30 agosto 2015

Resenha: Extraordinário - R. J. Palacio

Extraordinário
R. J. Palacio
Editora Intrínseca
320 páginas
☺☺☺☺☺
Sinopse: August (Auggie) Pullman nasceu com uma síndrome genética cuja sequela é uma severa deformidade facial, que lhe impôs diversas cirurgias e complicações médicas. Por isso, ele nunca havia frequentado uma escola... até agora. Todo mundo sabe que é difícil ser um aluno novo, mais ainda quando se tem um rosto tão diferente. Prestes a começar o quinto ano em um colégio particular de Nova York, Auggie tem uma missão nada fácil pela frente: convencer os colegas de que, apesar da aparência incomum, ele é um menino igual a todos os outros.
R. J. Palacio criou uma história edificante, repleta de amor e esperança, em que um grupo de pessoas luta para espalhar compaixão, aceitação e gentileza. Narrado da perspectiva de Auggie e também de seus familiares e amigos, com momentos comoventes e outros descontraídos, Extraordinário consegue captar o impacto que um menino pode causar na vida e no comportamento de todos, família, amigos e comunidade – um impacto forte, comovente e, sem dúvida nenhuma, extraordinariamente positivo, que vai tocar todo o tipo de leitor.



"You are beautiful, no matter what they say
Você é bonita, não importa o que eles dizem
Words can't bring you down
Palavras não vão te fazer cair
You are beautiful, in every single way
Você é bonita, em todos os sentidos
Yes, words can't bring you down
Sim, palavras não vão te fazer cair"

(Christina Aguilera - Beautiful)

