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21/07/16

A palavra de ordem é SUPERAR!


Quem me conhece, sabe que eu não me sinto muito bem quando me veem como alguém que serve de exemplo para os outros, só pelo fato de ter uma síndrome rara e levar uma vida normal, como qualquer outro ser humano. Simplesmente a Síndrome de Moebius não resume quem eu sou, apenas é uma – importante – parte de mim. Sou mais que um rosto paralisado. Sou mais do que uma dicção peculiar. Sempre gosto de frisar isso. Mas é fato de que nós, todos os dias, nos deparamos com barreiras e que precisamos vencê-las. Certamente vocês já derrubaram vários obstáculos ao longo dos anos. Eu também. Somos, vocês e eu, exemplos de superação, querendo ou não. E é disso que quero falar hoje, sobre uma superação minha, uma que eu acho que vale a pena compartilhar. Houve um episódio que marcou muito negativamente a minha vida. Tal acontecimento se deu na escola, mais precisamente numa apresentação de seminário no segundo ano do Ensino Médio. Eu sempre tive receio de apresentar com medo de piadinhas e risos dos que assistiam. No entanto, quase sempre tive a sorte de ter colegas de turma que me aceitaram e me respeitaram do jeitinho único que sou. 

Quase sempre. Lembro-me como se fosse hoje, quando estava apresentando um trabalho de Filosofia, salvo engano, quando ouvi uma pessoa dizer, sem nenhuma gentileza muito menos empatia, com sorriso de escárnio, “Ai! Alguém traduz aí? Cadê a tradução simultânea?”. Parei, fiquei sem chão e não consegui dizer nada. A única coisa que consegui foi entregar a minha parte a uma colega de equipe e dizer que não mais apresentaria. Aparentemente, só eu ouvi, porque a colega não entendeu porque entreguei a minha parte a ela, mas, mesmo assim, finalizou a apresentação. Depois que acabou, a sala virou um pandemônio, porque os colegas souberam do que a pessoa havia dito comigo e todos saíram em minha defesa. Ao ouvir todo aquele estardalhaço, eu corri, corri pra bem longe da sala e fui chorar no banheiro. Estava arrasada. Tudo bem não entendermos o outro. Não entender algo que o outro diz é normal, até mesmo para quem tem uma dicção considerada perfeita. Mas o que a tal pessoa fez comigo foi um tanto cruel. Ela me desestabilizou totalmente e fez com que eu me sentisse uma espécie de alienígena caída, por acidente, na Terra. Após isso, eu não apresentei mais trabalhos, mesmo com todos (colegas de classe e professores) falando pra que eu apresentasse, que eles me entendiam, que eu não poderia me deixar abater por pessoas sem noção. Porém, eu não conseguia. Passei a ter pânico de apresentações de trabalhos. Perdi pontos por só entregar trabalhos escritos, sem a parte do seminário. Mas não consegui superar aquilo.

Quando terminei o Ensino Médio, entrei em crise, porque eu queria ingressar no ensino superior, mas todos falavam que na universidade a cobrança era alta e havia MUITOS seminários. Ouvi “seminário”, travei. Me sabotei de todas as formas para não entrar no Ensino Superior. Eu não conseguia superar o fato de que eu precisava lidar com o público. Eu não conseguia vencer o trauma do ensino médio. Eu não conseguia esquecer a imagem daquela pessoa, sorrindo com escárnio, de mim.

Finalmente, consegui me forçar a fazer ENEM e, depois de cinco anos de sabotagem comigo mesma, entrei no curso de Biblioteconomia da UFAL. Foi a melhor coisa que me aconteceu. Eu consegui entrar, mas confesso que com o coração na mão, com muito medo do que aconteceria a partir de então. E só me aconteceu boas coisas, PARA A MINHAAAAA ALEGRIAAAA e surpresa. Já no segundo semestre, entrei num projeto de iniciação científica (PIBIC). Ganhei o coraçãozinho da minha turma (2013.1) e, finalmente, fui perdendo o medo de falar, de me posicionar, de estar na linha de frente.

Então, nesse semestre, eu me matriculei numa disciplina eletiva chamada Seminários de Integração em Biblioteconomia e Ciência da Informação achando que era eletiva do sexto ou do sétimo. Qual não foi a minha surpresa em chegar lá e me deparar com uma turma totalmente desconhecida. Momento de pânico. “Onde estou? Quem são essas pessoas?”. Eu caí de paraquedas no terceiro período. Não conheço ninguém (com exceção de umas novas colegas de turma muito bacanas que já foram gentis). Como o nome da disciplina denuncia, é uma disciplina de SEMINÁRIOS. Imagina a dor no coração que eu senti hoje quando o professor disse “Juntem-se em duplas ou trios, elaborem suas falas sobre texto x, que daqui a 25 minutos faremos um seminário.”. Pensei “E agora? Será que alguém vai rir? Será que alguém vai pedir tradução simultânea? Será que alguém vai ser cruel comigo? Será que vou reviver aquela cena lá do ensino médio?”. Mantive o controle emocional, elaborei minha fala e encarei aquelas pessoas que não conheço e que não me conhecem. Espantosamente, eu estava muito calma, muito tranquila comigo mesma. Falei tudo o que eu precisava falar. Terminei. Ninguém riu. Ninguém agiu de modo ofensivo. Senti uma paz enorme. Mesmo que alguém tivesse rido, mesmo que alguém tivesse sido cruel, eu percebi que nada nem ninguém conseguirá mais me abalar. Não em relação a apresentação de seminários.

Eu superei o trauma do ensino médio. Eu, verdadeiramente, não sinto mais vontade de me esconder, de me isolar, de me deixar à margem. Doa a quem dor, custe o que custar, eu existo. Eu estou aqui e não vou mais me sabotar. Não vou mais me anular. Não vou mais deixar meus sonhos na gaveta por medo de encarar o mundo, que por muitas vezes é cruel e impiedoso com toda e qualquer pessoa denominada “diferente”. E o que eu quero dizer, para finalizar, é isso: nunca deixem que lhe magoem a ponto de vocês desistirem de seus sonhos, nem que sejam por cinco minutos, cinco meses ou cinco anos. Mesmo que o mundo seja impiedoso e cruel, não desistam de vocês mesmos. Vocês não precisam de permissão de ninguém para serem quem são. Sejam gentis, mas saibam batalhar por seus direitos e por seus lugares ao sol. Vocês não precisam de aval de ninguém para serem felizes. Lembrem-se disso, sonhem muito, trabalhem ainda mais e ganhem o mundo. A vida é bela, sobretudo quando sabemos extrair o melhor de tudo que vivemos.

