07 outubro 2010

Dear Diary,

Diário de July - 05/05/2005

"Quando eu não tenho nada a dizer, eu falo qualquer coisa pela simples ansiedade e agonia de não ter nada a dizer. Quando eu tenho algo a dizer, atropelo minhas próprias palavras, sou calada pela minha ansiedade e agonia de falar o que eu de fato quero falar. Não consigo ser objetiva. Não consigo falar do que todos falam. Eu não sei qual o assunto que está em pauta. Não sei quais são os problemas que assolam o mundo. Simplesmente eu sou alheia ao mundo, a todos e até alheia a mim mesma. Eu decidi me isolar até me encontrar. E eu nem sei o que quero dizer com "me encontrar". Entende como eu estou perdida, Querido Diário?
O que há comigo? Não sei o que há comigo. Eu nunca soube a razão de ser diferente de todo mundo: a única coisa que sei é que sempre fui assim: indecifrável, incompreensível e complicada.
Quando digo diferente, é que eu sou diferente mesmo. Ora, eu sei que ninguém é igual a ninguém: todo mundo tem suas características físicas, suas ideias e tudo o mais. Mas quando falo que nasci diferente de todo mundo, me refiro a não ser como a grande maioria: que se acostuma com as mudanças rapidamente, que se satisfaz com pouco ou com aquilo que não era inicialmente a sua preferência e tantas outras coisas.
Eu nasci diferente porque vivo ansiosa por uma coisa que eu ainda não descobri o que é. Me entristeço por coisas que outras pessoas acham ridículo ou estranho. Eu choro quando alguma flor morre; na verdade, eu sempre quis ser um flor. Não sei porque, mas acho que as flores fazem parte do grupo das coisas mais belas da vida. Eu choro quando vejo em noticiários sobre mortes de jovens por balas perdidas, acidentes e todas essas tragédias que tanto se vê por aí. E é por esses casos serem tão corriqueiros, que as pessoas se acostumam e nem acham mais tão lamentável e tão triste. Eu passo horas pensando em como o tal jovem poderia ter vivido mais. Quantas conquistas poderia ter tido. Quantos amores ele poderia viver. Quantas pessoas ele poderia fazer feliz. O quanto que ele poderia ser feliz. E eu choro, porque eu não quero morrer jovem. Eu só tenho 16 anos e sinto que a vida pesa uma tonelada e que ela cai por cima de mim, me deixando sem ar. E eu sei que isso é deprimente e até um pouco dramático se eu contar isso a alguém, Diário. Por isso que eu escrevo. Por isso que eu me confesso aqui. Ninguém me discrimina. Ninguém me descrimina. Ninguém me culpa. Simplesmente faço meu monólogo e me sinto bem, ou menos pior.
Ah! Preciso dormir. Preciso fazer minha cabeça parar de pensar um pouco. Amanhã a vida me acordará às 06:45, e eu não posso me atrasar.

Até amanhã, Diário. Até amanhã..."

(Erica Ferro)

* * *

Tem jeito não, né?
Perdi mesmo o hábito de escrever frequentemente.
Mas hoje não tive como fugir. July queria ganhar vida, queria falar. Então a materializei.
Até outro dia, meus amigos blogueiros!

37 comentários:

  1. nasceu diferente... e absolutamente especial !!!!

    beijo enorme

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  2. Tantas vezes me sinto uma ET menina, parece que não me adapto ao mundo ou que o mundo não se adapta a mim, é solitário ser diferente...eu admito.

    A Clarice nos entenderia bem...

    Bjinhos minha flor.

    Escreves tão bem, mesmo que tenhas perdido o hábito...Eu antes não te seguia e nem sei eu pq, acho que me passei mesmo.

    Bjinhos

    Erikah

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  3. A Linda flor!!

    Você tem sempre as palavras certas.


    Bom final de semana, saudades !!!


    beijocas

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  4. Oi, Ericona! Eu também choro pelo morte de flores e jovens, pela crueldade da vida, porque a sociedade é injusta... É muito difícil pra gente entender porque tais coisas fazem parte do mundo, e sobretudo é difícil ter que achar nosso lugar no meio disso tudo. Não sei se ser diferente é uma coisa boa, mas acredito que tudo, tudo mesmo, tenha afinal uma razão de ser. :)

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  5. Poetisa, teu blog está LINDO de morrer! Fiquei tanto tempo distante e quando volto, me deparo com uma lindeza dessas!

    Que a palavra te abrace e não te largue NUNQUINHA!

