Mostrando postagens com marcador Filmes. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Filmes. Mostrar todas as postagens

21/04/16

Filme: Zootopia


Título: Zootopia
Ano de produção: 2016
Direção: Byron Howard e Rich Moore
Duração: 108 minutos
Gênero: Ação; Animação; Aventura; Comédia; Família; Policial
País: Estados Unidos
Sinopse: Zootopia é uma cidade diferente de tudo o que você já viu. Formada por “bairros-habitat”, como a elegante Praça Sahara e a gelada Tundralândia, essa metrópole abriga uma grande diversidade de animais irreverentes sempre prontos para encarar uma nova e divertida aventura. Quando Judy Hopps chega em Zootopia, ela descobre que ser a primeira coelha da equipe da polícia, formada por animais grandes e fortes, não é nada fácil. Determinada a provar seu valor, ela embarca em uma aventura atrapalhada e bem humorada, ao lado do malandro raposo Nick Wilde para desvendar um grande mistério.

Creio que o fato de eu ser apaixonada por animações não é novidade para os leitores do Sacudindo Palavras. Já devo ter dito isso um bocado de vezes aqui, aliás. Penso que animações são sensacionais e geniais por terem a capacidade de falar do simples e do complexo e de atingir crianças e adultos ao mesmo tempo. Quando li a sinopse de Zootopia, soltei um "Que massa! Preciso assistir no cinema!". Imagina que fantástico uma animação que tem ação, mistério, aventura e comédia etc em doses certas? Assim é Zootopia.

Judy Hopps, uma coelha muito aguerrida, forte, destemida e sonhadora, nos ganha logo no começo do longa. Desde o início de sua vida, ainda uma coelhinha-criança, ela tinha um sonho que, segundo a maioria, era impossível: ser policial. Como uma coelha poderia figurar numa equipe policial, formada majoritariamente por animais de maior porte e fisicamente mais fortes? Judy não sabia como iria conseguir, mas sabia que daria um jeito de alcançar o seu objetivo.

Como podem supor, não foi fácil. Nossa amiguinha penou bastante para se tornar uma policial e, quando enfim se tornou uma, passou por várias situações constrangedoras, típicas pelas quais passam minorias. Ela precisava provar que poderia fazer as coisas, não coisas bobas, mas sim coisas grandiosas e verdadeiramente relevantes. Não sei se foi uma impressão minha, mas notei uma sacada muito boa dos roteiristas e diretores em problematizar o machismo, colocando em cena situações e comportamentos tão naturalizados que, só à luz do feminismo, se pode ter uma outra visão, desprovida de estigmas e livre de preconceitos.

Judy tem uma excelente qualidade: curiosa. E, graças à sua curiosidade, ela se achegou a Nick. E, se de início, foi uma ligação complicada por algumas razões, depois se tornou um elo natural e imprescindível para que, ambos, unidos, pudessem descobrir o que havia de errado em Zootopia. Nick, raposo sacana, bom de lábia e extremamente sagaz, ganha o espectador com facilidade. Judy e Nick, uma parceria inesperada que deu totalmente certo.

Zootopia discorre sobre temas muito importantes, de modo leve, mas certeiro. Machismo, feminismo, pré-julgamentos baseados em aparência, dentre outros assuntos. Uma lição que aprendi com essa animação é que eu, você e todo mundo podemos ser o que quisermos ser. Não nascemos predestinados a fracassar ou a vencer. Nossas escolhas é que irão nos levar além do que jamais ousamos sonhar em chegar. Não importa como somos fisicamente, mas sim o que há por dentro de nós. Nossa força é o que importa. É nosso caráter que vale. São nossas reais intenções que podem sugerir quem somos. Não devemos desistir do que realmente queremos, mesmo diante das adversidades e/ou dos olhares reprovadores e incrédulos. Não podemos perder a fé em nós mesmos, na nossa capacidade de ir além, de nos superarmos e alcançarmos os nossos sonhos mais profundos.

Os personagens são muito bem bolados, cada um com suas características marcantes. Judy e Nick, os protagonistas, são um show à parte. Porém, os pais de Judy ganharam meu coração pela sua fofura e cuidado com a filhota coelha. Eles me desapontaram por conta de alguns posicionamentos, mas que são explicáveis. Sendo assim, estão desculpados (risos). O prefeito e a vice-prefeita de Zootopia têm importância fundamental no desenrolar da investigação. Alguns componentes da equipe policial são simplesmente hilários e eu ri loucamente com algumas cenas. E, caramba, a parte policial da animação não deixa a desejar. Os animais, os ditos predadores de outrora, que na atualidade vivem como seres racionais e sociáveis, passam a agir de modo estranho e alguns retornam aos seus instintos selvagens, irracionais, causando tumulto e pânico em Zootopia. Judy e Nick precisam, então, encontrar respostas para os acontecimentos esquisitos e o desfecho é bom. Não que seja algo fora do comum, mas não é algo besta. A resposta do mistério me satisfez, bem como não achei tão óbvio o personagem que estava por trás de tudo o tempo todo.

A trilha sonora é sensacional! Há uma personagem que é uma espécie de fenômeno pop no mundo de Zootopia. É a Gazelle! Adorei esse nome (risos!). Quem dá voz a Gazelle é Shakira, diva, linda e dona de uma voz inconfundível. Sem mais delongas, corram para ver Zootopia nos cinemas. Garanto que, no mínimo, vocês vão se divertir bastante! Se chegarem a assistir, não esqueçam de comentar comigo o que acharam do filme. Combinado?

Quero deixar dois vídeos bem bacanas aqui, o primeiro é a música-tema de Zootopia e o segundo é o trailer:




Trailer


Erica Ferro

• • •
Fan Page Sacudindo Palavras • Twitter Sacudindo Palavras • Fan Page Atleta Erica Ferro • Twitter Erica Ferro

22/01/16

Filme: Anita

Título: Anita
Ano de produção: 2009
Direção: Marcos Carnevale
Duração: 104 minutos
Gênero: Drama
País: Argentina
Sinopse: Anita é uma jovem mulher com síndrome de Down que mora com sua mãe, Dora, que, além de mãe, é uma cuidadora extremamente zelosa. Na manhã de 18 de julho de 1994, Dora sai de casa para ir a Associação Mutual Israelita Argentina - AMIA resolver umas coisas, e deixa Anita em casa, lhe avisando que volta logo. No entanto, há um ataque a bomba na AMIA, e os tremores chegam a residência de Anita, destruindo parte da casa e dos móveis. Sozinha e sem entender o que está se passando, Anita sai às ruas. Nessa perambulação na procura por sua mãe, aprende a cuidar de si mesma, à sua maneira, e encontra algumas pessoas gentis e outras nem tanto assim, sempre as tocando de forma singular.

O ano é o de 1994 e a estória é a de Anita, uma jovem mulher com síndrome de Down que mora com a sua mãe, Dora, em Buenos Aires. Dora é extremamente cuidadosa para com Anita. Trata-a como uma boneca de porcelana, lhe faz Maria-chiquinha e lida com a filha como se esta fosse uma criança de, no máximo, cinco anos. Dora se esqueceu de que não possuía a dádiva da imortalidade e não criou uma Anita com o mínimo de autonomia, capaz de saber de si e dos outros.


Na manhã do dia 18 de julho de 1994, Dora informa a Anita que irá a Associação Mutual Israelita Argentina - AMIA para resolver umas questões, mas logo volta para casa. Poucos minutos depois que Dora saiu de casa, houve um trágico acontecimento: um atentado a bomba a AMIA, que matou 85 pessoas e deixou 300 feridas. O atentado se trata de um caso real e Marcos Carnevale, diretor dessa belíssima película argentina, teve tato para retratá-lo com fidedignidade e respeito às vítimas e seus familiares. O caos do atentado, todas aquelas pessoas perambulando pelas ruas, sofrendo por estarem feridas e/ou por seus parentes estarem desaparecidos ou mortos é o pano de fundo da odisseia de Anita.