Com amor,
Erica Ferro
21/07/2016

06/04/16

Uma alegre noite no parque

Queridonas e queridões, como estão vocês? Eu estou bem! Sabem como iniciei o meu mês de abril? Voltando a ser criança por uma noite! 


No último domingo, 3, fui a um parquinho de diversões aqui perto de casa. Nada de muito luxuoso, afinal moro em um bairro periférico de Maceió, mas de clima bacana e que me remeteu rapidamente a minha infância. Não que eu costumasse ir a muitos parques quando pequena, mas, quando havia uma rara oportunidade, lembro de ficar muito animada, querendo desfrutar de todos os brinquedos possíveis e das comidinhas que são vendidas em parques de diversões, dentre as quais as minhas favoritas eram (e ainda são!) algodão doce e maçã-do-amor. 


Tudo bem que sempre fazia uma baita sujeira quando comia maçã-do-amor, pois aquele docinho que cobre a maçã é bastante grudento, né? Mas, mesmo um pouco incomodada com a boca grudando de açúcar caramelizado, curtia bastante o momento de diversão. Era um momento mágico em que eu buscava eternizar ao aproveitar ao máximo cada segundo. Como é bom ser criança! 


E eu, no auge dos meus 25 anos (dia 27/05 faço 26), não me furtei a relembrar como é ser criança na noite do dia 3. Não consegui encontrar algodão doce nem maçã-do-amor pra comprar, mas, em compensação, entrei na pista dos carrinhos de bate-bate. Imagina que eu queria curtir o passeio de dois minutos e meio (no máximo, três minutos) no meu possante, enquanto os pequerruchos queriam bater no meu carrinho. E foi ótimo! Muito bom ver um montão de sorrisos no rosto das crianças e ouvir, deliciada, as gargalhadas de felicidade pura!


Sou meio medrosinha com altura, mas queria sentir de novo como era andar numa roda-gigante. Enquanto ela estava girando, estava tranquilo, estava tudo azul da cor do mar. Mas, gente, quando o troço parava no exato momento em que minha cadeirinha estava na parte mais alta da roda gigante, eu dizia, ensandecidamente, "desce, desce, desce... pelo amor de deus, desce... ai, meu deus, essa cadeirinha tá balançando... desce, pelamordedeus, deeeesce!". E o pior que o moço que estava no comando da roda gigante parece ter se esquecido de mim. Acho que dei umas quinze voltas no brinquedo, então depois de a minha cadeirinha ter parado umas quatro vezes numas partes altas que me davam taquicardia, eu decidi olhar pra o moço e sinalizar um "tá bom". Então, a roda parou e eu desci com as pernas meio trêmulas. Mas, mesmo assim, foi maravilhoso! Ri de nervoso e de contentamento! Me julguem: soy loca!



Depois, me chamaram pra ir num brinquedo chamado Minhocão. Pensei: "Deve ser tranquilo. Minhocão parece um nome de brinquedo tranquilinho, de boa, que não parece causar alvoroço.". Lá fui eu. O brinquedo era num formato de uma minhoca gigante e ela parecia amigável. Vi que o brinquedo parecia uma micro montanha russa, mas achei que eu iria encarar de boa. Comigo, estava um rapazinho por volta de uns catorze anos e uma menininha de sete anos. Subimos, tranquilamente, no brinquedo e o troço começou a correr loucamente. E, meu deus do céu, vocês não sabem o quanto eu gritei enlouquecidamente. De medo e histeria. Duas coisas que me causam um medo terrível: altura e velocidade em descidas. Gritava coisas como "ai, meu deeeeeeus... ai, vou morrer... aaaaaaaai, meu deeeeeeeeus... ai, jesus... aaaaaaaai...", e pensava "se sou cuspida desse negócio, não sobra pedaço de mim...". Enquanto gritava doidamente e tinha esses pensamentos super positivos, a menininha de sete anos gritava pra mim, entre gargalhadas altas, "você é muito medrosa...". E pronto, comecei a rir também e a me divertir, mesmo com medo, porque o meu medo louco e meu comportamento divertido fizeram uma garotinha sor(rir) à beça. Saí do brinquedo feliz da vida, segurando a mão da menininha, minha mais nova amiga de aventuras.


Por fim, fui num tal de crazy dance. Meu jesus cristinho, como o bagulho gira! Minha amiguinha ficou tontinha, tadinha. Só percebi que ela estava ficando "bêbada" com os giros depois de gritar loucamente, o que espero não ter prejudicado a audição da menina. Mas era bom, mesmo girando tanto e tão rápido! A garotinha saiu bravamente do crazy dance, e ainda disse "quero ir de novo!". Eita menininha de fibra! Adorei!


Sim, minha noite de domingo foi mesmo ótima e eu curti cada momentinho. Mesmo com medo em alguns brinquedos meio loucos, a diversão foi garantida. Falta muito isso em "gente grande": se permitir. Não ter vergonha de fazer coisas que dizem não condizer com a nossa idade. Eu não tenho medo algum do ridículo. O que é ridículo é deixar de fazer algo por medo de julgamentos alheios infundados. O bom da vida é aproveitar cada momento e tentar enxergar sempre o lado positivo de todas as situações. É procurarmos adquirir e manter dentro de nós, ao menos um pouco, a pureza das crianças e a sabedoria dos anciãos. 

Para finalizar a postagem, deixo aqui uma canção de Balão Mágico. Quem desconhece? Creio que uma porcentagem mínima dos brasileiros, né? Venham comigo relembrar da infância, embarcar nesse fantástico balão e sermos felizes. Porque ser feliz é o maior barato!


