29 dezembro 2013

Resenha: Sonhe Mais - Jai Pausch


Sonhe Mais - Reconstruindo a vida após a perda
Jai Pausch
Novo Conceito
256 páginas
☺☺☺
Jai Pausch passou por um trauma: a perda do marido para um câncer de pâncreas. A enfermidade de Randy Pausch também destruiu as verdades e as certezas em que Jai acreditava.
Pega de surpresa pela doença, que avançou rapidamente, Jai Pausch precisou inverter suas prioridades. Acostumada a cuidar da família, percebeu que aquele era, também, o momento de cuidar de si mesma, porque, do contrário — caso fraquejasse —, sua família não sobreviveria. E, apesar de todas as alterações pelas quais passou, foi capaz de registrar a maior parte de suas experiências, dúvidas e medos. 
Este registro acabou se constituindo num relato vigoroso sobre como a morte muda o relacionamento entre as pessoas e sobre como é possível sobreviver, passo a passo, a essas mudanças.
Sonhe Mais é referência para todos os que estão vivendo uma fase de transição e é leitura obrigatória para aqueles que passaram, ou estão passando, por um momento de dor.

Uma das doenças mais devastadoras é o câncer, seja qual o tipo que for. O de pâncreas, segundo as informações repassadas no livro Sonhe Mais, é extremamente cruel e a chance de sobrevivência é pequena.
Imagine que você encontra o homem da sua vida, se apaixona, se casa, dá a luz a três crianças e forma uma linda família... Até o dia em que o câncer de pâncreas resolve bater à sua porta, escolhendo o amor da sua vida para ser a mais nova vítima dele. Foi isso que aconteceu a Jai Pausch.
Em Sonhe Mais, Jai Pausch fala sobre o impacto do câncer em sua vida e de seus filhos, desde o terrível diagnóstico até após a morte de seu esposo, Randy Pausch, autor do best-seller A lição final (que ainda não li, mas, depois de ler esse da Jai, preciso ler o de Randy).
Ao saber da doença do marido, Jai fica desnorteada e seu coração e mente se enchem de medo e insegurança. Na época do diagnóstico, dois de seus três filhos, Logan e Chloe, eram muito pequenos pra entender o que era câncer e a devastação que ele poderia causar. Aliás, Chloe era apenas um bebê. Já Dylan, de personalidade perspicaz e que demonstrava até um amadurecimento além da idade que tinha, entendeu, à seu modo, o que acontecia ao seu redor. Jai entendia que era uma doença grave, e era esse o motivo da sua agonia; o que a aliviava era que sabia que ela e Randy iriam buscar os melhores e mais eficazes tratamentos para que, juntos, vencessem a guerra contra o câncer.
No começo, isso deu certo. Randy passou um tempo incrivelmente bem, sem sentir os sinais do câncer... E então, ele voltou. Voltou com força total, infelizmente. Metástase. E foi-se as chances de cura e de vencer o câncer. Randy morreria. Jai ficaria sozinha com as três crianças para criar.
Randy sempre foi um homem pragmático, Jai nos conta, que sabia deixar o sentimentalismo de lado quando precisava agir racionalmente, principalmente porque ele amava imensamente Jai e as crianças e queria fazer de tudo que era possível para que todos eles pudessem ter uma vida com menos empecilhos e dificuldades possíveis após a sua morte.
Além de fazer tudo que era possível para garantir que Jai e seus filhos ficariam o mais seguros possíveis quando o perdessem, Randy, graças ao sucesso da sua palestra na Carnegie Mellon University, que se transformou em livro, que citei no começo da resenha, começou a sua luta para chamar a atenção das pessoas, sobretudo do governo, para angariação de mais fundos para pesquisa sobre o câncer, em especial ao de pâncreas.
Randy concedeu diversas entrevistas a jornais, revistas e programas televisivos. Conheceu e encantou Oprah Winfrey e toda a sua plateia. Todos os que assistiram a sua palestra na Carnegie Mellon ficaram chocados como um homem à beira da morte poderia manter o bom humor e o autocontrole. Todos que assistiam as suas entrevistas ficavam encantados com a maneira sensata e nada angustiada com a qual ele encarava a morte iminente.
Jai nos conta e reconta sobre o pragmatismo de Randy e sobre como ele encarou a morte de uma maneira que poucos encarariam. Um dos tópicos que dilaceravam o coração de Randy e fazia o dobrar-se em dor era o fato de os filhos não puderem tê-lo no futuro, e vice-versa. No mais, Randy tinha êxito em se manter firme, sem titubear, com a aproximação da morte. Então, o câncer foi o debilitando mais e mais, até que Randy faleceu.
Jai não sofreu um baque, digamos, porque era algo iminente e irreversível. Porém, mesmo assim, ela sentiu a dor, a perda; e, principalmente, o medo de não dar conta da criação de três crianças e administrar um lar a tomou com toda a força. Ela confessa que não tinha o pragmatismo de Randy, no qual ela se apoiou por anos, por isso foi tão difícil se adaptar à nova realidade. Contudo, Jai, à seu modo, com a ajuda de familiares e amigos, conseguiu driblar as dificuldades e executar as tarefas como mãe e como administradora de um lar. Mesmo antes de Randy morrer, a família Pausch teve o apoio de familiares e amigos nos cuidados com as crianças e a casa.
Embora a minha resenha fale mais de câncer e de Randy, o foco do livro de Jai é o/a cuidador(a). Jai teve sua experiência como cuidadora e ressalta a importância dos centros de oncologia darem mais visibilidade ao cuidador, em vez de somente ao paciente. Porque, segundo Jai, o/a cuidador(a) sofre bastante ao ver seu ente querido passando por coisas terríveis sem puder ajudar de forma eficaz, pra aliviar as dores e arrancar o sofrimento de quem ama. Consequentemente, isso causa um sentimento de frustração, mesmo que, conscientemente, saibam que não podem fazer mais do que já fazem. Acompanhamento terapêutico é extremamente importante nesses casos.
Eu poderia dizer que me compadeci da dor de Jai e que ela se tornou uma amiga que eu não conheci, não conheço e muito provavelmente nunca vou conhecer. Sim, me compadeci da dor dela, mas não consegui criar um laço com Jai. Notei uma certa imaturidade em algumas passagens, nas quais ela se preocupava com questões irrelevantes enquanto seu marido estava morrendo. Percebi um egoísmo da parte dela em alguns momentos que ela descreveu, e isso me fez gostar um pouco menos de Jai e tomar mais partido de Randy.
Dei três estrelas ao livro pela história de Randy, sua trajetória e pelo fato de ter conseguido visualizar um Randy além do que Jai descrevia. Entendo a preocupação de Jai com os cuidadores, e acho esse fato relevante e que deve ser visto com mais cautela, mas creio que ela fez o livro mais como um exorcismo, meio que para se desculpar com alguém, meio para se justificar sobre algumas atitudes que tomou e, no final, para inspirar pessoas a não desistirem da vida, não importa quantas vezes os seus sonhos sejam despedaçados.
O projeto gráfico da capa ficou magnífico. A textura de toda a parte externa do livro é uma delícia. A Editora Novo Conceito, sem dúvida, está de parabéns pelo trabalho.
Na sinopse diz que é um livro para quem está vivenciando um processo de transição ou que está passando ou passou por um momento de dor. Vou além: creio que é um livro para que possamos "pensar fora da caixa". Há quem tenha medo de ler sobre coisas doloridas, porque, obviamente, consternam e incomodam. Entretanto, eu prefiro ler tais livros, de quando em quando, para sair da zona de conforto, para vivenciar novas realidades, por mais contundentes que elas sejam. Indico a todos que não temem chorar a dor do outro.
Por fim, curiosa do jeito que sou, não poderia deixar de procurar os vídeos de Randy Pausch. Vi o resumo de uns e, pelo pouco que vi, Randy fez jus ao que Jai disse no livro: era um homem que tinha um brilho no olhar, uma vivacidade invejável e uma desenvoltura ao falar que impressionava e cativava a plateia. Preciso ver toda a palestra que ele concedeu na Carnegie Mellon, que está disponível no YouTube.
Deixarei aqui embaixo a primeira parte da palestra:


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Antes do dia 31, pretendo iniciar e finalizar um livro bem bonitinho, também que recebi de parceria com a Novo Conceito, chamado O amor mora ao lado, da Debbie Macomber, para finalizar o ano de um jeito bem adorável.
Espero que resenha tenha ficado bacana. Confesso que ficou maior do que o que eu previa, e olhe que me esforcei pra ser sucinta, mas não obtive êxito, como puderam ver.
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(...)
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Um abraço da @ericona.
Hasta! 

24 dezembro 2013

Just believe!



