31 dezembro 2014

2014 de Erica Ferro

Meu 2014!

Escolhi algumas fotos que representam bem meu 2014 e, ao fundo, coloquei It's my life, do meu querido Bon Jovi, que tanto gosto. 


Fazer retrospectiva é legal, eu gosto. Por mais que pareça modinha de fim de ano e todo mundo fazer, acho válido, porque é a hora que a gente para pra pensar e relembra de todos os bons e maus momentos do ano, com a finalidade de melhorarmos no que não deu muito certo e aperfeiçoarmos o que deu (e vem dando) certo. Então, por essa e outras razões, também farei a minha bela e emocionante retrospectiva.
Digo, com certeza, que 2014 está guardado em minha memória como um ano espetacular. Algo em mim dizia que seria assim, mas eu não tinha noção do quanto que seria um ano memorável. Treinei muito forte no final de 2013 e início de 2014, sem descanso, sem férias, com um claro objetivo: nadar bem no regional Norte/Nordeste de 2014. Nessa jornada de treinos e sonhos, entraram na minha vida duas pessoas muito especiais: Fabio Porchat e a sua mãe, Isabella Robinson. Eles me adotaram como atleta, custeando todas as minhas competições, a começar pelo regional Norte/Nordeste. Consegui 7 medalhas nesse regional, sendo 6 de ouro e 1 de prata. Escondi esse regional de 2014 numa parte muito importante do meu coração, pra recordar sempre de um dos momentos mais alegres da minha vida.
Depois do regional, recebi um convite muito especial: conhecer a Isabella, Fabio e família... E o Rio, claro! Um fim de semana incrível, ao lado de pessoas pra lá queridas, de bem com a vida e donas de corações enormes e lindos. Foi muito massa poder conhecer a Isabella pessoalmente, dar-lhe abraços apertados e agradecer por todo carinho e atenção para comigo. E o que dizer do Fabio? Um ser humano extremamente lindo, não apenas por fora, mas, sobretudo, por dentro. Assisti ao stand up Fora do Normal e, depois, pude conhecê-lo no camarim, abraçá-lo e dizer o máximo de palavras que o meu nervosismo me permitia dizer. Sim, eu tremi quando vi esse loiro alto, de sorriso largo e fácil. Tremi de emoção, de alegria e de admiração. Abracei-o, disse o quanto sou grata a ele por me auxiliar na construção dos meus sonhos e tirei algumas fotos, pra registrar o momento, que foi muito belo e feliz. No Rio, também outras pessoas muito bacanas, com as quais ri muito e conversei um bocado, entre elas: Alice e Vilma, duas criaturas de alma jovem e jubilosa. O Rio é lindo... e as pessoas de lá, ainda mais!
Participei de cinco competições ao longo desse ano: 1) Regional Norte/Nordeste; 2) Campeonato Alagoano de Inverno; 3) V Jogos Aquáticos do Ceará; I Aberto de Campinas/SP; 4) 3ª etapa nacional do Circuito Caixa; 5) VI Meeting Cearense. Foram 19 medalhas de ouro, 2 de prata e 2 de bronze. Não obtive os índices classificatórios para as nacionais na fase regional Norte/Nordeste, mas os consegui nos V Jogos Aquáticos do Ceará. Conquistei dois índices (50m livre e 100m costas), que me classificaram para a terceira e última fase nacional de 2014, competição organizada pelo Comitê Paralímpico Brasileiro e patrocinado pela CAIXA. Das minhas pequenas grandes vitórias de 2014, destaco a minha felicidade em fechar 2014 como a terceira melhor dos 100m borboleta e a quinta melhor dos 100m costas a nível nacional.
No âmbito acadêmico, encerrei o biênio 2013/2014 do PIBIC. Durante um ano, li muito, produzi e adquiri conhecimento, tanto pra vida quanto pra minha carreira universitária. Já no campo pessoal, posso dizer que foi o ano mais fantástico de todos. Viajei várias vezes no ano, é verdade, mas foram viagens voltadas para competições, com pouco (ou nenhum) tempo para bancar a turista. Óbvio que, além de competir, sempre conheço pessoas legais. No entanto, a viagem que fiz ao Rio foi a primeira que fiz exclusivamente pra passear e conhecer pessoas e outros lugares. A segunda que fiz foi há pouco, para o Rio Grande do Sul. Há tempo que conheço uma criatura mandona (porém legal – juro!), chamada Ana Seerig e moradora de Caxias do Sul, serra gaúcha. Por meio dessa pessoa tresloucada e amante de cerveja, tive a alegria de conhecer outras pessoas incríveis, inclusive outros gaúchos. Então, para unir o útil ao agradável (pagar a minha dívida de visitá-la e conhecer os meus outros amigos gaúchos), descolei umas passagens rumo ao Rio Grande do Sul. Passei lindos dez dias por lá. Posso dizer que foram dez dos melhores dias de 2014. Conheci um pouco de Caxias do Sul, Sombrio/SC, Balneário Gaivota/SC, Torres/RS, Gramado/RS, Nova Petrópolis/RS e São Jorge da Mulada/RS. Passei por lugares lindos e conheci pessoas muito amáveis. Fui muito bem recebida em todos os lugares por quais passei. As pessoas de lá são atenciosas e adoram conversar. Apaixonei-me perdidamente por chimarrão e pelo Rio Grande como um todo. Voltarei, com certeza.
 Por fim, meus agradecimentos mais do que especiais a quem sonha comigo e me incentiva, direta ou indiretamente, a galgar degraus cada vez mais altos. Agradeço a ADEFAL, associação da qual faço parte, por disponibilizar e contribuir com o que pode para que eu possa permanecer na vida que eu escolhi, que é a de ser atleta paralímpica. Agradeço ao Diego Calado, meu técnico, meu grande amigo, que é uma pessoa incrível e faz milagre com o pouco que lhe é disponibilizado, alcançando, junto com a equipe, grandes patamares. Tenho um carinho e admiração enormes por esse cara. Acredito que, juntos, conquistaremos coisas ainda mais grandiosas em 2015. E, claro, meu MUITO obrigada aos meus apoiadores FORA DO NORMAL: Fabio Porchat e Isabella Robinson! Trabalharei com mais afinco para continuar honrando esse grande apoio que me dão. Quero dar ainda mais motivos para que continuem a se alegrar com as minhas conquistas em 2015! Na área acadêmica, agradeço aos amigos e aos professores pelo companheirismo e por vibrarem com cada conquista minha, seja na academia e/ou na vida esportiva, assim como me alegro em fazer parte da vida deles.
Meu agradecimento a você que me lê, que me acompanha e que faz parte do meu rol de queridos amigos blogueiros. Encontramo-nos em breve, aqui, nesse mesmo bat-canal (risos). Quero desejar um excelente 2015 a todos. Continuem acreditando em dias melhores. Continuem sonhando e trabalhando para que eles se tornem reais. Ainda que sejam/pareçam sonhos difíceis, quase impossíveis, não desistam: “Tentem outra vez!”. Quebrem paradigmas!
Obrigada, 2014, você foi maravilhoso e me proporcionou emoções incríveis e inesquecíveis. No entanto, eu sei que 2015 me reserva coisas ainda mais grandiosas. O que eu desejo pra mim, desejo pra vocês: saúde, paz, amor, coragem e um montão de momentos alegres e estupendos. Se forem dirigir, não bebam! Se forem beber, me chamem! (risos)
Um grande abraço da @ericona.

Feliz Ano Novo!

28 dezembro 2014

Filme: Memento / Amnésia


Título: Memento (Original) / Amnésia (Brasil)
Ano de produção: 2000
Direção: Christopher Nolan
Estreia mundial: 5 de Setembro de 2000
Estreia no Brasil: 31 de Agosto de 2001 Duração: 113 minutos
Classificação: 16 - Não recomendado para menores de 16 anos
Gênero: Mistério, suspense
País de origem: Estados Unidos
Sinopse: Após um assalto que resultou na morte de sua esposa e que o deixou em estado gravíssimo, Leonard Shelby (Guy Pearce) passa a sofrer de amnésia recente. Ele não consegue se lembrar de fatos que aconteceram há 15 minutos. Mesmo assim ele decide ir atrás do assassino de sua mulher e se vingar.



Memento, título original, ou Amnésia, título usado aqui no Brasil, é um filme norte-americano de 2000, dirigido por Christopher Nolan, e o seu roteiro é baseado no conto "Memento Mori", escrito por Jonathan Nolan, irmão do diretor da película. Quando me indicaram o filme, contaram da estrutura dele e me pediram pra vê-lo com muita atenção. Percebi o porquê quando comecei a ver o filme. A estória é contada de trás para frente. E é preciso praticamente grudar os olhos na tela e afiar os ouvidos para não deixar passar nenhum detalhe, porque tal detalhe pode fazer toda a diferença para o entendimento da estória, que é intrigante e bastante intricada. 