A destruição causada pelas bombas chegou até a residência de Anita, destruindo uma parte da casa e dos móveis. Assustada, Anita saiu às ruas, desnorteada, procurando por sua mãe. Extremamente doce e pura, Anita não sabe o endereço de onde mora, o nome de sua mãe ou o número de telefone da sua casa ou de algum parente. Ela não foi criada para lidar com o mundo e as pessoas.


Nessa série de desventuras, Anita se depara com Felix, um fotógrafo com tendência ao alcoolismo, que tem como esporte reclamar da vida e se sentir o homem mais miserável do mundo. Ele permite que Anita fique em sua casa por dois dias e cuida dela da melhor maneira que consegue. No entanto, às vezes, nós, humanos, deixamos falar mais alto aquela máxima egoísta "O que eu tenho a ver com isso?" e lavamos nossas mãos.


Nossa Anita continua em sua caminhada, constatando o quanto as pessoas podem ser adoráveis, bem como podem ser desumanas. Eis que conhece Nori e seu irmão, que, se num primeiro momento não sabem lidar com Anita, logo descobrem o quanto ela é uma pessoa especial, doce e inteligente. Anita, de fato, é uma criatura encantadora e de uma capacidade muito maior do que sua mãe julgava que ela tinha. São eles que ajudam Anita a voltar para os seus familiares.


O atentado a AMIA foi uma dura lição sobre o valor da família para Ariel, irmão de Anita, que estava sempre ocupado demais para sua mãe e sua irmã. Somos muito procrastinadores no nosso dia a dia, ignoramos pedidos simples de quem amamos e que nos ama também, porque estamos muito atarefados para lidar com isso no momento. Erro terrível, pois deixamos passar oportunidades ímpares e desperdiçamos momentos que jamais hão de voltar. Deveríamos dar mais atenção àquele dito "Não deixe para amanhã o que você pode fazer hoje...".


A grande estrela do filme é Anita, que, com a sua doçura e olhar simples frente a vida, encanta a todos que passam por seu caminho. Acredito que um das grandes lições que o filme quer apresentar é justamente a irracionalidade do terrorismo. Terrorismo trata-se de atos bárbaros que destroem famílias e ceifam vidas. Não há nada que justifique atos assim. Nada. 
Outra mensagem fundamental que acredito que o filme busca passar é um alerta aos pais que protegem ao extremo os seus filhos com alguma síndrome e/ou deficiência, lidando com eles como se fossem bebês, como se os deficientes fossem incapazes de viver no mundo e de ter o mínimo de autonomia possível. Somos todos capazes de quebrar barreiras e de ir além do que acham que podemos ir. Com estimulação e uma excelente orientação, todas as pessoas podem ser capazes de feitos extraordinários, tendo uma deficiência ou não. 
E, por último, mas jamais menos importante, o filme é sobre gentileza, amor e simplicidade. A vida fica tão melhor quando adicionamos gentileza, amor e simplicidade aos nossos atos. Tudo bem que gentileza nem sempre gera gentileza, porque sempre existirão pessoas ranzinzas no mundo. No entanto, não é por isso que deixaremos de ser gentis. O amor deve ser sempre o Leitmotiv da nossa vida. Para o nosso cotidiano ser mais florido e a nossa vida ter cores vivas e bonitas, a nossa existência deve ser pautada na gentileza, no amor e na simplicidade. Assim, fica bem mais fácil viver!

O filme tem o ritmo certo para nos encantar, emocionar e nos fazer refletir sobre questões muito importantes acerca da vida e do viver. Para quem indico esse filme? Todos, sem exceção. É um filme com doses certas de agruras, doçura, amor e aprendizados.

Erica Ferro

• • •
Fan Page Sacudindo Palavras • Twitter Sacudindo Palavras • Fan Page Atleta Erica Ferro • Twitter Erica Ferro

11/09/15

Filme: Para Sempre Alice

Título: Still Alice (Original) / Para Sempre Alice (Brasil)
Ano de produção: 2014
Direção: Richard Glatzer e Wash Westmoreland
Duração: 101 minutos
Gênero: Drama
País: Estados Unidos e França
Sinopse: A Drª. Alice Howland (Julianne Moore) é uma renomada professora de linguística. Aos poucos, ela começa a esquecer certas palavras e se perder pelas ruas de Manhattan. Ela é diagnosticada com Alzheimer. A doença coloca em prova a a força de sua família. Enquanto a relação de Alice com o marido, John (Alec Baldwinse), fragiliza, ela e a filha caçula, Lydia (Kristen Stewart), se aproximam.

Para Sempre Alice há muito estava na minha lista mental de filmes sobre os quais preciso pesquisar e assistir. A temática me chamou a atenção. Quando finalmente o assisti no feriado do dia 7 de setembro, parei e refleti bastante, inclusive a respeito de medos. Não lembrava de ter muitos medos, não realmente grandes e desconcertantes. E não tenho, a não ser o medo de esquecer: de mim, dos outros, do mundo, da vida, de tudo. Nunca parei pra pensar sobre isso porque realmente não é algo doce e agradável de se ficar pensando. Sendo assim, deu pra imaginar, ao menos um pouquinho, o total desespero e desolação de Drª. Alice Howland (Julianne Moore), uma incrível professora de Linguística, escritora e palestrante premiada, extremamente reconhecida em sua área, ao descobrir o seu Alzheimer precoce.




Alice sempre priorizou o conhecimento em sua vida. Para ela, o estudo e o conhecimento são uma espécie de passaporte para o sucesso pessoal e profissional. Em sua visão, um dos meios de se alcançar uma vida digna e com chances de reconhecimento era entrar numa Universidade. Sempre estudou muito e se dedicou quase que integralmente a vida acadêmica. Muito bem articulada, Alice esbanjava inteligência e coerência. Por esse motivo, discutia sempre com a filha caçula Lydia (Kristen Stewart), a única que não havia ingressado no mundo universitário. 




Eis, então, que um precoce Alzheimer resolveu cruzar o seu destino. Tudo começou quando, em uma palestra, ela esqueceu de um termo do campo linguístico: léxico. Daí, as coisas vão, aos poucos, se degringolando em sua vida acadêmica, bem como em sua vida pessoal. Ora bolas, Alice com Alzheimer? Mas ela só tem 50 anos! 




Não faz sentido, e chega a ser cruel. Como uma mente tão inteligente, tão culta, vai se deteriorando de tão arrasadoramente rápida? É muito desesperador. Nesse ponto do filme, meu cérebro já funcionava a todo vapor. Será que tudo nessa vida é em vão? O que vale a pena? Com o que realmente se deve gastar o nosso tempo de vida? Essa e muitas outras perguntas giravam loucamente na minha cabeça.