Há uns dias estava garimpando músicas bacanas na maravilhosa fonte musical que é o Grooveshark, e encontrei essa lindeza de música: extremamente doce, tocante, com uma mensagem encantadora. Vejam o vídeo. Escutem a melodia. Leiam a letra. Nessa magia natalina eu acredito. Acredito que, mesmo com muito para nos preocupar, há muito o que celebrar. Celebremos, pois. Deixemos essa magia contagiar nossos dias.
Independente de religiões e de alguns fazerem dessa época um tempo de consumo desenfreado, penso que não é uma data que devemos ignorar. Creio que ter um dia do ano para avaliar nossos feitos e os não-feitos é válido. Creio, mesmo, que é muito bacana ter um dia para que nossas esperanças, afervoradas pelo dito espírito natalino renasçam. Creio, com todo o meu coração, que o Natal é um momento em que devemos estar bem perto das pessoas que amamos, o mais perto possível, daqueles que fazem a nossa vida mais colorida, mais bonita, mais feliz.
Natal é tempo de relembranças. Natal é tempo de reviver e reviver momentos. Natal é tempo de agradecer por todas as conquistas e por todas as alegrias diárias. Não que seja o único dia em que devemos agradecer. Pelo contrário, devemos ser sempre gratos pelos degraus que galgamos na íngreme escada da vida. Entretanto, fazer um apanhado geral de tudo que houve de esplendoroso em nosso ano e agradecer no Natal é algo impagável e muito especial.
Claro, muitos reclamam da hipocrisia do Natal, no qual pessoas que durante o ano inteiro se evitam e/ou se ignoram, mas que nessa época se abraçam, trocam presentes, etc. Há muita hipocrisia no Natal, sim. Há sempre. Há em todo lugar. No entanto, podemos fazer escolhas. Eu, por exemplo, escolho não ser hipócrita. Eu escolho ficar perto de quem eu realmente gosto e aprecio a companhia. Eu escolho abraçar a quem eu tenho um apreço gigantesco. Eu escolho abrir meus braços àqueles que querem me abraçar. 
Um dos meus desejos natalinos é que um dia, oh! um dia!, esse espírito bonito de se compadecer e tentar solucionar as necessidades alheias não exista apenas no Natal. Que a bondade e a capacidade de visualizar o que acontece ao redor permaneçam durante todos os dias do ano. 
Que não sejamos omissos ao que é iníquo. Que não sejamos passivos diante de covardias. Que não sejamos mais um na multidão. Que sejamos da cor verde-limão. Chamemos atenção, através de genuínos atos de gentileza, de benevolência e de honestidade. Contanto, sobretudo, sejamos naturais. Busquemos nos encontrar a todo momento. Encontrar a nossa essência, nosso equilíbrio, nossa forma de viver melhor nesse vasto mundo.
De coração, desejo a vocês, meus amigos, um lindo momento natalino, no qual a alegria e a paz pairem. 
Um abraço enorme da @ericona, a bonita.
Hasta!

15 dezembro 2013

Super(ação). Superação. Super(ar). Superar sempre.


Hoje faz exatamente uma semana que cheguei de uma fantástica competição de natação, que aconteceu na capital do Ceará: o V Meeting Cearense de Natação Paralímpica

Como vocês sabem (se não souberem, saberão agora), eu sou nadadora paralímpica, mas há um ano e meio que não participava de competições. A razão? Ela, a minha perseguidora: a Síndrome do Pânico. Não sei se vocês se lembram, mas o final de ano de 2012 foi terrível pra mim. Não só o final do ano de 2012, como também cerca de 50% do primeiro semestre de 2013. Passava mal quase todos os dias, com uma ansiedade desenfreada, uma agonia constante. Era como se eu estivesse morrendo aos poucos todos os dias. Até conseguir encontrar a medicação certa, eu penei, amigos. Sofri um bocado. Ter Síndrome do Pânico é uma das piores coisas que há nessa terra. É tão ruim, tão horrível, que quem tem, não deseja isso nem pra um inimigo. 
Dada essa introdução, quero agora só falar das coisas boas que me aconteceram depois que a minha vida começou a entrar nos eixos. 
O primeiro semestre do curso de Biblioteconomia na UFAL foi um tanto apertado, corrido, mas muito produtivo. Mesmo com a minha ansiedade um tanto descontrolada, consegui curtir bem o level 1 do curso. Foi ainda no primeiro semestre que uma professora indicou meu nome a um projeto de iniciação científica. Aceitei o convite, claro. Ser aprendiz de pesquisadora é algo que demanda tempo e esforço, mas que está me fazendo crescer imensamente como acadêmica.
Negligenciei bastante os treinos de natação nesse ano. No início, não era negligência: era medo de passar mal enquanto fazia esforço físico nos treinos (meados de fevereiro/março, quando voltei a nadar pensando em competições), mas depois comecei a negligenciar porque me enrolei com alguns trabalhos na UFAL e acabava faltando muitos treinos. O que aconteceu foi que eu construía coisas massas como atleta, mas, quando começava a faltar por uma razão ou outra, a construção desmoronava. Afinal, um atleta que quer render, ele precisa ter assiduidade, pois, do contrário, será um eterno construir e desconstruir, sem chegar a lugar nenhum. Analisando toda a situação agora, percebo que tudo foi uma questão de falta de planejamento de minha parte. Aprendi a lição e, a partir dessa nova fase, que se inicia amanhã, saberei conciliar tudo o que eu faço, sem abrir mão de nada.
Fui a esse Meeting em Fortaleza consciente de que não poderia esperar boas marcas nas provas que eu iria nadar (nove provas... eram dez no total, só fiquei de fora dos 100m borboleta). Eu tinha consciência de que eu não poderia esperar, mas, no fundo, a gente sempre espera que na hora, por um milagre ou uma grande cagada (desculpa a expressão), consigamos nadar bem e fazer marcas legais. Não foi o que aconteceu.  Um atleta de verdade não espera: ele faz. Mais uma lição que aprendi (ou reaprendi).
Entretanto, por mais incrível que pareça, não fiquei triste. Ao contrário, nadei nove provas e em nenhum momento passei mal com ansiedade excessiva. Tinha como ficar triste? 
Eu estava muito nervosa apenas na primeira prova, mas era uma ansiedade normal. Eu não senti nenhum vestígio da Síndrome do Pânico. Isso, pra mim, foi a minha grande vitória. Conseguir nadar todas as provas, inclusive umas que nadei pela primeira vez, foi algo, assim, impagável. Saí da competição feliz demais por ter vencido a minha maior adversária dos últimos tempos: a Síndrome do Pânico. 
Mesmo não nadando bem, aumentando as marcas de algumas provas, consegui medalhar em oito das nove provas que nadei. Foram três ouros, três pratas e dois bronzes. 
Aprendi muito também na pré-competição, competição e pós-competição com a minha equipe. Nós quase não conseguíamos viajar a Fortaleza. Lançamos campanha nas redes sociais, pedimos auxílio financeiro a professores e alunos da Estácio/FAL e da Biblioteconomia/UFAL e, para a alegria da equipe e de nossos admiradores, alcançamos a meta que queríamos (R$ 4 000), para transporte, auxílio hospedagem e alimentação).
Sou um tanto cara de pau, tanto, que mandei o link da campanha ao ator e humorista Fábio Porchat. Ele compartilhou duas vezes a campanha, abraçou a causa e ficou na torcida. Duas empresas chegaram a mim através dos compartilhamentos dele. Empresas que nos deram um apoio muito massa: IlhaSoft (Maceió/AL) e B&S Soluções em Limpeza (Aratiba/RS). Foram parceiros, realmente. Contribuíram com o máximo que puderam, mas, sobretudo, nos disseram palavras de incentivo e ficaram na torcida. Isso não tem preço. As deputadas Rosinha da ADEFAL e Thaise Guedes apoiaram a nossa causa e nos ajudaram a transformar o nosso sonho em realidade. 

Na foto, Natação ADEFAL e dois amigos queridos da equipe: o carinha de camisa preta, Alisson Ampolini, do Mato Grosso, e a queridona de camiseta branca com gola verde, Natália, de Sergipe.

Nós fomos ao Ceará com uma equipe maravilhosa e um objetivo ousado, mas possível: levar a natação ADEFAL ao pódio. Queríamos ganhar algo que nunca tínhamos ganhado ainda: um prêmio por equipes. E nesse Meeting conseguimos. Ganhamos a terceira colocação por equipes (entre treze equipes). Trouxemos um lindo troféu para Maceió, fruto do nosso esforço, do nosso suor, da nossa garra e da nossa fé.
O grupo estava muito unido, passando energia positiva, um apoiando o outro de uma maneira que eu nunca tinha visto antes. Fico toda arrepiada só de escrever sobre isso.

Na montagem, 1ª foto: parte da equipe Natação ADEFAL. 2ª Erica Ferro, linda, com suas oito medalhas. 3ª foto de todas as medalhas conquistadas pela equipe e do troféu de terceiro lugar por equipes.

Porchat, além de ter compartilhado a campanha por duas vezes, parabenizou a equipe por todo o esforço e dedicação. Cliquem aqui pra ler as belas palavras dele.
Escrevi vários posts sobre essa competição no Facebook, mas há dois que preciso incorporar nesse post aqui. Isso deixará esse texto ainda maior, mas não me importo. Sei que, se vocês estão aqui por livre e espontânea vontade, vão gostar de ler o que escrevi. Ou não. Mas enfim, não posso deixar esse dois textos de fora desse meu post aqui, no meu querido blog.

