25 fevereiro 2010

Faz um ano


Para você, Rayara Beatriz.

Minha pequenininha, hoje, dia 25/02, é um dia marcante. Você sabe o porquê, não é?
Sim! A razão é o seu aniversário, o seu primeiro ano de vida.
O que estava fazendo no ano passado, no dia 25 de fevereiro?
Não lembro direito. Talvez assistindo, lendo, escrevendo, acessando algum site...
Mas aí o telefone tocou, era a sua avó avisando do seu nascimento. E tão feliz ela estava! A voz embargada de um choro alegre, uma emoção primeira e única. Fiquei imensamente feliz, mas não tinha a noção, confesso, do quanto tu te tornarias essencial na minha vida.
Tu tens noção do quanto és querida por mim? Tens; no fundo, eu sei que tens. Afinal, te falo eu te amo com os olhos, com meus abraços, com meus beijinhos... Ah, tu sabes!
Meu docinho, cadê as palavras, os verbos, os elogios e todas as declarações de amor do mundo?
Perdi todo o jeito com as palavras quando pensei em te escrever essa carta, que provavelmente só lerás daqui a alguns anos. Porém, que importa, se tu já lês isso através dos meus olhos e sentes todo o contentamento de te ter por perto através das batidas do meu coração? Só será a confirmação em forma de letras.


Ah, pequenininha, quero que tu sejas imensamente feliz, que tu cresças de modo que eu perceba e aproveite contigo todas as tuas fases, que tu possas absorver as melhores coisas da vida, que tu continues transformando meus dias chuvosos em lindos dias de sol, que tu não pares de colocar a fé em meu coração quando todas as minhas crenças tiverem sido quebradas.

Esteja sempre comigo, pequena. Sempre...

Eu te preciso.


(...)

Não consigo mais verbalizar os meus sentimentos por você. Não consigo mais encontrar um adjetivo que te defina com fidelidade. Pequena, tu és mais, tão mais do qualquer palavra, adjetivo, poesia ou qualquer música que já fizeram. Isso que eu te digo, como dizem por aí, parece clichê, mas não me importa. Porque há tantos clichês encantadores, justamente por serem assim. O simples pode, facilmente, encantar. Minhas palavras são simples, escassas diante de tanto amor que sinto por ti, porém são sinceras e as mais puras já ditas até aqui.


(...)


Parabéns, Rayara Beatriz! Apenas um aninho de idade, mas que já transformou a vida de quem te cerca uma eterna alegria - principalmente a minha. Amo muito você, pequena mais fofa do universo.
(Erica Ferro)
P.s: Pessoas? Nem tenho muito o que falar, não é mesmo?
Queria muito escrever algo pra minha linda priminha, pra registrar aqui no meu cantinho o seu aniversário e a alegria que eu sinto por ele. Já são mais de 23:00; só agora consegui escrever algo que chega perto do que eu queria dizer a ela nesse dia tão especial.
(...)
Como vocês estão?
Ah, nem voltei a ler os blogs ainda. Ainda estou naquele esquema: só respondendo os comentários.

Alguém me liberta dessa preguiça?
Obrigada!
(...)
Um abraço pra vocês.
Até mais, blogueiros.

21 fevereiro 2010

Ele é demais

Ele fala demais porque teme nunca ser ouvido
Ele dança demais por medo de um dia não ter mais ritmo
Ele corre demais por medo de perder o trem das cinco
Ele ama demais porque nunca amou ninguém com verdadeiro
E puro afinco

Ele é demais porque não é nada demais
E a demasia dele é puro ultraje do vazio que nele habita
Ele pensa se preencher com as hipérboles fajutas
Compradas no meio da feira
Que besteira!

Ele foge dele mesmo porque nunca teve coragem de encarar-se no espelho
O espelho revela o mais profundo do ser
As magias mais inacreditáveis
As mágoas mais odiáveis
Os amores mais improváveis

Ele teme ele mesmo porque o mundo o chama
E ele teme o chamado do mundo
Ele teme ter ouvido errado
Teme a recepção áspera
Ele não sabe lidar com as consequências da própria existência
E por isso ele é demais

(Erica Ferro)



P.s: Gente boa! Olha só quem veio aqui de novo, haha.
Olha só, eu não voltei a ler as atualizações dos blogs que eu sigo; apenas tenho visitado quem tem passado por aqui. Na verdade, não sei o que há comigo; ando indisposta para muitas coisas.
É só um enfado passageiro, eu espero.
(...)
E o post? Totalmente poetizei a vida alheia... Esse 'ele' pode estar em muitos lugares; aliás, 'eles' existem, como 'elas' também. Sei que pegarão a ideia do poema, ou assim anseio.
(...)
Espero que estejam bem, blogueiros.
Um abraço e uma boa semana.

