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30/08/15

Resenha: Extraordinário - R. J. Palacio

Extraordinário
R. J. Palacio
Editora Intrínseca
320 páginas
☺☺☺☺☺♥
Sinopse: August (Auggie) Pullman nasceu com uma síndrome genética cuja sequela é uma severa deformidade facial, que lhe impôs diversas cirurgias e complicações médicas. Por isso, ele nunca havia frequentado uma escola... até agora. Todo mundo sabe que é difícil ser um aluno novo, mais ainda quando se tem um rosto tão diferente. Prestes a começar o quinto ano em um colégio particular de Nova York, Auggie tem uma missão nada fácil pela frente: convencer os colegas de que, apesar da aparência incomum, ele é um menino igual a todos os outros.
R. J. Palacio criou uma história edificante, repleta de amor e esperança, em que um grupo de pessoas luta para espalhar compaixão, aceitação e gentileza. Narrado da perspectiva de Auggie e também de seus familiares e amigos, com momentos comoventes e outros descontraídos, Extraordinário consegue captar o impacto que um menino pode causar na vida e no comportamento de todos, família, amigos e comunidade – um impacto forte, comovente e, sem dúvida nenhuma, extraordinariamente positivo, que vai tocar todo o tipo de leitor.



"You are beautiful, no matter what they say
Você é bonita, não importa o que eles dizem
Words can't bring you down
Palavras não vão te fazer cair
You are beautiful, in every single way
Você é bonita, em todos os sentidos
Yes, words can't bring you down
Sim, palavras não vão te fazer cair"

(Christina Aguilera - Beautiful)

Extraordinário foi lançado em 2013 pela Editora Intrínseca e é o primeiro livro de autoria da norte-americana R. J. Palacio. R. J. atua há muitos anos no mercado editorial, mas nunca havia publicado nada, até que algo bastante desconcertante aconteceu com ela e os filhos, mais precisamente cinco anos antes de lançar esse livro. Em síntese, o que aconteceu foi o seguinte: ela e os filhos foram a uma sorveteria e, no meio tempo em que o filho mais velho tinha ido comprar milk shakes para eles, o filho mais novo, de apenas três anos, notou a presença de uma menininha com um rosto singular e, como, na sua inocência de criança, não sabia do que se tratava, se assustou e se pôs chorar muito. R. J. Palacio, totalmente desconcertada, muito preocupada em não machucar os sentimentos da menininha, chamou o filho mais velho, empurrou o carrinho do filho mais novo e tentou sair do local o mais rápido possível, derrubando os sorvetes em meio a confusão etc. Ela admite que entrou em pânico e não agiu de uma maneira sensata. Aquela cena na sorveteria não lhe saía da cabeça. Ficou imaginando em quantas vezes por dia aquela menininha, que na ocasião estava acompanhada da mãe e de uma menina que aparentemente era sua irmã, passava por situações tão lamentáveis quanto a que aconteceu com ela própria e seus filhos. Sentiu que o ato de correr em nada ajudou - nem ao filhinho nem a menininha. Notou que talvez tivesse sido melhor ter mantido a calma, quem sabe chamado a menininha e sua mãe pra conversar e mostrar ao seu filho que a menininha, aparecer dos traços diferentes, era uma criança como outra qualquer. Então ela se deu conta de que precisava fazer algo por essa menina e por tantas outras pessoas que sofrem com essa coisa deprimente que é a discriminação e a exclusão daqueles que fogem ao padrão de normalidade vigente, assim como outra coisa igualmente deprimente e horrenda conhecida como Bullying, seja por conta de uma deficiência ou por outros motivos que seres detestáveis acham justo escarnecer sobre essas pessoas. 
Quem me acompanha nas redes sociais e/ou quem leu meu penúltimo post, sabe que, por um bom tempo, eu meio que evitei ler Extraordinário, justamente por saber que me veria na maioria das situações pelas quais o personagem havia passado. Assim como Auggie, também tenho uma síndrome rara, e ela se chama Moebius. Sei bem como é ser tida como uma pessoa esquisita e, em alguns pontos de vista, "assustadora". Assim como esse menininho singular que R. J. Palacio criou, já experimentei do amargo e inesquecível gosto da discriminação causada pela falta de informação, mas, sobretudo, pela falta de gentileza de certas pessoas.
Extraordinário é narrado por August, familiares e amigos - uma sacada que eu achei fantástica, pois entramos em contato direto com Auggie, bem como o vemos pelos olhos de quem o conhece e convive com ele. Como diz na sinopse, Auggie aos dez anos nunca havia frequentado uma escola. Por conta das muitas cirurgias que fez, Auggie passou muito tempo em hospitais, ora operando, ora se recuperando das operações. Sua mãe, com amor incondicional, ensinava a Auggie uma porção de coisas que prontamente ele aprendia, afinal esperteza não lhe faltava.
Porém, eis que o momento chegou e o Auggie precisou ir a escola e encarar não uma, mas várias crianças o olhando como se fosse uma aberração e o evitando como se ele tivesse algo de contagioso. No entanto, assim como eu sempre fiz na minha vida, Auggie as conquistou e mostrou que possuía uma personalidade ímpar e assim elas passaram da repulsa e estranhamento a admiração e o respeito pelo garotinho com a face "deformada", mas com um coração e atitudes extremamente lindas. R. J. Palacio criou um menino por vezes inocente demais para sua idade, bem como maduro demais para ter dez anos. E crível. Não acho que aos dez anos eu era tão maravilhosa quanto Auggie. Contudo, não foi difícil devanear e pensar que é possível existir, por aí, por esse mundo afora, um menininho com os trejeitos, pensamentos e sentimentos semelhantes a ele.
A estória de Auggie poderia ser a minha história e a de tantas outras pessoas com uma deficiência facial. É um livro que precisa ser lido por todos. Todos mesmo. Aliás, faço uma pausa para mandar um abraço todo especial para Tailany Costa, do Despindo Estórias. Ela cursa Letras e, em um dos projetos da universidade, pediu aos seus alunos que lessem Extraordinário. Ela disse que escolheu esse livro inspirada na minha querida pessoa. É ou não é uma fofa? Claro que é! Continuando... Embora Extraordinário seja um livro que trata de eventos com uma carga dramática considerável, R. J. Palacio foi muito sábia ao pincelar tais acontecimentos com uma leveza incrível. É uma leitura que nos faz chorar e depois rir, pra logo após chorar de novo e assim rir outra vez. E é uma leitura que encanta, que faz com que queiramos fazer um mundo melhor para nós e para os outros. É um livro que fala sobre a importância de ser gentil nesse mundo cada vez mais sem harmonia e amor.
O que precisamos ter em mente é que somos todos humanos, iguais no sentido de termos que ser respeitados pelo que somos e exatamente do jeito que somos. Sabe aquela coisa de "não fazer com os outros aquilo que não queremos que façam conosco"? Deixemos que a empatia e a gentileza tomem conta dos nossos pensamentos e de nossas ações. Se praticarmos isso, certamente faremos do mundo um lugar mais aprazível de ser habitado.

Erica Ferro

* * *
Curiosidade: esse é a 400ª postagem do Sacudindo Palavras. Oba! Bem... Curtam a fan page do blog e/ou sigam no Twitter.
Tenho uma fan page na qual falo sobre a minha carreira na natação paralímpica, bem como um pouco de tudo que rola no mundo esportivo de uma maneira geral etc.
Um abraço da @ericona.
Hasta la vista!

22/05/15

Filme: Poder Além da Vida


Título: Peaceful Warrior (Original) / Poder Além da Vida (Brasil)
Ano de produção: 2006
Direção: Victor Salva
Gênero: Drama; Esporte
País: Estados Unidos
Sinopse: Dan Millman é um talentoso ginasta com sonhos Olímpicos. Ele tem tudo: troféus, amigos, motos velozes, belas garotas e festas “animais”. Seu mundo vira de cabeça para baixo quando conhece Sócrates (Nick Nolte), um homem estranho e misterioso capaz de entrar em contato com novos mundos de força e compreensão.
Após um grave acidente, Sócrates e a jovem Joy (Amy Smart) ajudam Dan a descobrir que ainda há muito a aprender, e muito mais para deixar para trás, antes de se tornar um “Guerreiro da Paz” e encontrar seu destino. Uma comovente história sobre o poder do espírito humano.
Site Oficial: http://www.thepeacefulwarriormovie.com.