A primeira facebookada foi dia 06/12, um dia antes da competição:

Nunca me senti tão feliz como hoje. Aliás, desde que saí de Maceió, que estou me sentindo extremamente orgulhosa da minha equipe, de cada atleta que está aqui.

Eu já tinha chorado de alegria na quarta pelo fato de termos unido nossas forças, junto com o apoio fabuloso de vocês, amigos queridos e todo mundo que apoiou, e conseguir recursos financeiros para viajarmos para Fortaleza.
Foi uma campanha maravilhosa. Espalhamos pelo Facebook, na Estácio/FAL, na Biblioteconomia/UFAL e em todos os lugares que conseguimos. Estava escrito que nos conseguiríamos vir a Fortaleza. A meta era muito ousada, considerada impossível por muitos, mas nós, atletas e, puxa vida, o nosso amado técnico Diego Calado fez de tudo, mas tudo mesmo pra que estivéssemos aqui.
Há pouco tivemos uma reunião espetacular com Diego e toda equipe. Uma reunião com o intuito de conversarmos um pouco dos percalços por quais passamos pra chegar até aqui e também para vermos um vídeo sensacional que um grupo de alunos do curso de Educação Física da Estácio/FAL fez sobre a nossa equipe. Um vídeo motivacional. Um vídeo inspirador.
Na minha teima de querer ser vista como mais uma, como uma "pessoa normal", me irritava um pouco por dizerem que eu era/sou um exemplo de vida.
Todos temos limites a superar, mas, cara, hoje eu chorei demais na reunião com o vídeo que os estudantes da Estácio/FAL fizeram. Foi lindo.
A mensagem do vídeo, em síntese, mostrou a mim e aos meus amigos de equipe que nós somos exemplo de vida sim e não devemos nos irritar por causa disso.
Nós quebramos paradigmas, nós transformamos o quase impossível em possível. Nós chocamos as pessoas, no bom sentido da palavra. Nós somos exemplos de que a vida pode dar certo quando lutamos para que ela dê certo. Somos lições de vida para quem vive reclamando da vida, mas não se move pra mudá-la.
Nós, da equipe de natação ADEFAL não treinamos apenas para sermos os melhores atletas do país e/ou do mundo. Na verdade, o esporte nos faz seres humanos melhores, não apenas atletas melhores.
E quando as pessoas (com ou sem deficiência) observam nossas ações na vida e no esporte, elas se emocionam.
E hoje eu me coloquei no lugar de uma pessoa sem deficiência e me senti tão feliz pela Ericona. Hoje posso dizer que sou feliz por ser do jeito que sou, feliz por ser motivo de inspiração pra muita gente, por poder mostrar uma outra visão de mundo, por sacudir uma vida aqui e acolá e dar um novo sentido a ela por algo que eu disse ou que esse vivente me viu fazendo.
Eu chorei muito nessa reunião, muito mesmo. De felicidade, de sentimento de plenitude, de superação dos meus medos, dos meus traumas. Medo de ser excluída pela sociedade por ter um rosto esquisito segundo os padrões de beleza que a sociedade conhece, uma face paralisada, pela minha má dicção devido a paralisia facial.
Hoje, através do esporte e das vivências que tive, sou uma pessoa muito mais desinibida, muito mais destemida.
Hoje eu converso com qualquer pessoa normalmente, sem me sentir tensa, com medo de que a pessoa não entenda o que eu falo. Eu me aceito mais.
É assim que eu sou? Então beleza, vamos viver, mas vamos viver mesmo, com toda a nossa forçaa, com todo o nosso vigor. Porque, caramba, a vida é só uma. É aqui e agora.
Amanhã será a competição. Um dia de competição, duas etapas. Pela manhã, começa às 8h30. À tarde, começa às 15h30.
O que tenho a dizer mais? Que eu amo a natação, que eu amo o que eu faço, que eu me amarro em nadar, adoro essa emoção maravilhosa de competição.
Mas há algo mais que eu preciso dizer: DIEGO CALADO, NÓS, EQUIPE DE NATAÇÃO DA ADEFAL, AMAMOS MUITO, MUITO MESMO VOCÊ!
Falo por todos, mas acrescentando mais do que eu sinto por você. Te vejo como um pai, cara. Um pai suuuper novo, né? Tem idade pra ser meu irmão mais velho, mas eu te vejo como pai pelo teu amor a equipe, pela tua dedicação incondicional, por ser essa pessoa maravilhosa e um ser humano singular, admirável pelo que é, mas, sobretudo, pelo que faz. Muito obrigada por fazer parte da minha vida. Você é parte essencial dela. Eu amo MUITO você.
Todo o esforço que você fez, faz, está fazendo e fará pela natação paralímpica e pelo esporte paralímpico em geral um dia será reconhecido da maneira que se deve. Porém, cara, o mais lindo reconhecimento você já tem: o nosso.
Não foi à toa que a equipe toda chorou quando você, todo emocionado, disse: "Cara, isso aqui é a minha vida...", em um momento da reunião. Nós somos parte fundamental da sua vida e você, da nossa.
Okay, escrevi demais.
Só queria dizer que eu estou imensamente feliz de estar aqui com meus queridos companheiros de piscina e o Diegão, o técnico mais sensacional que há.
E AMANHÃ VAMOS COM TUUUUDO! TUDO e mais um pouco!
Nadaremos com forca, faremos nosso melhor! E é isso que importa.
ORGULHO DE SER ATLETA PARALÍMPICA! ORGULHO DE TER DIEGO CALADO COMO TÉCNICO!
Fiquem na torcida!
VAMOOOOOOOOOOOOOOOO, NATAÇÃO ADEFAL!

A segunda facebookada foi publicada no dia 10/12:

O sorrisão mais sincero do mundo inteiro é esse daí.

Fico revendo as fotos do V Meeting Cearense de Natação Paralímpica e meu coração se enche de alegria, de contentamento, de plenitude, de um sentimento de total realização.
O V Meeting Cearense de Natação Paralímpica não foi "apenas mais uma competição". Foi "a competição", pelo menos pra mim. Foi "a prova dos nove".
Passei maus bocados no final de 2012 até mais ou menos metade de 2013. Passei vários meses sem treinar acorrentada pela Síndrome do Pânico, que me fazia sentir coisas terríveis, verdadeiras amostras grátis da morte. Foram tempos de tempestade.
Porém, então veio o sol. Depois do meio do ano, as coisas foram se encaixando, o tratamento para ansiedade fazendo efeito e eu vi a minha vida voltar ao normal. Comecei, aos poucos, a pensar em alto rendimento, pensando em competições novamente. E voltei a treinar. Entretanto, eu era mais de palavras do que ações. Não tem por que ocultar que, por falta de planejamento de minha parte, não finalizo o ano com tempos considerados bacanas para quem - por enquanto, espero - se enquadra na classe s9.
Eu sabia que nessa competição a minha maior meta era conseguir concluir as nove provas nas quais me inscrevi. Não eram tempos. Não poderia me cobrar, já que não tinha dado meus cem por cento em treinos. E cumpri minha missão. Concluí minhas provas.
Fiquei MUITO nervosa nos 50m livre (primeira prova da competição), muito mesmo, mas não a ponto de me dar um treco e uma vontade de sair correndo. Ansiedade normal, mesmo. À medida que ia nadando minhas provas, ia relaxando. Na minha prova final (200m medley), estava tranquila. Consegui fazer meu nado do melhor modo que eu pude. Saí feliz da vida da piscina.
Posso cantar, a plenos pulmões, essa canção: "Ei, medo! Eu não te escuto mais. Você não me leva a nada... ".
Que a vida continue assim: leve, bonita, florida e doce. Alguns espinhos aparecem, mas agora já tenho força pra passar por eles sem me deixar abalar.
Diego, você é demais! Obrigada por estar sempre comigo no período em que estive afastada da natação. Obrigada pelo apoio incondicional.
Neusvaldo Wanderley, você também colaborou para que eu buscasse forças e continuasse a nadar. Muito obrigada, meu amigo.
E VAMO QUE VAMO! Porque eu voltei, e agora é pra ficar!
Em Fortaleza, revi pessoas que admiro na natação paralímpica, conheci outras pessoas igualmente admiráveis. Todos me receberam tão bem, me deram boas-vindas de uma maneira tão linda. Senti-me imensamente acolhida por cearenses, baianos, paulistas e mato-grossense (sim, no singular, porque de mato-grossense só tinha o Alisson Ampolini ~risos~).
Enfim, esse Meeting foi especial demais pra mim, foi um recomeço.
Obrigada, Fortaleza! Foi lindo!

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Logo mais volto com os meus posts tresloucados, meus contos mal contados, meus poemas tortos e meus comentários supersinceros sobre os livros que li e os filmes que vi.
Aguardem-me, porque não demoro a voltar aqui.
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Um abraço da @ericona.
Hasta la vista!

