20/11/2009

Cores vivas!


Passei a semana toda à espera da ideia brilhante, do melhor modo de escrever sobre criatividade. Afinal, eu precisava ser criativa, sair do clichê. Mas, sabe, às vezes a gente não consegue. Aliás, não é se esperando que, em alguns momentos, as coisas acontecem.
Simplesmente temos que pegar nosso instrumento de trabalho e começar - mesmo sem saber direito o quê.
Precisamos começar. No meu caso, a escrever. E aqui estou eu, escrevendo asneiras e tentando entrar no assunto que eu devo abordar.
Não estou sendo criativa. Estou enrolando o leitor e me enrolando.

Mas, tudo bem, vamos ao assunto.
Ser criativo é ser diferente, é inovar, é chocar, é deslumbrar.
E quem pode ser criativo? Ora, todos nós temos o dom de criar, de inventar. Sim! Todos.
Desde que queiramos isso, desde que desejemos ser diferentes. Precisamos ter fome de inovação, prazer de criar e nos deliciar com o que criamos.
Na infância, por exemplo, fazemos muitas "invenções" e "artes". Nessa fase temos fome de aprender, de realizar e inventar. Desenhamos, pintamos e "bordamos". Deixamos os adultos/nossos responsáveis loucos, mas eles não deveriam se importar tanto com nossas traquinagens e inquietações. Afinal estamos criando, estamos desenvolvendo o nosso dom de criar!
Isso é magnífico, não?

Para criar, é preciso ideias, inspirações, desejos e motivação.
As ideias vem do pensar, do ouvir, do ver e do falar. E, sobretudo, a criação vem através de uma inspiração.
E como a inspiração vem até nós? Ah, tantos meios! Uma conversa, uma música, um filme, um sonho, um devaneio e da vontade. Sim! Porque ser criativo exige vontade, desejo intenso de sê-lo.
Criar é se colorir, se pintar de cores vivas e alegres.
Sim, porque a mesmice é cinza, preta e branca. É, ela é "apagadinha" - quase não é notada, a bichinha.
O diferente, não. O diferente é colorido, é chamativo, é deslumbrante, é incomum.

Seres criativos imperam, isso é certo. Nesse mundo cada vez mais competitivo e "matador", quem se sobressai com sua forma de inovação e, assim, chama atenção, sai ganhando certamente.
Por isso que, mais uma vez, ser criativo é fundamental para a sobrevivência em meio a feras prontas para acabar conosco.
É, agora eu exagerei. Ou não. Talvez nem tanto, porque nós sabemos que verdadeiramente algumas pessoas andam iguais a feras, prontas para dar o bote e nos devorar. É preciso cuidado, é preciso jeito para driblar essas coisas. E, mais uma vez, a criatividade entra em cena.

E quando estamos transbordando de inspiração, de um desejo quase louco de criar? Acordamos no meio da noite, loucos para compor uma música, pintar um quadro, inventar uma máquina para se teletransportar para outro século, mundo, sei lá. Se bem que esse último caso é meio improvável, não é?
Mas o fato é que ficamos agoniados, em busca de nos aliviar e só podemos fazer isso realizando o que nos apetece no momento.
Por exemplo, quarta-feira passada estava com uma agonia muito grande. Uma vontade imensa de escrever, de fazer poemas, mesmo sem saber direito. E fiz. Foram oito poemas insanos e agoniados. Sim, porque eles queriam sair do meu pensamento e irem para o papel. E insistem em ir para o Sacudindo Palavras. Mas já disse que eles são muito emotivos e talvez o público não os aprecie. Pensam que eles desistem? Jamais! Minhas criações exigem publicação, exibicionismo, reconhecimento.
E é assim mesmo. A maioria dos inventores esperam que conheçam suas engenhocas, seus "pupilos" e as aprecie, as admire.
Eu, em certa parte, sou assim. Por isso procuro sempre me reciclar e ser diferente, sempre chocar, impressionar. Porém acho que não obtenho muito efeito, mas o que importa é que eu não desisto de ser criativa. Isso já é um grande passo.

E quando você quer muito criar, mas não sabe o que e como? A angústia vem. Os chamados pela inspiração tornam-se gritos.
E agora, o que fazer? Pegue o seu lápis ou caneta, uma folha e tente escrever. Sim, comece!
Mas e se nada de bom for escrito? Espere.
A inspiração sempre aparece, sempre. De várias formas, como já citei acima.
O negócio é não se desesperar, se agoniar e querer desistir de criar.
Saia, vá as ruas, escute o som dos pássaros, veja o mar, faça o que gosta e a inspiração virá. É sempre assim!

