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26/03/16

Sobre o que ceifa o amor

Ele era apenas um garoto que achava que nada nesse mundo o atingiria.
Ele era apenas um garoto trabalhador que todas as tardes voltava pra casa frustrado e ia pra aula todas as noites.
Ele era apenas um garoto que sonhava dar uma vida melhor pra sua família humilde através de seus estudos e suas lutas diárias.
Era apenas um garoto que num único deslize deu boas vindas a paternidade antes da hora.
Ele era apenas um garoto que se deixou ser manipulado, manipulado pela mídia, manipulado por "amigos", manipulado pela vida.
E tornou-se em um homem fragilizado, mas que adora se fazer de forte. E hoje é um homem que ganha muito com o seu trabalho tedioso, ajuda seus pais, tios e irmãos, mas, que, quando chega em casa, não consegue se sentir feliz consigo mesmo. Há um vazio dentro dele. Todos os dias, pelo menos por cinco minutos, ele se auto examina, se vasculha, se chacoalha, mas não consegue solucionar o vão que há entre a alma e o seu corpo. O que lhe falta? O que lhe sobra? O que lhe impede de ser pleno?
O que lhe falta no coração?
Ele se olha no espelho mas não se enxerga. Só consegue ver uma sombra. Talvez a sombra do seu orgulho, receios e medos.
Ele tem muito medo de perder o seu orgulho. Ele não consegue sequer cogitar perder só um pouquinho da empáfia que, segundo ele, foi forçado a ter.
Ele, tolo que é, confunde empáfia com saber se impor. Ele, tolo que é, escolheu ser esnobe a ser firme com exatas doses de gentilezas.
Ele, todo que é, deixou passar uma moça que era sonhos e poesia. Ela, todinha, era um poesia belíssima. Ela o amava com toda a sua alma. Ela não era ruim da visão, não. Enxergava-o muito bem, com seus defeitos, manias e pequenos delitos. No entanto, achava que ele poderia mudar, que ele poderia se apegar ao bem que acreditava existir dentro dele.
Ela, a menina-mulher repleta de poesia e de amor, tinha uma alma purinha, quase igual ao de uma criança. Acreditava tanto, mas tanto, no poder transformador do amor. Mas ele... ah, ele não. Ele era amargurado, nunca foi capaz de abrir o seu coração. Achava que a felicidade era só uma palavra e que jamais poderia sair do papel.
Onde ele se perdeu? Ele tinha sonhos, lembra vagamente de que, sim!, ele tinha sonhos. Muitos sonhos.
Onde ele se perdeu? Na infância? Ao longo da juventude? Quando a melancolia foi tomando espaço e a frustração tomou conta de todo o seu ser?
Os sonhos podem ter se perdido na autossuficiência disfarçada de sabedoria.
Os sonhos se perderam no egocentrismo disfarçado de simpatia.
E junto com os sonhos, ele se perdeu também e hoje é apenas um ser cuja existência é insignificante.
Ele não toca mais ninguém. Ele não toca porque não consegue e porque não quer conseguir. Ele se acomodou a ser mais um que não faz nada para ser notado.
E ela... Ah, ela encontrou outro amor, um amor que também a amava com verdade e pureza, que enxergou e amou toda a poesia que sempre houve nela.
Sem ele, ela cresceu, amadureceu, mas sem deixar de ser poesia bonita, sorridente e ingênua. Não ingênua tola, que facilmente é passada pra trás. Ingênua no sentido de conseguir ver um lado bom até nas coisas mais emaranhadas e complicadas, nas ditas coisas perdidas do mundo. Porque, pra ela, tudo é uma questão de querer, de escolher viver a vida com amor, se apegando aos sonhos e ao que é bom.
Ela espera que ele se encontre, se não no amor, que seja na sorte, em algum sonho ou com os tombos da vida.

(Ariana Coimbra & Erica Ferro)

* * *
E saiu o segundo escrito em parceria com a senhorita Ariana! Clicando aqui vocês poderão ler o resultado da primeira parceria.
É sempre bom escrever com essa moça! 
Espero que vocês, meus queridões, também gostem. 
Beijos na alma!

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09/02/16

A difícil arte de ser resiliente

Sabe, a vida às vezes pode ser difícil pra cacete. Tem dias que nada faz sentido, que dá uma vontade de desistir de tudo, de si mesmo, dos outros, do mundo... Da vida. Tem dias que pensamos seriamente em jogar tudo pra o ar. Quando a gente apanha muito da vida, se enche de cicatrizes que parecem nunca sarar por completo, a vida fica pesada e quanto mais a gente pensa nisso, mais a gente se afunda e sufoca. "Não tá tranquilo, não tá favorável", dizemos pra nós mesmos. "Tá complicado, tá dolorido, tá impossível. Eu não vou conseguir suportar mais um dia", é o que repetimos incessantemente.

Repete tanto que isso acaba virando um mantra diário.  As pálpebras pesam e os olhos choram sem parar. As horas passam, o dia acaba mas nossas paranoias permanecem. É difícil acreditar num amanhã melhor quando tudo o que nos acontece, quando todos os pensamentos que nos assolam são cinzas e reforçam o nosso medo.

Esse inferno mental é insuportável, é enlouquecedor. O que fazer pra abrandar isso? Onde conseguir esperanças quando dentro de si não existe resquícios de pensamentos positivos? O que eu faço com toda essa tristeza e desespero? Como posso me ver livre dos meus fantasmas? Como posso vencer tudo isso? Eu posso vencer? Ou essa luta eu já perdi? Não consigo mais suportar. A confusão e o cansaço mental tragaram a minha paz e já há mais vigor em meu corpo.

Se já perdi a luta eu não sei, mas tenho procurado não entregar os pontos.  Tenho tentado levantar a cabeça, e mesmo com chuva nos olhos seguir. Eu sei que não é nada fácil,  sei que é difícil acreditar num amanhã melhor. Mas se eu não acreditar e não lutar, ninguém fará isso por mim. Porque não há remédio e terapia que resolva o ócio que me assolou.  Então mesmo que a luz no fim do túnel esteja apagada, eu levanto, lavo o rosto e vou enfrentar o monstro do dia e mais quantos vierem. A vida anda é pra frente.  Então o jeito é seguir.

Erica Ferro & Ariana Coimbra

* * *
Conversa no WhatsApp:
- Pensa rápido, Ariana. Vamos escrever agora? - pergunto.
- Agora? Sobre o quê? - responde Ariana.
- Sim! Sobre qualquer coisa. Eu começo.

E assim nasceu esse texto. Ariana Coimbra é uma mulher forte e valiosa, muito embora às vezes esqueça disso. Ela é uma das seletas pessoas com as quais converso sobre tudo, sem medo de ser julgada louca ou perturbada. E eu sei que ela também se abre comigo. Passamos por coisas semelhantes na vida, sobretudo no que diz respeito aos sentimentos e sensações que muitas vezes não conseguimos domar e eles acabam nos dominando, nos sufocando e causando uma verdadeira bagunça na nossa vida. Somos duas criaturas sensíveis, mas já fomos bem mais. Queríamos muito ser mais racionais, porque já tivemos provas suficientes de que sentimentais sofrem um bocado nessa vida louca. Mas o que podemos fazer? É o nosso jeito, é a nossa essência. Por esses e outros motivos, escrevemos e tentamos, por meio da escrita, nos tranquilizar e plantar um pouco de paz em nossas mentes e corações. Adorei escrever esse texto, assim, na lata, sem pensar muito, com a minha cara Ariana. Foi algo espontâneo, vindo mesmo do coração e dos nossos cérebros por vezes sobrecarregados e alucinados.
Nunca mais havia escrito assim, em parceria. Foi ótimo retomar essa forma de escrever. E que bom que foi com essa blogueira que conheço de longa data. Que outras parcerias venham, Ariana!

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25/01/15

Resenha: O Livro do Amanhã - Cecelia Ahern



O livro do amanhã
Cecelia Ahern
Novo Conceito
368 páginas

☺☺☺☺ ♥

Sinopse: Tamara Goodwin sempre teve tudo o que quis e nunca precisou pensar no amanhã. Contudo, de repente, seu mundo vira de cabeça para baixo e ela precisa trocar sua confortável vida da metrópole por uma cidadezinha do interior. Assim, Tamara logo se sente solitária e louca para voltar para casa.
Então, uma biblioteca itinerante chega ao vilarejo, trazendo junto um misterioso livro de couro trancado com uma fivela dourada e um cadeado. O que Tamara descobre ao longo de suas páginas a deixa surpresa. E tudo começa a mudar das maneiras mais inesperadas possíveis... Será possível mudar o amanhã?




