07 maio 2009

Pra falar a verdade, às vezes minto...♫

A verdade é essa: todos nós mentimos, uma vez ou milhões de vezes, durante a nossa existência.


As pessoas preferem a mentira. É mentira?
A mentira é doce. É cômoda. Arrisco dizer até que é boa. Mas só é boa quando não é descoberta, e quando, principalmente, não somos as vítimas dela. Os mentirosos enganam os outros, enganam a si mesmos, mas não enganam a vida. A vida é precisa, dá o troco na medida exata, na hora certa.

"Mentira tem perna curta"

Tem mentiras que nem tem pernas, se arrastam. Vão procurando brechas, vão passando por debaixo, pelo lado, por cima. Vão se safando uma, duas, três vezes... Mas chega uma hora, que não dá mais, não tem mais brechas. A máscara cai mesmo, meu caro. Não tem como sustentar uma mentira durante toda uma vida.


Existem mentiras boas, aquelas que (você acha) não fazem mal?


Sua amiga lhe interroga se você achou a roupa que ela comprou para ir a uma festa bonita. Você, mesmo achando a roupa ridícula, diz que está linda e que, sem sombra de dúvidas, ela vai arrasar na tal festa. E você disse isso por quê? Só pra não decepcionar sua amiga. Pra não ver ela pelos cantos, triste, se achando brega.
Mas o que você não sabia era que ela ia te ligar três horas da manhã, bêbada, chorando mais do que um bezerro desmamado, se achando brega e a pior pessoa do mundo. E por quê? Porque ela tomou todas depois de uma certa ex-rival da escola ter cruzado com ela nessa festa, achado a roupa dela horrível e fez questão de cuspir essa verdade na cara da sua amiga. Ridicularizou-a na frente de todos, fez pouco da roupa (e principalmente da cara) dela. Ou seja, sua amiga serviu de palhaça pra muita gente, e você poderia ter evitado isso.
Poderia ter dito a verdade. Como? Ora, como! Dizendo: "Olha, amiga, com todo o respeito e amizade que lhe tenho, não gostei da roupa. Sinceramente, na minha opinião, ela é bem esquisita. Enfim, achei feia."

Mas você poderia dizer também que, se ela achou que a roupa estava boa, que ela sentiu bem com ela, então que danem-se todos (inclusive a sua opinião e, ops, você!) e só.
Talvez teria evitado que sua amiga tivesse passado essa vergonha ou pelo menos teria dado uma injeção de auto estima na sua amiga, assim ela poderia ter revidado na hora que foi humilhada. Enfim, você deveria ter falado a verdade.



A omissão é a melhor solução?

Você viu a namorada do seu melhor amigo aos beijos e abraços com um rapaz. Ah, e o pior, ela viu que você viu. Mas que
situação, hein?
E agora? Conta ou não? Melhor não, não é? Deixa seu amigo descobrir por ele mesmo. Foi o que você fez.
Só que você não contava com o que seu melhor amigo vinha planejando, que era se casar com a namorada dele. Ele tinha visto casas, visto anéis de noivado, orçamento de festas de casamento. Estava preparando uma surpresa pra ela.
Foi no dia que seu melhor amigo ia dar o anel de noivado pra namorada, que ela foi pega com a "boca na botija" (não, isso não é nada pornográfico não, viu?!). Quero dizer, ela foi pega aos beijos, amassos e abraços com esse tal rapaz. Ela nem viu a cor do anel (que por sinal era lindo, tinha custado uma nota pretíssima).
O seu melhor amigo ficou muito
irado, a chamou de várias nomes feios (nem vou dizer aqui, não é? pois meu blog é um blog sério, e é recomendado para toda a família). E ela, já cansada de ser esculachada, solta: "Você diz que eu o trai, que eu o sacaneei. Mas e o seu amiguinho, que certa vez me flagrou nessa mesma situação, e não falou nada pra você?".
Aí o seu melhor amigo sai louco atrás de você, desejando esganá-lo, esculachá-lo e jurando nunca mais olhar na sua cara. Então você diz que só fez isso para protegê-lo, que você não queria vê-lo sofrendo.
Então seu amigo escarra essa verdade na tua cara: "E você acha que eu não estou sofrendo? Que doeu menos ter descoberto isso agora? E mais ainda, teria me poupado de uma dívida que fiz hoje de 6 mil reais. Esse foi o preço do anel de noivado, que comprei pra pagar durante dois anos." Você fica triste por seu amigo, se arrepende de não ter dito a verdade, mas ainda tem forças de fazer a seguinte pergunta: "E cadê o anel?"
Seu amigo remexe nos bolsos, os olhos dele se esbugalham, ele começa a ficar agitado e nota que perdeu o anel lá na hora do alvoroço. Vocês dois saem correndo, mas não conseguem recuperá-lo.
Vocês nem imaginavam que tinha um espertinho de
olho bem atento lá na hora da confusão. E quando o anel caiu do bolso do seu amigo querido e desastrado, ele esperou as pessoas se afastarem, desocuparem o local, se aproximou de mansinho, como se fosse pegar uma pedra, bem disfarçadamente, pegou o anel, que estava naquela linda caixinha vermelha e foi direto dar um jeito de vendê-la. Vocês chegaram tarde.
Seu amigo passou meses irado contigo. Se sentindo um corno (o que não deixava de ser verdade) e ainda burro. Enfim, demorou muito pra seu amigo entender que você era amigo dele de verdade e só queria ajudá-lo. Ainda mais quando você se ofereceu pra pagar metade do anel. Voltaram às boas. Mas você aprendeu a lição de que não se deve enganar, omitir ou mentir, que isso pode custar mais do que 6 mil reais.


