31 dezembro 2015

Em 2015? Vivi (ainda mais)!

Antes de começar a escrever essa retrospectiva, li a que fiz no dia 31/12/2014. E, caramba, parece que foi ontem! Imagina a minha felicidade ao constatar que esse ano de 2015 conseguiu ser ainda mais incrível do que o de 2014! 
Segui sonhando e trabalhando para que eles se tornassem reais. Prossegui nadando com e por amor. Bloguei muito pouco, mas creio que essa parte está resolvida, certo? Não li e/ou assisti tudo o que precisava/desejava, obviamente. Em 2016, me comprometo, comigo mesma, a procrastinar o menos possível. No ano que em breve há de nascer, quero mergulhar ainda mais profundamente naquilo que me faz bem, me sacode, me possibilita a me tornar alguém melhor e acrescenta algo de positivo ao meu viver. 

Agora, quero mostrar-lhes o meu 2015 em fotos.

MARÇO


Regional Norte/Nordeste, Recife/PEObrigada, Recife! Você foi palco de muitos aprendizados. Saldo da competição: 6 ouros e 1 prata.


ABRIL


Swimming Open Championship CAIXA Loterias, São Paulo/SP. Essa fotografia de Pedro Ernesto ficou lindíssima. Obrigada, Pedro, pelo clique!


Obrigada, Ibirapuera! Que massa ter nadado a minha primeira competição internacional nesse lugar encantador. Nadar ao lado das melhores nadadoras do mundo e ter a chance de trocar ideias com gente do mundo todo foi sensacional. Foi uma das coisas mais emocionantes que já vivenciei ao longo dos meus 25 anos.


JUNHO


II Aberto de São Paulo, Campinas/SP. O aberto de São Paulo faz parte do rol das competições em que viajo sozinha e sem técnico. É sempre desafiador, mas a parte boa é que tenho amigos espalhados pelo Brasil afora e quase sempre há um pouco deles pra me fazer companhia e me passar boas energias. Grata a Julio Pistarini e sua equipe, que sempre me acolhe nessas minhas aventuras no interior de São Paulo.
Saldo da competição: 2 ouros e 1 bronze.


Meus amigos moebitas foram me ver depois da competição e me levaram a uma pizzaria. Foi uma das coisas mais lindas que me aconteceram nos últimos tempos! Imagina ver, de pertinho, pessoas muito semelhantes a mim, com a mesma síndrome. Foi único! Um grande abraço pra Amanda e o Gabriel. E a Julia, amiga da Amanda, "a bendita entre os moebitas".


Na volta pra casa, fiz uma conexão no aeroporto de Recife. E uma linda pessoa foi me ver lá: Tailany Costa, do blog Despindo Estórias. Na internet, ela é linda. Pessoalmente, ela é muito mais linda. Amei te ver, Tailany! Que nos encontremos tão logo nos for possível, coisa linda!


AGOSTO


VI Jogos Aquáticos do Ceará, Fortaleza/CE. Competir em Fortaleza é uma delícia! Eu amo esse lugar e as pessoas maravilhosas que moram lá! Rever amigos, ter momentos felizes e superar a mim mesma dentro e fora d'água vale mais do que qualquer riqueza do mundo. Saldo da competição: 7 ouros.


SETEMBRO


I Alagoano de Natação Paralímpica. É ótimo nadar em casa e poder mostrar aos meus conterrâneos um pouco do esporte que eu tanto amo e que tanto transformou a minha vida. Saldo da competição 5 ouros.


Trend House 2015. Desfilei num cast formado apenas por pessoas com deficiência. Foi uma experiência muito marcante pra mim, pois, como disse nesse post aqui, "provei a mim mesma que eu posso vencer meus "traumas" e encarar cerca de 150 pessoas 'do mundo da moda' sem me sentir menos interessante do que todos os outros seres do universo que não possuem a minha síndrome. Encarei os muitos flashes com tranquilidade e naturalidade. Mostrei, com muita desenvoltura, esse rostinho paralisado congênito e esse meu olhar 'asiático' na passarela. Cada passo que dei na ida e na volta da passarela foi um modo de dizer a mim e principalmente aos outros que 'pessoas são extraordinárias não pelo que elas aparentam fisicamente, mas sim pela energia e vibração que elas transmitem'.".


NOVEMBRO


VII Meeting Cearense de Natação Paralímpica, Fortaleza/CE. Sim, eu realmente amo o Ceará! Participar dos campeonatos de natação paralímpica do Ceará virou tradição na minha vida. É o máximo! O Meeting, verdadeiramente, é um encontro de amigos, um grande festival, no qual se nada o maior número de provas possível, em prol de um objetivo maior: levar a equipe ao top três da competição. A ADEFAL, minha equipe, ficou em 2º lugar entre as equipes participantes. Minhas 10 medalhas de ouro devem ter ajudado nisso. Adorei!


No dia posterior ao Meeting, o Aterro de Iracema foi palco da penúltima etapa do Circuito Nacional Rei e Rainha do Mar. Claro que eu não poderia deixar de participar! Nadei a prova Sprint (1km) no mar. Foi super gostoso! Que energia boa, a do Rei e Rainha! Que organização! Fiquei verdadeiramente encantada e, em 2016, quero participar de muitas outras etapas desse baita evento. Saldo do Sprint: uma linda medalha finisher.


Essa foto ficou tão maravilhosa, mas tão maravilhosa, que a coloquei como imagem de capa do meu perfil no Facebook!


Encontro anual da Associação Moebius do Brasil, São Paulo/SP. Quero, mais uma vez, agradecer ao Reinaldo e a Marli, presidentes da AMOB, por me darem a oportunidade de vivenciar momentos ímpares ao lado de portadores e familiares que lidam com as delícias e os dissabores da Síndrome de Moebius diariamente. Foi uma honra dar o meu breve depoimento sobre como o esporte foi de fundamental importância para que eu conseguisse superar os traumas provenientes da síndrome e me transformar na pessoa que sou hoje.


Depois de um dia maravilhoso ao lado dos meus amigos moebitas, teve uma noite magnífica no Teatro Frei Caneca. Com quem, com quem? Claro, com o meu querido Fabio Porchat!
Na foto: Gabriel, também portador da síndrome e filho dos presidentes da AMOB, Fabio Porchat e eu. Adoramos te ver, Porchat!