Uma das cenas que me levou às lágrimas foi o discurso de Alice num encontro de pessoas com Alzheimer e seus cuidadores. Eu fiz questão de digitá-lo, pois quero compartilhá-lo com vocês. Faz-nos pensar bastante acerca de vários pontos cruciais da nossa vida. Ei-lo: 
"Encontro-me aprendendo todos os dias a arte de perder. Perdendo minha compostura, perdendo objetos, perdendo sono, mas, principalmente, perdendo memórias. Durante a minha vida, acumulei muitas memórias. Elas se tornaram, de certa forma, meus bens mais preciosos: a noite em que conheci meu marido, a primeira vez que peguei meu livros nas mãos, ter filhos, fazer amigos, viajar o mundo. Tudo o que acumulei na vida, tudo pelo que trabalhei tanto, está tudo sendo arrancado de mim agora. Como podem imaginar, ou como sabem de fato, isso é um inferno. Mas fica pior. Quem nos levará a sério estando tão distantes do que éramos? Nosso comportamento estranho e frases atrapalhadas mudam a percepção que os outros têm de nós e também nossa autopercepção. Nós nos tornamos ridículos, incapazes, cômicos. Mas esses não somos nós. Essa é a nossa doença e, como qualquer doença, tem uma causa, tem uma progressão. E pode ter uma cura. Meu maior desejo é que meus filhos, nossos filhos, a próxima geração, não tenha que encarar o que estou encarando. Mas, por enquanto, continuo viva. Sei que estou viva. Tenho pessoas que amo demais. Há coisas que ainda quero fazer. Eu me condeno por não conseguir me lembrar das coisas, mas ainda tenho momentos de pura felicidade e alegria. E não pensem que estou sofrendo, por favor. Eu não estou sofrendo. Estou lutando. Lutando para ser parte das coisas. Para permanecer conectada à pessoa que eu era. Eu digo 'Viva o momento'. É tudo o que eu posso fazer. Tento não me punir demais... E não me punir demais por dominar a arte de perder. Mas uma coisa que eu vou tentar reter é a memória deste discurso hoje. Ela irá embora, eu sei que irá. Talvez já tenha ido amanhã. Mas significa muito estar falando aqui hoje, como o meu antigo 'eu' ambicioso, tão fascinado por comunicação." 



A ideia de ver as minhas memórias escorrerem pelos meus dedos quase me causa uma crise de pânico. Mas é uma possibilidade, é algo real. O Alzheimer pode abater qualquer um. Ninguém está livre. Em seu discurso, Alice diz que fala a si mesma pra viver o momento. E, de verdade, é isso que importa. Porque esse momento, o agora, é tudo o que você e eu temos, caro(a) leitor(a). Alice tentou, de todas as formas, não deixar as lembranças escaparem: usava o celular pra deixar lembretes pra si mesma. Em um dado momento, quando ela esquece de onde deixou o celular, entra em pânico. Como é que vai se lembrar de seu nome, idade, nome dos filhos, onde mora etc? 




A grande verdade é que não podemos controlar o inevitável. Alice tentou ao máximo que pôde recordar de si, dos outros e do mundo, mas o Alzheimer é escorregadio, não se pode domá-lo – ao menos por enquanto. 
Não sou crítica de cinema nem nada do gênero, mas, em minha leiga opinião, o roteiro e as atuações foram impecáveis. Julianne Moore dá um show na pele de Alice. Representou muito bem a fortaleza, doçura e, especialmente, a fragilidade de sua personagem em medidas exatas. Não foi sem razão que Para Sempre Alice lhe rendeu um Oscar de Melhor Atriz. Sobre a Kristen Stewart, já li umas opiniões bem fortes a respeito de sua atuação em outros filmes, a exemplo da tão famosa e badalada saga Crepúsculo (que eu nem vi nem pretendo, pois a temática não me instiga). E, honestamente, não achei Kristen tão mal como Lydia. Pelo contrário, dentre todos os personagens, Lydia foi quem se mostrou mais paciente e humana quando Alice mais precisou. Kristen não me decepcionou ao ser a filha que ficou ao lado da mãe até o fim. Alec Baldwin, como o marido John, me cativou de início, mas, embora haja explicações pra suas atitudes no desenrolar do filme, não há justificativas. É difícil vermos quem amamos se esquecendo de tudo, até mesmo de como se vestir? Deve ser, e muito. Porém, creio que não me perdoaria se abandonasse quem um dia amei e que também me amou, ainda que essa pessoa não soubesse mais que eu não estava mais ao seu lado, exatamente por não se lembrar mais de nada. Eu me lembraria, e isso me atormentaria até o fim da vida. Os outros personagens cumprem bem o seu papel. A fotografia do filme é belíssima e me deixou encantada. O tema é duro e isso não deixa de ser retratado no filme, mas é feito de uma forma dosada, que não se vê exageros ou apelações. Emocionou-me de uma forma ímpar e me lançou em vários caminhos reflexivos que me levaram a importantes conclusões acerca de vários aspectos da vida de uma forma geral e também da minha própria existência.




Para Sempre Alice joga na nossa cara algo que costumamos esquecer: não somos nada. Com isso, não quero dizer que não somos importantes ou que não temos valor. O que quero dizer é que de nada adiantar se vangloriar por ter um diploma de doutorado em alguma área. Não importa o quanto se é culto. Não importa o quanto se é rico. Não importa o quanto se é bonito. Simplesmente, não devemos ser vaidosos pelo que temos ou o que somos agora. Pois, no fim das contas, somos todos iguais. Somos poeira ao vento. Somos um sopro. Aqui e já, e depois não mais. 
Que possamos aproveitar o que de melhor existir nessa vida, com alegria, com coragem, com força e com a consciência de que, se pudermos escolher como viver, que decidamos por viver aquilo que nos dá prazer, que de fato nos faz bem. Que os céus nos livrem de dedicarmos nossas vidas aos outros, em função do que querem que façamos. Não negligenciemos os nossos desejos e os nossos sonhos. Só temos uma vida, e ela passa rápido feito fogo de palha. Cada minuto é precioso. Invistamos em felicidade pura e genuína. Amemos com toda a sinceridade que conseguirmos. Façamos o bem pelo prazer de ver o brilho no olhar do próximo. A vida é um mistério e estamos aqui talvez não pra desvendá-la, mas pra senti-la, tateá-la e absorver o que de mais sublime residir nela.
Que a nossa vida valha a pena, mesmo que, ao fim, nem ao menos lembremos dela. Que a sensação de estarmos vivos, e principalmente vivendo, nunca nos deixe. Que o bombear do nosso coração sirva como lembrete de que não somos tão jovens e/ou não temos todo o tempo do mundo.
Viver é raro. Viver é luxo. Luxemos, pois. Não fiquemos estáticos vendo os ponteiros dos relógios do mundo rondarem.
Movimentemo-nos. A vida é já. E já foi.

Trailer:


Erica Ferro

• • •

*Os dados da ficha técnica e as imagens do filme foram encontrados no site AdoroCinema.

• • •
Fan Page Sacudindo Palavras • Twitter Sacudindo Palavras • Fan Page Atleta Erica Ferro • Twitter Erica Ferro

31/05/15

Filme: Entre Abelhas


Título: Entre Abelhas  
Ano de produção: 2015
Direção: Ian SBF
Gênero: Comédia. Drama. Fantasia.
Sinopse: Coisas estranhas começam a acontecer na vida de Bruno (Fábio Porchat), um jovem de quase 30 anos que acaba de se separar da mulher (Giovana Lancelotti). Bruno tropeça no ar, esbarra no que não vê – até perceber que as pessoas ao seu redor estão desaparecendo só para ele. Os dias correm e a situação só piora. Com a ajuda da mãe (Irene Ravache) e do melhor amigo (Marcos Veras), Bruno tentará se adaptar a esse novo mundo com cada vez menos gente.





É difícil falar de Entre Abelhas porque não é um filme raso. Para entender, especialmente sentir, Entre Abelhas, é preciso mergulhar profundamente nessa trama que aparentemente comum. Ah, Erica, um filme sobre um cara de quase trinta anos que acabou de se separar? O que isso tem de interessante? E, espera, como assim ele não consegue ver as pessoas ao seu redor? E é aí que mora todo o problema do nosso querido protagonista: o que fez e/ou faz com que ele não veja mais as pessoas?


O roteiro de Entre Abelhas estava há muito tempo nas cabeças de Fabio Porchat e Ian SBF, mas, no entanto, só há pouco se transformou em um filme tragicômico com uma pegada fantástica. Não sei como surgiu a ideia desses dois, mas que sacada massa! Imaginem vocês: pegar a problemática de uma separação amorosa e, por meio dela, explorar toda uma gama de questões existenciais e de comportamento humano. Super bacana!
Não é um filme que nos responde, mas sim que nos questiona. Questiona-nos bastante. Atentar-se aos pormenores e às entrelinhas é essencial para identificar a intenção do longa. 