18 fevereiro 2010

No silêncio nos ouvimos

Hoje eu preciso me falar,
por isso cale-se.
Não veja meu ato como rispidez,
apenas cale-se sem maiores reclamações.

Preciso me ouvir,
escutar a melodia que dizem emanar de mim.
Preciso me olhar,
enxergar os defeitos e solucioná-los, enfim.

Não quero aplausos.
Não quero tapinhas nas costas.
Não quero holofotes.
Não quero câmeras.
Não quero reconhecimento alheio.

Eu só anseio hoje, mais do que nunca, me reconhecer;
pois, quando a tempestade chegar, as ruas ficarem vazias, eu estarei na calçada,
sentada, a chuva batendo em minha pele e alegria pulsando em minhas veias.
Estarei sozinha, mas a minha presença bastará,
pois eu não precisarei de que ninguém confirme o que sou;
eu serei clara o suficiente pra mim.

Hoje...
Ah, hoje eu só quero me ouvir!

(Erica Ferro)


P.s: Oh Deus! Quantos séculos não venho aqui? Duas semanas, ou quase isso; muito tempo mesmo. Acho que foi o maior afastamento de todos. Primeiro, vou confessar, eu tenho tentado fugir do assunto principal que me leva a escrever, talvez porque ele não tenha futuro e só me faça devanear sobre ele. E devido a isso, tenho me escondido das palavras, tenha temido o ato de escrever pra não revelar coisas que eu sei bem, mas insisto em esquecer.
Segundo, quando pensava em dar o ar da graça aqui no blog, a internet, simplesmente, deixa de funcionar. Isso aconteceu na sexta passada, a danada só voltou a funcionar ontem, mas ontem o entusiasmo pela volta dela foi tão grande, que não tive como escrever nada.
Há tempos que não leio as atualizações dos meus "seguidos", e será impossível ler todas que perdi por esses dias. Por isso, comecei a responder os comentários do post anterior, mas não deu pra responder tudo hoje, afinal eu queria postar aqui; mas amanhã continuo. E claro, pouco a pouco, volto a acompanhar os blogs que sigo.
Estou muito feliz de ter voltado aqui, viu?
Quando eu começo a ler os posts de vocês, eu penso: "Oh Deus, não posso ficar longe da blogosfera. Esse povo é fantástico!". E por favor, não vejam isso como bajulação, certo? É que, poxa, muitos de vocês escrevem como verdadeiros escritores.
Amo muito tudo isso! (risos)
Um abraço forte da @ericona.

07 fevereiro 2010

Cuidado com bestas-fumegantes

Num ônibus qualquer, duas pessoas quaisquer e um diálogo, ou quase um.

