29 dezembro 2013

Resenha: Sonhe Mais - Jai Pausch


Sonhe Mais - Reconstruindo a vida após a perda
Jai Pausch
Novo Conceito
256 páginas
☺☺☺
Jai Pausch passou por um trauma: a perda do marido para um câncer de pâncreas. A enfermidade de Randy Pausch também destruiu as verdades e as certezas em que Jai acreditava.
Pega de surpresa pela doença, que avançou rapidamente, Jai Pausch precisou inverter suas prioridades. Acostumada a cuidar da família, percebeu que aquele era, também, o momento de cuidar de si mesma, porque, do contrário — caso fraquejasse —, sua família não sobreviveria. E, apesar de todas as alterações pelas quais passou, foi capaz de registrar a maior parte de suas experiências, dúvidas e medos. 
Este registro acabou se constituindo num relato vigoroso sobre como a morte muda o relacionamento entre as pessoas e sobre como é possível sobreviver, passo a passo, a essas mudanças.
Sonhe Mais é referência para todos os que estão vivendo uma fase de transição e é leitura obrigatória para aqueles que passaram, ou estão passando, por um momento de dor.

Uma das doenças mais devastadoras é o câncer, seja qual o tipo que for. O de pâncreas, segundo as informações repassadas no livro Sonhe Mais, é extremamente cruel e a chance de sobrevivência é pequena.
Imagine que você encontra o homem da sua vida, se apaixona, se casa, dá a luz a três crianças e forma uma linda família... Até o dia em que o câncer de pâncreas resolve bater à sua porta, escolhendo o amor da sua vida para ser a mais nova vítima dele. Foi isso que aconteceu a Jai Pausch.
Em Sonhe Mais, Jai Pausch fala sobre o impacto do câncer em sua vida e de seus filhos, desde o terrível diagnóstico até após a morte de seu esposo, Randy Pausch, autor do best-seller A lição final (que ainda não li, mas, depois de ler esse da Jai, preciso ler o de Randy).
Ao saber da doença do marido, Jai fica desnorteada e seu coração e mente se enchem de medo e insegurança. Na época do diagnóstico, dois de seus três filhos, Logan e Chloe, eram muito pequenos pra entender o que era câncer e a devastação que ele poderia causar. Aliás, Chloe era apenas um bebê. Já Dylan, de personalidade perspicaz e que demonstrava até um amadurecimento além da idade que tinha, entendeu, à seu modo, o que acontecia ao seu redor. Jai entendia que era uma doença grave, e era esse o motivo da sua agonia; o que a aliviava era que sabia que ela e Randy iriam buscar os melhores e mais eficazes tratamentos para que, juntos, vencessem a guerra contra o câncer.
No começo, isso deu certo. Randy passou um tempo incrivelmente bem, sem sentir os sinais do câncer... E então, ele voltou. Voltou com força total, infelizmente. Metástase. E foi-se as chances de cura e de vencer o câncer. Randy morreria. Jai ficaria sozinha com as três crianças para criar.
Randy sempre foi um homem pragmático, Jai nos conta, que sabia deixar o sentimentalismo de lado quando precisava agir racionalmente, principalmente porque ele amava imensamente Jai e as crianças e queria fazer de tudo que era possível para que todos eles pudessem ter uma vida com menos empecilhos e dificuldades possíveis após a sua morte.
Além de fazer tudo que era possível para garantir que Jai e seus filhos ficariam o mais seguros possíveis quando o perdessem, Randy, graças ao sucesso da sua palestra na Carnegie Mellon University, que se transformou em livro, que citei no começo da resenha, começou a sua luta para chamar a atenção das pessoas, sobretudo do governo, para angariação de mais fundos para pesquisa sobre o câncer, em especial ao de pâncreas.
Randy concedeu diversas entrevistas a jornais, revistas e programas televisivos. Conheceu e encantou Oprah Winfrey e toda a sua plateia. Todos os que assistiram a sua palestra na Carnegie Mellon ficaram chocados como um homem à beira da morte poderia manter o bom humor e o autocontrole. Todos que assistiam as suas entrevistas ficavam encantados com a maneira sensata e nada angustiada com a qual ele encarava a morte iminente.
