31 dezembro 2017

A virada


31/12/2017. Último dia do ano. Mais um réveillon. A virada. Que 2018 seja maravilhoso pra ti, pra mim e pra todos nós, é o desejo de praticamente todos os seres humanos desse planeta chamado Terra. Fim de ano é a época em que as pessoas deixam aflorar o seu lado puro amor. Na verdade, a hipocrisia reina bastante no último mês do ano, sobretudo nas ceias de Natal em família. No entanto, esse texto não será uma crítica a hipocrisia que impera nos finais de ano. Muito menos será uma promessa de que em 2018 voltarei a blogar loucamente, como em 2009, época boa da blogosfera, que as pessoas estavam mais preocupadas em externar o que se passava dentro de si do que angariar parcerias, nem que pra isso perca-se sua verdade e autenticidade.

Hoje, resolvi escrever porque nunca mais havia escrito absolutamente nada. Aliás, acho que não levo o menor jeito mais pra produzir textos coesos e coerentes. Porém, vou escrever mesmo assim. Até porque, depois de tantos meses sem postar aqui, acho difícil quem alguém leia isso aqui, hein? Tudo bem, tudo bem, eu só quero registrar que hoje é um dia de nostalgia. Sim, nostalgia dos lindos dias que vivi, dias de realização de sonhos, de vitórias, de aprendizados, de dificuldades que me fizeram crescer, de decepções que me deixaram mais madura... Dias de vida, enfim. 

No post anterior, falei um pouco de tudo que rolou no primeiro semestre. E o ponto mais alto, sem dúvida alguma, foi o presente que ganhei do meu anjo loiro Fabio Porchat: uma prótese de alta tecnologia, que revolucionou a minha vida. Se hoje em dia eu mal sinto dores na lombar e/ou no joelho direito, é graças a essa prótese, que me faz andar com uma qualidade que eu nunca havia andado antes. Gratidão infinita ao Fabio, que é um ser humano extremamente lindo, que me surpreende a cada dia por seu engajamento em facilitar a realização de sonhos do próximo. Amo esse cara! Ele merece todo o sucesso que tem e muito mais que há de vir!

No meu último ano de graduação em Biblioteconomia (pelo menos em relação disciplina e estágios), tive o prazer de participar de dois jogos universitários. O primeiro de organização do Comitê Paralímpico Brasileiro, competição na qual conquistei uma medalha de ouro e uma de bronze. E o segundo de organização da Confederação Brasileira do Desporto Universitário, evento no qual conquistei dois ouros e uma prata. Desde o meu ingresso no mundo paralímpico, em 2004, que eu dou entrevistas, mas nunca me sentia realmente à vontade, por conta da minha voz e do meu rosto, mas em 2017 foi o ano em que dei as melhores entrevistas da minha vida. Falei bem melhor do que jamais imaginei que conseguiria, sem nervosismo exagero, sem tremer loucamente. Gostei de me assistir, como nunca havia acontecido antes. Enfim, aos poucos, vejo que estou me aceitando mais e mais, até mesmo as características que mais me incomodavam antes. A minha última competição do ano foi o IX Meeting Cearense de Natação Paralímpica, que foi bem massa, uma verdadeira maratona de provas, como sempre faço todos os anos (foram nove provas e nove medalhas, de variadas cores). Nadar em Fortaleza tem um gostinho todo especial. Foi massa!

No dia 5 de dezembro recebi o troféu de melhor atleta do desporto universitário, na categoria natação paralímpica, por indicação da Federação Alagoana do Desporto Universitário. Logo depois, dia 7 de dezembro, dei a minha primeira palestra. Cê acredita, fio? Erica Ferro, que tinha pavor de falar até um "oi" em público, dando palestras? Que evolução, hein, amigos? No início da palestra, tremi um pouco, a voz travou um bocadinho, mas depois fiz umas piadas, a plateia riu com vontade e eu ganhei confiança. Foi uma das melhores sensações da minha vida. Em 2018 quero dar pelo menos mais uma palestra, porque gostei do negócio (risos)!

Acho que é isso, registrei todos os detalhes que eu senti que precisava registrar aqui; e agora, de peito aberto, de alma leve, deixo 2017 ir. E que nós comemoremos a virada todos os dias, porque todo dia é dia de fazer as coisas acontecerem e de sermos gratos por tudo que conquistamos.

