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02/07/17

Tirando as teias de aranha desse cantinho

E aí, povo bonito! Okay, não sei por que eu ainda acho que alguém passa por esse blog, afinal ele não é atualizado há meses. Acho que eu nunca passei tanto tempo sem postar como passei dessa vez. Não houve nenhum motivo específico. Na verdade, uma mescla de motivos que eu não consigo identificar bem. Os maiores e mais preocupantes: falta de tempo, incapacidade de escrever e a desgraçada da preguiça. Não tenho conseguido traduzir em palavras os meus pensamentos, imaginações e/ou sentimentos. É triste. Tenho saudade da época em que eu conseguia escrever o que me alegrava, o que me doía, o que me revoltava, o que me incomodava - e aí eu ficava mais leve e mais livre do que, de alguma forma, me consumia. Por isso, cá estou novamente, tentando escrever algo que faça sentido, especialmente pra mim.

Coisas lindas aconteceram de janeiro até aqui. Aliás, até antes disso, em 2016, aconteceram coisas maravilhosas, muito dignas de registro nesse cantinho, como, por exemplo, a minha ida ao Rio de Janeiro, pra assistir os Jogos Paralímpicos (presente do meu anjo loiro Porchat). Eu deixei de postar sobre isso aqui e o momento passou (mas, se houver alguém lendo esse post e quiser ver as fotos e um pouco do que eu senti naqueles dias, é só clicar no hiperlink anterior, que encaminhará para um álbum do meu perfil no Facebook). Foram momentos tão incríveis! Por que eu não escrevi sobre isso aqui? Creio que eu fiquei tão deslumbrada, tão anestesiada de alegria e de plenitude, que eu passei dias e meses digerindo tudo que eu vivi. Ainda hoje posso recordar das sensações que eu tive em cada dia em que eu fui assistir os jogos. Ainda posso sentir a emoção inenarrável que eu senti no encerramento dos Jogos, em meio a um monte de gente, no Maracanã. Foi indescritível!

Já em 2017, mais precisamente em abril, nadei o Norte/Nordeste de Natação Paralímpica, fase regional do Circuito Loterias Caixa, em Recife. E, então, ganhei outro presente maravilhoso do meu anjo loiro, o melhor presente que ele poderia me dar: uma prótese maravilhosa, que revolucionou a minha qualidade de vida. Hoje consigo andar muito melhor e sem tantas dores na lombar e na perna direita. De Recife mesmo, com as medalhas do regional na mala, viajei para Campinas/SP, pra fazer a minha prótese num dos melhores lugares que produzem órteses e próteses aqui no Brasil: o Instituto de Prótese e Órtese - IPO. Foram necessários apenas cinco dias pra que eu tirasse o molde, provasse a prótese e saísse de lá andando com ela. Foi demais! Gratidão e extremo contentamento definem o que eu senti ao obter o meu pé de fibra de carbono! E ainda no segundo dia de viagem em Campinas, escapuli pra capital, pra ver ao vivo o programa do Porchat! Foi tããão massa! Adooorei! 

No final de maio, finalizei um dos dois estágios obrigatórios do curso de Biblioteconomia. Eu nem acredito que estou na reta final da minha primeira graduação! 
E, mais recentemente, na segunda semana de junho, nadei o VIII Jogos Aquáticos do Ceará. Foi bem massa. Adoro nadar em Fortaleza. Amo os meus amigos cearenses que a natação me deu. Um bônus bacana: na volta dessa competição, ainda fiz conexão em Recife e pude conversar um bocadinho com a minha amiga das antigas, que já foi blogueira e agora é YouTuber literária, Tailany Costa.

Como vocês puderam ler, não faltaram momentos inspiradores nesses últimos meses da minha vida. Eu só não consegui traduzir em palavras, como antigamente fazia. No entanto, eu sou brasileira, teimosa pra cacilda e não desisto nunca: vou voltar a escrever e a insistir nessa terapia que tanto já me fez bem e que com certeza continuará me fazendo muitíssimo bem.