24 novembro 2013

Ela é uma adorável escritora amadora, mas é uma ranzinza leitora


Untitled

Sim, essa sou eu. O título, claro, foi galhofeiro e um tanto exagerado. O sentido do adorável se encaixa no fato de eu escrever coisas românticas com uma frequência bem grande. 
Eu escrevo sobre amor, amor sofrido, amor meloso, amor doído, amor dramático, amor unilateral ferino, amor, amor e mais amor. No entanto, ler sobre amor, especificamente o meloso, me é um tormento. Não sei por que, mas realmente fico meio que enjoada, como se estivesse num barco sacolejante, quando vejo casais se beijando de maneira muito meiga, trocando carícias infindas, falando coisinhas bobinhas um para o outro, fazendo cócegas ou algum tipo de gracinha que irrita ou desestabiliza o par. Ah, gente do céu, isso realmente me tira do sério! 
Tudo isso por quê? Porque sou uma leitora ranzinza. Não sou assim desde sempre, mas ultimamente tenho estado bem intolerante com cenas de casais apaixonados, seja em filmes, novelas e principalmente em livros. 
É engraçada essa minha relação de fascínio e raiva que tenho com o amor. É engraçada, mas faz sentido. Eu sou fascinada por amores que invento, reinvento, pinto, decoro, crio, mas me enraivo porque não tenho isso na realidade. Quando escrevo, eu amo amar, amo o amor. Quando vivo, perdendo o amor de vista a cada esquina, esbravejo e fico de birra com o amor que insiste em me escapar do alcance da minha mão.
Escrevo sobre amor porque quero amar. Escrevo acerca do amor nas suas várias formas, alegres ou chorosas, porque quero amar. Quero um amor quentinho, com a textura de um edredom macio, cheiroso, fofinho. Quero um amor doce, mas não tão doce. Com gosto de Diamante Negro está ótimo. Dizem que ele é chocolate meio amargo, mas é o meio amargo mais doce que já provei.
Só quero que a recíproca do meu ser amado seja verdadeira. Assim, deixo de birra, faço as pazes com o amor e passo a andar, alegremente, de mãos dadas com amor e com quem amo.

Erica Ferro
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14 novembro 2013

Resenha: Meu Amor, Meu Bem, Meu Querido - Deb Caletti



Meu Amor, Meu Bem, Meu Querido
Deb Caletti

Novo Conceito
240 páginas

☺☺☺
É verão no nordeste da cidade de Nine Mile Falls e Ruby McQueen, de 16 anos, comumente conhecida como A Garota Calada, está saindo com o maravilhoso, rico e louco por emoções Travis Becker. No entanto, Ruby está num beco sem saída e percebe que se arrisca cada vez mais quando está com Travis. Em um esforço para manter Ruby ocupada, sua mãe, Ann, a arrasta para o clube de leitura semanal que ela comanda. Quando descobrem que uma das criadoras do clube é a protagonista de uma trágica história de amor que estão lendo, Ann e Ruby planejam um encontro dos amantes de longa data. Contudo, para Ruby essa missão acaba sendo muito mais do que apenas uma viagem...


Há certo tempo li uma resenha de um livro da Deb Caletti. A resenha não era muito positiva. A resenhista apontou que o enredo, a estória em si, era mal bolada, que a protagonista era um tanto intragável etc. Como eu sou uma pessoa curiosa e que paga pra ver se uma coisa é mesmo o que dizem que é, eu solicitei Meu Amor, Meu Bem, Meu Querido. Não é o mesmo livro sobre o qual focava a resenha que citei anteriormente, mas é da mesma escritora.
Confesso que até um pouco mais da metade do livro, eu estava um bocado desgostosa com a trama, principalmente com os acontecimentos nos quais a protagonista, insanamente, se envolvia.
Ruby quis ousar num determinado verão, ser mais destemida, viver nos limites, sentir a vida pulsando nas veias e encontrou a chance na motocicleta de Travis e no próprio Travis. Porém, nota-se que esse desejo de Ruby de ser diferente nada mais era uma maneira de querer ser aceita e menos ridicularizada por todos os seus colegas que só conheciam a Ruby desastrada e estranha (como ela mesmo se denomina no livro). Algo que se deve levar em conta é que Travis apareceu na vida de Ruby num momento em que ela estava fragilizada e querendo ficar longe de casa, por causa da desilusão amorosa na qual sua mãe estava mergulhada.
O casal formado por Ruby e Travis não me convenceu. Nem toda a loucura de Travis explicaria o modo abrupto e sem sentido com o qual ele se ligou a Ruby (e, claro, Ruby a ele). Algumas aventuras doidas dos dois realmente eram alucinantes, mas outras eram sem nexo. A relação dos dois era baseada e praticamente resumida em se aventurar adoidado por aí. Ruby não sabia quem era Travis nem Travis sabia quem era Ruby. Nem superficialmente pode-se dizer que eles se conheciam. O relacionamento deles era louco e apenas louco. Por isso, não me cativou, não me ganhou e eu não consegui gostar nem um pouco deles juntos.
A união de Ruby e Travis é desastrosa. Numa dessas aventuras, a mais ousada de Ruby, ela cai em si e vê que, apesar de sentir vontade de ver Travis e se aventurar com ele pelas estradas loucas da vida, ele é um mau caráter e que ficar perto dele poderia ser muito perigoso, quase mortal.
Os personagens e acontecimentos secundários são fabulosos. Pra lá do meio do livro, a coisa fica realmente boa e o leitor passa a se deliciar com um grupo de leitura das velhinhas (e um velhinho intrometido ~risos~) mais queridas do planeta. Eu realmente gostei das Rainhas das Caçarolas. Foram elas que salvaram o livro. A mãe de Ruby lidera o clube de leitura das velhinhas danadas, mas adoráveis.
Ruby, depois de traçar a meta "preciso me manter longe do Travis" (não sem ajuda, claro, porque os que a amam são quem faz com que ela seja fiel a meta...), passa a ir aos encontros das Rainhas das Caçarolas. É nesse clube que ela aprenderá coisas valiosas não sobre si mesma como também sobre o amor, mas, sobretudo, em relação a vida.
Ruby e integrantes do clube de leitura descobrem que um dos integrantes do clube é o amor da vida do escritor do livro que eles debateram. Estando convictos disso, tornaram o reencontro possível. 
Eu já disse que essa é a parte mais linda do livro? Se eu não disse, consta aqui: é a parte mais linda do livro.
Linda, emocionante e faz pensar. Será mesmo que nós, reles mortais, somos capazes de amar de modo atemporal? Ou nós só somos capazes de amar fugazmente? Eu prefiro acreditar em Lilian e Charles, o casal de velhinhos que se encontram e se separaram muitas vezes quando jovens. E, no final da vida, se reencontraram para selar e certificar que o amor dos dois atravessou décadas e que seria capaz de perdurar por toda a eternidade.
Eu consegui me conectar com todos os personagens, menos Travis, porque, pra mim, ele não fez nenhum sentido, a não ser a de ser um louco totalmente incompreensível. 
Chip Jr, o irmão de Ruby, é espantosamente genial. Não é uma criança genial que fala como adulto, é uma criança genial que fala como criança genial. Um prodígio, eu diria. Ruby e sua mãe aparecem um tanto imaturas até a metade do livro. Gradativamente, elas evoluem, amadurecem e passam a ver a vida como ela é. Aceitam o que não foi e o que não pode ser e seguem em frente. Poe, o cachorrinho de Chip e Ruby, é uma figura. Não sei se já disse aqui, mas não sou muito aficionada por animais de estimação, porém confesso que Poe conseguiu me fazer rir com suas loucurinhas caninas.
A diagramação do livro é simples, mas o início dos capítulos é charmoso. Gostei da capa em tons de verde, vermelho e branco. Ah, e gostei também do detalhe que passa quase batido da capa, que é uma espécie de ramo de flores que se deixa notar quando a capa é colocada contra a luz.
Meu Amor, Meu Bem, Meu Querido é um livro para ser lido sem pretensão. Não aconselho que o leitor coloque expectativas altas, aliás, que não coloque nenhuma, nele. É mais um livro que tem um desfecho bacana, mas que, por sua parte inicial ser um tanto maluca, não fazer o sentido necessário e não ser muito capaz de prender o leitor, não merece ganhar mais do que três carinhas felizes. O público-alvo, creio eu, seja mais o público teen. Porém, se vocês forem um tanto velhos, tipo eu (23 anos), não se acanhem. Vocês não se sentirão ridículos ao ler esse livro. Pelo contrário, vão fazer uma viagem no tempo, lembrar da adolescência, de quem vocês eram quando eram mais joviais. 