Depois da separação, Bruno fica sem chão e sem rumo. É como se a vida dele perdesse o sentido. Ele sequer sabe a razão pela qual sua mulher quis a separação, e isso o consome. Mergulhado numa tristeza e angústia aparentemente sem fim, Bruno vai perdendo aos poucos a capacidade de enxergar as pessoas que estão a sua volta. Ele sabe que elas existem, que estão lá, mas não mais as consegue ver. Um pouco mais a cada dia, desaparecem desde desconhecidos, celebridades, jogadores de seu time do coração, até mesmo pessoas que um dia lhe foram muito importantes. 


Assistir filme no cinema tem um gosto diferente: há diversas reações diante de uma mesma cena. No entanto, percebi que a minoria estava conectada verdadeiramente com o filme, sentindo-o de forma notória. A maioria estava ali esperando por uma cena cômica, uma frase que as fizesse rir. E sim, tem cenas cômicas, mas apenas para aliviar o ar espesso do drama. A mãe de Bruno e o Nildo, o garçom que ela contrata para protagonizar uns "testes" com a finalidade de Bruno voltar a ver as pessoas, por exemplo, cobrem boa parte do lado cômico. No entanto, com o passar do filme, eu ri cada vez menos das partes cômicas. Eu estava muito ocupada preocupada com o problema do Bruno. Eu estava verdadeiramente preocupada comigo mesma e com todas aquelas verdades que estavam sendo deixadas nas entrelinhas de cada cena. O filme me incomodou. E isso foi e é bom. Uma obra só vale a pena quando nos incomoda, quando nos cutuca, quando nos tira da zona de conforto.


A frase na imagem acima foi dita a Bruno por seu amigo Davi (Marcos Veras). É possível um casamento maravilhoso terminar sem nenhum motivo? Será que o casamento de Bruno era mesmo maravilhoso? Ou apenas Bruno o via assim? Talvez fosse difícil Bruno admitir que o problema era ele mesmo. Concordo com Davi, somente nisso, afinal acredito que esse personagem foi criado com o intuito de incomodar e de representar uma boa parcela do machismo deprimente presente em alguns homens, a fim de incomodar o espectador, para que esse último rebata as ideias do primeiro, desconstruindo atitudes e ideologias ofensivas. 


Quem dera fôssemos ao menos um pouco semelhantes às abelhas! Será que vocês e eu sabemos a nossa função no mundo? Que tipo de abelha nós somos? O que acontece quando não sabemos qual a nossa função? Ficamos perdidos? Sem rumo? Nada faz sentido? Faz sentido que nada faça sentido quando não há sentido no que fazemos. Quando não sabemos qual é o nosso papel no mundo, nos isolamos. Quando nos isolamos, nos entristecemos por completo. Quando nos entristecemos por completo, nada mais tem importância ou sentido. Quando nada mais faz sentido, apenas sobrevivemos. É quase impossível enxergar o outro quando sequer conseguimos nos enxergar. Sou tentada a concluir que o Bruno nunca tenha enxergado os outros e a si próprio.  Ele via, e ver é diferente de enxergar. Ver é passar os olhos, sem se deter em algo por mais de alguns segundos. Enxergar pede exame, demora e cuidado com o que se vê. Enxergar requer equilíbrio, também. Há que se enxergar o outro e a si mesmo, mas nunca em demasia, para não se tornar alguém que só se preocupa com os outros, negligenciando a si mesmo, ou enxergando apenas o próprio umbigo, ignorando o que acontece debaixo do nariz. 


A separação jogou na cara de Bruno que ele não sabia que tipo de abelha era. Bruno estava no meio de abelhas que aparentemente não só sabiam da sua função como a desempenhavam com precisão e a vida lá fora parecia funcionar muito bem. Menos a vida dele. Será que Rebeca foi o portal de Bruno para a sua autodescoberta? Isso é o que fica no ar, à critério da imaginação dos espectadores. É claro que eu criei um desfecho bem bacana para Bruno, afinal, sofri e chorei com ele a cada cena doída e crítica. Fabio Porchat me encanta, seja na comédia ou no drama. Quando se é bom, se é. E o Fabio é bom, muito bom. 
Fica a indicação para quem gosta de assistir filmes que causem indagações e reflexões das mais rasas às mais complexas. É um filme que cutuca, mexe e faz os nossos neurônios fervilharem. Ou seja, é um filme extremamente válido nesse mundo no qual ninguém escuta ou enxerga nada, nem a si próprio.

Erica Ferro
• • •
Trailer:


*A sinopse foi extraída do site Filmow;
**As imagens foram encontradas na fan page do filme.

• • •
Curtam a fan page do blog e sigam no Twitter.
Se quiserem curtir a fan page na qual relato os meus passos no esporte paralímpico, ficarei muito agradecida e contente.
Um abraço da @ericona.
Hasta la vista!

22/05/15

Filme: Poder Além da Vida


Título: Peaceful Warrior (Original) / Poder Além da Vida (Brasil)
Ano de produção: 2006
Direção: Victor Salva
Gênero: Drama; Esporte
País: Estados Unidos
Sinopse: Dan Millman é um talentoso ginasta com sonhos Olímpicos. Ele tem tudo: troféus, amigos, motos velozes, belas garotas e festas “animais”. Seu mundo vira de cabeça para baixo quando conhece Sócrates (Nick Nolte), um homem estranho e misterioso capaz de entrar em contato com novos mundos de força e compreensão.
Após um grave acidente, Sócrates e a jovem Joy (Amy Smart) ajudam Dan a descobrir que ainda há muito a aprender, e muito mais para deixar para trás, antes de se tornar um “Guerreiro da Paz” e encontrar seu destino. Uma comovente história sobre o poder do espírito humano.
Site Oficial: http://www.thepeacefulwarriormovie.com.