O livro do amanhã é o primeiro livro que leio da escritora irlandesa Cecelia Ahern. Talvez o nome não lhe seja familiar, como não era a mim algum tempo atrás. No entanto, P.s.: eu te amo te lembra algo? Sim, é um filme bastante conhecido. Ele é baseado no livro homônimo de Cecelia. Faz um tempo que eu assisti ao filme, então eu nem atinei para pesquisar se o filme era baseado num livro antes de ver a película. Só fiquei sabendo quando comecei a ver o filme, porque, se eu não me engano, o início e créditos, incluindo o encarte, davam essa informação. Honestamente, eu não me emocionei ou chorei horrores com o filme, como aconteceu com algumas pessoas que conheço. Em minha defesa, quero dizer que, sim, tenho um coração pulsante aqui no peito, e é grande. No entanto, sabe como é, não rolou uma química entre nós. Poderia discorrer mais a respeito das razões de eu não ter gostado do filme, mas na verdade não lembro muito bem, porque, como disse antes, vi há um tempo. Contudo, se o filme tivesse me marcado de algum modo, como outros longas já o fizeram, eu lembraria dele com mais emoção.
Pois bem, há muito tempo que a Editora Novo Conceito me enviou, em parceria, O livro do amanhã, mas eu meio que o evitei porque já havia tentado ler P.s.: eu te amo em e-book e não deixei para lê-lo em outra época, afinal não consegui passar das primeiras páginas (fiz-o bem depois de ter visto o filme, porque queria ver se a adaptação havia sido ruim ou se era o livro que não conseguia me tocar). Desse modo, por medo de ter uma experiência igual a que tive com P.s.: eu te amo, dei prioridade a outras leituras e o deixei de escanteio. Até que, então, esses dias pensei cá com os meus botões e resolvi dar uma chance a Cecelia. Confesso que não achei que ela conseguisse me cativar com um só livro, mas a danada conseguiu! Li algumas resenhas um tanto negativas sobre esse título, sobre não ser um bom livro ou não ser um bom livro para quem vai ler a Cecelia pela primeira vez. Então, meu caro leitor, sou uma pessoa totalmente às avessas, porque, no meu caso, esse foi o livro certo para começar a ler Cecelia! Estou na estrada contrária a quem adorou P.s.: eu te amo e/ou acha que é o melhor livro da autora.
Honestamente, O livro do amanhã é muito bom. Quem já leu e não gostou tanto, por favor, não faça esse muxoxo. Explicarei porque gostei tanto do livro. É um livro simples, admito. Não inova em praticamente nada. Imagina que ele conta a estória de uma adolescente por volta dos seus dezesseis/dezessete anos, mimada, rica, estúpida, no sentido de ser rude com o mundo inteiro - e que o meu lado hiperbólico seja perdoado - e inconsequente. Assim é Tamara Goodwin, ao menos no início da trama, até o momento que passa um furacão em sua vida, destruindo tudo e a forçando, junto com a sua mãe, a mudar de cidade e se adaptar a uma realidade que ela nunca imaginou que viveria e, francamente, não estava afim de viver.
Entretanto, é por causa desse furacão, por causa desse caos, que ela finalmente saberá o que é a vida, especialmente, o que é a sua vida e quem ela realmente é. Quem e o quê proporciona essa porta para que Tamara desabroche ante o mundo? Um rapaz agradável chamado Marcus e uma biblioteca itinerante. Biblioteca faz você lembrar de algo, leitor? Sim! É um dos lugares que eu mais amo no mundo! Sim, deve ser porque sou apaixonada por livros e curso Biblioteconomia. Não pude deixar de citar isso na resenha, foi mais forte do que eu. Continuando: é no ônibus-biblioteca que ela encontra um livro sem título, autor, ou seja, sem nenhum dado e que ainda por cima está trancado com um cadeado. Como qualquer ser humano curioso, é esse livro que Tamara pega emprestado. Com alguma dificuldade, ela dá um jeito de abrir o livro, que se revela um diário, e ela percebe que ele é um tanto... mágico. É o diário que devolve emoção aos seus dias e é através dele que ela passa a atentar seus olhos para quem e o quê está a sua volta, buscando respostas para perguntas que surgem dia após dia, posterior a mais um episódio estranho, que, de um modo misterioso, parece ter a ver com a sua vida e a de sua família.
Sim, é um livro simples. Uma adolescente, um diário mágico e mistérios familiares a serem descobertos. Mas, cara, eu gostei! Eu não acho que eu fui uma adolescente rebelde ou irritante ao extremo, como Tamara se mostrava ser no início do livro. Mesmo não tendo um passado conturbado em relação ao período da adolescência, eu gosto de ler sobre histórias de pessoas que foram o diabo, com o perdão da palavra, em sua adolescência. Há rebeldes sem causa e há razões para rebeldia em alguns seres. Há alguns motivos para que Tamara fosse a peste que era. E é com o passar das páginas que notamos esses motivos e nos alegramos com a ampliação da capacidade da Tamara não só de visualizar a si própria e mudar algumas características prejudiciais suas, como também a percepção que passou a ter das pessoas ao seu redor. Isso foi de fundamental importância para que ela pudesse descobrir todas as coisas que descobriu e seguir em frente, independente da sua nova condição, que nesse ponto, aliás, já não lhe era desagradável como antes um dia o fora.
As lições desse livro são bobinhas e que, justamente por assim o serem, nos esquecemos delas com facilidade. O amor ainda é (e, por Deus, será para sempre!) o elemento mais importante do mundo. É por causa desse sentimento que pessoas movem céus e terra para protegerem os seres que amam e sacrificam a si mesmas, inclusive, se for necessário, para que essas pessoas tão amadas sejam felizes apesar dos pesares.
Creio que o personagem que mais me chamou a atenção foi de fato a Tamara, talvez por o livro ser narrado pela própria personagem. Preciso reconhecer duas coisas: a primeira é que a Cecelia tem um jeito muito gostoso de narrar, apesar de se prender muito, em alguns trechos, em descrições de cenas e paisagens e repetir algumas ideias - ou expressões - que, OKAY, eu já havia entendido que Tamara gostava. A segunda é que os personagens secundários não foram tão bem explorados ao longo da trama. Creio que ficou tudo muito para as últimas páginas, inclusive as revelações mais importantes, como também a porção de aventura que o livro tem a dar. Em alguns momentos, ainda que eu estivesse curtindo à beça a narração, me perguntei "Certo, mas quando vai começar a coisa? Quando começará 'a caça às bruxas'?", e demorou muito para ter esse meu questionamento respondido. Em síntese, os personagens mais trabalhados foram a Tamara, George, pai de Tamara, e Rosaleen, uma criatura essencial da estória. E, claro, a Irmã Ignatius, uma doçura de personagem, que me cativou com facilidade. Jennifer, a mãe de Tamara, ao meu ver, poderia ter sido melhor trabalhada, assim como Arthur, tio de Tamara. 
O livro é um romance que se encaixa em algumas categorias, por exemplo: drama, YA, fantasia e chick-lit. Se você gosta de alguns desses gêneros, estimado leitor, O livro do amanhã provavelmente será um bom livro pra você.
A capa é bem bonita e retrata uma cena do livro. A diagramação é ótima, o que deixa a leitura fluida e sem atravancamento. Não encontrei erros de digitação ou ortográficos na edição. Parabéns por mais uma bela edição, Novo Conceito!


Como a Editora Novo Conceito é uma queridinha, fez um book trailer bem bonitinho desse livro da Cecelia. Ei-lo:


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02/01/15

Resenha: O Começo do Adeus - Anne Tyler



O Começo do Adeus
Anne Tyler
Novo Conceito
208 páginas
☺☺☺
Anne Tyler nos leva a um romance sábio, assustador e profundamente tocante em que descreve um homem de meia-idade, desolado pela morte de sua esposa, que tem melhorado gradualmente pelas aparições frequentes da mulher — na casa deles, na estrada, no mercado. Com deficiência no braço e na perna direita, Aaron passou sua infância tentando se livrar de sua irmã, que queria mandar nele. Então, quando conhece Dorothy, uma jovem tímida e recatada, ele vê uma luz no fim do túnel. Eles se casam e têm uma vida relativamente modesta e feliz. Mas quando uma árvore cai em sua casa, Dorothy morre e Aaron começa a se sentir vazio. Apenas as aparições inesperadas de Dorothy o ajudam a sobreviver e encontrar certa paz. Aos poucos, durante seu trabalho na editora da família, ele descobre obras que presumem ser guias para iniciantes durante os caminhos da vida e que, talvez para esses iniciantes, há uma maneira de dizer adeus.