"Porchat, por favor, queira colocar no pescoço as nossas dez medalhas do Meeting e a medalha finisher do Rei e Rainha do Mar. Preciso tirar uma foto disso!". E ele colocou! E a foto, como vocês podem ver, ficou extremamente linda. 


Esse abraço, quase esmagador, reflete bem o amor que eu sinto por esse ser humano que, sem exageros, é fora do normal. Esse abraço demonstra a minha gratidão por tudo o que o Fabio, sua produção e familiares fazem por mim. É o abraço que traduz a minha admiração e o meu carinho por esse homem de sorriso lindo e de coração ainda mais lindo. Você é um cara excepcional, senhor Fabio Porchat. Que em 2016 a nossa parceria floresça mais e mais!


DEZEMBRO


Travessia Troféu Reinaldo Malta, Maceió/AL. Depois do Rei e Rainha do Mar, fiquei apaixonada pela natação no mar e resolvi, então, fazer a minha primeira travessia na minha terra. Minha navegação no mar é péssima e eu me perdi várias vezes durante a prova, mas só o fato de concluir a prova tranquilamente foi uma vitória e tanto! 
No pescoço: a medalha finisher e a medalha de ouro na categoria Master A. 


Essa linda e meiga foto foi tirada em dezembro de 2014, no jardim secreto da Tita. Lugar mágico que pude conhecer ao lado de duas pessoas que me são muito queridas: a própria Tita e a minha cara Tchê Seerig. Essa foto é pra ilustrar o que quero dizer a seguir: no dia 7, Ana publicou uma matéria acerca da minha fofa pessoa. Por favor, cliquem aqui e leiam as palavras da Ana Seerig sobre a minha carreira na natação paralímpica e alguns detalhes sobre a minha vida pessoal. Muito obrigada, Tchê, por lembrar de mim quando o assunto é esporte paralímpico. Acho que não poderia ser diferente, né? Nos conhecemos há tempos e isso fez com que você acompanhasse a minha vida de atleta e aprendesse um pouco comigo sobre esse mundo paralímpico. Amei!

* * *

Assim foi o meu 2015. Obviamente que houve outros momentos dignos de nota, mas, se eu fosse colocar todos eles, seria difícil finalizar essa postagem. O que vale frisar e registrar aqui é que cada dia desse ano foi uma chance que eu tive de fazer a minha vida e os meus sonhos valerem a pena.
A virada do ano é só um jeito de nós, humanos, marcarmos o tempo. Na realidade, como diz naquele comercial da Rede Globo, "o futuro já começou.". E começou mesmo. A nossa vida é uma só e é agora. E já foi. Devemos fazer o que nos apraz agora. Temos que nos jogar no presente, porque o futuro é incerto.
Enfim, meus amigos, que me leem, que vibram com cada conquista minha, que se matam de rir com as minhas palhaçadas, quero desejar-lhes doses de paz, amor, felicidade e saúde diárias. Saibam que podem contar comigo!
FELIZ 2016!

Um abraço da @ericona.

21 dezembro 2015

Ai, que saudade de blogar de verdade!

Depois de eras, eis-me aqui pra fazer algumas considerações: a primeira, e óbvia, é que estou viva! Afinal, não os culparia se vocês já estivessem cogitando a minha morte. Foram 48 dias sem postar absolutamente nada aqui. Nada. Nada mesmo. E isso é muito triste. A segunda, que também é uma consideração óbvia, é que o layout do blog mudou. É, sei que mudei recentemente (mais precisamente em outubro), mas senti o desejo de reformar o meu cantinho novamente. Após passar dias e mais dias procurando layouts grátis (não tenho grana sobrando pra pagar designer) e de não gostar de nenhum, resolvi pegar um layout simples e um plano de fundo do blogger mesmo, investiguei em vários sites como personalizar alguns elementos dele e fiz um banner simplíssimo. Ficou bem singelo, mas eu gostei pra caramba. Sabem o que eu gostei mais na nova cara do blog? As cores! Azul e cinza! O meu cafofo ficou tão mimoso!

E, voltando a consideração de número um, quero fazer uma segunda acerca dela. Ontem, domingo, o Facebook lembrou a minha cara amiga gaúcha Ana Tchê Seerig que há cinco anos ela publicou uma chamada para o blog dela. A chamada direcionava para um texto que ela escreveu em parceria comigo e com uma outra amiga nossa, a Bárbara Farias. Foi, então, que eu parei pra pensar: caracóis, sou blogueira há muito tempo! E, gente, em 2010 eu ainda blogava de verdade. E quando digo de verdade, quero dizer frequentemente. Nessas horas, penso: por que parei de blogar? Por que hoje em dia passo 48 dias sem fazer um único registro na minha casinha? Isso tá errado, muito errado!   

DIRETO DO TÚNEL DO TEMPO! HÁ CINCO ANOS!Da época legal da blogosfera, com parcerias despretensiosas, e postagens...
Posted by Erica Ferro on Domingo, 20 de dezembro de 2015

Não, eu não perdi o gosto por escrever. Na verdade, conversando com a Ana e Bárbara ontem, percebi que o meu desânimo pra com a blogosfera da atualidade se deve mais ao fato de que, aparentemente, a maioria dos blogueiros de hoje buscar quase sempre a mesma coisa: page views, popularidade, fama etc. Sim, eu sei que quem escreve quer leitores. É óbvio. Mas, antes, havia blogueiros que falavam do que queriam, sem se importar muito se o assunto era atual, polêmico e/ou que poderia render bons números pra o seu blog. O que vejo hoje é quase todo mundo falando dos mesmos livros, das mesmas músicas, dos mesmos assuntos. Enfim, do mesmo tudo. Perdeu-se a autenticidade. Escafedeu-se aquela galera que escrevia despretensiosamente, que se importava mais em escrever do que em tirar as melhores fotografias e adquirir o layout mais badalado e enfeitado. Sinto muita da blogosfera de antigamente. Muita mesmo!