E esse texto foi criado de forma mais desejosa do que inspiradora. Criei-o por vontade, por anseio de criar, impressionar e ganhar o Blorkutando. Surtiu efeito?

(Erica Ferro)



Pauta para o Blorkutando.
Tema: Criatividade.



P.s: Oi, meus amigos blogueiros!
Muitos dias sem atualizar o Sacudindo Palavras, não é?
É que, sei lá, parece que o blog deu uma caidinha.
Vejo isso pelo número de comentários - não que signifique muito pra mim, mas significa que menos pessoas tem me visitado e lido meus textos.
Penso não estar agradando tanto quanto um dia achei que agradava.
Podem ser francos comigo se estiverem se cansando de mim. Não ficarei chateada, só triste.
Mas tudo bem, agradeço a todos que sempre estão comigo aqui, que sempre leem e deixam seus comentários, seus elogios, seus conselhos e, enfim, me fazem feliz.
Saibam que é por vocês e, principalmente, pela minha vontade de escrever e externar isso que o blog permanece e permanecerá por muito tempo firme e forte.
Disse que ia postar a crônica do Nivaldo Pereira ainda nessa semana, e farei!
Provavelmente, amanhã ou domingo terá crônica dele aqui. Certo?
Ah, não esqueçam de passar no Divã cor de rosa. Sábado, amanhã, é meu dia de postar lá. Então, gostariam de ver os meus leitores por lá!
Um forte e carinhoso abraço da @ericona (me sigam no twitter!).
Tenham um ótimo fim de semana.
Até a próxima.

17/11/2009

Cadê você?


Milhões de pessoas ao meu redor
Todas elas com velas
Tentando iluminar minha visão
Mas de nada adianta

Eu espero por você
Espero por você e a sua vela
Sim! Só através dela poderei novamente ver
É que eu amo você

Olha, é esquisito, eu sei
Te amo mais do que eu pensei
Você não sabe, isso eu também sei
É que eu não sabia também

Quanta enrolação!
Mas eu não tinha notado o nascer dessa paixão
Eu sempre estive você do meu lado
Próximo a mim

Mas você sumiu
Da minha vida saiu
Então a dor em mim surgiu
A paixão me esmagou e me apertou

Agora eu estou aqui
No escuro
Todas essas velas, todas essas pessoas
Não são o suficiente para que eu possa voltar a ver

Só você traria minha visão de volta
Só você faria o meu coração novamente pulsar alegre
Só você me acalentaria e eu sorriria
Só você...

E, então, você não vem?
Cadê as velas?
Cadê o seu abraço?
Cadê você?

Vem, senão eu vou...
Parto para outra dimensão
Morro de paixão

(Erica Ferro)

•••

P.s: Gente, eu ando sentindo falta de uma pessoa, mas muita falta mesmo.
Não sei porque a tal pessoa sumiu, e eu ando agoniada, esperando a volta dela.
Eu queria chamar a atenção dela, mas vejo que não é caminho. Vou continuar esperando, é o melhor que eu faço. Se ela não vier, bem... é porque ela não sente a minha falta, não sou importante pra ela. Ah, e como eu sinto isso! Como eu sinto não ser importante pra tal pessoa.
Espero que ela venha, já sinto o peito apertar, os olhos começam a lacrimejar.
Vem, pessoinha! Vem, e me traz toda a alegria de te ver junto a mim de novo.
(...)
Não esqueci da crônica do Nivaldo, ok? É que eu tinha que postar isso hoje; meu coração estava agoniado, louco pra desabafar.
Essa semana ainda eu posto a crônica, prometo!
Grande abraço da @ericona.

16/11/2009

Amanhã é o dia!


Amanhã
Ah! Amanhã eu levantarei forte
Ah! Amanhã eu irei
Olha, amanhã eu serei!

É...
Sim, é amanhã
Por que não hoje?
Porque hoje eu me sinto indisposta

Amanhã eu acordarei bem
Pronta para o que vem
Amanhã é o dia!
Amanhã eu serei!

Raia o dia
Ai, que cansaço!
Ai, que fraqueza!
Disse que hoje eu seria

Covardia, covardia!
Mania, mania!
Deixa para outro dia
Ah, outro dia...

