15 março 2009

Verônica e o amor;

Verônica tinha 17 anos quando conheceu Jefferson, que na época tinha seus 22 anos. Foi numa festa que eles se viram pela primeira vez. Ele a achou linda, ela também, foi mais uma atração física. Ficaram naquela festa e trocaram telefones. Ambos adoraram a 'ficada'. Eles tinham química. No outro dia, Jefferson liga.

- Oi, Verônica. Ontem foi uma noite perfeita pra mim. Gostaria de muito de repetir a dose.

Verônica que também tinha adorado a noite que tinha passado com ele, disse que poderiam repetir a dose outras vezes, era só marcar. Marcaram de sair muitas outras vezes. Resolveram começar um namoro. Eles, além de namorados, ficaram grandes amigos, grandes cúmplices. Mas não era uma paixão avassaladora. O que os unia era uma coisa mais física, e, claro, a cumplicidade que eles tinham, eram amigos inseparáveis.

Verônica engravidou aos 18 anos. Jefferson teve um choque. A princípio, não se alegrou muito com a notícia. Mas, aos poucos, foi gostando da ideia de ser papai. Os pais de Verônica não quiseram ter uma filha mãe-solteira. Quase obrigaram Jefferson a se casar com Verônica. Jefferson não resistiu muito. Afinal, apesar de não ser louco de amores por Verônica, eram amigos e se entendiam bem. Sendo assim, ele tinha uma certeza de que poderiam ser felizes. Se casaram. O primeiro filho de Verônica se chamou Jonatas. Um criança linda, que trouxe uma alegria imensa pra casa. Quando Jonatas estava com 3 anos, Verônica engravidou mais uma vez. Dessa vez, nasceu Victor. Lindo, parecia muito com Verônica, os olhos, o sorriso, tudo lembrava Verônica. Jefferson e Verônica estavam tendo uma vida de casado mediana. Verônica cuidava dos filhos e do marido, e concluia a faculdade de jornalismo. Aos 24 anos, concluiu a faculdade, quando Jonatas tinha 6 anos e Victor 3 anos. Arrumou um emprego num jornal bem conceituado. Colocava as crianças na escola e ia trabalhar. Tinha uma vida de casada mediana, nem tão boa nem tão má. Eram amigos, se entendiam bem, mas ela sempre achou que faltava algo... Talvez o casamento fosse muito insoso... necessitava um pouco de tempero. Mas estava indo tudo bem, tinha convivido tanto tempo com isso, esse casamento mal temperado, que já tinha se acostumado.

Quando tinha 6 anos de trabalho no jornal, entrou um novo jornalista. Seu nome era Murilo, um homem deveras charmoso, voz sensual, um olhar cativante e sedutor. Verônica ficou perturbada com a presença daquele homem. Não sabia porquê, mas a proximidade dele estava deixando-a incomodada. Eles trabalhavam juntos. Constantemente um tinha que falar com o outro para resolver coisas cotidianas do jornal. Como disse, Murilo era um homem encantador, cheio de charme e com uma conversa agradabilíssima. Ficaram amigos, muito amigos. Os meses foram se passando, e a amizade dos dois aumentando. Murilo sabia que Verônica era casada e que tinha filhos, mas se sentia muito atraído por ela e com o tempo a atração só aumentou, ele contava os problemas dele pra ela, e ela sempre com aquele jeitinho meigo e gentil de aconselhá-lo, acalmá-lo, ele adorava esse jeito doce dela. Quando chegou a um certo tempo, Verônica e Murilo não se viam apenas como amigos, algo mais tinha brotado em seus corações. O que os dois sentiam quando se viam era diferente de tudo que eles tinham vivido durante toda a vida. A sensação de estar perto um do outro era de aconchego, de proteção, amor...
Eles foram se apaixonando a cada dia mais. Verônica andava muito confusa, e com raiva de si mesma, pensava que era uma traidora, tinha um marido que era um grande amigo, filhos maravilhosos, mas Murilo estava sendo uma coisa tão linda na vida dela. Um amigo, um amor, um amor forte, intenso... Ela nunca tinha vivido nada igual. Tinha uma vontade enorme de viver aquilo, de beijá-lo, abraçá-lo sem reservas. Mas sentia que não podia, não podia ser infiel ao marido e aos filhos. Aquela angústia foi crescendo no peito de Verônica. Numa tarde, após o expediente, Verônica resolve conversar com Murilo, sobre aquilo tudo que estava sentindo, aquele amor que tinha nascido de uma forma linda.
Verônica começou:

- Murilo, tenho tanta coisa pra te falar. Ando tão confusa...

- O que aconteceu, Verônica? Posso lhe ajudar? - ele sempre atencioso, sempre pronto a ajudar.