Erica Ferro

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24/03/16

Sobre inspirar

Olá, olá! Como vão vocês?
Quero falar com vocês sobre YouTube. Ou melhor, falar sobre pessoas que produzem conteúdo para ele: os YouTubers. Percebi que, assim como na Blogosfera, a Vlogosfera tem um pouco de tudo: pessoas que postam inutilidades, infantilidades, superficialidades, bem como as que disseminam informações relevantes, opiniões louváveis, conteúdos diversificados e de qualidade. Sobretudo, há pessoas que têm uma boa visibilidade e sabem usar isso de maneira proveitosa para si e para os outros.
Não sou uma viciada em YouTube nem passo o dia inteiro vendo vídeos no dito site, porém eu tenho meus YouTubers queridos, canais que eu gosto de ver com uma certa frequência, por me identificar e por saber que, de alguma forma ou de outra, assistir ao conteúdo desses vídeos me fará bem e/ou irá acrescentar algo de positivo em mim. 
Sabe qual foi a porta para que eu conhecesse melhor o Feminismo (bem como suas vertentes)? Sim, o YouTube. Conheci meninas-mulheres incríveis, donas de canais que são verdadeiros portais para o conhecimento de temas muito importantes e que nos permitem refletir, rever nossos conceitos e preconceitos, desconstruir comportamentos ofensivos para nós mesmos e para os outros. 
Aprendi a ouvir, com empatia, o que mulheres tem a dizer. Ouvi histórias tristes, me compadeci e quis segurar a mão de muitas delas. Tirei a venda que o machismo colocou em meus olhos e finalmente vi que muitas mulheres passam por situações lastimáveis, deploráveis e inadmissíveis diariamente. E, no auge do meu descontentamento e indignação, percebi que eu preciso fazer parte da mudança. 
Eu não posso me omitir, me calar ou fingir que não vejo mulheres tendo sua liberdade tolhida e sendo inferiorizada dia após dia. Eu preciso lutar por mim e por todas as outras. Na minha humilde opinião de alguém que não sabe sobre as teorias feministas, que apenas entende do que vê e/ou ouve, a luta das mulheres não é contra os homens, mas sim em busca do asseguramento dos nossos direitos, em defesa de respeito e de nossa liberdade. Luta essa que não precisaria existir se não houvesse essa cultura de que homens são superiores às mulheres e que podem fazer tudo o que quiserem com os seres do sexo feminino e as coisas ficam por isso mesmo. Enquanto a realidade não mudar, a luta é de extrema importância e não cessará.
Fiz uma longa introdução (confesso que me empolguei *risos*) para apresentar cinco meninas/ mulheres maravilhosas, empoderadas, que inspiram muitas pessoas, em especial outras mulheres. 

1. Jout Jout é sensacional! Essa niteroiense, com esse gostoso sotaque carioca, fala sobre muitas coisas simples e complexas com uma facilidade e um carisma ímpar. Um dos vídeos dela que mais bombou foi esse aqui:


Fala de relacionamento abusivo e nos incentiva a nos empoderar e a não abaixarmos a cabeça para quem quer nos oprimir. Essa mulher é fantástica!

2. Já disse Jout Jout é sensacional? Pois então! Ela me apresentou a Nátaly Neri, do canal Afros e Afins. E, caramba, ela é incrível! Aprendi tanto com esse vídeo dela!



É de uma importância enorme conhecer os feminismos que há dentro do Feminismo. Nátaly me abriu os olhos acerca de várias situações pelas quais mulheres negras passam. É a questão de empatia. Como não sou negra e não sei como é passar o que passa uma mulher negra, eu preciso ouvir, com empatia e sem reservas, para que eu possa estar junto na luta, mas sem jamais tirar a voz delas, porque são elas que devem falar, porque vão o fazer com propriedade. 

3. Carolina Monteiro, de 9 anos, que esbanja autoestima, empoderamento e nos ensina a enxergar nossas características físicas com amor, bem como nos mostra que precisamos ter orgulho de quem somos.


Esse vídeo de Carol me encantou completamente. Tantas e tantas vezes ouvi pessoas falando que o cabelo crespo era um cabelo "ruim". Tantas vezes isso me colocou a pensar no assunto. Não existe cabelo ruim, Carol e outras me ensinaram isso. Não existe cabelo duro. O que é duro é o preconceito, também me ensinou Carolina. Duro é ouvir pessoas tentando nos inferiorizar por nossas características físicas. Devemos ter amor por cada pedacinho de nós. Carolina me ensina, com seus vídeos e postagens, sobre o amor, sobre amar a si e ao outro, sobre ter empatia pelo o que é diferente de nós. Torço para que a Carol cresça mais e mais empoderada e que continue a inspirar meninas e mulheres, assim como me inspira.

4. Fernanda Zau, outra carioca sensacional, que não tem papas na língua e fala um pouco de tudo com muita desenvoltura e bom humor.


É o que vivo dizendo: cantadas de desconhecidos não conseguem soar aos meus ouvidos como elogios. Não são elogios. Ouvir um desconhecido te chamar de gostosa é, no mínimo, assustador. Sabe-se lá quem é o sujeito. Sabe-se lá se ele ficará apenas no "ei, gostosa" ou se ele pensa em fazer algo de prejudicial fisicamente e/ou psicologicamente a nós. Definitivamente, não é a maneira mais correta/inteligente para se abordar uma mulher. Aprendam, homens.

5. Ana De Cesaro, do canal Tá, e daí?, é a quinta mulher-maravilha da minha lista. Eu adoro essa moça gaúcha. Aliás, eu sinto uma empatia enorme pelo povo gaúcho, bem como sou apaixonada pelo sotaque do Rio Grande do Sul, tchê! Essa moça fala sobre temas como livros, filmes e séries, empoderamento, vida saudável, feminismo etc.


Ana postou esse vídeo no dia 8 de março de 2015. Muito bom vê-la discorrendo sobre o feminismo, Aprendi demais, me identifiquei com algumas ideias, refleti sobre outras. Fiquei feliz em ouvi-la contar sobre a sua infância e sobre como o feminismo foi fundamental para o seu autoconhecimento, em como a ajudou a se gostar e se amar exatamente do jeito dela, sem precisar mudar para agradar ninguém. Afinal, ser mulher vai além das teorias e dos modelos de comportamento pré-estabelecidos por essa sociedade louca.

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Bem, por hoje é só. Espero que tenham gostado da postagem de hoje. Vejam os vídeos e se deixem inspirar por essas criaturas encantadoras, inteligentes e com uma parcela notável de sabedoria.
Parabéns a todas nós, mulheres, que resistimos e insistimos na luta por nossos direitos, bem como exercemos os nossos deveres com responsabilidade e com qualidade.

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20/03/16

O poder transformador do amor

Faz um mês que não venho aqui. Tanta coisa aconteceu. Coisas bonitas. Coisas não tão bonitas assim. Mas tudo, exatamente tudo, foi importante para o meu crescimento e autoconhecimento. Nas últimas semanas, participei de duas competições muito bacanas: a fase Norte/Nordeste de Natação Paralímpica do Circuito Brasil CAIXA Loterias, em Recife/PE, e a primeira etapa da Copa Hammerhead de Maratona Aquática, em Natal/RN. No Norte/Nordeste, que aconteceu nos dias 5 e 6 de março, conquistei seis ouros e muitos aprendizados, bem como superações pessoais inenarráveis.
No sábado, 12 de março, dia do Bibliotecário (minha futura formação!), tive o prazer de nadar a primeira etapa da Copa Hammerhead. Foi uma prova cansativa, mas muito tranquila. Quem me conhece, sabe que eu morria de medo de mar. Eu sequer conseguia molhar as canelas numa praia sem querer sair correndo de volta pra areia. Rolava um medo bem enorme mesmo. E hoje conseguir entrar no mar, tranquila, ficando sozinha em alguns trechos e continuar tranquila, nadando, braçada a braçada, curtindo cada segundo ali dentro, é algo impagável. Superar os medos é algo que extremamente maravilhoso e indescritível. Ganhei uma medalha finisher lindíssima e um troféu ainda mais lindo! Espero que o primeiro de muitos! 