As cenas se alternam entre as em preto e branco, que são sequências em ordem cronológica, e as coloridas, que são sobre a investigação de Leonard Shelby, mas são mostradas na ordem inversa. Esse formato de contar uma estória gera uma confusão no espectador, ao mesmo tempo que consegue prendê-lo de uma forma quase mágica. Não se sabe o que culminou na cena que está sendo apresentada e, então, gruda-se os olhos na tela para saber o que vem a seguir, na esperança de que consiga explicar a cena que se passou (e explica!). É algo incrível, e diria até que genial.




Leonard Shelby (Guy Pearce), certa feita, acorda-se no meio da noite e sente falta da sua esposa ao lado cama, então vai procurá-la. Para o espanto e terror dele, a encontra sendo violentada e estrangulada no banheiro por um homem encapuzado. Leonard inicia um luta contra o bandido e acaba levando um grande golpe na cabeça pelo que parece ter sido dado por um segundo bandido. Leonard vê a sua esposa morrer e, ao mesmo tempo, adquire um problema sério: amnésia anterógrada, que, em síntese, é a incapacidade de memorizar fatos posteriores ao trauma. Leonard só consegue recordar da sua vida antes do incidente, mas não consegue gravar nada do que ocorreu e ocorre depois dele.
Os dizeres "Remember Sammy Jankis" estavam tatuados na mão esquerda de Leonard Shelby. 




Quem foi Sammy Jankis? Foi um dos casos investigados por Leonard enquanto investigador de seguros, atividade profissional exercida antes do acidente. Sammy Jankis e sua esposa sofreram um acidente de carro, que causou amnésia anterógrada em Sammy. A esposa de Sammy, vendo que as contas médicas se acumulavam e Sammy não melhorava, procurou o seguro. Leonard foi o encarregado a se certificar da veracidade do caso. Após testes que mostraram que Sammy não era mais capaz de memorizar, nem por instintos, novos acontecimentos, Leonard conclui que Sammy sofria de um problema mental, não físico, e o seguro não lhe cobriu a doença. Leonard acreditava que, se Sammy fosse tão organizado e metódico quanto ele próprio se tornou depois da amnésia anterógrada, teria conseguido absorver memórias novas, ao menos por meio de fotografias e anotações (aliás, Leonard registrava coisas até em forma de tatuagens, a fim de que não fossem apagadas ou perdidas).




Um dos personagens principais, depois de Leonard, é claro, chama-se Teddy Gammell (Joe Pantoliano). Ele se apresenta como amigo de Leonard, e auxilia Leonard em sua investigação, para que ele possa encontrar os homens que violentaram a sua esposa e, assim, possa vingá-la. Como Leonard não se recorda disso, não sabe se acredita nele; por essa razão, o espectador também não consegue confiar ou desconfiar totalmente de Teddy.




Confesso que alternei entre acreditar e desacreditar de Teddy. Ele me pareceu sacana desde o começo do filme, mas não de ser culpado de algum crime. No máximo, achei que ele tirava proveito de algumas situações.
Há também outra personagem muito importante na película: Natalie (Carrie-Anne Moss). Essa daí também me causou diversas impressões: sedutora, manipuladora e perigosa.




Na minha concepção, tanto Teddy quanto Natalie usavam o meu querido Leonard (sim, em alguns momentos quis abraçar Leonard e lhe dizer que iria ficar tudo bem - sou louca sim ou claro?).
A trama se desenrola de uma maneira rápida e cumpre bem o seu papel: bagunçar o cérebro do espectador, o fazendo cogitar mil e uma possibilidades não só para o início, desenrolar e o final do filme, como também explora de modo magistral o psicológico de seus personagens, em especial de Leonard Shelby. O roteiro é muito bem escrito, as tiradas dele são geniais e extremamente reflexivas. Foi um dos filmes mais inquietantes que eu já vi. A estória em si é pesada, mas se vê no filme elementos como o humor e a ironia, que conseguem quebrar um pouco a atmosfera carregada da trama.




Sobre os personagens: alternei entre gosto/desgosto em relação aos personagens Teddy e Natalie ao longo do filme. Quanto a Leonard, me encantei por ele desde o primeiro momento de filme. Forte, destemido e insaciável por justiça. Ainda que com suas limitações de memória, fazia o máximo para registrar o desenrolar de sua investigação. Compadeci-me de sua estória e me entristeci ao ver que a sua vida se resumia em uma busca frenética por vingança - o desejo por vingar o que fizeram à sua esposa era a única coisa que o mantinha vivo.
Concernente à trilha sonora: figuram David Bowie e Radiohead nela. Ou seja... É pra lá de ótima!




Fazendo um apanhado geral, é um filme espetacular e que eu adorei assistir. O final é muito surpreendente e desconcertante, diferente de tudo que eu imaginei e que suponho que os espectadores imaginam. Li alguns comentários em fóruns sobre o filme e uma parte que assistiu o filme não entendeu o final. Alguns, admitiram que não entenderam quase nada do filme. E aí é que está: não se pode ver um filme tão complexo quanto esse sem prestar bastante atenção em cada detalhe. Não é um filme que você assiste batendo papo com os amigos. É um filme que se assiste calado, vidrado na tela.




O final não é complicado de se entender, ao meu ver, e não é decepcionante. Na realidade, é questão de analisar toda a trama e interpretar, buscar o sentido de cada ato e visualizar tais atos como um todo que justifique a estória. Concluí que as minhas suspeitas de que Leonard estava sendo usado eram verdadeiras. À sua maneira, ele deu um jeito de acabar com esse abuso que vinha sofrendo. E, caramba, as tiradas do final do filme são fantásticas. Faz-nos pensar em muitas, mas muitas coisas sobre essa tresloucada vida.
Segundo a página referente ao filme no site Wikipédia, Memento foi, e é, um filme bastante aclamado pelos espectadores, pela crítica e até mesmo por médicos especialistas em amnésia anterógrada, que afirmaram que Memento foi o filme que melhor retratou esse tipo de problema de memória. Ganhou vários prêmios, inclusive indicações ao Oscar nas categorias de Melhor Roteiro Original (Christopher Nolan e Jonathan Nolan) e Melhor Edição (Dody Dorn).
A parceira dos irmãos Nolan é esplêndida e muito capaz de arrebatar a admiração dos que conhecem as suas obras. A mim, pelo menos, os Nolan conseguiram conquistar. Certamente, irei assistir a outros filmes dirigidos e escritos pelos Nolan.
Fica aqui a minha recomendação para quem gosta de filmes dramáticos, policiais e thrillers. É um baita filme! 

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* As imagens foram extraídas do Google e não encontrei créditos nelas. 
Qualquer problema quanto a isso, é só enviar um e-mail
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Um abraço da @ericona.
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30 novembro 2014

Resenha: Jardim de Inverno - Kristin Hannah


Jardim de Inverno
Kristin Hannah
Novo Conceito
416 páginas
☺☺☺☺☺ ♥
Sinopse: Meredith e Nina Whiston são tão diferentes quanto duas irmãs podem ser. Uma ficou em casa para cuidar dos filhos e da família. A outra seguiu seus sonhos e viajou o mundo para tornar-se uma fotojornalista famosa. No entanto, com a doença de seu amado pai, as irmãs encontram-se novamente, agora ao lado de sua fria mãe, Anya, que, mesmo nesta situação, não consegue oferecer qualquer conforto às filhas. A verdade é que Anya tem um motivo muito forte para ser assim distante: uma comovente história de amor que se estende por mais de 65 anos entre a gelada Leningrado da Segunda Guerra e o não menos frio Alasca. Para cumprir uma promessa ao pai em seu leito de morte, as irmãs Whiston deverão se esforçar e fazer com que a mãe lhes conte esta extraordinária história. Meredith e Nina vão, finalmente, conhecer o passado secreto de sua mãe e descobrir uma verdade tão terrível que abalará o alicerce de sua família… E mudará tudo o que elas pensam que são. “Difícil não rir um tanto e chorar ainda mais com a história de mãe e filhas que se descobrem no último momento.” – Publishers Weekly A história que sua mãe conta é como nenhuma outra já ouvida por elas antes — uma história de amor cativante e misteriosa que dura mais de sessenta anos e parte da Leningrado congelada e devastada pela guerra até o Alasca, nos dias atuais. A obsessão de Nina por esconder a verdade as levará a uma inesperada jornada ao passado de sua mãe, onde descobrirão um segredo tão chocante, que abala a estrutura da família e muda quem elas acreditam ser.

