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20/03/16

O poder transformador do amor

Faz um mês que não venho aqui. Tanta coisa aconteceu. Coisas bonitas. Coisas não tão bonitas assim. Mas tudo, exatamente tudo, foi importante para o meu crescimento e autoconhecimento. Nas últimas semanas, participei de duas competições muito bacanas: a fase Norte/Nordeste de Natação Paralímpica do Circuito Brasil CAIXA Loterias, em Recife/PE, e a primeira etapa da Copa Hammerhead de Maratona Aquática, em Natal/RN. No Norte/Nordeste, que aconteceu nos dias 5 e 6 de março, conquistei seis ouros e muitos aprendizados, bem como superações pessoais inenarráveis.
No sábado, 12 de março, dia do Bibliotecário (minha futura formação!), tive o prazer de nadar a primeira etapa da Copa Hammerhead. Foi uma prova cansativa, mas muito tranquila. Quem me conhece, sabe que eu morria de medo de mar. Eu sequer conseguia molhar as canelas numa praia sem querer sair correndo de volta pra areia. Rolava um medo bem enorme mesmo. E hoje conseguir entrar no mar, tranquila, ficando sozinha em alguns trechos e continuar tranquila, nadando, braçada a braçada, curtindo cada segundo ali dentro, é algo impagável. Superar os medos é algo que extremamente maravilhoso e indescritível. Ganhei uma medalha finisher lindíssima e um troféu ainda mais lindo! Espero que o primeiro de muitos! 


Porém, o que eu quero compartilhar aqui hoje, até mais do que contar sobre minhas conquistas na natação, diz respeito a alguns pensamentos que vêm caminhando junto comigo nos últimos anos e que só têm me feito bem.
Quero falar sobre o amor. O amor em sua forma mais genuína e completa. Quero falar do poder do amor em minha vida. Quero falar do bem, da força imensurável que o bem tem de nos transformar em pessoas melhores. Quando nós adicionamos amor em nós mesmos, em nossas vidas e ao nosso redor, as coisas mudam pra melhor. Simples, isso. Tão clichê. Por que nos esquecemos disso? Por que nos é tão difícil cultivar pensamentos de amor? O mundo está cada vez mais cheio de ódio, de intolerância, de pessoas cheias de negatividade, que precisam de ajuda, que precisam se libertar de toda essa carga energética nociva. Tantas pessoas com corações repletos de ódio, que não conseguem se perdoar, que não conseguem seguir em frente, com a mente e o coração em paz. Quando praticamos o perdão, de coração puro e em verdade, nos libertamos e libertamos o outro. E, assim, cada um seguirá o seu destino e poderá dar continuidade a sua existência com maior fluidez e paz. Os pensamentos e sentimentos ruins nos atraem elementos negativos, que só nos atrasam, que fazem com que nossa vida se paralise, e assim travamos, passamos a ver o mundo por meio de uma lente embaçada e só conseguimos ver o mundo com olhos tristes, de desamor e desespero. Nenhum desses sentimentos nos levará a bons lugares. Não somos santos nem nunca conseguiremos ser, mas precisamos nos policiar para que nosso corpo seja morada de bons sentimentos e que nossas atitudes reflitam honestamente o que há em nós. Que o bem ande coladinho a nós. Que o amor nos contagie da cabeça aos pés. Que a paz esteja conosco. Que o perdão não seja algo tão difícil de dar e se dar. Que façamos o bem, com amor, e sem esperar nada em troca. Porque a caridade deve ser praticada pelo prazer de ajudar, pelo bem-estar de auxiliar alguém a encontrar um caminho melhor, mais florido e pacífico. Que nos permitamos ao menos ser fagulhas de paz, de amor e de esperança nesse mundo tão carente de sentimentos benignos.


Só o amor transforma. Só o amor cura. Só o amor liberta. Só o amor pode nos ajudar a superar e a vencer todas as barreiras dessa vida. A força do amor é tremenda e, diante dessa força inigualável, mal algum sobrevive. Porque o amor é revolucionário. O amor tem revolucionado a minha vida. O amor tem transformado a minha existência e dado sentido aos meus dias. Os meus sonhos são pautados no amor que eu sinto por vários elementos e pessoas. São os meus sonhos cheios de amor que me levam além. E indo além é que chegarei a lugares tranquilos, que irão me proporcionar aprendizados e paz de espírito.

Erica Ferro

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09/02/16

A difícil arte de ser resiliente

Sabe, a vida às vezes pode ser difícil pra cacete. Tem dias que nada faz sentido, que dá uma vontade de desistir de tudo, de si mesmo, dos outros, do mundo... Da vida. Tem dias que pensamos seriamente em jogar tudo pra o ar. Quando a gente apanha muito da vida, se enche de cicatrizes que parecem nunca sarar por completo, a vida fica pesada e quanto mais a gente pensa nisso, mais a gente se afunda e sufoca. "Não tá tranquilo, não tá favorável", dizemos pra nós mesmos. "Tá complicado, tá dolorido, tá impossível. Eu não vou conseguir suportar mais um dia", é o que repetimos incessantemente.

Repete tanto que isso acaba virando um mantra diário.  As pálpebras pesam e os olhos choram sem parar. As horas passam, o dia acaba mas nossas paranoias permanecem. É difícil acreditar num amanhã melhor quando tudo o que nos acontece, quando todos os pensamentos que nos assolam são cinzas e reforçam o nosso medo.

Esse inferno mental é insuportável, é enlouquecedor. O que fazer pra abrandar isso? Onde conseguir esperanças quando dentro de si não existe resquícios de pensamentos positivos? O que eu faço com toda essa tristeza e desespero? Como posso me ver livre dos meus fantasmas? Como posso vencer tudo isso? Eu posso vencer? Ou essa luta eu já perdi? Não consigo mais suportar. A confusão e o cansaço mental tragaram a minha paz e já há mais vigor em meu corpo.

Se já perdi a luta eu não sei, mas tenho procurado não entregar os pontos.  Tenho tentado levantar a cabeça, e mesmo com chuva nos olhos seguir. Eu sei que não é nada fácil,  sei que é difícil acreditar num amanhã melhor. Mas se eu não acreditar e não lutar, ninguém fará isso por mim. Porque não há remédio e terapia que resolva o ócio que me assolou.  Então mesmo que a luz no fim do túnel esteja apagada, eu levanto, lavo o rosto e vou enfrentar o monstro do dia e mais quantos vierem. A vida anda é pra frente.  Então o jeito é seguir.

Erica Ferro & Ariana Coimbra

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Conversa no WhatsApp:
- Pensa rápido, Ariana. Vamos escrever agora? - pergunto.
- Agora? Sobre o quê? - responde Ariana.
- Sim! Sobre qualquer coisa. Eu começo.

