam tinha valor momentâneo, coisa de segundos. E tudo o que queriam dizer? E tudo que pensavam? Olhavam-se e sabiam o que dizer, mas não se compreendiam ao transformar pensamentos em palavras. Independente de tudo, era divertido estar ali, as três procurando palavras sem sucesso, iguais no fracasso da missão, diferentes no modo de tentar não fracassar. Ah, quem as visse devia achar graça. Eu achava, você acharia. Não falavam nada, mas dali sairiam como se dissessem tudo.
Talvez, as poucas palavras que passavam por suas mentes pudessem causar vergonha quando pronunciadas. Porque eram, de mais a mais, apenas três jovens com ânsia de liberdade para falar o que quisessem e com vontades tão intrínsecas que conseguiriam alvoroçar quem as ouvissem – de repudia a loucura. Afinal, as pessoas prezavam os bons modos e as conversas ao pé do ouvido para não causar burburinhos. E elas tampouco se importavam se causavam quando se pronunciavam.
Elas falavam no tom que bem lhes aprouvesse. Elas falavam do que bem queriam. Elas falavam porque sabiam que tinha o direito de falar o que pensavam, o que sentiam e queriam. Elas não se limitavam às regras, aos bons modos e toda essa babaquice do jogo social. Elas simplesmente honravam os seus ideias. Mas, naquela tarde, os ideais, os sentimentos, os pensamentos e todo o resto que se passavam dentro delas era um misto de coisas, uma confusão tão grande, que sequer conseguiam formar frases, concluir pensamentos e definir o que era o quê no interior de suas almas grandemente belas. Elas estavam crescendo? Era isso? Estavam mudando conceitos, abandonando preconceitos e adquirido novas sensações que não sabiam nem adjetivar? Ou a vida é mesmo assim? Num dia, fala-se muito, fala-se de tudo e tudo; noutro, cala-se e delicia-se nos prazeres do silêncio, da observação e da reflexão? Aquelas três moçoilas estavam quase crentes que era assim. Nem sempre falar é indispensável. Nem sempre fala-se com palavras. Naquela tarde, elas falavam com sorrisos e olhares cúmplices. Amanhã... As palavras viriam amanhã. Elas sabiam que viriam.

(Ana Seerig, Bárbara Farias & Erica Ferro)


Vou ser bem sincera agora: acho que esse blog ainda sobrevive por causa dessas parcerias. Sério mesmo! Ando totalmente afastada das palavras. Não tenho conseguido me traduzir em palavras, transcrever o que eu penso em frases, em textos. Pois é, amigos, o blog se encontra ameaçado de extinção (leia-se blog deletado em breve, caso essa incapacidade de escrever não me deixar).
Mas e então! Dessa vez foi um texto escrito por três! Acho divertíssimo escrever com alguém. E hoje foi ainda mais divertido, por ter escrito o texto com duas amigas queridíssimas.
Bárbara e eu queríamos muito escrever algo, só não sabíamos bem o quê ou como; e a Seerig, como sempre muito inspirada, nos incentivou a escrever algo. E foi então que surgiu essa graciosidade de texto. Espero que gostem, que chorem, que se emocionem bastante e que nos aplaudam de pé (embora não vejamos nada disso, ficaremos muito felizes de saber dos relatos - usem os comentários para tal coisa -... *risos imensos*).
É isso. E até... bem, até um dia.
Um abraço da @ericona!
E quero presente de Natal. Falo mesmo.

01 dezembro 2010

A missão

Não, por favor, peço-lhe pelo o que consideras mais sagrado no mundo: não me sorrias, não me dirijas esse olhar tão doce. Não, não faças mais isso.
Teu sorriso o e teu olhar salvam-me e, em seguida, condenam-me a uma tristeza sem fim.
Teu coração nutre o mais terno e genuíno amor por outra senhorita. Os teus sorrisos e olhares enamorados, infinitamente apaixonados são para ela.
Teu olhar amigo e o teu sorriso benigno, tão lindos, tão lindos, são legítimos, meu coração sente que são. Porém não quero-te assim...
Quero-te com paixão, desejo-te chamar de meu amado, meu doce e eterno amado.
Rejeito a tua amizade e decido não mais ver-te porque a tua proximidade não-próxima seria um tormento.
E tormento maior tem sido sentir essa paixão, inicialmente, inocentemente linda tornar-se paixão espinhosa, venenosa, que sufoca-me e rasgue-me a alma.
Clamo-lhe: vai-te para sempre dos meus dias, do meu viver.
Deixa que eu morra lentamente, bebendo o amargo cálice desse amor doente, condenado a nunca curar-se.
Vai-te e não sintas remorso. Não te culpes por despertado o mais sincero e puro amor em meu coração.
Eu também não culpo-me por amar-te assim.
Resigno-me a morrer por esse amor.
Em algum lugar estava escrito que o meu destino era nascer para amar e morrer por amor.
E assim será.

(Erica Ferro)

* * *

Eita que saudade de escrever uns textos extremamente melosos e trágicos como esse! (risos)
Por mais que hoje eu goste menos de ver/ler/escrever amores dramáticos e trágicos, resolvi matar a saudade e o resultado foi essa postagem excessivamente sofrida. Que legal! (risos²)
E certamente terá alguém que não lerá o meu "p.s", pensará que realmente estou morrendo por amor, vivendo dias de cão, porque não sou correspondida e blá blá blá...
E, certo, certo, certo, me preparo para ler os conselhos que me darão (risos³).
Ah! E já é Dezembro. Que triste, que triste!
Não queria que 2010 fosse embora. Certo, certo e certo, não vou iniciar aquelas minhas lamúrias de fim de ano por aqui (já basta estar fazendo isso no Twitter).
Um abraço, povo.
Hasta la vista!


19 novembro 2010

Live and let die ♫

"Já parou para pensar que estamos correndo em direção a morte? Já parou para pensar que cada segundo que se passa é menos um segundo de vida? Isso é tão louco! Tão absurdo, mas ao mesmo tempo é natural, é normal. Nascemos, crescemos, reproduzimos, envelhecemos e morremos. Um ciclo. A vida. Quanto mais penso que a vida é algo tão frágil e fugaz, me deprimo e penso que não há razão para lutar por tantas coisas, vencer tantos obstáculos, se tudo acabará algum dia, ou quem sabe, desavidamente, quando menos se espera, antes que tudo se concretize, antes que eu realize o que eu pretendo realizar. Ora, penso que esses meus devaneios, esses meus temores sejam perdoáveis, posto que são sinceros e provavelmente devem se passar pelas mentes de quem interroga a vida, de quem critica a existência. Eu sei, eu sei, eu sou um homem amargurado, com medo do que está por vir. Eu sei, eu sei, eu estou perdendo vários segundos em lamuriações e em loucos pensamentos, tentando solucionar o insolucionável, tentando parar o que não pode ser parado. O curso da vida é esse: é ininterrupto. Eu nada posso fazer além de me consternar, de chorar meu tempo perdido em alucinações vãs. Eu sou um pobre homem, com sua garrafa de vinho, seu cigarro e sua solidão. Não, por favor, não me critique e muito menos tenha pena de mim. É a vida, amigo, a vida que me enlouquece e me deprime. Que ironia! Porque dizem que a vida "é bonita, é bonita e é bonita".
Bonito. O que é bonito? Namoro, praia, sol, sucesso? Acaba. Tudo acaba. Hoje você não é ninguém, amanhã é a manchete, positiva ou não, dos noticiários. E daí? Dois dias depois está morto. De que vale se sua infância foi boa ou terrível, se alcançou o sucesso com trabalho árduo ou sorte, se continua na monotonia dos últimos vinte anos ou na melhor fase de sua vida? Você vai morrer, mais cedo ou mais tarde. Qual é a vantagem de dizer “eu aprendi” se você sempre tem algo mais a aprender, se nunca saberá tudo e, se souber, bem, sua sabedoria acabará por ser apenas mais uma informação no seu epitáfio, ou não. Se eu morrer amanhã, quem se importará? Minha família, amigos? Podem lamentar, mas continuarão suas vidas que acabarão algum dia, o mundo não vai parar porque eu morri. Nem quando você morrer. Tudo que foi feito em uma vida inteira de esforços será apagado de uma hora pra outra, rapidamente esquecido, como um papel cheio de palavras jogado ao fogo.
Morrer agora, amanhã ou mês que vem, que diferença faz? Talvez seja melhor parar de enrolação, interromper essa pequena tragicomédia que chamamos de vida, e morrer. Agora. Ah, seria tão bom deitar e não levantar mais, não ter problemas, não ter saudades de momentos e pessoas que me fizeram felizes num passado distante, simplesmente esvaziar a cabeça, dormir e não acordar mais. Nos filmes parece tudo tão fácil... Gás do fogão, pular de prédio, cianureto? Demorado e complicado. Overdose. Remédios são drogas, calmantes são remédios... Ah, o que afinal estou fazendo? Talvez eu seja mesmo louco... Ah, mas agora está feito. Sem arrependimentos. De nada vale me arrepender, o intuito é justamente acabar de vez com o que chamam de consciência e coração. Ah, me sinto leve. Melhor deitar e sonhar meu sonho vazio, relaxar e esperar não acordar... E você, caro amigo, que lê as palavras loucas e, apenas aparentemente, sem sentido de um suicida, acredite, está é a coisa mais divertida que já fiz e, tudo que tenho pra lhe dizer é: Live and let die."

