30 julho 2010

Provação

O meu maior erro foi achar que erros são sempre acontecimentos ruins e infrutíferos na vida. Ora, aquele clichê que errar é humano é tão verdadeiro quanto dois mais dois são quatro. O ser humano precisa errar para se encontrar ou se perder de vez na vida. Tentar algo é estar sujeito ao sucesso ou ao fracasso.
Há riscos que precisamos correr. Riscos estes que podem nos proporcionar o que sempre desejamos. Se der errado, se não for como pensávamos que seria... E daí? Como saberíamos que não daria certo se sequer tentássemos? Erramos, mas foi um erro necessário, um erro que sentenciou de vez a questão.
Há coisas que fazemos que já sabemos que não é algo bom, que não é algo "legal", mas, não sei... Parece que queremos ver no que é que dá, precisamos quebrar a cara, nos ferir e cair do precipício para entendermos e sentirmos na pele as consequências dos nossos erros. E nos arrependemos. Se arrepender não é algo vergonhoso, humilhante. Se arrepender prova que você tem noção do quanto foi falho e o quanto sabe das suas limitações. Eu não posso acreditar que há pessoas que não se arrependem de nada que fizeram ou deixaram de fazer. Na minha opinião, há pessoas que não gostam de mostrar as próprias fraquezas. Gostam de passar a imagem de uma pessoa sempre muito bem resolvida, muito "desencanada". Só que eu ainda alimento a ideia de que, essas mesmas pessoas que aparentam tamanha fortaleza, choram de quando em quando em seus travesseiros, se lamentando por algo que realizaram ou aquela oportunidade perdida de fazer o que tanto se queria fazer.
Não digo que errem sempre. Não digo que se joguem a qualquer tipo de perigo. Que metam a cara sem medo na vida, em qualquer que seja a aventura. Digo, apenas, que não se limitem ao que conhecem, que não tenham medo de sofrer por algo que não surtiu o efeito esperado.
É preciso provar da vida e ser provado por ela. Essa é graça. E, nessa provação toda, os erros estão inegavelmente mais do que presentes.

(Erica Ferro)

* * *

Pauta para o Blorkutando.
Tema: "O meu maior erro foi...".

* * *

Cacetada! Apareci por aqui. Como vão?
Olha, trocentos mil anos que não participo do Blorkutando, mas resolvi participar essa semana.
Na verdade, estava pensando nisso hoje, em erros e chances desperdiçadas. Então resolvi escrever e, aproveitando o ensejo, atualizar o blog. Não vou responder todos os comentários do último post agora; não sei se conseguirei responder todos os comentários hoje. Mas enfim, no mais tardar, amanhã passo no blog de todas pessoas que passaram pelo meu penúltimo post. Porque, por mais que ultimamente eu não tenha acompanhado os blogs que sigo, tenho uma certa consideração e respeito por quem me visita.
Um abraço da @ericona pra vocês, blogueiros. E um ótimo fim de semana.

22 julho 2010

Amo. Sem sonhos.

Canso-me do não-ser e resolvo não querer mais nada.
Canso-me do não querer mais nada e volto a querer muito, tudo.
Canso-me das coisas improváveis da vida e perco a fé em qualquer palavra bonita.
Canso-me de viver sem nenhum tipo de crença e volto a crer no amor.

É preciso amor. Amor em suas variadas formas.
Amor em sua melhor forma: o amor despretensioso.

Você chegou num dia em que eu não queria mais nada.
Pois eu já tinha cansado de tudo que não foi.
A não-reciprocidade me sugou quase todo o meu acreditar.
Mas ainda bem que ela deixou intacta a minha capacidade de amar.
E eu voltei a querer tudo.
Voltei a querer ser a melodia da canção de alguém.

E há tempo cansei-me de novo. De novo e sempre.
Cansei de esperar retorno de qualquer coisa, da vida, eu diria.
Das coisas da vida.
Entendi que há beleza no amor despretensioso.
No amor só por amar. Sem esperar. Sem devanear.
Eu te amo sem sonhar. E isso me basta. Hoje me basta.

(Erica Ferro)

* * *

Oi, oi! Como estão?
Como viram, não demorei muito pra voltar. Tenho algumas coisas que querem sair da "cachola", mas essa de hoje era a mais urgente.
[...]
Visitem o Pensamentos Devaneantes.
Um abraço da @ericona.