Prazer de mentir

Fabrício era do tipo encantador, conversador, se dava bem com todo mundo. A não ser quando esse "todo mundo" não colaborava com o que ele esperava. Fabrício era um psicopata. As pessoas, para ele, eram objetos, pontes para se conseguir o que ele queria. Ela fazia com as pessoas o que nos fazemos com as laranjas, sugava tudo o que elas tinham e, quando não tinha mais nada a oferecer, jogava no lixo. E partia para outra "laranja". Assim foi a sua vida toda. Li sobre psicopatia e vi que isso não tem cura. Quem nasce psicopata, morre psicopata.
Mas não só mentem por prazer psicopatas. Tem aquelas pessoas que
mentem por prazer, e não são necessariamente psicopatas. São pessoas ruins, frustradas. Que pensam: "Se eu não sou feliz, ela também não vai ser!". E, assim, infernizam, criam mentiras, confusões, fazem o circo pegar fogo realmente.
Se você sente um
prazer, mesmo que minimizado, em mentir, melhor procurar ajuda. Reveja seus conceitos, suas verdades, suas mentiras. Veja se isso está te fazendo bem e, o mais importante, se você não está fazendo da sua frustração a infelicidade de outras pessoas.


Nas nuvens da mentira

Jéssica era uma menina muito sonhadora. É cruel dizer que ela é mentirosa. Mas ela era mentirosa.
Ela era uma menina pobre, e preguiçosa. É, eu tenho que dizer que ela era preguiçosa. Ela não tinha coragem de lutar pelos sonhos e desejos dela. Ela não tinha garra pra isso. Aliás, ter ela tinha, mas isso bem lá no íntimo da alma dela. Ela só enxergava o que estava na superfície do íntimo dela. E o que estava na superfície? A imaginação, o faz-de-conta, a "mentira boa".
Ela trabalhava numa padaria, mas andava como se fosse uma empresária de sucesso. Para isso, se enchia de dívidas, saía
comprando roupas, acessórios caríssimos. Jéssica devia a Deus e ao mundo. Mas Jéssica se sentia bem assim. Se sentia feliz ao mentir que era rica.
Essa felicidade foi se arrastando até o dia em que foi presa. (PRESA?!) É, gente, presa.
Jéssica chegou
num ponto crítico, devia em todos as lojas possíveis. Não tinha mais como comprar nada. Os donos de lojas já espalhavam para outros donos a fama de Jéssica (de velhaca).
Jéssica tinha arrumado um convite (não sei como) para uma festa super balada, e de muito luxo. Só que suas roupas chiquérrimas já não causava mais efeito nela. Ela queria outras. Novas.
Jéssica tinha visto um vestido lindíssimo na vitrine de uma loja
(caríssima, também) e decidiu pegá-lo (traduzindo, roubá-lo).
Jéssica tinha perdido a noção do perigo. Pegou o vestido (crente
de que ninguém estava vendo), mas viram.
Jéssica foi presa em flagrante. Passou alguns anos detenta. Esses anos foram um

santo remédio para Jéssica. Ela viu a cruel realidade da prisão. Sentiu a dor de se ver presa, sem poder contemplar as coisas simples que ela tinha deixado passar por estar hipnotizada pelo luxo, pelo glamour; pelas futilidades.
Saiu da prisão renovada.
Levantou-se do tombo (tinha caído das nuvens da mentira).
Resolveu lutar por quem queria ser, e não imaginar, fingir que era algo que não era. Ela
descobriu que, esse tempo todo, a pessoa que ela tinha enganado mais, tinha sido ela própria.

