20 maio 2009

Abra o vidro do seu coração!

Crianças, jovens, parados no sinal, um instrumento de limpeza qualquer na mão e um coração.
Vidros de carros; uns abertos, outros fechados, e ainda uns que se fecham com uma rapidez incrível ao ver aquela criança/jovem/adulto se aproximando, pedindo um minuto de atenção, umas moedas, um dinheiro qualquer pra matar sua fome ou para "comprar" um pouco de dignidade pra ele e pra sua família. Você nem se dá ao trabalho de falar, apenas abana a cabeça num gesto apressado, fecha o vidro do seu carro, o sinal abre, você vai, e aquele coração fica ali, no sol escaldante ou numa chuva gélida.
No jornal da noite, você vê as notícias, se lamenta por ter tanta violência no mundo, por ter tantas crianças morrendo de fome e frio nas ruas e por todas as outras desgraças. Você se irrita com o governo, xinga, critica, fala se fosse o presidente, governador, prefeito, ou qualquer coisa que o valha, faria diferente, daria um jeito nessa bagunça e desgraça toda. Mas eu digo que não, você não faria. E sabe por quê? Porque você é bom "falador", só isso. Agir? Não é seu hábito. Você seria apenas mais uma daqueles que prometem e prometem.
Lembra daquela pessoa que te pediu, com os olhos marejados de lágrimas, uma quantia qualquer pra matar a fome, pra fazer qualquer coisa que o fizesse se sentir mais humano? O que você fez? Balançou a cabeça, negou ajuda. Você estava indo ao shopping (ah! você tinha dinheiro, não é?), comprou roupas e mais roupas, mesmo com o guarda-roupas cheio delas, umas novas, outras usadas, mas não surradas ou rasgadas, ainda dão para o uso por um bom tempo. Depois do shopping, foi à um restaurante, comeu das melhores comidas (e das mais caras, vale lembrar) saiu feliz e realizado, viu um "menino de rua", deu logo um jeito de se esquivar, negou ajuda e fechou o vidro do seu coração mais uma vez. Chegou em casa, tomou um bom banho morno, como já tinha jantado no restaurante, ligou sua TV e viu o jornal da noite; se lamentou e se irritou com esse governo que só promete, e não cumpre, não age, não se move para fazer nada útil para a humanidade, desligou a TV. Resolveu, então, ligar o computador, olhou seus e-mails, navegou por sua internet super rápida (e que você paga uma nota relativamente preta por ela). Depois disso tudo, deitou na sua cama, lembrou de como foi o seu dia, tinha sido ótimo, mas, lembrou daquelas pessoas, daqueles pedintes que você costuma chamar de sujinhos, pobres que não têm onde caírem mortos. Lembrou que negou, negou uma palavra, negou ajuda financeira, negou atenção, negou seu coração. Mas, logo, você dá um jeito de se livrar desses seus pensamentos. Você pensa: "Não é problema meu se o mundo vai mal. O que vai adiantar eu ajudar um ou dois ali? Não vai mudar o mundo."
Aí eu te digo, caro colega, se você não ajuda um ou dois ali, se você não faz coisa alguma, é que nada muda mesmo. O teu vizinho, deitado na cama, tem esses mesmos pensamentos. Então, me diga por que o mundo anda mal? Porque a culpa nunca é da gente, o dever nunca é nosso. É sempre do outro. Sempre do vizinho. A culpa é do mundo, não é? E você vive aonde, meu querido? Em Marte? Você é desse mundo aqui, responsável por ele, você tem o dever de cuidar daqui, das pessoas que o cerca (ou você não gosta de cuidados?). Dever que eu falo não é obrigação (daquelas tem que fazer de qualquer jeito, sorrindo, com raiva ou chorando), não. Não quero que as pessoas se sintam obrigadas a amar, a ajudar. Eu, uma pobre terrestre, uma pobre sonhadora, só queria que as pessoas desse mundo fossem mais humanas e honrassem esse nome que a ciência lhe deu - "ser humano".
Eu desejo ardentemente que as pessoas abram os vidros dos seus corações, se doem, amem, vivam pensando no bem geral. Claro, no seu bem também, mas pensando também no outro, no "irmão" que está nas ruas, vagando, com fome e frio. Tantas desgraças assolam o mundo. Tantas coisas poderíamos fazer, e ficamos parados, sem ação. Assistimos a tudo passivamente, apenas analisando, teorizando... Mas agir? Nada!
Tenho mais a falar (muito mais), mas, sinceramente, só com palavras não posso mudar nada. Paro por aqui.

(Erica Ferro)


''Abra o vidro do seu coração. O amor gera atitudes. Comece a agir, chega de falar, só com palavras não se pode mudar!''
(Oficina g3 - Indiferença)

P.s:
Deixarei um vídeo. É o vídeo da música Indiferença, da banda Oficina g3. Ao ouvir essa música, me veio o desejo ardente de escrever sobre esse tema, esse assunto tão presente em mim, em meus pensamentos. Reflitam, abram o vidro do seus corações, comecem a agir, falar não basta. Eu estou tentando fazer isso. Eu admito, não é a coisa mais fácil do mundo, mas não é a mais difícil, é uma questão de humanidade, de sensibilidade. Fiquem bem. Grande abraço pra vocês.