 

Querem saber de uma coisa? Vou procurar voltar às origens. Não vou me privar de compartilhar as minhas bobeiras, de registrar as minhas considerações acerca do que li, vi e ouvi. Vou blogar de verdade, com mais intensidade. Se a maioria busca ser igual, irei justamente pelo caminho oposto. Continuarei a escrever. Prosseguirei nesse caminho de sacudir palavras. Sei que, em algum lugar, em algum momento, alguém há de pegar as palavras que sacudi e fazer bom proveito delas.

Para finalizar, quero compartilhar com vocês uma música pela qual estou perdidamente enamorada. Não tem relação nenhuma com o post, vale frisar. Só queria mesmo deixar registrado aqui, no meu cantinho, que nos últimos dias de dezembro de 2015 fiquei imensamente viciada na música Sorri, Sou rei, de Natiruts.


Erica Ferro

02 novembro 2015

♫ Você ainda vai ser a minha vida ♫

♫ (...) Talvez não seja nessa vida ainda
Mas você ainda vai ser a minha vida
Sem ter mais mentiras pra me ver
Sem amor antigo pra esquecer
Sem os teus amigos pra esconder
Pode crer, que tudo vai dar certo (...) ♫





Não dá pra viver nessa vida morrendo de amor. Armandinho está certo ao cantar isso. Não dá, meu amor. Você sabe das minhas descrenças e eu sei das suas, e até que elas se parecem. Não sei se existem outras vidas. Se houver, pode crer que nós vamos nos encontrar em muitas outras. Se não for nessa vida, em outra você será a minha vida, o meu amor. Que seja nessa vida, por favor. Nossa conexão extrapola a minha compreensão. Batemos o olho no outro e nos gostamos tão rápido. Se bem que eu acho que eu gosto mais de você do que você de mim. Não importa. Eu gosto muito mesmo. É fácil demais ficar perto de você. É fácil e é tão bom. A vida fica mais leve quando estou ao seu lado. As coisas fluem com naturalidade. Parece que o mundo fica mais bonito quando estou contigo. Que piegas dizer isso, mas é assim que eu me sinto. ♫ Você é assim, um sonho pra mim. E quando eu não te vejo, eu penso em você desde o amanhecer até quando eu me deito ♫. Sim, meu amigo, me apaixonei por você. E essa paixão é diferente de todas que já vivi. É tranquila, sem arroubos ou alvoroço. É calmaria, entende? Lembrar de você me traz paz. Recordo o brilho do seu olhar e o meu coração se enche de alegria. A sua risada é engraçada, e eu adoro. Você é um bobão, e eu queria que fosse o meu bobão. Caramba! Todas essas palavras são tão melosas! Já te disse que não sou melosa; apenas quando escrevo, especialmente quando escrevo sobre e pra você. Eu não queria me apaixonar por você, mas também não consegui evitar. Alguém consegue evitar de se apaixonar? Nunca conheci alguém que tivesse o poder de frear o corcel desgovernado da paixão. Inevitavelmente me encantei por você; e, honestamente, não posso nem quero evitar alimentar esse encanto. Que ele cresça e floresça. Que vire uma roseira. Amo você, e não tem um por que ou um pra quê. Simplesmente amo, profunda e platonicamente, você.

Erica Ferro

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19 outubro 2015

Resenha: Para onde ela foi - Gayle Forman

Para onde ela foi
Gayle Forman
Novo Conceito
240 páginas
☺☺☺☺
Sinopse: Se você tivesse uma segunda chance para o primeiro amor... Você aceitaria? Já faz três anos que o amor de Adam salvou Mia após o acidente que mudou a vida dela. Três anos desde que Mia saiu da vida de Adam para sempre. Vivendo agora em lados opostos do país, Mia é um talento em ascensão na Juilliard, a conceituada escola de música, e Adam é o típico astro do rock de Los Angeles, com direito a notícias nos tabloides e uma namorada-celebridade. Quando Adam se vê sozinho em Nova York, o acaso reúne o casal mais uma vez. Por uma noite. Com a mesma força dramática de Se Eu Ficar, agora pela voz de Adam, Para Onde Ela Foi expõe o desalento da perda, a promessa de esperança e a chama do amor que renasce.