***

Não acho mentir a saída para qualquer que seja a situação. Sejam pequenas coisas, sejam grandes coisas. Quando somos pegos na mentira, perdemos nosso "título" de confiável. As pessoas, dificilmente, voltam a nos dar crédito de novo. Por mais que elas mintam também.
Pois o mundo em que vivemos é assim: "Eu minto pra você, mas não minta pra mim, que eu não te perdôo!"


Mas, pra ser sincera com vocês, às vezes minto. Como disse, todos nós mentimos. TODOS.
Isso é preocupante. A verdade ficou conhecida como a "dolorosa, a dura, a crua, a nua". E a mentira "a boa, a salvadora, a legal, a essencial".
Nos desfizemos de nossos conceitos, da nossa ética. Queremos sempre tapar o sol com a peneira. E as mentiras são essas peneiras e o sol é a verdade. A verdade sempre vai brilhar, sempre vai prevalecer. Não tem pra onde correr!

Existem várias maneiras de se falar uma verdade. Podemos falar verdades de uma maneira dócil. Sim, dócil ou pelo menos não tão cruel! Com tantas palavras, com tantos adjetivos, por que mentimos? Tão melhor falar a verdade! Tão mais sensato! Tão mais sincero e honesto!

Busque sempre falar a verdade. Não baseie sua vida na mentira. Ela é como uma bolinha de neve, bem pequena, que é aumentada a cada mentira que você solta. Se você não tomar cuidado, ela vira uma grande bola de neve e esmaga você.

Fique esperto!



(Erica Ferro)

18 comentários:

  1. não existe uma pessoa que não mente, mas tem gente que faz disso uma rotina...

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  2. Mentir é facil demais...rs.Adorei seu texto Flor,beijos

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  3. As coisas nem sempre são como gostaríamos que elas fossem, mas a mentira não é uma saída para nossos erros e fracassos. Considero a omissão uma mentira tão bárbara quanto a mais cruel das mentiras. O mundo é pequeno, e um dia, todos vamos entender a importância da frase: " Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas." -> Pense nisso.
    E você é foda garota! Te amo!

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  4. mentir todos mentes, existem tipos de mentiras, e mais conveniente, as tem limite, e pena que nem todos usam o senso para mentir, uns ficam tão imersos em mentiras, e ficam tão preocupados em esconder e atrapalhar vidas com as mentiras que não vale a pena viver nelas. Omitir para não machucar é o que a maioria faz, e até quando parar de ser conveniente todos mentirão escancaradamente ou não
    belo texto
    :)

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  5. Acho que foi o texto mais completo que eu li sobre o tema do Blorkutando dessa semana.
    (:

    Então, o prólogo é de um possível livro, sim.
    Coloquei no blog para ver se eu me animo a continuar, dependendo da repercussão.
    ^^'

    Obrigada pela visita!
    Beijos.

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  6. menina, como você arrasa! você tem futuro com a escrita, sério mesmo!

    foi um texto completo, organizado. me lembra a tática de A menina que roubava livros, onde o autor organiza a história toda, centralizando as frases essenciais, colocando algumas metáforas. eu achei isso superlegal. não sei se você fez inspirado nisso ou não, mas se você ler o livro, vai ver que o que eu to falando faz sentido!

    adorei seu blog, cara.

    beeijos.

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  7. Olá!
    O livro foi continuado lá no blog, ser quiser ver, é só visitar:
    http://odiariodeumaeternaamizade.blogspot.com/
    Te adicionei como leitora, ok?
    Beijos

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  8. Muito completo o teu post! Tá muito interessante e fala muitas verdades sobre essa incógnita que é a mentira. Muito legal mesmo! Obrigada pela visita! Tem post novo que acabou de sair do forno. Beijoooos!