Extraordinário foi lançado em 2013 pela Editora Intrínseca e é o primeiro livro de autoria da norte-americana R. J. Palacio. R. J. atua há muitos anos no mercado editorial, mas nunca havia publicado nada, até que algo bastante desconcertante aconteceu com ela e os filhos, mais precisamente cinco anos antes de lançar esse livro. Em síntese, o que aconteceu foi o seguinte: ela e os filhos foram a uma sorveteria e, no meio tempo em que o filho mais velho tinha ido comprar milk shakes para eles, o filho mais novo, de apenas três anos, notou a presença de uma menininha com um rosto singular e, como, na sua inocência de criança, não sabia do que se tratava, se assustou e se pôs chorar muito. R. J. Palacio, totalmente desconcertada, muito preocupada em não machucar os sentimentos da menininha, chamou o filho mais velho, empurrou o carrinho do filho mais novo e tentou sair do local o mais rápido possível, derrubando os sorvetes em meio a confusão etc. Ela admite que entrou em pânico e não agiu de uma maneira sensata. Aquela cena na sorveteria não lhe saía da cabeça. Ficou imaginando em quantas vezes por dia aquela menininha, que na ocasião estava acompanhada da mãe e de uma menina que aparentemente era sua irmã, passava por situações tão lamentáveis quanto a que aconteceu com ela própria e seus filhos. Sentiu que o ato de correr em nada ajudou - nem ao filhinho nem a menininha. Notou que talvez tivesse sido melhor ter mantido a calma, quem sabe chamado a menininha e sua mãe pra conversar e mostrar ao seu filho que a menininha, aparecer dos traços diferentes, era uma criança como outra qualquer. Então ela se deu conta de que precisava fazer algo por essa menina e por tantas outras pessoas que sofrem com essa coisa deprimente que é a discriminação e a exclusão daqueles que fogem ao padrão de normalidade vigente, assim como outra coisa igualmente deprimente e horrenda conhecida como Bullying, seja por conta de uma deficiência ou por outros motivos que seres detestáveis acham justo escarnecer sobre essas pessoas. 
Quem me acompanha nas redes sociais e/ou quem leu meu penúltimo post, sabe que, por um bom tempo, eu meio que evitei ler Extraordinário, justamente por saber que me veria na maioria das situações pelas quais o personagem havia passado. Assim como Auggie, também tenho uma síndrome rara, e ela se chama Moebius. Sei bem como é ser tida como uma pessoa esquisita e, em alguns pontos de vista, "assustadora". Assim como esse menininho singular que R. J. Palacio criou, já experimentei do amargo e inesquecível gosto da discriminação causada pela falta de informação, mas, sobretudo, pela falta de gentileza de certas pessoas.
Extraordinário é narrado por August, familiares e amigos - uma sacada que eu achei fantástica, pois entramos em contato direto com Auggie, bem como o vemos pelos olhos de quem o conhece e conive com ele. Como diz na sinopse, Auggie aos dez anos nunca havia frequentado uma escola. Por conta das muitas cirurgias que fez, Auggie passou muito tempo em hospitais, ora operando, ora se recuperando das operações. Sua mãe, com amor incondicional, ensinava a Auggie uma porção de coisas que prontamente ele aprendia, afinal esperteza não lhe faltava.
Porém, eis que o momento chegou e o Auggie precisou ir a escola e encarar não uma, mas várias crianças o olhando como se fosse uma aberração e o evitando como se ele tivesse algo de contagioso. No entanto, assim como eu sempre fiz na minha vida, Auggie as conquistou e mostrou que possuía uma personalidade ímpar e assim elas passaram da repulsa e estranhamento a admiração e o respeito pelo garotinho com a face "deformada", mas com um coração e atitudes extremamente lindas. R. J. Palacio criou um menino por vezes inocente demais para sua idade, bem como maduro demais para ter dez anos. E crível. Não acho que aos dez anos eu era tão maravilhosa quanto Auggie. Contudo, não foi difícil devanear e pensar que é possível existir, por aí, por esse mundo afora, um menininho com os trejeitos, pensamentos e sentimentos semelhantes a ele.
A estória de Auggie poderia ser a minha história e a de tantas outras pessoas com uma deficiência facial. É um livro que precisa ser lido por todos. Todos mesmo. Aliás, faço uma pausa para mandar um abraço todo especial para Tailany Costa, do Despindo Estórias. Ela cursa Letras e, em um dos projetos da universidade, pediu aos seus alunos que lessem Extraordinário. Ela disse que escolheu esse livro inspirada na minha querida pessoa. É ou não é uma fofa? Claro que é! Continuando... Embora Extraordinário seja um livro que trata de eventos com uma carga dramática considerável, R. J. Palacio foi muito sábia ao pincelar tais acontecimentos com uma leveza incrível. É uma leitura que nos faz chorar e depois rir, pra logo após chorar de novo e assim rir outra vez. E é uma leitura que encanta, que faz com que queiramos fazer um mundo melhor para nós e para os outros. É um livro que fala sobre a importância de ser gentil nesse mundo cada vez mais sem harmonia e amor.
O que precisamos ter em mente é que somos todos humanos, iguais no sentido de termos que ser respeitados pelo que somos e exatamente do jeito que somos. Sabe aquela coisa de "não fazer com os outros aquilo que não queremos que façam conosco"? Deixemos que a empatia e a gentileza tomem conta dos nossos pensamentos e de nossas ações. Se praticarmos isso, certamente faremos do mundo um lugar mais aprazível de ser habitado.

Erica Ferro

* * *
Curiosidade: esse é a 400ª postagem do Sacudindo Palavras. Oba! Bem... Curtam a fan page do blog e/ou sigam no Twitter.
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Um abraço da @ericona.
Hasta la vista!

16 comentários:

  1. Oi Erica,
    Que resenha linda. Tão linda quanto o outro post sobre seus sentimentos ao ler esse livro.
    Ando adiando a leitura, também, pois sei que mexerá bastante com meu emocional.
    A música que você colocou, nossa...perfeita ♥

    E gente, será que a família da menininha sacou que esse livro foi em homenagem à ela? Fiquei pensando se a autora teve contato com ela depois.

    bjs e tenha uma maravilhosa semana.
    Nana - Obsession Valley

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    1. Awn, obrigada, Nana! ♥ Escrevi essas linhas com muito amor.
      Creio que a família deve ter sacado. Eu espero que sim, né? Tenho certeza que deve ter ajudado muito a menininha a amenizar os traumas que esse e outros fatos a causaram.

      Beijo!