E assim nasceu esse texto. Ariana Coimbra é uma mulher forte e valiosa, muito embora às vezes esqueça disso. Ela é uma das seletas pessoas com as quais converso sobre tudo, sem medo de ser julgada louca ou perturbada. E eu sei que ela também se abre comigo. Passamos por coisas semelhantes na vida, sobretudo no que diz respeito aos sentimentos e sensações que muitas vezes não conseguimos domar e eles acabam nos dominando, nos sufocando e causando uma verdadeira bagunça na nossa vida. Somos duas criaturas sensíveis, mas já fomos bem mais. Queríamos muito ser mais racionais, porque já tivemos provas suficientes de que sentimentais sofrem um bocado nessa vida louca. Mas o que podemos fazer? É o nosso jeito, é a nossa essência. Por esses e outros motivos, escrevemos e tentamos, por meio da escrita, nos tranquilizar e plantar um pouco de paz em nossas mentes e corações. Adorei escrever esse texto, assim, na lata, sem pensar muito, com a minha cara Ariana. Foi algo espontâneo, vindo mesmo do coração e dos nossos cérebros por vezes sobrecarregados e alucinados.
Nunca mais havia escrito assim, em parceria. Foi ótimo retomar essa forma de escrever. E que bom que foi com essa blogueira que conheço de longa data. Que outras parcerias venham, Ariana!

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06/02/16

Sou toda amor por você


Eu encontrei-a quando não quis
Mais procurar o meu amor
E quanto levou foi pr'eu merecer
Antes um mês e eu já não sei

E até quem me vê lendo o jornal
Na fila do pão, sabe que eu te encontrei
E ninguém dirá que é tarde demais
Que é tão diferente assim
Do nosso amor a gente é que sabe, pequena

(Último Romance - Los Hermanos)


Quando já não havia mais esperanças em mim, eis que encontrei o que sempre procurei: a personalização do amor. Você... Sim, você! Esse ser doce, sincero, amigo, companheiro e que me arranca suspiros e risos com extrema facilidade.
É você - e só você - que me prende em conversas loucas e divertidas até altas horas da madrugada. Você me tira o sono à noite e invade os meus pensamentos durante o dia. Eu não sou romântica, você sabe. Aliás, acho que eu não quero parecer romântica, mas, no fundo, você desconfia que eu sou mesmo uma bobalhona, apaixonada e entregue a esse seu sorriso que desfaz toda e qualquer tristeza que queira habitar em mim.
Você me envolveu com sua voz mansa, cantadinha e rouca. Quando você fala, assim, baixinho, rente ao meu ouvido, não consigo segurar um suspiro e sinto gelar o meu estômago. Sua voz é música, e você, por inteiro, é poesia. Demorei pra te conhecer, mas agora, que você está comigo, não vou te deixar partir.
Entrelacei os meus dedos nos seus e o seu coração já se misturou ao meu. Somos duas criaturas alucinadamente apaixonados. Nossos dias são regados a vinho e poesia. Você tem sido a minha melhor companhia.
Obrigada por ser assim, alguém que me ama como sou, com meus defeitos e devaneios. O amor que lhe tenho é sincero e puro, disso nunca questione nem duvide por um segundo.


Erica Ferro


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02/11/15

♫ Você ainda vai ser a minha vida ♫

♫ (...) Talvez não seja nessa vida ainda
Mas você ainda vai ser a minha vida
Sem ter mais mentiras pra me ver
Sem amor antigo pra esquecer
Sem os teus amigos pra esconder
Pode crer, que tudo vai dar certo (...) ♫





Não dá pra viver nessa vida morrendo de amor. Armandinho está certo ao cantar isso. Não dá, meu amor. Você sabe das minhas descrenças e eu sei das suas, e até que elas se parecem. Não sei se existem outras vidas. Se houver, pode crer que nós vamos nos encontrar em muitas outras. Se não for nessa vida, em outra você será a minha vida, o meu amor. Que seja nessa vida, por favor. Nossa conexão extrapola a minha compreensão. Batemos o olho no outro e nos gostamos tão rápido. Se bem que eu acho que eu gosto mais de você do que você de mim. Não importa. Eu gosto muito mesmo. É fácil demais ficar perto de você. É fácil e é tão bom. A vida fica mais leve quando estou ao seu lado. As coisas fluem com naturalidade. Parece que o mundo fica mais bonito quando estou contigo. Que piegas dizer isso, mas é assim que eu me sinto. ♫ Você é assim, um sonho pra mim. E quando eu não te vejo, eu penso em você desde o amanhecer até quando eu me deito ♫. Sim, meu amigo, me apaixonei por você. E essa paixão é diferente de todas que já vivi. É tranquila, sem arroubos ou alvoroço. É calmaria, entende? Lembrar de você me traz paz. Recordo o brilho do seu olhar e o meu coração se enche de alegria. A sua risada é engraçada, e eu adoro. Você é um bobão, e eu queria que fosse o meu bobão. Caramba! Todas essas palavras são tão melosas! Já te disse que não sou melosa; apenas quando escrevo, especialmente quando escrevo sobre e pra você. Eu não queria me apaixonar por você, mas também não consegui evitar. Alguém consegue evitar de se apaixonar? Nunca conheci alguém que tivesse o poder de frear o corcel desgovernado da paixão. Inevitavelmente me encantei por você; e, honestamente, não posso nem quero evitar alimentar esse encanto. Que ele cresça e floresça. Que vire uma roseira. Amo você, e não tem um por que ou um pra quê. Simplesmente amo, profunda e platonicamente, você.