- Ah, Murilo... Olha, eu... nem sei como te dizer isso, como te explicar o que se passa comigo. Eu sou casada, como você sabe, tenho filhos lindos, um marido que me entende e me ama, só que eu... eu me apaixonei por um homem, um homem que despertou coisas que jamais pensei sentir.

Murilo se preocupou naquela hora, cogitou a possibilidade de Verônica ter se apaixonado por outro, e esse outro não ser ele, o que ia doer mais ainda. Com a voz falha, Murilo disse:

- Bom, Verônica... Não sou ninguém pra te julgar, dizer que foi imoral você ter se apaixonado por outro, mesmo sendo casada. Poderia acontecer com qualquer um... É natural isso acontecer. Eu também... - Nessa hora Murilo parou de falar. Ele ia dizer que também tinha se apaixonado, e que a mulher era comprometida, e era, nada mais, nada menos, do que ela própria.

- É... Eu sei que é algo natural, que pode ocorrer com qualquer um. Mas, e agora? O que eu vou fazer? Sinto uma vontade imensa de viver esse amor. Mas como? Não posso trair o Jefferson, mas também não penso em me separar, pelo menos até agora não...

- Verônica, quando o amor chega e bate a nossa porta, acho que devemos abrir... mandá-lo ir é jogar fora nossa chance de sermos felizes e realizados. - respondeu Jefferson.

- É, olha... eu tenho que ir, está na minha hora. Vou pensar muito sobre isso, amanhã te conto o que eu decidi.

Verônica mal conseguiu dormir, estava pensando em contar o que estava sentindo a Murilo, queria contar-lhe do que ela tinha carregado todos esses meses no peito. Depois de muito se contorcer na cama, pensando naquilo tudo, decidiu que na manhã seguinte, no trabalho, falaria do seu amor a Murilo, se ele correspondesse, ela estava disposta a se separar. Achou que tudo ia ser amigavelmente, já que ela e Jefferson eram muito amigos.
Na manhã seguinte, chega mais linda e radiante do que nunca, dá um bom dia caloroso a Murilo e começa o seu dia de trabalho. Já eram 11:50 quando Verônica chamou Murilo para almoçar.

- Murilo, preciso conversar contigo sobre aquilo de ontem... Pensei bem na questão e tomei a decisão. - Disse ela, olhando fixamente para os olhos dele.

- Ah... eu aceito, sim, almoçar contigo. Vou adorar, estou morrendo de fome... - Disse isso dando um lindo sorriso a ela, que ficou encantada.

- Então, vamos...

Almoçaram, depois de terminarem a refeição, Verônica começa.

- Bem, Murilo, como eu te disse, me apaixonei por um homem encantador, gentil, amigo... não que meu marido não seja meu grande amigo. Ele é, só que o homem por qual me apaixonei, eu sinto coisas quando estou com ele que não sei dizer... É tão mágico, tão... ai, nem sei adjetivar...

Murilo ficou muito surpreso ao escutar "eu sinto coisas quando estou com ele que não sei dizer...". Ele não se conteve e perguntou:

- Você já... digo, você já teve algum tipo de... de contato com ele, já o beijou ou algo do tipo?

- Não, Murilo... ainda não, mas a cada dia que passa, fica mais difícil de me segurar. O que eu estou sentindo é muito forte. A minha vontade é de gritar que o amo... desesperadamente.

- Nossa, Verônica! Você está mesmo apaixonada. Bem queria que uma mulher estivesse nesse alto grau de amores por mim...

O coração de Verônica bombeou descompassadamente. As mãos começaram a tremer e a voz saiu fraca:

- Ah... mas... quem sabe se... se já não existe alguém apaixonado por você, perdidamente, e você nem nota...

- Será? Um pouco difícil disso ser verdade. Mas se existisse, ela já teria me dito alguma coisa, já tinha me procurado, dado algum sinal...

- Talvez seja difícil pra ela. Talvez ela esteja confusa...

Murilo viu uma luz no fim do túnel. Talvez esse homem dos sonhos de Verônica fosse ele. Logo que pensou isso, se irritou consigo mesmo, se perguntou como poderia pensar que aquela mulher extraordinária estava apaixonada por ele.

- Murilo, eu prometi pra mim mesma que ia resolver essa história hoje... só que eu tenho medo de que eu não seja correspondida, vê se na minha idade, com todos os filhos e experiências que tenho, me cabe ter medo... mas eu ainda tenho, sinto às vezes que sou uma menininha indefesa, sem saber por onde ir, por qual estrada seguir.