Porém, o que eu quero compartilhar aqui hoje, até mais do que contar sobre minhas conquistas na natação, diz respeito a alguns pensamentos que vêm caminhando junto comigo nos últimos anos e que só têm me feito bem.
Quero falar sobre o amor. O amor em sua forma mais genuína e completa. Quero falar do poder do amor em minha vida. Quero falar do bem, da força imensurável que o bem tem de nos transformar em pessoas melhores. Quando nós adicionamos amor em nós mesmos, em nossas vidas e ao nosso redor, as coisas mudam pra melhor. Simples, isso. Tão clichê. Por que nos esquecemos disso? Por que nos é tão difícil cultivar pensamentos de amor? O mundo está cada vez mais cheio de ódio, de intolerância, de pessoas cheias de negatividade, que precisam de ajuda, que precisam se libertar de toda essa carga energética nociva. Tantas pessoas com corações repletos de ódio, que não conseguem se perdoar, que não conseguem seguir em frente, com a mente e o coração em paz. Quando praticamos o perdão, de coração puro e em verdade, nos libertamos e libertamos o outro. E, assim, cada um seguirá o seu destino e poderá dar continuidade a sua existência com maior fluidez e paz. Os pensamentos e sentimentos ruins nos atraem elementos negativos, que só nos atrasam, que fazem com que nossa vida se paralise, e assim travamos, passamos a ver o mundo por meio de uma lente embaçada e só conseguimos ver o mundo com olhos tristes, de desamor e desespero. Nenhum desses sentimentos nos levará a bons lugares. Não somos santos nem nunca conseguiremos ser, mas precisamos nos policiar para que nosso corpo seja morada de bons sentimentos e que nossas atitudes reflitam honestamente o que há em nós. Que o bem ande coladinho a nós. Que o amor nos contagie da cabeça aos pés. Que a paz esteja conosco. Que o perdão não seja algo tão difícil de dar e se dar. Que façamos o bem, com amor, e sem esperar nada em troca. Porque a caridade deve ser praticada pelo prazer de ajudar, pelo bem-estar de auxiliar alguém a encontrar um caminho melhor, mais florido e pacífico. Que nos permitamos ao menos ser fagulhas de paz, de amor e de esperança nesse mundo tão carente de sentimentos benignos.


Só o amor transforma. Só o amor cura. Só o amor liberta. Só o amor pode nos ajudar a superar e a vencer todas as barreiras dessa vida. A força do amor é tremenda e, diante dessa força inigualável, mal algum sobrevive. Porque o amor é revolucionário. O amor tem revolucionado a minha vida. O amor tem transformado a minha existência e dado sentido aos meus dias. Os meus sonhos são pautados no amor que eu sinto por vários elementos e pessoas. São os meus sonhos cheios de amor que me levam além. E indo além é que chegarei a lugares tranquilos, que irão me proporcionar aprendizados e paz de espírito.

Erica Ferro

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20/02/16

Ninguém ama ninguém

Ninguém ama ninguém,
canta Ville Valo,
com a sua voz intensamente
sedutora.

Ninguém ama ninguém,
disso sempre desconfiei.
Todos sempre voltados para os
próprios umbigos,
embevecidos por si mesmos,
encantados pelos seus reflexos
no espelho.

Ninguém ama ninguém,
todos se desencontram na fracassada
tentativa de amar e ser amado.
Ama-se a ideia que se tem do outro,
nunca o outro.

Ninguém ama ninguém,
porque o amor exige resiliência
de aceitar o outro como ele é,
por inteiro,
sem reservas,
sem máscaras,
sem ressalvas.

Ninguém ama ninguém,
pois amar é para quem não tem 
pressa de ouvir o outro,
de tentar entender,
de se envolver por completo,
de procurar somar
ao viver do seu dito amor.

Ninguém ama ninguém,
afinal porque amar dá trabalho.
Quem ama, se entrega, se doa, se dá
em prol do sentimento imenso que sente
pulsar dentro do peito.

Amor é para os loucos,
os insistentes, os que não
fogem da raia.
Amor é para quem não
tem medo dos obstáculos
da estrada esburacada que leva
ao sentimento tocante
de amor na mais pura substância.

Amor é para quem encara os horrores
e belezas dessa vida com a mesma
coragem.

Porque o amor é a melhor
arma de evolução e de revolução.
Agarremo-nos ao amor e deixe
que ele nos transforme,
pois, assim,
poderemos fazer do mundo
um cantinho mais aprazível,
colorido e com perfume de
rosas ou violetas.

Amor para
mudar.
Amor para transformar.
Amor para revolucionar.
Amor para tornar os dias
mais gostosos.

Findo, pedindo:
"Garçom, me vê um café
e um amor, por favor!".

(Erica Ferro)



 It's strange what desire will make foolish people do
I'd never dreamed that I'd need somebody like you
And I'd never dreamed that I'd knew somebody like you
No, I don't wanna fall in love
This world is always gonna break your heart 

(Wicked Game - HIM)


09/02/16

A difícil arte de ser resiliente

Sabe, a vida às vezes pode ser difícil pra cacete. Tem dias que nada faz sentido, que dá uma vontade de desistir de tudo, de si mesmo, dos outros, do mundo... Da vida. Tem dias que pensamos seriamente em jogar tudo pra o ar. Quando a gente apanha muito da vida, se enche de cicatrizes que parecem nunca sarar por completo, a vida fica pesada e quanto mais a gente pensa nisso, mais a gente se afunda e sufoca. "Não tá tranquilo, não tá favorável", dizemos pra nós mesmos. "Tá complicado, tá dolorido, tá impossível. Eu não vou conseguir suportar mais um dia", é o que repetimos incessantemente.

Repete tanto que isso acaba virando um mantra diário.  As pálpebras pesam e os olhos choram sem parar. As horas passam, o dia acaba mas nossas paranoias permanecem. É difícil acreditar num amanhã melhor quando tudo o que nos acontece, quando todos os pensamentos que nos assolam são cinzas e reforçam o nosso medo.