O primeiro contato que eu tive com a escrita de Anne Tyler foi através do livro O Começo do Adeus, publicado pela Editora Novo Conceito em 2012. O Começo do Adeus é um livro de ficção com enfoque no drama. O livro é narrado em primeira pessoa. É Aaron quem conta a sua estória, a de sua esposa e de seus amigos. Aaron é um homem próximo da meia-idade, sócio em uma editora independente que trabalha com a publicação de séries de livros que tratam de assuntos para iniciantes, com o intuito de auxiliá-los a lidarem com temas que não lhes são familiares. Uma espécie de séries de livros que proporciona ao leitor uma iniciação em temáticas que lhes despertam seu interesse, seja por necessidade ou pura curiosidade.
Aaron tem uma deficiência no braço e na perna direita, não que esse seja um detalhe que represente a totalidade da personalidade ou da pessoa de Aaron, mas ajuda a entender um pouco do seu comportamento e temperamento. Depois de ter lido a sinopse, estava curiosa para saber como Aaron lidava com a sua deficiência. Creio que os meus leitores antigos se lembrem de que eu também sou deficiente (caso não saibam, eis um link em que falo sobre isso), então, mesmo que o assunto deficiência seja familiar pra mim, gosto de ver como a deficiência vem sendo apresentada, não só em livros, como também em filmes.
Eu poderia discorrer sobre a minha concepção de que é preciso que haja urgentemente e largamente uma desconstrução dos tabus ao redor do tema deficiência, como, por exemplo, essa mania extrema que a maioria tem de enxergar o deficiente: ou como tipo de herói, porque ele consegue lidar bem com a deficiência e viver da forma mais plena possível, ou, como coitado, porque “ah, meu Deus, deve ser terrível ser deficiente!”, sussurra uma parcela dos ditos “normais”. Sobre a questão de “deficiente não é coitado nem herói”, quero pedir que assistam esse vídeo aqui. Stella Young diz muito bem sobre o sentimento de ser deficiente diante de uma sociedade que prega o encaixe nos padrões vigentes. Em síntese, o que ela diz – e eu concordo inteiramente – é que o problema não é, nem nunca foi, a deficiência, mas sim a falta de acessibilidade e de conhecimento por parte da sociedade sobre o que realmente é a deficiência. Em sua fala, ela coloca, muito sabiamente, que um deficiente apenas faz com que o seu corpo, pouco ou muito limitado, trabalhe na sua máxima potência, executando as tarefas diárias e desenvolvendo habilidades para dar sentido à sua existência, como qualquer outra pessoa no mundo.
Realmente, me empolgo quando o assunto é deficiência, pois sinto comichões ao ser tratada de uma maneira estranhamente especial ou com uma admiração acima do normal apenas pelo fato de ter uma deficiência. E é esse o sentimento de Aaron em relação à própria deficiência e ao modo como algumas pessoas o tratam. Ao contrário de mim, que sempre fui tratada com normalidade e apenas com os cuidados comuns por parte da minha família, os familiares de Aaron, sobretudo a sua mãe e irmã, lidavam com ele com cautela, com uma superproteção que o fazia se sentir uma espécie de vaso de porcelana, que poderia se quebrar a qualquer momento. Eu entendo, mesmo, que talvez a sua mãe e a sua irmã apenas o amassem demais e tivessem receio de que ele se machucasse, no entanto esse comportamento só sufocava Aaron e o fez se tornar um adulto arredio e desconfiado dos tratos que recebia ao longo da vida.
Quando conheceu Dorothy, uma médica excêntrica, que o tratou com a normalidade e naturalidade que ele sempre esperou de um desconhecido, ele se encantou por ela. Namoraram, casaram, mas não puderam viver muitos anos juntos porque, certo dia, uma árvore pesada e muito grande resolve cair no solário, onde Dorothy repousava, depois de um pequeno e bobo desentendimento com Aaron, e ela morre. Não estou contando algo de secreto, porque isso já figura na sinopse.
Depois disso, Aaron passa a se sentir sozinho e muito melancólico, perdido, sem Dorothy. Diante de tudo o que aconteceu, do choque, do trauma que foi perder a esposa inesperadamente, conscientemente ou inconscientemente, ele faz uma retrospectiva da própria vida, iniciando pela infância, passando pela fase da adolescência, até chegar a idade adulta. Podemos acompanhar o amadurecimento do personagem, que largou certos medos e se impôs ante a vida. Anne Tyler desenvolveu Aaron com muito tato e detalhes. É possível visualizá-lo com facilidade.
O relacionamento de Aaron e Dorothy deveria ter sido mais aprofundado, para que não causasse uma confusão e até mesmo buracos na trama. Sinceramente, fora o fato de Aaron se sentir bem ao lado de Dorothy por ela não o tratar como alguém fora de série ou como um coitado, não me foi possível enxergar o que mais os unia. As aparições dela foram muito mais agradáveis do que os relatos contados por Aaron. Em vida, Dorothy não havia sido alguém capaz de provocar amores ou grandes empatias. Pelo menos, não em mim. Já no estado pós-morte, ela se mostrou mais amável e sensível. Contudo, acreditar na veracidade da Dorothy pós-morte ou compreendê-la como uma criação de Aaron, uma reinvenção de Dorothy mais aprazível a ele, fica a critério do leitor.
Os personagens secundários são trabalhados de maneira razoável. Uma que eu destaco é Peggy, sempre solícita e doce não só com Aaron, mas com todos os seu redor. Cativou-me sem esforço e eu me perguntei. ao longo da leitura, por que Aaron não enxergava o quanto que ela era uma pessoa adorável. Quer dizer, entendia em parte. Em minha visão, o fechamento do livro e encaminhamento dos personagens se deu de forma apressada, mas crível. Classifiquei O Começo do Adeus com três estrelas, porque, em razão da ausência de um maior aprofundamento em algumas questões, só posso dizer que é um bom livro.
Anne Tyler não escreve de modo intricado. A sua escrita é fluida e a leitura se dá de maneira tranquila. No entanto, não foi uma experiência que se possa dizer maravilhosa. Espero ler outra obra de Anne que, ao fim, eu possa exclamar: “Bem, agora, sim, fui arrebatada por essa escritora!”.
O livro é indicado para quem gosta de estórias comuns, mas com personagens com um diferencial dentro do crível, que se apresentam sob a forma de assuntos dramáticos e reflexivos. 

Eis o Book Trailer de O Começo do Adeus:


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30/11/14

Resenha: Jardim de Inverno - Kristin Hannah


Jardim de Inverno
Kristin Hannah
Novo Conceito
416 páginas
☺☺☺☺☺ ♥
Sinopse: Meredith e Nina Whiston são tão diferentes quanto duas irmãs podem ser. Uma ficou em casa para cuidar dos filhos e da família. A outra seguiu seus sonhos e viajou o mundo para tornar-se uma fotojornalista famosa. No entanto, com a doença de seu amado pai, as irmãs encontram-se novamente, agora ao lado de sua fria mãe, Anya, que, mesmo nesta situação, não consegue oferecer qualquer conforto às filhas. A verdade é que Anya tem um motivo muito forte para ser assim distante: uma comovente história de amor que se estende por mais de 65 anos entre a gelada Leningrado da Segunda Guerra e o não menos frio Alasca. Para cumprir uma promessa ao pai em seu leito de morte, as irmãs Whiston deverão se esforçar e fazer com que a mãe lhes conte esta extraordinária história. Meredith e Nina vão, finalmente, conhecer o passado secreto de sua mãe e descobrir uma verdade tão terrível que abalará o alicerce de sua família… E mudará tudo o que elas pensam que são. “Difícil não rir um tanto e chorar ainda mais com a história de mãe e filhas que se descobrem no último momento.” – Publishers Weekly A história que sua mãe conta é como nenhuma outra já ouvida por elas antes — uma história de amor cativante e misteriosa que dura mais de sessenta anos e parte da Leningrado congelada e devastada pela guerra até o Alasca, nos dias atuais. A obsessão de Nina por esconder a verdade as levará a uma inesperada jornada ao passado de sua mãe, onde descobrirão um segredo tão chocante, que abala a estrutura da família e muda quem elas acreditam ser.