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Book Trailer:

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Opa, opa, opa! Demorei a postar, confesso. Não foi por falta de vontade, mas sim por falta de tempo. Pelo menos desde segunda a minha vida anda um tanto corrida, mas parei um pouquinho hoje pra postar essa resenha aqui.
Espero que tenham gostado, pelo menos da maneira com a qual foi escrita. Quero saber se estou mandando bem nesse negócio de resenhar (risos).
Quero pedir uma coisa a vocês, além de curtirem a fan page do Sacudindo e seguirem o blog no Twitter.
É o seguinte: O Sacudindo Palavras está concorrendo ao prêmio TopBlog 2013 na categoria variedades. Gostaria que clicassem aqui e descobrissem como faz pra votar no Sacudindo Palavras. Conto com o voto de todos os leitores do Sacudindo, hein?!
(...)
Apareço por aqui tão logo for possível.
(...)
Um abraço da @ericona.
Hasta!

05 novembro 2013

TAG: Hábitos de leitura


Sabem tags literárias? Eu as adoro! Adoro ler as respostas alheias e de ver e ouvir (quando são respondidas em vídeo).
A Tailany Costa postou uma tag legal no Despindo Estórias e, mesmo que ela não me indicasse a tag, eu iria postá-la aqui. A tag se chama hábitos de leitura

Hora de vocês conhecerem as sete perguntas da tag e, claro, as minhas respostas!



1. Quando você lê? (manhã, tarde, noite, o dia inteiro ou quando tem tempo?)
Não tenho uma hora marcada para minha leitura. Leio quando tenho tempo. E, levando a vida super-badalada que levo, esse tempo livre varia dia a dia. O bom disso é que não tenho frescura em relação ao local que leio. Leio em qualquer lugar. ♫ Na rua, na chuva, na fazenda, ou numa casinha de sapê... ♫. Não, espera! Na chuva não, né? A não ser, claro, que eu esteja sob um teto que me proteja totalmente dos pingos de chuva. Tem gente que diz que não lê no ônibus porque não consegue se concentrar. E eu entendo. Enquanto tem gente querendo ler, há outro tipo de gente que quer conversar abobrinha, quase aos gritos. Isso desconcentra qualquer um. Porém, para esse tipo de ocasião desconcertante, uso fones de ouvidos. Coloco minhas músicas preferidas para tocar, e leio como se não houvesse que prestar atenção no ponto de parada (risos). Houve vezes em que quase passei do ponto. Por sorte, foi quase. É que quando se está envolvido em um livro bem massa, a gente se esquece de onde está. Ah, eu leio no banheiro também. 

2. Você lê apenas um livro de cada vez?
Depende. Cheguei a ler, muitas vezes, dois simultaneamente, mas sempre sentia que um fica de escanteio, e isso não me agradava. Por isso que agora tenho lido um de cada vez, para conseguir me conectar mais a estória do livro. Só leio dois quando tenho alguma leitura de Biblioteconomia ou do PIBIC para fazer. Do contrário, leio de um em um. Porque de grão em grão a galinha enche o papo. Oi? Por que eu disse isso mesmo? Cooorta, produção!

3. Qual seu lugar favorito para ler?
Acho que a maioria das pessoas que responde essa tag diz que o lugar favorito de leitura é o seu quarto. Bem, já o meu é... o quarto, também. Mas, sério, queria que houvesse um jeito de ler na piscina. Um jeito que não danificasse o livro. Outra coisa que eu queria que fosse possível era ouvir música enquanto nado. Disseram que já existem tocadores de músicas à prova d'água, mas não sei da existência deles aqui no Brasil. Se há, seus preços devem ser exorbitantes. Mas por que estou falando de música, se o assunto é livro? Coooorta mais uma vez, produção!

4. O que você faz primeiro: lê o livro ou assiste ao filme?
Oxe! Claro que leio o livro primeiro! É até uma ofensa uma pergunta dessa (hunf!). Explico: ao meu ver, é um pecado você saber que há um filme baseado num livro e escolher ver o filme antes de ler o livro. Primeiro, porque, como uma leitora arretada que sou, acho uma sacanagem não ler o livro primeiro antes de ver o filme. Como alguém pode primeiro ver uma adaptação em vez de ler a obra que deu base para essa adaptação? Como?! Okay, essa resposta está ficando irritantemente dramática e repetitiva. Contudo, uma das coisas mais legais é ler o livro antes de sua adaptação em filme. Sério mesmo. 

5. Qual formato de livro você prefere? (audiolivro, e-book ou livro físico?)
Eu prefiro, obviamente, os livros físicos. Digo obviamente porque sou uma bibliomaníaca. E bibliomaníacos adoram o cheiro de um livro, se deleitam ao tocar as páginas de um livro, abraçam e ninam livros como se fossem crianças. Sim, podem me chamar de doida, porque eu faço justamente isso. Também leio e-books. Afinal, nem sempre se tem dinheiro para comprar os livros que queremos, certo? E é aí que a gente se dana a baixar e-books e mais e-books. E viva a internet! Todos gritam viva!

6. Você tem algum hábito exclusivo ao ler?
Hábito exclusivo ao ler? Humm, acho que não. É, não. Não que eu lembre.

7. As capas de uma série tem que combinar ou não importa?
Se for uma série que eu acompanhe, elas tem que combinar, senão eu mando um e-mail em protesto a editora. Como assim as capas da série que eu acompanho não seguem um mesmo padrão? #chateada Se eu não acompanhar a série, não importa. Os outros que protestem (risos).
Agora, falando sério, fica muito mais bonito quando as capas de uma série seguem um mesmo padrão. É algo tão bonito olhar para uma estante e ver aquela série ali, um livro do lado do outro, com um projeto gráfico similar! Ohn! *-*

• • •
Fim. Acabaram-se as respostas. Queria mais. Adoro ser entrevistada. Se bem que isso não foi uma entrevista. Que mania de estrelismo é esse, Erica Ferro? Tome tento, menina! Aliás, falando em entrevistas, respostas e tudo o mais, tenho uma conta no ask.fm. Não acharia nada ruim se vocês me fizessem perguntas. Sério. Ah! Não indiquei ninguém para tag. Deixo em aberto: quem gostar, responde e depois me manda o link com as respostas pra eu ver, beleza?
Pedido de sempre: curtam a fan page do blog e sigam o @shakingwords.
Um abraço da @ericona.
Hasta la vista!

