03 novembro 2013

Não é brincar de casinha



Sabe aquele pensamento que martela a sua cabeça por dias? É o tipo de pensamento que pede pra ser externado, por meio da arte, seja lá qual for. Eu não sei pintar nem desenhar. Não sei cantar. Finjo que sei escrever, por isso escrevo. Brinco de ser escritora. É muito gostoso!
Voltando aos pensamentos martelantes, eu não consigo manter pensamentos desse gênero presos em minha mente. Se eu não os transformo em texto, piro. Geralmente pensamentos assim dão textos polêmicos e contundentes. 
Pensamentos assim, transformados em textos, geram discussões acaloradas. Eu gosto de textos polêmicos e contundentes, apesar de nunca ter escrito nada do tipo. Não que eu lembre. Gosto de discussões acaloradas, desde que haja respeito e que todas as partes envolvidas tenham a capacidade de escutar os discursos acalorados dos outros.
Os pensamentos que martelaram a minha cabecinha por dias e dias foram justamente sobre maternidade e paternidade precoces. Mais especificamente o quanto é deprimente ver os frutos dessa maternidade e paternidade precoces sofrendo por seus pais negligentes e desinteressados pelo bem-estar dos seus filhos.
São crianças fazendo crianças. São adolescentes fazendo crianças. São adultos imaturos fazendo crianças. E essas crianças, coitadas, sofrem pela falta de cuidados ideais, por falta de afeto de verdade, por falta de um amor genuíno. Enquanto essas crianças rolam de um canto para outro, aos cuidados de avós, de tias, de vizinhas, esses pais curtem a vida adoidado, como se não tivessem criaturinhas esperando por eles, esperando que eles amadureçam e as enxerguem como preciosidades e prioridades das vidas deles.
Eu não sei como é ter um bebê. Eu não sei se um dia pretendo ter um. Entretanto, isso não me dá descredita a falar do assunto. 
O conhecimento, ao meu ver, não precisa ser necessariamente empírico. O conhecimento empírico talvez seja mais latente. Contudo, o conhecimento que floresce ao observar diariamente um certo comportamento, uma certa situação, também é totalmente válido. É isso que me credita a falar sobre esse tema e outros nos quais não tenho o conhecimento empírico, mas sim o advindo da observação.
Creio que, quando se torna mãe/pai, os hábitos devem ser mudados. A vida toda deve mudar. Não se é mais sozinho. Há um ser que depende dessa mãe e desse pai. Depende financeiramente, fisicamente, emocionalmente etc. E, infelizmente, o que mais se vê são mães negligentes, pais igualmente negligentes e ausentes. 
Será que essas mães e esses pais não entendem que, quanto mais esses filhos crescem solitários, criados por uns e outros, com a ausência deles rasgando seus corações, seus filhos não saberão o que é felicidade? 
Há casos de mães e pais que precisam trabalhar para sustentar a família e deixam seus filhos aos cuidados de terceiros praticamente o dia inteiro, todos os dias. E eu me pergunto: "Vale a pena ser mãe e pai assim?". 
Eu sei que as pessoas precisam se sustentar, e o sustento provém do trabalho. Porém, quando penso nisso, me vem a imagem de uma criança com um semblante triste e solitário, na casa de terceiros, sob os cuidados de pessoas que nem sempre a trata cuidadosamente e com o mínimo de amor, se perguntando para que serve ter uma mãe e um pai se eles não estão por perto quando mais precisam. 
E aqui eu respondo o porquê de eu não saber se quero ter filhos: não quero ter filhos para que eles cresçam sob o cuidado de outros, não quero que eles esqueçam o significado do que é ter uma mãe, não quero que se sintam desolados, porque não têm o meu ombro e o meu colo para se apoiarem.
Com isso, não quero dizer que pais ideais são aqueles que abdicam da própria vida para cuidar dos filhos durante a vida inteira. Não, não é isso que quero dizer.
Quando falo crianças, quero dizer crianças mesmo, de 0 anos a 8 anos. Acho que no começo da vida dos filhos, os pais precisam estar presentes, bem presentes, para que possam cuidar de seus pequenos em suas fases mais vulneráveis, mais frágeis, nas quais precisam muito do seu carinho, amor e dedicação. Sobretudo, essas crianças precisam criar uma imagem em sua mente de pessoas que realmente as amam e as querem bem.
Ser mãe/pai não é brincar de casinha. Não é brincadeira. Por isso, sempre penso que, se uma pessoa não tem o mínimo de zelo para consigo mesmo e para com sua própria vida, não deve ter um filho. Penso que, se uma pessoa tem outras prioridades na sua vida, não deve ter um filho. Se uma pessoa quer curtir a vida loucamente, não deve ter filhos. Ou, se tiver, saiba que sua vida terá um ritmo diferente e a badalação terá sempre que estar em último plano. 
É pura maldade colocar uma criança no mundo para que ela seja mais uma criança, em meio a tantas outras, com pais na certidão de nascimento, mas sem pais em seu cotidiano. 
Eu só lamento pelas crianças maltratadas por pais irresponsáveis, por pais despreparados e sem o menor intento de se ajustarem. Eu só tenho a lamentar pelas crianças que são jogadas ao mundo como se jogam flores ao relento. Crianças, seres preciosos, crescendo tristes, revoltadas e amargas. 
Sabe por que lamento tanto ver crianças em tais situações? Porque, felizmente, tive pais que foram presentes na minha infância, adolescência e até hoje o são. Deram-me amor e um cuidado que nem em mil anos eu poderia retribuir. Eu os amo por tudo o que fizeram por mim, fazem e sei que farão, caso eu precise.
Colabore para um futuro melhor: só tenha filhos se realmente desejar cuidar deles com amor sem medida e uma dedicação descomunal.

