06 setembro 2015

O iê-iê-iê da Jovem Guarda

Buenas, pessoas! Eu sou Ana Seerig. Há um tempo atrás eu era realmente ativa na blogosfera, mas faz um tempo que perdi esse hábito por uma razão ou outra. Continuo ativa com posts no blog O que tem na nossa estante e, como nesse caso, quando algumas amigas blogueiras me pedem um post sobre esse ou aquele tema. Bom, a dona Ferro acordou um dia querendo um post sobre a Jovem Guarda e, por alguma misteriosa razão, pediu pra mim (ou talvez não tão misteriosa assim, já que o universo todo sabe que aos 10 anos eu era apaixonada pelas músicas do Roberto Carlos da época da Jovem Guarda). Enfim, a Erica não me disse o que queria e nem quis querer alguma coisa, disse que eu devia querer e fazer o que eu quisesse (com todos os limites da cortesia social, claro). Então tá, se eu me empolgar demais a culpa é dela. Vamos lá:

No dia 22 de agosto de 1965, ou seja, há 50 anos, foi ao ar o primeiro Jovem Guarda. Liderado por Roberto Carlos, Erasmo e Wanderléa, o programa foi pensado para preencher as tardes de domingo da tv Record depois do fim do contrato de transmissão dos jogos de futebol. Surgido como quebra-galho, ele acabou por dar nome ao movimento de jovens roqueiros que surgia no fim dos anos 50 e era protegido e guiado por Carlos Imperial. 

Erasmo, Wanderléa e Roberto
Sim, há muito o que se criticar na Jovem Guarda: a teima em ser apolítica e o consumismo exacerbado que ela desencadeou, por exemplo, mas uma coisa não pode ser esquecida: ela foi o primeiro movimento dos jovens. Em um mundo cheio de terninhos, vestidos e bossa nova, a febre do rock'n'roll foi tão grande como em qualquer outro lugar. Elvis Presley lutou no Vietnã em vez de, com sua fama e personalidade, levantar uma bandeira antiguerra, não foi? Os Beatles, quando cantavam inocentemente 'Please, please me' também não se preocuparam em se pronunciar contra a monarquia. Essas coisas, os hippies e punks fizeram depois, assim como o Tropicália liderado por Caetano e Gil fez aqui. Além disso, vale lembrar que o público da Jovem Guarda eram adolescentes de 12, 13, 14 anos, em maioria. 

A grande glória da Jovem Guarda foi criar um universo jovem em terras tupiniquins: roupas, músicas, gírias. Tudo era novo e foi aproveitado ao máximo por aquela turma até o 1968, quando o programa teve seu fim. As músicas começaram com versões de sucessos em inglês - versões que, em maioria, nada tinham a ver com as letras originais - mas logo se tornaram autorais, especialmente com sucessos da parceria de Roberto e Erasmo, líderes da geração (um mocinho, outro rebelde). 

Eu poderia ficar escrevendo aqui horas, mas ninguém leria - e eu, certamente, me repetiria. Então vou fazer uma lista de artistas e sucessos que acho especialmente simbólicos daquela geração, Infelizmente não é possível colocar tudo, mas pra quem não conhece, já vai dar pra conhecer um pouco mais e, bom, quem conhece ficará feliz em recordar, tenho certeza. 

Roberto Carlos: Conhecido por Brasa, RC foi o grande líder do movimento. Ele era o modelo que levava os elogios e, principalmente, as críticas dirigidas à juventude 'com guitarras'. Os sucessos foram muitos e são conhecidos e regravados até hoje: Eu sou terrível, É proibido fumar, O calhambeque, Quero que vá tudo pro inferno e É papo firme, por exemplo. Vou fugir de todas essas e pegar uma das minhas canções favoritas do álbum 'Jovem Guarda'.




Erasmo Carlos: O Tremendão era o verdadeiro espírito roqueiro. Se Roberto era mais romântico e 'bom moço', Erasmo tinha uma temática e uma postura bem mais sexual. Minha fama de mau é sem dúvida uma música-símbolo dele, mas vou pegar outra: 



Os Incríveis: banda pela qual sou completamente apaixonada. Devemos a eles as músicas Era um garoto que como eu amava os Beatles e Rolling Stones e O vagabundo (não, não são do Engenheiros do Hawaii), versões de músicas italianas. Mas, a meu ver, devemos especialmente o crédito pela belíssima música instrumental que faziam: O milionário, See saw, Czardas... mas eu adoro mesmo essa: 