03 novembro 2013

Não é brincar de casinha



Sabe aquele pensamento que martela a sua cabeça por dias? É o tipo de pensamento que pede pra ser externado, por meio da arte, seja lá qual for. Eu não sei pintar nem desenhar. Não sei cantar. Finjo que sei escrever, por isso escrevo. Brinco de ser escritora. É muito gostoso!
Voltando aos pensamentos martelantes, eu não consigo manter pensamentos desse gênero presos em minha mente. Se eu não os transformo em texto, piro. Geralmente pensamentos assim dão textos polêmicos e contundentes. 
Pensamentos assim, transformados em textos, geram discussões acaloradas. Eu gosto de textos polêmicos e contundentes, apesar de nunca ter escrito nada do tipo. Não que eu lembre. Gosto de discussões acaloradas, desde que haja respeito e que todas as partes envolvidas tenham a capacidade de escutar os discursos acalorados dos outros.
Os pensamentos que martelaram a minha cabecinha por dias e dias foram justamente sobre maternidade e paternidade precoces. Mais especificamente o quanto é deprimente ver os frutos dessa maternidade e paternidade precoces sofrendo por seus pais negligentes e desinteressados pelo bem-estar dos seus filhos.
São crianças fazendo crianças. São adolescentes fazendo crianças. São adultos imaturos fazendo crianças. E essas crianças, coitadas, sofrem pela falta de cuidados ideais, por falta de afeto de verdade, por falta de um amor genuíno. Enquanto essas crianças rolam de um canto para outro, aos cuidados de avós, de tias, de vizinhas, esses pais curtem a vida adoidado, como se não tivessem criaturinhas esperando por eles, esperando que eles amadureçam e as enxerguem como preciosidades e prioridades das vidas deles.
Eu não sei como é ter um bebê. Eu não sei se um dia pretendo ter um. Entretanto, isso não me dá descredita a falar do assunto. 
O conhecimento, ao meu ver, não precisa ser necessariamente empírico. O conhecimento empírico talvez seja mais latente. Contudo, o conhecimento que floresce ao observar diariamente um certo comportamento, uma certa situação, também é totalmente válido. É isso que me credita a falar sobre esse tema e outros nos quais não tenho o conhecimento empírico, mas sim o advindo da observação.
Creio que, quando se torna mãe/pai, os hábitos devem ser mudados. A vida toda deve mudar. Não se é mais sozinho. Há um ser que depende dessa mãe e desse pai. Depende financeiramente, fisicamente, emocionalmente etc. E, infelizmente, o que mais se vê são mães negligentes, pais igualmente negligentes e ausentes. 
Será que essas mães e esses pais não entendem que, quanto mais esses filhos crescem solitários, criados por uns e outros, com a ausência deles rasgando seus corações, seus filhos não saberão o que é felicidade? 
Há casos de mães e pais que precisam trabalhar para sustentar a família e deixam seus filhos aos cuidados de terceiros praticamente o dia inteiro, todos os dias. E eu me pergunto: "Vale a pena ser mãe e pai assim?". 
Eu sei que as pessoas precisam se sustentar, e o sustento provém do trabalho. Porém, quando penso nisso, me vem a imagem de uma criança com um semblante triste e solitário, na casa de terceiros, sob os cuidados de pessoas que nem sempre a trata cuidadosamente e com o mínimo de amor, se perguntando para que serve ter uma mãe e um pai se eles não estão por perto quando mais precisam. 
E aqui eu respondo o porquê de eu não saber se quero ter filhos: não quero ter filhos para que eles cresçam sob o cuidado de outros, não quero que eles esqueçam o significado do que é ter uma mãe, não quero que se sintam desolados, porque não têm o meu ombro e o meu colo para se apoiarem.
Com isso, não quero dizer que pais ideais são aqueles que abdicam da própria vida para cuidar dos filhos durante a vida inteira. Não, não é isso que quero dizer.
Quando falo crianças, quero dizer crianças mesmo, de 0 anos a 8 anos. Acho que no começo da vida dos filhos, os pais precisam estar presentes, bem presentes, para que possam cuidar de seus pequenos em suas fases mais vulneráveis, mais frágeis, nas quais precisam muito do seu carinho, amor e dedicação. Sobretudo, essas crianças precisam criar uma imagem em sua mente de pessoas que realmente as amam e as querem bem.
Ser mãe/pai não é brincar de casinha. Não é brincadeira. Por isso, sempre penso que, se uma pessoa não tem o mínimo de zelo para consigo mesmo e para com sua própria vida, não deve ter um filho. Penso que, se uma pessoa tem outras prioridades na sua vida, não deve ter um filho. Se uma pessoa quer curtir a vida loucamente, não deve ter filhos. Ou, se tiver, saiba que sua vida terá um ritmo diferente e a badalação terá sempre que estar em último plano. 
É pura maldade colocar uma criança no mundo para que ela seja mais uma criança, em meio a tantas outras, com pais na certidão de nascimento, mas sem pais em seu cotidiano. 
Eu só lamento pelas crianças maltratadas por pais irresponsáveis, por pais despreparados e sem o menor intento de se ajustarem. Eu só tenho a lamentar pelas crianças que são jogadas ao mundo como se jogam flores ao relento. Crianças, seres preciosos, crescendo tristes, revoltadas e amargas. 
Sabe por que lamento tanto ver crianças em tais situações? Porque, felizmente, tive pais que foram presentes na minha infância, adolescência e até hoje o são. Deram-me amor e um cuidado que nem em mil anos eu poderia retribuir. Eu os amo por tudo o que fizeram por mim, fazem e sei que farão, caso eu precise.
Colabore para um futuro melhor: só tenha filhos se realmente desejar cuidar deles com amor sem medida e uma dedicação descomunal.

Erica Ferro

• • • 
Notinha: Ufa, desabafei!
Comentem, sinceramente, o que pensam sobre o assunto.
Digam se concordam ou discordam de mim e o porquê.
Fiquem à vontade.
Uma novidade bacana: dia 30/10 fiz meu post de apresentação como a mais nova colunista do blog Jornalismo na Alma, administrado pela Paloma Viricio. Confiram o post clicando aqui.
(...)
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(...)
Um abraço da @ericona.
Hasta la vista!

27 outubro 2013

Encontro de almas


Fim de noite.
Começo de madrugada.
E eu aqui, pensando
em você.
Será que já está dormindo?
O que está fazendo?
Lendo?
Escrevendo?
Desenhando?
Pintando?

Há um mistério enorme
em volta de você.
Um mistério que engloba
outra porção de mistérios.
Quero desvendá-los.
Sou curiosa, e acho
que você já percebeu
essa minha característica.

Sou ainda mais curiosa
quando algo me chama, fortemente, a atenção,
assim como você me chamou.

Não sei o que mais me chamou 
a minha atenção.
Se foi sua voz mansa, seu olhar
que parecer ler minha alma.
Só parece, ainda bem.
Do contrário, o bem que lhe
quero não seria mais segredo
meu.
Seria segredo nosso.

E se o bem-querer fosse recíproco,
seria um segredo que eu 
guardaria com gosto.

Quando o enlaço em meu abraço,
sinto uma ternura tão linda vinda de você,
um carinho sincero.
Abraços rápidos, raros, mas
mágicos e acalentadores.

Você é sutil, mas
eu o sinto, eu o enxergo,
como acredito que poucos conseguem.

Sou capaz de desvendar seus mistérios.
Mas eu quero desvendar todos eles ao seu lado,
dia a dia, aproveitando o mais emocionante
e delicioso que a vida pode nos oferecer.

Deixa-me entrar em sua vida.
Deixa-me alegrar os seus dias.
Deixa-me curar as feridas que 
eu sinto que há em seu coração.

A verdade é que eu gosto tanto,
tanto, tanto de você.
Tanto.
Tanto em tão pouco tempo, não é?

É que a minha alma se
comunicou com a sua.
Você não sentiu?
Algo me diz que sentiu.

Você tem medo, não é?
Não tenha medo.
Não de mim.
Eu só quero lhe fazer feliz.

Enxergue-me com os olhos
do coração.
Enxergue o meu ser.
Aceite-me.
Envolva-me em um abraço
doce e terno.
E, assim, selaremos
o nosso encontro de almas.

(Erica Ferro)

• • •
Quando o coração, insanamente, se apaixona, a alma precisa transformar toda a desvairada paixão em poesia.
E, pronto, mais um poema torto para o Sacudindo Palavras.
Poema sem rima, sem métrica, mas com uma sinceridade de ouro.
Porque poemas sinceros me interessam.
(...)
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(...)
Um abraço da @ericona.
Hasta la vista!

19 outubro 2013

Filme: Intocáveis



Título: Intouchables (Original) / Intocáveis (Brasil)
Ano de produção: 2011
Direção: Eric Toledano Olivier Nakache
Estreia: 31 de Agosto de 2012 (Brasil)
Duração: 112 minutos
Classificação:Não recomendado para menores de 14 anos
Gênero: Biografia, Comédia e Drama
País de origem: França
Sinopse: Philippe, um refinado multimilionário tetraplégico francês, precisa de um auxiliar de enfermagem para o auxiliar nas suas atividades rotineiras.
O contratado é Driss, um senegalês que vive nos subúrbios de Paris, que acaba de cumprir uma pena de seis meses de prisão e que não tem qualquer formação para o cargo.


Sério, pessoas, digam-me se eu estiver errada ou doida: sábado é um dia preguiçoso e por si só pede que fiquemos quietos num canto, assistindo a um bom filme/série, não é? E hoje foi assim. Baixei séries, assisti séries e, no começo da noite, resolvi assistir a esse filme, que, pela sinopse e os comentários, me ganhou desde o primeiro momento em que eu tive ciência da existência dele.
Vejam bem, sem muitos rodeios, direi logo, assim, de cara, o seguinte: Intocáveis é um filme espetacular e eu quero muito que vocês assistam e me contem o que acharam dele. Na minha concepção, é meio que impossível não gostar desse filme. De coração, é impossível não se ver cativando por Philippe e Driss ao longo das cenas.
Como a sinopse diz, Philippe é um cara rico, muito rico, realmente riquíssimo, que, depois de um "acidente" (assistam e entendam o porquê do uso das aspas), ficou tetraplégico. Philippe era um homem muito difícil de lidar no que tange ao humor. Em termos populares, ele tinha um amor dos diabos. Um cuidador não passava duas semanas com ele, porque não aguentava os seus acessos depressivos e revoltados. Porém, eis que, numa das entrevistas em busca de um novo cuidador, ele conhece Driss. Ele não poderia ter feito melhor. Ter escolhido Driss, a despeito da sua falta de experiência como cuidador, do jeitão todo peculiar do senegalês (sem papas na língua, espontâneo ao extremo, doido, doidão e simplesmente encantador...), foi uma das coisas mais sensatas que Philippe fez nos últimos tempos. 
Mas enfim...  Eu não quero contar muito do enredo, porque acho que o ideal é cada um assistir e sentir o filme de uma maneira toda ímpar, toda única.
Contudo, preciso lhes contar, de maneira um tanto mais extensa, o que achei do enredo, dos personagens etc.
Sobre o enredo: impecável. Se é um filme que aborda um tema dramático? Sim, é, mas isso é colocado no filme de forma tão sutil, que não deixa o filme carregado de emoções dramáticas. Pelo contrário, em Intocáveis, a comédia toma conta e o drama fica ali, de escanteio, aparecendo só de vez em quando e com muito menos intensidade que a comédia.
Philippe e Driss, após se conheceram, ampliaram a visão que tinham sobre a vida, sobre o viver, sobre a amizade, sobre o amor. Philippe mostrou a Driss um outro mundo, um tanto meio diferente do dele, com um tanto mais de requinte e luxo, mas que também tinha seu valor e seu encanto. Já Driss reapresentou Philippe a vida. Driss impulsionou Philippe a ter coragem de viver, apesar dos seus traumas, das suas dores, dos seus resguardos. Driss e Philippe reaprenderam a viver, ambos à sua maneira, adicionando distintas experiências em suas bagagens de vida, mas igualmente especiais e louváveis.  
É um filme sobre amor. Sim, sobre amor. Amor romântico, amor fraterno. Amor, em sua imensidão e perfeição.
É um filme para chorar de tanto rir. 
A vida é divertida, essa é a lição. Ela só espera que nós saibamos aproveitar o melhor dela. E ao lado de amigos, claro, porque amigos dividem dores, multiplicam risos, maximizam alegrias, colorem a vida. Do nosso modo, do modo que pudermos, mas que a aproveitemos. De preferência, ininterruptamente. 
O que importa, o que verdadeiramente importa hoje, amanhã e sempre é viver. Viver. V.i.v.e.r.
Vivamos, pois!

