25 agosto 2009

Um dia de pesadelos...

Tantos acontecimentos num mesmo dia. A morte do pai, o infarto da mãe e o desespero do irmão. E ela? Ela ficou sem reação, chocada, absorta em pensamentos.
Não podia ser verdade que seu pai, seu querido pai, tivesse morrido num acidente de moto.
Não, não podia ser verdade que sua mãe, ao saber a notícia da morte do pai, tivesse sofrido um infarto e estivesse à beira da morte.
Era um pesadelo. Sim, um horrível pesadelo! Não, não, ia além de pesadelo, era quase irônico. Ironicamente verdadeiro, um pesadelo.
A tia tinha se oferecido a ficar no hospital com a irmã, mãe de Pâmela. Disse que ia ficar tudo bem, que Jussara ia melhorar, que ela era forte. Pâmela fez um gesto de cabeça, como se dissesse "eu acredito". Mas um acredito bem cansado e pouco crente, na verdade.
Ela estava realmente a ponto de desabar. Um corpo frágil como o dela não havia de suportar uma montanha rochosa caindo sobre ele, o esmagando. Não havia mesmo.
Na cama, olhando para o que estava além da janela, uma chuva fina, como se o céu estivesse chorando, se compadecendo de sua desgraça e dor, lembrava dos olhares dos vizinhos, olhares como de quem se desculpa, de quem abraça com um sorriso meio envergonhado, mas reconfortante. Não, não era olhar de quem quer confortar. Era pena mesmo, ela sabia.
Mas não tinha raiva de que sentissem pena dela, não tinha forças pra isso. Ela se sentia desgraçadamente miserável, triste também, absolutamente triste. Tudo havia perdido a cor, o brilho e o cheiro. A vida perdeu o sentido. Não havia mais razão para comer, dormir ou viver. Não havia mais. Mas, sobressaltada, teve um lapso de sanidade e revelação "Não, não, eu ainda tenho razão para viver. Minha mãe ficará boa, eu sei. Não pode acontecer tantas desgraças com uma pessoa que tem apenas 12 anos. Não, não pode."
Caiu num choro forte e ininterrupto. O que tinha vivenciado naquele horrível dia parecia disco arranhado na cabeça da pobre menina - Pâmela achava que não conseguiria dormir, que morreria de tanta dor e agonia. O que ela não compreendia, pois não tinha condições de pensar logicamente, era a possibilidade de os pensamentos cessarem.
De tanto chorar e pensar nas coisas horrendas e quase inacreditáveis daquele dia, dormiu. Sonhou que tudo aquilo não passava de um horrível pesadelo, que a mãe e o pai estariam esperando ela e o irmão para mais uma refeição matinal.

(Erica Ferro)



P.s: Conto feito para o Once upon a time (tinha postado esse conto no Pensamentos Devaneantes, no dia 23/08). Um concurso para blogueiros bem interessante. Toda semana é dada uma frase e nós, blogueiros, temos que criar um conto com a frase dada. A frase da semana passada foi essa que está em destaque. Hoje saiu o resultado. Ganhei em primeiro lugar (detalhe: nunca tinha ganhado no Once upon a time). Fiquei bem feliz, até porque fiz esse conto no domingo à tarde, digamos que meio que de última hora, mas tudo bem. Deu certo.
Bom, por hoje é só.
Grande abraço pra vocês.

17 comentários:

  1. Como pode uma pessoa com apenas 12 aninhos de idade ter tanta má sorte assim na vida!?
    Deusulivre!

    bjbj

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  2. *__*

    Quem não daria 1º lugar também? É porque eu não sabia... se não votaria em você também!

    Você merece pela forma sincera com escreve... Meus Parabéns por este dom!

    E obrigado pelas visitas e comentários, sua presença é um brilho à mais em meu blog!

    Beijo Doce!

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  3. Parabéns por mais essa conquista. Você é merecedora!
    beijos

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  4. Então admiras uma menina que dançou rouge? hahaha. Eu é que sou sua fã!
    No começo do texto comecei a ficar triste e não parava de pensar nos meus pais, achei que fosse fato verídico. Aos poucos foi ficando cada vez mais envolvente e aquela frase singela tornou-se conto dos mais profundos. Acredito que você mereceu mesmo o prêmio, apesar de eu nem ter lido os outros contos... enfim, parabéens! *-*
    Os seus comentários são tão emocionantes, você não tem ideia do quanto é bom lê-los.
    Gostei muito que aquelas palavras numa tarde de domingo surtiram efeito, espero que elas possam mudar o que precisa, quem sabe não me mudem também? Ando precisando.
    De nada, pelo selinho e o meme, você merece (:
    Beijos

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  5. Tantas coisas ruins aconteceram com ela...Acontece com a gente,na vida real...é triste...Mas real...Nos deixa triste,mas por um momento temos que saber nos reerguer...e sermos fortes!

    Linda história...*.*

    Bjs

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  6. essa sim teve que crescer cedo..
    Oarabens por ter ganhado..
    nem sabia q existia o concurso Oo
    =p

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  7. Adorei o texto.
    E parabéns, por você ter ganho. =]

    BeijOs

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  8. Acho que morte etá me perseguindo hj o.o
    Escrevi sobre isso no meu blog e esse é o terceiro blog que eu vou que fala sobre isso...
    Mudando de assunto teu conto ficou bom.

    ;**

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  9. parabéééénsss florr pelo conxurso láá! cê merece!!

    *-*

    bjos

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  10. Ficou mutio bom Èrica. Parabéns!

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  11. E mesmo sendo para um concurso, tuas letras me doeram.
    E me fizeram pensar em como a morte é coisa estúpida. E deixa feridas permanentes.

    Beijo, moça.

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  12. Acabei de lembrar que não tinha vindo aqui ler o teu conto, mas acabei de lê-lo!
    Tá ótimo, amiga! Muito bom, como todos os outros! Parabéns!

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  13. Também com um texto deste tinha que ganhar mesmo!
    Morro de medo de minha mae e meus pais morrerem!
    =/

    Um beijo queridaaa!

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  14. Parabéns pela vitória.
    Mas também, lendo o conto, percebi que não tinha como ser diferente.
    Muito bom.
    Beijos.

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  15. Aaaiii Eriquiinha! ><

    Eu tenho que me preparar quando for ler outro comentário como o seu.! Rsrs' Muito obrigado mesmo pelas palavras, me fizeram muuito bem!

    Você é assim também, toda especial. Merece um mar de sonhos e todo um mundo de realizações!

    A Clarice é perfeita, ela escreve com a alma, diferente de tudo e de todos! Não há quem a consiga ultrpassar!

    Beijo Doce, minha querida!

    ;*

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