E, 2018, meu filho, pode vir, que eu vou te usar bastante e você será um ano muito incrível!

Erica Ferro

02 julho 2017

Tirando as teias de aranha desse cantinho

E aí, povo bonito! Okay, não sei por que eu ainda acho que alguém passa por esse blog, afinal ele não é atualizado há meses. Acho que eu nunca passei tanto tempo sem postar como passei dessa vez. Não houve nenhum motivo específico. Na verdade, uma mescla de motivos que eu não consigo identificar bem. Os maiores e mais preocupantes: falta de tempo, incapacidade de escrever e a desgraçada da preguiça. Não tenho conseguido traduzir em palavras os meus pensamentos, imaginações e/ou sentimentos. É triste. Tenho saudade da época em que eu conseguia escrever o que me alegrava, o que me doía, o que me revoltava, o que me incomodava - e aí eu ficava mais leve e mais livre do que, de alguma forma, me consumia. Por isso, cá estou novamente, tentando escrever algo que faça sentido, especialmente pra mim.

Coisas lindas aconteceram de janeiro até aqui. Aliás, até antes disso, em 2016, aconteceram coisas maravilhosas, muito dignas de registro nesse cantinho, como, por exemplo, a minha ida ao Rio de Janeiro, pra assistir os Jogos Paralímpicos (presente do meu anjo loiro Porchat). Eu deixei de postar sobre isso aqui e o momento passou (mas, se houver alguém lendo esse post e quiser ver as fotos e um pouco do que eu senti naqueles dias, é só clicar no hiperlink anterior, que encaminhará para um álbum do meu perfil no Facebook). Foram momentos tão incríveis! Por que eu não escrevi sobre isso aqui? Creio que eu fiquei tão deslumbrada, tão anestesiada de alegria e de plenitude, que eu passei dias e meses digerindo tudo que eu vivi. Ainda hoje posso recordar das sensações que eu tive em cada dia em que eu fui assistir os jogos. Ainda posso sentir a emoção inenarrável que eu senti no encerramento dos Jogos, em meio a um monte de gente, no Maracanã. Foi indescritível!

Já em 2017, mais precisamente em abril, nadei o Norte/Nordeste de Natação Paralímpica, fase regional do Circuito Loterias Caixa, em Recife. E, então, ganhei outro presente maravilhoso do meu anjo loiro, o melhor presente que ele poderia me dar: uma prótese maravilhosa, que revolucionou a minha qualidade de vida. Hoje consigo andar muito melhor e sem tantas dores na lombar e na perna direita. De Recife mesmo, com as medalhas do regional na mala, viajei para Campinas/SP, pra fazer a minha prótese num dos melhores lugares que produzem órteses e próteses aqui no Brasil: o Instituto de Prótese e Órtese - IPO. Foram necessários apenas cinco dias pra que eu tirasse o molde, provasse a prótese e saísse de lá andando com ela. Foi demais! Gratidão e extremo contentamento definem o que eu senti ao obter o meu pé de fibra de carbono! E ainda no segundo dia de viagem em Campinas, escapuli pra capital, pra ver ao vivo o programa do Porchat! Foi tããão massa! Adooorei! 

No final de maio, finalizei um dos dois estágios obrigatórios do curso de Biblioteconomia. Eu nem acredito que estou na reta final da minha primeira graduação! 
E, mais recentemente, na segunda semana de junho, nadei o VIII Jogos Aquáticos do Ceará. Foi bem massa. Adoro nadar em Fortaleza. Amo os meus amigos cearenses que a natação me deu. Um bônus bacana: na volta dessa competição, ainda fiz conexão em Recife e pude conversar um bocadinho com a minha amiga das antigas, que já foi blogueira e agora é YouTuber literária, Tailany Costa.

Como vocês puderam ler, não faltaram momentos inspiradores nesses últimos meses da minha vida. Eu só não consegui traduzir em palavras, como antigamente fazia. No entanto, eu sou brasileira, teimosa pra cacilda e não desisto nunca: vou voltar a escrever e a insistir nessa terapia que tanto já me fez bem e que com certeza continuará me fazendo muitíssimo bem.

Sinto que o próximo post desse blog não vai demorar a ser publicado. Amém, irmãos? Amém!

Um abraço da @ericona,
Hasta!

17 janeiro 2017

Sobre você e eu, que não somos nós...