Jardim de Inverno é um livro contundente. Essa é a palavra. É um livro que tem um poder incrível de nos tocar, de nos chacoalhar, de nos envolver. Kristin Hannah construiu uma obra maravilhosa que envolve amor, em suas mais variadas formas, guerra, perdas e conto de fadas.
Quanto mais leio, mais me convenço de que o melhor é não pesquisar muito antes de ler um livro. É, não leia muitas resenhas, não se apegue muito ao que os outros disseram sobre tal livro. Prefira as resenhas que pouco dizem sobre o enredo, mas se apegam mais ao contexto da obra e às emoções que brotaram no coração do leitor ao longo da leitura.
Assim foi comigo com Jardim de Inverno. Eu não pesquisei muito. Para ser sincera, eu não lembro de ter pesquisado ou procurado opiniões sobre o livro em nenhum momento. Na verdade, o que me chamou a atenção desde a primeira vez que vi esse livro e o tive em minhas mãos foi a capa e a sinopse. Eu sabia que havia uma grande estória por trás desse livro. E não me enganei. Nem um pouco.
Aterei-me muito pouco ao conteúdo do livro, quero dizer, direi muito pouco da estória: prefiro contar dos sentimentos que afloraram com o decorrer da leitura.
Meredith e Nina Whiston tiveram uma infância um tanto difícil no âmbito familiar. Não era o relacionamento dos pais que causava transtorno no lar. Era a frieza da mãe para com as filhas. O pai tentava a todo momento remediar todas as grosserias que a Mamãe Anya fazia ou dizia com as meninas. No entanto, nem mesmo o amor do pai - que era tão grande - era capaz de curar as dores e cicatrizar as feridas causadas pela indiferença de Mamãe Anya. Por um tempo, Meredith tentou se aproximar da mãe, mas sempre era empurrada para longe. Vendo que Meredith tentava, inutilmente, se achegar a mãe, Nina sequer tentava. O único momento em que a mãe falava com as filhas era à noite, quando contava a estória de um príncipe e uma camponesa e um reino de gelo. O mais curioso é que Mamãe nunca terminava de contar a estória. Obviamente, ter a mãe nesses breves momentos noturnos não era suficiente. Por essa razão, ambas as irmãs aprenderam a esconder seus sentimentos e a seguir em frente, mesmo magoadas, mesmo com um vazio no peito, mesmo com as mágoas e os rancores fervendo dentro de suas almas de quando em quando.
Mas, caro(a) leitor(a), sabe aquela frase que diz que "o mundo dá voltas"? É verdadeira e sempre que possível ela se faz comprovar no nosso dia a dia. Não foi diferente com Mamãe Anya, Meredith e Nina. Papai ficou muito doente e acabou falecendo. Antes de falecer, porém, pediu que Meredith e Nina tivessem paciência com a Mamãe Anya e que não desistissem de fazê-la contar todo o conto de fadas do reino gelado. No momento, as irmãs não conseguiram entender muito bem o que o Papai queria dizer com aquilo e como o simples fato de ouvir a mãe contar uma estória iria aproximá-las. 
E é nesse ponto que a estória que Kristin Hannah se agiganta e nos prende de uma maneira quase mágica. À medida que Mamãe vai contando o misterioso e longo conto de fadas, Nina e Meredith iniciam uma pesquisa pela vida da mãe e por todo o seu passado. É o momento no qual as três entram num processo de autodescoberta e de descoberta, porque, com todas as revelações, elas conseguem não só conviver melhor uma com a outra, como também largam medos do passado e ousam ser quem sempre quiseram ser.
A estória de Anya é tão pesada, tão forte, e é bonita, ainda que seja mais triste do que bonita. É que há uma poesia tristeza, uma canção melancólica em volta da vida de Anya. Ela vivenciou coisas tão terríveis, tão dolorosas, tão inacreditavelmente chocantes. Não há mente e coração que consigam permanecer os mesmos depois do que ela viveu. Só com muito amor, muita compreensão e muita insistência para quebrar o gelo que se formou em volta dessa mulher.
O desenrolar do livro me prendeu imensamente. Eu não conseguia deixar de ler Jardim de Inverno por muito tempo. Fiquei muito contente com a evolução das personagens, o quanto que elas cresceram como seres humanos e o quanto elas conseguiram dar passos importantes na jornada rumo a felicidade e a paz de espírito. O livro ensina, nas entrelinhas, a quebrar o gelo, quebrar as barreiras que nos separam do mundo e dos outros. Ensina-nos, também, a ter paciência e tentar compreender antes de julgar, a olhar com mais amor e menos reprovação para as pessoas que nos cercam. Por razões óbvias, a de ser um livro encantador e arrebatador, entrou para a minha lista de favoritos. 
Indico essa obra a quem gostar de livros que abordem a temática família, guerra, perdas, autodescobertas, descobertas e superação.

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Por hoje, é só. Fiquem em paz
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30/09/13

Entre o amor e a amizade


ehe

Talvez toda aquela impaciência fosse somente pela falta – que ela nunca iria admitir – que ele lhe fazia. Afinal, há quanto tempo eles não se falavam? Era algo que nunca ficaria às claras, não quando isto é confirmado pela boca de uma conquistadora de maus modos.
Se ao menos as coisas estivessem mais diretas, ou se ele pudesse dizer alguma coisa que fugisse ao normal, qualquer tipo de merda mal educada para romper com as barreiras do agora... Mas cá estavam dois idiotas, medrosos e incapazes de assumir a reação de perder a cabeça.
Pois, na guerra com o coração são sempre os pensamentos a pagarem pelas ideias mais absurdas e os olhos a sangrarem pelas coisas que não são o que parecem ser. Mas quem – me diga quem – nunca passou por isso, que atire a primeira pedra.
Eles sempre tiveram uma atração nata, algo de impressionar a qualquer um. Não só uma atração física, mas se tratava de mais. Era como se eles tivessem uma ligação de outras vidas. No entanto, mesmo com tudo isso, essa ligação, essa vontade, a coisa não saía de uma amizade, de uma bela amizade, ainda que o coração de ambos gritasse por mais, implorasse por mais. Quem iria ser o primeiro a baixar a guarda? Quem daria o braço a torcer e diria “Perdi, paixão! Rendo-me a você.”?
Aquela singela paixão de arrancar o siso, ao qual Almeida Freitas se referia, aquela mesma que fizesse a moça romper com todos os seus nãos e conceitos mais profundos. É, de fato ele era a pessoa que mais havia a conhecido a fundo, e não correu como faziam todos os demais. Mas isso era exatamente a coisa que ela mais odiava nele, e uma das coisas das quais ela não queria fugir. Ela provavelmente se perguntava se com ela as relações mais banais sempre seriam tão fora de rumo, tão rentes ao abismo das sensações dúbias.
Ele a adorava como jamais poderia explicar, porém a merda toda aconteceu há três noites. A vodca e o limão juntos o fizeram esquecer-se dos limites - aquelas linhas finas e delicadas que protegem a amizade - e num piscar de olhos tudo se desfez.
O álcool ajudou aos dois, entretanto seu efeito era passageiro e agora, voltamos a dizer que merda é merda e nada - nem ninguém - poderia mudar isso.
Ela acordou um tanto desnorteada, a visão meio embaçada, a cabeça tonta. Onde diabos ela estava? Viu-se deitada numa cama, que, depois de um pouco pensar descobriu ser familiar, mas a tontura e a dor em sua cabeça não a deixavam lembrar-se de quem era a tal cama, contudo não foi preciso muito pensar. A imagem falou por tudo. Ele estava deitado do lado esquerdo da cama, com uma perna pendendo para fora dela, completamente nu. Ela ficou chocada e, rapidamente, checou a si mesma: também estava inteiramente despida. Ela não se lembrava de nada, não naquele momento, em que tudo que sua cabeça fazia era girar e latejar. O que teria acontecido? Por que estavam pelados? Será que tinham... passado a noite juntos?
Entretanto – e a bebida é uma arma traiçoeira – flashes da noite anterior saltaram a sua mente, àquela hora meio adormecida, meia em alerta. Eram imagens embaçadas de corpos que se perdiam um no outro pelo arrastar de corredores que levavam até aquele quarto, até aquele maldito cômodo que colocou toda a amizade de anos em jogo. Mas as formas com que aqueles olhares seguiram trocados a meia luz, e o gosto daqueles beijos roubados lhe despertavam os mais cegos de todos os instintos a fizeram fraquejar.
Ela socou o travesseiro pela enésima vez, enfim as lágrimas apareceram. As lembranças a confundiam mais e mais e no momento tudo o que ela queria era desligar. Porém, não conseguia. Tudo o que sua mente fazia era andar em loop. Por fim, se viu enlaçada pelos braços do seu amigo e amado, do seu agora namorado. Seu amado, ela suspirava só de pensar em pronunciar isso o quanto antes: “meu namorado, meu amado, meu amor...”. Eles conversaram, confessaram amores, paixões e, enfim, se deram por vencidos. O amor, a paixão e toda a loucura que vinha junto com esses dois primeiros sentimentos haviam ganhado a guerra.
Embriagados pelo álcool e pela paixão por tanto tempo reprimida, eles se entregaram novamente aos braços do desejo cálido, mas calmo, dessa vez sóbrios e lúcidos. Fizeram amor em forma de poesia, que declamavam aos sussurros no ouvido um do outro, e fizeram versos de amor em forma de amor prático, carnal.
Ela, pensando consigo mesma, disse que nem em um milhão de anos outro homem conseguiria fazê-la sentir como ele a fez sentir quando se amavam. Eles eram paixão fervorosa, mas eram doçura e poesia. O amor deles derrubava as barreiras do físico e invadiam as fronteiras do espiritual, do surreal, do imaginável apenas aos apaixonados. Ele pensou que ela era a garota mais misteriosamente irresistível, encantadora e apaixonante do mundo inteiro. Ele a queria em seus braços por muito, muito tempo. Para sempre, por que não?