Esse inferno mental é insuportável, é enlouquecedor. O que fazer pra abrandar isso? Onde conseguir esperanças quando dentro de si não existe resquícios de pensamentos positivos? O que eu faço com toda essa tristeza e desespero? Como posso me ver livre dos meus fantasmas? Como posso vencer tudo isso? Eu posso vencer? Ou essa luta eu já perdi? Não consigo mais suportar. A confusão e o cansaço mental tragaram a minha paz e já há mais vigor em meu corpo.

Se já perdi a luta eu não sei, mas tenho procurado não entregar os pontos.  Tenho tentado levantar a cabeça, e mesmo com chuva nos olhos seguir. Eu sei que não é nada fácil,  sei que é difícil acreditar num amanhã melhor. Mas se eu não acreditar e não lutar, ninguém fará isso por mim. Porque não há remédio e terapia que resolva o ócio que me assolou.  Então mesmo que a luz no fim do túnel esteja apagada, eu levanto, lavo o rosto e vou enfrentar o monstro do dia e mais quantos vierem. A vida anda é pra frente.  Então o jeito é seguir.

Erica Ferro & Ariana Coimbra

* * *
Conversa no WhatsApp:
- Pensa rápido, Ariana. Vamos escrever agora? - pergunto.
- Agora? Sobre o quê? - responde Ariana.
- Sim! Sobre qualquer coisa. Eu começo.

E assim nasceu esse texto. Ariana Coimbra é uma mulher forte e valiosa, muito embora às vezes esqueça disso. Ela é uma das seletas pessoas com as quais converso sobre tudo, sem medo de ser julgada louca ou perturbada. E eu sei que ela também se abre comigo. Passamos por coisas semelhantes na vida, sobretudo no que diz respeito aos sentimentos e sensações que muitas vezes não conseguimos domar e eles acabam nos dominando, nos sufocando e causando uma verdadeira bagunça na nossa vida. Somos duas criaturas sensíveis, mas já fomos bem mais. Queríamos muito ser mais racionais, porque já tivemos provas suficientes de que sentimentais sofrem um bocado nessa vida louca. Mas o que podemos fazer? É o nosso jeito, é a nossa essência. Por esses e outros motivos, escrevemos e tentamos, por meio da escrita, nos tranquilizar e plantar um pouco de paz em nossas mentes e corações. Adorei escrever esse texto, assim, na lata, sem pensar muito, com a minha cara Ariana. Foi algo espontâneo, vindo mesmo do coração e dos nossos cérebros por vezes sobrecarregados e alucinados.
Nunca mais havia escrito assim, em parceria. Foi ótimo retomar essa forma de escrever. E que bom que foi com essa blogueira que conheço de longa data. Que outras parcerias venham, Ariana!

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24/01/16

24/01: Dia Mundial de Consciência Sobre a Síndrome de Moebius


No dia 18 de julho de 2015, fiz uma postagem muito importante aqui no blog - e muito emocionada também. Falei abertamente, como nunca havia falado antes, sobre a síndrome que tenho. A maioria já sabia que eu tinha algum tipo de deficiência, nunca escondi que não tenho a mão esquerda, o pé direito e paralisia facial. Entretanto, nunca havia contado o que ocasionou essa minha má formação congênita. Então, no fatídico 18 de julho, consegui superar todos os meus receios e postar sobre um assunto extremamente sério, mas, ao mesmo tempo, essencial, que deve ser divulgado, para que essa condição tão rara um dia seja devidamente conhecida nos quatro cantos do Brasil e do mundo, a fim de minimizar a desinformação que tanto causa tolos preconceitos e cruéis discriminações.

Dia 24 de janeiro é um dia especial tanto para os portadores da Síndrome de Moebius quanto para os seus familiares e amigos, pois é um dia em que pessoas do mundo todo se voltam para reflexões concernentes a síndrome, bem como comemoram as suas conquistas e relatam as suas histórias de vida. 

Eu poderia dizer que ter uma síndrome que afeta diretamente a face, mais precisamente o sexto e sétimo nervos cranianos responsáveis pela mímica facial e pelo movimento lateral dos olhos, não é um campo de violetas. Ainda mais se levarmos em conta a exaltação de corpos e rostos perfeitos que a sociedade impiedosamente prega e, em vão, tanto busca.

Eu também poderia dizer que aprendi, ao longo dos meus 25 anos, a me desvencilhar dos pensamentos de inferioridade em relação aos seres humanos ditos normais. Não sou FORA DO NORMAL por ter uma raríssima síndrome. Sou FORA DO NORMAL por ter me transformado no que sou eu hoje, apesar de todos os empecilhos que surgiram em meu caminho. Sou FORA DO NORMAL porque soube lidar com as palavras ofensivas e olhares de pena e/ou repulsa dirigidos a mim. Sou FORA DO NORMAL porque me recuso a entregar os pontos, mesmo quando sinto que não me encaixo nesse mundo caótico e extremamente discriminador. Sou FORA DO NORMAL porque ainda acredito na capacidade das pessoas de surpreenderem positivamente umas às outras. Há uns seres desumanos que se assemelham a maçãs podres, e tudo o que eles mais querem é minar a alegria dos outros. São esses seres que desestabilizam tantas pessoas tidas como diferentes e fora de um padrão inalcançável que alguma criatura sem noção criou. Desconsideremos-as. Foquemos nossos olhares nas doces e boas maçãs.

Eu poderia dizer mais: que devemos buscar uma força imensa que há dentro de nós. Força essa que é inesgotável. Essa força nos mostrará a verdade que tantos membros dessa louca sociedade ignoram: o que mais importa em um ser humano não pode ser visto, apenas sentido. O que realmente é importante “é invisível aos olhos”, já dizia Antoine de Saint-Exupéry. Falo de essência, do que carregamos na alma e no coração.
Mas nesse dia arroxeado – cor que se escolheu para representar a nossa síndrome - só quero dizer uma coisa: ignoremos toda a negatividade, nos agarremos ao que nos faz bem e nos torna seres melhores e jamais deixemos de ser felizes. A vida vale a pena, sempre. A existência é da cor que nós damos a ela. E eu quero que a minha continue sendo um lindo arco-íris.

Meu nome é Erica Ferro, tenho 25 anos e sou alagoana. Sou estudante de Biblioteconomia e nadadora paralímpica. Mas, sobretudo, sou uma sonhadora – e não sou a única #‎beijosjohnlennon.
Faço questão de desconhecer limites. Não tenho asas, mas teimo em voar. Sacudir esse mundo é algo que me atrai, me distrai e me impulsiona a querer sempre mais.
“Para o alto e avante!”, como diz minha amada amiga Isabella Robinson.