    Beijos.

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  6. Sou assim, igual.
    Mal de érica.
    huauha
    Beijos

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  7. Tu tem que te encontrar, continuar perdida não dá mais. Beijo

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  8. Que a July continue assim. São estas pessoas que fazem a diferença no mundo!


    Beijos

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  9. Olá, Erica...
    Navegando pela internet, me deparei com seu Blog.
    Muito bom mesmo... Parabéns!
    Queria só de cumprimentar mesmo pelo trabalho, suas idéias e seu bom gosto...
    Estou te seguindo.
    Saudações,
    EDU (http://edurjedu.blogspot.com)

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  10. Oi Erica!

    Ansiedade é mal de mulher. Aff...
    Sofro tanto com isso. As vezez pego o carro, me sinto tao sufocada no transito, q qdo me dou por mim estou suando, com taquicardia, querendo andar, voar, me libertar...
    É complicado, né.sou meeeega ansiosa!

    Mas vamos seguindo. Isso passa, vai melhorar, como td, há de melhorar.

    Amei o blog
    Amei o assunto.

    Falemos sempre sobre isso, Acho q vai ser oteeeeemo!

    Bjuuuuuu

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  11. "Eu nasci diferente porque vivo ansiosa por uma coisa que eu ainda não descobri o que é"

    MUITO LINDO...


    Sou diferente assim tbm ;)
    Tens o dom da palavra minha flor, continue assim para que eu possa apreciar ainda mais seus escritos!

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  12. Me senti um pouco como ela... apenas isso.

    Beijo, Ericona! =)

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  13. Hey ^^

    Nas palavras encontramos conforto, ao escrever num momento de agonia é como se colocássemos tudo de dentro pra fora.

    Xoxo

    :: Loma (www.night-angel.org)

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  14. Como você escreveu é bem trsite mesmo ver como as pessoas tem se acostumado com toda essa violência...
    Umas das tristes realidades do mundo. E eu também não quero morrer jovem '-'
    Beijos

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  15. Eu tenho a mesma sensação quando vejo essas fatalidades em noticiários... Isso me faz lembrar para ser mais humana; me situa e me desnorteia.

    Suas palavras conseguiram unir a July que há em você (isso porque nem sei o quanto de July você possui, ou se ela apenas brotou de sua imaginação e ao último ponto final ela morreu).

    Beijos
    :*

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  16. Me senti assim um tempo, mas procurei aprender com as flores.
    Beijos

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  17. Dia desses o veterinário do Barão disse que ele tem que fazer dieta porque está acima do peso. Eu chorei o caminho todo de volta pensando nas crianças que morrem de fome e no contraste que é esse mundo.

    Se tu é doida eu também sou.

    Saudades de te ler, saudades de ti, pequena.

    Beijo, ótimo feriado!

    ℓυηα

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  18. Erica, acabo d eler seu texto e achei sncer e triste. A preocupação parece em estar no que os outros pensam, mas ã se importe muito, pois deveos ter nossa mente livre para que preconceitos não nos atinja e cada um se aceite do jeito que é.

    Encontre a flor especial dentro de você!

    Beijos

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  19. Não entendo porque July queria ser igual a uma flor... É que ela já é uma, e das mais bonitas.
    Erica, que texto doce, doce e doce. Lindo!
    Ainda bem que nasceu July dentro de ti, pois caso contrário - a blogosfera ficaria mais opaca do que já está ficando. Sempre bom ler palavras belas e bem colocadas: com o coração, viu?
    Um beijo bem grande da garota das roupas roxas, que sente saudades. Haha.

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  20. P.S. atrasado: amei o layout novo, achei que já tivesse dito, mas não disse. Está very beautiful, Erica. Beeijos!

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  21. Ah, abriu os comentários, né? Beleza! Estive aqui a última vez e não pude comentar, achei estranho, ia até te dar um toque pelo Twitter.
    Mas a verdade é que você "sacode as palavras" muito bem, sabe como colocar cada sentimento numa frase. Talvez o post tenha sido escrito por você em 2005, ou não, isso não importa. Quando o material é bom, fica atemporal. É o caso aqui.
    Bjoo!!!!

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  22. Mulheres são seres estranhos.
    Bjs

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  23. ah, que lindo erica! mas espero que você continue diferente dos outros, pois isso que a torna tão especial. .xD
    bjusss

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  24. Obrigada por me fazer sorrir...
    Belo texto!!!
    Verdades ditas de maneira doce e gentil...
    Amei!!!