Erica Ferro

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Notinha: Ufa, desabafei!
Comentem, sinceramente, o que pensam sobre o assunto.
Digam se concordam ou discordam de mim e o porquê.
Fiquem à vontade.
Uma novidade bacana: dia 30/10 fiz meu post de apresentação como a mais nova colunista do blog Jornalismo na Alma, administrado pela Paloma Viricio. Confiram o post clicando aqui.
(...)
Ah, curtam o blog no Facebook e também o sigam no Twitter!
(...)
Um abraço da @ericona.
Hasta la vista!

11 comentários:

  1. Olá, passei apenas pra dizer que já estou te seguindo e voltarei aqui futuramente pra fazer comentários sobre os posts.
    Seu blog é maravilhoso, convido você e suas leitoras a conhecer meu blog
    http://toobege.blogspot.com.br/
    Beijinhos

    Quem seguir no insta, sigo de volta http://instagram.com/theworldofmari

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  2. Entendo seu ponto, mas os jovens que ficam "grávidos" hoje em dia, geralmente, ficam de forma indesejada. Ou não se protegem nem usam pílula, ou bebem horrores e não lembram como transaram, e por aí vai. Muitas vezes preferem ser pais a abortar os filhos, o que não deixa de ser bom, deixar de matar um feto, não é? Alguns desses o criarão de todo jeito, outros aprenderão, mesmo precocemente, a ser bons pais e mães, e outros apenas abandonarão seus filhos ou os colocarão para adoção. É muito complexo.
    E isso que você fala de sair e não cuidar dos filhos, pra mim, não é uma coisa de jovens. Aqui tem mil casos de gente não tão nova que sai pra balada, e os filhos ficam sozinhos em casa, já tiveram incêndios e tal em casas que só tinham crianças. Puta que pariu.
    Sobre trabalhar o dia inteiro, independente da necessidade do filho...sendo da classe média baixa, é necessidade. Não controlamos nossos horários, e sim a empresa que trabalhamos. Aí ou se aceita, ou sai, mas de onde tirar o dinheiro do sustento da casa? São muitas questões, quem sou eu pra julgar, a não ser caso a caso?
    Beijo.

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  3. olá Erica, concordo plenamente com vc, vivemos um momento em que ter filhos ficou sendo algo banal,não se tem mais o o cuidado que essa criança merece, o carinho dos pais que muitas vezes não passam também de crianças que mais a frente culparão esses pequenos inocentes por suas escolhas!!!!
    acho que como a amiga acima coloca tem a questão da necessidade de trabalhar que eu não considero um abandono, pois vc esta lutando para dar uma melhor vida ao filho!
    http://felicidadeemlivros.blogspot.com.br/

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  4. "Constituir família" e mais "planejamento familiar" são e sempre serão assuntos contrastantes e geradores de dúvidas. Por um lado, creio que o governo tem que começar a tratar com mais seriedade esse tema. Por outro, vejo que por mais que as pessoas vivenciem ou observem os vários ângulos de distintas classes sociais, notarão "erros de criação".
    Acredito que maternidade/ paternidade, hoje, pode sim ser uma questão de escolha, mas ninguém nasce preparado. Não há uma cartilha em que nos ensine a ser bons pais, ou, ainda, que nos ensine a amar. E aqui entra outros fatores que leio muito a respeito: gravidez indesejada, aborto, decisões que cabem mais à vida e ao corpo da mulher do que do homem... Complexo demais, Ericona!
    Mas fica aqui o meu desejo também que cada um cuide bem da sua consciência antes de sair fazendo filho adoidado. Transar é bom, mas camisinha tem de graça no postinho aí de qualquer cidade. Se você não quer se proliferar, caro ameba, previna-se. É o melhor que faz pra sociedade.