(Ana Seerig & Erica Ferro)

Eis mais uma da parceria Seerig & Ferro! Depois do sucesso estrondoso do poema feito por essa dupla, inúmeros e-mails pedindo outro poema/crônica/conto/bilhetinho, qualquer coisa, fosse escrito por essas meninas fantásticas, que dominam com maestria o mundo das letras. Elas aceitaram o desafio e está aí mais uma obra-prima do talento dessas promessas da literatura.
Cof, cof, cof... Parei com a palhaçada e as piadas nada modestas.
Seguinte: tava de bobeira no MSN falando com a gaúcha arretada da Ana Seerig, então ela falou que ia ler uns blogs e, talvez, postar algo no blog dela. Lembrei-me que há mil anos não postava nada no meu blog e, como a minha internet tá muito sacana nos últimos tempos, provavelmente demoraria um bocado para postar. Ela então me propôs um desafio: escrever algo, em um tempo estipulado por ela, para que, posteriormente, ela desse continuidade.
Me perdoem por estar tão ausente daqui, mas, acreditem: eu tenho mais saudade de escrever do que vocês de me lerem.
Um abraço da @ericona, a devaneada.




21 outubro 2010

No wait? Impossible!

Recentemente uma reflexão antiga voltou a incomodar (no bom sentido) a minha mente. E hoje, depois de ler um tweet da Camila Blopes, foi que a mente começou a trabalhar a todo vapor e um texto queria se formar e ser publicado aqui no blog.
O tweet dizia o seguinte: "Mania de esperar que as coisas sejam dum jeito determinado, por isso a gente se decepciona e sofre."
Não é verdade?! Verdade pura! E o fato maior é que todo mundo, ainda que intimamente, sabe da veracidade dessa frase. Eu disse todo mundo!
Mas, ao mesmo tempo que é verdade, não esperar é algo difícil (esperar também, convenhamos; aliás, quase tudo nessa vida tem um grauzinho de dificuldade).
Digo que não esperar é algo difícil porque eu ainda não sei como planejar algo sem idealizar o fim do projeto. Digo que é algo difícil porque não sei sonhar sem ilusões, sem esperar que o sonho se torne real, lindamente real, com toda pompa que eu julgo merecer.
Digo que é difícil porque nunca aprendi a amar sem querer amor em troca. A gente sempre espera algo, uma troca, uma compensação - e isso é algo quase que automático, inconsciente (e, também, perdoável). E por que é assim? Por que não podemos simplesmente amar por amar, sonhar por sonhar, querer por querer? Por que tudo esconde uma razão? É essa a graça? Estou quase convencida de que é essa a graça: os mistérios que se escondem por trás das nossas ações e pensamentos é que o que faz da vida essa coisa tão boa de ser vivida, de ser protagonizada, desejada e aproveitada.
E eu vou continuar me decepcionando, sofrendo, chorando, mas acima de tudo continuarei vivendo. Vivendo o mistério de mim mesma, me deliciando com os doces da vida, provando do amargo, do exótico, do utópico, do irreal, do palpável, do inimaginável. Vou continuar esperando, esperando até por aquilo que eu nem sei bem o que é, mas que certamente um dia encontrarei. E o encontro será bom, mas jamais como eu idealizei, como esperei. Porque o destino é irônico, adora pregar peças. Que bom que a ironia dele não é todo prejudicial e cruel. Que bom!

(Erica Ferro)

17 outubro 2010

Sobre o que importa e o que não importa

Há mais ou menos um mês estou lendo "O viajante e o mundo da lua". É um livro interessante, perturbador, confuso e ao mesmo tempo bom. É verdade que recentemente fiz umas críticas nada positivas em relação ao livro no twitter, mas retiro-as.
Não é o livro mais objetivo, mais claro, mais envolvente e mais apaixonante que já li. Sabe um livro misterioso, que não se sabe bem o que ele quer dizer, que mensagem quer transmitir e o que ele causa em você, mas, mesmo assim, em um trecho e outro, se vê nas linhas e nas entrelinhas daquelas palavras?
"O viajante e o mundo da lua" é assim. E hoje o livro me tocou profundamente. Não foi uma passagem romântica que li, nenhuma solução para qualquer agonia minha; apenas pude ler o que eu sempre preguei e acreditei. É um belo resumo daquele ditado que diz: "Dinheiro não traz felicidade".
Gostei tanto de poder ler as minhas ideias ali, a síntese do que acredito e penso sobre a relação entre dinheiro e felicidade, que precisei compartilhar isso aqui no meu cantinho. Eis o trecho:

"Por dinheiro você não adquire nada que seja importante, e o que você adquire com dinheiro talvez seja necessário para a vida, embora não tenha importância.
O que de fato vale a pena nunca custa dinheiro. Não custam um centavo o espírito, a infinita maravilha das coisas, a ciência. Não custam um centavo você estar na Itália, ou ter o céu italiano sobre você, caminhar por ruas italianas, sentar-se à sombra de árvores italianas, e ao anoitecer ver o sol se pôr em italiano. Não custa um centavo agradar a uma mulher que se entrega a você. Não custa um centavo sentir-se feliz de vez em quando. Custa dinheiro apenas o que rodeia a felicidade, os acessórios estúpidos e entediantes. Não custa dinheiro estar na Itália, mas custa dinheiro viajar para cá e dormir debaixo de um teto. Não custa dinheiro a amante, mas a necessidade, nesse meio-tempo, de comer, de beber e de se vestir para poder se despir. Os burgueses, porém, vivem há tanto tempo de oferecer uns aos outros as coisas inúteis e caras que se esqueceram das coisas que não custam nada, consideram essencial o que custa muito. E essa é a maior loucura."

(O viajante e o mundo da lua - Antal Szerb)


* * *


Pronto. Era isso que tinha que ser postado hoje. Fica então a reflexão. Passo o "microfone" para vocês, agora.