Trailer:



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Depois de assistir, fui pesquisar sobre o filme. O que descobri:
• Intocáveis é baseado em fatos reais (isso é informado logo no início do filme), mais especificamente na autobiografia - "Le Second souffle" - de Philippe Pozzo di Borgo (essa foi a minha descoberta);
• Em Portugal, o título do filme é "Amigos Improváveis". Um título interessante, de fato;
• Foi o filme mais assistido na França em 2011 e o mais lucrativo de toda a história do cinema francês;
• Philippe Pozzo, com a venda dos direitos autorais de seu livro para adaptar sua história ao cinema, arrecadou cerca de US$ 650 mil, e doou toda essa quantia a uma associação que auxiliam deficientes físicos (não foi especificado a localidade da associação, mas creio que seja na França);
• Todas essas informações foram colhidas na Wikipédia (link aqui), por isso não posso confirmá-las. Se tudo for verdade, puxa vida!, que bacana.
• • • 
Notinha de sempre: Nem demorei a aparecer, concordam? Okay, demorei um pouco. Nem direi que volto logo, mesmo que essa seja a pretensão. Melhor contar com os imprevistos do que com as certezas, certo? Mesmo porque qual certeza temos nós, meros mortais? De que morreremos, apenas.
Portanto, tratemos de viver na máááxima potência.
(...)
Pedido de sempre: deem um like na fan page do blog e sigam no Twitter, fechado?
(...)
Um abraço da @ericona.

07 outubro 2013

Resenha: A caçada - Clive Cussler



A Caçada (Isaac Bell #01)
Clive Cussler
Novo Conceito
384 páginas
☺☺☺☺
Por décadas, Clive Cussler vem deleitando leitores com romances repletos de suspense, ação e pura audácia. Agora, ele faz isso novamente, em um dos mais loucos e estimulantes thrillers de época dos últimos anos. O governo norte-americano contrata a renomada Agência de Detetives Van Dorn e seu agente igualmente renomado, Isaac Bell, para capturar um lendário ladrão de bancos conhecido como Assaltante Açougueiro.
Este assassinara homens, mulheres e crianças, sem deixar nenhuma pista nem testemunhas. O detetive Bell lidera a busca e finalmente descobre a verdadeira identidade do Assaltante Açougueiro. E nesse momento inicia-se a verdadeira caçada.
Com um enredo intrincado, dois vilões extraordinários e a assinatura de Cussler em reviravoltas surpreendentes, A Caçada é o trabalho de um mestre no auge de seu talento.


A caçada, de Clive Cussler, fisgou meu interesse no primeiro momento em que li a sua sinopse. Por dois motivos: ser um thriller, e, sobretudo, por um livro ser de época. Não sei se já comentei aqui no Sacudindo sobre o fascínio que eu tenho por toda e qualquer obra que remeta à outras décadas, à outras épocas. Eu adoro filmes e novelas de época. Livros, então, adoro ainda mais. Se bem que, pensando cá com os meus botões, não li muitos livros de época em toda a minha existência. Darei um jeito nisso num futuro não tão distante (risos).
Bem, deixemos de lado os meus devaneios e projetos literários futuros e voltemos ao livro cativante de Clive Cussler.
Darei um ano: 1906. Fornecerei uma região e um local: oeste dos Estados Unidos. Concederei um apelido: Assaltante Açougueiro
Em 1906, o governo dos EUA, cansado dos roubos aos bancos e da carnificina feitos pelo Assaltante Açougueiro, contrata Isaac Bell, um famoso detetive da Agência de Detetives Van Dorn, reconhecido por sua competência e eficiência em capturar os mais deploráveis bandidos.
Não se sabia quem era o Assaltante Açougueiro. Nunca ninguém o vira, justamente porque ele assassinava toda e possível testemunha. 
Bell tinha um caso bem emaranhado em suas mãos, mas o detetive era bom. Era mais do que bom. Isaac Bell e Assaltante Açougueiro travaram um belo duelo.
O livro é narrado em terceira pessoa e os capítulos se intercalam em dois tempos: o tempo em que o Assaltante Açougueiro age e o tempo em que Bell age/reage.
A estória é, em si, parece simples, mas as reviravoltas que o livro dá só poderiam ser escritas por um escritor astuto, sagaz e criativo. 
Os personagens primários e secundários de A caçada são bem trabalhados. Os vilões são frios, despudorados e enojantes (meio clichê, mas não prejudica o livro). Os mocinhos são, obviamente, dóceis e encantadores, mas, sobretudo, determinados e firmes em sua guerra para que a justiça seja feita. Um afago especial nos agentes da Van Dorn, todos movidos pelo desejo de colocar atrás das grandes o monstruoso Assaltante Açougueiro. Outro em Marion Morgan, uma mulher doce, íntegra, mas, quando necessário, ágil e firme em suas ações. Ela tem o papel muito importante no desenrolar e no desfecho do livro.
Não posso dizer que o livro é excelente (digo, apenas, que é muito bom, que vale a pena ser lido, apesar dos pontos negativos que direi a seguir), porque alguns capítulos repetem ideias já apresentadas, e isso meio que entendia e cansa um pouco o leitor. Um pouco, ressalto. Pois, mesmo contendo essas repetições desnecessárias, A caçada entrou para a minha lista de livros favoritos. 
Por quê? Pela engenhosidade de Clive Cussler. Por Cussler ter criado Isaac Bell, que ganhou o meu coração por sua bravura, por seu senso de justiça e seu lado excessivamente humano. E também, claro, por ser loiro e alto, ter olhos azuis, com um toque de lavanda, e ser um gentleman
Sobre a diagramação: a Novo Conceito está de parabéns pelo projeto gráfico da capa. É simplesmente linda e tem tudo a ver com a estória escrita pelo Clive Cussler.
Leitura mais do que indicada para os fãs de romance policial, de thrillers e de livros de época. Duvido muito que me dirão que detestaram o livro, caso decidam ler. 

• • •
Pessoas queridas, finalmente postei a resenha de A caçada! Foi uma das melhores leituras que fiz em 2013, sem sobra de dúvidas.
Estou numa maratona, por assim dizer, com os livros da Novo Conceito. Estou muito atrasada com as resenhas, em decorrência da correria que foi o primeiro semestre na UFAL e continua sendo no segundo semestre. Porém, com uma boa programação e nada de procrastinação, estou conseguindo voltar a ler como antes. Ou quase como antes.
Então não se choquem se virem logo mais outra resenha de um livro da Novo Conceito por aqui.
Sobre os sorteios dos livros que tenho aqui: ainda estou esperando um "okay" da Novo Conceito, para que eu possa lançar concursos culturais, para presenteá-los com bons e intrigantes livros da editora mais querida do Brasil.
Aguardem!
(...)
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Um abraço da @ericona.