- Que calor! - Inaugurou, o que deveria ser um diálogo, o rapaz com cara de muitos amigos, muitíssimos, sorriso largo e muita vontade de puxar papo. - Né? Ontem choveu tanto, mas eu sempre sei que, quando chove muito num dia, é porque no outro há grandes possibilidades de fazer um belo, e caloroso, dia de sol.
- É... - Disse, sem nenhum entusiasmo e sem olhar para o interlocutor, em resposta, a moçoila de cabelos lisos, cara de poucos amigos e nenhuma vontade de conversar algo.
Valéria, essa era o nome da mocinha calada. Estava com um livro nas mãos, "Papéis Avulsos", Machado de Assis.
Jorge, o rapaz "falante", não satisfeito com o "É" sem graça de Valéria, tenta outro tema:
- Gosta de Machado de Assis? Já li "Dom Casmurro", obra dele também, gostei, mas prefiro outros escritores.
Valéria não podia acreditar que outra vez aquele cara inconveniente tinha interrompido sua leitura mais uma vez, olhou pra ele com uma cara de impaciência e disse secamente:
- Gosto.
Jorge não conseguia entender o porquê de uma moça tão bonita, que parecia tão culta, ser tão antipática e pouco comunicativa. "O que há com ela?", ele se perguntava.
A cabeça dele, como nunca fora muito tranquila, pensava em mil e um assuntos para fazer aquele diálogo realmente ser um diálogo. Pensou em falar de literatura, mas, pela primeira vez, teve medo de levar um "chega pra lá" da mocinha do ônibus, que estava sentada ao seu lado, mas ao mesmo tempo tão distante e fechada em seu mundo.
- E de Clarice, você gosta? Clarice Lispector?
Terceira interrupção, Valéria respirou fundo, voltou a cabeça para Jorge e disse:
- Sim. - Logo voltou os olhos para o livro.
"Hum, ela gosta de Clarice, mas e agora? O que digo? Ela não parece interessada em dialogar. Por que ela tem que ser tão seca nas respostas? Por que ela não abre a porta para eu poder entrar? Aliás, o que é que eu estou dizendo? Por que estou me importando tanto em puxar assunto com ela? Ah, sou mesmo um idiota!". Mas Jorge, mesmo sabendo que era uma idiota, ou pelo menos achando, principalmente naquele momento, não desistiu da ideia de fazer aquele morena falar mais que uma palavra, uma frase completa, pelo menos.
- Acho Clarice profunda e enigmática, você não acha?
Quarta interrupção, Valéria estava prestes a perder seus bons modos. "Por que esse cara não cala essa boca? Por que não me deixa em paz? Mas que saco! Só quero ler Machadinho em paz, será pedir muito?". Então saiu a resposta daquela boca bonita, mas pouco disposta a se mover:
- Acho.
"Credo! Que menina difícil, essa!", pensava Jorge, já estava cansado daquelas respostas curtas e secas. Não conseguia fazer aquela enigmática moça falar mais do que uma palavra. Insistindo e correndo o risco de levar outra resposta seca, perguntou:
- Já leu "A hora da estrela"?
Quinta interrupção, Valéria não aguentou mais e descarregou:
- Escuta aqui: será que é tão difícil pra você calar essa boca? Não percebeu que eu estou aqui, no meu canto, querendo ler a porcaria desse livro em paz e você fica falando como uma matraca irritante?
- Mas você disse que gostava de Machado de Assis, como pode chamar o livro dele de porcaria?
- Vai à merda! Sabe onde é? Se não, trate de descobrir sozinho. Você conseguiu me irritar e até xingar, sem querer, o livro do meu Machadinho. Você é um idiota, com certeza deve ter crise existencial e ser uma pessoa carente, não é mesmo? Santo Deus, puxar assunto no ônibus, nesse calor, é querer morrer!
- Calma, precisa me ofender assim? Eu só quis...
- Conversar! Mas olha, quer conversar mesmo? Vai a uma igreja, chama um padre, um pastor, qualquer coisa. É desabafar que você precisa? De um psicólogo? Tá bom, eu pago, mas me deixa em paz, pelo amor de qualquer coisa.
Jorge estava perplexo, pensou em mudar de assento, mas não tinha como. Todos estavam ocupados. Valéria fungava como uma fera enlouquecida; se fosse um dragão, com certeza teria voado labaredas de fogo em sua cara.
Uma mulher que estava logo atrás deles, tinha prestado atenção, desde o início ao "diálogo" dos dois. E não pôde conter o riso, claro.
Passaram dois minutos de puro silêncio constrangedor. Valéria continuava tensa e pronta pra matar quem falasse qualquer coisa. Jorge, nem se movia, sabia que qualquer movimento poderia lhe custar a vida, ou quase isso.
Num salto, Valéria se levantou, Jorge afundou o máximo que pôde no assento, achando que aquele era seu fim. Mas que nada, Valéria apenas ia descer, afinal chegara em seu destino.
Olhou pra ele, com aquele cara de quem diz "Ainda não desisti de te matar!", passou por ele, engrenou pelo corredor do ônibus e desceu.
Jorge, contrariado, aliviado, um misto de sentimentos, ficou pensativo. Depois de uns minutos, sentiu um leve toque em suas costas. Virou-se e a mulher, que tinha escutado toda a conversa disse, gentilmente:
- Olha, talvez ela não seja tão brava assim, aposto que ela está na TPM. Não dê muito crédito ao que uma mulher diz ou faz na TPM. Aliás, só se ela estiver lhe ameaçando de morte com alguma arma ou objeto cortante, e o force a confessar que você a leva à sério. - Disse isso e riu.
- As mulheres são estranhas. E essa tal de TPM só agrava mais essa estranheza. Acho que vou virar gay. - Concluiu num tom de seriedade, medo e, no fundo, graça.
- Boa sorte! - E não conseguiu segurar uma gargalhada.
- Obrigado pela explicação, senhora, mas tenho que descer; minha parada, que não é a gay, ainda, é logo ali. Mas uma lição eu aprendi: nunca tente conversar com mulheres-leitoras-fechadas-em-seu-mundo, porque, geralmente, podem estar na TPM e provavelmente vão querer te matar em qualquer lugar, com as próprias mãos (ou com uma livrada certeira na cabeça) por terem, sem permissão e por puro inxirimento, invadido o mundo delas. - Jorge respirou aliviado e seguiu com a despedida. - Tchau.
- Tchau, moço. Cuidado com bestas-fumegantes.