17 julho 2010

A gente reclama - Nivaldo Pereira

A gente reclama do calor. Que bafo! Não dá para caminhar na rua! O sol está de torrar os miolos. Imagine quem tem que trabalhar no campo. Se a gente estivesse na praia, não fazia um sol desses.

A gente reclama do frio. Meu Deus! É de renguear cusco. Isso é lugar para viver? Isso é clima de gente? É dose sair de casa entrouxado. E levantar da cama? E a hora do banho? Horrível! Viver aqui é desumano.

A gente reclama da meia estação. Credo, quatro estações num dia é para matar! Tinha sol há 15 minutos, e olha a cerração! Assim não há saúde que aguente. É um tal de tirar roupa e botar roupa... Ah, ainda ganho na loteria e caio fora daqui.

A gente reclama da fila no caixa eletrônico. Gentalha burra! Que adianta informatizar tudo num país de analfabetos? Aquela nem sabe usar o cartão. Aquele ali vai levar uma eternidade com tanta conta a pagar. Ah, não, dia de pagamento de aposentadorias...

A gente reclama na fila do bufê. Essa gorda vai fuçar tudo até achar o pedaço que quer. Esse aí não sabe do que gosta. Olha a lenta! Ah, não, mãe fazendo prato de criança, ninguém merece. Senhor, dai-me paciência, senão eu tomo o azeite da mão dessa lesma.

A gente reclama de quem cria. Que bobagem. Que horror. Coisa feia. Quanto amadorismo. Sempre os mesmos. Poupe-me. Eu é que não vou pagar para ver isso.

A gente reclama de quem não cria. Nada para fazer numa cidade desse tamanho. Os artistas não se mexem. Tanta história legal para resgatar. Tanto potencial. Não tem cabimento essa miséria cultural. Onde estão os produtores?

A gente reclama de quem reclama. Que gente insatisfeita. Nada presta, nada vale, por que não vão embora? Que mania de criticar. Reclamam de barriga cheia.

A gente reclama de quem não reclama. Por isso o Brasil está desse jeito. Povinho acomodado. Políticos determinam e ninguém se mexe, ninguém faz nada. Que saudade do movimento estudantil. Em outro país, isso seria motivo de revolução.

A gente reclama por reclamar. A gente só sabe reclamar.

A gente é você, ele, nós. A gente é todo mundo.

E eu? Ah, eu estou aqui, outra vez, querendo reclamar não sei bem de quê...

(Nivaldo Pereira)

* * *

Alô, blogosfera! Depois de uma semana, exatamente uma semana, eis-me aqui, com a mesma face, com a mesma loucura e é isso aí. A mente anda meio louca, perturbada e, por isso, as ideias estão num estado de confusão total. É normal, é normal. Ser louco é normal; o anormal mesmo é ser normal. E tenho dito!
[...]
Bela crônica do Nivaldo, não é? Um beslicãozinho no bracinho dos reclamões (estou nesse grupo que reclama um bocado, e de quase tudo). Reclamemos menos e vivamos mais, tentando sempre ver o lado positivo de todas as coisas.
Ah! Uma notícia muito boa pra vocês, blogueiros: o autor dessa crônica, grande jornalista, cronista e etc., Nivaldo Pereira, entrou para blogosfera. Sim, isso mesmo! E vocês podem encontrá-lo na Terceira Casa. Visitem-o, conheçam-o e apaixonem-se pelas palavras do grande Nivaldo!
[...]
E, gente, não sei quando volto a atualizar o Sacudindo Palavras. Talvez seja amanhã, talvez seja daqui a uma semana, um mês... Não sei, não sei mesmo. Estou numa fase de insatisfação muito grande com tudo, isso inclui o que eu escrevo. Enfim, enfim... É isso!
Um abraço da @ericona.