Ei, eu queria que você soubesse que eu gosto de você. Eu gosto um bocado, na verdade. Sendo ainda mais sincera, eu amo você. Não é culpa sua, fique tranquilo. Não temos culpa de despertarmos amor em outra pessoa, muito menos somos obrigados a corresponder. Não vou chover no molhado, tentando bolar teorias sobre como nasce o amor e as suas razões. Muita gente já tentou e teve resultados melhores do que eu jamais poderia alcançar em mil anos. Leia os poemas de Vinícius, Drummond, Quintana e outros aí. O amor é tudo aquilo que eles dizem, e bem mais. O amor é... É isso: ele é. Alguém provavelmente já disse isso, e não estou aqui plagiando as palavras de alguma outra pessoa. Estou constatando que o amor é. Ele simplesmente é. Não há como defini-lo, apenas senti-lo. Isso começou até bem, mas vejo que enveredou por um caminho de palavras clichês. Eu não consigo fugir muito dos clichês. Vai ver eu sou um clichê. Vai saber...

O fato é que eu gosto tanto de você. Tanto. Mas não se assuste, por favor, com essas minhas declarações. Apenas guarde essas palavrinhas num canto bacana da sua memória e fique feliz porque alguém te gosta pra caramba, de você por inteiro, exatamente do jeito que você é. Eu não mudaria nada em você, não porque você seja perfeito. Você deve ter uma porrada de defeitos. Com certeza tem. Mas, olha, me desculpa, no momento não consigo ver porque estou muito concentrada nas suas qualidades e em como é bom estar perto de você e te abraçar sempre que possível. Eu sou cheia de defeitos. Cheia. E você vai descobrir isso aos poucos. Espero que eles não afastem você de mim.

Eu gosto de você, pra valer. Porém, é algo tão bonito, tão precioso, que acho que não quero que saia do meu campo de ideias. Porque se um dia fôssemos "nós" e depois não pudéssemos mais ser... Eu não sei, iria ser algo difícil de superar. Você entende? Eu sei, é loucura pensar no término de algo que nem começou. E provavelmente nunca começará. Eu sou meio louca, cuidado comigo. Já disse que tomo Rivotril? Pois é, eu tomo. Não é nada demais. Umas gotinhas pra dormir melhor. Ansiedade é algo que tira o sono, sabe? E eu sou de humanas, não tenho paciência nem talento pra contar carneirinhos.

Enfim... Voltemos a você. Ansiedade tira o sono, mas de um jeito bem ruim, porque quase sempre me deixa angustiada, ofegante, inquieta. Você também me tira o sono. Não muito como a ansiedade, claro, mas tira. E é de um jeito maravilhoso, você não tem noção. Quando apoio a cabeça no travesseiro e penso em você, sinto uma paz. Relembro do tom da sua voz, dos seus olhos (seus olhos me encantam!) e do seu sorriso que sorri por nós dois. E aí eu devaneio loucamente. Penso em como seria maravilhoso viajar contigo, e poderia ser pra qualquer lugar. Qualquer lugar seria divertido e inesquecível se estivéssemos juntos, acredite. Você me faz rir e eu te faço rir. Não somos extremamente parecidos, mas temos coisas em comum. Eu te mostro meu mundo e você me mostra o seu. A gente se entende bem, muito bem. O nosso laço é real e é forte, eu sinto.

Quero continuar te vendo sempre que possível. Preciso seguir perto de você. Tenho andado fora dos eixos e você me faz tão bem, me faz voltar a enxergar as coisas como elas realmente são. Você me faz ter esperanças sobre mim e a vida. Mesmo em meio ao caos, mesmo em meio a tudo que pode dar errado, eu sei que posso contar com você e com seu ombro mais que amigo. Não quero que isso se quebre nunca. O que temos é único, é um amor que excede definições ou explicações. Você promete que, independente de tudo o que acontecer daqui pra frente, nunca nos afastaremos? Você jura que sempre haverá um espaço pra mim nesse teu coração que é tão grande e tão lindo? Porque eu juro continuar te amando e cuidando de você, esteja eu onde estiver. E eu prefiro que seja bem perto de você. 

Erica Ferro

* * *

Fan Page Sacudindo PalavrasTwitter Sacudindo PalavrasFan Page Atleta Erica FerroTwitter Erica Ferro