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18/03/26

Como salvar uma vida


Eu quis te salvar de você mesmo.
Eu quis que você me ouvisse e me entendesse.
Eu quis que você olhasse pra mim e visse no fundo dos meus olhos o que eu queria pra você.
Eu quis tanto que você quisesse algo.
Tanto.
Querer te salvar acabou com a minha sanidade mental.
Querer te salvar me levou ao limite.
Sempre que eu tentava te ajudar, você me empurrava pra longe.
Você sabia que eu não estava errada, mas, ainda assim, preferia me repelir e continuar se afundando cada vez mais.
Eu não suporto te ver no fundo do poço, mas não consigo mais lutar por você, pois, sem você querer, nada pode ser feito.
Eu demorei pra entender e pra parar de me culpar de que não posso lutar as lutas que não são minhas.
Eu não posso insistir em salvar quem não quer ser salvo.
E sabe o que foi mais duro? Entender que desenvolvi esse instinto de salvadora da pátria pra compensar coisas que eu nem sabia que tentava compensar. Dores que eu achava que estavam resolvidas. Lacunas que eu nem sabia que existiam. Mas existem.
E ainda que eu saiba que não posso te salvar, ainda fico olhando pra o fundo do poço, desejando que você me peça uma corda pra sair daí de dentro.
É uma merda te ver assim. Me causa dor física não conseguir arrancar de você tudo aquilo que te angustia e te adia. 
Tenho vontade de gritar de novo, pela trecentésima vez, de te chacoalhar, de dizer "Acorda, é agora ou nunca, o tempo passa e não volta. Entende? Você entende? Você tem se escondido da vida. Você tem evitado enfrentar os traumas. Você tem se anestesiado, como se assim, magicamente, tudo fosse ficar bem. E não vai. Não vai mesmo!".
Mas sabe de uma coisa?  
Quem sou eu pra querer te salvar? Quem sou eu, cheia de traumas não tão bem resolvidos assim, pra dizer que alguém não encara os traumas? Quem sou eu pra dizer que você tem se escondido da vida, quando eu também me escondo quando as coisas ficam difíceis? 
Sabe de outra coisa? É fácil querer salvar a sua vida e fingir que a minha vida está no trilho certo. É fácil querer salvar você enquanto evito olhar pra mim mesma em vários momentos.
Mas, definitivamente, quer saber o que mais importa agora? É que a gente aprenda a domar nossos demônios e vença o que quer nos vencer todos os dias. Torço pra que você ache uma mola no fundo da merda desse poço e consiga sair dele. Pois eu vou estar aqui, caso você queira a minha companhia pra gente continuar a caminhada dessa tresloucada vida. E eu? Ah, eu vou tentar salvar a mim mesma...  

(Érica Ferro)

17/01/17

Sobre você e eu, que não somos nós...


Ei, eu queria que você soubesse que eu gosto de você. Eu gosto um bocado, na verdade. Sendo ainda mais sincera, eu amo você. Não é culpa sua, fique tranquilo. Não temos culpa de despertarmos amor em outra pessoa, muito menos somos obrigados a corresponder. Não vou chover no molhado, tentando bolar teorias sobre como nasce o amor e as suas razões. Muita gente já tentou e teve resultados melhores do que eu jamais poderia alcançar em mil anos. Leia os poemas de Vinícius, Drummond, Quintana e outros aí. O amor é tudo aquilo que eles dizem, e bem mais. O amor é... É isso: ele é. Alguém provavelmente já disse isso, e não estou aqui plagiando as palavras de alguma outra pessoa. Estou constatando que o amor é. Ele simplesmente é. Não há como defini-lo, apenas senti-lo. Isso começou até bem, mas vejo que enveredou por um caminho de palavras clichês. Eu não consigo fugir muito dos clichês. Vai ver eu sou um clichê. Vai saber...

O fato é que eu gosto tanto de você. Tanto. Mas não se assuste, por favor, com essas minhas declarações. Apenas guarde essas palavrinhas num canto bacana da sua memória e fique feliz porque alguém te gosta pra caramba, de você por inteiro, exatamente do jeito que você é. Eu não mudaria nada em você, não porque você seja perfeito. Você deve ter uma porrada de defeitos. Com certeza tem. Mas, olha, me desculpa, no momento não consigo ver porque estou muito concentrada nas suas qualidades e em como é bom estar perto de você e te abraçar sempre que possível. Eu sou cheia de defeitos. Cheia. E você vai descobrir isso aos poucos. Espero que eles não afastem você de mim.

Eu gosto de você, pra valer. Porém, é algo tão bonito, tão precioso, que acho que não quero que saia do meu campo de ideias. Porque se um dia fôssemos "nós" e depois não pudéssemos mais ser... Eu não sei, iria ser algo difícil de superar. Você entende? Eu sei, é loucura pensar no término de algo que nem começou. E provavelmente nunca começará. Eu sou meio louca, cuidado comigo. Já disse que tomo Rivotril? Pois é, eu tomo. Não é nada demais. Umas gotinhas pra dormir melhor. Ansiedade é algo que tira o sono, sabe? E eu sou de humanas, não tenho paciência nem talento pra contar carneirinhos.

Enfim... Voltemos a você. Ansiedade tira o sono, mas de um jeito bem ruim, porque quase sempre me deixa angustiada, ofegante, inquieta. Você também me tira o sono. Não muito como a ansiedade, claro, mas tira. E é de um jeito maravilhoso, você não tem noção. Quando apoio a cabeça no travesseiro e penso em você, sinto uma paz. Relembro do tom da sua voz, dos seus olhos (seus olhos me encantam!) e do seu sorriso que sorri por nós dois. E aí eu devaneio loucamente. Penso em como seria maravilhoso viajar contigo, e poderia ser pra qualquer lugar. Qualquer lugar seria divertido e inesquecível se estivéssemos juntos, acredite. Você me faz rir e eu te faço rir. Não somos extremamente parecidos, mas temos coisas em comum. Eu te mostro meu mundo e você me mostra o seu. A gente se entende bem, muito bem. O nosso laço é real e é forte, eu sinto.

Quero continuar te vendo sempre que possível. Preciso seguir perto de você. Tenho andado fora dos eixos e você me faz tão bem, me faz voltar a enxergar as coisas como elas realmente são. Você me faz ter esperanças sobre mim e a vida. Mesmo em meio ao caos, mesmo em meio a tudo que pode dar errado, eu sei que posso contar com você e com seu ombro mais que amigo. Não quero que isso se quebre nunca. O que temos é único, é um amor que excede definições ou explicações. Você promete que, independente de tudo o que acontecer daqui pra frente, nunca nos afastaremos? Você jura que sempre haverá um espaço pra mim nesse teu coração que é tão grande e tão lindo? Porque eu juro continuar te amando e cuidando de você, esteja eu onde estiver. E eu prefiro que seja bem perto de você. 