Jardim de Inverno é um livro contundente. Essa é a palavra. É um livro que tem um poder incrível de nos tocar, de nos chacoalhar, de nos envolver. Kristin Hannah construiu uma obra maravilhosa que envolve amor, em suas mais variadas formas, guerra, perdas e conto de fadas.
Quanto mais leio, mais me convenço de que o melhor é não pesquisar muito antes de ler um livro. É, não leia muitas resenhas, não se apegue muito ao que os outros disseram sobre tal livro. Prefira as resenhas que pouco dizem sobre o enredo, mas se apegam mais ao contexto da obra e às emoções que brotaram no coração do leitor ao longo da leitura.
Assim foi comigo com Jardim de Inverno. Eu não pesquisei muito. Para ser sincera, eu não lembro de ter pesquisado ou procurado opiniões sobre o livro em nenhum momento. Na verdade, o que me chamou a atenção desde a primeira vez que vi esse livro e o tive em minhas mãos foi a capa e a sinopse. Eu sabia que havia uma grande estória por trás desse livro. E não me enganei. Nem um pouco.
Aterei-me muito pouco ao conteúdo do livro, quero dizer, direi muito pouco da estória: prefiro contar dos sentimentos que afloraram com o decorrer da leitura.
Meredith e Nina Whiston tiveram uma infância um tanto difícil no âmbito familiar. Não era o relacionamento dos pais que causava transtorno no lar. Era a frieza da mãe para com as filhas. O pai tentava a todo momento remediar todas as grosserias que a Mamãe Anya fazia ou dizia com as meninas. No entanto, nem mesmo o amor do pai - que era tão grande - era capaz de curar as dores e cicatrizar as feridas causadas pela indiferença de Mamãe Anya. Por um tempo, Meredith tentou se aproximar da mãe, mas sempre era empurrada para longe. Vendo que Meredith tentava, inutilmente, se achegar a mãe, Nina sequer tentava. O único momento em que a mãe falava com as filhas era à noite, quando contava a estória de um príncipe e uma camponesa e um reino de gelo. O mais curioso é que Mamãe nunca terminava de contar a estória. Obviamente, ter a mãe nesses breves momentos noturnos não era suficiente. Por essa razão, ambas as irmãs aprenderam a esconder seus sentimentos e a seguir em frente, mesmo magoadas, mesmo com um vazio no peito, mesmo com as mágoas e os rancores fervendo dentro de suas almas de quando em quando.
Mas, caro(a) leitor(a), sabe aquela frase que diz que "o mundo dá voltas"? É verdadeira e sempre que possível ela se faz comprovar no nosso dia a dia. Não foi diferente com Mamãe Anya, Meredith e Nina. Papai ficou muito doente e acabou falecendo. Antes de falecer, porém, pediu que Meredith e Nina tivessem paciência com a Mamãe Anya e que não desistissem de fazê-la contar todo o conto de fadas do reino gelado. No momento, as irmãs não conseguiram entender muito bem o que o Papai queria dizer com aquilo e como o simples fato de ouvir a mãe contar uma estória iria aproximá-las. 
E é nesse ponto que a estória que Kristin Hannah se agiganta e nos prende de uma maneira quase mágica. À medida que Mamãe vai contando o misterioso e longo conto de fadas, Nina e Meredith iniciam uma pesquisa pela vida da mãe e por todo o seu passado. É o momento no qual as três entram num processo de autodescoberta e de descoberta, porque, com todas as revelações, elas conseguem não só conviver melhor uma com a outra, como também largam medos do passado e ousam ser quem sempre quiseram ser.
A estória de Anya é tão pesada, tão forte, e é bonita, ainda que seja mais triste do que bonita. É que há uma poesia tristeza, uma canção melancólica em volta da vida de Anya. Ela vivenciou coisas tão terríveis, tão dolorosas, tão inacreditavelmente chocantes. Não há mente e coração que consigam permanecer os mesmos depois do que ela viveu. Só com muito amor, muita compreensão e muita insistência para quebrar o gelo que se formou em volta dessa mulher.
O desenrolar do livro me prendeu imensamente. Eu não conseguia deixar de ler Jardim de Inverno por muito tempo. Fiquei muito contente com a evolução das personagens, o quanto que elas cresceram como seres humanos e o quanto elas conseguiram dar passos importantes na jornada rumo a felicidade e a paz de espírito. O livro ensina, nas entrelinhas, a quebrar o gelo, quebrar as barreiras que nos separam do mundo e dos outros. Ensina-nos, também, a ter paciência e tentar compreender antes de julgar, a olhar com mais amor e menos reprovação para as pessoas que nos cercam. Por razões óbvias, a de ser um livro encantador e arrebatador, entrou para a minha lista de favoritos. 
Indico essa obra a quem gostar de livros que abordem a temática família, guerra, perdas, autodescobertas, descobertas e superação.

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Por hoje, é só. Fiquem em paz
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17 outubro 2014

Da falta


B1tch | via Facebook

Sinto falta de você. Muita. É tanta, tanta, que até machuca, às vezes. Só que me faço de forte e finjo que isso não me abate mais, entende? É a maneira que eu inventei de lidar com a distância que se somou à nossa costumeira distância.
Éramos dois solitários, um ao lado do outro. Estávamos juntos numa solidão poética, embalada por músicas que falavam de dor e de amor. E eu sempre tão, tão tentada a te falar do que eu sentia. Eu sentia que não era realmente sozinha. Eu tinha você; você, a mim. Éramos assim, tão ligados, ainda que jogados cada qual num canto do mundo. Estávamos conectados por um fio de beleza pura e singela. Era assim que eu enxergava. Enxerguei tudo errado, não é? Errei também quando achei que você gostava da minha companhia? Errei em considerar que, de alguma forma, eu fazia parte da sua vida?
Éramos dois solitários. Adorava quando você deixava o seu lado comumente quieto e jogava a capa de homem sério de lado e se mostrava pra mim tão como você de fato era (ainda é?). Você mudou? Ou eu nunca consegui ver a sua essência? Não, eu não me enganei. Eu sei quem você é. E eu amo quem você é. Amo tanto, que não posso mais lidar com isso, então tento embalar esse amor, mas nenhuma canção de ninar consegue fazê-lo dormir completa e profundamente. É que você foi sempre tão próximo a mim. Nossa conexão e sintonia eram tão lindas. Ai! Meu peito aperta quando penso na decisão que você tomou. Algo me diz que foi tão, tão errada, tão precipitada. Meu coração fica dilacerado ao pensar que você não trilhou por um caminho seguro, que, a qualquer momento, você será machucado, traído, ferido. Não sei se consigo aguentar ver você aos pedaços uma vez mais. Não posso permitir que alguém te machuque. Porém... O que posso fazer? Há uma dupla distância entre nós. Não estou mais ao seu lado. Não tenho mais como te proteger do perigo. Só posso ficar aqui, de longe, torcendo para que nada de ruim te aconteça. Você é tão lindo, tão puro, tão incrível. Não, você não pode sofrer mais, meu bem. Não é justo que te façam chorar ou duvidar do quanto você é especial. 
Porém... O que posso fazer? Titubeei. Perdi a vez. Antes que eu pudesse te convidar a andar comigo, ao meu lado, de mãos dadas, você foi em outra direção. Tão, tão longe de mim. Você sequer pode me ouvir de onde está agora. 
Meu amor, meu grande amor, te deixo ir, mesmo com esse nó na garganta e esse sentimento de apreensão pelo que pode ser de você sem mim. Deixo-te ir, mas olha, meu nobre cavalheiro, fuja caso o caminho se torne espinhoso e sombrio. Você merece trilhar por um caminho florido, com cheiro de rosas, ao lado de alguém que realmente possa te levar para um lugar de risos e calmaria. 
O amor que lhe tenho não tem prazo de validade. Está aqui, bem guardado, dentro do peito. Basta que você se volte para mim, abandone o passado e venha criar um presente todo novo, diferente de tudo que você já viveu e sonhou, que esse amor despertará com toda a força e vigor.