(Erica Ferro)

07 outubro 2010

Dear Diary,

Diário de July - 05/05/2005

"Quando eu não tenho nada a dizer, eu falo qualquer coisa pela simples ansiedade e agonia de não ter nada a dizer. Quando eu tenho algo a dizer, atropelo minhas próprias palavras, sou calada pela minha ansiedade e agonia de falar o que eu de fato quero falar. Não consigo ser objetiva. Não consigo falar do que todos falam. Eu não sei qual o assunto que está em pauta. Não sei quais são os problemas que assolam o mundo. Simplesmente eu sou alheia ao mundo, a todos e até alheia a mim mesma. Eu decidi me isolar até me encontrar. E eu nem sei o que quero dizer com "me encontrar". Entende como eu estou perdida, Querido Diário?
O que há comigo? Não sei o que há comigo. Eu nunca soube a razão de ser diferente de todo mundo: a única coisa que sei é que sempre fui assim: indecifrável, incompreensível e complicada.
Quando digo diferente, é que eu sou diferente mesmo. Ora, eu sei que ninguém é igual a ninguém: todo mundo tem suas características físicas, suas ideias e tudo o mais. Mas quando falo que nasci diferente de todo mundo, me refiro a não ser como a grande maioria: que se acostuma com as mudanças rapidamente, que se satisfaz com pouco ou com aquilo que não era inicialmente a sua preferência e tantas outras coisas.
Eu nasci diferente porque vivo ansiosa por uma coisa que eu ainda não descobri o que é. Me entristeço por coisas que outras pessoas acham ridículo ou estranho. Eu choro quando alguma flor morre; na verdade, eu sempre quis ser um flor. Não sei porque, mas acho que as flores fazem parte do grupo das coisas mais belas da vida. Eu choro quando vejo em noticiários sobre mortes de jovens por balas perdidas, acidentes e todas essas tragédias que tanto se vê por aí. E é por esses casos serem tão corriqueiros, que as pessoas se acostumam e nem acham mais tão lamentável e tão triste. Eu passo horas pensando em como o tal jovem poderia ter vivido mais. Quantas conquistas poderia ter tido. Quantos amores ele poderia viver. Quantas pessoas ele poderia fazer feliz. O quanto que ele poderia ser feliz. E eu choro, porque eu não quero morrer jovem. Eu só tenho 16 anos e sinto que a vida pesa uma tonelada e que ela cai por cima de mim, me deixando sem ar. E eu sei que isso é deprimente e até um pouco dramático se eu contar isso a alguém, Diário. Por isso que eu escrevo. Por isso que eu me confesso aqui. Ninguém me discrimina. Ninguém me descrimina. Ninguém me culpa. Simplesmente faço meu monólogo e me sinto bem, ou menos pior.
Ah! Preciso dormir. Preciso fazer minha cabeça parar de pensar um pouco. Amanhã a vida me acordará às 06:45, e eu não posso me atrasar.

Até amanhã, Diário. Até amanhã..."

(Erica Ferro)

* * *

Tem jeito não, né?
Perdi mesmo o hábito de escrever frequentemente.
Mas hoje não tive como fugir. July queria ganhar vida, queria falar. Então a materializei.
Até outro dia, meus amigos blogueiros!

30 setembro 2010

Voltei para escrever

Como começar a escrever, hein?
Ops! Comecei? Assim, sem saber?
É. Acho que sim, acho que comecei. Sabe como é, faz tanto tempo que eu não escrevo. Faz tanto tempo que eu não sei o que é formar frases e expressar meus pensamentos, demonstrar meus sentimentos, retratar meus anseios, inventar estórias. Mais de um mês. Por quê? Por que me privei de algo que faz tão bem para mim? Talvez ter um blog não faça mais sentido pra mim. Talvez porque ao longo dessa minha vida de blogueira eu percebi que as pessoas não usam blog só como um meio de escape, um lugarzinho calmo para despejar o que angustia ou compartilhar das alegrias com pessoas desconhecidas - que, em alguns casos, logo se tornam conhecidas e realmente queridas para elas. Blogosfera é lugar de expor as ideias de um modo rápido, prático e gratuito. Aqui você brinca do que você quiser. Aqui você exercita seu lado escritor (o lado que você talvez nem tenha), mas que tem o direito de exercitar, de brincar de escrever e ninguém tem o poder de julgar o que você escreve, de determinar como bom ou ruim, como útil ou inútil. Aqui você encontra blogs de variados temas. Cada voltado para um determinado público. Quero dizer, certo blog interessa a uma pessoa, mas não a outra e assim por diante.
Há blogueiros estranhamente fissurados por comentários. Não sei, mas até parece que eles escrevem para os outros, diretamente para os outros, para os leitores do seu blog. Não os condeno, só não acho justo com eles próprios. Eu escrevo, especialmente e principalmente, para mim. Não tenho a intenção de que as pessoas gostem do que eu escrevo e muito menos a pretensão que achem fantástico ou vejam no que eu escrevo as palavras de salvação para algo. Não, definitivamente não.
Um dos motivos pelos quais eu me afastei da blogosfera foi justamente essa fissura que alguns tem por comentários, por querer agradar a opinião alheia, por essa obsessão em fazer bonito para terceiros, e não de ser honesto consigo mesmo. O que é interessante e bonito na blogosfera é escrever, simplesmente escrever e saber, sim, que alguém provavelmente irá ler e quem sabe gostar e quem sabe comentar. Mas poxa! A intenção maior é escrever. Repito: escrever, escrever e escrever.
Seguindo essa linha de raciocínio, eu voltarei a escrever e não me preocuparei com comentários pretensiosos, que eu realmente identificarei uma segunda intenção, a intenção de ter seu ego massageado por mais um comentário, por mais uma visita no seu blog.
Pensei em permanecer com a opção dos comentários desativada, mas, se eu fizer isso, eu vou cortar de vez a corda que me une a alguns blogueiros tão queridos, que eu realmente gosto, que eu realmente admiro. Habilitarei os comentários do Sacudindo Palavras, mas analisarei os comentários que eu realmente merecem ser retribuídos. Não que eu seja uma grande pessoa, alguém ilustre. Não, não se trata disso. Se trata do meu cansaço para coisas inúteis, para tanta hipocrisia e falsidade, seja aqui ou no mundo real.
Então é isso. Eu voltei. Voltei porque eu preciso escrever, não posso me privar desse exercício que é como uma terapia para mim.
Agradeço a quem realmente gosta do Sacudindo Palavras. A quem, por algum motivo, lê e gosta dessas minhas tortas e confusas linhas. Obrigada.
Obrigada a Jana Barreto, que me presenteou com esse lindo layout. Mais um, não é, Jana? Muito obrigada. Com o Sacudindo Palavras de cara nova, postar fica ainda mais alegre, ainda melhor.

A vocês, deixo um abraço.

Finalizo aqui o meu primeiro e último post... do mês.

Hasta la vista!

(Erica Ferro)

29 agosto 2010

Sonho. E isso é tudo.