Erica Ferro

* * *

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26/03/16

Sobre o que ceifa o amor

Ele era apenas um garoto que achava que nada nesse mundo o atingiria.
Ele era apenas um garoto trabalhador que todas as tardes voltava pra casa frustrado e ia pra aula todas as noites.
Ele era apenas um garoto que sonhava dar uma vida melhor pra sua família humilde através de seus estudos e suas lutas diárias.
Era apenas um garoto que num único deslize deu boas vindas a paternidade antes da hora.
Ele era apenas um garoto que se deixou ser manipulado, manipulado pela mídia, manipulado por "amigos", manipulado pela vida.
E tornou-se em um homem fragilizado, mas que adora se fazer de forte. E hoje é um homem que ganha muito com o seu trabalho tedioso, ajuda seus pais, tios e irmãos, mas, que, quando chega em casa, não consegue se sentir feliz consigo mesmo. Há um vazio dentro dele. Todos os dias, pelo menos por cinco minutos, ele se auto examina, se vasculha, se chacoalha, mas não consegue solucionar o vão que há entre a alma e o seu corpo. O que lhe falta? O que lhe sobra? O que lhe impede de ser pleno?
O que lhe falta no coração?
Ele se olha no espelho mas não se enxerga. Só consegue ver uma sombra. Talvez a sombra do seu orgulho, receios e medos.
Ele tem muito medo de perder o seu orgulho. Ele não consegue sequer cogitar perder só um pouquinho da empáfia que, segundo ele, foi forçado a ter.
Ele, tolo que é, confunde empáfia com saber se impor. Ele, tolo que é, escolheu ser esnobe a ser firme com exatas doses de gentilezas.
Ele, todo que é, deixou passar uma moça que era sonhos e poesia. Ela, todinha, era um poesia belíssima. Ela o amava com toda a sua alma. Ela não era ruim da visão, não. Enxergava-o muito bem, com seus defeitos, manias e pequenos delitos. No entanto, achava que ele poderia mudar, que ele poderia se apegar ao bem que acreditava existir dentro dele.
Ela, a menina-mulher repleta de poesia e de amor, tinha uma alma purinha, quase igual ao de uma criança. Acreditava tanto, mas tanto, no poder transformador do amor. Mas ele... ah, ele não. Ele era amargurado, nunca foi capaz de abrir o seu coração. Achava que a felicidade era só uma palavra e que jamais poderia sair do papel.
Onde ele se perdeu? Ele tinha sonhos, lembra vagamente de que, sim!, ele tinha sonhos. Muitos sonhos.
Onde ele se perdeu? Na infância? Ao longo da juventude? Quando a melancolia foi tomando espaço e a frustração tomou conta de todo o seu ser?
Os sonhos podem ter se perdido na autossuficiência disfarçada de sabedoria.
Os sonhos se perderam no egocentrismo disfarçado de simpatia.
E junto com os sonhos, ele se perdeu também e hoje é apenas um ser cuja existência é insignificante.
Ele não toca mais ninguém. Ele não toca porque não consegue e porque não quer conseguir. Ele se acomodou a ser mais um que não faz nada para ser notado.
E ela... Ah, ela encontrou outro amor, um amor que também a amava com verdade e pureza, que enxergou e amou toda a poesia que sempre houve nela.
Sem ele, ela cresceu, amadureceu, mas sem deixar de ser poesia bonita, sorridente e ingênua. Não ingênua tola, que facilmente é passada pra trás. Ingênua no sentido de conseguir ver um lado bom até nas coisas mais emaranhadas e complicadas, nas ditas coisas perdidas do mundo. Porque, pra ela, tudo é uma questão de querer, de escolher viver a vida com amor, se apegando aos sonhos e ao que é bom.
Ela espera que ele se encontre, se não no amor, que seja na sorte, em algum sonho ou com os tombos da vida.

(Ariana Coimbra & Erica Ferro)

* * *
E saiu o segundo escrito em parceria com a senhorita Ariana! Clicando aqui vocês poderão ler o resultado da primeira parceria.
É sempre bom escrever com essa moça! 
Espero que vocês, meus queridões, também gostem. 
Beijos na alma!

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15/02/14

Para Simbad...

Oi gente! Não, quem vos fala não é a Erica, em edição extraordinária hoje quem sacode palavras aqui é a Jaci, ou a Pandora. Nem preciso dizer o quanto me sinto honrada com esse convite, o quanto acho a Erica uma pessoa admirável tanto como sacudidora de palavra quanto como atleta e companheira de virtualidade. A gente discute, discorda, concorda e mantem nosso companheirismo e isso é pura poesia. Não uma poesia limpinha, tipica de quem sonhou e não viveu, mas uma poesia visceral, apaixonada e real.

Obrigada Erica pela chance, parafraseando Yeats, "se meus fossem os tecidos do céu, como um manto, eu os estenderia aos teus pés... Mas sendo pobre, apenas tenho os meus sonhos, eu estendi os meus sonhos aos teus pés. Caminhas devagar, porque caminhas sobre meus sonhos.".

Ah, só para constar, um dia desses sonhei com um Homem de Ébano, aproveitei esse espaço para trabalhar esse sonho. Nesse trabalho contei com a ajuda do Alcorão, os textos em negrito/itálico foram tirados dele. Espero que vocês gostem!
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Para Simbad

Essa noite acordei aos sobressaltos, o dia estava prestes a amanhecer e, em momentos cálidos como esse, é impossível resistir ao impulso de ir para a beira da varanda contemplar o amanhecer em meio ao eterno vai e vem das ondas e pensar em você.

Como seria estar com você ao meu lado meu bem? Como seria ter você enlaçando minha cintura delicadamente, falando pouco, sentindo muito?

Respiro fundo sentindo todo o vazio deixado por tua ausência. Esse sentimento é como uma ferida em minha carne!

Essa noite sonhei com você e não gostei do sonho! Me fez demasiadamente desejar acordar com você ao meu lado e, enquanto abria os olhos investigando o entorno, tive apenas certeza de sua ausência e de não haver nada para solucionar meu problema de saudade.

Vejo a Aurora por fim a toda a escuridão da noite, não sem esforço deixo meus devaneios de lado. Contemplo a imensidão do céu em seu encontro com o mar, a poderosa glória do sol nascente. Me pego lembrando das velhas palavras do Profeta, as quais recitamos desde nossos tempos de criança:

"Pelo sol e seu brilho matinal,
Pela lua que o segue.
Pelo dia que lhe revela o esplendor.
Pela noite que o encobre.
Pelo céu e quem o edificou.
Pela terra e quem a estendeu,
Pela alma e quem lhe deu forma
E nela colocou a concupiscência e a piedade:
Vencerá quem a purificar
E perderá quem a corromper."¹

A brisa matinal esvoaça minha saia e meus cabelos, que ela me purifique dos tormentos da noite e não me deixe corromper enquanto me pergunto por quais lugares você andará agora.

Qual será tua atual aventura? Mar ou o deserto? Estarás agora fixando tua âncora em um porto estranho ou buscando um oásis? Será foste lutar em alguma guerra naquelas terras infiéis da Europa e agora te abrigas entre as paredes de um castelo assombrado por ladainhas eternas? Ou será que voltaste para aquela cidade nos rincões da África na qual costumamos nos encontrar até em sonhos?

Seja lá onde você estiver, me pego pedindo ao Misericordioso que você lembre de não esquecer de nós... de nosso amor... desse porto/oásis no qual você sempre poderá descansar... Sei bem, esse porto chamado amor não traz promessas de ouro, honras infinitas, aventura ou segurança... Mas,"pelo esplendor do meio-dia e pela noite serena"² ele nunca deixará de ser seu.

Não se esqueça de voltar, eu estarei aqui te esperando... Por essa aurora, "pelas dez noites, pelo par e pelo ímpar, pela noite quando segue o seu curso"³, todos cometem excessos sobre a terra e o mar, mas esse é um juramento digno do amor que nos uniu.
______________

¹"Alcorão", Sura 91: O Sol, do versos 1 ao 10.
²"Alcorão", Sura 93: A Manhã, versos 1 e 2.
³"Alcorão", Sura 89: A Aurora, versos 1 ao 4.

13/02/14

Quem dera...