- Não tenha medo, meu bem. - nessa hora, Murilo colocou suas mãos entrelaçadas nas delas. Olhou-a fixamente nos olhos e prosseguiu - Eu quero te ver feliz, Verônica. Tenho um carinho enorme por você. Você é linda, uma pessoa que eu sei que posso contar, que eu me alegro só de ver, que me faz muito feliz...

Verônica sentiu mais confiança em dizer aquilo que pretendia. E, sem demora, disse:

- Murilo, eu... eu gosto de você, muito, você me faz muito feliz também... sua amizade pra mim é essencial, só que... - parou de falar.

- Só que... O quê? - Disse Murilo curiosamente e ansioso pela resposta de Verônica.

- Só que... que eu te amo. Pronto, é isso... eu te amo, foi você que me despertou um amor que eu jamais tinha vivido. Eu... eu queria viver isso... mas eu nem sei se você me... me vê da mesma forma que eu te vejo.

- Verônica, esperei tanto por ouvir isso. Disse a mim mesmo que nunca iria ouvir isso, que você é uma mulher casada, que ama os filhos e o marido, jamais pensei que eu fosse correspondido. Ah... você não sabe o quanto me alegra saber que me ama, Verônica. Eu te amo tanto, esperei tanto por isso...

Os rostos de ambos foram se aproximando lentamente, docemente. E o beijo mais doce, mais apaixonado, mais esperado aconteceu. Os dois se olharam por alguns segundos e Murilo falou:

- E agora, meu amor? Como fica tudo isso? E os seus filhos, como reagirão?

- Não sei, meu bem. Não sei como reagirão, acho que vão me odiar, eles amam o pai, não suportariam uma separação, mas eu preciso me separar, sei que com o tempo eles se acostumam.

- Está bem, meu amor. Quando pretende falar com eles?

- Hoje mesmo. Hoje assim que chegar em casa, chamo os garotos e converso com eles. Depois quando Jefferson chegar, falo com ele, explico... Não sei se ele vai entender, mas eu preciso tentar explicar.

- É, sim, amor. Você não pode ficar assim, nessa agonia, precisa tomar uma decisão, um rumo. Olha, querida, não quero te apressar, mas já está acabando a hora do almoço, faltam apenas 5 minutos.

- Nossa, o tempo voou. Vamos, então.

Voltaram ao trabalho com uma felicidade quase completa. Eles se amavam, o único problema era como o marido e os filhos iriam reagir ao saber desse amor.

Depois de um dia de trabalho puxado, Verônica chega do trabalho decidida a conversar com filhos. Só não sabia como começar. Jonatas já tinha 12 anos e Victor 9. Achou que talvez fosse fácil de explicar o que estava se passando. Não foi, eles entenderam bem, só que não concordaram em nada. Jonatas falou que era ela uma traidora, que o pai a amava tanto e ela foi se apaixonar por outro homem, que jamais perdoaria isso. Victor ficou muito chateado com aquilo tudo também, mas, ao contrário do irmão, foi para o seu quarto depois de olhar tristemente para mãe e se pôs a chorar. Jefferson chegou e a casa estava com aquele clima pesado... Jonatas olhava com raiva e tristeza para mãe, Victor estava num canto calado, triste também. Jefferson perguntou o que estava acontecendo ali. Verônica lhe explicou tudo. Contou-lhe do seu amor por Murilo, da rejeição das crianças pela ideia. Jefferson ficou transtornado ao saber que ela estava amando outro. Não pode aceitar aquilo de jeito nenhum. Disse que ela era uma falsa, que ele só tinha dado amor a ela, e ela tinha se apaixonado por outro, que seria melhor se tivesse a traido várias vezes, assim ela iria gostar dele. Jefferson disse que não queria mais ver a cara de Verônica e que só daria uma semana para ela sair de casa que, agora, era dele. E que ela não iria mais ver os filhos. Ela revidou, brigou e disse que já queria guerra, ele ia ter guerra. Disse que ia contratar um ótimo advogado para tratar de ter a guarda dos filhos.

Saiu de casa dois dias depois da briga. Foi morar com Murilo. Nesse momento tão difícil, Murilo era sua fortaleza. Ele tinha um amigo que era um ótimo advogado e que iria fazer de tudo para Verônica ter a guarda dos filhos. Os dias iam passando, a saudade dos filhos aumentava cada vez mais... ela não tinha autorização de ver os meninos mais. Agora lutava na justiça para poder os ter de volta. Depois de muita luta, muita briga, o juiz decidiu que o pai é que teria a guarda dos filhos e que Verônica só poderia vê-los a cada quinze dias. Verônica ficou desolada, pensou se aquilo tudo iria valer a pena, trocar os filhos por um homem, por mais gentil, carinhoso, por mais que ela amasse o Murilo, ela não sabia se aquilo ia valer a pena. Murilo ao ver sua aflição, lhe deu total apoio, tentou acalmá-la, tentou fazer dos dias dela os mais felizes possíveis. E estava conseguindo. Verônica estava sendo feliz como nunca tinha sido antes. Eles trabalhavam durante o dia, quando saiam do trabalho, iam ver o mar, dançar ou jantar. Sempre Murilo inova com alguma coisa. Gostava de dar flores para Verônica, bombons. Era um cavalheiro daqueles raros. Mas Verônica sentia falta de estar com os filhos. Às vezes raras vezes que os viam, eles mal a olhavam pra ela, ainda estavam muito magoados e pareciam ficar assim pra sempre. Isso entristecia demais Verônica. Encontrava forças para prosseguir em Murilo.