Erica Ferro

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15 outubro 2014

A jardinagem da vida


(3) Tumblr


É impossível ignorar a tristeza, a dor, o desalento e o desencontro que de quando em quando vem nos encontrar. É impossível, mas muitos tentam. Eu tento, você tenta, nós tentamos. É inegável. O duro mesmo é conseguir ignorar a angústia que sente prazer em rasgar um pouco mais a cada dia o nosso coração. Não importa se o problema é de pequeno, médio ou grande porte, a tristeza não é proporcional ao tamanho dos problemas que se jogam eventualmente à nossa frente. A tristeza, essa danada, tem um tamanho que não podemos calcular. Eu só sei que ela existe e que tem duas mãos que adoram apertar o nosso peito e dilacerar a nossa alma.
Há quem tente bloquear as consequências da tristeza ocupando a mente com mil e uma atividades. Inútil, óbvio. Por mais que nos ocupemos, nos enfiemos em atividades intermináveis, a dor estará ali, esperando a hora de nos agarrar quando nos distrairmos por um milésimo de segundo. Não dá para fugir do inevitável. Sentir é para os fortes. Eu sinto muito. Eu sinto tantas coisas. Penso em tantas outras coisas. A vida é um eterno pensar e sentir, sentir e pensar, fazer e sentir, pensar e fazer. É um carrossel que não para de modo algum, não dá trégua, não permite um momento sequer de descanso. O descanso se dá com a ciranda girando e girando. É um descanso confuso, agoniado. Por vezes, ignorar o girar da ciranda e mergulhar em pensamentos, dolorosos ou não, e se permitir sentir, de modo sutil ou intenso, é o remédio que alivia a alma, que dá um frescor aos nossos neurônios cansados do cotidiano frenético. 
Meu modo de viver é singular. Eu não tenho medo de mergulhar nessa imensidão que é o mar dos sentimentos. Sentir não é ser sentimental demais. Deixar cada célula absorver as sensações do momento não é ser sentimentaloide. Permitir-se sentir é ser humano. Humanidade tem a ver com isso mesmo: chorar, sofrer, perder. A vida pode ser cinza, às vezes. Pode e é. Pode e será. Uma vez ou outra. Faz parte da ciranda, entende? Faz parte do girar. Não tem nada a ver com a vida ser ruim para mim, para você ou para ele. A vida não é ruim. Ela não é a nossa carrasca. Não é o mundo, também. Não são as pessoas. Nós somos os nossos próprios carrascos. Isso parece muito papo de autoajuda, e eu lamento por isso. No entanto, de acordo com o meu modo de pensar, eu sou responsável pela minha dor. Não gosto de responsabilizar ninguém pelo que se passa em mim, por mais que alguém tenha me afetado, derrubado ou hostilizado. Eu posso modificar isso. É duro? É duríssimo. É dificílimo. Não é uma tarefa rápida. Transformar choro em riso não se dá de um dia para noite. Faz parte de um processo árduo, longo, mas executável. Posto que é executável, por que não nos jogarmos nele e enxugarmos nossas lágrimas e, finalmente, visualizarmos vários motivos para (sor)rirmos? A ciranda continua girando. Os ponteiros do relógio continuam em seu ritmo normal. O nosso tempo também permanece escorrendo por dedos das mãos, dos pés, pela alma. 
A vida é esse ganhar e perder, sorrir e chorar, amar e sofrer. É o viver, entende? Preparados ou não, estamos aqui e não podemos desperdiçar as oportunidades que surgem para nós. Que nos desliguemos do girar da ciranda quando precisarmos, mas nunca, em hipótese alguma, nos lancemos para fora dela. Não desistamos de nós mesmos. Não entreguemos os pontos. Não que seja questão de fraqueza, mas é que não vale a pena. A vida é grandiosa e linda, apesar de todas as adversidades que possam fazer parte dela.
A vida pode dar frutos, assim como também pode dar espinhos. Cabe a nós cuidar bem do nosso jardim, para que haja mais flores do que ervas daninhas.

Erica Ferro 

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11 outubro 2014

Resenha: Se eu ficar - Gayle Forman


Se eu ficar
Gayle Forman
Novo Conceito
224 páginas
☺☺☺
Sinopse: A última coisa de que Mia se lembra é a música.
Depois do acidente, ela ainda consegue ouvir a música. Ela vê o seu corpo sendo tirado dos destroços do carro de seus pais mas não sente nada. Tudo o que ela pode fazer é assistir ao esforço dos médicos para salvar sua vida, enquanto seus amigos e parentes aguardam na sala de espera... e o seu amor luta para ficar perto dela.
Pelas próximas 24 horas, Mia precisa compreender o que aconteceu antes do acidente e também o que aconteceu depois. Ela sabe que precisa fazer a escolha mais difícil de todas.
Se ela ficar...


Faz pouco tempo que recebi Se eu ficar da editora parceira do blog, a Novo Conceito. Há muitos livros na lista dos “livros que preciso ler”, mas resolvi passar Se eu ficar na frente de todos os outros porque não aguentava mais todo mundo falando do livro – bem ou mal, mas falando – e eu sem saber do que o livro se tratava, se era ótimo, bom, razoável ou ruim.
Se eu ficar, da escritora Gayle Forman, é um livro que se lê “em dois tempos”. São 224 páginas muito bem fluídas, nas quais se é guiado pela narradora-personagem, Mia. No início, denominei-o como sendo um livro para jovens adultos, mas, com o passar dos acontecimentos, constatei que é um livro para todas as idades, ainda que os personagens centrais sejam jovens, prestes a entrar na fase adulta.
Como disse, quem narra o livro é Mia. Nossa narradora-personagem é muito bacana, ainda que, por muitas vezes, ela se deprecie ou não consiga enxergar o seu valor. Mia nos mostra o seu mundo: familiares, amigos e ao seu namorado Adam. Há algo em comum entre todas essas pessoas: a música. Os pais de Mia foram roqueiros, rebeldes e cheios de ideais revolucionários quando jovens. Eram da turma do “punk”. Depois que Mia nasceu, algumas coisas mudaram, mas o punk nunca os abandonou de fato. Mia, ao contrário dos pais, se apaixonou desde cedo pela música clássica e tornou-se violoncelista. Por essa razão, Mia às vezes se sentia estranha por não compartilhar dos mesmos gostos musicais de seus pais, e até de seu irmão bem mais novo, Teddy.
Gayle sabe adicionar uma gama de sentimentos e situações de maneira bem acertadas. No início, não consegui me empolgar com o par romântico Mia e Adam. Só no início mesmo. Pois, quando acontece toda a coisa devastadora na vida de Mia, o casal que Gayle criou começa a ganhar força e verdade. Se eu ficar pode ser até um livro de poucas páginas. Pode até se tratar da vida de uma jovem violoncelista, mas no que a vida dessa moça se transforma é algo que sacode o leitor e, segurando na mão de Mia, é levado a refletir sobre tanta coisa, especialmente sobre amizade, respeito, carinho e amor, em suas variadas formas.
Por que eu só dei três "estrelas" ao livro? Porque, apesar de admitir que é um bom livro, não foi uma estória que me tocou do início ao fim, que me ganhou por completo. Houve algumas partes que me fizeram sentir um nó na garganta e houve uma cena, em especial, que fez “meus olhos choverem.”.
Os personagens são bons, mas acredito que alguns poderiam ser mais bem trabalhados. Não sei o que mudaria, mas senti falta de uma maior profundidade na personalidade de uns, até mesmo a de Mia. Mia não leva muita fé em si mesma, se sente estranha em relação a muitas coisas, inclusive à própria família em alguns momentos. Ela teima em não entender ou admitir, mas é uma garota interessante e com carisma singular. Adam é um cara bacana, que eu gostei desde o início do livro. O modo como a música une Adam e Mia é sutil e doce. Os pais de Mia são um show à parte. A mãe tem uma força imensa: de opiniões fortes, mas de coração amoroso. O pai, sensível, mas com um senso de humor imenso. Teddy, o irmão dos cachos dourados, é uma criança adorável, divertida e com umas tiradas engraçadas. Kim, a grande amiga de Mia, é ótima. Sagaz, divertida e esquisita (de um jeito bom). Os avós da nossa violoncelista são amáveis e fofos. Senti vontade de abraçá-los em uns momentos do livro. Muita vontade mesmo. O casal amigo da família, Henry e Willow, também faz o livro ser bom. Willow tem um papel fundamental no desfecho do livro. Gostei da força que ela teve e de como conseguiu agir de modo sensato em meio ao caos.
Se eu ficar causa risos e choros. Trata de assuntos leves, mas também de questões devastadoras. É um livro dramático, romântico, triste, mas que fala de amor. Quando o amor está presente, vale a pena ler, ao meu ver. A diagramação é linda! Todas as páginas são decoradas com notas musicais. Fiquei muito encantada com o projeto gráfico. A Novo Conceito manda muito bem! Se eu ficar virou filme e vi comentários dizendo que o filme é mais emocionante do que o livro. Se eu chegar a assistir ao filme, faço o post contando o que achei da adaptação cinematográfica do livro de Gayle.
Há uma continuação do livro, e já foi lançada no Brasil pela Novo Conceito. Chama-se Para onde ela foi. Lerei assim que puder e postarei as minhas considerações acerca dele aqui no blog.