Untitled

Quem dera fosse só a distância física. Quem dera fosse só a gritante diferença de estatura. Quem dera fosse só porque ele é calmaria e eu sou explosão. Quem dera fosse só por isso que ele e eu não podemos ser nós.
É mais que isso. Ele e eu não podemos nos atar porque aparentemente as nossas aparências não combinam. Ele é do tipo escultural, bonitão, galã e galante. Eu, apenas uma moçoila com o coração cheio de sonhos e um rosto estranho. Quem dera a única barreira fosse ele encontrar em mim algo que somasse ao que ele é, algo que iria mudar algum aspecto da vida dele, que iria dar a ela mais cor, mais brilho... Sei lá, que o faria mais feliz do que é sem mim. Quem dera. Contudo, não é assim. A sociedade está fundamentada em ideologias ridículas. Um casal bonito não é um casal que se dê bem e que faça bem um ao outro, mas sim aquele que tem os dentes mais brancos possíveis graças a clareamento dental, de olhos claros, de sorriso largo, de traços impecáveis na face para sair na revista Casal Perfeito. O que fugir a isso é uma ofensa a essa sociedade, que tanto preza pelo ter, pelo parecer, e nada, nada mesmo, pelo ser. Um casal de feios, vá lá. As pessoas meio que deixam passar, não sem cutucar e ridicularizar. Mas okay, deixam. Porém, se um do par for meio capenga, meio fora do padrão aceitável por essa sociedade alienada e cruel, que cultiva ideias discriminatórias e deploráveis, duras provocações serão direcionadas ao casal, especialmente ao par bonito da história, ao que deveria estar com alguém igualmente agradável aos olhos carnais, que só pode estar louco e que alguém precisa fazer algo antes que esse ser fisicamente perfeito se atrele a alguém de aparência tão horrenda.
É por essas e outras que ele e eu não podemos conjugar o verbo na primeira pessoa do plural.
Só os belos têm o direito de se unirem, de se amarem e desfilarem pelas ruas seus amores, mesmo que sejam de plástico.
Eu, que o amo, estarei fadada a condição de amar sem tê-lo perto, sem ter a possibilidade de tocá-lo. Eu, que não sou Roberto Carlos de saia, mas tenho o amor maior do mundo pela pessoa que é mistério e doçura, assim, ao mesmo tempo, pra mim. É o doce mistério que eu adoraria desvendar.
Mas não, meu amor, não dá. Não é? Não dá...

Erica Ferro

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30/09/13

Entre o amor e a amizade


ehe

Talvez toda aquela impaciência fosse somente pela falta – que ela nunca iria admitir – que ele lhe fazia. Afinal, há quanto tempo eles não se falavam? Era algo que nunca ficaria às claras, não quando isto é confirmado pela boca de uma conquistadora de maus modos.
Se ao menos as coisas estivessem mais diretas, ou se ele pudesse dizer alguma coisa que fugisse ao normal, qualquer tipo de merda mal educada para romper com as barreiras do agora... Mas cá estavam dois idiotas, medrosos e incapazes de assumir a reação de perder a cabeça.
Pois, na guerra com o coração são sempre os pensamentos a pagarem pelas ideias mais absurdas e os olhos a sangrarem pelas coisas que não são o que parecem ser. Mas quem – me diga quem – nunca passou por isso, que atire a primeira pedra.
Eles sempre tiveram uma atração nata, algo de impressionar a qualquer um. Não só uma atração física, mas se tratava de mais. Era como se eles tivessem uma ligação de outras vidas. No entanto, mesmo com tudo isso, essa ligação, essa vontade, a coisa não saía de uma amizade, de uma bela amizade, ainda que o coração de ambos gritasse por mais, implorasse por mais. Quem iria ser o primeiro a baixar a guarda? Quem daria o braço a torcer e diria “Perdi, paixão! Rendo-me a você.”?
Aquela singela paixão de arrancar o siso, ao qual Almeida Freitas se referia, aquela mesma que fizesse a moça romper com todos os seus nãos e conceitos mais profundos. É, de fato ele era a pessoa que mais havia a conhecido a fundo, e não correu como faziam todos os demais. Mas isso era exatamente a coisa que ela mais odiava nele, e uma das coisas das quais ela não queria fugir. Ela provavelmente se perguntava se com ela as relações mais banais sempre seriam tão fora de rumo, tão rentes ao abismo das sensações dúbias.
Ele a adorava como jamais poderia explicar, porém a merda toda aconteceu há três noites. A vodca e o limão juntos o fizeram esquecer-se dos limites - aquelas linhas finas e delicadas que protegem a amizade - e num piscar de olhos tudo se desfez.
O álcool ajudou aos dois, entretanto seu efeito era passageiro e agora, voltamos a dizer que merda é merda e nada - nem ninguém - poderia mudar isso.
Ela acordou um tanto desnorteada, a visão meio embaçada, a cabeça tonta. Onde diabos ela estava? Viu-se deitada numa cama, que, depois de um pouco pensar descobriu ser familiar, mas a tontura e a dor em sua cabeça não a deixavam lembrar-se de quem era a tal cama, contudo não foi preciso muito pensar. A imagem falou por tudo. Ele estava deitado do lado esquerdo da cama, com uma perna pendendo para fora dela, completamente nu. Ela ficou chocada e, rapidamente, checou a si mesma: também estava inteiramente despida. Ela não se lembrava de nada, não naquele momento, em que tudo que sua cabeça fazia era girar e latejar. O que teria acontecido? Por que estavam pelados? Será que tinham... passado a noite juntos?
Entretanto – e a bebida é uma arma traiçoeira – flashes da noite anterior saltaram a sua mente, àquela hora meio adormecida, meia em alerta. Eram imagens embaçadas de corpos que se perdiam um no outro pelo arrastar de corredores que levavam até aquele quarto, até aquele maldito cômodo que colocou toda a amizade de anos em jogo. Mas as formas com que aqueles olhares seguiram trocados a meia luz, e o gosto daqueles beijos roubados lhe despertavam os mais cegos de todos os instintos a fizeram fraquejar.
Ela socou o travesseiro pela enésima vez, enfim as lágrimas apareceram. As lembranças a confundiam mais e mais e no momento tudo o que ela queria era desligar. Porém, não conseguia. Tudo o que sua mente fazia era andar em loop. Por fim, se viu enlaçada pelos braços do seu amigo e amado, do seu agora namorado. Seu amado, ela suspirava só de pensar em pronunciar isso o quanto antes: “meu namorado, meu amado, meu amor...”. Eles conversaram, confessaram amores, paixões e, enfim, se deram por vencidos. O amor, a paixão e toda a loucura que vinha junto com esses dois primeiros sentimentos haviam ganhado a guerra.
Embriagados pelo álcool e pela paixão por tanto tempo reprimida, eles se entregaram novamente aos braços do desejo cálido, mas calmo, dessa vez sóbrios e lúcidos. Fizeram amor em forma de poesia, que declamavam aos sussurros no ouvido um do outro, e fizeram versos de amor em forma de amor prático, carnal.
Ela, pensando consigo mesma, disse que nem em um milhão de anos outro homem conseguiria fazê-la sentir como ele a fez sentir quando se amavam. Eles eram paixão fervorosa, mas eram doçura e poesia. O amor deles derrubava as barreiras do físico e invadiam as fronteiras do espiritual, do surreal, do imaginável apenas aos apaixonados. Ele pensou que ela era a garota mais misteriosamente irresistível, encantadora e apaixonante do mundo inteiro. Ele a queria em seus braços por muito, muito tempo. Para sempre, por que não?

(Allyne Araújo, Erica Ferro & Rebeca Postigo)

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Enquanto devoro A caçada, de Clive Cussler (logo postarei a resenha aqui), se deliciem com esse conto feito por três gurias arretadas. Sério, amei escrever esse conto com a Allyne e a Rebeca. Cara, acho que estou ficando boa nesse negócio (risos)! Outubro postarei várias resenhas da Novo Conceito. Andei em falta esses meses todos com essas resenhas, mas outubro será o mês em que pretendo pagar boa parte das minhas dívidas em relação a isso. Enfim, é isso. Espero que tenham gostado desse conto escrito pelo trio mais arretado da blogosfera. Sim, porque de modéstia nós entendemos (só que não ~risos~). O pedido de sempre: curtam e sigam o blog nas redes sociais. Um abraço da @ericona. Hasta la vista!