(Erica Ferro)



P.s: Oi, oi!
Disse que eu voltaria, voltei.
Sim, outro poema (?) sem muito nexo. Mas, claro, sempre há uma intenção em toda essa loucura que eu escrevo. A intenção, desta vez, era alertar para os adiamentos, a nossa preguiça ou comodismo, achando que o amanhã virá, que será melhor fazer tal coisa amanhã. Enfim, adiar é só uma mania que temos de adiar a nós mesmos, adiar o que queremos, por medo ou por preguiça. Não podemos, não temos esse tempo que pensamos. Aliás, poderemos até ter um certo tempo, mas temos muito o que viver. Por isso não podemos perder tempo.
(...)
Amanhã, acho, posto outra crônica do Nivaldo Pereira.
É que (ai, que vergonha!) estou com preguiça de digitar a crônica (haha!).
Sei que não é nada bonito pra mim, enfim...
Descobrem hoje que Erica Ferro é preguiçosa. E como é!
Mas tudo bem, hão de me perdoar por isso, não é?
Não esqueçam de olhar os selinhos na postagem abaixo. Quem quiser pegar, pode pegar. Eu deixo (e você manda em algo, Erica? haha!).
Grande e carinhoso abraço pra vocês (da @ericona!).
Até amanhã.

Presentes...


Oi, pessoinhas!

Hoje venho postar uns selos que ganhei e um meme, também.

Ganhei dois da Daninha, do blog My Things. Os selos que ganhei dela não tem regras; então aqui estão eles:




Ganhei dois da Cecília, do blog Ela por ela mesma.

São eles:

"Você faz parte do meu mundo de morango".

Este selo vem com umas perguntinhas. Vamos a elas:

Qual seu doce preferido de morango?
Ah, eu gosto de morango com aquelas coberturas de chocolate. É bem bom!
O que você prefere no morango, as cores, o cheiro ou sabor?
O conjunto, ou seja, o morango todo.
Como seria seu mundo de morango perfeito?
O morango, ao meu ver, com esse gostinho azedo, mas também um pouco doce. Esse é o mundo perfeito, cheio de imperfeições.



Acho que o nome desse é "66?". Este eu lembro que ganhei de outras pessoas, mas faz tempo. Então quero agradecer a elas também.


Este selo pede para citar seis características minhas.

São elas:
Estourada;
Hipérbolica;
Faladeira;
Insistente;
Dramática;
Romântica;



E, para finalizar, o meme que ganhei da Dayane Pereira, do blog Penso, logo... Blogo!.

Questões:

1 - Quatro filmes que eu assisto sempre que passam:
Não lembro. Eu mal assisto a filmes, haha!

2 - Quatro lugares em que eu já morei:
Nunca mudei de cidade, só de bairro, haha...

3- Quatro programas de TV que eu gosto:
Novela, Hoje em dia, Jornal nacional e Videoshow.

4- Quatro pessoas que me mandam e-mail regularmente:
Aliena, Arelly e... Não lembro mais. Hoje eu não estou muito bem... Acho que é o sono.

5- Quatro coisas que eu faço todo dia sem falta:
Entrar no blogger, ler, assistir e chorar (mentira, haha!).

6- Quatro comidas favoritas:
Ah, pulemos essa questão, que eu estou numa dieta e eu evito falar das minhas comidinhas preferidas; já que no momento as porções são limitadas, enfim...

7- Quatro lugares em que eu gostaria de estar:
Ah, só quatro? Eu queria viajar o mundo inteiro.

8- Passar a missão para 4 blogs que eu adoro:

Ah, essa parte eu deixo com vocês! Quem quiser pegar o meme, pode pegar. Aliás, os selos e o meme são de vocês, certo?



Obrigada, meninas!

Acho que logo mais volto com uma postagem. Ah, eu estava pensando, já que vocês gostaram da crônica do Nivaldo Pereira, pensei em postar outra. O que acham?

Sintam-se abraçados pela @ericona (sim, já disse milhões de vezes que é o meu twitter e que eu quero que me sigam... Me sigam?!).

(Erica Ferro)