Depois de mil anos, cá estou eu para atualizar esse blog. Como podem ver, continuo hiperbólica e procrastinadora. Mas eu sei que vocês me amam (ou me aturam) mesmo assim, seus lindos! Há um bom tempo – e quando digo um bom tempo, é muito tempo mesmo – que li a sinopse desse filme num post da minha cara amiga gaúcha Ana Seerig. Desde então, pensei “Que fabuloso, quero ver esse filme!”. Adicionei-o, então, à lista de “Quero ver” da minha conta do Filmow. Porém, não sei por que, demorei esse tempo todo pra ver. Na verdade, sou meio hiperativa, sendo custoso me fazer ficar parada por mais de uma hora assistindo a um filme. O filme tem que ser muito bom para que eu consiga ficar quieta, totalmente mergulhada nas cenas da película. E, caramba, Poder Além da Vida conseguiu me fisgar! É um filme dramático, mas com uma porção exata de comicidade e fantasia – elementos esses que só tornaram o filme ainda mais envolvente. Aliás, é um filme meio que autobiográfico. Isso colaborou para que eu me encantasse mais ainda com a história!
Poder Além da Vida, sobretudo, nos faz pensar e refletir sobre vários aspectos da vida. É um filme que nos convida a uma reflexão profunda sobre nós mesmos e sobre os outros. Dan Millman é um grande cara da ginástica, com chances reais de conseguir chegar às Olimpíadas. Isso é ótimo, certo? Certo, de fato é algo ótimo. A vida de Dan é aparentemente perfeita em todos os aspectos. Até que... Dan sofre um acidente e os médicos consideram improvável que ele volte ao esporte. Dan fica inconsolável, obviamente. Coisa que eu entendo e pude sentir perfeitamente por ser atleta e não conseguir me imaginar longe dos treinos e das competições de natação. Depois disso, a vida de Dan decai de um modo deplorável. Ele não pode mais treinar, consequentemente ninguém mais o paparica como uma promessa olímpica. E eis então que Sócrates passa a ter um importante papel na vida de Dan. Dessa maneira, ao longo do filme, podemos questionar, juntamente com o protagonista e o seu mestre Sócrates, a suposta vida perfeita que Dan tinha. Sócrates é uma figura misteriosa e fantástica que surge na vida de Dan com a finalidade de incomodá-lo. E quando falo incomodar, me refiro a um sentido bom dessa palavra. Há algo de bom no ato de incomodar?, vocês me perguntam. Sim, respondo-lhes. Imaginem que vocês vivem as suas vidas, mas não sabem por que vivem o que vivem, não sabem qual o sentido de realizarem as atividades que fazem diariamente, muito menos sabem quem são. Agora, visualizem alguém entrando em suas vidas e lhes direcionando, por meio de vários ensinamentos e exercícios, a enxergarem a si mesmos e o mundo em que vivem. Porque enxergar é diferente de ver. Nós vemos várias coisas e pessoas todos os dias, mas será que as vemos, de verdade? Será que enxergamos essa gama de coisas, pessoas e situações? Especialmente, será que nos enxergamos? Vocês sabem quem são? Vocês sabem o que lhes despertam amores e horrores? Qual é a razão da suas existências? Vocês já se perguntaram isso? Vale tudo na vida? O que vale na vida? O que importa para vocês? 
São inúmeros os questionamentos que podemos fazer com bases nos diálogos de Dan e Sócrates. A vida tem a ver com amor. Viver tem a ver com aproveitar cada momento. Viver, também, tem a ver com dar um passo de cada vez. Não adianta devanear e criar mil e uma possibilidades para momentos futuros. O futuro não nos pertence. O que temos é o agora, é o já. O nosso lugar é no aqui, nossa hora é agora e somos esse momento, como Dan bem diz numa das cenas mais marcantes do filme.
O roteiro é baseado no livro semi-autobiográfico O caminho do guerreiro pacífico, de Dan Millman. Dan é um ex-ginasta e escritor norte-americano que segue um estilo de escrita que se encaixa numa autoajuda mística. O enredo desse filme é primoroso e altamente filosófico, fator que me cativou ainda mais. Gostei bastante da atuação de Scott Mechlowicz e Nick Nolte. Fiquei muito satisfeita com a evolução de Dan e me apaixonei pela sabedoria de Sócrates.
De modo algum é um filme somente sobre esportes. O esporte, nesse filme, é apenas o pano de fundo para a abordagem de várias questões existenciais. Recomendo a todos, sobretudo para àqueles que se deleitam em roteiros reflexivos e filosóficos.
Se assistirem, não se esqueçam de me mandar um recado dizendo o que acharam de Poder Além da Vida.

Vejam o trailer:


• • •
Por hoje, é só, pessoal! Esse é o caminho para seguirem a fan page do blog. Se quiserem curtir a fan page em que publico as minhas vivências como nadadora paralímpica, cliquem aqui. Um abraço da @ericona. Hasta la vista!

08/04/15

Filme: O Jardim das Palavras


Título: O Jardim das Palavras
Ano: 2013
Direção: Makoto Shinkai
Duração: 46 minutos
Classificação: Não recomendado para menores de 10 anos
Gênero: Animação; Drama; Romance
País de Origem: Japão
Sinopse: Takao, que está treinando para ser sapateiro, matou aula e está desenhando sapatos em um jardim Japonês. Ele conhece uma misteriosa mulher, Yukino, que é mais velha do que ele. Então, sem marcar os horários, os dois começam a se ver periodicamente, mas somente em dias chuvosos. Eles aprofundam sua relação e se abrem um para o outro, mas o fim da temporada de chuva logo se aproxima…

Kotonoha no Niwa em japonês, The Garden of Words em inglês, O Jardim das Palavras em português e sinônimo de singeleza, sutileza e beleza em todos os idiomas. Cara criatura que me lê nesse momento, quero te fazer uma pergunta: você já assistiu a algo que te encantou sem fazer quase nenhum esforço, que fez cócegas em seu coração com somente um gesto ou uma palavra? Assim é O Jardim das Palavras. Produzido pela CoMix Wave Films em 2013, escrito e dirigido por Makoto Shinkai, O Jardim das Palavras é um filme nos moldes de anime que encanta pela simplicidade e pelos elementos reflexivos implícitos em cada cena. 


Takao é um rapaz de quinze anos que sonha em ser designer de sapatos. É um moço muito responsável, trabalha, estuda e ainda dá conta de cuidar da casa, já que vive em um ambiente desestruturado no qual cada indivíduo parece viver a sua própria vida sem se importar muito com a dos outros. Quando chove, Takao mata aula para praticar o seu dom de desenhar sapatos no parque nacional Shinjuku Gyoen. É a sua terapia. É a forma como ele para, senta e se põe a desenhar, seja para aprimorar a sua habilidade na arte de criar modelos de sapatos, seja para desanuviar a mente. Yukino é uma mulher de vinte e sete anos que passou por momentos ruins no passado e, por essa razão, desenvolveu uma melancolia profunda e não conseguia sair da inércia, lidar e superar os problemas.Yukino também fazia do parque Shinjuku Gyoen a sua sala de terapia.


Takao e Yukino se encontravam nas manhãs chuvosas. Ele, com seu caderno e lápis, desenhando seus sapatos. Ela, com as suas cervejas e seus chocolates. Pouco a pouco, surgiu uma relação bonita, baseada muito mais nas entrelinhas do que nos diálogos propriamente ditos. Takao contou da sua vontade de se tornar um designer de sapatos e um pouco de si mesmo. Yukino não falava muito através de palavras, mas Takao sentia a sua essência e era capaz de captar as suas emoções. Ambos precisavam aprender a andar melhor. Os dois ansiavam superar os seus problemas, angústias e sofrimentos. 


De uma maneira sutil, singela e pura, os dois cuidavam um do outro a cada encontro matutino. A chuva representava suas dores e seus desalentos. Sem perceber, um se tornou o terapeuta do outro. Em alguns momentos, os gestos eram suficientes. Palavras eram desnecessárias diante dos olhares acolhedores e das ações transbordantes de carinho e cuidado.


Takao auxiliou Yukino a sair do poço frio e sombrio no qual havia caído, ao passo que Yukino incentivou Takao, direta ou indiretamente, a acreditar em si mesmo e em seus objetivos. O Jardim das Palavras é um animação belíssima que trata de um amor imediatamente impossível, mas que deixa no ar a possibilidade num futuro não tão distante. Sobretudo, a mensagem principal é acerca da superação de medos e traumas. Esse belo anime diz respeito ao amor que cada um pode dar para auxiliar a mudança de uma vida, na medida em que outrem consegue nos ajudar a modificar a nossa positivamente.


A explosão de sentimentos e pensamentos fecha bem essa película de 46 minutos, na qual as palavras nem sempre são usadas, mas são sentidas e quase ditas em cada ato e olhar. É um anime tão bom, tão gostoso e envolvente, que eu juro que não senti a passagem dos 46 minutos. Pensei até que só havia assistido a uns 10 minutos de filme quando notei que ele já tinha acabado. A arte toda é tão bem feita. Ver cada cena é um deleite para os olhos. Os desenhos bem elaborados em cada detalhe é de arrancar suspiros e aplausos. A trilha sonora também é outro ponto forte desse anime. O conjunto de imagem e som é capaz de cativar o espectador com facilidade.
Há algum ponto negativo ou algo que me desagradou? Sim, só uma coisinha, mas não dá para revelar que coisa é essa sem contar um pouco da estória. Direi que desaprovei um ato de Takao, ainda que seus sentimentos expliquem a razão que o impulsionaram a tomar uma atitude reprovável, mas que, mesmo assim, considero injustificável. 
Segundo a Wikipédia, ainda em 2013, no ano de lançamento do filme, O Jardim das Palavras também virou mangá com ilustrações de Midori Motohashi e romance pelo próprio Shinkai.
Para finalizar, indico esse O Jardim das Palavras a quem se interessa por singelezas, entrelinhas, poesias, sutilezas e amor. É um filme para quem não tem medo de mergulhar na vastidão dos sentimentos e que se deixa tocar pela arte.