12/09/13

Segunda chance


Ele estava no bar com um de seus amigos a tira colo, como sempre seu humor andava péssimo desde o término do seu namoro com a garota mais incrível que ele conhecera. Sinalizou para o barman e enquanto sua dose de uísque era servida, ele observava o movimento sem qualquer interesse.
Ele tinha sido um tolo com Alexandra, e sabia disso. Traiu-a, não com a melhor amiga de Alexandra, mas com a mulher que mais fez mal a ela em toda a sua vida. O que fez Alexandra odiá-lo ainda mais. Desde o término, ele remoía aquilo todos os dias, toda a situação, desde quando conheceu Pérola até o dia em que Alexandra os pegou juntos, na cama.
Ele sabia o que tinha feito de errado e por mais que quisesse falar com Alexandra, sabia que ela nunca o ouviria. Ele conhecia aquela mulher como a palma de sua mão e sabia que ela era orgulhosa o suficiente para viver sem ele.
Nesse momento seu celular vibrou novamente, era outra mensagem da Pérola. Aquela mulher era o diabo em curvas e sensualidade e tudo o que ela dizia o levava mais e mais a sepultura.
Pérola era o diabo em forma de mulher escultural; mas, sobretudo, era o diabo por causa das suas artimanhas. Pedro não entendia bem como ela fazia, apenas se via, constantemente, enfiado nos joguetes de Pérola. Ele mais parecia um ventríloquo nas mãos diabólicas daquela mulher. O que é que ela tinha? Como conseguia dominá-lo tanto? Que espécie de mulher ela era? E que poder de persuasão era o que ela tinha? Era algo fora do normal, decididamente.
Na fatídica noite em que Alexandra os pegou juntos, bem, ele ainda estava embebido em perfeita confusão quando ela abriu a porta do seu quarto. Pérola era sexy como o inferno e ele não sabia ao certo como foi parar em cima daquela mulher. Claro, eles estavam transando, mas tudo o que tinha na cabeça de Pedro era uma névoa densa que o deixava muito confuso com relação a tudo.
Pedro sempre foi um rapaz muito tímido, mas muito dócil também. Por ser tímido e dócil, carregava uma inocência pouco comum nos dias de hoje. Não era um anjo, tinha seus defeitos e pecadilhos na bagagem da sua existência, contudo, depois que viu Pérola, numa noite voltando da casa de Alexandra, ele foi realmente apresentado ao mundo do pecado.
Alexandra sempre foi a garota perfeita, tinha um emprego seguro, casa, carro e um gato; mais conhecido como Café. Eles começaram a namorar ainda no terceiro ano da universidade, isso foi há cinco anos. O tempo passou, ele mudou, porém Alexandra não. O sexo entre eles ficou tedioso, assim como o namoro, dias e horários certos pra se verem, tudo perfeitamente controlado.
Todavia, com Pérola as coisas eram diferentes. Ela ligava para ele com mais frequência que Alexandra e seus diálogos eram mais quentes que qualquer transa. Ele estava inebriado com tudo o que Pérola podia lhe oferecer, entretanto ainda amava Alexandra.
Com Pérola, era só sexo, um sexo louco, extremamente devaneado. Podia-se dizer que uma relação selvagem, focada no lado carnal. Ele achava que gostava disso. Achava, porque, se tratando de Pérola, ele não tinha certeza alguma. Eram só achismos. A mulher era um enigma. Um delicioso enigma, bem sabia ele. Entretanto, ela era um enigma que ele não sabia decifrar. 99% das vezes, essa falta de conhecimento de quem era Pérola, o frustrava e nem a devassa que ela era na cama o salvava da frustração. Ele não amava Pérola. Ele era viciado, inconscientemente, em Pérola. Era como se Pérola fosse uma droga. Sim, uma droga da qual ele precisasse de doses cada vez maiores, por mais que ele soubesse que aquilo só o fazia afundar ainda mais no caos e na destruição. Alexandra era o seu anjo, o seu porto seguro. Era, do verbo não é mais. E o pior: ela era decidida. Ela não o perdoaria, não voltaria atrás em sua decisão. Seu adeus foi definitivo. Pedro estava perdido. Não havia mais amor em sua vida, nem paz. Agora tudo que ele tinha, ou achava que tinha, era Pérola. Mas Pérola era de alguém? Logo Pérola, o espírito mais livre que ele já teve a chance de conhecer? Não, ele não tinha Pérola. Ele não tinha nada. Pérola jogava com ele, o tempo todo. E ele nem sabia quais eram as regras do jogo. Pressentia, naquele momento sentado numa mesa de bar, que perdera o jogo. Perdera no amor, perdera na paixão tresloucada com Pérola. E agora, o que o restava?
Enquanto Pedro tinha seu momento epifania na mesa do bar, Mayara o observava. Ela o via com determinada frequência; e pelas informações que conseguiu coletar, sabia o que esse homem alto e belo havia feito, contudo ela não se importou com nada disso. Afinal, todos cometiam erros e estavam sujeitos às consequências.
Ela tomou coragem e foi até sua mesa. Demorou cerca de cinco minutos até que Pedro a notasse e quando ele o fez, algo dentro dele se iluminou. Talvez por culpa do álcool, talvez por culpa da sua epifania. Ele decidiu, naquele instante, que talvez, apenas talvez, a vida lhe desse uma segunda chance de fazer as coisas direito.

(Rebeca Postigo & Erica Ferro)

* * * 
Ah, quanto tempo que eu não escrevia nada em parceria! E hoje, meio que do nada, surgiu a vontade de escrever em parceria, assim, no improviso, sobre qualquer coisa. Chamei a Becka, guria arretada e blogueira desde sempre, mas que voltou às boas com a blogosfera há poucos dias: "e aí, Becka, vamos escrever um conto em parceria agora?". Ela aceitou numa boa e deu nisso daí que vocês leram acima. Gostaram? Aprovam-nos no "rol das parcerias que dão certo"?
Espero que sim!
(...)
Sigam o blog no Twitter e curtam no Facebook.
(...)
Um abraço da @ericona.

29/06/13

Mais que um amor de segunda-feira.... (Parte final)


(Continuando...)
Tumblr

Antônio começou a atravessar a rua, de uma maneira um tanto desajeitada, é bom que se diga. Antônio atravessou de modo apressado, mas ressabiado; esqueceu-se até de olhar para os dois lados, o coitado. O desconcerto é um efeito colateral de se estar apaixonando (ou de estar apaixonado). E Antônio sabia disso, em seu âmago, mas havia esquecido... Então eis que surge a moça e o faz relembrar o desembaraço que causa essa coisa de amar.
Antônio chegou a mesa da moça, onde ela, sorridente, lia. Antônio limpou a garganta e disse um “Bom dia!” tão baixo, tão acanhado, que a moça achou ter ouvido um simples chiado. Foi, então, que levantou a cabeça e viu Antônio ali parado, ao seu lado, um tanto embasbacado. Ela perguntou se ele havia dito algo; ele, repentinamente, ficou gago e, depois de um tempo atropelando as palavras, finalmente deixou sair : “Não, eu só disse ‘Bom dia’ e queria saber o que você estava lendo até a minha interrupção. É que observei que você lia com tanto gosto, com um sorriso tão bonito no rosto. É... Quer dizer... Não me leve a mal... É... Eu só achei que... Que poderíamos conversar um pouco e... Tomar um café. Eu adoro livros. E... sorrisos. E o seu é tão lindo...”. A moça não se limitou a sorrir dessa vez. Não, depois dessa, digamos, declaração um tanto desengonçada, mas extremamente sincera e bonita de Antônio, ela gargalhou. Antônio estranhou e quase se ofendeu, por achar que ela estava rindo dele, do seu jeito, do seu encantamento por ela.
A moça que tinha por nome, pasmem!, de Antonieta, esclareceu que estava rindo não de Antônio, mas sim do modo desastrado, mas imensamente bonito com o qual ele se chegou a ela. Praticamente todos os rapazes eram indelicados quando o quesito era a paquera e se aproximavam dela sempre com aqueles papos furados, sem nexo, sem graça. E ela o achou tão lindo, tão meigo, tão fofo, que riu, mas riu porque se deparou com o possível amor de sua vida. E disse que sim, que queria conversar com Antônio, sobre livros, sobre música, sobre o universo. E disse que sim, que queria sorrir junto com Antônio numa mesinha de um café singelo ou em qualquer lugar do universo. Antonieta era apressada? Para a normalidade, sim. Sonhadora? Para a normalidade, sim. Mas, para o amor, não.
Em defesa de Antonieta, se faz essencial que se diga o seguinte: não se sabe bem como ou por que, ela sentiu, no fundo de seu coração, que tinha encontrado alguém especial, muito, mas muito especial. E, por mais clichê e água-com-açúcar que possa parecer, o amor é assim. Ele é clichê e acontece quando menos se espera, onde menos se espera.
Tal como aconteceu com Antônio e Antonieta, pode acontecer com você, leitor. A vida pode ser mágica, sim. Magicamente encantadora. Magicamente romântica. Magicamente apaixonante. O amor existe e se esconde numa mesa de cafeteria. O amor existe e se esconde numa esquina, que, quando você, leitor, a dobra, ele se aloja em seu peito. O amor existe e pode chegar a mim e a você quando estamos, distraídos, a ler um livro.