10 julho 2010

Eis a graça

Não, eu não quero ouvir o que eles dizem. O que eles dizem? Eles dizem tantas coisas, mas tantas coisas, que eu não posso sequer pensar e dizer qualquer coisa que seja.
Eles pensam e dizem por mim. E eu não quero mais isso. Eu quero me isolar e descobrir quem eu sou, o que eu penso e sinto: sem influências ou qualquer outro contato com alguém "pronto".
Há alguém pronto, aliás? Não! Eu estou falando besteiras. Não existe ninguém pronto. Já diria Raul: somos uma metamorfose ambulante. Estamos sempre em formação, em mutação de ideias e comportamentos. Mas, entenda, eu não quero ver, ouvir ou sentir o mundo. Eu quero me ver, me ouvir e me sentir. Sentir a minha essência. A minha! O mundo me confunde e me tira de mim. As pessoas bagunçam o meu cérebro, expulsam minhas ideias, me impregnam com as delas. Não! Não me chame de fraca ou de influenciável. Olhe pra você e me diga o que é você, só você, em você. Me diga! Você não é original. Você é uma mistura de tudo o que já foram. Você é uma mistura de tudo o que vê e ouve. Eu sou assim também.
E essa é agonia: é saber que você não é você; que você se perdeu de você desde que passou a conhecer o mundo.
Somos o mundo? Espere! Somos o mundo?! Somos o que vemos e ouvimos? Não há problemas em sermos um pouco de tudo que há e do que houve um dia? Não há como se formar sozinho, sem deixar se influenciar e ser tocado pelas coisas existentes nessa vida?
O problema é que não há problema? Isso é realmente um problema. É preciso ter um problema a ser resolvido. Não ter problemas na vida é algo que verdadeiramente frustra. O que resolverei se já está tudo resolvido? Não haveria motivos para chorar ou mover um músculo do meu corpo.
Baguncemos tudo! Coloquemos o mundo de cabeça para baixo. Desgovernemos o trem das onze e meia. Tentemos entender essa loucura, ainda que nunca concluamos nada em definitivo. Tentar é o que vale. Tentar qualquer coisa que seja prova a nós mesmos que estamos vivos, que podemos nos mexer; e, nesse movimento, podemos chegar a algum lugar.
E é por isso que eu ando. E é por isso que eu enlouqueço. E é por isso que eu devaneio. E, enquanto vou vivendo, vou tentando entender a complexidade da vida. Eis a graça de se estar vivo.

(Erica Ferro)

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Cacilda! Que texto devaneado, louco, doidão! Bem no estilo do Pensamentos Devaneantes (visitem, visitem!). Mas enfim, são pensamentos agoniados, meio dramáticos e insanos, porém são meus, e eu não me envergonho deles.
O negócio é o seguinte: hoje é o meu último post no Divã Cor de Rosa. Sim, é o meu "adeus". Lá explico tudo direitinho, vejam aqui.
Um abraço.
Hasta!

08 julho 2010

Ele nasceu para o nada

Foto retirada do Tumblr


"Tô cansado! Cansado de tudo. Vivo numa eterna agonia, um desespero sem nome e aparentemente sem solução. Vivia deslocado, pelos cantos, o excluído, o esquisito, sem vida sem social; que não falava o que pensava ou o que desejava, um covarde, que negava usar a vida que Deus lhe deu. Só não sei viver, não sei para quê vim ao mundo, não descobri o sentido da minha vida e talvez nunca descubra - esse é o meu inferno, o motivo de todas as minhas crises e todos os meus choros. Foi, então, que adotei um estilo de vida radical: skate na mão, rumando a praça perto de casa, sentindo a vida rodopiar e o sangue correr mais rápido por minhas veias. Foi o modo que eu encontrei de me sentir vivo, mesmo sem sentido, mesmo desse modo perigoso. Radical. É tudo que a minha vida não é. Não adianta negar, cansei do skate, cansei todas as manobras que eu já fiz, desde as simples até as mais perigosas. Desisti de viver assim. Eu não sou um cara que vê sentido em viver radicalmente; talvez eu só entrei nessa vida louca porque já estava cansado de ser o idiota da família, o cara que terminou o colegial e vivia enfiado nos livros, mas sem nenhum desejo de seguir uma carreira específica, sem nenhum caminho certo a seguir. Na verdade, eu queria provar que eu era alguém interessante ou que eu poderia ser alguém interessante, porque, na verdade, nem sei o que sou, se sou interessante ou não. Só sei que a minha vida foi um grande nada. E acredite quando digo nada. Acho que nasci para isso mesmo: para o nada. E isso é o que me agonia desde o meu primeiro choro."