Erica Ferro

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19/04/15

Cansei de ser só


É quase meia-noite aqui. Aí, onde você está, é uma da madrugada. O que você está fazendo? Eu estava aqui pensando que, sei lá, bem que poderíamos marcar um passeio, uma viagem. É, uma viagem. Você, que é mochileiro de carteirinha, poderia escolher o destino. Confio no seu bom gosto. Juro que não iria implicar com a sua preferência por viagens noturnas. Pelo contrário, ultimamente tenho refletido no quanto que deve ser empolgante viajar por essas horas sombrias. Porque, como num passe de mágica, tudo renasce, o sol aparece num céu mesclado pelo alaranjado e azulado, nos dando mais uma chance de sermos felizes. Poderíamos colocar nossas músicas prediletas pra tocar no volume máximo, enquanto nós nos mexíamos no ritmo delas. Ou você poderia cantar pra mim, mesmo porque a sua voz que é tão linda. 
Com o perdão pela hipérbole, eu passaria a vida ouvindo você cantar. É a minha voz preferida, a que eu gostaria de ouvir todas as manhãs, dizendo um bom dia meio tímido, meio fraco pela noite de sono mal dormida, meio rouco porque seria muito cedo. A voz que eu gostaria de escutar ao fim da noite, bem perto dos meus ouvidos, que proferiria coisas do tipo o dia foi tão bom porque você estava ao meu lado; gosto muito de você, minha pequena; conhecer você foi um dos presentes que o Universo me concedeu; te quero sempre aqui, perto de mim, haja o que houver.  
Sabe o que é? Eu gosto de você. Eu quero estar perto de você. Sem exigir nada, sem reivindicar nenhum direito, apenas o de poder estar junto de você. 
E por quê? Porque eu quero, porque seria tão bom poder te ter mais junto a mim. Porque seríamos tão mais felizes juntos. Conversaríamos sobre as nossas incertezas, auxiliaríamos um ao outro em momentos conflituosos, você vibraria com cada conquista minha e eu seria a pessoa mais feliz do mundo ao te ver sorrir ao galgar lugares cada vez mais altos.
Formaríamos uma bela dupla, um belo par. Sem idealizações, apenas viveríamos o que há de melhor para viver nessa vida. Sem contratos, apenas desfrutaríamos o amor na sua forma mais genuína, pura e livre.
Contratos, assinaturas, amarras. Tudo isso me cansa e, pelo que conheço de você, também te enfada. 
Eu seria feliz ao seu lado, usando um vestido florido, calçando sandálias sem salto, morando numa casinha de madeira, com uma cama pequena, que coubesse nós dois encolhidinhos, como dois pássaros num ninho.
Bobinho, eu sei, mas às vezes devaneio assim, crio realidades paralelas, futuros que são difíceis de acontecer pelo simples fato de que não depende só de mim. Depende de mim e de você. De você, sobretudo, que cala mais do que fala, que pensa mais do que diz. O oposto de mim, que falo mais do que deveria e normalmente digo tudo o que me vem a mente. 
Eu iria sacudir a sua vida com momentos insanos, mas divertidos. E você iria me colocar nos trilhos quando me visse sucumbir a irracionalidade, tomada pelos meus momentos de fúria e revolta extremas.
Eu sou a sua cura, em forma de loucura. Você é o meu remédio, em forma de calmaria regada a doce cantoria.
Sejamos nós. Cansei de ser . Você não?

Erica Ferro

◘ ◘ ◘
Um abraço da @ericona.
Hasta la vista!

09/03/15

Pelo direito de ser quem se é!

Muitos podem achar que ser deficiente é algo sofrido, difícil, triste e sombrio. Na verdade, ser deficiente não é o problema. Pelo menos eu, pessoa com deficiência, não vejo a minha deficiência como um problema. O problema é a falta de acessibilidade – que vai bem além de calçadas e rampas. E de conhecimento por parte dos não deficientes, claro.
Duas coisas que facilitariam bastante a vida das pessoas com deficiência: acessibilidade e o debate constante e maciço sobre o tema deficiência. Porque, veja bem, se as pessoas com deficiência tivessem assegurado o seu direito de ir e vir, bem como oportunidades de desenvolverem e aplicarem suas habilidades, seja no meio escolar/acadêmico e/ou no mercado de trabalho, muitos dos constrangimentos e lutas judiciais não precisariam existir.
Dia desses eu tive o desprazer de ler uma matéria a respeito da falta de acessibilidade enfrentada por umadvogado cadeirante num fórum de São Francisco de Paula/RS. O que mais me chocou não foi só a falta de acessibilidade, mas sim o que o magistrado disse para o cliente do advogado: “Por que tu não botou um outro advogado? Sabia que ia ser assim.”. Tocante isso, não? Quer dizer que não evoluímos nada ao longo desses anos? Quer dizer que a sociedade continua pensando pequeno em relação à causa das pessoas com deficiência? Quer dizer que nós, porque temos uma deficiência, devemos ficar em casa, sem estudar ou trabalhar porque, aparentemente, a sociedade acha mais fácil e prático nos excluir do que investir em acessibilidade para que todos, sem exceção, possam ser livres para viver e executar as suas atividades com plenitude? Eita sociedade caduca! Será que esse quadro um dia vai mudar? Ou a nossa luta se resumirá a dar murro em ponta de faca? Oh, não! God não permita!
Bem, bem, depois do momento desabafo, porque não, eu não consigo falar acerca de deficiência sem “soltar os cachorros”, nem que seja só um pouquinho. Eu tento não me estressar com todos os absurdos que eu vejo envolvendo a pessoa com deficiência, mas é impossível, já que não me estressar seria aceitar e me acomodar em relação ao descaso e a falta de respeito que nós, deficientes, encaramos todos os dias. No entanto, em contrapartida, há uma gente linda e boa que luta todos os dias para que deficientes sejam vistos como verdadeiramente são: humanos. Gente bela que mostra por meio de poesia, literatura e arte que todos somos diferentes, mas que as nossas diferenças podem conviver lado a lado e, juntas, formarem uma bonita diversidade.
Eu vi uma animação linda-de-viver chamada “Por que Heloísa?”Segundo as minhas pesquisas, a animação é a continuação de um livro homônimo, escrito por Cristiana Soares. O roteiro é de Cristiana e Carolina Ziskind e as ilustrações são de Ari Nicolosi. O curta é uma realização em parceria entre Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo e a TV Cultura. Se quiser saber mais, é só clicar aqui e conhecer melhor esse trabalho.



É um curta com uma dose de poesia que diz mais ou menos o seguinte: “Olha, as pessoas com deficiência não são de outro mundo. Você não precisa ter medo delas. Você precisa conhecê-las e, junto com elas, lutar para que cada vez mais todos tenhamos o direito de ser quem somos, fazer o que nos apraz e andar por onde quisermos andar, seja com as pernas, com próteses ou sobre rodas.”. E essa é a mensagem que eu queria deixar aqui hoje. Espero que você, leitor, assista essa animação, absorva os seus ensinamentos e possa praticar no seu dia-a-dia. O mundo só mudará se mudarmos a nós mesmos primeiro.

Eis a animação:



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Um abraço da @ericona.
Hasta la vista!

24/01/15

A janela e os pássaros - Eliana Neves


Olá, pessoal! Tudo bem? Hoje eu, Erica Ferro, trago um escrito muito belo de uma amiga que me é muito querida, a Eliana Neves. É um conto que fala de um amor puro, sublime e muito especial. A Eliana fala de amor com muita doçura e muita leveza nas palavras. É impossível não se encantar ou não soltar um suspiro, ainda que pequeno e/ou tímido no decorrer e ao fim desse conto. Eliana me mostrou o conto A janela e os pássaros em primeira mão, o que me deixou muito honrada, e me autorizou a publicá-lo aqui no blog.
Abram os seus corações e recebam essa linda mensagem!