Um conto escrito por Joyce Carolini & Erica Ferro

* * *
Pronto, Joyce e eu postamos o restante do nosso humilde conto! Eu espero, sinceramente, que tenham gostado da nossa parceria. Eu adorei. É sempre bom escrever com uma pessoa que tem uma visão tão doce do amor, que nos convida a refletir sobre os pequenos gestos, sobre as pequenas coisas, coisas que nem percebemos no corre-corre do dia-a-dia e que fazem tanta diferença na nossa vida.
A Joyce é assim em seus escritos: atenta aos mínimos detalhes, não economiza doçura e amor em suas linhas.
Dizem por aí que eu sou bastante melosa escrevendo sobre amor. Não sei se de fato sou. Sei que o amor é um tema constante no meu blog. Isso se deve, obviamente, ao fato de o amor ser extremamente presente na minha vida. Seja em forma de forma prática, real, ou idealizada, platônica.
(...)
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Um abraço carinhoso pr'ocês, blogueiros queridos!
Hasta!

26/06/13

Mais que um amor de segunda-feira.... (Parte I)



Como a maioria das pessoas, Antônio não gostava das Segundas-feiras. Dois despertadores muito barulhentos tinham a função de tirá-lo de sua cama. Mas as coisas mudaram quando o carro do moço de olhos castanhos começou a dar problemas e teve que ser deixado na oficina. Foi numa manhã de Janeiro, enquanto esperava o ônibus, Antônio viu algo que chamou a sua atenção.
Do outro lado da rua, uma moça de cabelos longos, ocupava uma mesa da Livraria Café Love Books. Sua blusa listrada de branco e preto fez o moço sorrir bobamente, porque se lembrou da sua infância, época em que desejou ter listrinhas iguais as de uma zebra, pois era o seu animal favorito (e continua sendo, por mais que Antônio tenha vergonha de revelar isso). Ele ficaria um pouco mais ali, mas seu ônibus havia chegado, e se atrasar estava fora de cogitação. 
No dia seguinte, Antônio pulou da cama bastante cedo. Tomou banho, se arrumou, bebeu uma xícara de café e mordeu um pedaço de torrada não muito crocante. Tinha pressa em sair de casa. Seus olhos ansiavam por ver a moça. Lá estava ela. Linda! Foi a primeira palavra que surgiu em seu pensamento.
O final de semana chegou rápido. Antônio recusou convites de jantar e ir ao cinema com os amigos. Queria seu sofá, um bom livro. Queria vê-la mais uma vez. Saiu de casa. A rua estava cheia, porém agradável. Pessoas conversando animadas, outras passeando com suas crianças ou cachorrinhos. Antônio foi andando com calma em direção à livraria, e já pensava no que diria a moça se a visse por lá. Chegou. Ela não estava, ficou desapontado, mas puxou uma cadeira mesmo assim. Uma menina de sorriso simpático se aproximou e anotou o seu pedido. Antônio esperou a moça de cabelo longo aparecer. Esperou, esperou e nada! Por fim, decidiu voltar para casa. Demorou a pegar no sono, mas quando conseguiu, sonhou. E foi com ela.
Era mais uma Segunda-feira. O relógio nem havia despertado e Antônio já estava de pé. Olhou-se no espelho, estava estranho. Não na aparência, mas por dentro. Lembrou-se de sua primeira paixão do colégio. A sensação era semelhante a que sentia naquele exato momento. Sorriu. Antônio saiu de casa completamente arrependido por ter exagerado no perfume. Mas havia tomado à decisão de falar com a moça. Chegou ao ponto de ônibus e lá estava ela. Cabelos brilhando por conta do sol. Um sorriso a cada vez que virava a página do livro que estava sobre a mesa. O bolinho intocado ao lado da xícara. Antônio viu o ônibus chegando, não entrou. Levantou-se. Era agora. Ele iria atravessar a rua e falar com a moça.


(Continua...)

Um conto escrito por Joyce Carolini & Erica Ferro

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(risos) Não, não fiquem com raiva de nós por termos parados na melhor parte. É pra dar mais uma emoção à coisa, entendem? Logo mais, postaremos a parte final do conto. E então? Gostaram até agora?
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Um abraço da @ericona!
Hasta la vista!

12/05/13

♫ Escrevo-te estas mal traçadas linhas... ♫



imagem extraída daqui

Moço, essa é uma das muitas cartas que te escreverei e deixarei debaixo do colchão. Eu não tenho coragem de enviá-las. É medo, acho. Medo de você não me corresponder. Medo de você corresponder. E, se corresponder, eu não saber o que fazer, como agir, o que falar. Porque eu não entendo nada de amor. Não o amor na prática, sabe? Eu poetizo mal, mas amo bem (na teoria). Amo bem, bem intensamente, bem loucamente, bem enormemente. E é assim que eu te amo. Não ouso contar isso a você por medo. Sim, eu sou cheia de medos, porque posso te assustar. É muito amor. Muito. Há quem se assuste e se afaste depois de ouvir declarações de amor veementes, incandescentes. E eu quero você perto de mim, do jeito que for, como der. Não iria aguentar você distante, na defensiva. Olha, é só amor demais. Não é prejudicial, eu juro. A única possível prejudicada sou eu, porque amar demais assim, e calada, dói demais. O coração fica em frangalhos de tempos em tempos. A causa? Saudade. Vontade de dizer aos quatro ventos quem é o meu amor e o que ele causa em mim. Um desejo gigantesco de gritar seu nome e dizer o quanto acordo aos suspiros quando sonho com você. Aliás, deixa eu te dizer. Adoro sonhar com você, porque nos sonhos o amor que sinto por você é recíproco, os carinhos são mútuos e os suspiros infinitos, partidos de ambos. Perdi as contas de quantas vezes já sonhei com você. Foram tantas vezes, tantas, tantas! Sonhos maravilhosos, encantadores e acalentadores! Eu ainda sinto o calor e o carinho do seu abraço envolvendo o meu corpo. É loucura? Não sei, mas sei que eu sinto o seu abraço, mesmo nunca tendo ganhado um abraço seu. Eu preciso te ver, moço. Preciso mesmo. Preciso te ver, te abraçar e sentir você bem pertinho de mim, aspirar seu cheiro, mexer nos seus cabelos. Quero encostar a minha cabeça em seu ombro, pra que você possa brincar com os fios dos meus cabelos enquanto me canta uma canção.
Ah, moço! Você mexe tanto comigo, tanto! Como faço agora? Envio-te essas cartas? E se a recíproca não for verdadeira? 
Mas... ah! Sonhar com você é tão bom, mas realizar esses sonhos seria infinitamente melhor. 
Eu não sei se as enviarei, só sei que agora estou meio embriagada por todas essas palavras de amor que agora te escrevo e que agora, especialmente agora, eu seria capaz de te enviar essas cartas. Seria capaz até de mais: de te ligar de madrugada dizendo o quanto você me deixou apaixonada. Você provavelmente acharia que eu estou bêbada. É que o amor também embriaga, sabe? E a ressaca do amor é a saudade. 
Ah, moço! O que faço comigo? O que faço com você? O que faço com essas cartas?

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Porque eu sempre tenho que postar essas coisas melosas e fantasiosas por aqui, certo? Senão não seria o meu blog, porque metade do Sacudindo Palavras é amor e a outra metade... também.
As coisas estão um tanto corridas (não lembro se disse isso no post anterior), mas sempre que possível blogarei e visitarei os blogueiros queridos que passam por aqui e sacodem as suas palavras.
Aviso, novamente, que não esqueci de resenhar o livro Proteja-me (primeiro, de muitos, que irei sortear aqui em parceria com a Novo Conceito). É que, como disse linhas antes, a minha vida anda um tanto corrida e, em consequência disso, minhas leituras estão atrasadas.
Sinceramente, eu espero conseguir ler, resenhar e colocar no ar o sorteio de Proteja-me antes do final de maio. Farei o possível.
(...)
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(...)
Um abraço da @ericona.
Hasta la vista!