Trailer:


Trilha sonora:


A sinopse e outros dados da ficha técnica foram retirados do site Filmow. Todas as imagens contidas nessa postagem foram retiradas do Google. Caso alguma seja de sua autoria, favor entrar em contato comigo através do e-mail sacudindopalavras@live.com, que não hesitarei nem por um só momento em dar-lhe os devidos créditos. 
Não consegui incorporar aqui à postagem o vídeo no qual o trailer era legendado em português brasileiro. No entanto, tenho uma ótima notícia! Se quiser assistir O Jardim das Palavras online, ele está disponível aqui. Bom proveito, caro(a) leitor(a)!

Erica Ferro

• • •
Convite especial: esse é o link da fan page do blog e esse é o do Twitter do blog. Sinta-se à vontade para curtir e seguir as novidades, atualizações e tudo o mais que posto nas redes sociais do Sacudindo Palavras.
Um abraço da @ericona.
Hasta la vista!

09/03/15

Pelo direito de ser quem se é!

Muitos podem achar que ser deficiente é algo sofrido, difícil, triste e sombrio. Na verdade, ser deficiente não é o problema. Pelo menos eu, pessoa com deficiência, não vejo a minha deficiência como um problema. O problema é a falta de acessibilidade – que vai bem além de calçadas e rampas. E de conhecimento por parte dos não deficientes, claro.
Duas coisas que facilitariam bastante a vida das pessoas com deficiência: acessibilidade e o debate constante e maciço sobre o tema deficiência. Porque, veja bem, se as pessoas com deficiência tivessem assegurado o seu direito de ir e vir, bem como oportunidades de desenvolverem e aplicarem suas habilidades, seja no meio escolar/acadêmico e/ou no mercado de trabalho, muitos dos constrangimentos e lutas judiciais não precisariam existir.
Dia desses eu tive o desprazer de ler uma matéria a respeito da falta de acessibilidade enfrentada por umadvogado cadeirante num fórum de São Francisco de Paula/RS. O que mais me chocou não foi só a falta de acessibilidade, mas sim o que o magistrado disse para o cliente do advogado: “Por que tu não botou um outro advogado? Sabia que ia ser assim.”. Tocante isso, não? Quer dizer que não evoluímos nada ao longo desses anos? Quer dizer que a sociedade continua pensando pequeno em relação à causa das pessoas com deficiência? Quer dizer que nós, porque temos uma deficiência, devemos ficar em casa, sem estudar ou trabalhar porque, aparentemente, a sociedade acha mais fácil e prático nos excluir do que investir em acessibilidade para que todos, sem exceção, possam ser livres para viver e executar as suas atividades com plenitude? Eita sociedade caduca! Será que esse quadro um dia vai mudar? Ou a nossa luta se resumirá a dar murro em ponta de faca? Oh, não! God não permita!
Bem, bem, depois do momento desabafo, porque não, eu não consigo falar acerca de deficiência sem “soltar os cachorros”, nem que seja só um pouquinho. Eu tento não me estressar com todos os absurdos que eu vejo envolvendo a pessoa com deficiência, mas é impossível, já que não me estressar seria aceitar e me acomodar em relação ao descaso e a falta de respeito que nós, deficientes, encaramos todos os dias. No entanto, em contrapartida, há uma gente linda e boa que luta todos os dias para que deficientes sejam vistos como verdadeiramente são: humanos. Gente bela que mostra por meio de poesia, literatura e arte que todos somos diferentes, mas que as nossas diferenças podem conviver lado a lado e, juntas, formarem uma bonita diversidade.
Eu vi uma animação linda-de-viver chamada “Por que Heloísa?”. Segundo as minhas pesquisas, a animação é a continuação de um livro homônimo, escrito por Cristiana Soares. O roteiro é de Cristiana e Carolina Ziskind e as ilustrações são de Ari Nicolosi. O curta é uma realização em parceria entre Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo e a TV Cultura. Se quiser saber mais, é só clicar aqui e conhecer melhor esse trabalho.



É um curta com uma dose de poesia que diz mais ou menos o seguinte: “Olha, as pessoas com deficiência não são de outro mundo. Você não precisa ter medo delas. Você precisa conhecê-las e, junto com elas, lutar para que cada vez mais todos tenhamos o direito de ser quem somos, fazer o que nos apraz e andar por onde quisermos andar, seja com as pernas, com próteses ou sobre rodas.”. E essa é a mensagem que eu queria deixar aqui hoje. Espero que você, leitor, assista essa animação, absorva os seus ensinamentos e possa praticar no seu dia-a-dia. O mundo só mudará se mudarmos a nós mesmos primeiro.

Eis a animação:



• • •
Clique aqui para curtir a fan page do blog e aqui para seguir no Twitter.
Um abraço da @ericona.
Hasta la vista!

23/01/15

Documentário: Criança, a alma do negócio

Título: Criança, a alma do negócio
Ano produção: 2008
Direção: Estela Renner
Estreia: 1 de Janeiro de 2008 (Brasil)  
Duração: 49 minutos
Gênero: Documentário
Países de origem: Brasil
Sinopse: Por que meu filho sempre me pede um brinquedo novo? Por que minha filha quer mais uma boneca se ela já tem uma caixa cheia de bonecas? Por que meu filho acha que precisa de mais um tênis? Por que eu comprei maquiagem para minha filha se ela só tem cinco anos? Por que meu filho sofre tanto se ele não tem o último modelo de um celular? Por que eu não consigo dizer não? Ele pede, eu compro e mesmo assim meu filho sempre quer mais. De onde vem este desejo constante de consumo?
Este documentário reflete sobre estas questões e mostra como no Brasil a criança se tornou a alma do negócio para a publicidade. A indústria descobriu que é mais fácil convencer uma criança do que um adulto, então, as crianças são bombardeadas por propagandas que estimulam o consumo e que falam diretamente com elas. O resultado disso é devastador: crianças que, aos cinco anos, já vão à escola totalmente maquiadas e deixaram de brincar de correr por causa de seus saltos altos; que sabem as marcas de todos os celulares mas não sabem o que é uma minhoca; que reconhecem as marcas de todos os salgadinhos mas não sabem os nomes de frutas e legumes. Num jogo desigual e desumano, os anunciantes ficam com o lucro enquanto as crianças arcam com o prejuízo de sua infância encurtada. Contundente, ousado e real este documentário escancara a perplexidade deste cenário, convidando você a refletir sobre seu papel dentro dele e sobre o futuro da infância.