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03 outubro 2014

Resenha: Dente Por Dente - Livro 02 - Jenny Han, Siobhan Vivian



Dente por dente
Jenny Han, Siobhan Vivian
Novo Conceito
512 páginas
☺ ☺ ☺ ☺ ☺
Sinopse: Depois dos acontecimentos do homecoming, Reeve foi parar no hospital, com uma perna quebrada, e seu futuro como atleta está ameaçado. As meninas se sentem culpadas por toda a situação. Não esperavam que as consequências do plano fossem tão graves. Quase perderam o controle. Já que Reeve está mais arrogante do que nunca, o jeito será aplicar nele uma dose do seu próprio veneno e esperar que aprenda a lição. O acidente no baile deixou marcas profundas na consciência de Lillia, Kat e Mary. Sentimentos como amizade, lealdade e ódio se misturam, questionamentos sobre limites... Alguns segredos são mais difíceis de guardar. Aliás, o que são essas coisas estranhas que estão acontecendo com Mary? À medida que Lillia, Kat e Mary descobrem verdades incômodas sobre os moradores da ilha, percebem também que não se conheciam como pensavam. Cada vez mais elas lidarão com o sentimento de que talvez tenham ido longe demais...


Dente por Dente é o segundo livro da trilogia Burn for Burn e, como foi informado na resenha que fiz do primeiro livro, é do gênero Young Adults. Uma palavra que traduz bem o segundo livro da trilogia da Jenny e Siobhan é surpreendente. Creio que, em parte, foi pelo fato de eu não ter procurado ler comentários acerca da trilogia, para saber mais da estória etc. Isso conta muito para que o leitor possa ter a sua própria visão sobre o que está lendo, sem interferências. Não que pesquisar seja ruim, mas, no meu entender, no caso de livros, é preferível passar para o estágio de pesquisa quando se tem mais ou menos uma ideia do que se pensa sobre a obra.
O segundo livro de Jenny e Siobhan é ainda melhor do que Olho por Olho. Essa é a ideia de trilogias ou séries, certo? De melhorar a cada livro, para que o leitor se cative ainda mais pelas obras. No caso dessa trilogia, como disse antes, me fixei bem mais pelo que li das sinopses dos livros e simplesmente comecei a ler. O primeiro foi bacana, de fato, como contei na resenha, mas esse segundo... Caramba, é pra lá de bom!
Em Dente por Dente, nós visualizamos as consequências dos atos de vingança que ocorreram no primeiro livro. Sabe aquela frase que é creditada ao Seu Madruga ("A vingança nunca é plena, mata a alma e a envenena.")? Pronto, fiquei com essa sensação ao ler Dente por Dente. Mary Zane, Lillia Cho e Kat DeBrassio, com o passar das páginas e dos acontecimentos, sentem o peso dessa frase na prática. É curioso ver a transformação das personagens principais, Mary, Lilia e Kat, como também dos personagens secundários, a exemplo de Reeve e Rennie, que são os secundários que mais se destacam nesse volume. Quando se é afrontado, chacoalhado e uma porção de verdades são praticamente cuspidas em sua face, a reação mais esperada é a de choque e de um autoexame e de análise das próprias atitudes e decisões. Foi bem bacana ver esse crescimento dos personagens, esse amadurecimento de cada um, os tornando mais humanos, capazes de se compadecer pelo outro.
Lilia, para vingar tudo o que ele fez por Mary (e a pedido da Mary, com ideia, claro, da engenhosa Kat), tenta fazer Reeve aprender algumas lições, mas acaba descobrindo outras coisas e o plano não sai exatamente como o esperado. Pelo contrário, o resultado é totalmente o contrário do que deveria ser. Rennie se mostra mais humana nesse segundo livro, mais capaz de se relacionar com pessoas de forma genuína, sem tanto interesse no que a outra pessoa pode proporcionar a ela. Eu detestei Rennie no primeiro livro e até certa parte do segundo, mas depois ela conseguiu me cativar e eu fiquei verdadeiramente triste com o que acontece com ela no desfecho do segundo livro.
Sobre o amadurecimento das três personagens principais nesse segundo volume da trilogia, as minhas queridas Lilia, Kat e Mary: Lilia dá continuidade ao seu processo de ser mais livre, desprendida, forte e ousada. Fiquei muito contente com as atitudes dela quanto a ousadia e a coragem de enfrentar várias adversidades. Kat, tão rebelde, começou a encontrar um ponto de equilíbrio. Mary... O que dizer dessa moça? Estou chocadíssima com as revelações sobre ela. Jenny e Siobhan realmente me surpreenderam muito com o lance da Mary, porque eu realmente não fazia ideia de que havia o fator paranormal nessa trilogia. Depois que terminei o segundo livro, fui pesquisar e realmente constatei que  há mesmo essa pegada paranormal na série, mas que não havia aparecido no primeiro livro. Só pude ver que havia algumas pistas no primeiro livro, quando de fato a paranormalidade foi meio que posta às claras no segundo livro. Então, analisando, pude ver que, realmente, no primeiro livro algumas pistas sobre isso foram jogadas em algumas páginas.
Estou adorando essa trilogia. O meu desejo de ler o livro final da trilogia é enorme. Quando terminei o segundo livro, fiquei tristíssima por lembrar que Ashes to Ashes ainda não foi lançado no Brasil. Fica aqui o apelo à Novo Conceito: minha querida editora, lança logo o final de Burn For Burn!
A capa é ótima, a diagramação, apesar de simples, é boa: a fonte é de um tamanho confortável para leitura. Se havia algum erro na edição, seja de digitação, gramatical ou de concordância, não identifiquei.
A indicação, como disse na resenha acerca do primeiro livro, é para todos que não têm preconceito literário e que gostam de embarcar em estórias comuns, mas que podem surpreender pela pungência e criatividade.

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30 setembro 2014

Pensar é perigoso


Não me venha com essas palavras preconceituosas
alegando que apenas a sua opinião, "mas que você
não é uma pessoa que discrimina ninguém".

Não me venha usar os seus pensamentos crus e/ou
as suas ideias mal formuladas, para agir feito um babaca
com uma minoria que sofre todos
os dias para ter o direito de andar nas ruas sem ser ridicularizadas
e/ou hostilizadas.

Babaquice não é argumento.

Argumentos são pautados na reflexão, não em pré-conceitos ou em
repetições de discursos de ódio de pessoas mais odiosas ainda.

Não me venha com discurso de quem defende o bem,
quando, na verdade, as suas palavras só afrontam
e ofendem quem só quer respeito para poder
viver em paz.

As pessoas se preocupam em demasia com a vida alheia.
Esquece que cada um é um.
E que, desde que cada um viva a sua vida de maneira a não
ferir a de outrem, deve ter o seu direito de ser assegurado
de ser quem for e de fazer o que bem entender.

Quem são esses fiscais da vida alheia?
Por que se preocupam tanto com o que não lhes cabem?

O mundo precisa de mais amor e menos julgamentos.
Afinal, quem sou eu para julgar? Quem é você para me julgar?
Quem é ele para nos julgar?
Quem somos nós?

Sabe o que deve ser combatida, até ser eliminada?
A discriminação.
Ela é o mal de todos os tempos.

Sabe quem deve ser eliminada urgentemente?
A intolerância.

Todos podemos ter nossos pensamentos e agir
do modo que quisermos, desde que não
ofendamos nem machuquemos ninguém.
É simples.

Como pode alguém não entender isso?
Como pode tantos continuarem se comportando como verdadeiros trogloditas,
vomitando seus ódios, de maneira imprudente, incitando a violência
e o pré-conceito?

Não siga algo sem criticar.
Não acredite em algo sem averiguar.
Duvide do que lê, ouve e vê.
Duvidar não te levará ao inferno.
Inferno é continuar vivendo num mundo sem amor
e sem respeito ao próximo.

Esse é o verdadeiro inferno do qual podemos nos livrar.
Primeiro, claro, é preciso que nós cantemos um cântico contra toda
a intolerância e discriminação.
É preciso que nós não tenhamos medo de peitar o que
dizem ser certo.
O certo e o errado podem (e devem) ser analisados,
criticados e (re)definidos.

Pensar é perigoso.
Não para mim.
Não para você.
Não para nós.
Para eles, "os donos do poder",
que querem nos levar no cabresto,
como se fôssemos acéfalos.

Pense!
Repense!
Não aceite!
Não se renda!
Lute!
Vença!