Agradeço aos meus familiares e amigos queridos, que sempre me brindam com lindas palavras e adoráveis elogios e incentivos. A vida é mais colorida e bonita com vocês! Estamos juntos e misturados, sempre! Meu sorriso está no rosto de cada um de vocês. E isso não tem preço! Muito obrigada por tudo!

Sigamos todos, pois, com força, graça e fé!

Erica Ferro

22/01/16

Filme: Anita

Título: Anita
Ano de produção: 2009
Direção: Marcos Carnevale
Duração: 104 minutos
Gênero: Drama
País: Argentina
Sinopse: Anita é uma jovem mulher com síndrome de Down que mora com sua mãe, Dora, que, além de mãe, é uma cuidadora extremamente zelosa. Na manhã de 18 de julho de 1994, Dora sai de casa para ir a Associação Mutual Israelita Argentina - AMIA resolver umas coisas, e deixa Anita em casa, lhe avisando que volta logo. No entanto, há um ataque a bomba na AMIA, e os tremores chegam a residência de Anita, destruindo parte da casa e dos móveis. Sozinha e sem entender o que está se passando, Anita sai às ruas. Nessa perambulação na procura por sua mãe, aprende a cuidar de si mesma, à sua maneira, e encontra algumas pessoas gentis e outras nem tanto assim, sempre as tocando de forma singular.

O ano é o de 1994 e a estória é a de Anita, uma jovem mulher com síndrome de Down que mora com a sua mãe, Dora, em Buenos Aires. Dora é extremamente cuidadosa para com Anita. Trata-a como uma boneca de porcelana, lhe faz Maria-chiquinha e lida com a filha como se esta fosse uma criança de, no máximo, cinco anos. Dora se esqueceu de que não possuía a dádiva da imortalidade e não criou uma Anita com o mínimo de autonomia, capaz de saber de si e dos outros.


Na manhã do dia 18 de julho de 1994, Dora informa a Anita que irá a Associação Mutual Israelita Argentina - AMIA para resolver umas questões, mas logo volta para casa. Poucos minutos depois que Dora saiu de casa, houve um trágico acontecimento: um atentado a bomba a AMIA, que matou 85 pessoas e deixou 300 feridas. O atentado se trata de um caso real e Marcos Carnevale, diretor dessa belíssima película argentina, teve tato para retratá-lo com fidedignidade e respeito às vítimas e seus familiares. O caos do atentado, todas aquelas pessoas perambulando pelas ruas, sofrendo por estarem feridas e/ou por seus parentes estarem desaparecidos ou mortos é o pano de fundo da odisseia de Anita.


A destruição causada pelas bombas chegou até a residência de Anita, destruindo uma parte da casa e dos móveis. Assustada, Anita saiu às ruas, desnorteada, procurando por sua mãe. Extremamente doce e pura, Anita não sabe o endereço de onde mora, o nome de sua mãe ou o número de telefone da sua casa ou de algum parente. Ela não foi criada para lidar com o mundo e as pessoas.


Nessa série de desventuras, Anita se depara com Felix, um fotógrafo com tendência ao alcoolismo, que tem como esporte reclamar da vida e se sentir o homem mais miserável do mundo. Ele permite que Anita fique em sua casa por dois dias e cuida dela da melhor maneira que consegue. No entanto, às vezes, nós, humanos, deixamos falar mais alto aquela máxima egoísta "O que eu tenho a ver com isso?" e lavamos nossas mãos.


Nossa Anita continua em sua caminhada, constatando o quanto as pessoas podem ser adoráveis, bem como podem ser desumanas. Eis que conhece Nori e seu irmão, que, se num primeiro momento não sabem lidar com Anita, logo descobrem o quanto ela é uma pessoa especial, doce e inteligente. Anita, de fato, é uma criatura encantadora e de uma capacidade muito maior do que sua mãe julgava que ela tinha. São eles que ajudam Anita a voltar para os seus familiares.


O atentado a AMIA foi uma dura lição sobre o valor da família para Ariel, irmão de Anita, que estava sempre ocupado demais para sua mãe e sua irmã. Somos muito procrastinadores no nosso dia a dia, ignoramos pedidos simples de quem amamos e que nos ama também, porque estamos muito atarefados para lidar com isso no momento. Erro terrível, pois deixamos passar oportunidades ímpares e desperdiçamos momentos que jamais hão de voltar. Deveríamos dar mais atenção àquele dito "Não deixe para amanhã o que você pode fazer hoje...".


A grande estrela do filme é Anita, que, com a sua doçura e olhar simples frente a vida, encanta a todos que passam por seu caminho. Acredito que um das grandes lições que o filme quer apresentar é justamente a irracionalidade do terrorismo. Terrorismo trata-se de atos bárbaros que destroem famílias e ceifam vidas. Não há nada que justifique atos assim. Nada. 
Outra mensagem fundamental que acredito que o filme busca passar é um alerta aos pais que protegem ao extremo os seus filhos com alguma síndrome e/ou deficiência, lidando com eles como se fossem bebês, como se os deficientes fossem incapazes de viver no mundo e de ter o mínimo de autonomia possível. Somos todos capazes de quebrar barreiras e de ir além do que acham que podemos ir. Com estimulação e uma excelente orientação, todas as pessoas podem ser capazes de feitos extraordinários, tendo uma deficiência ou não. 
E, por último, mas jamais menos importante, o filme é sobre gentileza, amor e simplicidade. A vida fica tão melhor quando adicionamos gentileza, amor e simplicidade aos nossos atos. Tudo bem que gentileza nem sempre gera gentileza, porque sempre existirão pessoas ranzinzas no mundo. No entanto, não é por isso que deixaremos de ser gentis. O amor deve ser sempre o Leitmotiv da nossa vida. Para o nosso cotidiano ser mais florido e a nossa vida ter cores vivas e bonitas, a nossa existência deve ser pautada na gentileza, no amor e na simplicidade. Assim, fica bem mais fácil viver!

O filme tem o ritmo certo para nos encantar, emocionar e nos fazer refletir sobre questões muito importantes acerca da vida e do viver. Para quem indico esse filme? Todos, sem exceção. É um filme com doses certas de agruras, doçura, amor e aprendizados.

Erica Ferro

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13/01/16

Quer saber? Dane-se!