A publicidade infantil é cruel, inicio o texto dessa forma porque é com essa reação que você termina de ver o documentário Criança, a alma do negócio. É cruel e aproveitadora. Segundo o IBGE, a criança brasileira é a que mais assiste TV no mundo. Ela passa em torno de cinco horas vidrada na televisão. Em resposta, as crianças confirmam que gostam mais de assistir TV do que brincar. O que é um problema, porque, como bem disse um jornalista num ponto do documentário, “a TV amolece o músculo da imaginação”, ao passo que expõe algo já mastigado, algo já pronto, em vez de dar a oportunidade para que a imaginação e o senso crítico sejam exercitados. O principal canal das propagandas é a TV e, dessa forma, crianças de todas as classes sociais têm acesso e são afetadas por esse tipo de abordagem. Preocupante, obviamente, pois algumas delas começam a sonhar e almejar algo que, além de não ser útil e proveitoso, está fora do orçamento de seus pais, o que as deixam frustradas e tristes.
Quão assustador é ver meninas de quatro, cinco anos querendo se maquiar de maneira similar a moça da novela ou a menina do comercial? Caramba, é uma menininha de quatro anos, quase um bebê querendo usar maquiagem! E quando meninas de sete, oito anos querem usar salto alto para se sentirem mais altas do que são? E por que querem se sentir mais altas do que são? Porque a mídia diz que as meninas/mulheres poderosas são altas ou, se não são, usam salto alto. Provavelmente isso.
A publicidade voltada para crianças é bem apelativa, não diferentes das outras, infelizmente. No entanto, estamos falando de publicidade para crianças. Se uma criança vê na TV que se ela usar um sapato de tal jeito, vai ser mais descolada, mais legal e até mais feliz, com certeza pedirá aos seus pais que lhe compre o danado do sapato. Pedirá, ainda mais, se uma outra criança amiga dela tiver o tal sapato, porque significará que a outra criança é mais descolada e poderosa do que ela. Foi a TV que mostrou, ela bem se lembrará. Ela não vai querer ficar fora da moda, vai? Óbvio que não. E desata a desejar consumir mais e mais.
No documentário, o advogado, jornalista e professor universitário Clóvis de Barros Filho relembra que, tempos atrás, o que fazia uma criança se enturmar em algum grupo era a sua capacidade de jogar bem algum tipo de jogo, seja bola, queimado, etc; mas, agora, na realidade em que vivemos, o que faz uma criança ser inserida num grupo mais facilmente é ela ter determinado brinquedo, vestir e calçar determinada marca. Ou seja, o lance agora é ostentar.
Um dado preocupante é o grande número, que continua a crescer, de crianças que cada vez mais perdem a infância em decorrência da descoberta das novas tecnologias e do consumo desenfreado motivado pela publicidade infantil.
Muitas meninas, por exemplo, vão à escola – ou a qualquer lugar – usando maquiagem, salto alto, entre outros adereços que, normalmente, só se usa na idade adulta. Por qual motivo? Porque viu num comercial de marca X um salto alto bonito, igual ao da atriz X, que, por usar tal salto, é poderosa e incrível, diz a propaganda. A menina quer ser igual, quer ser poderosa igual a tal moça da moda. A publicidade usa de apelação e mais apelação.
No documentário, uma pedagoga fala justamente da proibição frequente do uso de saltos que tem de ser feita na escola em que ela trabalha porque as meninas não conseguem correr de salto; e, se conseguem e chegarem a cair, correm o risco de se machucarem além da conta por causa do salto. Uma menininha conta toda orgulhosa os seus trinta e três pares de sapatos. Antes, ela frisa que adora um deles porque a faz parecer mais alta.
A verdade é que na maioria das vezes os pais fazem mais do que podem pelos filhos, estouram seus orçamentos e satisfazem as vontades de seus pupilos, lhes comprando algo caríssimo, com os quais os pequenos brincam por menos de uma semana e depois deixam na reserva, abandonado. E óbvio que vão pedir outro brinquedo ou outra coisa pra suprir... O quê? O desejo consumista?
Uma mãe fala algo bastante interessante sobre o comportamento dos pais em relação aos efeitos da publicidade infantil, algo como “Para suprir a nossa ausência na vida deles, já que muitos de nós vive em função do trabalho, de dar uma vida legal pra eles, e também para nos vermos livres dos muitos pedidos lamuriosos dos filhos, passamos a dar tudo o que as crianças desejam.”, ideia que uma psicanalista rebateu dizendo que não é bem assim que os pais devem agir. Ela ressalta que o desenvolvimento de uma criança se dá justamente quando ela tende lidar com a frustração, com a palavra ‘não’, com o ‘não pode’ e o ‘não dá’.
É chocante visualizar crianças que sabem o nome de várias marcas e produtos, mas não sabem o nome de frutas e legumes porque só consomem coisas industrializadas, pré-fabricadas. É chocante e triste.
De quem é a culpa? Dos pais? Dos publicitários que ferem a ética apelando desse jeito para com crianças que não têm senso crítico pra discernir se aquilo que lhe é mostrado é algo útil e se ela realmente necessita daquilo? Dos governantes que, na maioria das vezes, deixam passar batido esse tipo de coisa que fazem os publicitários, porque, de uma maneira ou outra, isso gera bastante dinheiro? Dos homens da lei que não proíbem esse tipo de propaganda escancarada e reconhecidamente prejudicial às crianças? Porque redigir leis é fácil. Quero ver é fazê-las serem cumpridas. Aí, sim, eu quero ver! A quem interessa de que leis que ferem a ética e ludibriem crianças não sejam cumpridas? Pensemos um pouco. Respondam para si mesmos. 
Podemos deixar isso assim? Claro que não. Eu, você e todo mundo precisa incomodar. Precisamos desconstruir esse monstro do consumismo doentio e desenfreado que cresceu nos últimos tempos. É difícil, é, ainda mas por ser algo que é alimentado todos os dias por diversos meios, especialmente os televisivos. Difícil, mas não impossível. Não se muda o mundo num segundo. É tudo um processo lento e árduo, É que, realmente, não vejo perspectiva num mundo no qual crianças têm a sua infância encurtadas ou perdidas. Eu não vejo perspectiva num mundo no qual uma menina, por volta dos seus doze anos, diz que necessita sempre carregar uma base e um batom na bolsa, além da importância que ela vê em assistir desfiles de moda, para ver como se portar e se vestir, porque, segundo ela, é muito importante estar bonita e bem vestida. Nota-se uma hipersexualização das crianças, quando o esperado era que todas essas crianças agissem como tal, correndo e brincando por aí. Mas não: elas estão se preocupando com a roupa que vão vestir, com o sapato que vão usar, com o brinquedo que precisam comprar para ficar dentro da moda, a fim de não ser rechaçadas.
A culpa não é só da publicidade. A culpa não é só dos pais. A culpa não é só do governo. E, de forma alguma, a culpa é da criança. A criança, aqui, é a real vítima. Os pais devem fazer o seu papel, o governo idem e o pessoal da publicidade precisa se questionar até que ponto é válido chegar para vender os seus produtos e alcançar os seus intentos. Ferir a ética e desrespeitar as crianças, na minha visão, extrapola o ponto que eu considero saudável e digno.
O documentário, como diz na sinopse, é cru e escancara a realidade sem meias palavras ou reservas. Essencial para impactar e causar reflexões acerca dos maléficos causados pelas publicidades abusivas. Indicado especialmente para educadores e pais, para que tomem conhecimento do problema e saibam trabalhar o assunto de uma maneira mais didática e acessível aos pequenos. Criança, a alma do negócio também é uma produção de Maria Farinha Filmes, a mesma que produziu o documentário Muito além do peso, que também já vi e escrevi sobre ele aqui no blog.

O documentário completo pode ser visto pelo próprio canal Maria Farinha Filmes. Ei-lo:



• • •
Curtam a fan page do blog e sigam também no Twitter.
Um abraço da @ericona.
Hasta la vista!

28/12/14

Filme: Memento / Amnésia


Título: Memento (Original) / Amnésia (Brasil)
Ano de produção: 2000
Direção: Christopher Nolan
Estreia mundial: 5 de Setembro de 2000
Estreia no Brasil: 31 de Agosto de 2001 Duração: 113 minutos
Classificação: 16 - Não recomendado para menores de 16 anos
Gênero: Mistério, suspense
País de origem: Estados Unidos
Sinopse: Após um assalto que resultou na morte de sua esposa e que o deixou em estado gravíssimo, Leonard Shelby (Guy Pearce) passa a sofrer de amnésia recente. Ele não consegue se lembrar de fatos que aconteceram há 15 minutos. Mesmo assim ele decide ir atrás do assassino de sua mulher e se vingar.



