26 agosto 2010

O que não se pode chamar de amor

- Wander, eu preciso te contar uma coisa, uma coisa que venho ensaiando há muito tempo. Aliás, não seria bem ensaiando. Ou seria? Não sei. - Paula tropeçava nas próprias palavras, era o nervosismo personificado. - Quero dizer, eu passei todo esse tempo criando coragem pra dizer isso que hoje resolvi dizer. Escute, Wander, escute bem... A verdade é que de uns tempos pra cá você se tornou a minha vida, a minha razão de existir. Não tem mais sentido viver sem você. Eu queria tanto que você correspondesse a isso, que me amasse como eu o amo, que me quisesse incondicionalmente como eu o quero.
- Paula, isso não é amor. Amor não é se anular em função de outro. É bobagem gostar mais de alguém do que de si mesmo. É loucura, entende? Não pode se importar-se com alguém mais do que consigo mesma. Olha, eu lamento dizer, mas você não me ama. Eu não sei definir o que você sente por mim, mas isso, definitivamente, não é amor. Amor não é isso. Amar é se sentir completo com o ser amado, não anulação, não submissão aos desejos do outro, aos sonhos do outro. Você tem vida, a sua vida, os seus sonhos, os seus medos. Você não pode matar-se para viver a vida de outro alguém. Isso não é possível. Eu não te amo, Paula. Desculpe ser tão franco, até mesmo cruel. Mas eu não te amo e nem sinto esse sentimento tão louco que você sente por mim. Na verdade, eu gosto de você, como pessoa, como ser humano que eu sei que você um dia foi, determinado e com vida própria, amando mais a si mesmo do que a qualquer outra pessoa. E eu gosto de você pelo o que você pode ser. Essa paixão desesperada que você sente por mim um dia vai passar. Eu sei que vai. Aquela coisa de que "tudo passa" é verdade, Paula. Creia nisso.

Paula escutou a tudo calada, abismada, petrificada, mortificada pela raiva. Apenas proferiu as seguintes palavras:

- Eu te odeio, Wander!

E saiu correndo, em prantos, odiando as verdades, odiando o amor, odiando a tudo.

(Erica Ferro)

* * *

"Pare e escreva, Erica. Pare, que as letras saem naturalmente. É só parar e escrever. Só!" - é o que me digo sempre.
[...]
Um abraço!


32 comentários:

  1. Percebeu que em alguns relacionamentos as pessoas ficam dependentes uma da outra, amando mais seu companheiro que a si mesmo?
    Bem o que teu texto disse.
    Mas enfim, amar é estranho, o amor é um sentimento estranho acho que nunca consiguirei entendê-lo.
    Beijos

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  2. A verdade nem sempre nos agrada,e o amor também nem sempre nos agrada,acredito que amar é amar primeiro a si mesmo,e assim amar outra pessoa. ;)

    Sim Érica,pare mais vezes para escrever mais textos lindos como esse! *.* hehe

    Beijos.

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  3. Acho que as vezes é assim mesmo, as pessoas não amam de um jeito bonito e saudável. São as pessoas que 'amam demais'. Espero nunca passar por isso :S

    Mas desse tipo de amor para o ódio, é um passo, assim como foi no texto.

    Beijo, Ericona. ^-^

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  4. Ele está certo, mas ela não está errada. As vezes o amor faz alguém crescer a altura do nosso ego, e de repente você é menos, mas não por ser exatamente, mas porque de repente o sorriso do outro e a felicidade do outro, se torna sua também. Eu não acho isso anulação.

    Beijos, adorei. Gosto demais de textos assim.

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  5. O amor é treco louco, e às vezes não é treco nenhum. É sonho.

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  6. Acho que a postura deele merece ser destacada. Muitas vezes as pessoas aceitam que a ura se anule pr causa dela. Acham até bonito as crises de ciumes louco, por exemplo. Mas você gostar de alguém é também dar a outra liberdade.

    beijo

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  7. Certo, certo e certo. As pessoas deviam parar para pensar em si mesmas e autorrefletir em vez de sairem desesperadas em busca de um 'novo amor' assim que são 'chutadas' (pessoas assim são chutadas, nunca chutam ninguem).

    Mui bueno, Ferro!

    Será egocentrismo meu, mas tu (ou teu inconsciente) pensava em mim na hora de escolher os nomes dos personagens: Ana PAULA Seerig - WANDER Wildner. (putz, quem ler isso vai achar que eu tenho um caso com ele ou algo assim... Pô, é só meu cantor favorito, ou um deles...)

    sausausahsuahsuahsuashas


    Beijooo

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  8. Não podemos nunca ficarmos dependentes das pessoas e sim tentar buscar uma evolução um crescimento daquilo....

    Bjaoo

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  9. Olá,

    Estive passeando e achei a porta aberta, entrei e gostei do que vi, bem como dos comentários de seus amigos, voltarei... se não se importar, é claro!

    Beijos :)

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  10. A verdade às vezes dói, neah?

    Mas, sabe que isso de se anular em prol do ser amado é quase como um vício...? Quando você vê já está fazendo! É muito difícil separar 'amar' de 'precisar'. Acho que o amor verdadeiro começa justamente quando você entende que não precisa daquela pessoa, mas apenas quer completar-se com ela. -filosofei bunito agora!

    Bjão, Ericona!

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  11. Oii
    Ah quem nunca sentio isso né? Um amo, que chamamos de amor né?, mas que na verdade é um sentimento de posse.