17/01/13

Confia em mim



Calma, não se afobe. Olhe bem nos meus olhos, tudo vai dar certo. Sim, eu sei que as coisas têm sido difíceis pra você. Mas não se entregue. Não desista. Não se desespere. Olha, meu bem, quando a gente se desespera, tudo desanda. Desesperar-se só piora as coisas. Eu sei, eu sei, não é nada fácil manter a calma num momento crítico. Eu sei que é tão difícil preservar a tranquilidade quando o mundo parece desabar sobre nós. Porém, é de conhecimento dos sábios que o desespero só traz ainda mais desgraça, só traz mais caos.
Ai, pequena, a vida é tão dura! A vida é mesmo uma loucura. E eu queria, sinceramente, que ela fosse mais leve para nós, especialmente pra você. Eu queria que ela fosse mais flores, mais passeios no parque, mais coração feliz, mais sorvete de morango e chocolate. Eu queria que a vida fosse só alegria pra mim e pra você. Mas não pode ser assim. Não pode. É impossível ter uma vida perfeita. E eu sinto tanto por tudo isso que você vem vivendo. E eu quero tanto te ajudar. Mas não sei como. É por isso que eu te desejo força, muita força pra superar todos os momentos ruins, todas essas experiências doloridas. Força, minha querida, você sairá dessa. Você me disse que às vezes acha que parece que tudo isso não terá fim. Quando a dor é contínua e é enorme, temos essa impressão mesmo. Mas é só a sensação, viu? Acalma o seu coração, que as coisas vão se ajeitar. É só o inverno. Um inverno rigoroso, extremamente frio e chuvoso. Mas, olha, eu te garanto que tudo vai se ajeitar. Acredita nisso. Eu te quero crente em dias melhoras, daqueles bem ensolarados, daqueles que nos fazem sorrir feito crianças.
Você ficará bem, eu sei que ficará. Nunca ache que essa maré de coisas ruins e desconcertantes vai durar para o resto de sua vida. Não ache isso. O que é pra durar é a sua vontade de viver. Isso é pra durar. E eu sei que essa vontade está aí, intacta, dentro do seu peito. Resgate essa vontade. Volte a viver, mas sem pressa, sem afobação. Aos pouquinhos mesmo, no seu tempo.
Eu queria que você prometesse que não vai desistir, que não vai entregar os pontos. Mas isso seria te cobrar, e eu sei que você não aguentaria isso nesse instante. O melhor que eu tenho a te dizer é isso: você vai conseguir. Você vai ficar bem. Eu sinto. E eu estarei aqui para o que você precisar. Pode me ligar a qualquer momento, seja do dia ou da noite. Eu irei correndo ao seu encontro. Pequena, eu te quero tanto bem, sabia? Tanto bem! Não vejo a hora de chegar aí, te abraçar apertado, te fazer um carinho e te mostrar que a vida pode ser bonita. Confia em mim, a vida voltará a sorrir pra você.

Amo-te! 

Um beijo do seu amado,
Pedro

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Ah, como eu queria receber uma carta assim! Tanto queria/quero, que resolvi escrever esse conto.
Quero um Pedro na minha vida!
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Um abraço da @ericona.
Hasta la vista!

12/12/12

O nome dela é Natasha


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Ela é vazia. Incapaz de sentir amor, compaixão... ou qualquer sentimento nobre, bom. Todos os dias ela veste pele de cordeiro, quando, na verdade, ela é uma loba. Ela é predadora e a próxima vítima pode ser eu ou você. Ela não tem escrúpulos. Ela jamais se arrepende de seus atos, a não ser que as reações desses atos a tenham deixado em desvantagem. Mas, preste atenção, ela sempre culpará alguém pelo fracasso dela. Ela se olha no espelho e se vê perfeita. Ela olha para o espelho e tem certeza de que nunca errou, nem nunca errará em toda a sua vida. Ela é um ser ideal.
Adora ser paparicada, afinal, na sua visão distorcida, ela é a melhor, seja qual for a área. Não há uma pessoa mais inteligente e conhecedora do que ela. Se houver alguém que se mostre um pouco mais esperto que ela, então resolve pintá-lo a todos que conhece como um ser indigno, que só quer se exibir para a sociedade; ou seja, aponta o dito cujo como um pernóstico.
A verdade é que ela gosta de estar rodeada de pessoas tolas, porque são facilmente manipuláveis. Ela sente um prazer imensurável em professorar. Ela sabe de tudo. Ela entende de tudo. Ela é uma expert em todos os assuntos. Se ela não puder se exibir, não puder se mostrar superior a alguém, ela simplesmente perde o interesse e vai embora, à procura de alguém suficientemente parvo pra servir de brinquedo pra ela. 
Ela nunca conheceu o amor, nem jamais conhecerá. Ela sente prazer em ser amada, mas não pelo fato de ter alguém que a ame, que a faça bem. Não, nada disso. Ela se entusiasma em ser amada apenas porque ela se diverte e adora que alguém seja dependente dela emocionalmente. Ela adora saber que alguém vira noites pensando nela, que chora por ela, que gostaria de compartilhar a vida com ela. Ela pensa nisso e gargalha gostosamente. Ela brinca com os homens que encontra por aí. Usa um pouco, depois descarta quando o brinquedinho perde a graça. Ela é assim, não pensa duas vezes em acabar com a vida alguém. Ela devasta uma vida em um tempo espantosamente rápido e vai embora, com um largo sorriso no rosto, como se nada tivesse acontecido. Ela é psicopata. O nome dela é Natasha.

Erica Ferro

* * *
Que saudade de postar esses contos mal contados! (risos)
O mundo está cheio de pessoas assim, vazias, incrivelmente insensíveis. Às vezes não nos damos conta, mas estamos mais rodeados de pessoas assim do que podemos imaginar.
Um abraço da @ericona.
Hasta la vista!

29/01/12

"You were on your own"*

Olhava pela janela e via tudo sob o tom alaranjado do entardecer. Adorava isso: olhar. Nessas horas a mente voava até pensamentos longínquos ou simplesmente esvaziava diante da contemplação das pessoas e dos carros que passavam ou das coisas que sempre estiveram ali mas que naquele instante pareciam diferentes. Naquele dia a mente se esvaziou e vagou até encontrar um pensamento (ou seria sentimento?) que tentava esquecer. Ah, mas quando pensava nas outras pessoas sempre procurava esquecer, afinal não poderia controlar seus atos e suas palavras, mas também não era certo ficar remoendo-as.
Essa máxima de que ninguém é perfeito é verdadeira, ela sabia, mas por que diabos algumas pessoas não conseguiam entender isso e cobravam dela algo que ela não poderia dar, queriam que ela fosse alguém que ela não conseguia ser, ou melhor, não queria ser? Por quê? Porque as pessoas simplesmente não a aceitavam do jeito que ela era. Ela não conseguia entender. "Pessoas são estranhas", pensava. Não dizia isso com rancor ou ódio. Não, ela não perdia o seu tempo com esses sentimentos destrutivos. Ela só queria sair por aí, sem destino certo, tomar um sorvete num dia quente ou andar pelas ruas, correr e pular num dia chuvoso e cinza. Ela não exigia muito de si mesma, muito menos da vida. Por que, então, as pessoas não a deixavam em paz?
Gostaria de não se preocupar tanto com o que as pessoas pensavam, assim como gostaria que elas não se ocupassem tanto em criticá-la. Seria mais fácil se as pessoas aceitassem sua ajuda, lhe ajudassem quando pudessem, mas não achassem saber que sabiam o que era melhor pra ela. Nessas horas lembrava que quando era pequena e sua mãe a repreendia por algo, ela se encostava num canto e dizia a si mesma “Quando eu crescer, farei o que quiser”. Agora que era crescida não tinha certeza disso, assim como nem sempre estava certa de ter tomado a decisão certa.
Agora, depois de mulher feita, começava a entender que a vida tem mesmo dessas coisas de não se pode fazer tudo aquilo que se quer, que tem essas loucuras de não se saber bem se fez a escolha certa, se trilhou o caminho mais bonito e arborizado. Ela, lenta mas decididamente, começava a enxergar uma beleza em viver assim, sem certezas. Estava quase convencida de que o que tinha de fazer era simplesmente ir vivendo, com a mesma sinceridade que tinha vivido esses anos todos. Certeza? Só a de estar viva. Por hora, isso era o suficiente.