Depois de mil anos, cá estou eu para atualizar esse blog. Como podem ver, continuo hiperbólica e procrastinadora. Mas eu sei que vocês me amam (ou me aturam) mesmo assim, seus lindos! Há um bom tempo – e quando digo um bom tempo, é muito tempo mesmo – que li a sinopse desse filme num post da minha cara amiga gaúcha Ana Seerig. Desde então, pensei “Que fabuloso, quero ver esse filme!”. Adicionei-o, então, à lista de “Quero ver” da minha conta do Filmow. Porém, não sei por que, demorei esse tempo todo pra ver. Na verdade, sou meio hiperativa, sendo custoso me fazer ficar parada por mais de uma hora assistindo a um filme. O filme tem que ser muito bom para que eu consiga ficar quieta, totalmente mergulhada nas cenas da película. E, caramba, Poder Além da Vida conseguiu me fisgar! É um filme dramático, mas com uma porção exata de comicidade e fantasia – elementos esses que só tornaram o filme ainda mais envolvente. Aliás, é um filme meio que autobiográfico. Isso colaborou para que eu me encantasse mais ainda com a história!
Poder Além da Vida, sobretudo, nos faz pensar e refletir sobre vários aspectos da vida. É um filme que nos convida a uma reflexão profunda sobre nós mesmos e sobre os outros. Dan Millman é um grande cara da ginástica, com chances reais de conseguir chegar às Olimpíadas. Isso é ótimo, certo? Certo, de fato é algo ótimo. A vida de Dan é aparentemente perfeita em todos os aspectos. Até que... Dan sofre um acidente e os médicos consideram improvável que ele volte ao esporte. Dan fica inconsolável, obviamente. Coisa que eu entendo e pude sentir perfeitamente por ser atleta e não conseguir me imaginar longe dos treinos e das competições de natação. Depois disso, a vida de Dan decai de um modo deplorável. Ele não pode mais treinar, consequentemente ninguém mais o paparica como uma promessa olímpica. E eis então que Sócrates passa a ter um importante papel na vida de Dan. Dessa maneira, ao longo do filme, podemos questionar, juntamente com o protagonista e o seu mestre Sócrates, a suposta vida perfeita que Dan tinha. Sócrates é uma figura misteriosa e fantástica que surge na vida de Dan com a finalidade de incomodá-lo. E quando falo incomodar, me refiro a um sentido bom dessa palavra. Há algo de bom no ato de incomodar?, vocês me perguntam. Sim, respondo-lhes. Imaginem que vocês vivem as suas vidas, mas não sabem por que vivem o que vivem, não sabem qual o sentido de realizarem as atividades que fazem diariamente, muito menos sabem quem são. Agora, visualizem alguém entrando em suas vidas e lhes direcionando, por meio de vários ensinamentos e exercícios, a enxergarem a si mesmos e o mundo em que vivem. Porque enxergar é diferente de ver. Nós vemos várias coisas e pessoas todos os dias, mas será que as vemos, de verdade? Será que enxergamos essa gama de coisas, pessoas e situações? Especialmente, será que nos enxergamos? Vocês sabem quem são? Vocês sabem o que lhes despertam amores e horrores? Qual é a razão da suas existências? Vocês já se perguntaram isso? Vale tudo na vida? O que vale na vida? O que importa para vocês? 
São inúmeros os questionamentos que podemos fazer com bases nos diálogos de Dan e Sócrates. A vida tem a ver com amor. Viver tem a ver com aproveitar cada momento. Viver, também, tem a ver com dar um passo de cada vez. Não adianta devanear e criar mil e uma possibilidades para momentos futuros. O futuro não nos pertence. O que temos é o agora, é o já. O nosso lugar é no aqui, nossa hora é agora e somos esse momento, como Dan bem diz numa das cenas mais marcantes do filme.
O roteiro é baseado no livro semi-autobiográfico O caminho do guerreiro pacífico, de Dan Millman. Dan é um ex-ginasta e escritor norte-americano que segue um estilo de escrita que se encaixa numa autoajuda mística. O enredo desse filme é primoroso e altamente filosófico, fator que me cativou ainda mais. Gostei bastante da atuação de Scott Mechlowicz e Nick Nolte. Fiquei muito satisfeita com a evolução de Dan e me apaixonei pela sabedoria de Sócrates.
De modo algum é um filme somente sobre esportes. O esporte, nesse filme, é apenas o pano de fundo para a abordagem de várias questões existenciais. Recomendo a todos, sobretudo para àqueles que se deleitam em roteiros reflexivos e filosóficos.
Se assistirem, não se esqueçam de me mandar um recado dizendo o que acharam de Poder Além da Vida.

Vejam o trailer:


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01/02/15

Sobre a verdadeira bênção


Certa vez alguém disse que a ignorância é uma bênção, eu diria que a ilusão também tenta ser.
Nas redes sociais – e para além dela –, nota-se uma ânsia por parte de muita gente em reinventar a sua realidade, excluindo os defeitos e as partes obscuras, e exaltando, exacerbadamente, as qualidades, mentindo para os outros e, sobretudo, para si mesma, o que é mais preocupante.
Algumas criaturas, à medida que mais e mais postam assertivas de felicidade e prosperidade, transmutam a vida numa espécie de teatro, assumindo personagens incrivelmente bem-sucedidos, contentes e que gozam de uma harmonia imensa nos mais diversos setores de sua vida.
Entretanto, quando estão sozinhos consigo mesmos, caem em si e sofrem, calados, envergonhados das suas mazelas, como se sofrer fosse extremamente indecente e feio, mas, ainda que o sofrimento seja grande e a desolação, desconcertante, preferem perseverar na ilusão cômoda a externar os seus ferimentos e buscar por uma existência de fato feliz, que pode até não ser um mar de rosas contínuo, mas é real, é verdadeira, é palpável.
A vida, para ser apreciada, não precisa ser perfeita. Aliás, se fosse perfeita, duvido que fosse interessante, afinal não existiriam desafios a serem vencidos, metas a serem atingidas e obstáculos a serem transpostos. 
Anunciar aos quatro cantos uma vida perfeita, por medo do olhar de compaixão de outrem, é mais triste do que assumir o quanto se é humano, e humano sangra, se zanga, chora, sofre, mas é capaz de superar qualquer coisa quando se propõe a esse fim.
Que a vida seja dura, igual a rapadura, e desde já me desculpo pela rima tola, mas que também seja doce e que valha a pena.
Toda negatividade pode ser convertida em positividade, basta que se use a criatividade. Só a mentira não pode ser convertida em verdade.
Por essa razão, a bênção não vem da ignorância ou da ilusão, mas sim do se jogar no que é real, passar pelos becos sombrios da existência, a fim de chegar, lá na frente, a um lugar bonito e repleto de luz, de flores e de deliciosos sabores.
Viver, de forma a sentir tudo o que for para sentir, é que é uma bênção.

Erica Ferro

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14/01/15

Tudo ficará bem!



Farin Urlaub Racing Team - AWG (Alles wird gut)

Tudo ficará bem!