A janela e os pássaros -  Eliana Neves


O verão naquele ano foi bastante intenso. Era comum os moradores de Várgea do Norte se refrescarem em suas janelas. Passavam horas nas sacadas para receber o ventinho que vinha do sul e, aproveitando para isso, colocarem as conversas em dias, ou melhor, acompanhar com olhos não muitos discretos a vida alheia.
Que verão foi aquele! Nem o maior dos mexeriqueiros poderia imaginar que aquele dito verão daria o que falar naquela cidadezinha.
De todas as janelas em Várgea do Norte havia uma que era especial. O que a fazia tão especial era aquela senhora. Todas as manhãs, parecia um ritual, ela abria a janela de seu quarto como se estivesse abraçando o mundo. O seu sorriso se confundia com os raios do sol que penetravam feito cometa a iluminar a alcova de um amor amado no silêncio.
Podia-se ver o brilho que trazia no olhar, a alegria de suas gargalhadas que mais se parecia a uma cantoria de cotovias. Por que uma cotovia? Sim, é ela que anuncia o novo dia! Que mulher encantadora! Não era bonita, mas tinha lá seus predicados de beleza. Não sei o quê ou qual era o quê naquela mulher que chamava a atenção de todos que passavam pelo outro lado da rua. Não havia um só homem que não lhe fizesse a corte ou uma só mulher para não lhe atribuir um novo defeito. “Que bela senhora!” – Pensavam eles enquanto acenavam reclinando suas cabeças.
Todavia, aquela senhora – agora a chamaremos pelo codinome de Cotovia – só tinha olhos para um só amante – um Rouxinol. Rouxinol? O que faz dizer que ele seria um rouxinol? Posso afirmar que não há ave igual na cantoria para embalar o ninho dos amantes durante toda a noite. Ele era, sim, capaz de “cantar” para sua amada sem jamais se cansar. Era assim que ele se definia para os mais íntimos: “uma tempestade disfarçada de calmaria num fim de tarde de inverno.”
A Cotovia era gentil e alegre com todos, mas somente para aquele Rouxinol seu canto saía perfeito. Tudo se fazia especial. Seus olhos brilhavam, sua respiração ficava ofegante quando ele se aproximava, sua pele exalava um perfume que só aquele belo Rouxinol era capaz de sentir. Funcionava como se fosse um feromônio que os insetos exalam para o acasalamento. Aquele cheiro da Cotovia tinha um efeito devastador sobre o Rouxinol. E o que dizer do coração dela? Ah... o coração! Ele pulsava numa nota só: “Eu te amo!” E o olhar? Quando os olhos deles se encontravam em meio ao barulho do dia, em meio à clandestinidade... Tudo era silêncio. Eles não precisavam falar nada, pois aquela linguagem era suficiente. Por instantes, que mais pareciam uma eternidade naquele momento, enquanto ela fechava ternamente seus olhos abrindo-os em seguida para dizer “eu gosto muito de você”; ele, porém, permanecia com um olhar firme fitando-a. Era como se dissesse: “Sofro. Te amo. Te quero como nunca quis outrem.”
Mas, por que dizer que o amor era amado no silêncio da tarde ou na escuridão da noite? Apenas o que se sabe é que os amantes não poderiam revelar seu amor, haviam feito uma escolha e não podiam voltar mais atrás. Existia algo maior do que eles que impedia que pudessem viver tamanho bem querer e afeto e uma grande paixão que perdurou por alguns anos.
Não foram poucas as vezes que o amor deles passou por crises. Que cruel! Da mesma forma que viviam a paixão no silêncio do ninho, da mesma forma viviam as separações no silêncio das lágrimas. Esse amor no toque, no olhar, no cheiro e no sorriso também vivia as suas controvérsias. Era como que, de repente, a harmonia que sentiam um pelo outro pudesse se desfazer de modo que ninguém mais conseguia ouvir mais a música que saía de seus corações. Muitas vezes, surgiam dúvidas de quem amava mais. Ambos estavam enganados. A cada crise nunca havia um vencedor, apenas retalhos a serem costurados, cacos a serem juntados e galhos do ninho despedaçado. Quantas coisas pairavam sobre eles, embora soubessem que se amavam.
Certo dia, a nuvem mais nebulosa veio sobre eles. Já não parecia que se conheciam, que se amavam. Eram estranhos. Após palavras e atitudes tristes, um grande silêncio tomou conta deles. Em seus corações já não havia mais música, o jardim já não estava mais florido como antes. O mundo deles não existia mais. O ninho se desfez. Por falar em jardim, sabe aquele jardim da alma? Aquele jardim que somente pouquíssimas pessoas podem entrar e tocar o orvalho das flores no amanhecer? Sentarem num banquinho para observarem a revoada de pássaros quando o entardecer chega Pois bem, naquele infame dia, o Rouxinol, movido pelo mais desgraçado sentimento, proferiu palavras duras ao dizer que sua Cotovia jamais entraria novamente em seu jardim secreto. Era uma tentativa desesperada da passionalidade para dizer: “Não quero mais você em minha vida.” Que engano! Naquele mesmo dia, antes mesmo que rompesse a noite, o pobre Rouxinol cantava em prantos de dor pelo arrependimento por ter ferido sua bela Cotovia.
Os dias se passavam e o peso da mágoa ainda encobria o canto da Cotovia. Aquele sorriso que contagiava a todos também desapareceu da face da Cotovia. Para não dá a entender o que se passava no seu interior, dissimulava a alegria. Enquanto ela tentava disfarçar para quem a conhecia o que estava acontecendo, o Rouxinol caía em melancolia. Talvez ainda fosse cedo, mas nada que ele pudesse falar iria fazê-la mudar de ideia naquele momento. Como eram longos aqueles dias! Eles se arrastavam por entre a tristeza dos amantes. Sem sucesso, pedidos de perdão foram cantados pelo Rouxinol na melodia mais triste que já se ouviu na natureza. Igualmente respondeu a Cotovia, por trás da janela – desde que aconteceu a separação, sua janela não se abria mais. E todos os seus admiradores passavam e se perguntavam o que estava acontecendo com a bela senhora que já não dava mais o ar de sua graça debruçada na janela mais florida de toda a cidade.
O que somente ela respondia era que precisaria de tempo para curar tão medonha ferida aberta por quem só deveria amar e amar e amar. Ó Cotovia! Agora defendo o pobre Rouxinol. Quem já não ouviu dizer que uma chuva de contradições provoca a alma humana constantemente? Será unicamente o amor capaz de ser imune às ciladas da dicotomia dos outros sentimentos? Não, bela senhora. Nem mesmo o amor pode ficar ileso de ser machucado por aqueles que amamos. Muitas vezes ele disse para ela: “Você tem o pior e o melhor de mim. E sabe por quê? Porque tudo em mim é verdadeiro e intenso.”
Como nada ainda surtia efeito, tomou o Rouxinol uma atitude. Decidiu, a cada manhã, levar um galhinho verde todos os dias - feito um contrato, uma religião – e assim, colocar na janela da amada. Era seu pedido de perdão até que sua amada lhe perdoasse devolvendo outro galho verde. E assim ficou: a cada amanhecer, um novo galhinho verde fazia companhia a outros do dia anterior, se juntava às flores da janela. Cada galho continha cinco folhas. A simbologia do número 5 era importante para os amantes, pois como não podiam se declarar publicamente, trataram de criar algo que pudesse identificar o amor de ambos; na verdade, foi a Cotovia quem criou os cinco pontos (.. ...). Fiquei sabendo anos depois que isso .. ... significava isto: “EU TE AMO”. Desde então, cada carta, bilhete, dedicatórias ou qualquer outra coisa que remetesse aos cinco pontos lembrava o amor deles.
Embora a Cotovia já ensaiasse algumas falas, ainda não era como antes. Talvez nunca mais fosse. Mas, mesmo assim, todos os dias o Rouxinol voava até a janela dela para ver se estava aberta e reparava que os galhinhos haviam sido recolhidos. Ele se alegrava, mas sempre esperava mais.
Por fim, tomou outra decisão: levou seu próprio coração. Debaixo daquela janela, cantou e cantou e cantou sem parar até que a bela senhora abrisse novamente sua janela como ela fazia antes, como um ritual. O belo Rouxinol não se importava mais com quem passava pela rua, em pouco tempo todos de Várzea do Norte puderam conhecer o canto, o choro, a alegria e a tristeza do Rouxinol a espera de sua Cotovia. Por horas e horas, lá estava ele a cantar, a esperar o ranger da janela se abrir. E com ele, toda a expectativa dos curiosos. Já não se importavam mais que o amor deles não era aceito por muitos, que durante muito tempo foi vivido às escondidas, era um amor quase impossível. De tão ditosa alegria e dor do Rouxinol, todos passaram a esperar junto com ele a bela Cotovia sair na janela com aquele sorriso tão lindo. 
Já se fazia cair a tarde quando a janela se abriu lentamente. E lentamente também todos foram silenciando. Aquele momento era dos amantes. A bela Cotovia surgiu na sacada da janela. Estava tão linda com seu vestido ternamente estampado combinando com aquele fim de tarde de verão. Ela trazia consigo um pequeno ramalhete feito de pequenos galhos verdes e era possível ver, em cada um, as cinco folhinhas. Por quase uma eternidade aqueles olhares se encontraram novamente. Foi então que ela arremessou o ramalhete até ele.
Então, ele cantou como nunca havia antes cantado. Que belo canto! Que belo perdão! Mas ainda faltava algo a fazer. O Rouxinol, dali mesmo, com ajuda de outros, voou até ela pousando rente ao seu rosto.
Enfim, eles tinham muito que cantar ainda .. ...