Ana Seerig & Erica Ferro

* * *

*Título retirado da música Don't Cross The River, de America.



Puxa, já estava com saudade de escrever em parceria com a Seerig! Os nossos "contos mal contados" ficam ótimos, hein, Tchê? (risos)
(...)
Ontem estive no Gurias Arretadas, confira o meu post clicando aqui.
(...)
Um abraço da @ericona.
Hasta la vista!

17/01/12

A necessidade de se adotar o "dane-se" como estilo de vida

Imagem retirada do we♥it

Layla está deprimida. Layla está cansada. Layla, em outras palavras, está de saco cheio da vida. Layla, menina nova, 16 anos tem a desolada moça, mas já se encontra num estado de estafamento profundo em relação a vida. Coisa espantosa de se ver. Ela não sabe muito bem a razão de estar assim. "Eu não me encaixo aqui, entende?", é o que ela vive dizendo. Para si mesma, claro. Ela não ousa dizer isso para as pessoas. Porque no mundo de hoje não se pode fazer uma simples observação sobre o comportamento humano sem que escute uma palestra com traços de auto-ajuda de outrem. Um saco.
Layla certa vez escreveu em seu diário que, se ela diz que é um amor é uma droga, não no sentido de ser viciante, e sim no sentido de ser uma merda mesmo, não quer dizer que ela esteja sofrendo de amor, ou, sei lá, já sofreu e isso deixou marcas profundas nela. Foi só uma constatação. Ela só viu pessoas se ferrando por causa disso de amor e resolveu comentar sobre o que viu. Acrescentou mais: se eu tiver a audácia de externar isso a outrem, escutarei coisas sobre as virtudes do amor, ou ainda sobre como os sofrimentos do amor nos fazem crescer, evoluir, ou outra idiotice do gênero. Ou ainda, a que eu mais detestaria que me dissessem: "não sofra assim, Layla. Quer um abraço?".
A verdade é que nos tempos em que vivemos ninguém pode dizer nada, ninguém pode fazer nada, ninguém pode querer nada sem ser aconselhado, apontado ou ridicularizado por alguém se acha muito qualificado para opinar sobre você e sua vida, mas que na verdade não passa de um panaca que deveria cuidar da própria vida.
A resolução da problemática toda é simples: ou você aprende a lidar com isso, mandando todos se ferrarem e exigindo que lhe deixem viver a sua vida em paz, ou você entra numa crise de ira que só irá terminar quando o mundo se desfizer numa explosão tremendamente enorme e todos os panacas morrerem. Se bem que quando isso ocorrer você morrerá também, então acho que o melhor é acatar com carinho a primeira opção.

Erica Ferro
* * *
Disse que ia escrever mais frequentemente, mas eu não tenho mesmo jeito.
O bom é que posso culpar a internet, que não ainda muito amigável nesses dias. Vive caindo e tudo o mais.
A verdade é que ando procrastinando muito. Vira ano, mas a gente continua com as velhas manias. Preciso largar isso de adiar tarefas que me dão prazer. Falo de escrever, de ler e de assistir seriados. Enfim, paremos de procrastinar! A vida é muito curta para isso.
Um abraço da @ericona
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Hasta la vista!

23/11/11

Pollyana era humana

Pollyana, minha cara Pollyana. Reconhecidamente incomum desde que nasceu: quando veio ao mundo, não chorou.
Nem quando veio ao mundo nem em sua estadia por ele. E essa foi a sua morte.
Reservada desde muito pequena, nunca revelava o que sentia, o que lhe incomodava ou doía. E isso foi o que a matou.
Pollyana, você não conseguia ver, mas eu sempre estava com você, bem ao seu lado, prestes a lhe estender a mão, a lhe envolver em um abraço. Mas você não me via... E isso me destruiu um pouco por dentro.
Por que sempre pra você foi tarefa árdua pedir socorro? Quem meteu-lhe na cabeça que admitir que não somos autossuficientes e que por vezes precisamos, sim, de ajuda é fraqueza? Não, Pollyana, isso não é e nunca foi fraqueza. Isso é ser humano.
Mas... você não pode mais me ouvir. Ou pode? Você pode me ouvir de onde está, Pollyana? Onde você está, Pollyana?
As lágrimas rolam impiedosas por minha face porque eu não posso mais ver você, tampouco ouvir a sua linda voz, que, por mais clichê que isso possa parecer, era música aos meus ouvidos.
Pollyana, por que não me deixou cuidar de você? Por que sequer disse ou demonstrou que sofria? Por que se mostrava tão forte quando na verdade era vulnerável, uma menininha assustada, necessitada de um ombro, de um abraço, de um afago? Por que, Pollyana?! Eu nunca vou entender por que você fez isso consigo mesma. Nunca vou entender por que se mostrava tão indiferente aos seus fantasmas. Olha o que eles fizeram contigo, minha amada! Mataram-na!
Ah, sinto-me esgotado! Estou estafado de tanta tristeza e dor!
Os jornais disseram que você tinha se suicidado, minha doce Polly. Não, você nunca poderia ter se suicidado. Não você, minha Polly, tão inteligente, centrada, cheia de planos, de ideias e ideais admiráveis. Não, eu só poderia crer que havia sido um acidente, um terrível acidente, até que encontrei os seus diários... Através deles descobri quem você realmente foi. Sensível, frágil, assustadoramente solitária.
Não te amei menos por conhecer as suas fraquezas, seus medos, por ter ficado cara a cara com os seus demônios. Te amei mais, Pollyana. Te amei porque finalmente soube que você não era a perfeição que demonstrava ser. Te amei porque te descobri humana. Pena que você nunca me viu, Pollyana... Eu que estive sempre ao seu lado.

Erica Ferro



Mais uma das ideias que surgem do nada e resultam em textos/contos terrivelmente depressivos e tristes. Curiosamente, gosto de dar asas à imaginação e produzir estórias assim. São dolorosas, mas podem, perfeitamente, serem reais. Podem e são reais.
(...)
Eh bien, sábado estive no Gurias Arretadas.
Para ler o meu post, é só clicar aqui.
(...)
Um abraço da @ericona,
a desvairada.
Hasta la vista!

17/11/11

She & He

Ontem eu estava sob um céu de luzes e no lugar perfeito. Tudo era lindo e de bom gosto, mas enquanto se cantava a paz, eu via a mágoa nos olhos dela; e nos olhos dele, aquele velho ar indiferente. Eu não sabia o que eram contradições, mas ali eu pude ver claramente o que poderiam ser.

Ela não podia simplesmente esquecer as faltas dele, muito menos fechar os olhos para os erros que ele cometera para com ela. Ela não é do tipo que ignora o que arde dentro de si. Só havia algo nele que a incomodava mais do que qualquer falha que ele já cometera ou poderia cometer: o jeito aparentemente frio que ele adorava adotar quando ela mais precisava de calor e compreensão.

E tudo perdeu momentaneamente a graça pelo fato de que o mundo tinha que girar ao redor dele, ela é quem deveria entender isso. Ele apenas fingia que não escutava e que não sabia das coisas que a faziam feliz.

O mundo girar em torno dele não era o principal problema. Ela nunca foi mesmo de exigir papel principal nas raras peças das quais participara. Ela só queria que ele parasse um pouco de fingir não enxergar os seus desejos e que finalmente trabalhasse em prol da realização dos mesmos. Ela nunca pedira demais, e ele sabia disso. Tudo estava ao alcance dele. Bastava que ele engolisse o orgulho, tirasse a capa da indiferença e a abraçasse daquela maneira que ela tanto gostava. Quando ela estava nos braços dele, inexistiam problemas e tudo que não a fazia bem.