Eu sou um sonhador.
Eu vivo deitado em nuvens azuis com cheiro de chocolate.
Eu vivo sonhando que sou astronauta, pirata ou qualquer outra coisa legal assim.
Dizem que eu sou mesmo é pirado.
Não acredito, não. Não acredito no que as pessoas dizem de mim. E não dou a mínima também.
Eu acredito mais nos meus sonhos. Eu acredito mesmo.
As pessoas riem de mim e eu fico sem entender a razão de tanta graça. Ora, mais engraçados e coloridos são os meus sonhos! E neles, sim, eu vejo motivo de alegria, de risos infinitos. E eu estou sorrindo agora, porque sonhos são mesmo motivos de riso e júbilo para mim.
Eu sonho muito. E falo muito também. Falo muito e também sou meio repetitivo. As pessoas dizem que eu sou repetitivo, mas, como disse, não é porque as pessoas dizem, é porque eu realmente vejo que repito bastante. Dessa vez, ao invés de falar, eu estou escrevendo. Assim, é mais fácil observar que eu repito bastante as ideias. Mas eu não vejo problema nisso também. Não sou escritor. Aliás, eu nem sei porque eu estou escrevendo isso. Ah! Esqueci de dizer: eu sou bem esquecido. Tomo remédio, um que eu esqueci o nome, enfim... Acho que não funciona, senão eu lembraria do bendito nome dele!
Eu sonho porque nele ninguém cospe na cara e me diz coisas feias, do tipo "você é um babaca!", "por que não olha por onde anda e deixa de arrebentar tudo o que te cerca?", "saia do mundo da lua, imbecil!". Nos meus sonhos eu sou rei, eu sou feliz e eu tenho amigos que enxergam dentro de mim, enxergam o que eu verdadeiramente sou.
Eu sonho porque a realidade tem braços espinhosos e olhos maus.
Eu sonho porque não vejo razão de sair de uma cama quentinha e abandonar sonhos carinhosos para me chocar com o frio e com a indiferença dessa vida.
Meu nome é Sonhador Eterno. Eu não tenho idade. Eu não tenho nada. Eu só sonho. E isso é tudo.

(Erica Ferro)

* * *

Legal, voltei a inventar estórias.
Gostei, gostei!
Obrigada pelas visitas, pelo carinho e por seguirem esse blog tão sacudido e, por vezes, louco.
Um abraço da @ericona.


26 agosto 2010

O que não se pode chamar de amor

- Wander, eu preciso te contar uma coisa, uma coisa que venho ensaiando há muito tempo. Aliás, não seria bem ensaiando. Ou seria? Não sei. - Paula tropeçava nas próprias palavras, era o nervosismo personificado. - Quero dizer, eu passei todo esse tempo criando coragem pra dizer isso que hoje resolvi dizer. Escute, Wander, escute bem... A verdade é que de uns tempos pra cá você se tornou a minha vida, a minha razão de existir. Não tem mais sentido viver sem você. Eu queria tanto que você correspondesse a isso, que me amasse como eu o amo, que me quisesse incondicionalmente como eu o quero.
- Paula, isso não é amor. Amor não é se anular em função de outro. É bobagem gostar mais de alguém do que de si mesmo. É loucura, entende? Não pode se importar-se com alguém mais do que consigo mesma. Olha, eu lamento dizer, mas você não me ama. Eu não sei definir o que você sente por mim, mas isso, definitivamente, não é amor. Amor não é isso. Amar é se sentir completo com o ser amado, não anulação, não submissão aos desejos do outro, aos sonhos do outro. Você tem vida, a sua vida, os seus sonhos, os seus medos. Você não pode matar-se para viver a vida de outro alguém. Isso não é possível. Eu não te amo, Paula. Desculpe ser tão franco, até mesmo cruel. Mas eu não te amo e nem sinto esse sentimento tão louco que você sente por mim. Na verdade, eu gosto de você, como pessoa, como ser humano que eu sei que você um dia foi, determinado e com vida própria, amando mais a si mesmo do que a qualquer outra pessoa. E eu gosto de você pelo o que você pode ser. Essa paixão desesperada que você sente por mim um dia vai passar. Eu sei que vai. Aquela coisa de que "tudo passa" é verdade, Paula. Creia nisso.

Paula escutou a tudo calada, abismada, petrificada, mortificada pela raiva. Apenas proferiu as seguintes palavras:

- Eu te odeio, Wander!

E saiu correndo, em prantos, odiando as verdades, odiando o amor, odiando a tudo.

(Erica Ferro)

* * *

"Pare e escreva, Erica. Pare, que as letras saem naturalmente. É só parar e escrever. Só!" - é o que me digo sempre.
[...]
Um abraço!


24 agosto 2010

Afogada

Meus passos, antes largos, hoje são pequeninos, medrosos.
Minha voz, antes alta e confiante, hoje nada mais é do que um fiapo de voz, que mal se ouve, que mal escuto.
Meu coração, antes apaixonado, hoje não mais se emociona com canções de amor.
Hoje eu não sou.
Hoje eu sou prisioneira do meu próprio crime de querer comer a vida de uma vez só; e, fracamente, alimento a esperança de um dia voltar a ser.
Ser o que eu nunca soube ao certo, mas que eu era de modo simples, descomplicado, e que hoje eu não consigo enxergar, relembrar, reproduzir.
Eu me perdi quando eu tentava me desvendar e descobrir o que me cercava.
Eu queria tocar a essência das coisas, mergulhei tão fundo, tão fundo, mas jamais consegui ver o que eu queria ver, sentir o que eu queria sentir e entender o que eu queria entender.
Depois de mergulhar tão fundo, eu não consegui retornar a superfície. Vivo agoniada. Hoje não sinto nem o superficial e nem o que é chamado de intenso.
Não sei até quando posso suportar. Meu ar está acabado, tenho as faces arroxeadas. Será meu destino morrer afogada?

(Erica Ferro)

* * *

"Apareceu a Margarida... Olê, olê, olá...".
Não sei ao certo se as palavras me fogem ou se eu é que fujo delas.
Não sei, também, quando volto.
Desativei os comentários esses dias, mas agora eles foram reativados. Não posso "calar" os dedos de vocês.
Um abraço.
Até outro dia.


07 agosto 2010

Sobre ser louco

Mergulhei nessa loucura tão boa
Esqueci-me das dores causadas pela sanidade
Afoguei as ansiedades, as saudades
E toda a imbecilidade

Libertei a mim mesma
Abandonei os pesares
Sorri para o espelho
Conheci a liberdade

Sou louca por opção
Ou seria por predestinação?
Tanto faz...
De ser louca eu não abro mão!

A loucura não pesa
E não machuca
Perco a cabeça
Mas o coração não!

(Erica Ferro & Ana Seerig)

* * *

Povo blogueiro, qual é o resultado de duas pessoas desocupadas e loucas, que vagam pelo MSN? Começar a ter ideias incríveis, tais como essa de fazer um poema em dupla (risos). Mas, sério, gostei da brincadeira. Foi legal o desafio. E outra, descobri o lado poetisa da Ana Seerig. Sei, agora, que ela escreve poesias incríveis e as esconde debaixo da cama. Ah! Te peguei, Seerig!
(...)
Até outra hora, pessoas bonitas!

30 julho 2010

Provação

O meu maior erro foi achar que erros são sempre acontecimentos ruins e infrutíferos na vida. Ora, aquele clichê que errar é humano é tão verdadeiro quanto dois mais dois são quatro. O ser humano precisa errar para se encontrar ou se perder de vez na vida. Tentar algo é estar sujeito ao sucesso ou ao fracasso.
Há riscos que precisamos correr. Riscos estes que podem nos proporcionar o que sempre desejamos. Se der errado, se não for como pensávamos que seria... E daí? Como saberíamos que não daria certo se sequer tentássemos? Erramos, mas foi um erro necessário, um erro que sentenciou de vez a questão.
Há coisas que fazemos que já sabemos que não é algo bom, que não é algo "legal", mas, não sei... Parece que queremos ver no que é que dá, precisamos quebrar a cara, nos ferir e cair do precipício para entendermos e sentirmos na pele as consequências dos nossos erros. E nos arrependemos. Se arrepender não é algo vergonhoso, humilhante. Se arrepender prova que você tem noção do quanto foi falho e o quanto sabe das suas limitações. Eu não posso acreditar que há pessoas que não se arrependem de nada que fizeram ou deixaram de fazer. Na minha opinião, há pessoas que não gostam de mostrar as próprias fraquezas. Gostam de passar a imagem de uma pessoa sempre muito bem resolvida, muito "desencanada". Só que eu ainda alimento a ideia de que, essas mesmas pessoas que aparentam tamanha fortaleza, choram de quando em quando em seus travesseiros, se lamentando por algo que realizaram ou aquela oportunidade perdida de fazer o que tanto se queria fazer.
Não digo que errem sempre. Não digo que se joguem a qualquer tipo de perigo. Que metam a cara sem medo na vida, em qualquer que seja a aventura. Digo, apenas, que não se limitem ao que conhecem, que não tenham medo de sofrer por algo que não surtiu o efeito esperado.
É preciso provar da vida e ser provado por ela. Essa é graça. E, nessa provação toda, os erros estão inegavelmente mais do que presentes.