É trágico, mesmo sendo um pouco cômico, a nossa cegueira quando estamos perdidos, entristecidos, magoados ou até mesmo cansados de tudo, inclusive de levantar da cama e ir viver. A verdade é que às vezes a vida se apresenta pra nós de uma maneira tão pesada, tão difícil de lidar, que a gente vai pela via mais fácil: de mergulhar no problema e só pensar no pior. É mais fácil, sim, porque sair do buraco e resolver solucionar o problema exige esforço, foco e desprendimento. Pode parecer insano, mas, no íntimo, somos meio masoquistas. Não que nos sintamos felizes em sofrer, mas é como se, inconscientemente, achássemos que merecemos tudo que está acontecendo conosco ou que, como a culpa da nossa desgraça não é nossa, foi outro alguém que causou a nossa perdição, precisamos sofrer muito, só pra provar pra todo mundo o quanto alguém foi terrível conosco. E isso é lamentável.
Há pessoas que são extremamente cruéis e causam estragos descomunais na vida das outras, conscientemente ou inconscientemente. Mas aí é que tá! Se a gente for se apegar ao mal que fizeram conosco, aos momentos ruins que nos fizeram viver, nunca vamos conseguir enxergar a luz no fim do túnel ou dar o primeiro passo pra trilhar um caminho mais feliz e deixar pra trás toda a dor e a tristeza que só nos assola e nos causa mal-estar.
Poxa vida! Só temos uma chance de ser felizes. Não podemos nos entregar ao sofrimento e a autodestruição. Viver é dureza, mas também tem o seu lado doce e bom. A vida não só é feita de momentos difíceis, a gente precisa desenvolver a habilidade de perceber, nas singelas e sutilezas da vida, o que realmente vale a pena e o que nos enternece e nos faz melhores. É preciso deixar as coisas supérfluas pra trás, no mar do esquecimento. É preciso tirar do nosso coração o peso do rancor e da mágoa.
O lance é viver o aqui e agora, da melhor forma possível, buscando sentir a alegria que mora num céu azul, no canto dos pássaros e na gargalhada de um bebê. Temos que focar no que nos faz sorrir e no que nos impulsiona rumo a felicidade, a paz de espírito e aos bons sentimentos, que, se cultivados com amor e cuidado, darão lindos e doces frutos.
A vida é bonita, minha gente. É, sim, posso dizer isso com propriedade. As dificuldades e os problemas que surgem durante o caminho devem servir pra nos fortalecer e proporcionar uma ampliação de nossos horizontes.
Eu vivo a vida com graça e alegria, porque meu espírito, mesmo que seja castigado ou humilhado vez ou outra, sempre dará a volta por cima e sorrirá ante o imenso leque de possibilidades de ser feliz e de me sentir plena. 
Com esse mundo tão caótico, prestes a desabar sobre as nossas cabeças, o melhor que podemos fazer é dar ouvidos aos discursos que falam de amor e de paz. Precisamos deixar que o amor encha nossa vida e se reflita em nossos atos.
O mundo precisa de amor e de naturalidade. Não é preciso criar toda uma programação de como se viver bem. O "pulo do gato" é justamente se sentir bem, pensar no que faz bem e fazer o bem. De forma natural. De forma genuína. É disso, entre outras coisas, que se trata a vida e o viver.

Erica Ferro

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Hasta la vista!

24/12/13

Just believe!



Há uns dias estava garimpando músicas bacanas na maravilhosa fonte musical que é o Grooveshark, e encontrei essa lindeza de música: extremamente doce, tocante, com uma mensagem encantadora. Vejam o vídeo. Escutem a melodia. Leiam a letra. Nessa magia natalina eu acredito. Acredito que, mesmo com muito para nos preocupar, há muito o que celebrar. Celebremos, pois. Deixemos essa magia contagiar nossos dias.
Independente de religiões e de alguns fazerem dessa época um tempo de consumo desenfreado, penso que não é uma data que devemos ignorar. Creio que ter um dia do ano para avaliar nossos feitos e os não-feitos é válido. Creio, mesmo, que é muito bacana ter um dia para que nossas esperanças, afervoradas pelo dito espírito natalino renasçam. Creio, com todo o meu coração, que o Natal é um momento em que devemos estar bem perto das pessoas que amamos, o mais perto possível, daqueles que fazem a nossa vida mais colorida, mais bonita, mais feliz.
Natal é tempo de relembranças. Natal é tempo de reviver e reviver momentos. Natal é tempo de agradecer por todas as conquistas e por todas as alegrias diárias. Não que seja o único dia em que devemos agradecer. Pelo contrário, devemos ser sempre gratos pelos degraus que galgamos na íngreme escada da vida. Entretanto, fazer um apanhado geral de tudo que houve de esplendoroso em nosso ano e agradecer no Natal é algo impagável e muito especial.
Claro, muitos reclamam da hipocrisia do Natal, no qual pessoas que durante o ano inteiro se evitam e/ou se ignoram, mas que nessa época se abraçam, trocam presentes, etc. Há muita hipocrisia no Natal, sim. Há sempre. Há em todo lugar. No entanto, podemos fazer escolhas. Eu, por exemplo, escolho não ser hipócrita. Eu escolho ficar perto de quem eu realmente gosto e aprecio a companhia. Eu escolho abraçar a quem eu tenho um apreço gigantesco. Eu escolho abrir meus braços àqueles que querem me abraçar. 
Um dos meus desejos natalinos é que um dia, oh! um dia!, esse espírito bonito de se compadecer e tentar solucionar as necessidades alheias não exista apenas no Natal. Que a bondade e a capacidade de visualizar o que acontece ao redor permaneçam durante todos os dias do ano. 
Que não sejamos omissos ao que é iníquo. Que não sejamos passivos diante de covardias. Que não sejamos mais um na multidão. Que sejamos da cor verde-limão. Chamemos atenção, através de genuínos atos de gentileza, de benevolência e de honestidade. Contanto, sobretudo, sejamos naturais. Busquemos nos encontrar a todo momento. Encontrar a nossa essência, nosso equilíbrio, nossa forma de viver melhor nesse vasto mundo.
De coração, desejo a vocês, meus amigos, um lindo momento natalino, no qual a alegria e a paz pairem. 
Um abraço enorme da @ericona, a bonita.
Hasta!

15/12/13

Super(ação). Superação. Super(ar). Superar sempre.


Hoje faz exatamente uma semana que cheguei de uma fantástica competição de natação, que aconteceu na capital do Ceará: o V Meeting Cearense de Natação Paralímpica. 

Como vocês sabem (se não souberem, saberão agora), eu sou nadadora paralímpica, mas há um ano e meio que não participava de competições. A razão? Ela, a minha perseguidora: a Síndrome do Pânico. Não sei se vocês se lembram, mas o final de ano de 2012 foi terrível pra mim. Não só o final do ano de 2012, como também cerca de 50% do primeiro semestre de 2013. Passava mal quase todos os dias, com uma ansiedade desenfreada, uma agonia constante. Era como se eu estivesse morrendo aos poucos todos os dias. Até conseguir encontrar a medicação certa, eu penei, amigos. Sofri um bocado. Ter Síndrome do Pânico é uma das piores coisas que há nessa terra. É tão ruim, tão horrível, que quem tem, não deseja isso nem pra um inimigo. 
Dada essa introdução, quero agora só falar das coisas boas que me aconteceram depois que a minha vida começou a entrar nos eixos. 
O primeiro semestre do curso de Biblioteconomia na UFAL foi um tanto apertado, corrido, mas muito produtivo. Mesmo com a minha ansiedade um tanto descontrolada, consegui curtir bem o level 1 do curso. Foi ainda no primeiro semestre que uma professora indicou meu nome a um projeto de iniciação científica. Aceitei o convite, claro. Ser aprendiz de pesquisadora é algo que demanda tempo e esforço, mas que está me fazendo crescer imensamente como acadêmica.
Negligenciei bastante os treinos de natação nesse ano. No início, não era negligência: era medo de passar mal enquanto fazia esforço físico nos treinos (meados de fevereiro/março, quando voltei a nadar pensando em competições), mas depois comecei a negligenciar porque me enrolei com alguns trabalhos na UFAL e acabava faltando muitos treinos. O que aconteceu foi que eu construía coisas massas como atleta, mas, quando começava a faltar por uma razão ou outra, a construção desmoronava. Afinal, um atleta que quer render, ele precisa ter assiduidade, pois, do contrário, será um eterno construir e desconstruir, sem chegar a lugar nenhum. Analisando toda a situação agora, percebo que tudo foi uma questão de falta de planejamento de minha parte. Aprendi a lição e, a partir dessa nova fase, que se inicia amanhã, saberei conciliar tudo o que eu faço, sem abrir mão de nada.
Fui a esse Meeting em Fortaleza consciente de que não poderia esperar boas marcas nas provas que eu iria nadar (nove provas... eram dez no total, só fiquei de fora dos 100m borboleta). Eu tinha consciência de que eu não poderia esperar, mas, no fundo, a gente sempre espera que na hora, por um milagre ou uma grande cagada (desculpa a expressão), consigamos nadar bem e fazer marcas legais. Não foi o que aconteceu.  Um atleta de verdade não espera: ele faz. Mais uma lição que aprendi (ou reaprendi).
Entretanto, por mais incrível que pareça, não fiquei triste. Ao contrário, nadei nove provas e em nenhum momento passei mal com ansiedade excessiva. Tinha como ficar triste? 
Eu estava muito nervosa apenas na primeira prova, mas era uma ansiedade normal. Eu não senti nenhum vestígio da Síndrome do Pânico. Isso, pra mim, foi a minha grande vitória. Conseguir nadar todas as provas, inclusive umas que nadei pela primeira vez, foi algo, assim, impagável. Saí da competição feliz demais por ter vencido a minha maior adversária dos últimos tempos: a Síndrome do Pânico. 
Mesmo não nadando bem, aumentando as marcas de algumas provas, consegui medalhar em oito das nove provas que nadei. Foram três ouros, três pratas e dois bronzes. 
Aprendi muito também na pré-competição, competição e pós-competição com a minha equipe. Nós quase não conseguíamos viajar a Fortaleza. Lançamos campanha nas redes sociais, pedimos auxílio financeiro a professores e alunos da Estácio/FAL e da Biblioteconomia/UFAL e, para a alegria da equipe e de nossos admiradores, alcançamos a meta que queríamos (R$ 4 000), para transporte, auxílio hospedagem e alimentação).
Sou um tanto cara de pau, tanto, que mandei o link da campanha ao ator e humorista Fábio Porchat. Ele compartilhou duas vezes a campanha, abraçou a causa e ficou na torcida. Duas empresas chegaram a mim através dos compartilhamentos dele. Empresas que nos deram um apoio muito massa: IlhaSoft (Maceió/AL) e B&S Soluções em Limpeza (Aratiba/RS). Foram parceiros, realmente. Contribuíram com o máximo que puderam, mas, sobretudo, nos disseram palavras de incentivo e ficaram na torcida. Isso não tem preço. As deputadas Rosinha da ADEFAL e Thaise Guedes apoiaram a nossa causa e nos ajudaram a transformar o nosso sonho em realidade. 