(Erica Ferro)

* * *

"Mini-conto" para a 18ª edição do projeto "Mil palavras", idealizado pela Bárbara Farias, do blog Ella en palabras.
Espero que não relacionem o texto comigo; é sempre frustrante constatar que algumas pessoas acham que tudo que se escreve é autobiográfico.
Só mais uma coisa: em toda a minha vida bloguística, já recebi inúmeros selos, memes e essas coisas fofinhas que os blogueiros repassam e tudo mais, mas nunca tive paciência para postar os que ganho (peço desculpas por isso, mas é coisa minha...). O que eu quero dizer é que me sinto feliz quando vocês lembram de mim na hora indicar os "blogueiros ganhadores" de tais mimos, mas infelizmente eu não tenho disposição para postá-los aqui. Vocês hão de me entender ou, no mínimo, respeitar essa minha chatice (risos). Sim, sou bastante chata.
Um abraço da @ericona.

05 julho 2010

O inevitável da vida

As pessoas mudam. É, isso é uma máxima muito verdadeira. As pessoas mudam, para melhor, para pior: mudam. As pessoas não são perfeitas e nunca serão. Isso também é uma máxima verdadeiríssima. Ainda que as pessoas não sejam perfeitas, nós exigimos isso delas. Não uma perfeição total, mas desejamos o máximo de acertos possíveis da parte delas. E, quando elas nos decepcionam, em atos feitos e/ou não feitos, logicamente, elas "caem" no nosso conceito. É inevitável se entristecer com as pessoas. Sim, eu sei que é inevitável e normal. E também sei que as pessoas irão nos decepcionar sempre. Mas o fato é: as pessoas mudam. E em nome de que devemos mudar? Mudar por si mesmo, por achar que há um necessidade maior dentro de si que clama por isso, é uma razão para modificar nosso caráter e nossas ações. Mudar para satisfazer a própria vontade e a vontade do outro, para que, assim, se possa ter uma convivência melhor e mais harmoniosa, tudo bem - é uma causa nobre e totalmente digna. Mas mudar para agradar a um grupo dominante, para se adequar ao que chamam de "certo", quando o certo pode (e deve) ser questionado, testado uma, duas, quantas vezes for necessário. Seguir a maioria, fazer das palavras do outro as suas, sem sequer questioná-las, sem sequer tomar um posicionamento sobre o que foi abordado, é lamentável, é algo que só as pessoas "fracas" fazem. É triste ver que certas pessoas que nós considerávamos admiráveis, de "personalidade própria", pouco influenciáveis, mudaram para pior, abafaram seus conceitos e suas leis para falar em nome de uma causa indigna, levantando a bandeira da corrupção e das ideias condenáveis.
É realmente frustrante ver que, cada vez mais, as pessoas anulam-se em função das outras, dos pensamentos formados por um ser qualquer. As pessoas acomodaram-se às regras, aos dogmas e todas as coisas já criadas. Falta ousadia, falta vontade de quebrar todo o mundo e recriá-lo à maneira delas.

(Erica Ferro)

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Faz muito, muito tempo mesmo que não venho aqui, não é?
Larguei, mesmo, a vida bloguística. Me desculpem, de verdade.
Não é falta de tempo, é falta de vontade, de ânimo, eu diria. É, essa é a palavra: ânimo.
A blogosfera pode ser um espaço tão bom e aproveitável quanto tão inútil e fútil.
É bem verdade que conheci pessoas fantásticas por aqui, sinceras em suas opinião e incríveis em seus belos textos. O que quero dizer é que algumas pessoas infelizmente esperam apenas um comentário, mais um seguidor, e isso me desmotiva a escrever aqui. Então deixarei claro: quem visitar o meu blog apenas com segundas intenções, com o pensamento de receber mais um comentário e mais um seguidor, aqui não é o lugar. Aqui é onde compartilho dos meus pensamentos e sentimentos com todos, mas me alegro com pessoas que realmente comentam despretensiosamente, pelo prazer de comentar, de falar o que entendeu, o que sentiu ao me ler. Agradeço aos que sempre estão comigo, independente das minhas retribuições, independente de tudo, enfim. A vocês, deixo o meu abraço sincero e a promessa de que não me demoro. E se demorar, é certo que eu sempre voltarei.
Até!