(Allyne Araújo, Erica Ferro & Rebeca Postigo)

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Enquanto devoro A caçada, de Clive Cussler (logo postarei a resenha aqui), se deliciem com esse conto feito por três gurias arretadas. Sério, amei escrever esse conto com a Allyne e a Rebeca. Cara, acho que estou ficando boa nesse negócio (risos)! Outubro postarei várias resenhas da Novo Conceito. Andei em falta esses meses todos com essas resenhas, mas outubro será o mês em que pretendo pagar boa parte das minhas dívidas em relação a isso. Enfim, é isso. Espero que tenham gostado desse conto escrito pelo trio mais arretado da blogosfera. Sim, porque de modéstia nós entendemos (só que não ~risos~). O pedido de sempre: curtam e sigam o blog nas redes sociais. Um abraço da @ericona. Hasta la vista!

12/09/13

Segunda chance


Ele estava no bar com um de seus amigos a tira colo, como sempre seu humor andava péssimo desde o término do seu namoro com a garota mais incrível que ele conhecera. Sinalizou para o barman e enquanto sua dose de uísque era servida, ele observava o movimento sem qualquer interesse.
Ele tinha sido um tolo com Alexandra, e sabia disso. Traiu-a, não com a melhor amiga de Alexandra, mas com a mulher que mais fez mal a ela em toda a sua vida. O que fez Alexandra odiá-lo ainda mais. Desde o término, ele remoía aquilo todos os dias, toda a situação, desde quando conheceu Pérola até o dia em que Alexandra os pegou juntos, na cama.
Ele sabia o que tinha feito de errado e por mais que quisesse falar com Alexandra, sabia que ela nunca o ouviria. Ele conhecia aquela mulher como a palma de sua mão e sabia que ela era orgulhosa o suficiente para viver sem ele.
Nesse momento seu celular vibrou novamente, era outra mensagem da Pérola. Aquela mulher era o diabo em curvas e sensualidade e tudo o que ela dizia o levava mais e mais a sepultura.
Pérola era o diabo em forma de mulher escultural; mas, sobretudo, era o diabo por causa das suas artimanhas. Pedro não entendia bem como ela fazia, apenas se via, constantemente, enfiado nos joguetes de Pérola. Ele mais parecia um ventríloquo nas mãos diabólicas daquela mulher. O que é que ela tinha? Como conseguia dominá-lo tanto? Que espécie de mulher ela era? E que poder de persuasão era o que ela tinha? Era algo fora do normal, decididamente.
Na fatídica noite em que Alexandra os pegou juntos, bem, ele ainda estava embebido em perfeita confusão quando ela abriu a porta do seu quarto. Pérola era sexy como o inferno e ele não sabia ao certo como foi parar em cima daquela mulher. Claro, eles estavam transando, mas tudo o que tinha na cabeça de Pedro era uma névoa densa que o deixava muito confuso com relação a tudo.
Pedro sempre foi um rapaz muito tímido, mas muito dócil também. Por ser tímido e dócil, carregava uma inocência pouco comum nos dias de hoje. Não era um anjo, tinha seus defeitos e pecadilhos na bagagem da sua existência, contudo, depois que viu Pérola, numa noite voltando da casa de Alexandra, ele foi realmente apresentado ao mundo do pecado.
Alexandra sempre foi a garota perfeita, tinha um emprego seguro, casa, carro e um gato; mais conhecido como Café. Eles começaram a namorar ainda no terceiro ano da universidade, isso foi há cinco anos. O tempo passou, ele mudou, porém Alexandra não. O sexo entre eles ficou tedioso, assim como o namoro, dias e horários certos pra se verem, tudo perfeitamente controlado.
Todavia, com Pérola as coisas eram diferentes. Ela ligava para ele com mais frequência que Alexandra e seus diálogos eram mais quentes que qualquer transa. Ele estava inebriado com tudo o que Pérola podia lhe oferecer, entretanto ainda amava Alexandra.
Com Pérola, era só sexo, um sexo louco, extremamente devaneado. Podia-se dizer que uma relação selvagem, focada no lado carnal. Ele achava que gostava disso. Achava, porque, se tratando de Pérola, ele não tinha certeza alguma. Eram só achismos. A mulher era um enigma. Um delicioso enigma, bem sabia ele. Entretanto, ela era um enigma que ele não sabia decifrar. 99% das vezes, essa falta de conhecimento de quem era Pérola, o frustrava e nem a devassa que ela era na cama o salvava da frustração. Ele não amava Pérola. Ele era viciado, inconscientemente, em Pérola. Era como se Pérola fosse uma droga. Sim, uma droga da qual ele precisasse de doses cada vez maiores, por mais que ele soubesse que aquilo só o fazia afundar ainda mais no caos e na destruição. Alexandra era o seu anjo, o seu porto seguro. Era, do verbo não é mais. E o pior: ela era decidida. Ela não o perdoaria, não voltaria atrás em sua decisão. Seu adeus foi definitivo. Pedro estava perdido. Não havia mais amor em sua vida, nem paz. Agora tudo que ele tinha, ou achava que tinha, era Pérola. Mas Pérola era de alguém? Logo Pérola, o espírito mais livre que ele já teve a chance de conhecer? Não, ele não tinha Pérola. Ele não tinha nada. Pérola jogava com ele, o tempo todo. E ele nem sabia quais eram as regras do jogo. Pressentia, naquele momento sentado numa mesa de bar, que perdera o jogo. Perdera no amor, perdera na paixão tresloucada com Pérola. E agora, o que o restava?
Enquanto Pedro tinha seu momento epifania na mesa do bar, Mayara o observava. Ela o via com determinada frequência; e pelas informações que conseguiu coletar, sabia o que esse homem alto e belo havia feito, contudo ela não se importou com nada disso. Afinal, todos cometiam erros e estavam sujeitos às consequências.
Ela tomou coragem e foi até sua mesa. Demorou cerca de cinco minutos até que Pedro a notasse e quando ele o fez, algo dentro dele se iluminou. Talvez por culpa do álcool, talvez por culpa da sua epifania. Ele decidiu, naquele instante, que talvez, apenas talvez, a vida lhe desse uma segunda chance de fazer as coisas direito.

(Rebeca Postigo & Erica Ferro)

* * * 
Ah, quanto tempo que eu não escrevia nada em parceria! E hoje, meio que do nada, surgiu a vontade de escrever em parceria, assim, no improviso, sobre qualquer coisa. Chamei a Becka, guria arretada e blogueira desde sempre, mas que voltou às boas com a blogosfera há poucos dias: "e aí, Becka, vamos escrever um conto em parceria agora?". Ela aceitou numa boa e deu nisso daí que vocês leram acima. Gostaram? Aprovam-nos no "rol das parcerias que dão certo"?
Espero que sim!
(...)
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(...)
Um abraço da @ericona.