Para onde ela foi é a continuação de Se eu ficar, da escritora norte-americana Gayle Forman, e nos revela as transformações e acontecimentos da vida de Adam e Mia após ela ter acordado do coma. Finalizei a leitura de Se eu ficar há exatamente um ano e oito dias. Sei com exatidão, porque a resenha desse livro foi publicada aqui no blog em 11 de outubro de 2014. E, por coincidência ou não, concluí a leitura de Para onde ela foi no dia 13 de outubro desse ano. Pena não ter escrito e publicado a resenha aqui antes. Os motivos são sempre quase os mesmos: falta de tempo e/ou procrastinação etc.
Sem mais delongas, eis minha opinião sobre Para onde ela foi. O livro é narrado em primeira pessoa, assim como em Se eu ficar, mas, dessa vez, não por Mia, e sim por Adam. Como disse anteriormente, li Se eu ficar há mais de um ano, mas, quando comecei esse segundo livro, achei que logo seriam revelados os acontecimentos da vida de Adam e Mia pós-coma, especialmente sobre a de Mia. Eu estava realmente curiosa para saber sobre como estava sendo a vida de Adam e Mia. Algumas perguntas rondavam a minha cabeça: "Como minha estava lidando com o fato de ter perdido toda a sua família de uma só vez num trágico acidente?", "Mia e Adam estavam juntos? Pois, depois do jeito que o primeiro livro terminou, a resposta dessa pergunta ficou subentendida.", etc. 
Adam nos conta tudo, mas no ritmo dele, no tempo dele: gradativamente. A sua narrativa é mesclada por relatos do seu presente e do seu passado, no qual conta o que houve antes com ele, Mia e tudo enfim, bem como nos fala sobre o seu presente como astro do rock, uma vida cheia de glamour, muitos flashs e fãs completamente ensandecidas por ele. A Shooting Star's passou de uma banda interiorana a um sucesso estrondoso. Collateral damage, álbum composto por Adam, foi o "culpado" pelo estouro da banda. Mia não está mais com Adam. Há três anos que ela está do outro lado do país, em New York, estudando numa escola de música extremamente bem conceituada, a Juilliard. Ambos se tornaram pessoas icônicas na música: Adam, no rock; Mia, na música clássica. 
Os dois viajavam o mundo apresentando a sua música. Porém, o fato é que, não importa como a nossa vida seja glamourosa e badalada, se houver algo inconcluído, assuntos pendentes, perguntas primordiais sem respostas, não conseguiremos encontrar a paz e conseguir ver o lado bom do que nos acontece. E era perdido, deprimido e devastado que Adam se sentia. Ele poderia se considerar um cara de sorte por ter conseguido tudo o que qualquer artista quer: estar nas paradas de sucesso, ser renomado e assediado por muitos fãs, etc. Ele conheceu o lado podre do show business, e isso o cansava e estressava a cada dia mais. E Mia... ele sentia tanta falta de Mia, que chegava a dor da saudade esmagava o seu peito, a ponto de ele precisar recorrer aos seus remédios para ansiedade e insônia. Por que ela havia saído de sua vida sem explicação? Era o que ele mais queria saber. E eu, como leitora, também, afinal não conseguia compreender o motivo pela qual ela havia o ignorado por três anos.
Eis que eles se encontram em New York, meio que por acaso, e o encontro é mágico, terno e lindo. Perguntas são respondidas, ciclos são encerrados e novas estórias começam a serem escritas.
Confesso que o primeiro livro não conseguiu me enrendar tão bem quanto esse segundo. A escrita de Gayle nessa segunda parte da estória de Adam e Mia está muito mais visceral, mais profunda e bem mais inquietante. Pontos para autora por ter conseguido encarnar tão bem um jovem músico deprimido, perdido e completamente apaixonado.  Os livros de Gayle Forman são classificados como literatura Young Adult (YA / Jovem Adulto), mas são obras que, diferentemente de títulos de outros autores, tratam de temas mais densos e acontecimentos com uma carga dramática e trágica consideráveis e seus personagens são bem construídos, pouco caricatos, com personalidade própria e estórias cativantes.
Se por um lado Se eu ficar não conseguiu fazer com que eu morresse de amores pela escrita de Gayle, Para onde ela foi cumpriu muito bem o seu papel em me conquistar e fazer com que eu me apaixonasse por Adam e torcesse para que ele encontrasse a paz e o amor que tanto precisava, bem como desejei imensamente que Mia pudesse superar, ao menos um pouco, a dor da perda e da ferina saudade de seus pais e de seu irmão, e tocasse a vida da melhor forma possível, com o amor e a paz de espírito como seus guias.
Caríssimo(a) leitor(a), se você curte estórias trágicas, visceralmente dramáticas e contundentes, acredito que esses dois livros que citei de Gayle Forman vão te proporcionar inúmeras emoções, das mais azedas às mais doces.

Book Trailer:

Erica Ferro

* * *
Sim! O layout do blog mudou, bem como as capas e as fotos do twitter e da fan page do Sacudindo. Ficou tudo azul, azul da cor do mar. Gostaram? Ah! E lembre-se de seguir e curtir:
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11 outubro 2015

Bondade


julgarão-me tola,
desprovida de inteligência,
e extremamente ingênua,
mas eu acredito em bondade.

eu realmente acredito na bondade 
que emana da profundeza da alma,
que nada pede,
que brota sem por que
nem pra quê.

eu realmente acredito no poder 
da bondade, que surge 
inesperadamente e
toma conta do meu ser
e define as minhas ações.

a minha raiva dura pouco,
desconheço o ódio que
corrói as entranhas e
causa insônia.

dizem que ser bom demais
é qualidade dos otários.

eu sou uma otária,
e não quero deixar de ser
uma.

perdão, humanidade, mas
o meu coração não consegue
reter ódio.

perdão, humanos, não é
que eu seja santa, apenas
não consigo guardar rancor
ou ódio por um longo período.

creio que só o bem pode cortar
as asas do mal.

tenho fé no poder dos bons sentimentos,
acredito que as boas atitudes deixam
esse mundo um pouco menos caótico.

só o bem pode elevar o nosso
espírito a outro nível.
ao nível do amor, da sabedoria e da paz
de espírito.

não somos eternos aqui nessa Terra.
não temos todo o tempo do mundo
para perder tempo odiando
uns aos outros,
tramando planos de vingança
a fim de nos digladiarmos
e morrermos sem conhecer o
perdão e a delícia
de se sentir em paz com
os outros e conosco mesmos.

minha alma é de paz.
meu coração é da paz.
procuro agir pautada no amor,
na compaixão e no respeito
ao próximo.

tento me vestir de bondade não
para impressionar alguém ou ser tida
como exemplo,
mas sim para conseguir dormir
quando coloco a cabeça
no meu travesseiro.

Erica Ferro

* * *
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23 setembro 2015

Eu estive na Trend House!

Sim, essa sou eu. Sim, numa passarela!

22.09.2015. Eis uma data pra guardar com carinho. Foi o dia em que brinquei de modelar na Trend House 2015, semana da moda alagoana. O evento foi no Memorial à República e eu desfilei no cast especial da Forum, formado apenas por pessoas com deficiência. Jamais imaginei que participaria de um evento de moda. Primeiro, porque não é exatamente minha praia e eu pouco (ou nada) entendo desse assunto. Segundo, porque durante boa parte da minha vida fui muito paranoica em relação a minha síndrome. Sempre digo que não ter uma das mãos e um dos pés, ou ter uma das pernas mais curta em cinco centímetros em relação a outra, nunca foi algo que me entristeceu ou me deprimiu. Se eu pudesse nascer novamente, gostaria de nascer igual (com exceção da paralisia facial); do contrário, talvez eu não tivesse a mentalidade que tenho e, sobretudo, essa visão sobre o mundo.
No entanto, outras sequelas da síndrome foram o que de fato me incomodaram bastante por anos a fio: o estrabismo e, sobretudo, a paralisia dos músculos responsáveis pela expressão facial.
Passei um bom tempo pra entender que "só se vê bem com o coração" e que "o essencial é invisível aos olhos".
O belo e o feio são conceitos abstratos. A máxima "A beleza está nos olhos de quem vê" é verdadeiríssima. 
Outra "verdade verdadeiríssima" é que somos mais que uma casca. Tudo o que há de físico em nós um dia se deteriorá. E o que sobrará, se internamente em nós nada existir de agradável? O nosso valor vai além de peitos siliconados, pernas marombadas, barriga tanquinho, sorriso de comercial de creme dental etc.
Suspeito que o que há de mais valoroso e essencial está dentro de nós.
Pois, que o melhor que há dentro de nós possa vir a tona. Que a maior beleza seja a de amar e praticar o bem sem cogitar ou exigir nenhum retorno.
A noite de ontem foi importante pra mim porque provei a mim mesma que eu posso vencer meus "traumas" e encarar cerca de 150 pessoas "do mundo da moda" sem me sentir menos interessante do que todos os outros seres do universo que não possuem a minha síndrome.
Encarei os muitos flashes com tranquilidade e naturalidade. Mostrei, com muita desenvoltura, esse rostinho paralisado congênito e esse meu olhar "asiático" na passarela.
Cada passo que dei na ida e na volta da passarela foi um modo de dizer a mim e principalmente aos outros que "pessoas são extraordinárias não pelo que elas aparentam fisicamente, mas sim pela energia e vibração que elas transmitem".