Jai nos conta e reconta sobre o pragmatismo de Randy e sobre como ele encarou a morte de uma maneira que poucos encarariam. Um dos tópicos que dilaceravam o coração de Randy e fazia o dobrar-se em dor era o fato de os filhos não puderem tê-lo no futuro, e vice-versa. No mais, Randy tinha êxito em se manter firme, sem titubear, com a aproximação da morte. Então, o câncer foi o debilitando mais e mais, até que Randy faleceu.
Jai não sofreu um baque, digamos, porque era algo iminente e irreversível. Porém, mesmo assim, ela sentiu a dor, a perda; e, principalmente, o medo de não dar conta da criação de três crianças e administrar um lar a tomou com toda a força. Ela confessa que não tinha o pragmatismo de Randy, no qual ela se apoiou por anos, por isso foi tão difícil se adaptar à nova realidade. Contudo, Jai, à seu modo, com a ajuda de familiares e amigos, conseguiu driblar as dificuldades e executar as tarefas como mãe e como administradora de um lar. Mesmo antes de Randy morrer, a família Pausch teve o apoio de familiares e amigos nos cuidados com as crianças e a casa.
Embora a minha resenha fale mais de câncer e de Randy, o foco do livro de Jai é o/a cuidador(a). Jai teve sua experiência como cuidadora e ressalta a importância dos centros de oncologia darem mais visibilidade ao cuidador, em vez de somente ao paciente. Porque, segundo Jai, o/a cuidador(a) sofre bastante ao ver seu ente querido passando por coisas terríveis sem puder ajudar de forma eficaz, pra aliviar as dores e arrancar o sofrimento de quem ama. Consequentemente, isso causa um sentimento de frustração, mesmo que, conscientemente, saibam que não podem fazer mais do que já fazem. Acompanhamento terapêutico é extremamente importante nesses casos.
Eu poderia dizer que me compadeci da dor de Jai e que ela se tornou uma amiga que eu não conheci, não conheço e muito provavelmente nunca vou conhecer. Sim, me compadeci da dor dela, mas não consegui criar um laço com Jai. Notei uma certa imaturidade em algumas passagens, nas quais ela se preocupava com questões irrelevantes enquanto seu marido estava morrendo. Percebi um egoísmo da parte dela em alguns momentos que ela descreveu, e isso me fez gostar um pouco menos de Jai e tomar mais partido de Randy.
Dei três estrelas ao livro pela história de Randy, sua trajetória e pelo fato de ter conseguido visualizar um Randy além do que Jai descrevia. Entendo a preocupação de Jai com os cuidadores, e acho esse fato relevante e que deve ser visto com mais cautela, mas creio que ela fez o livro mais como um exorcismo, meio que para se desculpar com alguém, meio para se justificar sobre algumas atitudes que tomou e, no final, para inspirar pessoas a não desistirem da vida, não importa quantas vezes os seus sonhos sejam despedaçados.
O projeto gráfico da capa ficou magnífico. A textura de toda a parte externa do livro é uma delícia. A Editora Novo Conceito, sem dúvida, está de parabéns pelo trabalho.
Na sinopse diz que é um livro para quem está vivenciando um processo de transição ou que está passando ou passou por um momento de dor. Vou além: creio que é um livro para que possamos "pensar fora da caixa". Há quem tenha medo de ler sobre coisas doloridas, porque, obviamente, consternam e incomodam. Entretanto, eu prefiro ler tais livros, de quando em quando, para sair da zona de conforto, para vivenciar novas realidades, por mais contundentes que elas sejam. Indico a todos que não temem chorar a dor do outro.
Por fim, curiosa do jeito que sou, não poderia deixar de procurar os vídeos de Randy Pausch. Vi o resumo de uns e, pelo pouco que vi, Randy fez jus ao que Jai disse no livro: era um homem que tinha um brilho no olhar, uma vivacidade invejável e uma desenvoltura ao falar que impressionava e cativava a plateia. Preciso ver toda a palestra que ele concedeu na Carnegie Mellon, que está disponível no YouTube.
Deixarei aqui embaixo a primeira parte da palestra:


• • •
Antes do dia 31, pretendo iniciar e finalizar um livro bem bonitinho, também que recebi de parceria com a Novo Conceito, chamado O amor mora ao lado, da Debbie Macomber, para finalizar o ano de um jeito bem adorável.
Espero que resenha tenha ficado bacana. Confesso que ficou maior do que o que eu previa, e olhe que me esforcei pra ser sucinta, mas não obtive êxito, como puderam ver.
(...)
Vocês já votaram no Sacudindo Palavras (categoria variedades) do Prêmio TopBlog 2013? Caso não, votem aqui. Dúvidas sobre como votar? Cliquem aqui.
(...)
Curtam a fan page do blog e sigam no Twitter.
Um abraço da @ericona.
Hasta! 

15 comentários:

  1. Eu queria/ quero ler esse livro, mas confesso que sua opinião sobre a visão da Jai matou um pouquinho minha vontade. Mas acredito que por ser um livro biográfico(?) e pelo tema ser tão delicado mereça ser lido. E acho uma verdadeira lição quem encara o câncer ou qualquer outra doença que mata aos poucos com essa vivacidade e coragem como Randy enfrentou.

    Aliás, também fui fisgada pela capa que é lindíssima por sinal.

    A página "Continuar Sorrindo" (no fb) é fruto de uma batalha dessas e, felizmente, é uma história de vitória. Criada por uma menina aqui da minha cidade e amiga de alguns conhecidos em comum.

    Ótima resenha, Ericona!

    ResponderExcluir
  2. Eu li esse livro e não gostei, nem consegui escrever uma resenha sobre ele.
    Odeio livros nesse estilo :/ Ainda quero tentar escrever sobre ele, mas ta difícil rs.
    Bjuxxxx


    PS: vc pode deixar os comentários abertos para Nome/URL? Não gosto de comentar (nem tenho o costume de fazer isso) em blogs que não tem isso.

    ResponderExcluir
  3. Olá!!!, Deus te abençoe boa tarde, Amiga hoje eu só quero AGRADECER, pela oportunidade de ter você como amiga e que neste ano a nossa amizade seja melhor e mais forte apressar de ser virtual mais eu agradeço por todos recados que você durante o ano todo mandou mesmo sendo critica ou que gostou eu amei cada palavra por que aprendi a amar e a respeitar cada pessoa, e a prendi com os erro e acerto e ajuda de você que para cada dia o post no blog fica se melhor eu preciso de você para dizer o que esta bom ou ruim eu só tenho a agradecer pela oportunidade de conhecer você e me desculpe por tudo, mais uma coisa eu sei DEUS, pela sua infinita bondade colocou você na minha vida para exalta o seu nome a cada dia e ser glorificado por nós, 2014 vai ser o ano da nossa vitoria. 2014 DE SUCESSO.
    Blog: http://arrasandonobatomvermelho.blogspot.com.br
    Canal de youtube: http://www.youtube.com/NekitaReis

    ResponderExcluir
  4. Bah, eu confesso que não gosto de leituras assim, por serem realmente tristes, comoventes e tocantes sim, mas ainda sim tristes. É bom para sair da zona de conforto, de vez em quando, mesmo. E esse livro me parece ser um bom livro pra isso ><