29/06/13

Mais que um amor de segunda-feira.... (Parte final)


(Continuando...)
Tumblr

Antônio começou a atravessar a rua, de uma maneira um tanto desajeitada, é bom que se diga. Antônio atravessou de modo apressado, mas ressabiado; esqueceu-se até de olhar para os dois lados, o coitado. O desconcerto é um efeito colateral de se estar apaixonando (ou de estar apaixonado). E Antônio sabia disso, em seu âmago, mas havia esquecido... Então eis que surge a moça e o faz relembrar o desembaraço que causa essa coisa de amar.
Antônio chegou a mesa da moça, onde ela, sorridente, lia. Antônio limpou a garganta e disse um “Bom dia!” tão baixo, tão acanhado, que a moça achou ter ouvido um simples chiado. Foi, então, que levantou a cabeça e viu Antônio ali parado, ao seu lado, um tanto embasbacado. Ela perguntou se ele havia dito algo; ele, repentinamente, ficou gago e, depois de um tempo atropelando as palavras, finalmente deixou sair : “Não, eu só disse ‘Bom dia’ e queria saber o que você estava lendo até a minha interrupção. É que observei que você lia com tanto gosto, com um sorriso tão bonito no rosto. É... Quer dizer... Não me leve a mal... É... Eu só achei que... Que poderíamos conversar um pouco e... Tomar um café. Eu adoro livros. E... sorrisos. E o seu é tão lindo...”. A moça não se limitou a sorrir dessa vez. Não, depois dessa, digamos, declaração um tanto desengonçada, mas extremamente sincera e bonita de Antônio, ela gargalhou. Antônio estranhou e quase se ofendeu, por achar que ela estava rindo dele, do seu jeito, do seu encantamento por ela.
A moça que tinha por nome, pasmem!, de Antonieta, esclareceu que estava rindo não de Antônio, mas sim do modo desastrado, mas imensamente bonito com o qual ele se chegou a ela. Praticamente todos os rapazes eram indelicados quando o quesito era a paquera e se aproximavam dela sempre com aqueles papos furados, sem nexo, sem graça. E ela o achou tão lindo, tão meigo, tão fofo, que riu, mas riu porque se deparou com o possível amor de sua vida. E disse que sim, que queria conversar com Antônio, sobre livros, sobre música, sobre o universo. E disse que sim, que queria sorrir junto com Antônio numa mesinha de um café singelo ou em qualquer lugar do universo. Antonieta era apressada? Para a normalidade, sim. Sonhadora? Para a normalidade, sim. Mas, para o amor, não.
Em defesa de Antonieta, se faz essencial que se diga o seguinte: não se sabe bem como ou por que, ela sentiu, no fundo de seu coração, que tinha encontrado alguém especial, muito, mas muito especial. E, por mais clichê e água-com-açúcar que possa parecer, o amor é assim. Ele é clichê e acontece quando menos se espera, onde menos se espera.
Tal como aconteceu com Antônio e Antonieta, pode acontecer com você, leitor. A vida pode ser mágica, sim. Magicamente encantadora. Magicamente romântica. Magicamente apaixonante. O amor existe e se esconde numa mesa de cafeteria. O amor existe e se esconde numa esquina, que, quando você, leitor, a dobra, ele se aloja em seu peito. O amor existe e pode chegar a mim e a você quando estamos, distraídos, a ler um livro.

Um conto escrito por Joyce Carolini & Erica Ferro

* * *
Pronto, Joyce e eu postamos o restante do nosso humilde conto! Eu espero, sinceramente, que tenham gostado da nossa parceria. Eu adorei. É sempre bom escrever com uma pessoa que tem uma visão tão doce do amor, que nos convida a refletir sobre os pequenos gestos, sobre as pequenas coisas, coisas que nem percebemos no corre-corre do dia-a-dia e que fazem tanta diferença na nossa vida.
A Joyce é assim em seus escritos: atenta aos mínimos detalhes, não economiza doçura e amor em suas linhas.
Dizem por aí que eu sou bastante melosa escrevendo sobre amor. Não sei se de fato sou. Sei que o amor é um tema constante no meu blog. Isso se deve, obviamente, ao fato de o amor ser extremamente presente na minha vida. Seja em forma de forma prática, real, ou idealizada, platônica.
(...)
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Um abraço carinhoso pr'ocês, blogueiros queridos!
Hasta!

26/06/13

Mais que um amor de segunda-feira.... (Parte I)



Como a maioria das pessoas, Antônio não gostava das Segundas-feiras. Dois despertadores muito barulhentos tinham a função de tirá-lo de sua cama. Mas as coisas mudaram quando o carro do moço de olhos castanhos começou a dar problemas e teve que ser deixado na oficina. Foi numa manhã de Janeiro, enquanto esperava o ônibus, Antônio viu algo que chamou a sua atenção.
Do outro lado da rua, uma moça de cabelos longos, ocupava uma mesa da Livraria Café Love Books. Sua blusa listrada de branco e preto fez o moço sorrir bobamente, porque se lembrou da sua infância, época em que desejou ter listrinhas iguais as de uma zebra, pois era o seu animal favorito (e continua sendo, por mais que Antônio tenha vergonha de revelar isso). Ele ficaria um pouco mais ali, mas seu ônibus havia chegado, e se atrasar estava fora de cogitação. 
No dia seguinte, Antônio pulou da cama bastante cedo. Tomou banho, se arrumou, bebeu uma xícara de café e mordeu um pedaço de torrada não muito crocante. Tinha pressa em sair de casa. Seus olhos ansiavam por ver a moça. Lá estava ela. Linda! Foi a primeira palavra que surgiu em seu pensamento.
O final de semana chegou rápido. Antônio recusou convites de jantar e ir ao cinema com os amigos. Queria seu sofá, um bom livro. Queria vê-la mais uma vez. Saiu de casa. A rua estava cheia, porém agradável. Pessoas conversando animadas, outras passeando com suas crianças ou cachorrinhos. Antônio foi andando com calma em direção à livraria, e já pensava no que diria a moça se a visse por lá. Chegou. Ela não estava, ficou desapontado, mas puxou uma cadeira mesmo assim. Uma menina de sorriso simpático se aproximou e anotou o seu pedido. Antônio esperou a moça de cabelo longo aparecer. Esperou, esperou e nada! Por fim, decidiu voltar para casa. Demorou a pegar no sono, mas quando conseguiu, sonhou. E foi com ela.
Era mais uma Segunda-feira. O relógio nem havia despertado e Antônio já estava de pé. Olhou-se no espelho, estava estranho. Não na aparência, mas por dentro. Lembrou-se de sua primeira paixão do colégio. A sensação era semelhante a que sentia naquele exato momento. Sorriu. Antônio saiu de casa completamente arrependido por ter exagerado no perfume. Mas havia tomado à decisão de falar com a moça. Chegou ao ponto de ônibus e lá estava ela. Cabelos brilhando por conta do sol. Um sorriso a cada vez que virava a página do livro que estava sobre a mesa. O bolinho intocado ao lado da xícara. Antônio viu o ônibus chegando, não entrou. Levantou-se. Era agora. Ele iria atravessar a rua e falar com a moça.


(Continua...)

Um conto escrito por Joyce Carolini & Erica Ferro

* * *
(risos) Não, não fiquem com raiva de nós por termos parados na melhor parte. É pra dar mais uma emoção à coisa, entendem? Logo mais, postaremos a parte final do conto. E então? Gostaram até agora?
(...)
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(...)
Um abraço da @ericona!
Hasta la vista!

10/12/12

Editora Novo Conceito: Lançamentos | Janeiro 2013


Hello, people! 
É com muita alegria que venho aqui mostrar pra vocês os lançamentos de janeiro de 2013 da editora Novo Conceito. Por que essa alegria toda? Porque, como disse num post anterior, os parceiros que foram aprovados depois de julho de 2012 só poderiam receber todas as novidades da editora a partir de janeiro de 2013. Recebi um e-mail no final de novembro que informava que todos os parceiros, inclusive os que foram aprovados após julho de 2012, poderiam solicitar os lançamentos de janeiro de 2013. 
É ou não é uma coisa pela qual se ficar feliz? É!
À medida em que for apresentando os livros, farei breves comentários sobres eles e direi de quais farei resenha e/ou sortearei aqui no blog.


Esperando por você - Susane Colasanti
Sinopse: É hora de iniciar o segundo ano do Ensino Médio, e Marisa está pronta para um novo começo e para seu primeiro namorado de verdade. No entanto, depois do popular Derek convidá-la para sair, as coisas ficam complicadas. Além de seus pais se separarem e de Marisa ter uma briga com seu melhor amigo, Derek — o amor da sua vida — a deixa desapontada. As únicas coisas que mantêm Marisa são os podcasts de um DJ anônimo, o qual parece entendê-la totalmente. Mas ela não sabe quem ele é… Ou sabe?