(Erica Ferro)



P.s: Bem, como eu queria muito postar hoje aqui, mas não tinha escrito nada exclusivo, digamos assim, (re)postarei esse conto (?) que postei no sábado, no Divã Cor de Rosa. E claro, não quero que meu lado emo (sem discriminação, lógico), dramático, pseudo-poético e romântico se mostre hoje e, digamos, nem tão cedo.
Mesmo essa historinha sendo pura ficação, vou confessar: eu não gosto muito de conversar em ônibus, a não ser que eu esteja de muito bom humor e, de preferência, sem ler (detesto que interrompam a minha leitura!).
Enfim, adorei escrever isso; ri muito com as besteiras que escrevi (hahaha!). Espero que, no mínimo, vocês deem boas risadas lendo-o.
Me digam, sinceramente, o que acharam, está bem?
(...)
Não sei se já disse alguma vez, mas eu tenho uma conta no Formspring.me (sim, o novo vício, a nova moda...). Coloquei uma "caixinha de perguntas" logo ali, ao lado; caso queiram perguntar algo, é só ir lá e perguntar, okay?
Excelente semana pra vocês, viu? Vivam!

Um abraço da @ericona.

05 fevereiro 2010

Mastigar pedras

A impossibilidade me atrai, mas me desgasta.
É como nadar contra maré,
querer sentir frio no calor,
calor no frio.

Quanto mais difícil, melhor.
Maior a motivação.
Quanto mais complicado, mais intensa é a vontade de aprender,
de acertar o x da questão.

Só que dizem que há uma tênue linha entre impossibilidade e imbecilidade,
e eu até agora não a vi.
Continuo me cortando com as facas da imbecilidade,
mas jurando estar manuseando as da impossibilidade.

Juro o que não posso jurar,
por não saber que estou jurando falsamente.
Sangro pelas feridas que eu mesma fiz,
mas sem ter a intenção de as fazer.

Tudo em prol da impossibilidade,
de teimar em realizar o irrealizável,
de conquistar coisas inconquistáveis,
de querer mastigar pedras sem quebrar os dentes.

(Erica Ferro)



P.s: Manterei a subjetividade, ou seja, não explicarei o post.
Sintam-se à vontade pra interpretar.
Hoje, estou uma mistura de concisão e subjetividade, se é que essas duas coisas podem se misturar uniformemente.
Amanhã é meu dia no Divã Cor de Rosa. Querem conferir? Cliquem aqui.
Um abraço e até a próxima.

02 fevereiro 2010

Poesia que vive em mim

Ah! Esses teus olhos enigmáticos,
nunca hei de os desvendar.
Sabe, ensaio frases pra te falar,
não de amor,
apenas perguntas.

Quero te conhecer,
saber do que tu tens medo,
do que faz teu coração bater acelerado,
descompassado.

Quantas paixões tiveste?
Quantas bocas beijaste?
Quantos sonhos teus por água abaixo foram?

O que tu escondes por trás dos teus olhos?
Choras à noite?
O que pensas quando acordas?

Anseio em saber do que se passa em tua mente.
Insano desejo!
Nunca hei de saber,
nem que me contes,
pois tu sempre hás de esconder algo.
Tu és poeta,
e tua poesia vive em mim.

(Erica Ferro)



P.s: Sim! Mais uma pra você, poeta. Mais uma que não lerás; e eu não sei se respiro aliviada ou se choro. Pouco importa, principalmente pra você, suponho. É "apenas mais uma de amor".
(...)
Bom, caríssimos, não pedirei desculpas pelo post dedicado mais uma vez pr'aquele que vive arranhando minha mente, pois, infelizmente ou felizmente, aqui é o lugar dos meus desabafos e das minhas "externações"; afinal é melhor externar aqui o que pulsa em mim do que me internar, não é? (hehehe...).
Sei que canso vocês com o meu pseudo-poetizar, mas sou assim e não posso me desculpar por ser Erica Ferro.
Um abraço da blogueira louca, pseudo-poetisa.