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Hasta la vista!

14/01/15

Tudo ficará bem!



Farin Urlaub Racing Team - AWG (Alles wird gut)

Tudo ficará bem!

É trágico, mesmo sendo um pouco cômico, a nossa cegueira quando estamos perdidos, entristecidos, magoados ou até mesmo cansados de tudo, inclusive de levantar da cama e ir viver. A verdade é que às vezes a vida se apresenta pra nós de uma maneira tão pesada, tão difícil de lidar, que a gente vai pela via mais fácil: de mergulhar no problema e só pensar no pior. É mais fácil, sim, porque sair do buraco e resolver solucionar o problema exige esforço, foco e desprendimento. Pode parecer insano, mas, no íntimo, somos meio masoquistas. Não que nos sintamos felizes em sofrer, mas é como se, inconscientemente, achássemos que merecemos tudo que está acontecendo conosco ou que, como a culpa da nossa desgraça não é nossa, foi outro alguém que causou a nossa perdição, precisamos sofrer muito, só pra provar pra todo mundo o quanto alguém foi terrível conosco. E isso é lamentável.
Há pessoas que são extremamente cruéis e causam estragos descomunais na vida das outras, conscientemente ou inconscientemente. Mas aí é que tá! Se a gente for se apegar ao mal que fizeram conosco, aos momentos ruins que nos fizeram viver, nunca vamos conseguir enxergar a luz no fim do túnel ou dar o primeiro passo pra trilhar um caminho mais feliz e deixar pra trás toda a dor e a tristeza que só nos assola e nos causa mal-estar.
Poxa vida! Só temos uma chance de ser felizes. Não podemos nos entregar ao sofrimento e a autodestruição. Viver é dureza, mas também tem o seu lado doce e bom. A vida não só é feita de momentos difíceis, a gente precisa desenvolver a habilidade de perceber, nas singelas e sutilezas da vida, o que realmente vale a pena e o que nos enternece e nos faz melhores. É preciso deixar as coisas supérfluas pra trás, no mar do esquecimento. É preciso tirar do nosso coração o peso do rancor e da mágoa.
O lance é viver o aqui e agora, da melhor forma possível, buscando sentir a alegria que mora num céu azul, no canto dos pássaros e na gargalhada de um bebê. Temos que focar no que nos faz sorrir e no que nos impulsiona rumo a felicidade, a paz de espírito e aos bons sentimentos, que, se cultivados com amor e cuidado, darão lindos e doces frutos.
A vida é bonita, minha gente. É, sim, posso dizer isso com propriedade. As dificuldades e os problemas que surgem durante o caminho devem servir pra nos fortalecer e proporcionar uma ampliação de nossos horizontes.
Eu vivo a vida com graça e alegria, porque meu espírito, mesmo que seja castigado ou humilhado vez ou outra, sempre dará a volta por cima e sorrirá ante o imenso leque de possibilidades de ser feliz e de me sentir plena. 
Com esse mundo tão caótico, prestes a desabar sobre as nossas cabeças, o melhor que podemos fazer é dar ouvidos aos discursos que falam de amor e de paz. Precisamos deixar que o amor encha nossa vida e se reflita em nossos atos.
O mundo precisa de amor e de naturalidade. Não é preciso criar toda uma programação de como se viver bem. O "pulo do gato" é justamente se sentir bem, pensar no que faz bem e fazer o bem. De forma natural. De forma genuína. É disso, entre outras coisas, que se trata a vida e o viver.