Na foto, Natação ADEFAL e dois amigos queridos da equipe: o carinha de camisa preta, Alisson Ampolini, do Mato Grosso, e a queridona de camiseta branca com gola verde, Natália, de Sergipe.

Nós fomos ao Ceará com uma equipe maravilhosa e um objetivo ousado, mas possível: levar a natação ADEFAL ao pódio. Queríamos ganhar algo que nunca tínhamos ganhado ainda: um prêmio por equipes. E nesse Meeting conseguimos. Ganhamos a terceira colocação por equipes (entre treze equipes). Trouxemos um lindo troféu para Maceió, fruto do nosso esforço, do nosso suor, da nossa garra e da nossa fé.
O grupo estava muito unido, passando energia positiva, um apoiando o outro de uma maneira que eu nunca tinha visto antes. Fico toda arrepiada só de escrever sobre isso.

Na montagem, 1ª foto: parte da equipe Natação ADEFAL. 2ª Erica Ferro, linda, com suas oito medalhas. 3ª foto de todas as medalhas conquistadas pela equipe e do troféu de terceiro lugar por equipes.

Porchat, além de ter compartilhado a campanha por duas vezes, parabenizou a equipe por todo o esforço e dedicação. Cliquem aqui pra ler as belas palavras dele.
Escrevi vários posts sobre essa competição no Facebook, mas há dois que preciso incorporar nesse post aqui. Isso deixará esse texto ainda maior, mas não me importo. Sei que, se vocês estão aqui por livre e espontânea vontade, vão gostar de ler o que escrevi. Ou não. Mas enfim, não posso deixar esse dois textos de fora desse meu post aqui, no meu querido blog.

A primeira facebookada foi dia 06/12, um dia antes da competição:

Nunca me senti tão feliz como hoje. Aliás, desde que saí de Maceió, que estou me sentindo extremamente orgulhosa da minha equipe, de cada atleta que está aqui.

Eu já tinha chorado de alegria na quarta pelo fato de termos unido nossas forças, junto com o apoio fabuloso de vocês, amigos queridos e todo mundo que apoiou, e conseguir recursos financeiros para viajarmos para Fortaleza.
Foi uma campanha maravilhosa. Espalhamos pelo Facebook, na Estácio/FAL, na Biblioteconomia/UFAL e em todos os lugares que conseguimos. Estava escrito que nos conseguiríamos vir a Fortaleza. A meta era muito ousada, considerada impossível por muitos, mas nós, atletas e, puxa vida, o nosso amado técnico Diego Calado fez de tudo, mas tudo mesmo pra que estivéssemos aqui.
Há pouco tivemos uma reunião espetacular com Diego e toda equipe. Uma reunião com o intuito de conversarmos um pouco dos percalços por quais passamos pra chegar até aqui e também para vermos um vídeo sensacional que um grupo de alunos do curso de Educação Física da Estácio/FAL fez sobre a nossa equipe. Um vídeo motivacional. Um vídeo inspirador.
Na minha teima de querer ser vista como mais uma, como uma "pessoa normal", me irritava um pouco por dizerem que eu era/sou um exemplo de vida.
Todos temos limites a superar, mas, cara, hoje eu chorei demais na reunião com o vídeo que os estudantes da Estácio/FAL fizeram. Foi lindo.
A mensagem do vídeo, em síntese, mostrou a mim e aos meus amigos de equipe que nós somos exemplo de vida sim e não devemos nos irritar por causa disso.
Nós quebramos paradigmas, nós transformamos o quase impossível em possível. Nós chocamos as pessoas, no bom sentido da palavra. Nós somos exemplos de que a vida pode dar certo quando lutamos para que ela dê certo. Somos lições de vida para quem vive reclamando da vida, mas não se move pra mudá-la.
Nós, da equipe de natação ADEFAL não treinamos apenas para sermos os melhores atletas do país e/ou do mundo. Na verdade, o esporte nos faz seres humanos melhores, não apenas atletas melhores.
E quando as pessoas (com ou sem deficiência) observam nossas ações na vida e no esporte, elas se emocionam.
E hoje eu me coloquei no lugar de uma pessoa sem deficiência e me senti tão feliz pela Ericona. Hoje posso dizer que sou feliz por ser do jeito que sou, feliz por ser motivo de inspiração pra muita gente, por poder mostrar uma outra visão de mundo, por sacudir uma vida aqui e acolá e dar um novo sentido a ela por algo que eu disse ou que esse vivente me viu fazendo.
Eu chorei muito nessa reunião, muito mesmo. De felicidade, de sentimento de plenitude, de superação dos meus medos, dos meus traumas. Medo de ser excluída pela sociedade por ter um rosto esquisito segundo os padrões de beleza que a sociedade conhece, uma face paralisada, pela minha má dicção devido a paralisia facial.
Hoje, através do esporte e das vivências que tive, sou uma pessoa muito mais desinibida, muito mais destemida.
Hoje eu converso com qualquer pessoa normalmente, sem me sentir tensa, com medo de que a pessoa não entenda o que eu falo. Eu me aceito mais.
É assim que eu sou? Então beleza, vamos viver, mas vamos viver mesmo, com toda a nossa forçaa, com todo o nosso vigor. Porque, caramba, a vida é só uma. É aqui e agora.
Amanhã será a competição. Um dia de competição, duas etapas. Pela manhã, começa às 8h30. À tarde, começa às 15h30.
O que tenho a dizer mais? Que eu amo a natação, que eu amo o que eu faço, que eu me amarro em nadar, adoro essa emoção maravilhosa de competição.
Mas há algo mais que eu preciso dizer: DIEGO CALADO, NÓS, EQUIPE DE NATAÇÃO DA ADEFAL, AMAMOS MUITO, MUITO MESMO VOCÊ!
Falo por todos, mas acrescentando mais do que eu sinto por você. Te vejo como um pai, cara. Um pai suuuper novo, né? Tem idade pra ser meu irmão mais velho, mas eu te vejo como pai pelo teu amor a equipe, pela tua dedicação incondicional, por ser essa pessoa maravilhosa e um ser humano singular, admirável pelo que é, mas, sobretudo, pelo que faz. Muito obrigada por fazer parte da minha vida. Você é parte essencial dela. Eu amo MUITO você.
Todo o esforço que você fez, faz, está fazendo e fará pela natação paralímpica e pelo esporte paralímpico em geral um dia será reconhecido da maneira que se deve. Porém, cara, o mais lindo reconhecimento você já tem: o nosso.
Não foi à toa que a equipe toda chorou quando você, todo emocionado, disse: "Cara, isso aqui é a minha vida...", em um momento da reunião. Nós somos parte fundamental da sua vida e você, da nossa.
Okay, escrevi demais.
Só queria dizer que eu estou imensamente feliz de estar aqui com meus queridos companheiros de piscina e o Diegão, o técnico mais sensacional que há.
E AMANHÃ VAMOS COM TUUUUDO! TUDO e mais um pouco!
Nadaremos com forca, faremos nosso melhor! E é isso que importa.
ORGULHO DE SER ATLETA PARALÍMPICA! ORGULHO DE TER DIEGO CALADO COMO TÉCNICO!
Fiquem na torcida!
VAMOOOOOOOOOOOOOOOO, NATAÇÃO ADEFAL!