    Curti o ntexto em flor.

    beijos

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  12. Submissão e submissão. Amor é amor e malandro é malandro, mané é mané. Haha. Mas falando sério, nada ver o lance da pessoa ser submissa a outra e chamar isso de amor. É triste.

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  13. Acho que se seu tivesse escutado apenas um: eu não te amo larga do meu pé, não sofreria tanto quanto ainda sofro. beijo

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  14. Coincidentemente, eu comecei a ler esses dias o livro Amor Líquido, do sociólogo Bauman, que fala "sobre a fragilidade dos laços humanos".
    A definição dele de desejo e amor, suas diferenças, é uma das mais belas que eu já vi.
    Lembrei do livro instantaneamente ao ler seu texto.
    O fato é que eu tenho medo desse excesso de amor. Dessa anulação (na minha opinião, a grande palavra do seu texto).
    Enfim, parabéns!
    Espero que vc pare outras vezes.
    Assim como, espero que eu consiga parar também para lê-los.
    Beijos! ;***

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  15. Agora que ela o odeia, chegou a vez dele...

    Ericona, beijo grandeeeeeeee! ;)

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  16. Quem me dera eu parar e escrever assim, Erica.


    E Wander estava certo, realmente não era amor.


    beijos

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  17. Devo-te dizer que, apesar de nesse texto estar uma inteligente mensagem de moral, eu ri no fim do texto. Tamanha a estupidez da rapariga... "Eu te odeio!"? Ainda há uns segundos dizia que o amava. Que seria de nós se os nossos sentimentos mudassem assim tão rapidamente?...

    Mas bem, como já disse o texto manda uma mensagem importante: amar o outro deve-nos completar e não anular.

    Muito bem, Erica. :]

    Abraço! :D

    (Tenho saudades de falar contigo, quando tiver um tempinho passo no msn. Hoje não vou poder mas talvez amanha... :])

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  18. Eu ia dizer que discordo de Wander. Ia. No final, porém, Paula provou de forma quase instantânea que ele estava certo. Talvez essa fosse sua intenção, provar que estava certo, ou talvez esse seja seu pensamento mesmo. Paula, por outro lado, precipitou-se ao entregar seu amor a uma pessoa que não combina muito com ela. Talvez tenha feito isso levada pelos estímulos visuais (Wander deve ser, como dizem, um gato)o que faz dela volúvel e de perfil incompatível com sua ideia de amor. Só podia acabar em mágoa!

    Enfim, parabéns, acho que você montou um belo quebra-cabeça psicológico, que deu o que pensar.

    Espero que o amor siga conquistando tudo. Beijo!

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  19. Essa é uma dor muito ruim de se sentir!!

    mas passa!

    bj

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  20. Que linda história, gostei da forma como tu escreve sobre coisas que acontecem com muitas!

    Amei blog!


    bjos

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  21. Que crônica mais idílica! (:

    "Eu gosto de você como pessoa" - e nossa, que frase mais realista e horrível de se escutar, não é?

    Beijos, bom final de semana!

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  22. O Wander arrasou dando essa definição impecável do que é o amor. Amei!

    Um beijo :*

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  23. A menina ficou parada ouvindo tudo, brother... caraca! E ela achou que tivesse ensaiado, né... O cara mandou um texto muito mais ensaiado do que o dela. Enfim. Bom texto.rs

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  24. É não era amor.Afinal nessa vida é tão facil encontrar coisas que confudimos com amor que na hora que o amor cruzar no nosso caminhos nada faremos.
    Bjão Erica,saudades daqui

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  25. E é tão dificil comprender que amor não é isso... Não é o anular-se e viver só pelo outro ;~
    E tudo passe mesmo...
    um dia tudo passa ;/
    beijos.

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  26. Ele tem razão, amamos mais as outras pessoas do que a nós mesmos.Concordo.
    -


    Beeeijão. Seus textos, sempre tãaaao lindos *_*

    beeeijão!

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  27. Ah, tadinhaaa... tá, oq ele falou é verdade... mas tadinha mesmo assim!! =[
    hehehe

    bjusss

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  28. Amei o nome do teu espaço 'Sacudindo Palavras', e tudo por aqui é degustativo.

    Abraços

    Priscila Cáliga

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  29. Odiava tanta coisa...
    e não sacudia somente as palavras..
    MAs com tempo eu percebi, que isso me consumia mais do que me libertava..
    entõa eu vi que não valia!

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  30. A gente tem que ter estes momentos intensos, nem tudo é calmaria. ódio existe.

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  31. hehe caraca! esse cara tá pior que uns e outros... :$ olha vou te falar... resposta chocante. apesar de tudo esse tal de Wander parece se importar com a Paula. bem, pelo menos amigos dão bons conselhos né... acredito que se ele gostasse dela, a conversa seria outra... por exemplo: é isso aí, vc tá certa, eu tb te amo, num larga do meu pé kkkk

    ai, apesar de já ter tomado um toco daqueles de tirar o chão eu nunca consegui dizer que odiava a pessoa... hehe.. a dor é inevitável.. mas o ódio n combina com o (meu) amor... enfim... vc falou sobre um tema mto importante sob um ponto de vista interessante. gostei!

    bjss

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Fico feliz que tenha visitado o Sacudindo Palavras! Sempre que sentir saudade, volte. Será muito bem-vindo (a).

E então, quais as palavras que você irá sacudir?