30 setembro 2013

Entre o amor e a amizade


ehe

Talvez toda aquela impaciência fosse somente pela falta – que ela nunca iria admitir – que ele lhe fazia. Afinal, há quanto tempo eles não se falavam? Era algo que nunca ficaria às claras, não quando isto é confirmado pela boca de uma conquistadora de maus modos.
Se ao menos as coisas estivessem mais diretas, ou se ele pudesse dizer alguma coisa que fugisse ao normal, qualquer tipo de merda mal educada para romper com as barreiras do agora... Mas cá estavam dois idiotas, medrosos e incapazes de assumir a reação de perder a cabeça.
Pois, na guerra com o coração são sempre os pensamentos a pagarem pelas ideias mais absurdas e os olhos a sangrarem pelas coisas que não são o que parecem ser. Mas quem – me diga quem – nunca passou por isso, que atire a primeira pedra.
Eles sempre tiveram uma atração nata, algo de impressionar a qualquer um. Não só uma atração física, mas se tratava de mais. Era como se eles tivessem uma ligação de outras vidas. No entanto, mesmo com tudo isso, essa ligação, essa vontade, a coisa não saía de uma amizade, de uma bela amizade, ainda que o coração de ambos gritasse por mais, implorasse por mais. Quem iria ser o primeiro a baixar a guarda? Quem daria o braço a torcer e diria “Perdi, paixão! Rendo-me a você.”?
Aquela singela paixão de arrancar o siso, ao qual Almeida Freitas se referia, aquela mesma que fizesse a moça romper com todos os seus nãos e conceitos mais profundos. É, de fato ele era a pessoa que mais havia a conhecido a fundo, e não correu como faziam todos os demais. Mas isso era exatamente a coisa que ela mais odiava nele, e uma das coisas das quais ela não queria fugir. Ela provavelmente se perguntava se com ela as relações mais banais sempre seriam tão fora de rumo, tão rentes ao abismo das sensações dúbias.
Ele a adorava como jamais poderia explicar, porém a merda toda aconteceu há três noites. A vodca e o limão juntos o fizeram esquecer-se dos limites - aquelas linhas finas e delicadas que protegem a amizade - e num piscar de olhos tudo se desfez.
O álcool ajudou aos dois, entretanto seu efeito era passageiro e agora, voltamos a dizer que merda é merda e nada - nem ninguém - poderia mudar isso.
Ela acordou um tanto desnorteada, a visão meio embaçada, a cabeça tonta. Onde diabos ela estava? Viu-se deitada numa cama, que, depois de um pouco pensar descobriu ser familiar, mas a tontura e a dor em sua cabeça não a deixavam lembrar-se de quem era a tal cama, contudo não foi preciso muito pensar. A imagem falou por tudo. Ele estava deitado do lado esquerdo da cama, com uma perna pendendo para fora dela, completamente nu. Ela ficou chocada e, rapidamente, checou a si mesma: também estava inteiramente despida. Ela não se lembrava de nada, não naquele momento, em que tudo que sua cabeça fazia era girar e latejar. O que teria acontecido? Por que estavam pelados? Será que tinham... passado a noite juntos?
Entretanto – e a bebida é uma arma traiçoeira – flashes da noite anterior saltaram a sua mente, àquela hora meio adormecida, meia em alerta. Eram imagens embaçadas de corpos que se perdiam um no outro pelo arrastar de corredores que levavam até aquele quarto, até aquele maldito cômodo que colocou toda a amizade de anos em jogo. Mas as formas com que aqueles olhares seguiram trocados a meia luz, e o gosto daqueles beijos roubados lhe despertavam os mais cegos de todos os instintos a fizeram fraquejar.
Ela socou o travesseiro pela enésima vez, enfim as lágrimas apareceram. As lembranças a confundiam mais e mais e no momento tudo o que ela queria era desligar. Porém, não conseguia. Tudo o que sua mente fazia era andar em loop. Por fim, se viu enlaçada pelos braços do seu amigo e amado, do seu agora namorado. Seu amado, ela suspirava só de pensar em pronunciar isso o quanto antes: “meu namorado, meu amado, meu amor...”. Eles conversaram, confessaram amores, paixões e, enfim, se deram por vencidos. O amor, a paixão e toda a loucura que vinha junto com esses dois primeiros sentimentos haviam ganhado a guerra.
Embriagados pelo álcool e pela paixão por tanto tempo reprimida, eles se entregaram novamente aos braços do desejo cálido, mas calmo, dessa vez sóbrios e lúcidos. Fizeram amor em forma de poesia, que declamavam aos sussurros no ouvido um do outro, e fizeram versos de amor em forma de amor prático, carnal.
Ela, pensando consigo mesma, disse que nem em um milhão de anos outro homem conseguiria fazê-la sentir como ele a fez sentir quando se amavam. Eles eram paixão fervorosa, mas eram doçura e poesia. O amor deles derrubava as barreiras do físico e invadiam as fronteiras do espiritual, do surreal, do imaginável apenas aos apaixonados. Ele pensou que ela era a garota mais misteriosamente irresistível, encantadora e apaixonante do mundo inteiro. Ele a queria em seus braços por muito, muito tempo. Para sempre, por que não?

(Allyne Araújo, Erica Ferro & Rebeca Postigo)

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Enquanto devoro A caçada, de Clive Cussler (logo postarei a resenha aqui), se deliciem com esse conto feito por três gurias arretadas. Sério, amei escrever esse conto com a Allyne e a Rebeca. Cara, acho que estou ficando boa nesse negócio (risos)! Outubro postarei várias resenhas da Novo Conceito. Andei em falta esses meses todos com essas resenhas, mas outubro será o mês em que pretendo pagar boa parte das minhas dívidas em relação a isso. Enfim, é isso. Espero que tenham gostado desse conto escrito pelo trio mais arretado da blogosfera. Sim, porque de modéstia nós entendemos (só que não ~risos~). O pedido de sempre: curtam e sigam o blog nas redes sociais. Um abraço da @ericona. Hasta la vista!

21 setembro 2013

Um dos maiores bibliófilos que o mundo já viu

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José Ephim Mindlin nasceu no dia 8 de setembro de 1914, na capital de São Paulo. Mindlin, desde criança, demonstrou um amor, cuidado e apreço enormes por livros, e foi nessa época em que José Mindlin iniciou a formação do acervo de sua biblioteca, que, paulatinamente, foi crescendo e se tornou uma das maiores do Brasil.
José Mindlin foi jornalista, advogado, empresário, mas o seu lado mais conhecido e admirado é, sem dúvida, a de ter sido um bibliófilo. Foi redator do jornal O Estado de S. Paulo durante quatro anos (1930 – 1934). Exerceu a advocacia por muitos anos e, posteriormente, fundou, em 1950, a empresa Metal Leve S/A. Fosse como jornalista, fosse como empresário, Mindlin nunca deixou de ser bibliófilo: pode-se dizer que o seu amor por livros “nasceu com ele”.
Edson Nery da Fonseca, em seu livro “Introdução à Biblioteconomia”, diz que, na década de 70, Gastão de Holanda recebeu auxílio financeiro para a Editora Fontana de José Mindlin e sua empresa Metal Leve S/A.
José Mindlin sempre buscou estar atrelado a cultura brasileira, como incentivador e como disseminador do conhecimento. Mindlin fez parte de uma variedade de conselhos de museus nacionais, mas também de conselhos internacionais, a exemplo de ter sido nomeado membro emérito da Diretoria de umas das principais bibliotecas de livros raros de todo o mundo, a John Carter Brown Library (Estados Unidos).
Em uma entrevista, José Mindlin fala de sua esposa, Guita, e do quanto que ela apoiou o seu lado bibliófilo. Foi, indubitavelmente, a sua grande companheira, como Mindlin mesmo disse, “em suas andanças por antiquários e sebos” em busca de raridades. Mindlin também disse em sua entrevista que, quando eles encontravam algo a um preço um tanto alto, que Mindlin queria, mas hesitava pelo preço, Guita o incentiva a comprar. Uma parte muito bonita da entrevista é a parte na qual José Mindlin diz que nunca precisou entrar em casa com um livro raro escondido, coisa que acontece com muitos bibliófilos. Guita não só lia todos os livros que Mindlin comprava, como também o impulsionava a comprar mais livros, porque sabia da paixão do seu marido pelo universo literário, universo do qual ela também adorava fazer parte.
Ainda na mesma entrevista, Mindlin discorre sobre a Coleção Brasiliana, iniciada em 1927, mas, que, segundo Mindlin, primeiramente tinha intento de fazer estudos brasileiros, reunindo livros de história e literatura. O que aconteceu é que a Coleção Brasiliana cresceu tanto, mas tanto, que “excedeu a propriedade individual”, palavras de Mindlin. Ciente de que a sua Coleção Brasiliana era de uma riqueza ímpar, Mindlin e família decidiram doá-la a Universidade de São Paulo (USP). 
Mindlin morreu em 2010, aos 95 anos, por falência múltipla dos órgãos, após um mês de internação no Hospital Albert Einstein, em São Paulo.
“Nós sempre fomos depositários dos livros, muito mais do que proprietários, porque a gente passa e os livros ficam.” (José Mindlin)
Mindlin não apenas passou por essa Terra, mesmo porque ele marcou a História do Brasil e até mesmo Mundial, como um ser humano singular, um dos maiores bibliófilos que o mundo já viu, que amava imensamente e intensamente os livros e passou a vida a disseminar esse amor por onde quer que passasse.

Erica Ferro

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Olá, pessoas! Tudo bem?
Well, escrevi esse texto sobre o Mindlin há um bom tempo (eu estava ainda no primeiro semestre de Biblioteconomia). Foi escrito para ser publicado no jornal do Centro Acadêmico do Curso de Biblioteconomia. Houve alguns problemas de impressão do jornal e eu não sei se ele foi ou não distribuído para os discentes. Sei que há uma versão em pdf do jornal.
Mas enfim, esse texto está no seção "Homenageado do mês". Eu nem preciso dizer o porquê escolhi homenagear o Mindlin, não é? Está tudo no texto. Espero que gostem.
(...)
Curtam, sigam e recebam um abraço apertado e carinhoso da @ericona.
Hasta la vista!