A segunda facebookada foi publicada no dia 10/12:

O sorrisão mais sincero do mundo inteiro é esse daí.

Fico revendo as fotos do V Meeting Cearense de Natação Paralímpica e meu coração se enche de alegria, de contentamento, de plenitude, de um sentimento de total realização.
O V Meeting Cearense de Natação Paralímpica não foi "apenas mais uma competição". Foi "a competição", pelo menos pra mim. Foi "a prova dos nove".
Passei maus bocados no final de 2012 até mais ou menos metade de 2013. Passei vários meses sem treinar acorrentada pela Síndrome do Pânico, que me fazia sentir coisas terríveis, verdadeiras amostras grátis da morte. Foram tempos de tempestade.
Porém, então veio o sol. Depois do meio do ano, as coisas foram se encaixando, o tratamento para ansiedade fazendo efeito e eu vi a minha vida voltar ao normal. Comecei, aos poucos, a pensar em alto rendimento, pensando em competições novamente. E voltei a treinar. Entretanto, eu era mais de palavras do que ações. Não tem por que ocultar que, por falta de planejamento de minha parte, não finalizo o ano com tempos considerados bacanas para quem - por enquanto, espero - se enquadra na classe s9.
Eu sabia que nessa competição a minha maior meta era conseguir concluir as nove provas nas quais me inscrevi. Não eram tempos. Não poderia me cobrar, já que não tinha dado meus cem por cento em treinos. E cumpri minha missão. Concluí minhas provas.
Fiquei MUITO nervosa nos 50m livre (primeira prova da competição), muito mesmo, mas não a ponto de me dar um treco e uma vontade de sair correndo. Ansiedade normal, mesmo. À medida que ia nadando minhas provas, ia relaxando. Na minha prova final (200m medley), estava tranquila. Consegui fazer meu nado do melhor modo que eu pude. Saí feliz da vida da piscina.
Posso cantar, a plenos pulmões, essa canção: "Ei, medo! Eu não te escuto mais. Você não me leva a nada... ♫".
Que a vida continue assim: leve, bonita, florida e doce. Alguns espinhos aparecem, mas agora já tenho força pra passar por eles sem me deixar abalar.
Diego, você é demais! Obrigada por estar sempre comigo no período em que estive afastada da natação. Obrigada pelo apoio incondicional.
Neusvaldo Wanderley, você também colaborou para que eu buscasse forças e continuasse a nadar. Muito obrigada, meu amigo.
E VAMO QUE VAMO! Porque eu voltei, e agora é pra ficar!
Em Fortaleza, revi pessoas que admiro na natação paralímpica, conheci outras pessoas igualmente admiráveis. Todos me receberam tão bem, me deram boas-vindas de uma maneira tão linda. Senti-me imensamente acolhida por cearenses, baianos, paulistas e mato-grossense (sim, no singular, porque de mato-grossense só tinha o Alisson Ampolini ~risos~).
Enfim, esse Meeting foi especial demais pra mim, foi um recomeço.
Obrigada, Fortaleza! Foi lindo!

• • • 
Logo mais volto com os meus posts tresloucados, meus contos mal contados, meus poemas tortos e meus comentários supersinceros sobre os livros que li e os filmes que vi.
Aguardem-me, porque não demoro a voltar aqui.
Deixem-me fazer o pedido de sempre: curtam a fan page do blog e sigam no Twitter.
Um abraço da @ericona.
Hasta la vista!

30/04/13

Do cansaço bom


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Estou cansada. Realmente cansada. Mas é um cansaço bom demais, sabe? Porque eu me cansei fazendo o que eu gosto, me esforçando ao máximo nas atividades que me alegram e me proporcionam prazer. Afinal, fazer o que gostamos também é cansa, ainda mais se fizermos com empenho, com verdadeiro afinco. Eu tenho me dedicado genuinamente aos meus projetos, mais do que nunca. Sou uma sonhadora, uma sonhadora afobada, e esse é o problema. É que eu quero que os meus desejos se realizem agora, no momento já, e nem sempre é possível. Aliás, creio que isso não seja mesmo possível. Porque tudo é um processo. Sim, podemos sonhar e realizar, mas não da noite para o dia. E é isso que tenho tentado fixar nessa cabecinha aluada. O que tenho feito? Corrido atrás do prejuízo, trabalhado arduamente, com muita fé, extremamente focada. Estou me preparando para colher ótimos frutos. Mas, por mais que isso soe um bocado pessimista, sempre é bom aprontar o espírito para uma possível colheita malsucedida. Porque, infelizmente, há esse negócio de "as coisas podem dar errado, por mais que você tenha feito tudo certo". É uma ironia das mais sacanas da vida para conosco, mas o que podemos fazer contra isso? Nada. Ops, há sim. Tentar de novo. Tentar outra vez. Raul tem toda a razão em sua sábia música. Podemos sacudir o mundo, se quisermos. Não sei qual é a da vida nos boicotando, mas sejamos mais sacanas do que ela: se ela nos derrubar dez vezes, nos levantemos onze e alcancemos o que for pra ser alcançado. Porque, veja bem, a vida é pra quem tem sangue nos olhos. Tropeços fazem parte do caminho longo e louco da vida. Então, nessas horas, cantemos aquela musiquinha "levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima...". 
Eu já caí várias e várias e várias e várias e várias (...) vezes. Algumas quedas foram realmente feias e eu fiquei realmente machucada, chegando a achar que nunca iria conseguir andar novamente. Mas eis-me aqui, de pé, andando de novo, seguindo adiante. 
Porque eu posso ser azarada, mas também sou demasiadamente raçuda. Um dia o azar se cansa e eu venço a guerra. 
Assim seja!

• • • 
Texto escrito especialmente para o compartilhar com um dos grupos mais adorados, o Elite Blogueira. Especificamente para a seção #todoscomenta (sim, eu sei que a concordância está errada, mas é assim mermo o nome do baguio, tá ligado?).
(...)
Não esqueci de resenhar e sortear o livro "Proteja-me", publicado pela Novo Conceito. É que as coisas têm sido meio corridas, tanto que eu ainda nem li o livro. Mas, quando menos vocês esperarem, venho com a resenha do livro e, logo depois, com o sorteio. Aliás, tenho MUITOS livros da Novo Conceito pra ler e pra sortear, mas acho que vão demorar a aparecerem por aqui. Demorar um pouco, pelo menos. Mas eles aparecerão e vocês farão a festa, beleza?
(...)
Quem não curtiu a fan page do blog, curta. Quem não segue o blog no Twitter, siga.
(...)
Um abraço da @ericona.
Hasta la vista!

17/01/13

Confia em mim



Calma, não se afobe. Olhe bem nos meus olhos, tudo vai dar certo. Sim, eu sei que as coisas têm sido difíceis pra você. Mas não se entregue. Não desista. Não se desespere. Olha, meu bem, quando a gente se desespera, tudo desanda. Desesperar-se só piora as coisas. Eu sei, eu sei, não é nada fácil manter a calma num momento crítico. Eu sei que é tão difícil preservar a tranquilidade quando o mundo parece desabar sobre nós. Porém, é de conhecimento dos sábios que o desespero só traz ainda mais desgraça, só traz mais caos.
Ai, pequena, a vida é tão dura! A vida é mesmo uma loucura. E eu queria, sinceramente, que ela fosse mais leve para nós, especialmente pra você. Eu queria que ela fosse mais flores, mais passeios no parque, mais coração feliz, mais sorvete de morango e chocolate. Eu queria que a vida fosse só alegria pra mim e pra você. Mas não pode ser assim. Não pode. É impossível ter uma vida perfeita. E eu sinto tanto por tudo isso que você vem vivendo. E eu quero tanto te ajudar. Mas não sei como. É por isso que eu te desejo força, muita força pra superar todos os momentos ruins, todas essas experiências doloridas. Força, minha querida, você sairá dessa. Você me disse que às vezes acha que parece que tudo isso não terá fim. Quando a dor é contínua e é enorme, temos essa impressão mesmo. Mas é só a sensação, viu? Acalma o seu coração, que as coisas vão se ajeitar. É só o inverno. Um inverno rigoroso, extremamente frio e chuvoso. Mas, olha, eu te garanto que tudo vai se ajeitar. Acredita nisso. Eu te quero crente em dias melhoras, daqueles bem ensolarados, daqueles que nos fazem sorrir feito crianças.
Você ficará bem, eu sei que ficará. Nunca ache que essa maré de coisas ruins e desconcertantes vai durar para o resto de sua vida. Não ache isso. O que é pra durar é a sua vontade de viver. Isso é pra durar. E eu sei que essa vontade está aí, intacta, dentro do seu peito. Resgate essa vontade. Volte a viver, mas sem pressa, sem afobação. Aos pouquinhos mesmo, no seu tempo.
Eu queria que você prometesse que não vai desistir, que não vai entregar os pontos. Mas isso seria te cobrar, e eu sei que você não aguentaria isso nesse instante. O melhor que eu tenho a te dizer é isso: você vai conseguir. Você vai ficar bem. Eu sinto. E eu estarei aqui para o que você precisar. Pode me ligar a qualquer momento, seja do dia ou da noite. Eu irei correndo ao seu encontro. Pequena, eu te quero tanto bem, sabia? Tanto bem! Não vejo a hora de chegar aí, te abraçar apertado, te fazer um carinho e te mostrar que a vida pode ser bonita. Confia em mim, a vida voltará a sorrir pra você.