Transmitamos o amor e a alegria, então, com todo o nosso ser!

Ser diferente é super normal! O que não é nada normal é ser todo mundo igual!

Um abraço carinhoso,

Erica Ferro

* * *
Obs.: adorei MUITO esse clique do querido fotógrafo Guido JR. Obrigada, Guido! Você arrasa nas fotografias!

11 setembro 2015

Filme: Para Sempre Alice

Título: Still Alice (Original) / Para Sempre Alice (Brasil)
Ano de produção: 2014
Direção: Richard Glatzer e Wash Westmoreland
Duração: 101 minutos
Gênero: Drama
País: Estados Unidos e França
Sinopse: A Drª. Alice Howland (Julianne Moore) é uma renomada professora de linguística. Aos poucos, ela começa a esquecer certas palavras e se perder pelas ruas de Manhattan. Ela é diagnosticada com Alzheimer. A doença coloca em prova a a força de sua família. Enquanto a relação de Alice com o marido, John (Alec Baldwinse), fragiliza, ela e a filha caçula, Lydia (Kristen Stewart), se aproximam.

Para Sempre Alice há muito estava na minha lista mental de filmes sobre os quais preciso pesquisar e assistir. A temática me chamou a atenção. Quando finalmente o assisti no feriado do dia 7 de setembro, parei e refleti bastante, inclusive a respeito de medos. Não lembrava de ter muitos medos, não realmente grandes e desconcertantes. E não tenho, a não ser o medo de esquecer: de mim, dos outros, do mundo, da vida, de tudo. Nunca parei pra pensar sobre isso porque realmente não é algo doce e agradável de se ficar pensando. Sendo assim, deu pra imaginar, ao menos um pouquinho, o total desespero e desolação de Drª. Alice Howland (Julianne Moore), uma incrível professora de Linguística, escritora e palestrante premiada, extremamente reconhecida em sua área, ao descobrir o seu Alzheimer precoce.




Alice sempre priorizou o conhecimento em sua vida. Para ela, o estudo e o conhecimento são uma espécie de passaporte para o sucesso pessoal e profissional. Em sua visão, um dos meios de se alcançar uma vida digna e com chances de reconhecimento era entrar numa Universidade. Sempre estudou muito e se dedicou quase que integralmente a vida acadêmica. Muito bem articulada, Alice esbanjava inteligência e coerência. Por esse motivo, discutia sempre com a filha caçula Lydia (Kristen Stewart), a única que não havia ingressado no mundo universitário. 




Eis, então, que um precoce Alzheimer resolveu cruzar o seu destino. Tudo começou quando, em uma palestra, ela esqueceu de um termo do campo linguístico: léxico. Daí, as coisas vão, aos poucos, se degringolando em sua vida acadêmica, bem como em sua vida pessoal. Ora bolas, Alice com Alzheimer? Mas ela só tem 50 anos! 




Não faz sentido, e chega a ser cruel. Como uma mente tão inteligente, tão culta, vai se deteriorando de tão arrasadoramente rápida? É muito desesperador. Nesse ponto do filme, meu cérebro já funcionava a todo vapor. Será que tudo nessa vida é em vão? O que vale a pena? Com o que realmente se deve gastar o nosso tempo de vida? Essa e muitas outras perguntas giravam loucamente na minha cabeça.




Uma das cenas que me levou às lágrimas foi o discurso de Alice num encontro de pessoas com Alzheimer e seus cuidadores. Eu fiz questão de digitá-lo, pois quero compartilhá-lo com vocês. Faz-nos pensar bastante acerca de vários pontos cruciais da nossa vida. Ei-lo: 
"Encontro-me aprendendo todos os dias a arte de perder. Perdendo minha compostura, perdendo objetos, perdendo sono, mas, principalmente, perdendo memórias. Durante a minha vida, acumulei muitas memórias. Elas se tornaram, de certa forma, meus bens mais preciosos: a noite em que conheci meu marido, a primeira vez que peguei meu livros nas mãos, ter filhos, fazer amigos, viajar o mundo. Tudo o que acumulei na vida, tudo pelo que trabalhei tanto, está tudo sendo arrancado de mim agora. Como podem imaginar, ou como sabem de fato, isso é um inferno. Mas fica pior. Quem nos levará a sério estando tão distantes do que éramos? Nosso comportamento estranho e frases atrapalhadas mudam a percepção que os outros têm de nós e também nossa autopercepção. Nós nos tornamos ridículos, incapazes, cômicos. Mas esses não somos nós. Essa é a nossa doença e, como qualquer doença, tem uma causa, tem uma progressão. E pode ter uma cura. Meu maior desejo é que meus filhos, nossos filhos, a próxima geração, não tenha que encarar o que estou encarando. Mas, por enquanto, continuo viva. Sei que estou viva. Tenho pessoas que amo demais. Há coisas que ainda quero fazer. Eu me condeno por não conseguir me lembrar das coisas, mas ainda tenho momentos de pura felicidade e alegria. E não pensem que estou sofrendo, por favor. Eu não estou sofrendo. Estou lutando. Lutando para ser parte das coisas. Para permanecer conectada à pessoa que eu era. Eu digo 'Viva o momento'. É tudo o que eu posso fazer. Tento não me punir demais... E não me punir demais por dominar a arte de perder. Mas uma coisa que eu vou tentar reter é a memória deste discurso hoje. Ela irá embora, eu sei que irá. Talvez já tenha ido amanhã. Mas significa muito estar falando aqui hoje, como o meu antigo 'eu' ambicioso, tão fascinado por comunicação." 