Erica Ferro

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13 setembro 2014

Resenha: Esconda-se — Lisa Gardner


Esconda-se
Lisa Gardner
Novo Conceito
400 páginas
☺ ☺ ☺ ☺ ☺
Sinopse: Uma mulher que foi obrigada a fugir — desde criança— de uma possível ameaça. Uma ameaça que seu pai via em todo lugar, mas que a polícia nunca considerou. Um antigo e desativado sanatório para doentes mentais que pode ter muito mais a esconder entre suas paredes do que homens e mulheres entorpecidos por remédios. Uma história de rancor entre membros de uma mesma família que nunca conseguiram superar os episódios de violência doméstica que presenciaram. Um pingente que foi parar em mãos erradas — e a cena de um crime brutal: seis meninas mortas e mumificadas há mais de trinta anos. Agora, cabe à famosa detetive D.D. Warren descobrir quem foi o serial killer que cometeu esta atrocidade e que motivação infame deformou sua mente. Acompanhe D.D. Warren na solução de mais este complexo caso e encontre o inimaginável que está por trás de pessoas aparentemente comuns!

       
O Grupo Editorial Novo Conceito, parceiro do blog, me enviou um exemplar de Esconda-se, da escritora Lisa Gardner, para que eu pudesse ler e postar a minha opinião acerca dele. Quem me conhece, sabe do meu fascínio por livros policiais. Diante disso, é meio que óbvio que eu ficaria muito tentada a ler esse livro por causa dessa sinopse de tirar o fôlego, certo? E é, de fato, um livro de tirar o fôlego.
Esconda-se é narrado em primeira pessoa, quando se tem a oportunidade de ver o desenrolar da estória pelos olhos de Annabelle Granger, e em terceira, quando o narrador onisciente discorre sobre os três personagens principais do livro, que são Annabelle, a sargento D. D. Warren e o detetive Bobby.
Esconder-se, proteger-se, desconfiar de tudo e de todos se transformaram nas palavras de ordem que deveriam reger a vida de Annabelle Granger a partir dos sete anos de idade. Sem explicações, o pai de Annabelle resolveu fugir com a família da cidade em que moravam. Annabelle corria perigo. Muito perigo. Por anos a fio, passaram a fugir alucinadamente. Annabelle passou a sua infância e adolescência frustrada por não poder ter uma vida normal, na qual pudesse conhecer pessoas sem desconfiar delas. Em vez de simplesmente ser uma garota normal, fazendo coisas típicas da sua idade, era orientada pelo pai a fazer artes marciais como um meio para se defender, caso fosse necessário. Ela não fazia ideia do quê o seu pai temia. Ele nunca contou nada sobre seus medos ou sobre seus fantasmas. A mãe de Annabelle sofria muito com todas essas mudanças, com o pânico com o qual sempre conviviam.
Quando chegou a idade adulta, já sem os pais, Annabelle retornou a Boston, a cidade que tanto atormentava o seu pai. Ela duvidava que, depois de tanto tempo, ainda houvesse motivos para continuar fugindo. No entanto, mais por uma questão de costume, usava um nome falso: Tanya Nelson. Nome falso, aliás, era uma questão complexa para Annabelle, depois de todas as trocas de nomes que teve durante toda a sua juventude. Ela tinha que se esforçar para lembrar-se do que achava ser o seu verdadeiro nome.
O primeiro passo para tentar descobrir a sua verdadeira história, para, finalmente, saber do que seu pai fugia e o que tanto temia foi dado quando ela viu no jornal a notícia de que foi encontrada, no Hospital Psiquiátrico de Boston, uma cova coletiva que guardava os corpos de seis meninas, e informava que uma delas se chamava Annabelle Granger. Annabelle procurou a sargento Warren e o detetive Bobby para que, juntos, conseguissem unir as peças do quebra-cabeça que era a sua história.
Lisa Gardner fez um ótimo trabalho nesse livro. É o primeiro livro que leio da autora e fiquei totalmente encantada pelo jeito habilidoso com o qual criou a trama, personagens, cenários, enredo e deu conta de amarrar todos esses elementos, produzindo uma estória crível, embaladas por cenas de ação dignas, suspense de boa qualidade e até de umas pitadas de romance. Os personagens não são perfeitos. Não há vilão nem mocinho. Outro ponto positivo da escritora, a meu ver. As pessoas são pessoas, se é que me entendem, no livro de Lisa. Pessoas que erram, mas conseguem, de algum modo, contornar as situações complexas do passado e seguir em frente. Lisa Gardner conquistou mais uma leitora.
Eu adorei a capa desse livro! A diagramação é simples, mas é bacana. A fonte é de um tamanho agradável, o que facilita a leitura. Não encontrei erros gritantes de digitação, gramaticais ou de concordância. As edições da Editora Novo Conceito são bem trabalhadas. Estão de parabéns, mais uma vez.
Para quem indico o livro? Para os amantes da boa literatura policial e, óbvio, para quem gosta de uma boa estória, seja ela ambientada em qual gênero for. Lisa Gardner ganha o leitor por sua engenhosidade e criatividade com as palavras. Lerei, certamente, outros livros dela. E quando o fizer, postarei meus comentários aqui no blog.

• • •
Demorei para postar a resenha, mas aí está!
Espero que tenham gostado! É um baita livro!
(...)
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(...)
Um abraço da @ericona.
Hasta la vista!

31 agosto 2014

Roda


Não se omita.
Se meta.
Cause rebuliço. 
Aconteça.
Seja.

Não fique em cima do muro.
Se comprometa.
Fale sobre o que pensa.
Discorra sobre o que é.
Não se esconda.
Não tema a rejeição, o "não".

Não iluda.
Não use burca.
Mostre a sua cara.
Despeje o que há em sua mente.

Minta ou omita.
Disfarce ou finja.
Só não ache que isso perdurá.
Quem é de mentira, há de rodar.

Erica Ferro


• • •
Nessa vibração reflexiva, findo o mês.
Em breve, postarei uma resenha sobre um livro que recebi de parceria com o Grupo Editorial Novo Conceito. O título é "Esconda-se", da escritora Lisa Gardner. Um ótimo livro policial. Também farei um post acerca das minhas mais recentes conquistas na natação. Para tanto, criarei uma nova tag para o blog. Ainda estou pensando no nome, mas adianto que será relacionada ao esporte.
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01 agosto 2014

Broto


Just kids in LOVE /

Broto,

Broto. Quem usa essa expressão nos dias de hoje? Acho que sou um dos poucos seres que a usa. Na verdade, estava tentando contabilizar há quanto tempo meu coração bate mais forte quando te vejo. Se bem que eu não te vejo, no sentido exato da palavra. Não posso sentir o seu cheiro ou a sua temperatura corporal. Ainda assim, a sua imagem está em minha mente. O meu pensamento está em você. Não sempre, não a todo momento, mas sim quando a saudade aperta. Geralmente, em uns setenta por cento por dia. Provavelmente essa porcentagem esteja errada, nunca fui de exatas. Sou de humanas, acho que já te contei isso. Digo, porém, sem possibilidade de erro, que estou pensando em você boa parte do dia. Não que eu seja uma louca apaixonada ou uma criatura grudenta. É que eu gosto de pensar em você. Desnecessário dizer que adoro o seu olhar e o seu sorriso. Também não é necessário dizer que adoro a sua barba. Dizem que barba por fazer arranha o rosto. Eu, francamente, não me importaria em ter esses arranhões. Seriam arranhões de amor. Isso de arranhões de amor foi bem brega, hein?! Perdoe-me por isso, às vezes é inevitável ser brega. Todo mundo tem seus momentos bregas, acho. Não sou exceção nessa questão. 
O fato é que eu realmente estou gostando de você. Não sei bem como isso foi acontecer. Afinal, é como dizem por aí, não há muita explicação para o amor ou a paixão. Não há lógica que explique o ato de se apaixonar. E, sinceramente, se tivesse, dispensaria. Gosto desse mistério de não saber como me apaixonei por você. O mais grave, o mais chocante, o mais maluco de tudo é que acho que foi à primeira vista. Não faça essa cara de cético. Somos céticos em muitas coisas, mas acredite nisso que te digo. Não ache que estou confundindo as coisas. Vê-lo apenas uma vez foi o necessário para sentir a sua essência e enxergar o quão bacana você é. Longe do que os apaixonados pintam sobre os seus amados, desenhei os seus traços como de fato os percebi, sem idealizações, sem exageros. Admiro a sua inteligência e praticidade. Encanta-me o modo saber que partilhamos da mesma preocupação e da mesma revolta acerca de determinadas questões. Gosto mesmo dessa similaridade das nossas ideias e ideais. Adoro quando você deixa o seu lado bem-humorado emergir. No fundo, acho que você é tão gaiato quanto eu. Poderia listar muitas outras características que gosto em você. No entanto, não seria justo, porque eu gosto de você por inteiro.
Por conseguir ler a sua personalidade, por ter a possibilidade de te conhecer melhor a cada dia e por estar, de certa forma, junto com você nos seus melhores e piores momentos, o meu apreço por você cresce cada vez mais. E eu quero tanto te ver de novo. Quero sentir de novo o calor e o aconchego do seu abraço, de modo a tentar registrá-lo em alguma parte da minha alma ou do coração.
Não espero reciprocidade. Não fique preocupado comigo caso não sinta algo semelhante por mim. Só me dê a chance de poder ter você mais perto, sim? Só quero te abraçar e ficar perto de você algumas vezes mais. A vida é tão curta. Apenas me deixe te mostrar com gestos, abraços e beijos o que mora aqui em meu peito. Não denominarei amor ou paixão. É apreço. Muito apreço. Muito carinho. É encanto também. É poesia.
Deixe-me fazer rimas com as linhas das suas mãos. Deixe-me acarinhar os seus cabelos. Deixe-me deitar em seu peito e escutar as batidas do seu coração. Oops, o alerta brega apitou novamente. Mas... Peço muito? Simples. Suave. Assim é o que sinto por você.
Então, haverá um reencontro?