(Erica Ferro)

* * *

Pauta para o Blorkutando.
Tema: "O meu maior erro foi...".

* * *

Cacetada! Apareci por aqui. Como vão?
Olha, trocentos mil anos que não participo do Blorkutando, mas resolvi participar essa semana.
Na verdade, estava pensando nisso hoje, em erros e chances desperdiçadas. Então resolvi escrever e, aproveitando o ensejo, atualizar o blog. Não vou responder todos os comentários do último post agora; não sei se conseguirei responder todos os comentários hoje. Mas enfim, no mais tardar, amanhã passo no blog de todas pessoas que passaram pelo meu penúltimo post. Porque, por mais que ultimamente eu não tenha acompanhado os blogs que sigo, tenho uma certa consideração e respeito por quem me visita.
Um abraço da @ericona pra vocês, blogueiros. E um ótimo fim de semana.

22 julho 2010

Amo. Sem sonhos.

Canso-me do não-ser e resolvo não querer mais nada.
Canso-me do não querer mais nada e volto a querer muito, tudo.
Canso-me das coisas improváveis da vida e perco a fé em qualquer palavra bonita.
Canso-me de viver sem nenhum tipo de crença e volto a crer no amor.

É preciso amor. Amor em suas variadas formas.
Amor em sua melhor forma: o amor despretensioso.

Você chegou num dia em que eu não queria mais nada.
Pois eu já tinha cansado de tudo que não foi.
A não-reciprocidade me sugou quase todo o meu acreditar.
Mas ainda bem que ela deixou intacta a minha capacidade de amar.
E eu voltei a querer tudo.
Voltei a querer ser a melodia da canção de alguém.

E há tempo cansei-me de novo. De novo e sempre.
Cansei de esperar retorno de qualquer coisa, da vida, eu diria.
Das coisas da vida.
Entendi que há beleza no amor despretensioso.
No amor só por amar. Sem esperar. Sem devanear.
Eu te amo sem sonhar. E isso me basta. Hoje me basta.

(Erica Ferro)

* * *

Oi, oi! Como estão?
Como viram, não demorei muito pra voltar. Tenho algumas coisas que querem sair da "cachola", mas essa de hoje era a mais urgente.
[...]
Visitem o Pensamentos Devaneantes.
Um abraço da @ericona.


17 julho 2010

A gente reclama - Nivaldo Pereira

A gente reclama do calor. Que bafo! Não dá para caminhar na rua! O sol está de torrar os miolos. Imagine quem tem que trabalhar no campo. Se a gente estivesse na praia, não fazia um sol desses.

A gente reclama do frio. Meu Deus! É de renguear cusco. Isso é lugar para viver? Isso é clima de gente? É dose sair de casa entrouxado. E levantar da cama? E a hora do banho? Horrível! Viver aqui é desumano.

A gente reclama da meia estação. Credo, quatro estações num dia é para matar! Tinha sol há 15 minutos, e olha a cerração! Assim não há saúde que aguente. É um tal de tirar roupa e botar roupa... Ah, ainda ganho na loteria e caio fora daqui.

A gente reclama da fila no caixa eletrônico. Gentalha burra! Que adianta informatizar tudo num país de analfabetos? Aquela nem sabe usar o cartão. Aquele ali vai levar uma eternidade com tanta conta a pagar. Ah, não, dia de pagamento de aposentadorias...

A gente reclama na fila do bufê. Essa gorda vai fuçar tudo até achar o pedaço que quer. Esse aí não sabe do que gosta. Olha a lenta! Ah, não, mãe fazendo prato de criança, ninguém merece. Senhor, dai-me paciência, senão eu tomo o azeite da mão dessa lesma.

A gente reclama de quem cria. Que bobagem. Que horror. Coisa feia. Quanto amadorismo. Sempre os mesmos. Poupe-me. Eu é que não vou pagar para ver isso.

A gente reclama de quem não cria. Nada para fazer numa cidade desse tamanho. Os artistas não se mexem. Tanta história legal para resgatar. Tanto potencial. Não tem cabimento essa miséria cultural. Onde estão os produtores?

A gente reclama de quem reclama. Que gente insatisfeita. Nada presta, nada vale, por que não vão embora? Que mania de criticar. Reclamam de barriga cheia.

A gente reclama de quem não reclama. Por isso o Brasil está desse jeito. Povinho acomodado. Políticos determinam e ninguém se mexe, ninguém faz nada. Que saudade do movimento estudantil. Em outro país, isso seria motivo de revolução.

A gente reclama por reclamar. A gente só sabe reclamar.

A gente é você, ele, nós. A gente é todo mundo.

E eu? Ah, eu estou aqui, outra vez, querendo reclamar não sei bem de quê...

(Nivaldo Pereira)

* * *

Alô, blogosfera! Depois de uma semana, exatamente uma semana, eis-me aqui, com a mesma face, com a mesma loucura e é isso aí. A mente anda meio louca, perturbada e, por isso, as ideias estão num estado de confusão total. É normal, é normal. Ser louco é normal; o anormal mesmo é ser normal. E tenho dito!
[...]
Bela crônica do Nivaldo, não é? Um beslicãozinho no bracinho dos reclamões (estou nesse grupo que reclama um bocado, e de quase tudo). Reclamemos menos e vivamos mais, tentando sempre ver o lado positivo de todas as coisas.
Ah! Uma notícia muito boa pra vocês, blogueiros: o autor dessa crônica, grande jornalista, cronista e etc., Nivaldo Pereira, entrou para blogosfera. Sim, isso mesmo! E vocês podem encontrá-lo na Terceira Casa. Visitem-o, conheçam-o e apaixonem-se pelas palavras do grande Nivaldo!
[...]
E, gente, não sei quando volto a atualizar o Sacudindo Palavras. Talvez seja amanhã, talvez seja daqui a uma semana, um mês... Não sei, não sei mesmo. Estou numa fase de insatisfação muito grande com tudo, isso inclui o que eu escrevo. Enfim, enfim... É isso!
Um abraço da @ericona.

10 julho 2010

Eis a graça

Não, eu não quero ouvir o que eles dizem. O que eles dizem? Eles dizem tantas coisas, mas tantas coisas, que eu não posso sequer pensar e dizer qualquer coisa que seja.
Eles pensam e dizem por mim. E eu não quero mais isso. Eu quero me isolar e descobrir quem eu sou, o que eu penso e sinto: sem influências ou qualquer outro contato com alguém "pronto".
Há alguém pronto, aliás? Não! Eu estou falando besteiras. Não existe ninguém pronto. Já diria Raul: somos uma metamorfose ambulante. Estamos sempre em formação, em mutação de ideias e comportamentos. Mas, entenda, eu não quero ver, ouvir ou sentir o mundo. Eu quero me ver, me ouvir e me sentir. Sentir a minha essência. A minha! O mundo me confunde e me tira de mim. As pessoas bagunçam o meu cérebro, expulsam minhas ideias, me impregnam com as delas. Não! Não me chame de fraca ou de influenciável. Olhe pra você e me diga o que é você, só você, em você. Me diga! Você não é original. Você é uma mistura de tudo o que já foram. Você é uma mistura de tudo o que vê e ouve. Eu sou assim também.
E essa é agonia: é saber que você não é você; que você se perdeu de você desde que passou a conhecer o mundo.
Somos o mundo? Espere! Somos o mundo?! Somos o que vemos e ouvimos? Não há problemas em sermos um pouco de tudo que há e do que houve um dia? Não há como se formar sozinho, sem deixar se influenciar e ser tocado pelas coisas existentes nessa vida?
O problema é que não há problema? Isso é realmente um problema. É preciso ter um problema a ser resolvido. Não ter problemas na vida é algo que verdadeiramente frustra. O que resolverei se já está tudo resolvido? Não haveria motivos para chorar ou mover um músculo do meu corpo.
Baguncemos tudo! Coloquemos o mundo de cabeça para baixo. Desgovernemos o trem das onze e meia. Tentemos entender essa loucura, ainda que nunca concluamos nada em definitivo. Tentar é o que vale. Tentar qualquer coisa que seja prova a nós mesmos que estamos vivos, que podemos nos mexer; e, nesse movimento, podemos chegar a algum lugar.
E é por isso que eu ando. E é por isso que eu enlouqueço. E é por isso que eu devaneio. E, enquanto vou vivendo, vou tentando entender a complexidade da vida. Eis a graça de se estar vivo.