“Por que era tão difícil mudar algo? Por que ele era assim? Por que eu exijo tanto de nós dois?” Ela se questionava e investigava em si as causas destes problemas, mal sabendo que ele ainda pensa nela do mesmo modo que antes, que tudo entre eles ainda é completo.

O que ele tem é medo de admitir que está assustado, que as novas mudanças também o afetaram e que este é o único modo pelo qual ele aprendeu a se defender das adversidades que os cercam. É difícil sobreviver a uma crise, porém mais complicado é abrir mão de toda uma série de sentimentos por uma situação mal resolvida.

Que se sabe que nada mais é do que superficial, pois não se prende ao mundo do coração. Que tudo, por mais grave que seja, quando é realmente importante, sobrevive aos conflitos e às desavenças mais ferrenhas.

Allyne Araújo & Erica Ferro

* * *

Yeaaah! Finalmente Allyne e eu conseguimos escrever algo em parceria! O mais curioso é que praticamente todo esse conto foi criado por SMS. Isso mesmo, por SMS! Aliás, adoro passar horas conversando por SMS com a fofura da Allyne.
Allyne, guria arretada, adorei escrever esse conto contigo. Que venham tantos outros contos e textos em parceria com a sua gentil pessoa!

Ah! Já ia esquecendo de avisar que sábado passado estive no Gurias Arretadas. Confira clicando aqui. Um abraço da @ericona, a desvairada.


29/09/11

Amor atemporal

"Não há garantias nessa vida...". Disseram-me certa vez.
Refleti, entendi e hoje creio nessas duras, porém, sábias palavras.
Não, realmente não há. Mas que diabos! Viver é como andar numa corda bamba com o chão a 100 metros de você. Há gente que morre de medo de correr riscos. Há quem tenha verdadeiro fascínio por viver cercado pela morte, pelo perigo, simplesmente por achar isso divertido. Eu não sei que tipo de gente eu sou. Pelo amor de Deus, não diga-me que vivo em cima do muro, que não tenho o desprendimento suficiente para decidir entre uma coisa e outra. Não que não seja verdade, mas não diga, ora! Ao longo dos meus 50 anos, tenho escutado tanto isso. Até de minha Maria Lúcia, minha eterna namorada, minha esposa, minha amada! E em pensar que, nos meus momentos de irracional fúria, pensei em mandá-la para Marte por aconselhar-me, por dizer o que eu precisava ouvir. É que eu não entendia. E agora eu entendo, entendo tanto, entendo tudo! Eu sempre soube da intensidade do meu amor, do meu apreço e do quanto necessito de Maria Lúcia, mas agora é diferente. Oh céus, é tão diferente...! Oh, amigos, perdoem-me as lágrimas que saem nervosas de meus olhos nesse momento. Maria Lúcia, a minha Maria Lúcia, foi diagnosticada com uma doença incurável, está em estado terminal, com uma expectativa de vida máxima de seis meses! Não pode ser verdade, não pode, não pode! Oh, por Deus, não pode ser verdade! Deus, cura a minha Maria Lúcia! Como viverei sem ela? Deus do céu, por que não percebi que havia algo de errado com ela antes? Culpo-me tanto, tanto, tanto! Ainda que os médicos digam: "Senhor Pedro, não é culpa sua, acalme-se. É um caso tão raro, os sintomas foram tão sutis, é compreensível que nem ela mesma tenha percebido logo. Não se martirize assim, matenha a calma."
Não! Não consigo me acalmar! Sinto-me mortificado por dentro, com o coração em frangalhos, a alma entorpecida pela tristeza, pela desolação.
Meu Deus! Maria Lúcia, minha doce Maria Lúcia, 48 anos, tanto vida pela frente... Destino, com qual direito roubaste a vida de minha amada? Com qual direito?!
Ah, mesmo definhando dia a dia, Maria Lúcia tem se mantido forte, com o seu sorriso incomparavelmente belo, com suas feições plácidas, como se quisesse dizer: "Pedro, não chore, eu estou bem, apesar de tudo. Seja forte, como eu tenho tentado ser forte. Eu te amo. Para sempre vou te amar, você sabe disso...".
Deus, não é justo! Morrer assim não é justo! A morte não é justa! Nada nessa vida é justo! Não há justiça!
Sinto-me desolado, porém preciso me recompor, juntar as poucas forças que me restaram e encarar essa dura realidade que vivo hoje. Maria Lúcia precisa de mim, do meu amor, do meu apoio. Tentarei ser um homem forte, só por ti, Maria Lúcia! Estarei contigo em todos os teus momentos, de dor ou de agonia. Não te deixarei sozinha nem por um só momento, mesmo que vê-la morrendo aos poucos me mate também. Nunca me perdoaria se sucumbisse a minha própria covardia e deixasse de te amparar nesse momento que mais precisas de mim, minha eterna namorada.

(Erica Ferro)

* * *

Não sei de onde tirei inspiração para escrever esse conto, sinceramente.
Simplesmente comecei a escrever e, quando vi, dei a vida a essa história tão tocante.
(...)
Notícias sobre a Erica Ferro: está cada vez mais enlouquecida
pela proximidade da prova do ENEM.
Tem tentado estudar o máximo que pode.
Espera honestamente entrar na UFAL ano que vem.
Biblioteconomia é o que ela pretende cursar.
(...)
Hasta, amigos!
Um abraço da @ericona.

20/08/11

Moleque travesso




Querido Pietro,

Eu sou covarde, eu sei, você também sabe. E é por isso que eu recorri à essa missiva para resolver o que há tempos precisa ser solucionado. Não me orgulho disso. Queria ser forte o suficiente e dizer-lhe tudo o que será dito nessa carta face a face. Mas eu não conseguiria...
Parte da minha covardia é bondosa, acredite. Eu não poderia suportar o seu olhar depois de confessar esse segredo terrível que eu guardo por tanto tempo.
Por favor, creia em mim, eu não sou leviana, não fiz nada deliberadamente. Não sei como isso se deu... Como uma flor que nasce numa rocha. Estranho. Improvável. Mas aconteceu.
Pietro, você também bem sabe que, além de covarde, sou complicada. Todas as minhas tentativas de explicar-me frustram-se. Não consigo fazer-me entender. Você diz que esse é um dos meus charmes. Amo (ou amava?) quando você diz isso.
Oh, meu caro, como tudo isso foi acontecer? Por quê? Você não merecia isso.
Não consigo mais, preciso revelar o que está rasgando-me o coração dia a dia, perturbando-me a alma, sugando-me a lucidez. Eu me apaixonei pelo... pelo seu melhor amigo.
Oh meu Deus! Você irá odiar-me para o resto da vida. O amor que sente por mim se transformará, rapidamente, em ódio mortal. Mas não odeie-me, não me queira mal. Eu lhe quero tanto bem, Pietro, tanto bem que não pude mais esconder isso. Não é certo com você nem comigo.
Não, nunca te trai. O seu amigo nem sabe do que eu sinto por ele, talvez ele nem sinta nada semelhante por mim. Eu estou desolada. Totalmente perdida. O amor brinca com a gente. Surge subitamente, desaparece do mesmo modo e depois resurge onde menos se espera, nos deixando atônitos, sem saber como agir, que trilha seguir.
Eu não escolhi deixar de te amar, Pietro. Eu não escolhi amar outro alguém, muito menos o seu melhor amigo. O amor é um moleque travesso, incrivelmente misterioso e incompreensível.
Estranhamente, sinto a necessidade de pedir-lhe perdão pelo crime que não cometi.
A vida tem dessas coisas confusas e aparentemente sem lógica, Pietro.
Continuarei lhe querendo muito bem.
Perdoe-me e siga em frente. Tentarei fazer o mesmo.

Sinceramente,
Virgínia

* * *

Mais do mesmo. Sim, postagem dramática, melosa e fictícia. Adoro escrever coisas assim!
Hoje estou no Gurias Arretadas. Visitem-me.
Hasta la vista!
Um abraço da @ericona.