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  5. Até os meus 17 anos eu queria ter pelo menos uns 4 filhos, pensava em ter uma grande família, mas aí eu cresci e percebi que ter filhos não é uma tarefa fácil.
    Nossas ideias bateram muito, é claro que os pais não devem abrir mão de suas vidas pelos seus filhos, porém, ter um filho muda muita coisa. Você é obrigado a ser responsável, a não pensar apenas em você e não é o que vemos.
    Crianças tendo crianças e curtindo a vida como se não existisse amanhã. Não sei o que falta, pois, hoje temos mais informações que em anos passados. ;/
    Não consigo achar uma conclusão para isso, mas se quer ter um filho pense 1654310 antes de fazê-lo.

    Beijos

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  6. Realmente, não é só brincar de casinha.
    Exige todo critério em saber educar.
    Não é somente uma brincadeira de papai e mamãe, é preciso saber levar isso a sério.
    Adorei

    M&N | Desbrava(dores) de Livros

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  7. Admito que eu nunca quis ter filhos, nem me casar... Acho que sou um pouco traumatizada com isso. Eu sou resultado de uma gravidez nada planejada então, foi tudo bem complicado, como vc disse... Não é brincar de casinha!
    Família é coisa muito séria, filhos é uma coisa muito séria. Muita responsabilidade, admito que não quero. Beiijos,
    Paula
    http://www.interacaoliteraria.com/

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  8. por isso que eu digo que não pretendo ter filhos. vontade? vontade até dá, de um dia eu ver como seria uma criaturinha que saiu de mim, isso não nego. mas quando volto a pensar sobre o assunto, vejo que não seria uma boa ideia. se pra mim mesma já é difícil dizer o que é certo e errado, imagina passar isso adiante para uma mini pessoa?

    compensa mais jogar the sims e criar uma família virtual, pra se divertir e tirar as dúvidas, matar a curiosidade e pronto, fica ali. pra ter uma família é necessário muito mais responsabilidade, que eu não estou pronta e talvez nunca esteja para acarretar.

    a maioria das meninas que engravidam não querem engravidar, mas sabem como não fazer isso.
    eu vejo famílias desabrigadas com 3, 4 filhos debaixo dos braços e pra quê, meu deus?? isso me revolta. não só pela desigualdade, mas por esses pais terem botado nessa desigualdade tantas crianças que não pediram pra estar ali.

    não quero dizer que somente os ricos podem ter filhos, pois não é só dinheiro o problema. mas se uma pessoa está com tantas dificuldades, não consegue comprar um pão, muitas vezes falta até água, como pode ter filhos? filhos não são bonecos e são uma consequência muito provável SIM se não houver cuidados.

    lindo texto, como sempre!

    www.pe-dri-nha.blogspot.com


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  9. Eu trabalho com a pequena infância, já cuidei de crianças de 1 ano, de 2 e de 3 e posso dizer com propriedade, apesar de não ser mãe, que criança não é brinquedo e é muito, muito, muito mesmo trabalhoso. É um ser humano e a gente só compreende a grandeza de um ser humano nessa faze da vida quando tem um nos braços a sua mercer! É tenso!!! Criança não é boneca mesmo. Eu compreendo sua critica, sua revolta e tudo mais Erica... Embora hoje eu me furte de fazer criticas, já me revoltei muito contra a maternagem do povo, já me indignei muito e gritei aos sete cantos... Hoje me sinto mais contida, ou talvez cansada, não sei ao certo!

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  10. Oi, Ericona! Bem, eu não acho que seja tanto questão de precocidade, pois existem pessoas que não serão bons pais com a idade que for. A questão toda é muito complicada, a começar por assuntos importantes que são tabus nessa sociedade hipócrita em que vivemos, como sexo e aborto. Os métodos anticoncepcionais também não são infalíveis. Claro que existem muitas pessoas irresponsáveis, mas acho que tudo a nossa volta meio que colabora para esses nascimentos não planejados, principalmente entre os mais pobres.

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  11. E evitar é tão simples! Concordo com cada frase sua!

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