Erica Ferro

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15/10/14

A jardinagem da vida


(3) Tumblr


É impossível ignorar a tristeza, a dor, o desalento e o desencontro que de quando em quando vem nos encontrar. É impossível, mas muitos tentam. Eu tento, você tenta, nós tentamos. É inegável. O duro mesmo é conseguir ignorar a angústia que sente prazer em rasgar um pouco mais a cada dia o nosso coração. Não importa se o problema é de pequeno, médio ou grande porte, a tristeza não é proporcional ao tamanho dos problemas que se jogam eventualmente à nossa frente. A tristeza, essa danada, tem um tamanho que não podemos calcular. Eu só sei que ela existe e que tem duas mãos que adoram apertar o nosso peito e dilacerar a nossa alma.
Há quem tente bloquear as consequências da tristeza ocupando a mente com mil e uma atividades. Inútil, óbvio. Por mais que nos ocupemos, nos enfiemos em atividades intermináveis, a dor estará ali, esperando a hora de nos agarrar quando nos distrairmos por um milésimo de segundo. Não dá para fugir do inevitável. Sentir é para os fortes. Eu sinto muito. Eu sinto tantas coisas. Penso em tantas outras coisas. A vida é um eterno pensar e sentir, sentir e pensar, fazer e sentir, pensar e fazer. É um carrossel que não para de modo algum, não dá trégua, não permite um momento sequer de descanso. O descanso se dá com a ciranda girando e girando. É um descanso confuso, agoniado. Por vezes, ignorar o girar da ciranda e mergulhar em pensamentos, dolorosos ou não, e se permitir sentir, de modo sutil ou intenso, é o remédio que alivia a alma, que dá um frescor aos nossos neurônios cansados do cotidiano frenético. 
Meu modo de viver é singular. Eu não tenho medo de mergulhar nessa imensidão que é o mar dos sentimentos. Sentir não é ser sentimental demais. Deixar cada célula absorver as sensações do momento não é ser sentimentaloide. Permitir-se sentir é ser humano. Humanidade tem a ver com isso mesmo: chorar, sofrer, perder. A vida pode ser cinza, às vezes. Pode e é. Pode e será. Uma vez ou outra. Faz parte da ciranda, entende? Faz parte do girar. Não tem nada a ver com a vida ser ruim para mim, para você ou para ele. A vida não é ruim. Ela não é a nossa carrasca. Não é o mundo, também. Não são as pessoas. Nós somos os nossos próprios carrascos. Isso parece muito papo de autoajuda, e eu lamento por isso. No entanto, de acordo com o meu modo de pensar, eu sou responsável pela minha dor. Não gosto de responsabilizar ninguém pelo que se passa em mim, por mais que alguém tenha me afetado, derrubado ou hostilizado. Eu posso modificar isso. É duro? É duríssimo. É dificílimo. Não é uma tarefa rápida. Transformar choro em riso não se dá de um dia para noite. Faz parte de um processo árduo, longo, mas executável. Posto que é executável, por que não nos jogarmos nele e enxugarmos nossas lágrimas e, finalmente, visualizarmos vários motivos para (sor)rirmos? A ciranda continua girando. Os ponteiros do relógio continuam em seu ritmo normal. O nosso tempo também permanece escorrendo por dedos das mãos, dos pés, pela alma. 
A vida é esse ganhar e perder, sorrir e chorar, amar e sofrer. É o viver, entende? Preparados ou não, estamos aqui e não podemos desperdiçar as oportunidades que surgem para nós. Que nos desliguemos do girar da ciranda quando precisarmos, mas nunca, em hipótese alguma, nos lancemos para fora dela. Não desistamos de nós mesmos. Não entreguemos os pontos. Não que seja questão de fraqueza, mas é que não vale a pena. A vida é grandiosa e linda, apesar de todas as adversidades que possam fazer parte dela.
A vida pode dar frutos, assim como também pode dar espinhos. Cabe a nós cuidar bem do nosso jardim, para que haja mais flores do que ervas daninhas.

Erica Ferro 

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01/08/14

Broto


Just kids in LOVE /

Broto,

Broto. Quem usa essa expressão nos dias de hoje? Acho que sou um dos poucos seres que a usa. Na verdade, estava tentando contabilizar há quanto tempo meu coração bate mais forte quando te vejo. Se bem que eu não te vejo, no sentido exato da palavra. Não posso sentir o seu cheiro ou a sua temperatura corporal. Ainda assim, a sua imagem está em minha mente. O meu pensamento está em você. Não sempre, não a todo momento, mas sim quando a saudade aperta. Geralmente, em uns setenta por cento por dia. Provavelmente essa porcentagem esteja errada, nunca fui de exatas. Sou de humanas, acho que já te contei isso. Digo, porém, sem possibilidade de erro, que estou pensando em você boa parte do dia. Não que eu seja uma louca apaixonada ou uma criatura grudenta. É que eu gosto de pensar em você. Desnecessário dizer que adoro o seu olhar e o seu sorriso. Também não é necessário dizer que adoro a sua barba. Dizem que barba por fazer arranha o rosto. Eu, francamente, não me importaria em ter esses arranhões. Seriam arranhões de amor. Isso de arranhões de amor foi bem brega, hein?! Perdoe-me por isso, às vezes é inevitável ser brega. Todo mundo tem seus momentos bregas, acho. Não sou exceção nessa questão. 
O fato é que eu realmente estou gostando de você. Não sei bem como isso foi acontecer. Afinal, é como dizem por aí, não há muita explicação para o amor ou a paixão. Não há lógica que explique o ato de se apaixonar. E, sinceramente, se tivesse, dispensaria. Gosto desse mistério de não saber como me apaixonei por você. O mais grave, o mais chocante, o mais maluco de tudo é que acho que foi à primeira vista. Não faça essa cara de cético. Somos céticos em muitas coisas, mas acredite nisso que te digo. Não ache que estou confundindo as coisas. Vê-lo apenas uma vez foi o necessário para sentir a sua essência e enxergar o quão bacana você é. Longe do que os apaixonados pintam sobre os seus amados, desenhei os seus traços como de fato os percebi, sem idealizações, sem exageros. Admiro a sua inteligência e praticidade. Encanta-me o modo saber que partilhamos da mesma preocupação e da mesma revolta acerca de determinadas questões. Gosto mesmo dessa similaridade das nossas ideias e ideais. Adoro quando você deixa o seu lado bem-humorado emergir. No fundo, acho que você é tão gaiato quanto eu. Poderia listar muitas outras características que gosto em você. No entanto, não seria justo, porque eu gosto de você por inteiro.
Por conseguir ler a sua personalidade, por ter a possibilidade de te conhecer melhor a cada dia e por estar, de certa forma, junto com você nos seus melhores e piores momentos, o meu apreço por você cresce cada vez mais. E eu quero tanto te ver de novo. Quero sentir de novo o calor e o aconchego do seu abraço, de modo a tentar registrá-lo em alguma parte da minha alma ou do coração.
Não espero reciprocidade. Não fique preocupado comigo caso não sinta algo semelhante por mim. Só me dê a chance de poder ter você mais perto, sim? Só quero te abraçar e ficar perto de você algumas vezes mais. A vida é tão curta. Apenas me deixe te mostrar com gestos, abraços e beijos o que mora aqui em meu peito. Não denominarei amor ou paixão. É apreço. Muito apreço. Muito carinho. É encanto também. É poesia.
Deixe-me fazer rimas com as linhas das suas mãos. Deixe-me acarinhar os seus cabelos. Deixe-me deitar em seu peito e escutar as batidas do seu coração. Oops, o alerta brega apitou novamente. Mas... Peço muito? Simples. Suave. Assim é o que sinto por você.
Então, haverá um reencontro?