Memento, título original, ou Amnésia, título usado aqui no Brasil, é um filme norte-americano de 2000, dirigido por Christopher Nolan, e o seu roteiro é baseado no conto "Memento Mori", escrito por Jonathan Nolan, irmão do diretor da película. Quando me indicaram o filme, contaram da estrutura dele e me pediram pra vê-lo com muita atenção. Percebi o porquê quando comecei a ver o filme. A estória é contada de trás para frente. E é preciso praticamente grudar os olhos na tela e afiar os ouvidos para não deixar passar nenhum detalhe, porque tal detalhe pode fazer toda a diferença para o entendimento da estória, que é intrigante e bastante intricada. 




As cenas se alternam entre as em preto e branco, que são sequências em ordem cronológica, e as coloridas, que são sobre a investigação de Leonard Shelby, mas são mostradas na ordem inversa. Esse formato de contar uma estória gera uma confusão no espectador, ao mesmo tempo que consegue prendê-lo de uma forma quase mágica. Não se sabe o que culminou na cena que está sendo apresentada e, então, gruda-se os olhos na tela para saber o que vem a seguir, na esperança de que consiga explicar a cena que se passou (e explica!). É algo incrível, e diria até que genial.




Leonard Shelby (Guy Pearce), certa feita, acorda-se no meio da noite e sente falta da sua esposa ao lado cama, então vai procurá-la. Para o espanto e terror dele, a encontra sendo violentada e estrangulada no banheiro por um homem encapuzado. Leonard inicia um luta contra o bandido e acaba levando um grande golpe na cabeça pelo que parece ter sido dado por um segundo bandido. Leonard vê a sua esposa morrer e, ao mesmo tempo, adquire um problema sério: amnésia anterógrada, que, em síntese, é a incapacidade de memorizar fatos posteriores ao trauma. Leonard só consegue recordar da sua vida antes do incidente, mas não consegue gravar nada do que ocorreu e ocorre depois dele.
Os dizeres "Remember Sammy Jankis" estavam tatuados na mão esquerda de Leonard Shelby. 




Quem foi Sammy Jankis? Foi um dos casos investigados por Leonard enquanto investigador de seguros, atividade profissional exercida antes do acidente. Sammy Jankis e sua esposa sofreram um acidente de carro, que causou amnésia anterógrada em Sammy. A esposa de Sammy, vendo que as contas médicas se acumulavam e Sammy não melhorava, procurou o seguro. Leonard foi o encarregado a se certificar da veracidade do caso. Após testes que mostraram que Sammy não era mais capaz de memorizar, nem por instintos, novos acontecimentos, Leonard conclui que Sammy sofria de um problema mental, não físico, e o seguro não lhe cobriu a doença. Leonard acreditava que, se Sammy fosse tão organizado e metódico quanto ele próprio se tornou depois da amnésia anterógrada, teria conseguido absorver memórias novas, ao menos por meio de fotografias e anotações (aliás, Leonard registrava coisas até em forma de tatuagens, a fim de que não fossem apagadas ou perdidas).




Um dos personagens principais, depois de Leonard, é claro, chama-se Teddy Gammell (Joe Pantoliano). Ele se apresenta como amigo de Leonard, e auxilia Leonard em sua investigação, para que ele possa encontrar os homens que violentaram a sua esposa e, assim, possa vingá-la. Como Leonard não se recorda disso, não sabe se acredita nele; por essa razão, o espectador também não consegue confiar ou desconfiar totalmente de Teddy.




Confesso que alternei entre acreditar e desacreditar de Teddy. Ele me pareceu sacana desde o começo do filme, mas não de ser culpado de algum crime. No máximo, achei que ele tirava proveito de algumas situações.
Há também outra personagem muito importante na película: Natalie (Carrie-Anne Moss). Essa daí também me causou diversas impressões: sedutora, manipuladora e perigosa.




Na minha concepção, tanto Teddy quanto Natalie usavam o meu querido Leonard (sim, em alguns momentos quis abraçar Leonard e lhe dizer que iria ficar tudo bem - sou louca sim ou claro?).
A trama se desenrola de uma maneira rápida e cumpre bem o seu papel: bagunçar o cérebro do espectador, o fazendo cogitar mil e uma possibilidades não só para o início, desenrolar e o final do filme, como também explora de modo magistral o psicológico de seus personagens, em especial de Leonard Shelby. O roteiro é muito bem escrito, as tiradas dele são geniais e extremamente reflexivas. Foi um dos filmes mais inquietantes que eu já vi. A estória em si é pesada, mas se vê no filme elementos como o humor e a ironia, que conseguem quebrar um pouco a atmosfera carregada da trama.




Sobre os personagens: alternei entre gosto/desgosto em relação aos personagens Teddy e Natalie ao longo do filme. Quanto a Leonard, me encantei por ele desde o primeiro momento de filme. Forte, destemido e insaciável por justiça. Ainda que com suas limitações de memória, fazia o máximo para registrar o desenrolar de sua investigação. Compadeci-me de sua estória e me entristeci ao ver que a sua vida se resumia em uma busca frenética por vingança - o desejo por vingar o que fizeram à sua esposa era a única coisa que o mantinha vivo.
Concernente à trilha sonora: figuram David Bowie e Radiohead nela. Ou seja... É pra lá de ótima!




Fazendo um apanhado geral, é um filme espetacular e que eu adorei assistir. O final é muito surpreendente e desconcertante, diferente de tudo que eu imaginei e que suponho que os espectadores imaginam. Li alguns comentários em fóruns sobre o filme e uma parte que assistiu o filme não entendeu o final. Alguns, admitiram que não entenderam quase nada do filme. E aí é que está: não se pode ver um filme tão complexo quanto esse sem prestar bastante atenção em cada detalhe. Não é um filme que você assiste batendo papo com os amigos. É um filme que se assiste calado, vidrado na tela.




O final não é complicado de se entender, ao meu ver, e não é decepcionante. Na realidade, é questão de analisar toda a trama e interpretar, buscar o sentido de cada ato e visualizar tais atos como um todo que justifique a estória. Concluí que as minhas suspeitas de que Leonard estava sendo usado eram verdadeiras. À sua maneira, ele deu um jeito de acabar com esse abuso que vinha sofrendo. E, caramba, as tiradas do final do filme são fantásticas. Faz-nos pensar em muitas, mas muitas coisas sobre essa tresloucada vida.
Segundo a página referente ao filme no site Wikipédia, Memento foi, e é, um filme bastante aclamado pelos espectadores, pela crítica e até mesmo por médicos especialistas em amnésia anterógrada, que afirmaram que Memento foi o filme que melhor retratou esse tipo de problema de memória. Ganhou vários prêmios, inclusive indicações ao Oscar nas categorias de Melhor Roteiro Original (Christopher Nolan e Jonathan Nolan) e Melhor Edição (Dody Dorn).
A parceira dos irmãos Nolan é esplêndida e muito capaz de arrebatar a admiração dos que conhecem as suas obras. A mim, pelo menos, os Nolan conseguiram conquistar. Certamente, irei assistir a outros filmes dirigidos e escritos pelos Nolan.
Fica aqui a minha recomendação para quem gosta de filmes dramáticos, policiais e thrillers. É um baita filme! 

• • •

* As imagens foram extraídas do Google e não encontrei créditos nelas. 
Qualquer problema quanto a isso, é só enviar um e-mail
 para sacudindopalavras@live.com, solicitando os créditos. 

• • •
Curta o Sacudindo Palavras no Facebook e siga também no Twitter.
Um abraço da @ericona.
Hasta la vista!