Erica Ferro

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Um abraço da @ericona.
Hasta!

06 julho 2014

De fato, o Rio é lindo!

12h45min: a hora em que comecei a escrever essa crônica. Há um mês, nesse mesmo horário, eu estava num avião rumo ao Rio de Janeiro. Foi a primeira viagem que fiz sozinha. Como suponho que você saiba, caro(a) leitor(a), já viajei outras vezes para outros estados, mas sempre com destino a alguma competição e sempre acompanhada da minha equipe de natação. Agora, tirar folga da rotina, viajar sozinha, apenas com o intuito de me divertir e de conhecer pessoas maravilhosas... Ah! Foi a primeira vez mesmo!
Sabe, por mais que alguns amigos comentassem que a minha escrita era bonita, envolvente e tocante, eu nunca pensei que ela poderia me levar a lugares e a pessoas tão incríveis como está me levando. Essa viagem foi um baita presente que recebi de três pessoas maravilhosas: Isabella, Alice e Americo. Pessoas que, aparentemente, conquistei a simpatia e admiração por meio da minha escrita e da minha maneira apaixonada de viver e de lutar pelos meus ideais e sonhos. Fui recebida com muito carinho e cuidado pela Isabella, Alice e Americo. Trataram-me como a uma grande amiga. Sabe aquele carinho e cuidado que só são demonstrados por pessoas que verdadeiramente gostam de você? Pronto, senti isso de uma forma latente. Senti-me bem, à vontade. Senti-me imensamente grata por ter a oportunidade de partilhar de um fim de semana ao lado de pessoas que apoiam os meus projetos e acreditam no meu potencial, seja como graduanda em Biblioteconomia, seja como nadadora paralímpica.
Ouso dizer que me diverti como nunca antes! Foram momentos inigualáveis e ímpares! Em algumas ocasiões, cheguei a me beliscar para ter certeza de que tudo aquilo era real. No dia 07/06, no sábado, fui ao Centro do Rio com a Isa. Estava toda animada para conhecer a Biblioteca Nacional e o Theatro Municipal. Chegando lá, o que descobrimos? Que a Biblioteca Nacional estava em greve. Sim, exatamente. A Biblioteca Nacional estava em greve e, aparentemente, não foi noticiado em nenhum lugar. O Theatro Municipal também estava em greve. Uma tristeza só! Não fiquei realmente triste porque os outros acontecimentos da minha estadia no Rio de Janeiro preencheram totalmente o meu ser de contentamento e alegria.

Parte externa da Biblioteca Nacional.

Além de me levar ao centro do Rio, Isabella também me apresentou o Aterro do Flamengo, a lagoa Rodrigo de Freitas, a praia de Copacabana e a fachada do hotel Copacabana Palace. Puro luxo mesmo, hein! Lindas paisagens, lindos lugares, que estão guardados na minha mente. No sábado à noite, pude conhecer pessoalmente alguém que admiro há tempo e por quem nutro um carinho imenso. Falo de Fabio Porchat. Isabella me levou ao teatro do Shopping da Gávea para assistir ao penúltimo dia da temporada do stand up “Fora do Normal” no Rio de Janeiro. Levei dois presentes para o Fabio e tinha escrito nas paredes da minha mente palavras que o meu coração queria muito dizer a ele. Tentaria entregar os presentes e falar com ele após a apresentação. Tive a alegria de vê-lo na entrada, antes do espetáculo, e pude dar um rápido abraço nele antes que ele entrasse no palco. Mal consegui falar. Acho que nem cheguei a dizer nada. Não lembro. Ele era tão alto, tão sorridente e bonito, que confesso que fiquei momentaneamente sem palavras. O espetáculo foi sensacional! Sabia que o Fabinho tinha o dom de fazer os outros rirem, mas vê-lo de tão perto e tão incrível em cena foi muito além do que imaginava, realmente foi fora do normal. Houve momentos em que achei que ficaria sem ar de tanto rir. Foi incrível, perfeito e inesquecível!

No camarim. Na real, não me importei em não ter movimentos faciais para sorrir nesse momento. Foi um momento tão bonito, que bastava estar explodindo de felicidade e sorrindo por dentro. Sem falar que, com esse sorriso, Fabio estava sorrindo por mim e por ele.  Lindo! 

Quando terminou o espetáculo, consegui entrar no camarim (como entrei, é um segredo que não posso revelar *risos*) e pude entregar os presentes, tirar fotos com ele e, principalmente, trocar algumas palavrinhas rápidas com ele. Rápidas mesmo porque, naquele mês, ele ainda estava gravando o longa-metragem “Entre Abelhas” (que promete ser pra lá de bom!). Minhas canelas tremiam e não era frio. Era emoção, era alegria de poder ver de pertinho e abraçar uma pessoa fora de série, de um sorriso tão lindo e de um coração tão belo. Alguém que, à distância, se alegra com os meus feitos e torce para que eu continue a galgar degraus cada vez mais altos nessa existência. É uma admiração mútua. Confesso que, assim como na entrada, não consegui dizer muita coisa, mas o abracei e quase chorei quando ele disse: “Erica, continue nadando e fazendo todas essas coisas bonitas que você faz. Isso me orgulha muito!”. Não chorei na hora porque estava muito extasiada de alegria, mas depois chorei. Enquanto escrevo isso, estou quase chorando. Há um nó na minha garganta de pura felicidade. Saber que a minha vontade de superar a mim mesma como atleta e o vício de sacudir palavras contagiam e causam orgulho e contentamento em quem me rodeia me emociona de um jeito único. Os dois presentes que levei: uma camisa que o departamento esportivo da associação que faço parte (ADEFAL – Associação dos Deficientes Físicos de Alagoas) fez para que os associados (e amigos dos associados) pudessem levar o nome da associação por onde fossem torcer pelos jogos da Copa do Mundo. A principal função da venda das camisas “ADEFAL NA COPA!” era a de arrecadar fundos para o esporte da associação, a verba será utilizada para viabilizar viagens para competições etc. 

No camarim. Fabinho com a camisa "ADEFAL NA COPA!". Um presente de todo o departamento esportivo da ADEFAL.

O segundo presente não era bem meu, mas sim de um amigo: Antônio Dutra Jr. Um cara fantástico, muito gente boa e extremamente divertido. Inicialmente, ele começou a publicar as suas crônicas com cunho humorístico aqui, na blogosfera, no blog “Que Momento!”. O blog virou livro e as crônicas publicadas virtualmente se transportaram para o papel. Antônio, ou Ton, como é mais conhecido entre o grupo “Elite Blogueira” (do qual também faço parte), ficou louquinho de alegria ao saber que eu veria o Fabio e pediu para que eu entregasse um exemplar do seu livro nas mãos do querido Porchat. Ton acompanha a carreira do Fabio (e também do coletivo humorístico Porta dos Fundos) há tempo e admira bastante o Fabio. Realizei um desejo de um amigo, ao mesmo tempo em que vivi um momento que desejava bastante. Foi um baita momento, de verdade! Quando encostei a cabeça no travesseiro, cheguei a desconfiar de que tinha vivido tudo aquilo num só sábado! As fotos tiraram todas as minhas dúvidas e me mostravam que eu realmente tinha tido a chance de viver todas aquelas emoções.

No camarim. Fabio recebendo o livro "Que Momento!", do meu amigo querido amigo Antônio Dutra Jr.