Créditos

Não, não estou revoltada. Esse não é um post revolts, mesmo que o título e a imagem queiram me desmentir. Quer saber? Dane-se! é o que eu tenho dito sempre que percebo que a solução de um problema não depende de mim. Uma das preciosas lições que aprendi com a Síndrome do Pânico é ser mais desencanada. Acredito que uma das coisas que me levou a desenvolver ansiedade generalizada foi o fato de eu remoer praticamente tudo. Era uma espécie de amostra grátis do inferno. Se algo de ruim acontecia, pensava no acontecido dias a fio, mastigava o episódio e revivia as emoções ruins que aquilo me fez sentir. Se eu percebia que algum amigo se mostrava um tanto distante, começava a cogitar mil e uma possibilidades que o fizeram se distanciar de mim, ainda que eu soubesse, no íntimo, que eu não havia feito nada de ruim ou que justificasse a mudança de comportamento dele. Raramente encostava o amigo na parede e perguntava qual era o problema. Preferia remoer e sofrer por algo que eu nem sabia o que era. Sim, coisa de gente meio desregulada da cabeça. 

Mas eis então que eu evoluí. Glória! Aleluia! Sim, evoluí. Creio que, a cada dia, consigo evoluir um pouco mais. Com evolução, quero dizer que desde o começo de 2014 consegui adicionar a praticidade ao meu viver. Tenho um problema pessoal? Tento resolver da melhor forma possível, com a dosagem certa de calma e determinação. Há um problema que envolve outra pessoa? Busco fazer a minha parte, sacudo a outra pessoa pra que ela faça a parte dela. Ela não quer? Okay, não insisto mais, porque cada um sabe de si, das suas escolhas e deve ter o seu tempo de reagir ao que acontece em sua vida.

Na realidade, eu percebi, com anos de um comportamento autodestrutivo, que sofrer por antecipação é a maior burrada e que não adianta padecer por algo que não me cabe resolver. Descobri, à duras penas, que a vida deve ser tranquila, pra o meu bem-estar e a minha boa sanidade. Entendi que o que realmente importa é ter a minha consciência tranquila em relação aos meus atos e a minha vida de um modo geral. Não posso viver pelos outros. Não posso resolver a vida dos outros. Não posso solucionar os problemas alheios, mesmo aqueles em que estou envolvida indiretamente. A vida pele calma e coragem. Com calma, nos mantemos sãos e conscientes; e a coragem, essa, nos leva longe!

Pra não ficar apenas nas minhas palavras, ouça Paciência, de Lenine:


Erica Ferro



10/01/16

O medo

Créditos da imagem aqui

Por vezes falta-nos coragem pra chutar o balde, 
o pau da barraca e a cara
de todo e qualquer babaca
que quiser nos tolher
a liberdade de ser
quem queremos ser.

Por vezes falta-nos sangue nos olhos pra tocar o terror,
de ignorar as regras, as métricas e o que dizem
ser certo, pra, assim, sermos
quem podemos ser.

Por vezes falta-nos ousadia pra bater
de frente contra quem quer nos
ditar a melhor maneira de
viver ou ser.

Por vezes sobra-nos covardia,
e é assim que nos entregamos ao status
de quem passa todo o tempo usando máscaras,
escondendo o rosto,
o gosto e se alimentando
de desgostos.

No fim, o que nos restará
é uma história de amargura, 
de quem tinha tudo para ser feliz,
pleno e verdadeiro consigo mesmo,
mas que não conseguiu driblar o medo.

E o medo, amigo, tem dois lados:
convida pra sair da zona de conforto
ou pra mergulhar em uma profunda
improdutividade e uma desgastante
infelicidade.

Na maioria das vezes, meu caro amigo,
prefiro ser do time de quem peita o sistema,
de quem joga a merda no ventilador
e não tem pudor em ser quem se é.

Mas o medo é um garoto traquino,
esperando um tropeço nosso,
aguardando, ansiosamente, um recuar,
um titubear.

Afinal, o medo está sempre pronto
pra nos tragar.

Erica Ferro

* * *
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31/12/15

Em 2015? Vivi (ainda mais)!

Antes de começar a escrever essa retrospectiva, li a que fiz no dia 31/12/2014. E, caramba, parece que foi ontem! Imagina a minha felicidade ao constatar que esse ano de 2015 conseguiu ser ainda mais incrível do que o de 2014! 
Segui sonhando e trabalhando para que eles se tornassem reais. Prossegui nadando com e por amor. Bloguei muito pouco, mas creio que essa parte está resolvida, certo? Não li e/ou assisti tudo o que precisava/desejava, obviamente. Em 2016, me comprometo, comigo mesma, a procrastinar o menos possível. No ano que em breve há de nascer, quero mergulhar ainda mais profundamente naquilo que me faz bem, me sacode, me possibilita a me tornar alguém melhor e acrescenta algo de positivo ao meu viver. 

Agora, quero mostrar-lhes o meu 2015 em fotos.

MARÇO


Regional Norte/Nordeste, Recife/PEObrigada, Recife! Você foi palco de muitos aprendizados. Saldo da competição: 6 ouros e 1 prata.


ABRIL


Swimming Open Championship CAIXA Loterias, São Paulo/SP. Essa fotografia de Pedro Ernesto ficou lindíssima. Obrigada, Pedro, pelo clique!


Obrigada, Ibirapuera! Que massa ter nadado a minha primeira competição internacional nesse lugar encantador. Nadar ao lado das melhores nadadoras do mundo e ter a chance de trocar ideias com gente do mundo todo foi sensacional. Foi uma das coisas mais emocionantes que já vivenciei ao longo dos meus 25 anos.


JUNHO


II Aberto de São Paulo, Campinas/SP. O aberto de São Paulo faz parte do rol das competições em que viajo sozinha e sem técnico. É sempre desafiador, mas a parte boa é que tenho amigos espalhados pelo Brasil afora e quase sempre há um pouco deles pra me fazer companhia e me passar boas energias. Grata a Julio Pistarini e sua equipe, que sempre me acolhe nessas minhas aventuras no interior de São Paulo.
Saldo da competição: 2 ouros e 1 bronze.


Meus amigos moebitas foram me ver depois da competição e me levaram a uma pizzaria. Foi uma das coisas mais lindas que me aconteceram nos últimos tempos! Imagina ver, de pertinho, pessoas muito semelhantes a mim, com a mesma síndrome. Foi único! Um grande abraço pra Amanda e o Gabriel. E a Julia, amiga da Amanda, "a bendita entre os moebitas".


Na volta pra casa, fiz uma conexão no aeroporto de Recife. E uma linda pessoa foi me ver lá: Tailany Costa, do blog Despindo Estórias. Na internet, ela é linda. Pessoalmente, ela é muito mais linda. Amei te ver, Tailany! Que nos encontremos tão logo nos for possível, coisa linda!