Renato e seus Blue Caps: Muitas vezes eles são lembrados pelas versões que fizeram dos Beatles, como Menina linda, Ana e Feche os olhos, mas Renato Barros foi autor de grandes sucessos até hoje conhecidos, como Devolva-me, gravado originalmente por Leno e Lílian e recentemente gravado por Adriana Calcanhoto. Claro que vou fugir das versões. Ficamos com essa:


Eduardo Araújo: junto com Carlos Imperial, ele compôs uma das músicas mais simbólicas daquela geração e, apesar de nunca ter participado do programa Jovem Guarda, é inevitável ligá-lo ao movimento. Ah sim, além dessa música que vou colocar aqui, outro sucesso que compôs com Imperial foi Vem quente que eu estou fervendo, gravada então por Erasmo.



Putz, ficou muita, mas muita coisa de fora, mas era inevitável, certo? Pra quem se interessar, tem muita, mas muita coisa no YouTube. Divirtam-se por lá! 

Erica, obrigada pelo convite! Espero que o post tenha saído de acordo com o que tu queria! (Eu sei, tu não queria nada, eu é que tinha que querer e blábláblá.) Desculpa ter me empolgado com os vídeos - tentei resistir! (A prova disso é que não transformei as músicas que citei em link.) Enfim, espero que tu e teus leitores gostem de ler e ouvir um pouco mais da Jovem Guarda. E, sempre que quiser, estou às ordens! 

7 comentários:

  1. A Ana tentaaaaaaaaaa escapar da blogosfera, mas a gente não deixa kkkk

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  2. Eu cresci ouvindo Renato e seus Bluecaps!
    "Aaana, estou tão triste!Vieram me dizer que eu posso até morrer por vc!"

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  3. Erica, parabéns por "obrigar" a Ana a escrever. Escreve tão lindamente, né?
    Ana, nem precisa dizer que amei, sou suspeita, gosto mesmo de tudo o que você posta. Estou com o fone no ouvido, ouvindo as músicas.
    Foi da minha adolescência, esperar os sábados era a glória! O Brasil parava, tenho certeza, para assistir. Nem imaginam que tempo bom foi aquele! O mundo fervilhava de talentos, o Brasil também. Estranhei ler que Eduardo Araújo nunca participou de um programa, agora fiquei na dúvida mesmo! Ele e a futura mulher, Silvinha eram adorados também. Olha, nada do que vivem hoje pode ser comparado ao que era a Jovem Guarda. (sorry! rs)
    Faça um favor a você mesma, Ana: não pare de escrever.
    Beijos nas duas, Erica e Ana.

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  4. Não gosto muito da Jovem Guarda. É um estilo que não me agrada muito, sorry. Até conheço bastante coisa de ouvir na rádio que minha mãe gosta, mas nada que eu seja fã...
    Me perdoa? hehehe
    Bjuxxxxx

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  5. A Jovem Guarda teve uma importância inegável para a música brasileira, principalmente por dar voz aos que não tinham voz. Apesar de não ser fã, gosto de apenas algumas músicas, admiro o trabalho que foi feito na época.

    Desbrava(dores) de livros - Participe do nosso top comentarista de setembro. Serão dois vencedores.

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  6. Confesso que quando era mais jovem, eu possuía um pouco de preconceito com músicas de épocas anteriores a que eu estava vivendo. Ainda bem que fui amadurecendo com o tempo e percebendo o quanto estava sendo idiota com tal pensamento. Adorei a indicação e boa parte das músicas.
    Até mais. http://realidadecaotica.blogspot.com.br/

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  7. Mandou muito bem no post, Ana!
    Quando pensei em Jovem Guarda, lembrei de você, e tive que convidá-la pra fazer a postagem. Você manja muito da temática.
    "Não é papo pra mim" é tãããão a tua cara! (risos alucinados)
    Gosto muito de "Minha fama de mau", do Erasmo. Adorei a introdução de "O homem do braço de ouro", dos Incríveis. Muito top. Acho que não tinha ouvido ainda. Adoro esses instrumentais elétricos.
    Sobre "Devolva-me" ser uma composição de Renato, acho que você tinha me dito em outra oportunidade. Achei bem bacana isso. É uma música bem antiguinha e acho que a maioria do povo não sabe que a versão original não é da Calcanhoto.
    De toda forma, fiquei super contente porque conhecia praticamente quase todas as músicas. Você realmente é uma "má influência". (risos) Me apresentou uma porrada de preciosidades musicais. Thank you.

    Obrigada por aceitar o convite. Seu post ficou SU-SU-SUCESSO!
    Depois te "obrigo" a escrever outro. (risos debochados)
    Hasta!

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