    Beijos
    Feliz 2014!
    http://mon-autre.blogspot.com/

    ResponderExcluir
  5. Erica parece que é um livro de drama, gostei da sua resenha e é verdade o cancer de pancreas é devastador, a pessoa morre rapido, muito triste :( eu estou numa vibe de ler aventuras e suspenses, não sei se ando preparada para ler esse livro, depois de a culpa é das estrelas, na qual me envolvi emocionalmente no livro, fiquei assim, mas creio que é passageiro, beijinhos amiga e votei no seu blog :D

    ResponderExcluir
  6. Esse não é um livro que eu leria... sei lá, não gostei muito da premissa dele, deve ter sido isso.
    E eu não gostei desse título dele, mudaria na boa. Hahaha dessas abusadas (sem ser meiga).
    Beijo, Ericona. <3

    ResponderExcluir
  7. Confesso que se eu ler esse livro eu vou chorar horrores.
    Essa doença maldita que atinge de todos os lados detonando famílias, amores e tudo que vê pela frente.
    Não tenho muito o que dizer por ter me lembrado de alguém próximo.

    ResponderExcluir
  8. Esse com certeza é um dos meus desejados :)

    ResponderExcluir
  9. Vou te contar: nem li a resenha. Tenho problemas com resenhas.

    Só to aqui pra dizer que to completamente apaixonada pelas xicrinhas de café linkando ozamigo pra skoob, twitter, etc. <3

    Seu blog é lindo.

    Beijos, xuxu.

    ResponderExcluir
  10. Tenho que ler esse livro e logo. Adoro histórias de superação e quero conhecer essa. Que 2014 seja repleto de muita luz, viu?
    Beijos!
    Paloma Viricio-Monólogo de Julieta.

    ResponderExcluir
  11. Parece um livro interessante, sempre bom ler coisas de superação. Só achei sua a nota fraca, rs. Mas, mesmo assim, fiquei com vontade de ler o livro.

    M&N | Desbrava(dores) de livros

    ResponderExcluir
  12. Olá,
    Não fazia ideia que era um livro biográfico. Confesso que acabei perdendo um pouco o interesse, livros desse gênero acabo demorando mais de ler. Sua resenha ficou ótima, por ela, eu leria o livro agora.


    Lucas - Carpe Liber
    livrosecontos.blogspot.com

    ResponderExcluir
  13. Li esse livro, mas confesso que foi bem difícil para mim chegar até o fim. Primeiro porque tem um assunto bem complicado para mim, e não lido muito bem com pessoas doentes nem nos livros. Segundo porque ele não é uma narrativa, sendo assim eu senti uma falta absurda dos diálogos.
    Não seria um tipo de livro que voltaria a ler.

    bjus
    terradecarol.blogspot.com

    ResponderExcluir
  14. Ficou linda a resenha viu!! Parabéns!
    Também gostei bastante do livro, e estou querendo ler o livro dele, que ela citou tanto neste.

    Adorei!!

    Bjkas

    Lelê Tapias
    http://topensandoemler.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
  15. Eu achava que esse livro era um tipo de romance, mas vi que é mais. A gente nunca pode subestimar a Novo Conceito, quantas vezes ela nos surpreende com lançamentos que vão além das espectativas.

    Olha, Erica, eu me solidarizo com o sofrimento da Jai, não é fácil ser cuidador de alguém que está inevitavelmente no caminho da morte. Você tem que abrir mão de você em prol do outro e um sentimento de "coadjuvante ruim" toma conta da pessoa... Só que ninguém é coadjuvante de sua própria vida e se sentir assim não é bom para ninguém e o que ocorre é que muitas vezes o cuidador até morre antes do doente. Realmente levantar a necessidade de cuidar também dessas pessoas é necessário.

    Como sei de tudo isso? Rá!?!? Segredo, secreto.

    Cheros Erica, sua resenha ficou massa!!!

    ResponderExcluir

Fico feliz que tenha visitado o Sacudindo Palavras! Sempre que sentir saudade, volte. Será muito bem-vindo (a).

E então, quais as palavras que você irá sacudir?