*Lançamento previsto para 14 de janeiro de 2013


Olha, eu não li muitos livros com essa temática quando era adolescente, então acho que sempre é tempo de fingir que sou uma adolescente outra vez e ler esse tipo de livro, certo? (risos) Portanto, lerei Esperando por você e resenharei num futuro próximo.


O executivo e o elefante - Richard L. Daft
Sinopse: Líderes sabem o que deveriam fazer, então por que não estão fazendo? Quando um líder sabe qual o comportamento mais adequado, por que mantém o velho padrão e falha ao tentar se comportar como pretende? A resposta é que cada um de nós tem dois self: um é reflexivo, prudente e racional (o executivo interior); o outro self tem hábitos enraizados, é impulsivo e se deixa levar por suas emoções (o elefante interior).
Neste livro inovador, Richard L. Daft, expert em liderança, revela como líderes podem reconhecer seus dois self e aprender a acalmar, treinar e guiar seu elefante interior em direção ao comportamento que almejam.
Vários exercícios com resultados comprovados vão capacitá-lo a direcionar a si mesmo e outras pessoas de modo mais produtivo. Com um pouco de prática, seu executivo interior aprenderá a escolher as atitudes corretas em vez de permitir que seus comportamentos indesejáveis se manifestem.
Por meio de exemplos reais de mudanças pessoais drásticas, juntamente com recentes descobertas em psicologia, gerenciamento, neurociência e espiritualidade oriental, Richard Daft oferece orientação a todos que desejam tomar as melhores atitudes ao liderar a si mesmos e outras pessoas.

* Lançamento previsto para 14 de janeiro de 2013

Well, quando fui solicitar os livros que eu queria dos lançamentos de janeiro de 2013, esse não estava na lista. Apesar de ser um livro aparentemente interessante, eu não o solicitaria. É interessante pra quem gosta desse tipo de livro, que acredito ser meio que de autoajuda. Sendo assim, não terá resenha desse livro aqui no blog, muito menos sorteio.

Uma questão de confiança - Louise Millar
Sinopse: Em um subúrbio tranquilo de Londres, algumas mães se ajudam através de amizade, favores e fofocas. No entanto, algumas delas não parecem confiáveis e outras têm segredos obscuros.
Quando Callie se mudou para seu novo bairro, pensou que seria fácil adaptar-se. Contudo, os outros pais e mães têm sido estranhamente hostis com ela e com sua filha, Rae, que também descobriu como é difícil fazer novas amizades. Suzy, seu marido rico e seus três filhos parecem ser a única família disposta a fazer amigos, mas, recentemente, a amizade com Suzy anda tensa.
Ainda mais com a atmosfera pesada que pairou sobre o bairro após a chegada da polícia e o relato de um possível suspeito morando no bairro. O que Callie e sua pequena Rae podem esperar? Em quem confiar? E, sobretudo, como imaginar que certas atitudes rotineiras podem colocar em risco a vida de sua pequena filha? Verdades e mentiras parecem se esconder nestas pequenas casas.

*Lançamento previsto para 14 de janeiro de 2013

Preciso dizer o quanto essa sinopse misteriosa me deixou curiosíssima? Acho que não, né? Acredito ser um triller muito, mas muito interessante. Solicitei o livro e terá resenha dele no blog tão logo for possível.

Não posso me apaixonar - Bella Andre
Sinopse: Gabe Sullivan é um bombeiro de São Francisco que arrisca sua vida todos os dias. E sabe, por experiência própria, que não deve se envolver com as vítimas de incêndios.
Megan Harris admite que deve tudo ao heroico bombeiro que entrou no prédio em chamas para salvar sua filha de sete anos. Ela lhe deve tudo, exceto seu coração, pois, após perder o marido, cinco anos antes, jurara nunca mais sofrer por amor — e pela perda.
Contudo, quando Gabe e Megan se reencontram e as chamas incontroláveis do desejo se acendem, como ele poderia ignorar a coragem, a determinação e a beleza dela?  E como ela poderia negar não apenas o forte vínculo de Gabe com sua filha, mas também a maneira como seus beijos carinhosamente sensuais a induziam a colocar em risco tudo o que manteve por tanto tempo?
A atração entre Gabe e Megan é irresistível, e se ambos não forem cuidadosos, correm o risco de se apaixonar.

*Lançamento previsto para 21 de janeiro de 2013

Já li críticas muito positivas sobre essa autora, mas livros assim, hots, não me interessam. É meio que preconceito meu, eu sei. Talvez, um dia, eu dê uma chance a livros com essa temática, mas, definitivamente, não será agora (risos). Pois é, não terá resenha nem sorteio desse livro aqui no blog.


O lorde supremo - Trudi Canavan
Sinopse: Na cidade de Imardin, onde aqueles que têm magia têm poder, uma jovem garota de rua, adotada pelo Clã dos Magos, se encontra no centro de uma terrível trama que pode destruir o mundo todo.
Sonea aprendeu muito no Clã, e os outros aprendizes agora a tratam com um respeito relutante. No entanto, ela não pode esquecer o que viu na sala subterrânea do Lorde Supremo — ou seu aviso de que o antigo inimigo do reino está crescendo em poder novamente. Conforme Sonea evolui no aprendizado, começa a duvidar da palavra do mestre de seu clã. Poderia a verdade ser tão aterrorizante quanto Akkarin afirma? Ou ele está tentando enganá-la para que Sonea o ajude em algum terrível esquema sombrio?

*Lançamento previsto para 21 de janeiro de 2013

Esse é o último livro da trilogia Mago Negro. Eu não li os outros dois livros, por isso não solicitei O lorde supremo. E também acredito que não seria uma leitura fácil pra mim, já que eu meio que não me dou muito bem com literatura fantástica, então... melhor não arriscar (risos). Se eu não me engano, quem acompanha essa trilogia é a Pandora. Li uma resenha dela, acho que do segundo livro, e ela gostou bastante. Quem gosta desse tipo de livro fantástico, provavelmente gostará da trilogia Mago Negro.


Proteja-me - Juliette Fay
Sinopse: Quatro meses após a morte do marido, Janie LaMarche continua tomada pela dor e pela raiva. Seu luto é interrompido, no entanto, pela chegada inesperada de um construtor com um contrato em mãos para a obra de uma varanda em sua casa. Surpresa, Janie descobre que a varanda era para ser um presente de seu marido — tornando-se, agora, seu último agrado para ela.
Conforme Janie permite, relutantemente, que a construção comece, ela se apega aos assuntos paralelos à sua tristeza: cuidando de seus dois filhos de forma violentamente protetora, ignorando amigos e família e se afundando em um sentimento de ira do qual não consegue se livrar. Mesmo assim, o isolamento autoimposto de Janie é quebrado por um grupo de intervenções inconvenientes: sua tia faladeira e possessiva, sua vizinha mandona, seu primo fofinho e até Tug, o empreiteiro.
Quando a varanda vai tomando forma, Janie descobre que o território desconhecido do futuro fica melhor com a ajuda dos outros. Até daqueles com os quais menos esperamos contar.

*Lançamento previsto para 21 de janeiro de 2013

Proteja-me deve ter sua carga de tristeza, mas também deve ter sua dose de humor, de descobertas, de reencontro, de recomeço. Foi o livro que mais me interessou dentre todos os lançamentos de janeiro de 2013, tanto que resolvi que não farei apenas a resenha como também lançarei o sorteio desse livro aqui no blog. Espero que gostem da minha escolha e participem bastante do sorteio que será lançado assim que for possível.

* * *
Gostaram dos lançamentos? Quais vocês leriam? Concordaram com a minha escolha de livro pra primeira promoção em parceria com a Novo Conceito? Eu espero que sim!
Um abraço carinhoso da @ericona.
Até a próxima!

17/06/12

Editora Martin Claret: Lançamentos | Junho 2012

Olá, pessoas! Como estão?
Hoje é dia de postar os lançamentos de Junho da Editora Martin Claret.
Apresentarei a vocês os dez novos títulos da MC desse mês:


Kama Sutra nº 167 - Vatsyayana
Coleção A obra-prima de cada autor

Escrito para a nobreza da Índia por Vatsyayana, estudante celibatário que viveu em Pataliputra, o Kama Sutra faz parte da literatura religiosa hindu. Apesar do caráter erótico e com foco no prazer, seus ensinamentos pregam, em primeiro lugar, a elevação espiritual do homem.
Kama significa amor, prazer e satisfação. O termo é um dos pilares da religião hindu, em conjunto com o Dharma e o Artha (o mérito religioso e a aquisição de riquezas, respectivamente)
A obra foi composta nos séculos I e II da nossa era e proclama a arte indiana do amor. O mundo ocidental conheceu o Kama Sutra por meio da clássica tradução de Sir Richard Francis Burton e Foster Arbuthnot.
Atemporal, Kama Sutra é o maior clássico indiano sobre a arte do amor.