(Erica Ferro)

* * *

Cacilda! Que texto devaneado, louco, doidão! Bem no estilo do Pensamentos Devaneantes (visitem, visitem!). Mas enfim, são pensamentos agoniados, meio dramáticos e insanos, porém são meus, e eu não me envergonho deles.
O negócio é o seguinte: hoje é o meu último post no Divã Cor de Rosa. Sim, é o meu "adeus". Lá explico tudo direitinho, vejam aqui.
Um abraço.
Hasta!

08 julho 2010

Ele nasceu para o nada

Foto retirada do Tumblr


"Tô cansado! Cansado de tudo. Vivo numa eterna agonia, um desespero sem nome e aparentemente sem solução. Vivia deslocado, pelos cantos, o excluído, o esquisito, sem vida sem social; que não falava o que pensava ou o que desejava, um covarde, que negava usar a vida que Deus lhe deu. Só não sei viver, não sei para quê vim ao mundo, não descobri o sentido da minha vida e talvez nunca descubra - esse é o meu inferno, o motivo de todas as minhas crises e todos os meus choros. Foi, então, que adotei um estilo de vida radical: skate na mão, rumando a praça perto de casa, sentindo a vida rodopiar e o sangue correr mais rápido por minhas veias. Foi o modo que eu encontrei de me sentir vivo, mesmo sem sentido, mesmo desse modo perigoso. Radical. É tudo que a minha vida não é. Não adianta negar, cansei do skate, cansei todas as manobras que eu já fiz, desde as simples até as mais perigosas. Desisti de viver assim. Eu não sou um cara que vê sentido em viver radicalmente; talvez eu só entrei nessa vida louca porque já estava cansado de ser o idiota da família, o cara que terminou o colegial e vivia enfiado nos livros, mas sem nenhum desejo de seguir uma carreira específica, sem nenhum caminho certo a seguir. Na verdade, eu queria provar que eu era alguém interessante ou que eu poderia ser alguém interessante, porque, na verdade, nem sei o que sou, se sou interessante ou não. Só sei que a minha vida foi um grande nada. E acredite quando digo nada. Acho que nasci para isso mesmo: para o nada. E isso é o que me agonia desde o meu primeiro choro."

(Erica Ferro)

* * *

"Mini-conto" para a 18ª edição do projeto "Mil palavras", idealizado pela Bárbara Farias, do blog Ella en palabras.
Espero que não relacionem o texto comigo; é sempre frustrante constatar que algumas pessoas acham que tudo que se escreve é autobiográfico.
Só mais uma coisa: em toda a minha vida bloguística, já recebi inúmeros selos, memes e essas coisas fofinhas que os blogueiros repassam e tudo mais, mas nunca tive paciência para postar os que ganho (peço desculpas por isso, mas é coisa minha...). O que eu quero dizer é que me sinto feliz quando vocês lembram de mim na hora indicar os "blogueiros ganhadores" de tais mimos, mas infelizmente eu não tenho disposição para postá-los aqui. Vocês hão de me entender ou, no mínimo, respeitar essa minha chatice (risos). Sim, sou bastante chata.
Um abraço da @ericona.

05 julho 2010

O inevitável da vida

As pessoas mudam. É, isso é uma máxima muito verdadeira. As pessoas mudam, para melhor, para pior: mudam. As pessoas não são perfeitas e nunca serão. Isso também é uma máxima verdadeiríssima. Ainda que as pessoas não sejam perfeitas, nós exigimos isso delas. Não uma perfeição total, mas desejamos o máximo de acertos possíveis da parte delas. E, quando elas nos decepcionam, em atos feitos e/ou não feitos, logicamente, elas "caem" no nosso conceito. É inevitável se entristecer com as pessoas. Sim, eu sei que é inevitável e normal. E também sei que as pessoas irão nos decepcionar sempre. Mas o fato é: as pessoas mudam. E em nome de que devemos mudar? Mudar por si mesmo, por achar que há um necessidade maior dentro de si que clama por isso, é uma razão para modificar nosso caráter e nossas ações. Mudar para satisfazer a própria vontade e a vontade do outro, para que, assim, se possa ter uma convivência melhor e mais harmoniosa, tudo bem - é uma causa nobre e totalmente digna. Mas mudar para agradar a um grupo dominante, para se adequar ao que chamam de "certo", quando o certo pode (e deve) ser questionado, testado uma, duas, quantas vezes for necessário. Seguir a maioria, fazer das palavras do outro as suas, sem sequer questioná-las, sem sequer tomar um posicionamento sobre o que foi abordado, é lamentável, é algo que só as pessoas "fracas" fazem. É triste ver que certas pessoas que nós considerávamos admiráveis, de "personalidade própria", pouco influenciáveis, mudaram para pior, abafaram seus conceitos e suas leis para falar em nome de uma causa indigna, levantando a bandeira da corrupção e das ideias condenáveis.
É realmente frustrante ver que, cada vez mais, as pessoas anulam-se em função das outras, dos pensamentos formados por um ser qualquer. As pessoas acomodaram-se às regras, aos dogmas e todas as coisas já criadas. Falta ousadia, falta vontade de quebrar todo o mundo e recriá-lo à maneira delas.

(Erica Ferro)

* * *

Faz muito, muito tempo mesmo que não venho aqui, não é?
Larguei, mesmo, a vida bloguística. Me desculpem, de verdade.
Não é falta de tempo, é falta de vontade, de ânimo, eu diria. É, essa é a palavra: ânimo.
A blogosfera pode ser um espaço tão bom e aproveitável quanto tão inútil e fútil.
É bem verdade que conheci pessoas fantásticas por aqui, sinceras em suas opinião e incríveis em seus belos textos. O que quero dizer é que algumas pessoas infelizmente esperam apenas um comentário, mais um seguidor, e isso me desmotiva a escrever aqui. Então deixarei claro: quem visitar o meu blog apenas com segundas intenções, com o pensamento de receber mais um comentário e mais um seguidor, aqui não é o lugar. Aqui é onde compartilho dos meus pensamentos e sentimentos com todos, mas me alegro com pessoas que realmente comentam despretensiosamente, pelo prazer de comentar, de falar o que entendeu, o que sentiu ao me ler. Agradeço aos que sempre estão comigo, independente das minhas retribuições, independente de tudo, enfim. A vocês, deixo o meu abraço sincero e a promessa de que não me demoro. E se demorar, é certo que eu sempre voltarei.
Até!