No domingo, último dia de estadia no Rio, passeei com a Alice, a criatura mais linda, louca e divertida que já conheci. Ela me levou para conhecer o JC (como é chamado O Cristo Redentor pela Alice) e outros pontos turísticos do Rio. Fiquei sabendo que o Bairro de Santa Tereza dá em, praticamente, todos os outros bairros da capital fluminense. Eu achei isso fantástico. Dá-lhe Santa Tereza! No fim da tarde de domingo, fui a Confeitaria Colombo, no Forte de Copacabana, acompanhada de pessoas fascinantes: Vilma, Vinícius e a já citada Alice. Fiquei encantada pela confeitaria e pelo Forte. Que lugar encantador! Que tarde agradável e divertida ao lado de pessoas tão legais!
Na segunda, 09/06, às 7h, me direcionava ao táxi que me levaria ao Galeão. Eu estava voltando a Maceió após um fim de semana diferente de tudo o que tinha vivido até aquele momento. A borboletinh @ericona havia ganhado asas e estava aprendendo a voar. Eu, borboleta aprendiz, sacudi um pouco do meu bom humor e amor pelo Rio de Janeiro e recebi de volta mais motivos para (só)rir e inspiração para continuar trabalhando duro a fim de concretizar tudo aquilo que ainda mora no meu imaginário.
Ficam aqui registrados alguns detalhes da minha primeira viagem sozinha e um pouco de tudo que vi, ouvi e conheci nela. E, mais uma vez, quero agradecer a família da Isabella por tudo o que fizeram e fazem por mim. Guardo essas pessoas num canto muito especial do meu coração e torço para que sejam cada dia vez mais felizes e realizadas em todos os âmbitos das suas vidas.

No Galeão. Esperando a hora de embarcar.

E o Rio é mesmo lindo! Espero poder voltar em breve e dizer: “O Rio continua lindo!”.

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22 junho 2014

Resenha: Um gato de rua chamado Bob - James Bowen



Um gato de rua chamado Bob
James Bowen

Novo Conceito
240 páginas

Sinopse: É uma tarde de outono em Covent Garden, Londres. Trabalhadores correm para o almoço, turistas brotam de todos os lados e clientes entram e saem das lojas. No meio de tudo isso está um gato. Usando um vistoso lenço Union Jack em volta do pescoço e cercado por uma multidão de 30 espectadores de boca aberta, Bob, o gatinho cor de laranja, sorri — é, sorri — timidamente. Próximo a ele, está seu dono James Bowen, com seu violão surrado, cantando músicas do Oasis. Então, ele para de tocar e se abaixa para Bob: “Vamos, Bob, cumprimente!”, diz. Bob mexe os bigodes, levanta uma pata e a estende para James. A multidão assobia. Não é todo dia que se vê um gato sentado, calmamente, no centro de Londres, aparentemente sem se abalar com o barulho das sirenes, os carros passando e todo aquele movimento — mas Bob não é um gato comum...


Essa não é uma história sobre um gato qualquer. É sobre um Gato com 'g' maiúsculo. Essa é a história de Bob. De James e Bob. O livro é narrado em primeira pessoa, pelo próprio James Bowen. James nos conta, ao longo das 240 páginas, a sua história e de como a sua vida foi transformada após conhecer o seu melhor amigo Bob.


A história de James, antes da chegada de Bob, é um tanto cinzenta e amarga. James passou muito tempo morando nas ruas, sem perspectiva de dias melhores, preso ao vício da heroína. Até que se sentiu estafado, depois de muitos problemas tanto por ser morador de rua quanto por ser um dependente químico, e resolveu procurar ajuda. James encontrou Bob em 2007, em frente a um dos apartamentos do prédio em que morava de aluguel, o qual pagava com as suas apresentações musicais nas ruas de Londres. James estava em processo de reabilitação. Bob encantou James à primeira vista. Assim que James visualizou um vívido par de olhos verdes na penumbra do corredor do prédio e, quando chegou mais perto, percebeu que se tratava de um gato, seu coração foi tocado e, ali mesmo, nascia uma das amizades felinas mais bonitas do mundo.


James investigou de todas as maneiras e por todos cantos possíveis se Bob tinha um(a) dono(a). Não tinha. James, buscando se equilibrar na corda bamba que era a sua vida, pensou duas vezes em deixar Bob em sua vida. Não por não gostar de Bob. Não, definitivamente não. A dúvida de James se devia justamente pelo medo de não conseguir cuidar de Bob de uma maneira correta e digna, já ele viveu sozinho durante boa parte da sua vida, vivendo do jeito que dava, sem se preocupar muito. Ele seria capaz de cuidar daquele gato e, ao mesmo tempo, se manter longe das drogas e de problemas? Ele aceitou o desafio. Foi a melhor coisa que ele poderia ter feito na vida.


Bob é um gato fora do normal. Um gato extraordinário, James afirma. Com Bob, James passou a viver realmente. Bob foi de fundamental importância para que James se mantivesse firme em sua luta pessoal contra a heroína. Graças ao apoio do laranjinha, James se manteve longe de problemas. Bob, mesmo sem dizer uma palavra, passava muita energia positiva e força a James. Sabe aquela fidelidade incomparável que só os animais parecem ter? Eles são mais humanos do que nós, humanos, em muitas vezes. Quantas vezes nos importamos com quem chamamos de amigos? Quando digo nos importar, é nos importar de fato. É estar ao lado de quem dizemos amar nas horas mais urgentes e difíceis. Ainda que não se tenha palavras de conforto a dizer, estar ao lado de quem gostamos e gosta de nós é essencial para aquecer tanto o nosso coração como o de quem recebe esse gesto de carinho. A amizade é uma das coisas mais puras dessa vida. O poder do amor e da amizade é inenarrável, embora todas as tentativas de narrá-lo sejam lindas. Uma das provas é essa amizade felina tão linda de James e Bob. Esse gatinho laranja, de olhar penetrante e esperto, tirou James do mundo da tristeza, da solidão e do vício e o levou para o mundo melhor, no qual ele pôde visualizar tudo de bom que antes uma espécie de neblina teimosa escondia. James não tinha um  bom relacionamento com a sua família. Mal dava notícia aos seus familiares. Bob, de modo especial, uniu Bob aos seus entes queridos. Bob reparou o coração sofrido e machucado de James. Bob se mostrou a dose de alegria diária de alegria e amor de James.


Pelas descrições que James faz de Bob, o laranjinha é mesmo um gato fora de série. Diverti-me e suspirei com cada fofura e ato inusitado que Bob costuma fazer. Um gato inteligentíssimo e extremamente adorável. Quando conhecemos Bob, ainda que mediante as páginas de um livro, nos encantamos por ele. Então, fico aqui imaginando a emoção e o contentamento de quem teve a chance de vê-lo pessoalmente e tirar fotografias dele/e com ele pelas ruas de Londres. 


Quando fechei o livro de James e Bob, o que passei a desejar fortemente foi: que o mundo conheça a história dessa amizade tão bonita e inspiradora (e olha que esse meu desejo está quase se realizando: Bob é conhecido por muitas partes desse mundo). Eu nunca tive um amigo assim. Porém, depois do contato que tive com quatro felinas numa viagem que fiz ao Rio de Janeiro há duas semanas, confesso que fiquei louquinha de vontade de ter um amigo(a) felino(a). É diferente de tudo que já conheci na vida. É um carinho especial, doce e puro. Pessoas como James são extremamente sortudas por terem amigos de quatro patas.

A diagramação é simples, mas bonita. As patinhas no início e no meio dos capítulos são mimosas. A capa, óbvio, é muito linda porque tem esse gato lindo estampado nela. A leitura flui bem. Em alguns pontos há ação e um tanto de adrenalina (Bob danadinho, matando James do coração! *risos*)

Esse é um livro para quem adora gatos, claro, mas também para quem quer ler uma história linda de superação, amor e amizade.
James e Bob, que vocês possam vivenciar vários e vários lindos momentos! Continuem a inspirar pessoas! Tocar o coração de pessoas, de modo inconsciente ou indireto, é uma das coisas mais sublimes dessa vida.


Todas essas fotografias foram encontradas na fan page oficial de James e Bob. São fotografias belíssimas: James e Bob por diversos ângulos e em variadas situações. Curti a página para poder acompanhar o que essa dupla anda aprontando pelo mundo.

Um agradecimento especial ao Grupo Editorial Novo Conceito por ter me cedido um exemplar desse livro para que eu resenhasse aqui no blog. Valeu por essa longa e linda parceria, Novo Conceito!


Eis o Book Trailer:

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Um abraço da @ericona.
Hasta la vista!