Amo-te! 

Um beijo do seu amado,
Pedro

• • •  
Ah, como eu queria receber uma carta assim! Tanto queria/quero, que resolvi escrever esse conto.
Quero um Pedro na minha vida!
(...)
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Um abraço da @ericona.
Hasta la vista!

30/05/12

Sobre ser sonhador

Eu tenho sonhos, e você? Poderia contar-lhe sobre os meus sonhos, mas prefiro discorrer sobre a minha insistência, sobre a minha vontade incansável de realizá-los.
Olha, lê-me com atenção, se você tem um sonho, não desista dele. Nunca.
O quê? Você já tentou várias vezes, mas, infelizmente, fracassou? Que coincidência! Eu também!
Mas eu sou do tipo que nunca desiste, sabe? Nunca mesmo. Mesmo quando todo o mundo já não acredita mais em mim; mesmo quando as pessoas, cruelmente, aconselham-me a desistir. Sim, porque é extremamente atroz desestimular um sonhador.
Diz-me que sentido teria a minha vida se eu desistisse dos meus sonhos? A vida por si só não faz sentido! Os meus sonhos tornam a minha vida significativa, dão-me ânimo para acordar todos os dias e guerrear por eles. Por que, meu Deus, eu desistiria deles?
Eu sei, eu sei, nem só de sonhos pode viver o ser humano. Porém, nada me impede de lutar por meus sonhos enquanto, paralelamente, sobrevivo, levando uma vida convencional, cumprindo todos os deveres de membro da sociedade. Nada me impede. Eu sei que posso lidar com isso. Eu sei que consigo conduzir os meus dias dessa forma. O que eu não posso é desistir. Seria injusto comigo mesma. Não quero me tornar uma pessoa frustrada, com o peso de uma desistência sobre os ombros. Não, eu não quero nem vou.
Apego-me a uma frase que vi por aí: se posso sonhar, posso realizar.
É isso. É exatamente isso. Eu posso realizar. Você pode realizar. Nós podemos realizar os nossos sonhos. Por isso eu quero pedir-lhe encarecidamente: não desista. Eu sei que tentar, tentar e tentar sem conseguir consideráveis avanços pode ser frustrante, mas não desista. Uma hora as coisas vão dar, finalmente e maravilhosamente, certo. Creia nisso.
Quando alguém, sutilmente ou diretamente, admoestar-lhe a desistir, não escute-o. Limite-se a respondê-lo com um "você nunca teve um sonho, não é?". Porque de fato alguém assim não deve saber o que é sonhar.
Não é todo mundo que sabe lidar com a arte de sonhar. Sonhar é para os fortes. Só os fortes persistem ainda que as coisas deem terrivelmente errado por um tempo desagradavelmente longo. Só os fortes continuam acreditando em si mesmos quando todos viram as costas para eles. Só os fortes sonham e lutam bravamente para conquistarem os seus sonhos.
Eu quero crer que eu sou forte. Eu quero crer que sou uma verdadeira sonhadora. E você?

Erica Ferro
*

Há muito tempo estava com as ideias desse post martelando na minha cabeça. Precisava escrevê-lo. Não sei se saiu como eu gostaria, mas me sinto mais leve agora. Sonhemos, meus queridos! Sonhemos e realizemos! Ah, e se o post ficou com cara de autoajuda, não me importo.
(...)
Um abraço da @ericona.
Hasta!

10/10/11

Arroste, invariavelmente

O que fazer quando a sua massa cinzenta insiste na inércia no momento em que mais deve trabalhar efervescentemente?
O que fazer quando nothing makes sense e a morosidade, impiedosamente, toma conta de seu corpo, lhe impedindo de buscar significados nas coisas aparentemente doidas desse mundo?
O que fazer quando se tem um caminho colossal a ser percorrido, no entanto tudo o que se consegue fazer é manter-se deitado, obdecendo, fielmente, à Srª Preguiça?
O que fazer quando há uma batalha de sentimentos dentro de seu coração e um exército de pensamentos insanamente desordenados dentro de sua cabeça?
Você sabe que não quer ficar, mas também não sabe muito bem para onde ir, por onde ir, como ir ou por quê ir. Você só quer ir para um lugar tranquilo, uma ilha deserta, quem sabe. Algo assim tropical e fresco. Só você e mais ninguém. Você se frustra porque sabe que isso é apenas uma fantasia gostosa, porém improvável na prática. Você sabe que não pode fugir agora. Não pode, não pode e não pode. Você sabe, ora.
O que sobra, então? Encarar o que quer que venha, seja lá algo bom ou ruim, complicado ou fácil, monstruoso ou belo.
Encarar: é isso que se deve fazer em todos os momentos da vida. A covardia nunca foi bom negócio, já diziam os antigos.

(Erica Ferro)

* * *

♪♫Não pense que a cabeça aguenta se você parar...♫♪
Tá certo, Raul. Não posso e não vou parar agora.
Continuarei, firme e ferro.
(...)
Ah! Quem quiser ler o meu pseudo-conto
melodramático publicado sábado no
Gurias Arretadas, é só clicar aqui.
Um abraço da Erica,
a desvairada.

07/10/11

Viver é findar

Ah, quão angustiantemente doloroso é o fim de algo! Como, pois, lidar com os remates inevitáveis da vida? Dói-me informar, caro leitor, que não há um paliativo extremamente eficaz pré-definido. Porém, há teorias e ideias. Contar-lhes-ei, em síntese, parte das minhas. Detesto obviedades e clichês, ainda que por vezes flagre-me fazendo uso desses. Não conseguirei debandar da maior evidência de toda a humanidade e, por isso, lugar-comum: tudo que nasce, um dia há de morrer.
Amores se desfazem; algumas vezes, ao sabor do tempo; outras, por ciúme desvairado, que desgasta a relação e finaliza o que era algo bonito e aparentemente eterno; e em outras ocasiões, o amor encerra-se sem motivo específico.
Amizades desmancham-se em decorrência de deslealdades e hipocrisias. Contudo, amigos também se afastam pelo simples fato de suas vidas terem tomados rumos distintos. Como habitualmente proferem as pessoas dessa inteligível sociedade: "é a vida...". Não posso rebater isso, pois acredito nesse axioma.
Ah, como foi aprazível a minha infância! Sinto enorme saudade daqueles tempos! Por que o Senhor Tempo não estacionou naquela época? Ah! Entretanto, se a minha vida tivesse parado ali, eu jamais teria transmutado-me no que sou hoje. Tantas experiências adquiri até aqui, tantos eus abandonei pela estrada da vida.
Amigos, se tudo finda, componha a sua vida com graciosidade, verdade e voracidade. Aproveite todos os momentos de sua existência com insana paixão. Lembre-se sempre: o conjunto das suas vivências molda o seu caráter, fortificando-lhe e dando significado à sua vida.

(Erica Ferro)

*Pauta para o Blorkutando

* * *
Ainda que a postagem de hoje não seja nem de longe considerada uma dissertação, exercitar a escrita é sempre válido. Nesses poucos dias antes do ENEM, concentrarei-me também em escrever. Afinal, metade da pontuação é da redação. Se conseguir repetir, ou melhorar, o feito do ano passado (tirei 850 na redação do ENEM 2010), será imensamente satisfatório para mim.
Um abraço da Erica, a desvairada.