Após 5 anos de separação, as feridas ainda permaneciam abertas. Os filhos estavam irredutíveis. Verônica andava abatida com aquilo. Murilo ao ver toda aquela tristeza de Verônica, mesmo tentando fazer de quase tudo para animá-la, resolveu pedir férias pra ele e pra ela. Conseguiu. Resolveram viajar. Pegaram a estrada às cinco da tarde. Verônica reclamou, disse que logo, logo iria anoitecer, e ficaria perigoso pra viajar à noite. Murilo, acostumado a fazer viagens noturnas, tentou tranquilizá-la. Pegaram a estrada. Depois de uma hora de viagem, a chuva começou a cair, fortemente, deixando Verônica com um mal presságio. Murilo mal conseguia enxergar, estava ficando cada vez mais difícil de dirigir. Numa curva, com a chuva, o carro derrapou. O carro se chocou em uma árvore, o choque foi tanto que os dois desmaiaram. Ficaram lá durante um tempo, até que alguém chamou uma ambulância. Os filhos de Verônica e o ex-marido foram avisados do acidente. Eles ficaram desesperados e culparam Murilo. O impacto que Murilo sofreu foi muito menor do que o de Verônica. Murilo acordou com muita dor na cabeça. Ficou em observação durante dois dias, foi devidamente medicado e liberado. Verônica entrou em coma. Murilo estava inconsolável, não saia do hospital por nada. Fez do hospital a casa temporária dele. Ansiava por uma resposta dos médicos, esperava que Verônica acordasse e acabasse com aquele pesadelo. Do outro lado, os filhos choravam e se arrependiam amargamente de terem maltratado a mãe, que se pudessem voltar atrás, ia ser tudo diferente. A ideia da mãe morrer os aterrorizava.

Após dois meses em coma, e muito sofrimento de dois filhos arrependidos e um Murilo desesperado, com as esperanças quase se esgotando, Verônica saiu do coma. Os filhos ficaram radiantes de felizes. Choraram de alegria, pediram desculpas. Disseram que tinham sido egoístas com ela, que não haviam pensando na felicidade dela, e apenas na deles. Disseram também que poderam ver o amor que o Murilo tinha por ela, ela não havia saído do hospital para quase nada. Só saia porque precisava tocar a vida de algum jeito, mas a maior parte do seu dia era lá no hospital, esperando que ela acordasse, e quando não estava lá, ligava constantemente para saber notícias dela. Verônica ficou nas nuvens com aquilo tudo. Se entendeu com os filhos, tinha o melhor homem do mundo ao seu lado e ainda tinha dado uma rasteira na morte. Depois de Verônica se recuperar completamente, conseguiu desfrutar de uma vida que ela nunca pensou que teria. Conheceu a felicidade plena. Os filhos dela pediram autorização ao pai, o pai liberou para que eles a vissem sempre que a saudade apertasse. E isso era sempre. Eles passaram a ver o Murilo de uma forma melhor, como o homem que ama a mãe deles e que só quer vê-la feliz e que também não era inimigo deles, eles puderam conhecer o grande homem que Murilo era, alegre, simpático, inteligente, com várias histórias pra contar. Verônica, Murilo e os filhos viveram dias incríveis juntos. E até o pai, que a essa altura tinha arrumado uma namorada, saía de vez em quando com eles. Todos eles puderam enxergar a verdadeira essência do amor, que não é prender, não é ser egoísta, que é pensar na felicidade do outro, compreender, ver quando é hora de parar, ver quando é hora de seguir viagem por outra estrada e assim ir vivendo, aprendendo e amando sempre.


(Erica Ferro)

2 comentários:

  1. faculdade de jornalismo. *-*

    bonita história, gostei...
    escreveu bem :D

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  2. Eliebertson S. Santos21 de março de 2009 03:20

    Erica...
    De mais essa história; estou impressionado com o seu começo, meio e fim da mesma.

    Parabéns!

    \o/\o/\o/

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