14/11/2009

Inventário de cicatrizes


Idéia maluca para uma crônica: fazer um inventário das cicatrizes. Há várias espalhadas pelo corpo, cada qual com sua história. A maioria veio da infância, é claro. É ali que a inocência das atitudes e intenções se soma ao jeito naturalmente estabanado das crianças, e o resultado são violações nos limites da pele. Fica para sempre o carimbo da nossa insensatez.
Cicatrizes são também registros de nossas transgressões. Sem contar as comuns marcas de vacina, ganhei a minha primeira com uns sete anos. Um profundo corte no pé esquerdo. Não lembro mais o motivo, mas naquela tarde me desentendi com a turma de moleques e decidi seguir por outro caminho, num terreno baldio tomado pelo mato. Fui correndo, que era para chegar primeiro e tirar vantagem com minha opção de não seguir a maioria. Não senti quando pisei na lança brilhante de um fundo de garrafa, apenas a sensação de estar vazando pelo pé. A dor se anuncionou somente quando percebi o rastro lá atrás - o meu sangue pintando uma trilha vermelha no mato verde.
O acidente mudou o plano de todos. Não demorou e estávamos na farmácia, eu levando pontos no pé, humilhadíssimo pelos olhares a me dizer: "Quem mandou você ir por ali?" Essa cicatriz ficou como uma tatuagem da culpa por ousar inventar trilhas sem o aval do bando. Ela foi o preço da minha desobediência.
A marca seguinte adquirida resultou da força do meu irmão. Nos brinquedos de ferro da praça, ele puxou com tudo uma trave para cima, sem notar minha perna encostada no mastro. Não sangrou, mas a luxação dolorida e roxa transformou-se num calo oval permanente na coxa direita. Dali em diante, eu fazia questão de sempre lembrar que ele tinha sido responsável por aquele dano em mim. Um verso do poeta Cacaso diz que cicatrizes não se transferem, mas eu bem que tentei ao menos compartilhar a minha.
Há na mesma coxa a marca de um corte de gilete. Naquele dia a parede seria pintada, e eu retirava com a lâmina os pôsteres de artistas colados no quarto. Viajava nas cenas e caras saídas da televisão, lamentando jogar fora aquelas imagens. De repente, um gesto brusco, e um risco vertical na perna. O sangue salpicou no chão, tingindo os sorrisos de Tarcísio Meira e Glória Menezes nos recortes atirados. Ficou a lição de nunca mais deixar a fantasia me arrebatar quando a realidade me exigir muita atenção.
Mais abaixo, na canela direita, oculto entre pêlos, há o carimbo de uma infeliz pulada de cerca. Por que cruzar o arame farpado por baixo feito um frouxo, se poderia fazer das linhas metálicas uma escada e saltá-la? Esse era o meu argumento infantil. Mas a cerca reafirmou suas funções óbvias, e eu voltei para casa com mais essa seqüela dos meus atrevimentos.
Pensando bem, há mais cicatrizes pelo corpo do que cabe relatar neste inventário. Há a saliência de um rasgo de prego no braço, outra na omoplata esquerda, provocada ridicularmente por um beliche que desabou em cima de mim, há a sombra de um furo de ponta de lápis na palma da mão e muitas raladuras nos cotovelos. Todos evocam dores e aprendizados, que dificilmente esquecerei. Por isso, convido você, leitor, a conferir suas próprias cicatrizes e a perceber que lembra exatamente de como cada uma delas surgiu. São impressões do tempo, esculpidas na carne, para que ninguém jamais esqueça as lições da dor.

(Nivaldo Pereira)



P.s: Gente! Lembra que eu falei do Nivaldo aqui? Que ele me enviou um livro de autoria dele, autografado e tudo o mais? Lembra, também, que eu prometi postar uma crônica do livro aqui? Então, essa é apenas uma das muitas que eu adorei e queria compartilhar com vocês.
Amanhã, provavelmente, não terei como ver os comentários, as atualizações. Enfim, será um dia longe do blog - a internet que uso sairá do ar; reajustes, coisas assim, que serão feitos.
Mas segunda estou por aqui de novo!
Quero agradecer a todos que tem me visitado, deixado lindos comentários e, claro, agradecer aos novos seguidores.
É muito bom ver que o blog a cada dia cresce mais e mais.
Ah! Hoje foi meu dia no Divã cor de rosa. Passem lá e vejam meu post.
Obrigada a todos.
Ótimo domingo pra vocês.
Grande abraço da @ericona (propaganda do meu twitter de novo!).

13/11/2009

Insisto na repulsa.


Afaste-se, cavalheiro
Teu olhar é mortífero
Teu abraço, fatal
Tua voz, linda mas ferina

Solta-te do meu braço
Deixe-me ir
Não me olhe assim
Queres me matar, me ferir?

Não! Não me abrace
Não tente me beijar
Não tente me acariciar
Não tente me ganhar

Tenho medo desse envolvimento
Meu maior medo é cair em sofrimento
Mas tudo é sofrimento, se pensarmos direito
Que seja! Ainda assim, tenho medo

Temo porque tenho em mim tantas cicratizes
Não quero que em mim esse amor crie raízes
Temo o fim de uma história que não começou
Temo a morte trágica desse mesmo amor

Temo o fracasso, mas, no íntimo, desejo o triunfo
Mas não me arrisco
Insisto na repulsa:
Afaste-se de mim, cavalheiro!