Erica Ferro

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02/05/14

Cabelinho de anjo


3707526406_d0ef8ebe3d | Flickr – Compartilhamento de fotos!


Hoje estou com vontade de escrever. Mas é muita vontade mesmo. Uma porção de possíveis temas me passou pela cabeça. Passei o dia inteiro com essa vontade de escrever, mas só parei pra transformar essa vontade em realização agora. Sei lá por que, deve ser resquício da mania de procrastinar.
Estava relembrando uma ocasião de alguns dias atrás, no qual vivenciei momentos agradáveis, e a vida se apresentou a mim leve feito pluma. Poderia dizer também que ela se mostrou a mim doce como a brisa do mar ao final de um dia quente. 
Imagina, estou eu num consultório médico pra realizar uma consulta de rotina. Lembro-me que não estava muito amigável no dia. Algumas coisas, que já nem lembro mais o que eram, não se desenrolaram como eu esperava. Estava irritadiça e mexia no meu aparelho celular com o mesmo interesse de que se estivesse a folhear um livro de matemática: pouquíssimo interesse. Definitivamente, o dia estava ruim e o que me sobrava era tolerar o tédio e esperar por um possível dia de sol no dia seguinte. 
Não foi preciso: um sol, nas feições de uma criança, se projetou na minha frente. Um menino muito doce e divertido. E é importante frisar: muito serelepe. Foi encanto à primeira vista. Ele me sorria e interagia com ele com gestos divertidos, usando a minha expressão corporal, pra vê-lo (sor)rir. Ele correspondia e ria gostosamente. Em um dado momento, ele começou a dançar sem música e eu o acompanhei no mesmo ritmo. Ele achou graça, estampou um largo e lindo sorriso em seu rosto e se pôs a dançar ainda mais alegremente. 
Depois de muito correr pelos corredores da clínica, de dançar e de encantar a todos que estavam por perto com o seu sorriso tão puro e contagiante, pediu a mãe um brinquedinho e se pôs a brincar. Não lembro o que era um brinquedo. Acho que era um bonequinho. Eis que surge, então, uma menininha, tão pequenininha quanto o cabelinho de anjo. Ambos deveriam ter menos de dois anos de idade. 
Mas aí é que se dá a cena mais fofa de todas:
A menininha estava interessada em pegar o bonequinho do cabelinho de anjo. A mãe do cabelinho de anjo disse a ele que o menininho deveria compartilhar do seu brinquedo com a sua nova amiguinha. Um pouco contrariado, só um pouco, porque ele era muito fofo, estendeu a sua mãozinha pequenininha e deu o seu brinquedinho a bebê de cabelos pretos, notoriamente uma menininha decidida. Explico o decidida daqui a pouco. A menininha, depois de ter conseguido o brinquedo, voltou para o colo da mãe, e o cabelinho de anjo ficou olhando pra ela, como se dissesse "Ei, vem cá! Te emprestei o brinquedo pra você brincar aqui, não pra levar com você...". Percebendo que o cabelinho de anjo não parava de olhar, a mãe da menininha decidida a levou pra devolver o brinquedo. A menininha não queria devolver. O cabelinho de anjo, como um menininho muito paciente, não fez drama com as hesitações da menininha em devolver o seu brinquedo. Quer dizer, ele suportou, bravamente, durante as quatro vezes que a mãe da menininha pediu pra ela devolver o brinquedo. Quando ela assim o fez, choramingando, o cabelinho de anjo estava um pouco chateado e pegou o seu brinquedinho com as suas duas mãozinhas gordas, como se o estivesse protegendo, e toda vez que a menininha se aproximava dele e do brinquedo, ele fugia dela.
Não sei por que fiquei tão deslumbrada com essa cena, com essas fofurinhas em forma de crianças. Talvez porque era pra ficar mesmo. Quando vi aquele menininho, com cabelo enroladinho, tipo anjinho, sorrindo pra mim e correndo, com a sua energia inesgotável de criança, sumiu toda a gama de sentimentos ruins que eu estava sentindo antes.
Aqueles dois menininhos, no auge dos seus quase dois anos de idade, foram um bálsamo naquela minha tarde cinza. 
Sabe, a vida é isso mesmo: essa coisa louca que nos coloca pra baixo e depois nos chuta pra cima; e posteriormente nos chuta pra um lado, só pra em seguida nos colocar nos eixos de novo.
Entre esses sacodes à la Mike Tyson que a vida nos dá, há também a beleza singela do sorriso e do riso das crianças, há um arco-íris tímido em um dia de chuva, que te faz pensar que é uma sacanagem não ter um pote de ouro no fim dele, mas depois acaba se consolando porque o arco-íris por si só é bonito pra caramba. 
Não há só desgraças, entende? Há também os momentos bons. E, puxa vida!, quando digo momentos bons não falo dos momentos fabulosos, glamourosos, gigantescos, marcantes, que a maioria das pessoas reconhece como tais momentos.
Um momento bom pode ser um encontro casual num ônibus lotado com um amigo que não se via há meses e que, por benevolência do destino, os juntou numa mesma lata de sardinha (ê, beleza, todo mundo tirando onda de Newton e provando que sim, dois corpos podem ocupar, meio desajeitadamente, um mesmo espaço), pra que a viagem se tornasse menos entediante e irritante possível.
Essa tarde, observando a pureza dessas crianças, foi memorável pra mim. Sei lá, fiquei tão feliz depois de conhecer o cabelinho de anjo, que conquistou meu coração e que eu queria que fosse meu familiar, meu vizinho ou coisa que o valha, pra que pudéssemos nos ver outras vezes e eu ter a chance de fazê-lo rir e ele, me encher a vida de luz e alegria com o seu riso.
Quando saí da consulta, não pensei duas vezes: dei um abraço de "até logo" no cabelinho de anjo. Ele ficou tímido, mas gostou. Acenei pra ele, ao que fui retribuída. E assim fui pra casa, com o ânimo revigorado, o coração leve, pensando que a vida é doce como batata doce. Mesmo porque em alguns momentos ela é. A exemplo desse dia, em que conheci cabelinho de anjo, que é mais doce do que doce de batata doce.
É um assunto batido, clichê pra cacilda, mas não ligo em relembrar os clichês. Se algumas pessoas parassem pra dar uma rememorada nos clichês, ouso dizer que a vida delas seria, ao menos, um pouquinho melhor, mais feliz.
É sabido por todos, todos mesmo, que a vida não é um mar de rosas, mas também não é a treva que alguns teimam em pintar e se enfiam nela todos os dias, um pouco mais a cada dia.
A vida é o que a gente faz dela. Tudo bem que os acidentes e incidentes de percursos existem e sempre vão existir, mas é inegável que a vida não muda se a gente não mudar, se a gente não entender que se arriscar é preciso para se sentir vivo.
De coração, não adianta passar a vida esperando que algo grande aconteça se nós não formos à luta. E, para sermos felizes, não precisamos de acontecimentos monumentais para darmos o primeiro passo. Precisamos, sim, dar o primeiro passo em forma de atos sinceros e altruístas. O primeiro passo deve ser dado , honrando a vontade que se tem de fazer algo belo e produtivo acontecer.
Teorias são importantes e interessantes, mas é na prática que as coisas são formadas, reformuladas e repensadas. Precisamos largar essa mania de criar planos mirabolantes de como a nossa vida deveria ser. Precisamos, na verdade, é de ousadia, força e de confiança em nós mesmos e em nossos projetos para fazermos o que queremos fazer nesse momento. 
A vida não é um bicho de sete cabeças. A vida é bem simples, se dá de forma singela. É tanto, que poucos percebem suas nuances doces, belas e acalentadoras.
Como não poderia ser diferente, nós, os seres humanos, somos responsáveis pelo desandar do mundo.
Quando finalmente começarmos a nos mudar, em sermos melhores para nós mesmos e para quem vive em nosso entorno, conseguiremos ver a vida como ela realmente é.