03/10/11

A base

Crê,
tendo partido a chuva, o sol aparece
formoso e brilhante como nunca dantes

Confia,
porque depois de tocada a triste melodia,
ouve-se os acordes de uma bela sinfonia,
que é a personificação da alegria

Credita-me quando digo
que adversidades não perduram
pela eternidade

Acima de tudo, acredita
pois a fé é a base
da vida

(Erica Ferro)

* * *

Hello, people!
Quero agradecer a todos por estarem torcendo para que eu faça ótimas provas nesse ENEM 2011, que eu consiga entrar na UFAL e seja uma acadêmica feliz. Muito obrigada mesmo!
(...)
Sim, me afastei das redes sociais intentando me concentrar verdadeiramente no ENEM. Para isso, pedi ao meu irmão que mudasse as senhas de todas as minhas redes sociais e só as revelasse após as provas do ENEM.
A única senha que não abri mão foi a do blogger, isso seria demais pra mim.
Eu preciso daqui, desse canto, pra desabafar, pra registrar esse momento decisivo, o fim de um ciclo e a esperança de um início de outro.
(...)
Mais uma vez, obrigada!
Continuem na torcida.
Quero crer que "agora vai"!
(...)
Um abraço da desvairada aqui.




24/09/11

Tomei as rédeas

Tomei as rédeas da minha vida
antes que um tal de Destino
intrometido resolvesse
retomar o posto
que sempre foi
meu por
direito

Destino peralta
até meio psicopata
Ora gratuitamente
e inexplicavelmente
me faz feliz
Ora maldosamente
ri de mim enquanto
eu choro de dor
ao cair nas suas peças
cruéis

Tomei as rédeas
E a guerra
para permanecer
no comando
será bonita
de se ver

(Erica Ferro)

* * *

Hoje estou no Gurias Arretadas!
O post é sobre música alagoana.
Confiram clicando aqui.
Um abraço da @ericona.
Hasta la vista!

28/07/11

Pense

Quem é você?
Por que você é assim?
Por que você não é de outro jeito?
Você pode ser de outro jeito?
E por que você pode ser de outro jeito?
E por que não é de outro jeito?

Por que sim?
Por que não?
O que importa?
O que não importa?
O que te falta?
O que te sobra?

Pare
Pense
Repense
Pense novamente
Reveja os seus conceitos
Abandone seus pré-conceitos
Duvide dos seus medos
Cante e espante seus pesadelos
Mude de rota
Mude de roupa
Mude!
Transforme-se
Evolua

(Erica Ferro)

27/06/11

Acordei com medo de morrer

Sim, hoje acordei com o coração apertado, tão dolorido; toda trêmula, quase chorando, morrendo... Morrendo de medo de morrer! Por quê? Pesadelos. Não sou uma pessoa que tem pesadelos constantes, mas quando os tenho, sai de baixo. Já tive cada um que não foi brincadeira. Por exemplo: já tive o infeliz pesadelo de ter sido sequestrada e cortada em pedacinhos. Minha gente, eu acordei totalmente desesperada! E eu era só uma criança na época, imaginem.
Nessa madrugada, os pesadelos resolveram atacar (e com força!) a blogueira que vos fala. Tive vários pesadelos e em todos eles pessoas tentavam me matar. Sabe-se lá porquê! Povo louco! Enfim... Não lembro com exatidão de todos os detalhes desses vários pesadelos da madrugada anterior. Só sei que tentaram me matar na base da pedrada! Sim, uns meninos, que eu nunca vi na vida, resolveram me matar à pedrada. Mas, gente do céu, não eram pedras... Eram verdadeiros e gigantescos e mortais paralelepípedos! Sorte que nenhum conseguiu me atingir. Porém, sentia as pedras, ou os assustadores paralelepípedos, passarem rente a minha face, inclusive "cuspindo" areia nos meus olhos e boca. Angustiante, angustiante!
No outro pesadelo (sim, da mesma madrugada!), um carro, numa desvairada velocidade, me perseguia; não sei se dirigido por um homem ou uma mulher, só sei que tentava a todo custo me atropelar. Desesperador, meus caros, desesperador! Mas, por milagre, me safava de mais essa! Sou demais até em sonho! Certo, não sou demais. Foi horrível.
E bem, o último não foi bem alguém tentando me matar, mas de qualquer modo eu acabaria morrendo. Estava eu num Campus de alguma universidade, andando sobre uma rampa super alta, sem poder me segurar em nada, já que os corrimãos eram baixinhos e tal; ficava praticamente "solta nas alturas". E ventava loucamente, ventava muito mesmo. Eu praticamente voei de lá de cima. Eu ia morrer! Sério, meu medo de altura se confirmou nesse pesadelo. Sim, eu tenho um medo desgraçado de altura. Não sei como poderei superá-lo. Aliás, nem sei se quero. Deixa assim, vai.
Mas é sério! Por que a gente sonha essas coisas apavorantes, hein? Por que, meus queridos? Sei lá, a minha mente imaginativa acredita que seja mais como um tipo de alerta, de sei lá quem, um chamamento para a vida, sabe?
É quase certo que nós adiamos tantas coisas por acreditarmos que teremos todo o tempo do mundo para realizá-las. Se a morte nos ameaçasse constantemente, talvez tivéssemos uma outra visão da vida. Talvez tivéssemos uma sede e pressa maior de viver. Porque é claro que eu não sei quanto tempo eu terei de vida, por isso mesmo que eu preciso viver o máximo que eu posso enquanto eu posso. Esses sonhos, por mais horríveis que sejam, me dão uma certa vontade de sair por aí vivendo veementemente, aproveitando cada segundo como se fosse o derradeiro.
Sim, é verdade que acordei às 04:00 com o coração quase saindo pela boca, tremendo muito, com um aterrador medo de morrer e que só consegui voltar a dormir às 06:00. Acordei exausta, morrendo de sono, ainda chocada com os pesadelos, mas mesmo assim decidi levantar e viver, fazer o que eu sempre fiz. Com um certo receio, confesso, mas levantei e atendi ao chamado da vida. Ao longo do dia, nem lembrei mais dos pesadelos. O dia foi tão legal, mas tão legal, que seria besteira deixar o medo tomar conta de mim.
Concluo que, se existir o medo da morte, que tal medo seja transformado em vontade de viver, vontade de aproveitar o máximo de tempo que se tenha.
Suspeito que morrer seja fácil, e até sem graça. Difícil, mas ao mesmo tempo delicioso, é viver.
Vivamos!

(Erica Ferro)

17/01/10

Sobre traumas...

Ah, meus traumas! Meus tantos traumas, meus pesadelos de olhos fechados, abertos, entreabertos...
Quem não os tem? Atire-me a primeira pedra. Não, é melhor não, porque é bem capaz de um engraçadinho querer acertar-me uma pedra no meio da minha da testa e eu hei de morrer por causa de uma pedrada. Porque vocês sabem que a hipocrisia impera, não é? O problema está lá, com o outro, nunca com a gente, sempre somos os mais certos, os mais belos. E não adianta negar. Não digo que todo mundo é assim sempre. Mas pense, relembre-se, você já usou de hipocrisia, de falsidade. Eu já, por que você não?
Mas não venho aqui dizer-lhe desaforos, caro leitor, afinal hoje é domingo, dia leve, de descanso; não quero o importunar, não hoje, certo?
O fato é que os traumas são uns espinhos nos nossos pés, na nossa pele, na nossa mente. São incovenientes, chatos, insistentes, malditos. E chega a um ponto que os traumas são tantos, que qualquer movimento, qualquer voz, qualquer risinho parece uma ameaça à nós, uma afronta à nossa sobrevivência. E andar pelas ruas torna-se perigoso, porque certo dia você viu um trausente correr loucamente atrás de você... mas, no fim, não era atrás de você, ele não pretendia lhe alcançar; ele só queria pegar o ônibus, ir para casa e descansar.
E de repente, qualquer sussuro parece de um fastama do passado, lembrando-te dos teus erros, das tuas promessas não cumpridas. Mas ora, era só tua mãe te mandando lavar a louça. Não há motivos para tremedeira, suor excessivo e tontura. Ah, os traumas!
E de repente, sair às ruas, olhar fixamente para as pessoas tornou-se uma impossibilidade. Elas sorriem para você e você fica na dúvida se é para você ou de você. Ah, os traumas!
Você não consegue respirar sem ter medo de machucar-se, de engasgar-se.
Você não consegue mais andar, por medo de tropeçar, de cair e ferir-se e, consequentemente, sangrar. Ora, que sangre! Só sangra quem é vivo.
Ah, os traumas! Usemos as facas da coragem, retiremos essa casca chamada trauma que se encrustou em nossa alma, nos tornando fracos e vacilantes.
Matemos este mal que nos massacra dia a dia. Massacremos, pois.
Mandemos ele aos infernos, ao buraco negro e profundo do não é mais, do comigo você não pode mais.
Agarre-se à força. Agarre-se ao que você quer ser e não é por causa dos traumas.
E olha, antes que você me critique, isto não é auto-ajuda (não quero te convencer a nada e muito menos dizer o que deves fazer). Eu estou apenas me ajudando, me aconselhando. Agora, se isto te servir, sinta-se à vontade para segurar a minha mão e seguiremos matando os traumas e nos embebedando de vida.