7 comentários:

  1. Bom, eu sinceramente sou contra dar esmolas nas ruas porque o governo tem estabelecimentos que ajudam as pessoas que moram nas ruas, e muitas dessas pessoas ganham mais do que aqueles que trabalham duro.

    Aliás, tem uma hitória que eu particularmente gosto muito, que é a de um cara que perdeu tudo, e teve que morar nas ruas. Ele simplesmente ia na biblioteca pública da cidade, pegava livros de concursos e estudava, estudava e estudava. Passou em um concurso, vive bem e não mora mais nas ruas. E ele nunca pediu esmola nas ruas.

    Aqui em Brasília mesmo, chega a época do Natal, vêm centenas de pedintes de várias partes do Brasil pra ficarem aqui nas ruas pedindo esmola, e quando passa a época do Natal voltam todos as suas cidades. Morar na rua não é um fim, e sim uma "opção". Quando uma pessoa é esforçada, ela consegue sair de qualquer "buraco". Mesmo.

    Quer ajudar as pessoas necessitadas? Não dê esmola, doe pra uma instituição de caridade.
    _________________________________

    Nossa, eu não faço meus templates nãão, estava pensando em pagar uma moça pra fazer um pra mim. auhauaa

    Aliás, em que site você pegou seu template? Eu queria um diferente do seu, mas com a mesma disposição do layout (tamanho do banner, das colunas e talz).

    Beeeijos,
    Bell.

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  2. Tem razão, Bell. Eu quis dar o exemplo das crianças de ruas, de ajudá-las (com dinheiro), porque são coisas "pequenas", que não "doeriam" se fizessemos. A intenção do texto é abranger a visão dessa ajuda. Ou seja, como você mesma falou, doar coisas/dinheiro pra uma instituição de caridade. E, claro, tem pessoas que pedem nas ruas, nos ônibus, mas não precisam realmente. Outras não, outras não tem onde morar mesmo. Vivem ao relento, sem ninguém por eles. Agora, você falou bem, quando uma pessoa quer sair de qualquer buraco, qualquer situação, ela realmente sai. Mas não é fácil. As oportunidades não são tantas assim. O mundo cruel e implacável com os mais "fracos". Mas eu gostei do seu modo de ver essa situação. ^^

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  3. Éricaaa, Primeiramente: Parabéns! muito massa esse teu blog!
    Segundamente(rsrsr): pq tu num me disse antes q tinha esse Blog eihn?!
    rsrsrsrs
    Bjo Grande! ;)

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  4. Então,ja passei por situações de dar esmola no sinal e ser assaltada em seguida,como ja levei guris para tomar um lanche e ja destribuir sopão,agazalhos com os amigos e tudo mais,mas isso é muito poucoo,muito pouco mesmo,a gente pode fazer mais,é complicado esse lance de esmola,prefiro chamar de ajuda.Post show,beijão

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  5. Esmola não vai ajudar em nada. Eu fui criado assim, e muito provavelmente por isso adotei uma postura contra. Não dou dinheiro pra quem pede, mas algo para comer.
    Eu acho que, se a pessoa está passando por reais necessidades, seria isso que ela ia fazer com o dinheiro, comprar comida - eu só acelero o processo.

    Mas mesmo quando uma pessoa dessas sai daqui, feliz ou não com o saco de bolachas, quilo de feijão, arroz, coisa e tal, eu fico pensando de quê adianta eu dar um quilo de feijão pra ela? Ok, ela está com fome e precisa alimentar a família inteira que provavelmente passa necessidades. Mas e amanhã? Ela vai passar aqui de novo, ou em outro lugar, pedindo mais. Não me oponho a continuar ajudando, só afirmo que não considero o que faço uma ajuda. O ideal seria seguir o lema do governo, que diz que não basta dar o peixe, mas ensinar a pescar.

    E ao mesmo tempo, eu me pergunto que, se vamos cada um adotar uma postura em defesa a tudo que anda mal, vamos enlouquecer. Pobreza, fome, aquecimento global, política. É demais para uma pessoa só. Não culpo quem simplesmente não consegue abrir o vidro do seu coração, porque é simplesmente assim. Uns tem que se preocupar em ajudar os outros, outros em ajudar a natureza, os animais, o governo, o ensino.

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  6. Falar o brasileiro gosta muito, critica, mas na hora de mudar, não muda, se envergonha, se esconde, atrás de desculpas, "ah mais ele vai comprar drogas", isso você nunca vai saber a não ser que ajude, como você disse para qualquer coisa que faça a pessoa se senir mais humana, independe do que ela vai fazer com o dinheiro, ou então de logo a comida,Hipocrisia é o que mata, seja sincero pelo menos.

    Tem um selo para você no meu blog...

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  7. intiresno muito, obrigado

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Fico feliz que tenha visitado o Sacudindo Palavras! Sempre que sentir saudade, volte. Será muito bem-vindo (a).

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