AGOSTO


VI Jogos Aquáticos do Ceará, Fortaleza/CE. Competir em Fortaleza é uma delícia! Eu amo esse lugar e as pessoas maravilhosas que moram lá! Rever amigos, ter momentos felizes e superar a mim mesma dentro e fora d'água vale mais do que qualquer riqueza do mundo. Saldo da competição: 7 ouros.


SETEMBRO


I Alagoano de Natação Paralímpica. É ótimo nadar em casa e poder mostrar aos meus conterrâneos um pouco do esporte que eu tanto amo e que tanto transformou a minha vida. Saldo da competição 5 ouros.


Trend House 2015. Desfilei num cast formado apenas por pessoas com deficiência. Foi uma experiência muito marcante pra mim, pois, como disse nesse post aqui, "provei a mim mesma que eu posso vencer meus "traumas" e encarar cerca de 150 pessoas 'do mundo da moda' sem me sentir menos interessante do que todos os outros seres do universo que não possuem a minha síndrome. Encarei os muitos flashes com tranquilidade e naturalidade. Mostrei, com muita desenvoltura, esse rostinho paralisado congênito e esse meu olhar 'asiático' na passarela. Cada passo que dei na ida e na volta da passarela foi um modo de dizer a mim e principalmente aos outros que 'pessoas são extraordinárias não pelo que elas aparentam fisicamente, mas sim pela energia e vibração que elas transmitem'.".


NOVEMBRO


VII Meeting Cearense de Natação Paralímpica, Fortaleza/CE. Sim, eu realmente amo o Ceará! Participar dos campeonatos de natação paralímpica do Ceará virou tradição na minha vida. É o máximo! O Meeting, verdadeiramente, é um encontro de amigos, um grande festival, no qual se nada o maior número de provas possível, em prol de um objetivo maior: levar a equipe ao top três da competição. A ADEFAL, minha equipe, ficou em 2º lugar entre as equipes participantes. Minhas 10 medalhas de ouro devem ter ajudado nisso. Adorei!


No dia posterior ao Meeting, o Aterro de Iracema foi palco da penúltima etapa do Circuito Nacional Rei e Rainha do Mar. Claro que eu não poderia deixar de participar! Nadei a prova Sprint (1km) no mar. Foi super gostoso! Que energia boa, a do Rei e Rainha! Que organização! Fiquei verdadeiramente encantada e, em 2016, quero participar de muitas outras etapas desse baita evento. Saldo do Sprint: uma linda medalha finisher.


Essa foto ficou tão maravilhosa, mas tão maravilhosa, que a coloquei como imagem de capa do meu perfil no Facebook!


Encontro anual da Associação Moebius do Brasil, São Paulo/SP. Quero, mais uma vez, agradecer ao Reinaldo e a Marli, presidentes da AMOB, por me darem a oportunidade de vivenciar momentos ímpares ao lado de portadores e familiares que lidam com as delícias e os dissabores da Síndrome de Moebius diariamente. Foi uma honra dar o meu breve depoimento sobre como o esporte foi de fundamental importância para que eu conseguisse superar os traumas provenientes da síndrome e me transformar na pessoa que sou hoje.


Depois de um dia maravilhoso ao lado dos meus amigos moebitas, teve uma noite magnífica no Teatro Frei Caneca. Com quem, com quem? Claro, com o meu querido Fabio Porchat!
Na foto: Gabriel, também portador da síndrome e filho dos presidentes da AMOB, Fabio Porchat e eu. Adoramos te ver, Porchat!


"Porchat, por favor, queira colocar no pescoço as nossas dez medalhas do Meeting e a medalha finisher do Rei e Rainha do Mar. Preciso tirar uma foto disso!". E ele colocou! E a foto, como vocês podem ver, ficou extremamente linda. 


Esse abraço, quase esmagador, reflete bem o amor que eu sinto por esse ser humano que, sem exageros, é fora do normal. Esse abraço demonstra a minha gratidão por tudo o que o Fabio, sua produção e familiares fazem por mim. É o abraço que traduz a minha admiração e o meu carinho por esse homem de sorriso lindo e de coração ainda mais lindo. Você é um cara excepcional, senhor Fabio Porchat. Que em 2016 a nossa parceria floresça mais e mais!


DEZEMBRO


Travessia Troféu Reinaldo Malta, Maceió/AL. Depois do Rei e Rainha do Mar, fiquei apaixonada pela natação no mar e resolvi, então, fazer a minha primeira travessia na minha terra. Minha navegação no mar é péssima e eu me perdi várias vezes durante a prova, mas só o fato de concluir a prova tranquilamente foi uma vitória e tanto! 
No pescoço: a medalha finisher e a medalha de ouro na categoria Master A. 


Essa linda e meiga foto foi tirada em dezembro de 2014, no jardim secreto da Tita. Lugar mágico que pude conhecer ao lado de duas pessoas que me são muito queridas: a própria Tita e a minha cara Tchê Seerig. Essa foto é pra ilustrar o que quero dizer a seguir: no dia 7, Ana publicou uma matéria acerca da minha fofa pessoa. Por favor, cliquem aqui e leiam as palavras da Ana Seerig sobre a minha carreira na natação paralímpica e alguns detalhes sobre a minha vida pessoal. Muito obrigada, Tchê, por lembrar de mim quando o assunto é esporte paralímpico. Acho que não poderia ser diferente, né? Nos conhecemos há tempos e isso fez com que você acompanhasse a minha vida de atleta e aprendesse um pouco comigo sobre esse mundo paralímpico. Amei!

* * *

Assim foi o meu 2015. Obviamente que houve outros momentos dignos de nota, mas, se eu fosse colocar todos eles, seria difícil finalizar essa postagem. O que vale frisar e registrar aqui é que cada dia desse ano foi uma chance que eu tive de fazer a minha vida e os meus sonhos valerem a pena.
A virada do ano é só um jeito de nós, humanos, marcarmos o tempo. Na realidade, como diz naquele comercial da Rede Globo, "o futuro já começou.". E começou mesmo. A nossa vida é uma só e é agora. E já foi. Devemos fazer o que nos apraz agora. Temos que nos jogar no presente, porque o futuro é incerto.
Enfim, meus amigos, que me leem, que vibram com cada conquista minha, que se matam de rir com as minhas palhaçadas, quero desejar-lhes doses de paz, amor, felicidade e saúde diárias. Saibam que podem contar comigo!
FELIZ 2016!

Um abraço da @ericona.