A ideia de ver as minhas memórias escorrerem pelos meus dedos quase me causa uma crise de pânico. Mas é uma possibilidade, é algo real. O Alzheimer pode abater qualquer um. Ninguém está livre. Em seu discurso, Alice diz que fala a si mesma pra viver o momento. E, de verdade, é isso que importa. Porque esse momento, o agora, é tudo o que você e eu temos, caro(a) leitor(a). Alice tentou, de todas as formas, não deixar as lembranças escaparem: usava o celular pra deixar lembretes pra si mesma. Em um dado momento, quando ela esquece de onde deixou o celular, entra em pânico. Como é que vai se lembrar de seu nome, idade, nome dos filhos, onde mora etc? 




A grande verdade é que não podemos controlar o inevitável. Alice tentou ao máximo que pôde recordar de si, dos outros e do mundo, mas o Alzheimer é escorregadio, não se pode domá-lo – ao menos por enquanto. 
Não sou crítica de cinema nem nada do gênero, mas, em minha leiga opinião, o roteiro e as atuações foram impecáveis. Julianne Moore dá um show na pele de Alice. Representou muito bem a fortaleza, doçura e, especialmente, a fragilidade de sua personagem em medidas exatas. Não foi sem razão que Para Sempre Alice lhe rendeu um Oscar de Melhor Atriz. Sobre a Kristen Stewart, já li umas opiniões bem fortes a respeito de sua atuação em outros filmes, a exemplo da tão famosa e badalada saga Crepúsculo (que eu nem vi nem pretendo, pois a temática não me instiga). E, honestamente, não achei Kristen tão mal como Lydia. Pelo contrário, dentre todos os personagens, Lydia foi quem se mostrou mais paciente e humana quando Alice mais precisou. Kristen não me decepcionou ao ser a filha que ficou ao lado da mãe até o fim. Alec Baldwin, como o marido John, me cativou de início, mas, embora haja explicações pra suas atitudes no desenrolar do filme, não há justificativas. É difícil vermos quem amamos se esquecendo de tudo, até mesmo de como se vestir? Deve ser, e muito. Porém, creio que não me perdoaria se abandonasse quem um dia amei e que também me amou, ainda que essa pessoa não soubesse mais que eu não estava mais ao seu lado, exatamente por não se lembrar mais de nada. Eu me lembraria, e isso me atormentaria até o fim da vida. Os outros personagens cumprem bem o seu papel. A fotografia do filme é belíssima e me deixou encantada. O tema é duro e isso não deixa de ser retratado no filme, mas é feito de uma forma dosada, que não se vê exageros ou apelações. Emocionou-me de uma forma ímpar e me lançou em vários caminhos reflexivos que me levaram a importantes conclusões acerca de vários aspectos da vida de uma forma geral e também da minha própria existência.




Para Sempre Alice joga na nossa cara algo que costumamos esquecer: não somos nada. Com isso, não quero dizer que não somos importantes ou que não temos valor. O que quero dizer é que de nada adiantar se vangloriar por ter um diploma de doutorado em alguma área. Não importa o quanto se é culto. Não importa o quanto se é rico. Não importa o quanto se é bonito. Simplesmente, não devemos ser vaidosos pelo que temos ou o que somos agora. Pois, no fim das contas, somos todos iguais. Somos poeira ao vento. Somos um sopro. Aqui e já, e depois não mais. 
Que possamos aproveitar o que de melhor existir nessa vida, com alegria, com coragem, com força e com a consciência de que, se pudermos escolher como viver, que decidamos por viver aquilo que nos dá prazer, que de fato nos faz bem. Que os céus nos livrem de dedicarmos nossas vidas aos outros, em função do que querem que façamos. Não negligenciemos os nossos desejos e os nossos sonhos. Só temos uma vida, e ela passa rápido feito fogo de palha. Cada minuto é precioso. Invistamos em felicidade pura e genuína. Amemos com toda a sinceridade que conseguirmos. Façamos o bem pelo prazer de ver o brilho no olhar do próximo. A vida é um mistério e estamos aqui talvez não pra desvendá-la, mas pra senti-la, tateá-la e absorver o que de mais sublime residir nela.
Que a nossa vida valha a pena, mesmo que, ao fim, nem ao menos lembremos dela. Que a sensação de estarmos vivos, e principalmente vivendo, nunca nos deixe. Que o bombear do nosso coração sirva como lembrete de que não somos tão jovens e/ou não temos todo o tempo do mundo.
Viver é raro. Viver é luxo. Luxemos, pois. Não fiquemos estáticos vendo os ponteiros dos relógios do mundo rondarem.
Movimentemo-nos. A vida é já. E já foi.

Trailer:


Erica Ferro

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*Os dados da ficha técnica e as imagens do filme foram encontrados no site AdoroCinema.

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06 setembro 2015

O iê-iê-iê da Jovem Guarda

Buenas, pessoas! Eu sou Ana Seerig. Há um tempo atrás eu era realmente ativa na blogosfera, mas faz um tempo que perdi esse hábito por uma razão ou outra. Continuo ativa com posts no blog O que tem na nossa estante e, como nesse caso, quando algumas amigas blogueiras me pedem um post sobre esse ou aquele tema. Bom, a dona Ferro acordou um dia querendo um post sobre a Jovem Guarda e, por alguma misteriosa razão, pediu pra mim (ou talvez não tão misteriosa assim, já que o universo todo sabe que aos 10 anos eu era apaixonada pelas músicas do Roberto Carlos da época da Jovem Guarda). Enfim, a Erica não me disse o que queria e nem quis querer alguma coisa, disse que eu devia querer e fazer o que eu quisesse (com todos os limites da cortesia social, claro). Então tá, se eu me empolgar demais a culpa é dela. Vamos lá:

No dia 22 de agosto de 1965, ou seja, há 50 anos, foi ao ar o primeiro Jovem Guarda. Liderado por Roberto Carlos, Erasmo e Wanderléa, o programa foi pensado para preencher as tardes de domingo da tv Record depois do fim do contrato de transmissão dos jogos de futebol. Surgido como quebra-galho, ele acabou por dar nome ao movimento de jovens roqueiros que surgia no fim dos anos 50 e era protegido e guiado por Carlos Imperial. 