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  9. Tu explicou muito bem os tipos de mentiras. E é a realidade, não há quem não minta! Pra avançar num emprego, conseguir uma vaga, impressionar alguém. Principalmente hoje em dia, que os bons valores foram jogados às cucuias, há quem minta demais da conta e discaradamente, com a mera desculpa de "todo mundo mente". É triste isso, mas não adianta, é a realidade.

    Belo tema escolhido, e ainda melhor escrito!

    Beijão

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  10. Valeu pela presença...beijão

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  11. Paarabéens pra vc tbm !!
    Acheei o texto esplêndido!
    Vc mostrou a mentira em suas diversas facetas, mas sempre com a consciência de que não eh algo bom e nem louvável, mas sim, uma forma de enganar a si mesmo e aos outros.
    E obrigada pelos parabéns :D !

    Uma ótima semana!
    beijoos!

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  12. Gente, que post enorme! Mas eu li, ahá. E tá lindo :) E cara, eu minto.

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  13. Nossa, seu texto está bem mais completo que o meu!!
    Está enorme... se bem q os meus textos sempre são pequenos, nunca enormes...
    mas adorei o seu tb...
    obrigada pelos parabens!!
    retorno p/ vc tb: PARABENS, eu tb já fiquei em segundo lugar :)

    bjao... obrigada pela visita!

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  14. "menina, como você arrasa! você tem futuro com a escrita, sério mesmo!"

    Nem comento mais. ;)

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  15. Eliebertson S. Santos12 de maio de 2009 02:38

    Quero comentar sobre algumas partes desse texto, Erica.
    1º vou comentar sobre a parte da mentira que é dita àquela amiga, a respeito da tal roupa brega; vamos dizer que se o amigo dissesse a verdade, não iria mudar nada, pois a amiga prejudicada iria dizer: “Mas tá boa, né?” E mesmo se o amigo dissesse: “Não, var com outra.” Ela ia fazer de tudo para que o amigo dissesse que à 1ª tava boa e tal.
    Essa do amigo que omitiu algo que lhe custou 3 mil reais, também é massa! Hehe.
    Esses seus textos são divinos, sem nem como comentá-los... Só tenho a dizer que gostei de todos e sim... Não quero que você ache que estou fazendo papel de mentiroso, pois li e gostei de todos.

    Vou deixar um comentário aqui pra você e lhe peço que tente comentar em cima desse pequeno texto que vou lhe deixar.

    Você lembra-se do amigo que citei no texto que lhe passei?
    Pronto quero que se possível releia-o!
    Assim, Erica...
    Aquele meu amigo foi um mentiroso para mim, pois ele me iludiu muito.

    Foi assim: Eu o conheço desde 2003, quando eu tava dando início aos meus sonhos, e como você sabe em fevereiro de 2004 me aconteceu o incidente inesperado, né? Pois é! Logo no mês de junho, 4 meses depois do acontecido, esse meu amigo foi à minha casa levar uma palavra de conforto e fez-me ter novamente o desejo de voltar a falar, a andar e vamos dizer que esse amigo me fez até ter coragem de voltar a viver; Mas agora que voltei realmente a ter consciência de novo, pude ver que as coisas que esse meu amigo disse, foi a princípio uma mentira para me ludibriar, depois ele me fez acreditar mais ou menos que logo-logo o meu sonho se realizaria, depois se escondeu, chegando ao ponto de não atender os meus telefonemas e tal; assim, Erica... Eu posso até escrever o rascunho desse texto que pretendo publicá-lo futuramente, mas esses rascunhos ainda tão em formato de sementes que ainda vão se frutificar, e, mas, eu vim aqui somente lhe fazer um comentário sobre um texto seu... Hehe!

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  16. tah ooooohtitmo Erica!

    o mundo das palavras tem futuro com vc =D

    mentir!
    lógico q eu minto,às vezes, quando preciso muito.
    mas nao gosto mesmo de mentir, ateh pra quem nao gosto.]
    me sinto estranha,como se nao fosse eu.

    odeio q mintam pra mim,se for besteira entao, destesto.

    gosto de ser sincera, mesmo q doa,detesto a figura de "coitadinha".

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Fico feliz que tenha visitado o Sacudindo Palavras! Sempre que sentir saudade, volte. Será muito bem-vindo (a).

E então, quais as palavras que você irá sacudir?