Erica Ferro

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27/10/13

Encontro de almas


Fim de noite.
Começo de madrugada.
E eu aqui, pensando
em você.
Será que já está dormindo?
O que está fazendo?
Lendo?
Escrevendo?
Desenhando?
Pintando?

Há um mistério enorme
em volta de você.
Um mistério que engloba
outra porção de mistérios.
Quero desvendá-los.
Sou curiosa, e acho
que você já percebeu
essa minha característica.

Sou ainda mais curiosa
quando algo me chama, fortemente, a atenção,
assim como você me chamou.

Não sei o que mais me chamou 
a minha atenção.
Se foi sua voz mansa, seu olhar
que parecer ler minha alma.
Só parece, ainda bem.
Do contrário, o bem que lhe
quero não seria mais segredo
meu.
Seria segredo nosso.

E se o bem-querer fosse recíproco,
seria um segredo que eu 
guardaria com gosto.

Quando o enlaço em meu abraço,
sinto uma ternura tão linda vinda de você,
um carinho sincero.
Abraços rápidos, raros, mas
mágicos e acalentadores.

Você é sutil, mas
eu o sinto, eu o enxergo,
como acredito que poucos conseguem.

Sou capaz de desvendar seus mistérios.
Mas eu quero desvendar todos eles ao seu lado,
dia a dia, aproveitando o mais emocionante
e delicioso que a vida pode nos oferecer.

Deixa-me entrar em sua vida.
Deixa-me alegrar os seus dias.
Deixa-me curar as feridas que 
eu sinto que há em seu coração.

A verdade é que eu gosto tanto,
tanto, tanto de você.
Tanto.
Tanto em tão pouco tempo, não é?

É que a minha alma se
comunicou com a sua.
Você não sentiu?
Algo me diz que sentiu.

Você tem medo, não é?
Não tenha medo.
Não de mim.
Eu só quero lhe fazer feliz.

Enxergue-me com os olhos
do coração.
Enxergue o meu ser.
Aceite-me.
Envolva-me em um abraço
doce e terno.
E, assim, selaremos
o nosso encontro de almas.

(Erica Ferro)

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Quando o coração, insanamente, se apaixona, a alma precisa transformar toda a desvairada paixão em poesia.
E, pronto, mais um poema torto para o Sacudindo Palavras.
Poema sem rima, sem métrica, mas com uma sinceridade de ouro.
Porque poemas sinceros me interessam.
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27/01/09

A insensibilidade pairando no ar;

Sensibilidade: coisa cada vez mais escassa. O mundo anda muito superficial. Acabou se esquecendo do que é real e essencial.

Todos os dias posso notar a insensibilidade no olhar e nas ações das pessoas. Elas andam sempre muito apressadas, ocupadas, centradas em si mesmas. Ser centrado em si mesmo não é todo o problema, mas é preciso abrir a mente e os olhos para todos os lados. Enxergar a realidade e a essência das coisas deve ser algo primordial em nossas vidas.

Vejo pessoas correndo de um lado para o outro. Preocupadas em chegar pontualmente aos lugares. Preocupadas para não se atrasarem no trabalho, para não serem demitidas. Preocupados com o horário daquela reunião de amigos, naquele bar onde as melhores farras acontecem. Preocupadas em não se atrasar, para que as pessoas ou a pessoa que estará te esperando não se decepcione com elas. Se preocupam em demasia com a opinião alheia, do que as outras pessoas vão pensar delas. Cuidam do seu lado externo, aparência. Gostam de passar uma boa impressão. Parecem ser os ser humanos perfeitos aos olhos de quem vê. Só que "o essencial é invisível para os olhos". Talvez nos preocupamos desnecesseriamente com certas coisas.

Chegar pontualmente aos horários, ter uma boa aparência, se preocupar com o exterior não é mau. O que é mau é esquecer do essencial. Esquecer de você mesmo, do seu interior. Não adianta cuidar de uma coisa, e se descuidar de outra. Devemos ser a capa e a contra-capa. Que o que somos interiormente possa ser refletido exteriormente. Que você não apenas aparente ser algo, mas que você seja o que aparenta ser.

Uma das mais belezas mais verdadeiras é a beleza natural, e que raramente nos damos o privilégio de contemplar, de cuidar. Você já viu o céu hoje? Viu como ele é lindo e perfeito? Viu como as nuvens passam bem lentamente no céu? Você ouviu o som das ondas do mar hoje? Não?! É um dos sons que mais acalma a alma de um ser humano atordoado. Há tanta beleza nesse mundo, estão ameaçadas, justamente pela insensibilidade, descuido e ganância humana. Mas nunca é tarde para mudar, para cuidar. Cuide de você. Trabalhe sua paciência, sua tolerância, sua inteligência. Cuide da sua qualidade de vida. Cuide de quem você ama. Passe mais tempo com as pessoas que lhe faz bem. Escute, e não apenas critique as outras pessoas. Passe mais tempo contemplando a beleza do céu do que discutindo sobre se você tem rugas ou não.

Se importe e priorize o que realmente é necessário, real e essencial. Abra o leque da sua sensibilidade. Veja a verdade. Feche o leque da superficialidade. Desligue a TV. Converse com você. Seja seu melhor amigo, se preciso. Reveja suas ações, seus medos e rancores. Seja limpo e realmente bonito. Aja com calma nos momentos atribulados, não se precipite.

Para finalizar, deixarei uma frase do livro "O Pequeno Príncipe - Antoine de Saint-Exupéry":

"Quer se trate da casa, das estrelas ou do deserto, o que faz a sua beleza é invisível!"

(Erica Ferro)