Erasmo, Wanderléa e Roberto
Sim, há muito o que se criticar na Jovem Guarda: a teima em ser apolítica e o consumismo exacerbado que ela desencadeou, por exemplo, mas uma coisa não pode ser esquecida: ela foi o primeiro movimento dos jovens. Em um mundo cheio de terninhos, vestidos e bossa nova, a febre do rock'n'roll foi tão grande como em qualquer outro lugar. Elvis Presley lutou no Vietnã em vez de, com sua fama e personalidade, levantar uma bandeira antiguerra, não foi? Os Beatles, quando cantavam inocentemente 'Please, please me' também não se preocuparam em se pronunciar contra a monarquia. Essas coisas, os hippies e punks fizeram depois, assim como o Tropicália liderado por Caetano e Gil fez aqui. Além disso, vale lembrar que o público da Jovem Guarda eram adolescentes de 12, 13, 14 anos, em maioria. 

A grande glória da Jovem Guarda foi criar um universo jovem em terras tupiniquins: roupas, músicas, gírias. Tudo era novo e foi aproveitado ao máximo por aquela turma até o 1968, quando o programa teve seu fim. As músicas começaram com versões de sucessos em inglês - versões que, em maioria, nada tinham a ver com as letras originais - mas logo se tornaram autorais, especialmente com sucessos da parceria de Roberto e Erasmo, líderes da geração (um mocinho, outro rebelde). 

Eu poderia ficar escrevendo aqui horas, mas ninguém leria - e eu, certamente, me repetiria. Então vou fazer uma lista de artistas e sucessos que acho especialmente simbólicos daquela geração, Infelizmente não é possível colocar tudo, mas pra quem não conhece, já vai dar pra conhecer um pouco mais e, bom, quem conhece ficará feliz em recordar, tenho certeza. 

Roberto Carlos: Conhecido por Brasa, RC foi o grande líder do movimento. Ele era o modelo que levava os elogios e, principalmente, as críticas dirigidas à juventude 'com guitarras'. Os sucessos foram muitos e são conhecidos e regravados até hoje: Eu sou terrível, É proibido fumar, O calhambeque, Quero que vá tudo pro inferno e É papo firme, por exemplo. Vou fugir de todas essas e pegar uma das minhas canções favoritas do álbum 'Jovem Guarda'.




Erasmo Carlos: O Tremendão era o verdadeiro espírito roqueiro. Se Roberto era mais romântico e 'bom moço', Erasmo tinha uma temática e uma postura bem mais sexual. Minha fama de mau é sem dúvida uma música-símbolo dele, mas vou pegar outra: 



Os Incríveis: banda pela qual sou completamente apaixonada. Devemos a eles as músicas Era um garoto que como eu amava os Beatles e Rolling Stones e O vagabundo (não, não são do Engenheiros do Hawaii), versões de músicas italianas. Mas, a meu ver, devemos especialmente o crédito pela belíssima música instrumental que faziam: O milionário, See saw, Czardas... mas eu adoro mesmo essa: 


Renato e seus Blue Caps: Muitas vezes eles são lembrados pelas versões que fizeram dos Beatles, como Menina linda, Ana e Feche os olhos, mas Renato Barros foi autor de grandes sucessos até hoje conhecidos, como Devolva-me, gravado originalmente por Leno e Lílian e recentemente gravado por Adriana Calcanhoto. Claro que vou fugir das versões. Ficamos com essa:


Eduardo Araújo: junto com Carlos Imperial, ele compôs uma das músicas mais simbólicas daquela geração e, apesar de nunca ter participado do programa Jovem Guarda, é inevitável ligá-lo ao movimento. Ah sim, além dessa música que vou colocar aqui, outro sucesso que compôs com Imperial foi Vem quente que eu estou fervendo, gravada então por Erasmo.



Putz, ficou muita, mas muita coisa de fora, mas era inevitável, certo? Pra quem se interessar, tem muita, mas muita coisa no YouTube. Divirtam-se por lá! 

Erica, obrigada pelo convite! Espero que o post tenha saído de acordo com o que tu queria! (Eu sei, tu não queria nada, eu é que tinha que querer e blábláblá.) Desculpa ter me empolgado com os vídeos - tentei resistir! (A prova disso é que não transformei as músicas que citei em link.) Enfim, espero que tu e teus leitores gostem de ler e ouvir um pouco mais da Jovem Guarda. E, sempre que quiser, estou às ordens! 

30 agosto 2015

Resenha: Extraordinário - R. J. Palacio

Extraordinário
R. J. Palacio
Editora Intrínseca
320 páginas
☺☺☺☺☺
Sinopse: August (Auggie) Pullman nasceu com uma síndrome genética cuja sequela é uma severa deformidade facial, que lhe impôs diversas cirurgias e complicações médicas. Por isso, ele nunca havia frequentado uma escola... até agora. Todo mundo sabe que é difícil ser um aluno novo, mais ainda quando se tem um rosto tão diferente. Prestes a começar o quinto ano em um colégio particular de Nova York, Auggie tem uma missão nada fácil pela frente: convencer os colegas de que, apesar da aparência incomum, ele é um menino igual a todos os outros.
R. J. Palacio criou uma história edificante, repleta de amor e esperança, em que um grupo de pessoas luta para espalhar compaixão, aceitação e gentileza. Narrado da perspectiva de Auggie e também de seus familiares e amigos, com momentos comoventes e outros descontraídos, Extraordinário consegue captar o impacto que um menino pode causar na vida e no comportamento de todos, família, amigos e comunidade – um impacto forte, comovente e, sem dúvida nenhuma, extraordinariamente positivo, que vai tocar todo o tipo de leitor.