23 junho 2010

amor que me emudeceu

As palavras que tanto queria dizer a você
ficam presas em meu coração
flutuando por minha mente
me prendendo a uma mudez que eu não queria

E eu grito meus segredos em pensamento
e rezo, mentalmente,
para que você escute
e que saiba que é você
quem faz as rimas em forma de mão
que me arranca o sono e me faz pensar
em como seria bom se eu rimasse uma bela poesia
que eu traduzisse o amor que corre em tuas veias
em um beijo
e que de amor fôssemos criados e (re)criados
com o nascer da aurora.

(Erica Ferro)

* * *

Sim, é um post de Erica Ferro. Não, não morri; quem disse isso mentiu feio pra você.
Os posts estão sendo semanais, é isso? Vixe, não gosto disso; mas tudo bem, isso é o de menos.
A situação no nordeste está realmente séria; as chuvas castigaram bastante Alagoas e Pernambuco. Moro em Maceió, na capital de Alagoas; a minha cidade não foi tão afetada, tão destruída como muitos municípios aqui do estado. Muita gente desabrigada, muita gente desaparecida, números significativos de mortes confirmadas; enfim, uma tristeza que se assolou sobre o nordeste. Há campanhas que estão circulando pela Internet, que é justamente o SOS ALAGOAS e SOS PERNAMBUCO. Pelo o que eu entendi, dá para ajudar, também, por aqui, pela internet. Então, se você puder ajudar, da maneira que você puder, como você puder, saiba que estará minimizando, pelo menos momentaneamente, a agonia de várias pessoas.
Desde já, fica o meu muito obrigada e o meu abraço a vocês.

16 junho 2010

O que VOCÊ tem a dizer?

O que você tem a dizer?
Pois me nego a, mais uma vez, ouvir
as suas mentiras, a parte falsa
que você permite que more em você.
O que você tem realmente a dizer?
Por que fala, fala, e nada professa de sincero,
que mude algo, que mude tudo,
que te faça acreditar de novo em si mesmo,
que me faça acreditar que não me enganei
sobre ter algo nobre escondido em você
?
O que você tem a dizer?
Diga, mas diga o que você tem a dizer,
não o que lhe mandaram falar,
ou o que todo mundo queria ouvir.
Eu quero ouvir você,
porque eu sei que você tem muito
a dizer.

Olha, eu sei que você está perdido em si,
correndo pelas ruas, fugindo de si mesmo.
Sei que mente porque
as suas verdades são mais tristes
do que palhaços sem sorrisos.

Eu peço que você pegue essas mentiras
que eles ensinaram e cuspa-as no esgosto
mais próximo.
E diga-me o que se passa aí dentro.
Olhando em meus olhos diga o que
você pensa, em quem acredita
e o que quer daqui pra frente.
Eu estarei ao seu lado,
e eu deixarei que repouse o quanto quiser
em meu abraço.


(Erica Ferro)

* * *

Pessoal! Tudo bem com vocês?
Bom, eu tô legal, em clima de copa do mundo; torcendo muito pelo Brasil e esperando sempre mais, lógico. E vocês? Estão acompanhando os jogos? O que estão achando?
[...]
Fico por aqui, certo?
Um abraço da @ericona.
Até logo!

11 junho 2010

Amar, simplesmente...

Peguei suas rimas que ecoavam dentro da minha cabeça e as joguei no primeiro lixeiro que encontrei - elas não me arrancam suspiros mais. Peguei o CD com as diversas canções que você gravou em homenagem a alguém que você amou ou ainda vai amar, com exceção de mim, claro; pois não sou pessoa "amável" na sua concepção, risquei com uma faca amolada e depois joguei janela afora - sua voz não me arrepia mais. Deletei suas fotos do meu computador, rasguei tantas outras que tinha guardada na gaveta do criado-mudo, que tanto falava, que tanto gritava, que tanto pedia para que eu te tirasse dali e amasse você com os olhos, com a imaginação, com a loucura de uma paixão quente e imensa - agora tuas fotos fazem parte de um passado bom e ruim ao mesmo tempo, porque foi uma coisa unilateral, sem retorno, sofrido. E, hoje, eu faço tudo isso sem muito peso no coração, sem choro, porque eu cansei, cansei dessa imensidão tão minha, que eu queria tanto dividir com você; esse amor enorme que pedia compartilhamento, que pedia um ombro, um beijo, um abraço, um ser que o acolhesse dentro do peito e que o fizesse viver por longos dias.
Só que a vida é isso mesmo, é essa coisa tão desencontrada, tão desvairada, mas bonita em sua essência e em seu mistério. Não posso me lamentar por amores que não foram. Não posso praguejar contra casais de namorados, dizer que o amor que eles sentem um pelo o outro é menos verdadeiro, menos intenso e menos digno do que os meus amores. Não posso querer que a vida seja sempre boa, sempre harmoniosa, porque de fato eu não saberia valorizá-la como eu valorizo se não vivenciasse esses momentos ácidos, doces, loucos e necessários. E, por fim, não posso jamais perder a fé em um amor recíproco, em um amor bonito, meio cinematográfico, meio bobinho, fofinho e tudo "inho" que existir; bem típico de casais apaixonados, bobamente apaixonados, claro, mas não importa. O que vale nessa vida mesmo é amar, amar a si próprio, amar a vida, amar os desafios dessa mesma vida. Amar, simplesmente...

(Erica Ferro)

* * *

Ei, as minhas atualizações estão cada vez menos frequentes, né?
Ohn, não gosto desse meu silêncio. Preciso escrever mais, postar mais. Falar mais!
A fase amarga passou; acho que voltei a gostar de coisas românticas (na dose certa, é claro; sem muuuuito açúcar) e até escrevi algo sobre amor. Não com muito nexo, muito bem escrito porque, enfim, eu não sei escrever direito, mas faz parte de mim essa vontade de escrever, de tentar expressar os meus pensamentos e sentimentos. Isso é o que vale, pois é um exercício despretensioso, gostoso.
Amanhã é sábado e é dia de Divã cor-de-rosa. Leiam a @ericona lá, certo?
Um abraço!


04 junho 2010

Lá fora, o céu é uma só goteira

Chove lá fora
Chove muito
Cá dentro, faz frio
Meu corpo treme
E há uma goteira no meu quarto
Outra goteira na sala
Outra na cozinha

Baldes, preciso de baldes
As goteiras pingam, agora, nos baldes
Me enrolo
O frio se cala

Chove lá fora
Águas caem do céu
Vários corpos tremem
Olhos choram
Lágrimas e chuva se misturam
Lá fora, o céu é uma só goteira

(Erica Ferro)

* * *
Povo blogueiro, como estão?
Eis-me aqui, depois de trocentos anos sem aparecer, ou quase isso.
Retribuí as visitas que me fizeram no último post, mas ainda não retomei a leitura de todos os blogs que eu sigo. E nem sei quando retomo, mas o bom é que eu estou por aqui, que eu postei finalmente (a inspiração veio louca, numa dia chuvoso, reflexivo e o resto fica com vocês; espero que peguem a ideia desse pseudo-poema), e, claro, que não me afastei totalmente daqui.
Vocês sabem o carinho que tenho por cada um de vocês, não sabem? Então!
Olha, amanhã eu estarei no Divã cor-de-rosa. Me leiam por lá, combinado?
Aquele abraço!


28 maio 2010

"Envelhecendo na cidade..."