    Bjs

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  25. Sinto todas essas ansiedades...
    Me busco a cada dia e quanto mais tento me encontrar mais me perco de mim...
    As palavras, preenchem minhas pausas. Meus pensamentos, me surpreendem a cada dia.
    E eu? Continuo essa coisa bípede que escreve...

    Adorei o texto, menina das Palavras!
    Essa July é um encanto!!!

    Beijo mágico!
    Fabricante de Sonhos

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  26. Oi Erica, te vi no blog da Lak. Me identifiquei com teu comentário a respeito de faculdade. Eu também era assim (ainda sou um pouco), tinha medo da faculdade, tudo por causa dos seminários (e vergonhosamente, até fugi de um). Eu escolhi um curso que fosse o mais prático possível: design de interiores (tentei arquitetura, mas não consegui). é um curso muito bom, mas me identifico mais com letras... era meu desejo a princípio, mas por ser um curso muito teórico, eu desisti da ideia de tentar. agora, deixei de birra comigo e vou tentar vestibular ano que vem! logo um curso que tem praticamente um seminário a cada 2 semanas... tenho que encarar esse medo de apresentar diante de pessoas e vencer! Vai ter bons e maus momentos, o que é normal, mas como a Lak disse, o que importa é se sentir realizada! Vai nessa, Erica! E você escreve muito bem (acho pouco dizer isso, mas é verdade). Você tem um jeito de ser escritora... tem um livro no caminho? =)

    bjs

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  27. Ela nasceu diferente pelo simples fato de conseguir pensar diferente dessas pessoas apaticas, por sentir mais somos diferentes.

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  28. Ao passo que vai se lendo o post, é como se nos mesmos tivesse-mos escrito. São coisas "naturais" que passam pela nossa cabeça e diante dos nossos olhos, todo o tempo.

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  29. Acredito que todo mundo tem um pouco de July em si. Eu tenho! Há dias em que me sinto perdida, triste, tenho vontade de desistir de viver... Normal? Não sei. Mas acontece!
    às vezes, mew encontro nos meus monólogos com a July. As palvras me ajudam também :)

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  30. Todas essas diferenças fazem de July uma pessoa ímpar, encantadora e, provavelmente, modelo pra outras pessoas. Sei que a vida pesa, mas peça a ela que não tenha medo de assumir-se. Só iluminará o mundo.


    /adorei encontrar aqui

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  31. "Me entristeçopor coisas que outras pessoas acham ridículo ou estranho...(...) Eu choro quando vejo num noticiaaário que um jovem morreu de bala perdida"

    Parece que fui eu que escrevi...
    Sou assim tbm... Eu lembrei que quando a Eloá faleceu eu fiquei muito abalada e muitos me criticaram dizendo: "vc nem a conhecia" e eu lembro muito bem de dizer: "Não, nao a conhecia, mas ela tinha 16 anos, assim como eu tenho e assim como eu qe poderia estar no lugar dela."
    Me dói muito ver essas coisas, e me dói mais ainda ver oquanto estão banalizadas... A gente assiste tanto noticiário sobre assassinato que parece que tem que se tornar normal.. E pra mim não é. Cada morte, cada vida perdida, é algo a ser lamentado... Por pior que a pessoa tenha sido em vida, era uma pessoa, tinha familia e amigos... E sempre é uma dor para àqueles que o amam perder alguem!
    =//


    Post muito perfeito. Me identufiquei super e fiquei pensando a todo momento: "foi ela mesmo que escreveu ou fui eu ?"
    rsrs
    beeeijo flor!

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  32. July agora, no caso, é sua pseudonima? Assim como Fernando Pessoa tinha infinitos?
    Adorei o post, realmente, as coisas são muito trsites, mas por acontecerem com frequência nem são notadas mais!
    Saudades daqui!


    Beeijos!

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  33. Eu adoro ler diários e ler essa página me deixou com água na boca. Agora quero saber mais de July, até acho que em algumas coisas ela se parece comigo.
    Beijos com açúcar e com afeto

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  34. As vezes sinto também como se estivesse esperando alguma coisa...sei lá

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  35. É um livro para usar como reflexão mesmo, muito interessante.
    =)

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  36. O que mais vale à pena não custa nada... Sermos nós mesmos não custa nada, só falta eu receber em troca um pouco do que ando doando a pessoas que não reconhecem isso custa caro... rsrs
    Despertou-me o desejo de ler o livro...

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