"You are beautiful, no matter what they say
Você é bonita, não importa o que eles dizem
Words can't bring you down
Palavras não vão te fazer cair
You are beautiful, in every single way
Você é bonita, em todos os sentidos
Yes, words can't bring you down
Sim, palavras não vão te fazer cair"

(Christina Aguilera - Beautiful)

Extraordinário foi lançado em 2013 pela Editora Intrínseca e é o primeiro livro de autoria da norte-americana R. J. Palacio. R. J. atua há muitos anos no mercado editorial, mas nunca havia publicado nada, até que algo bastante desconcertante aconteceu com ela e os filhos, mais precisamente cinco anos antes de lançar esse livro. Em síntese, o que aconteceu foi o seguinte: ela e os filhos foram a uma sorveteria e, no meio tempo em que o filho mais velho tinha ido comprar milk shakes para eles, o filho mais novo, de apenas três anos, notou a presença de uma menininha com um rosto singular e, como, na sua inocência de criança, não sabia do que se tratava, se assustou e se pôs chorar muito. R. J. Palacio, totalmente desconcertada, muito preocupada em não machucar os sentimentos da menininha, chamou o filho mais velho, empurrou o carrinho do filho mais novo e tentou sair do local o mais rápido possível, derrubando os sorvetes em meio a confusão etc. Ela admite que entrou em pânico e não agiu de uma maneira sensata. Aquela cena na sorveteria não lhe saía da cabeça. Ficou imaginando em quantas vezes por dia aquela menininha, que na ocasião estava acompanhada da mãe e de uma menina que aparentemente era sua irmã, passava por situações tão lamentáveis quanto a que aconteceu com ela própria e seus filhos. Sentiu que o ato de correr em nada ajudou - nem ao filhinho nem a menininha. Notou que talvez tivesse sido melhor ter mantido a calma, quem sabe chamado a menininha e sua mãe pra conversar e mostrar ao seu filho que a menininha, aparecer dos traços diferentes, era uma criança como outra qualquer. Então ela se deu conta de que precisava fazer algo por essa menina e por tantas outras pessoas que sofrem com essa coisa deprimente que é a discriminação e a exclusão daqueles que fogem ao padrão de normalidade vigente, assim como outra coisa igualmente deprimente e horrenda conhecida como Bullying, seja por conta de uma deficiência ou por outros motivos que seres detestáveis acham justo escarnecer sobre essas pessoas. 
Quem me acompanha nas redes sociais e/ou quem leu meu penúltimo post, sabe que, por um bom tempo, eu meio que evitei ler Extraordinário, justamente por saber que me veria na maioria das situações pelas quais o personagem havia passado. Assim como Auggie, também tenho uma síndrome rara, e ela se chama Moebius. Sei bem como é ser tida como uma pessoa esquisita e, em alguns pontos de vista, "assustadora". Assim como esse menininho singular que R. J. Palacio criou, já experimentei do amargo e inesquecível gosto da discriminação causada pela falta de informação, mas, sobretudo, pela falta de gentileza de certas pessoas.
Extraordinário é narrado por August, familiares e amigos - uma sacada que eu achei fantástica, pois entramos em contato direto com Auggie, bem como o vemos pelos olhos de quem o conhece e conive com ele. Como diz na sinopse, Auggie aos dez anos nunca havia frequentado uma escola. Por conta das muitas cirurgias que fez, Auggie passou muito tempo em hospitais, ora operando, ora se recuperando das operações. Sua mãe, com amor incondicional, ensinava a Auggie uma porção de coisas que prontamente ele aprendia, afinal esperteza não lhe faltava.
Porém, eis que o momento chegou e o Auggie precisou ir a escola e encarar não uma, mas várias crianças o olhando como se fosse uma aberração e o evitando como se ele tivesse algo de contagioso. No entanto, assim como eu sempre fiz na minha vida, Auggie as conquistou e mostrou que possuía uma personalidade ímpar e assim elas passaram da repulsa e estranhamento a admiração e o respeito pelo garotinho com a face "deformada", mas com um coração e atitudes extremamente lindas. R. J. Palacio criou um menino por vezes inocente demais para sua idade, bem como maduro demais para ter dez anos. E crível. Não acho que aos dez anos eu era tão maravilhosa quanto Auggie. Contudo, não foi difícil devanear e pensar que é possível existir, por aí, por esse mundo afora, um menininho com os trejeitos, pensamentos e sentimentos semelhantes a ele.
A estória de Auggie poderia ser a minha história e a de tantas outras pessoas com uma deficiência facial. É um livro que precisa ser lido por todos. Todos mesmo. Aliás, faço uma pausa para mandar um abraço todo especial para Tailany Costa, do Despindo Estórias. Ela cursa Letras e, em um dos projetos da universidade, pediu aos seus alunos que lessem Extraordinário. Ela disse que escolheu esse livro inspirada na minha querida pessoa. É ou não é uma fofa? Claro que é! Continuando... Embora Extraordinário seja um livro que trata de eventos com uma carga dramática considerável, R. J. Palacio foi muito sábia ao pincelar tais acontecimentos com uma leveza incrível. É uma leitura que nos faz chorar e depois rir, pra logo após chorar de novo e assim rir outra vez. E é uma leitura que encanta, que faz com que queiramos fazer um mundo melhor para nós e para os outros. É um livro que fala sobre a importância de ser gentil nesse mundo cada vez mais sem harmonia e amor.
O que precisamos ter em mente é que somos todos humanos, iguais no sentido de termos que ser respeitados pelo que somos e exatamente do jeito que somos. Sabe aquela coisa de "não fazer com os outros aquilo que não queremos que façam conosco"? Deixemos que a empatia e a gentileza tomem conta dos nossos pensamentos e de nossas ações. Se praticarmos isso, certamente faremos do mundo um lugar mais aprazível de ser habitado.

Erica Ferro

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Curiosidade: esse é a 400ª postagem do Sacudindo Palavras. Oba! Bem... Curtam a fan page do blog e/ou sigam no Twitter.
Tenho uma fan page na qual falo sobre a minha carreira na natação paralímpica, bem como um pouco de tudo que rola no mundo esportivo de uma maneira geral etc.
Um abraço da @ericona.
Hasta la vista!