Quarta-feira, dia 26, era dia de escrever pra alguém muito especial, muito querido e que merecia muito mais do que uma homenagem minha, mas era tudo que eu poderia fazer no momento; um texto carinhoso, parabenizando-o por mais um aninho de vida e todos esses clichês que falamos nos aniversários das pessoas.
Quarta foi o aniversário do Erick Ferro, meu irmão. E eu não escrevi nada, porque deixei pra depois e depois e depois não deu mais tempo. Mas sempre é tempo, não é? Sempre é tempo de homenagear, comemorar e, enfim, de ser feliz.
Eu não quero ser muito melosa, muito dramática como eu normalmente (ou loucamente) sou.
Erick é fantástico, inteligente mesmo; e, por favor, não digo isso só porque é meu irmão e porque é Ferro; é porque de fato o menino é gênio mesmo. Tem suas chatices, seus defeitos, mas sabe encantar e cativar quem convive com ele. O cara é carismático, mais do que eu, eu acho.
Eu quero mesmo, de todo o coração, que ele seja muito feliz nos caminhos e nas escolhas dele. Que ele tenha saúde mental e física pra superar toda essa loucura que é a vida. E que eu esteja com ele sempre que possível.
E ontem foi o meu aniversário. É, exatamente duas décadas de existência, de muita loucura, experiências, sonhos, pesadelos; tantas coisas, que eu diria incontáveis.
Ainda não sou quem eu quero ser, mas acho que um dia eu serei de fato quem eu tanto queria. E levo fé que um dia darei orgulho aos que me conhecem e acreditam em mim.
Essa quinta foi normal, mas legal; algumas mensagens no celular, ligações, 'twittadas', recados no orkut, mensagens no MSN, texto da Ana Seerig pra mim (que eu gostei muito e fiquei realmente feliz o lendo... Obrigada, Seerig!), alguns presentes (o mais bonito foi a camisa do Grêmio, que eu tanto queria - sim, eu sou gremista!), visitas de alguns parentes, com direito a bolinho de aniversário (tava gostoso mesmo, o bolo).
Pena não ter tido treino ontem, é que sempre me faz bem nadar, e nadar no dia do meu aniversário não teria preço.
Mas tudo bem, acontece.
Encerro esse texto com a esperança de escrever algo muito mais criativo e emocionante no ano que vem.

(Erica Ferro)

* * *


Tô em dívida com a retribuição dos comentários, com a leitura dos blogs que acompanho, mas, infelizmente, essa dívida será quase que impagável, graças aos projetos que eu tenho pra mim. Porque, em certos momentos da vida, a gente precisa definir algumas prioridades e trilhar novos caminhos, deixando algumas coisas um pouco de lado, por mais que se goste delas; é isso que acontecerá dentro de algumas semanas. A leitura dos blogs, que são um bocado, ficará cada vez menos assídua; cada vez mais demorada a retribuição de visitas e comentários. Isso vai me entristecer, claro; mas eu preciso me desligar um pouco do virtual e começar a construir minha vida real. Enfim, eu sempre agradecerei pelo carinho, por tudo, enfim, que vocês tem sido, são e sempre serão na minha existência como blogueira. Lembrando que eu não deixarei de escrever e publicar minhas lorotas aqui, mas infelizmente não poderei dar toda aquela atenção a vocês como eu fazia antes.
É isso, é isso. Depois, quando chegar a hora de me desligar mesmo, eu aviso, escrevo algo melhor que isso como "despedida". Aliás, quem gostar verdadeiramente de ler e comentar aqui, comentará mesmo com a minha não-reciprocidade para com o blog deste.
(...)
Amanhã estarei no Divã cor-de-rosa.
Um abraço.

24 maio 2010

Ameace-me

Pegue minhas utopias e coloque-as na rua, em meios aos carros, prestes a serem pisoteados, esmagados.
Coloque-me na beira de um abismo e me diga que irá empurrar-me e que eu vou morrer se eu não implorar pra continuar vivendo.
Cuspa na minha cara todas as verdades que você acumulou ao longo de todos os seus anos de miserável vida, ou pode ser as mentiras mesmo, as quais você transforma em estórias sombrias.
Conte-me histórias macabras e me faça chorar, pedindo proteção e amparo quando a noite serena chegar.
Vá, me ameaça, me fira, me diga que eu vou morrer nas suas mãos, agora e já.
Talvez eu te mate antes que você possa me dar um último tiro na cabeça, me deixando no chão, inerte, sem alma.
Talvez eu te esmurre e diga o quanto você é idiota e patético e que eu não vou pedir clemência, pois já terei invertido o jogo. E você é quem estaria penando diante de mim.
Talvez se você me empurrasse, eu revidaria e ditaria as novas regras da brincadeira.
Mas você não faz nada, eu também não faço nada; e então ficamos nesse não-jogo, nessa não-vida. E isso, definitivamente, não tem graça alguma.

(Erica Ferro)

* * *

Quem acompanha o Sacudindo Palavras, também está convidado a acompanhar o Pensamentos Devaneantes.
O recado está dado.
Até outra hora, com mais post's psicóticos e desconexos.
Um abraço!


23 maio 2010

Desgostei

Me irritei com as palavras;
me irritei com o amor;
me irritei com a poesia;
me enfada toda canção;
me enoja todo clichê.

Tô querendo ir embora desse mundo!
Não morrer;
mas ir embora desse planeta;
e me aventurar por um mundo desconhecido,
um novo mundo.
Eu quero emoções novas,
quero desilusões diferentes,
outras paixões, menos dramáticas
e mais intensas na sua simplicidade.

Dane-se tudo isso de Terra!
Isso aqui tá com os dias contados...
E eu vou abandonar o barco,
sem levar nada e levando tudo
dentro da alma.

Apenas cansei desses choros iguais,
dessas piadas repetidas,
desses filmes melosos.

Eu vou embora!
Mas amanhã eu volto.
Eu sempre volto...

(Erica Ferro)

* * *

Sim, sou meio revoltada e louca; mas vocês já estão acostumados.
Talvez toda essa minha loucura se acalme um pouco porque, depois de duas semanas sem nadar, amanhã voltarei a treinar. Isso, sim, que é notícia boa!
Eu ainda tô gripada (misture gripe com sinusite = é como eu tô), porém tudo bem; eu preciso nadar amanhã, senão faço uma loucura. É muita saudade!
(...)
É isso. Até a próxima, blogueiros!


21 maio 2010

Rainha Hipocrisia

Preguiça. Grande preguiça em parar pra pensar, falar ou agir. Sentido. Não faz sentido pensar, agir ou falar. Mas é preciso adotar essas três coisas, porque senão não se vive; se vegeta.
Tenho uma infinidade de coisas a dizer, mas não tenho disposição. Aliás, as pessoas não gostariam de ouvir o que eu tenho a dizer. Geralmente as pessoas só gostam de ouvir o que lhes é agradável aos ouvidos. E o que eu tenho aqui na mente e na ponta da língua não é doce, não é acalentador.
É uma porção de farpas. O mundo, essa coisa imensa, ficou pequeno de tanto que se rendeu a hipocrisia. E isso aqui cheira a podre.
Raramente se vê pessoas despretensiosas. Toda ação é calculada, até mesmo os gestos de amor. É importante que se diga que calculamos nossas ações em busca de reciprocidade, ainda que inconscientemente - o que não dimunui o nosso pecado.
Me mostram caminhos, mas, esse mesmos que me mostram tais caminhos, tomam a direção contrária. Hipocrisia! As pessoas pregam algo que não cumprem. E como eu tenho desgosto por essas pessoas.
São tão falsas quanto suas palavras pseudo-revoltadas.
Ah! Eu me sinto uma velha. Uma velha chata e sem paciência para mil e uma coisas.
A estupidez, a superficialidade e a hipocrisia imperam desde sempre - e, para minha tristeza, agora mais do que nunca.
Encerro esse texto aqui, antes que eu apague tudo isso e desista de postar.


(Erica Ferro)


* * *

Como há uma porção de gente bonita que realmente se preocupa comigo, aviso: essa semana tem sido uma loucura. Tenho melhorado e piorado desse meu mal-estar prolongado. Essa gripe, essas dores musculares... Têm me tirado o sono.
Espero ficar bem, realmente bem, logo.
Amanhã estarei no Divã Cor de Rosa.
Um abraço!