(Erica Ferro)

•••

P.s: Não tenho muito o que dizer, o texto fala por mim, fala o que eu queria dizer hoje. Espero que estejam bem, que estejam se fartando e quase infartando de vida. Porque isso, sim, é que é imprescindível.
Aquele abraço e os votos de uma ótima semana.
Até a próxima, caros!

22/12/09

Agracie-se e vamos!

Hoje é Natal. Tanto faz se é daqui a dois dias, mas já é Natal.
Amanhã é Ano Novo. E depois é Carnaval.
O Carnaval é todos os dias.
Vê toda essa desgraça? É um Carnaval, um circo, uma palhaçada.
Você é um palhaço, faz graça no espelho e ri da própria desgraça. Qual é a graça?
A graça de chorar todos os dias porque não realizou o que sonhou na noite anterior?
Qual é a graça?
A de esconder o que pensa por conveniência?
Qual é a graça?
A de abafar os sentimentos para não ser alvo de zombarias?
Qual é a graça?
De pensar, e não agir?
Qual é a graça?
De pregar a persistência, e sempre desistir?
Qual é a graça dessa tua vida tão sem graça?

Agracie-se, agracie a tua vida e tudo o que te cerca.
Graça, graça.

Cores, cores.
Sentidos - me refiro ao sentir, e não a motivos. Porque, se analisarmos bem, não há sentido, não um relevante em nada que seja. Então não procure entender, só sentir. E isso te bastará.
Novo, realmente novo.
Todo dia, de novo e sempre.
Até o fim, até o último suspiro teu.

Faça valer a pena.
Faça valer o novo.
Faça valer o dia novo, a hora nova, o segundo novo.
Porque o futuro é daqui a um segundo.
E o passado, presente e futuro se misturam e bagunçam um ao outro.
E é tudo uma coisa só, se pensarmos bem.
E é tudo uma loucura só.
Pegue o avião da loucura, não coloque cinto de segurança e vamos.
Vamos, que a vida chama e tem pressa.
Vamos, que 2009 já se despediu, e você nem viu.
Vamos, assim, urgentemente!

(Erica Ferro)

•••

P.s: Sim, eu sumi!
Não, eu não gostei de ter sumido.
E eu peço desculpas a mim mesma e depois a vocês, porque esse blog e todos vocês me fazem falta.
Tanto é que eu li todas as atualizações que deixei de acompanhar e me senti tão bem por isso; li coisas tão lindas, tão reflexivas.
Obrigada e obrigada por vocês fazerem meus dias melhores, mais coloridos e com esse aroma de poesia.
Só falta responder aos comentários e retribuir as visitas, mas amanhã, espero que sem falta, eu farei isso.
(...)
E, então, é Natal...
♫
Que triste, por um lado. Que angustiante, por outro.
Que tempo pra passar rápido. E é tudo tão louco.
E eu vou parar por aqui pra não enlouquecer vocês, okay?
Um abraço.
Até logo (e falo sério).

30/09/09

Basta fazer acontecer!

Todos os fracos desistiram reprimidos pelo medo de não ser...♫

- Não se reprima, Erica. Não desista!
Fixe-se no foco. Lembre-se: olhar fixo lá...
Sim, você sabe onde quer chegar! Por que, então, não rema? Vá, Erica, dê seu máximo, se esforce, vá em frente, não tema. É o que você quer, não é? Então? Por que se desviar agora?

- Não, eu não vou me desviar do foco. Está decidido! Chega de sonhar, de querer, de ser só da boca pra fora. Quem quer, busca. Quem quer, corre atrás! Determinação, força, garra, vontade... Agora deixarei que esses ingredientes me tomem, de verdade! Vou chegar... Vou, sim! Vou mostrar para quem nunca acreditou que eu pudesse ser e chegar onde eu sempre quis e sonhei. Vou mostrar para o que eu vim: vencer!
Sabe, vou vestir aquela minha roupinha verde-limão - vou me destacar, chocar, impactar!

- Isso, Erica! Assim que se fala. Hoje é o último dia do mês, muito propício para o que estás vivendo - final de um ciclo! O ciclo do quero ser, do vou ser e pouco se mover. Querida, amanhã é o dia! Começa, de verdade, amanhã sua jornada. Mas, não esqueça, hoje durma cedo. Agora, de preferência, assim acordarás bem disposta. Olhe, o mundo é seu. Não acredite no que dizem quando falam que querer não é poder. Querer é poder, sim, mas é um poder que está nas suas mãos. Você que faz as coisas acontecerem! Então, comece o trabalho agora!

- Sim, sim! Acabarei essa postagem e logo dormirei, querida Razão minha.

- Ei! Não esqueça que eu sou parte fundamental nessas decisões da Erica, viu, Dona Razão? - Disse, afobada, a Emoção.

- Ei, meninas, não briguem! Vocês sabem que eu não decido nada sem vocês duas! Vocês são partes fundamentais nas minhas decisões, sabiam? Bem, eu preciso terminar a postagem logo. Tenho que dormir cedo. Não esqueçam: eu vou chegar!

(Erica Ferro)

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P.s: Último dia do mês! Final de um ciclo, diria, preguiçoso e de "sim, eu faço tudo que posso!", mas quando, na verdade, não faço tudo o que eu posso - e sei disso.
Então, chega de saber, e não agir. Chega de sonhar, e não buscar. Chega de blá blá blá. O tempo está passando e desenfreado! Ou não, ele está passando do jeito certo, eu que estou toda errada. Então, chega de errar, chega de falar. Vamos fazer, Erica!
Amanhã é primeiro de outubro. Se disciplina, Erica. Determine-se e busque o todo o seu ser. O resultado? Você vai ver!
Aponta pra fé e rema...♫

Pessoal, espero que estejam bem. Agradeço por todo o carinho, por todos os comentários e elogios.
E, olha, cheguei ao seguidor de número 100! Tenho 103, agora. Bonito, não é? Mais bonito ainda é ver que os meus amigos, que não são simples seguidores, seguem de verdade, estão sempre aqui, porque gostam, porque se identificam de alguma maneira. O que importa é isso: qualidade, não quantidade.
O meu muito obrigada.
Desejo muitas felicidades e realizações nesse mês que se aproxima.
A minha postagem de hoje foi mais um desabafo. Enfim, eu tenho disso, de confusões e dúvidas, mas há coisas que eu, no fundo, nunca tive dúvida. Sempre soube o que queria, mas não estava me esforçando ao máximo para alcançar a meta. Enfim, era aquele querer e pouco fazer. Eu quero, eu posso, eu consigo - só basta fazer por onde!
Bem, é isso. Fiquem bem!
Grande abraço da Ericazinha.

*Gente do céu! Hoje, 01/10/2009, estava eu, tranquilamente navegando pelo mundo bloguístico, quando, PUFF, me deparo com uma postagem dedicada a mim. Sim, a mim, pobre mortal! Sabem qual era o blog? Da Daninha. A postagem, basicamente, fala do post número 100 do blog dela e da admiração que ela tem por mim e tal. Me senti, me achei, fiquei com aquele nó na garganta de tanta emoção e surpresa. A postagem é essa.
Pessoas, sério, eu não mereço esse carinho todo, essa admiração, eu nem sei escrever (vou apanhar agora!). Preciso evoluir tanto...
Enfim, fico radiantemente feliz com todos esses mimos, esses carinhos sinceros.
Ah, Daninha querida, muito obrigada pela lindíssima e emocionante homenagem. Faz isso de novo, e eu morro do coração (haha!).
Muito sucesso para o teu blog, enfim, sucesso pra ti.
Adoro a sua pessoa, de coração.