A Viuvinha / Encarnação nº 62 - José de Alencar
Coleção A obra-prima de cada autor

José de Alencar é um dos maiores representantes da ficção romântica nacional e um dos fundadores de uma literatura brasileira autônoma de Portugal.
Em seus romances urbanos A Viuvinha (1860) e Encarnação (1893), Alencar presenteia o leitor com histórias de amor, paixões, ciúmes, heróis e heroínas, apresentando os costumes, comportamentos e interesses da sociedade carioca na época do Segundo Império.
Caracterizados pelos preceitos medievais de revelação e conversão cristãs, e de amor e honra heroicos, os romances deste volume possuem importantes valores do Romantismo universal: o culto ao eu, o idealismo, o pessimismo e a melancolia.





Brás, Bexiga e Barra Funda nº 74 - Antônio de Alcântara Machado
Coleção A obra-prima de cada autor

O paulistano Antonio de Alcântara Machado se destacou no movimento modernista quando publicou sua série de contos reunidos no livro Brás, Bexiga e Barra Funda (1927). Seus contos são muito elogiados pela crítica e retratam com humor e exatidão a vida na São Paulo da década de 1920.
Brás, Bexiga e Barra Funda é composta por 11 contos que nasceram da experiência do autor como jornalista e são recheados do linguajar típico das notícias. Os três bairros paulistanos que dão nome ao livro retratam a influência e a integração dos imigrantes italianos na cidade de São Paulo.
Esta edição reúne também os 12 contos de Laranja da China (1928). Fruto de uma paródia do Hino Nacional muito popular na época de Alcântara Machado, “Laranja da China” é uma expressão que dá o tom humorístico e nacionalista aos contos, todos eles pincelados de humor e linguagem coloquial.



Elogio da loucura nº 37 - Erasmo de Rotterdam
Coleção A obra-prima de cada autor

Escrito em 1509 e publicado em 1511, Elogio da loucura é considerado um dos mais importantes livros da civilização ocidental e um grande influenciador da Reforma Protestante.
Neste ensaio singular, repleto de alusões clássicas, escritas no estilo típico dos humanistas do Renascimento – em que a loucura é a narradora que ao longo do texto vai mostrando o quanto está presente no mundo dos homens e que, no fundo, é quem torna a vida mais branda e suportável –, Erasmo critica o ensino da Escolástica, os falsos sábios distanciados da vida simples, a suntuosidade do alto clero em contraste com os ensinamentos de Cristo, a hipocrisia das instituições humanas e as guerras.
Uma das grandes obras do Renascimento, Elogio da loucura influenciou o processo das profundas transformações que marcaram o fim da Idade Média e início da Idade Moderna.



Mahatma Gandhi nº 177 - Huberto Rohden
Coleção A obra-prima de cada autor

Mahatma Gandhi (1958), escrito pelo filósofo e educador Huberto Rohden, é um marco importantíssimo na cultura brasileira.
Rohden foi um dos primeiros a trazer para o Brasil a biografia espiritual do imortal líder, místico e político indiano.
Gandhi é um fenômeno de incrível força cósmica. Sua mensagem de não violência é a mais revolucionária estratégia social, política e religiosa dos nossos tempos.
A obra, fartamente ilustrada, contém uma série de fatos interessantes, descrevendo a trajetória de Gandhi: seus estudos, sua vida pessoal, suas ações como líder do movimento de independência da Índia, sua vida espiritual e sua influência para a humanidade.



Leviatã nº 1 - Thomas Hobbes
Coleção A obra-prima de cada autor – Série Ouro

Leviatã (1651) é a mais importante criação de Thomas Hobbes e considerada por muitos sua obra-prima.
A filosofia de Hobbes, especialmente sua teoria a respeito da origem contratual do Estado, exerceu profunda influência no pensamento de Rousseau, Kant e dos enciclopedistas. Além disso, contribuiu para preparar, no plano ideológico, o advento da Revolução Francesa.
Partidário do absolutismo político, defende-o sem recorrer à noção do “direito divino”.
Segundo o filósofo, a primeira lei natural do homem é a da autopreservação, que o induz a impor-se sobre os demais – “guerra de todos contra todos”. Leviatã é, sem dúvida, leitura obrigatória para os interessados em filosofia.



Fábulas nº 200 - Jean de La Fontaine
Coleção A obra-prima de cada autor

Considerado o pai da fábula moderna, La Fontaine tornou-se conhecido internacionalmente com suas criações inspiradas na tradição clássica e oriental.
Fábulas é sua obra mais famosa. Escrita em versos, com uma linguagem simples e atraente que conquista imediatamente seus leitores, inclui histórias mundialmente conhecidas, como A cigarra e a formiga, O corvo e a raposa e A lebre e a tartaruga.
La Fontaine trata de temas universais, como a vaidade, a estupidez e o vício humanos, retratados por meio dos animais. Segundo ele, sua obra “é uma pintura em que podemos encontrar nosso próprio retrato”.
Esta edição é uma antologia de suas mais importantes composições, traduzidas por célebres escritores brasileiros e portugueses, com ilustrações de Grandville.


O Príncipe e o Mendigo nº 112 - Mark Twain
Coleção A obra-prima de cada autor

Mark Twain é considerado um dos maiores escritores norte-americanos. Durante sua vida, foi uma testemunha ocular da história de seu país, assistindo às muitas mudanças que a jovem nação enfrentava. Em meio a conflitos internos, ao crescimento da população, à escravidão e à expansão da indústria, Twain retratou a realidade dos Estados Unidos de forma abrangente – seja com uma prosa leve ou com ácidas críticas sociais.
O Príncipe e o Mendigo (1880) narra as aventuras de dois meninos fisicamente idênticos, que ao trocarem de lugar enfrentam realidades totalmente diferentes. Voltado ao público infantil, mescla, com qualidade, uma narrativa leve e juvenil com uma crítica à exploração das classes pobres.




As Aventuras de Pinóquio nº 88 - Carlo Collodi
Coleção A obra-prima de cada autor

“Não era madeira nobre, mas um simples pedaço de lenha, desses que, no inverno, metem-se nos fogões e nas lareiras para acender o fogo e aquecer a casa.” Essa é a origem de Pinóquio, até que Mestre Cereja o descobre e faz dele um boneco de madeira. Mas Pinóquio não fica exatamente satisfeito, quer ser um menino.
Mas à parte a história que todos conhecem, visto que imortalizada pelos estúdios Disney, a versão original de Pinóquio é muito diferente. Recheada de um humor tipicamente italiano e de ironia mordaz, a história de Carlo Collodi retrata a dureza e crueldade da vida. Pinóquio passa uma série de dificuldades para aprender a ser um bom menino. Sua vaidade, sua ingenuidade e seu egoísmo são postos em xeque para que ele possa efetivamente transformar-se.
Pinóquio é um clássico de todos os tempos, no qual magia, humor e fantasia se misturam e encantam todos os tipos de leitores.


O Cão dos Baskerville nº 64 - Sir Arthur Conan Doyle
Coleção A obra-prima de cada autor

O detetive Sherlock Holmes e seu fiel amigo dr. Watson retornam em mais uma série de mistérios, assassinatos, pistas e perseguições em O cão dos Baskerville.
Considerada uma das melhores aventuras do detetive, a obra foi originalmente impressa em partes, publicadas pela revista Strand Magazine de agosto de 1901 a abril de 1902, quando, no mesmo ano, foi lançada em formato de livro.
O mistério a ser solucionado envolve a morte de Sir Charles Baskerville e um cão fantasmagórico que aterroriza os moradores da mansão Baskerville Hall.
O cão dos Baskerville possui uma história eletrizante que se tornou um clássico da literatura policial e promete prender a atenção do leitor a cada virada de página.



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E aí, gostaram dos lançamentos? Eu fiquei apaixonada, mais uma vez, por todas as capas e fiquei aqui babando por quase todos os livros. Ah, meu Deus, ainda quero ter muito dinheiro só pra poder comprar todos os meus livros desejados!
Sim, há quem sinta prazer em gastar dinheiro em roupas, acessórios e outras futilidades; já eu me sinto muito feliz quando compro livros, muitos livros!
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Um abraço da @ericona.
Hasta!