(Erica Ferro)



P.s: Olá, olá!
Como vão? Tudo certinho?
Espero que sim.
É, estou legal. Não muito legal, mas tudo bem.
Perceberam como faço poemas bestas? Isso é, se pode-se considerar poemas essas coisas sem nexo que eu escrevo.
De qualquer modo, essa é a Erica Ferro: bestinha e metida a escrever, mesmo sem saber.
Ótimo fim de semana pra vocês!
Sintam-se abraços pela @ericona. (meu twitter, me sigam!)

12/11/2009

Ar podre e aspecto dissimulado!


A sensibilidade me rasga a carne e me faz sangrar, "mas que besteira, você não tem motivos para chorar...".
Ninguém dessa terra conhece meu interior, a não ser eu. Ninguém sabe o que faz meu coração sangrar, por mais que eu me canse de tentar explicar. Sempre, ao ver alheio, serão motivos pequenos e inúteis, de fácil resolução.
Então, vem, resolve no meu lugar. É bem mais fácil falar, tentar solucionar. Mude a situação, seja você o centro do problema, seja você a agoniada da história.

Inverta os papéis e me diga se é tão fácil como você pensou que fosse.
Você está do lado de lá. Eu estou na chuva; você está no aconchego do seu lar, protegido pelo telhado da sua casa. Aí não neva, não faz frio, não faz sol, nem há ventanias destruidoras. Então, meu caro, é fácil você me jogar e me gritar soluções.
Você não sujou seus pés na lama, você não chorou noites com frio e fome, mas não fome de alimentos, desses como feijão e arroz. Falo de alimentos que muitos necessitam, mas poucos se dão conta que precisam.
Minha alma está faminta, há muito tempo sinto isso. Me sinto fraca, sugaram-me todas as forças. Mas entenda que isso não é tristeza, é apenas um cansaço, um enfado.
Ou seria tudo isso junto? Quem sabe, não é?
O sol ilumina, mas queima. Mas não falo do sol, aquele inalcançável. Falo do sol, aquele que aparece em nossa vida em forma de pessoas. Elas nos aquecem, nos tiram do escuro, mas depois nos queima e nos jogam precipício abaixo; e chove.
Chove muito, trovões e relâmpagos fazem parte do cenário. Desmoronamento, desgraça e desolação.
É, não é fácil, meu amigo; não é fácil. Você certamente não passa por isso, não é? Não estando em casa, bem protegido e só me vendo penar.
Ainda quer me apontar soluções, me falar de suas conclusões e me dizer o quanto sou fraca e deveria estar vivendo ao invés de estar chorando?
Olhe, veja bem, não estou muito bem. Ando desconsolada quanto descontrolada, melhor não se arriscar.
Não quero ouvir mais suas teorias, seus conselhos. Me deixe ir sozinha, me deixe tentar entender essa complexidade.
Me deixe cansar de tanto correr, e não chegar a nenhum lugar. Não, não corra atrás de mim. Não tente me acompanhar. Entenda: não quero sua proteção.
Ah, me deixa em paz, vai! Sua compaixão é tão falsa quanto o seu olhar de amigo-para-sempre.
Seu falar é tão falso quanto suas mãos que se estendem para meu auxílio.
Eu sinto o podre, o falso, quando você se aproxima de mim.
Por que você não arranca essa máscara e mostra sua face desfigurada e medonha?
Por que se esconde e dissimula um personagem?
Não, querido, comigo não funciona. Não funciona, ouviu?!
Desista, definitivamente, desista!
Saia do meu encalço, desinfeta da minha vida de uma vez por todas.
Já disse que hoje estou descontrolada?
Melhor ir, antes que eu perca de vez o controle, antes que eu me entregue de vez à insanidade.

(Erica Ferro)



P.s: Caros amigos, não me sinto muito bem. O dia, definitivamente, não foi dos melhores. Não estou muito dócil e feliz, como podem notar.
Mas, tudo bem, há de passar. Dizem até que a uva passa, não é?
Dias melhores virão!
Mas por hoje quero curtir esse meu mal-estar, essa raiva, essa insatisfação, essa loucura, essa vontade de chorar e morrer.
Certo, exagerei com o 'morrer'. Já disse que sou a hipérbole em pessoa, não é?
Pois é isso.
Grande abraço pra vocês.
Até mais.

Fui selecionada!

Sou VIP!

Destaque de maio!

Estou lendo...

Estou lendo...
Dom Casmurro - Machado de Assis

Outras sacudidas...

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Passado presente

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