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  2. Ericona, já te falei que amei esse livro, né?! Até fiquei com ressaca literária.
    Mas, fico muito feliz em ler a sua resenha e como, apesar do medo em ler o livro, vc gostou e se reconheceu e ficou feliz com a leitura.
    Como vc disse, acho que a autora escreveu super bem e de uma maneira leve e muito boa para os pais lerem com as crianças também.
    Ah, acho que o episódio da sorveteria foi retratado no livro também e espero que a mãe e a menininha tenham ficado felizes com a homenagem da autora.
    Abraços Mika
    Pensamentos Viajantes

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    1. Falou, sim (risos). É um excelente livro.
      Sim, o fato da sorveteria foi retratado no livro e eu espero que a mãe da menininha e a própria tenham lido o livro e se sentido um pouco melhores em relação aos seus traumas.

      Um abraço!

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  3. Você quase me fez chorar. :,(
    Que resenha linda!! Esse livro tem muito de você, e deixa de ser modesta, és tão incrível! Conheci na vida poucas pessoas tão iluminadas e positivas como você! E chorei com a menção. <3

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    1. Tay, muito obrigada. O carinho é recíproco. Você é ótima e mora no meu ♥.
      Beijo!

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  4. Que resenha bem feita. É mais que uma resenha, inclusive. Eis um testemunho. Acho que já disse para ti, mas vou repetir: tu tens a capacidade de usar o seu exemplo como inspiração positiva para quem tem a oportunidade de ler as suas palavras.
    Esse é um livro que recomendo muito as pessoas lerem. Acho que ele trabalha muito bem sobre assuntos importantes. Beijinhos.

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    1. Puxa, muito obrigada, poetisa Aline!
      Positividade é tudo de bom!
      Um abraço!

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  5. Oi, Erica!
    Tenho esse livro aqui em minha prateleira, mas nunca lhe dei uma chance.
    Imagino como deve ter sido pra você lê-lo. Você acha que sua infância teria sido mais fácil se você tivesse lido aos 10 anos? Será que ele ajudará crianças dessa idade e nessa situação?
    Pra mim, isso é melhor do que muito livro de ''auto-ajuda''.
    Um beijo, Ana do dia ♥

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    1. Ana, certamente que me ajudaria, viu? Me ajudaria e muito. Eu me sentiria "menos sozinha" no mundo, sabe? Por isso que acho super válido que ele seja distribuído nas escolas, com a finalidade de amenizar os atos de Bullying. É uma leitura que "educa" públicos de todas as idades. Leitura "obrigatória".
      Sem dúvida, é melhor que livro de "autoajuda".

      Beijo, Ana!

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  6. No final do seu post Erica, me veio a mente um "Amém", espero um dia viver em um mundo onde a diversidade seja aceita, onde as pessoas parem de mentir uma para as outras dizendo que há um único padrão de normalidade, uma única forma de ser aceitável e bela.

    Preciso tomar vergonha na cara e ler "Extraordinário", já sei que vou chorar, me emocionar e recomendar o livro. Ainda não vi uma critica negativa a ele.

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    1. Leia logo, Pandorinha! Você vai amar! E chorar, claro, muito, mas também vai rir e dizer "Cara, esse Auggie é lindo...". Porque é isso que ele é. Uma criança linda, assim como tantas outras por aí com alguma deformidade facial.

      Um abraço!

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  7. Já li esse livro e ele é lindo mesmo :3
    Auggie passa por poucas e boas :/ é tão difícil para gente ler como ele se sente e ao mesmo tempo é bom para que a gente pense mais antes de magoar alguém por conta da aparência né..
    Adorei a resenha..
    beijos
    Ganurb

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    1. Verdade, Bruna, ele passa por maus bocados. O bom é que ele consegue dar a volta por cima e ensinar a si mesmo - e aos outros - que a vida vale a pena, mesmo com todos os perrengues.

      Um abraço!

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  8. Ericona, eu amo TANTO esse livro. Ele é tão sincero, forte e ao mesmo tempo delicado. <3 Nos obriga a pensar em tanta coisa, coloca o dedo na ferida mesmo, mas ainda assim, de forma terna. adoro muito, ótimo livro!

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    1. De fato, Florzinha. É um livro lindo e que nos encanta logo de primeira. Virou meu queridinho também ♥.

      :*

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