Sinto que o próximo post desse blog não vai demorar a ser publicado. Amém, irmãos? Amém!

Um abraço da @ericona,
Hasta!

20/03/16

O poder transformador do amor

Faz um mês que não venho aqui. Tanta coisa aconteceu. Coisas bonitas. Coisas não tão bonitas assim. Mas tudo, exatamente tudo, foi importante para o meu crescimento e autoconhecimento. Nas últimas semanas, participei de duas competições muito bacanas: a fase Norte/Nordeste de Natação Paralímpica do Circuito Brasil CAIXA Loterias, em Recife/PE, e a primeira etapa da Copa Hammerhead de Maratona Aquática, em Natal/RN. No Norte/Nordeste, que aconteceu nos dias 5 e 6 de março, conquistei seis ouros e muitos aprendizados, bem como superações pessoais inenarráveis.
No sábado, 12 de março, dia do Bibliotecário (minha futura formação!), tive o prazer de nadar a primeira etapa da Copa Hammerhead. Foi uma prova cansativa, mas muito tranquila. Quem me conhece, sabe que eu morria de medo de mar. Eu sequer conseguia molhar as canelas numa praia sem querer sair correndo de volta pra areia. Rolava um medo bem enorme mesmo. E hoje conseguir entrar no mar, tranquila, ficando sozinha em alguns trechos e continuar tranquila, nadando, braçada a braçada, curtindo cada segundo ali dentro, é algo impagável. Superar os medos é algo que extremamente maravilhoso e indescritível. Ganhei uma medalha finisher lindíssima e um troféu ainda mais lindo! Espero que o primeiro de muitos! 


Porém, o que eu quero compartilhar aqui hoje, até mais do que contar sobre minhas conquistas na natação, diz respeito a alguns pensamentos que vêm caminhando junto comigo nos últimos anos e que só têm me feito bem.
Quero falar sobre o amor. O amor em sua forma mais genuína e completa. Quero falar do poder do amor em minha vida. Quero falar do bem, da força imensurável que o bem tem de nos transformar em pessoas melhores. Quando nós adicionamos amor em nós mesmos, em nossas vidas e ao nosso redor, as coisas mudam pra melhor. Simples, isso. Tão clichê. Por que nos esquecemos disso? Por que nos é tão difícil cultivar pensamentos de amor? O mundo está cada vez mais cheio de ódio, de intolerância, de pessoas cheias de negatividade, que precisam de ajuda, que precisam se libertar de toda essa carga energética nociva. Tantas pessoas com corações repletos de ódio, que não conseguem se perdoar, que não conseguem seguir em frente, com a mente e o coração em paz. Quando praticamos o perdão, de coração puro e em verdade, nos libertamos e libertamos o outro. E, assim, cada um seguirá o seu destino e poderá dar continuidade a sua existência com maior fluidez e paz. Os pensamentos e sentimentos ruins nos atraem elementos negativos, que só nos atrasam, que fazem com que nossa vida se paralise, e assim travamos, passamos a ver o mundo por meio de uma lente embaçada e só conseguimos ver o mundo com olhos tristes, de desamor e desespero. Nenhum desses sentimentos nos levará a bons lugares. Não somos santos nem nunca conseguiremos ser, mas precisamos nos policiar para que nosso corpo seja morada de bons sentimentos e que nossas atitudes reflitam honestamente o que há em nós. Que o bem ande coladinho a nós. Que o amor nos contagie da cabeça aos pés. Que a paz esteja conosco. Que o perdão não seja algo tão difícil de dar e se dar. Que façamos o bem, com amor, e sem esperar nada em troca. Porque a caridade deve ser praticada pelo prazer de ajudar, pelo bem-estar de auxiliar alguém a encontrar um caminho melhor, mais florido e pacífico. Que nos permitamos ao menos ser fagulhas de paz, de amor e de esperança nesse mundo tão carente de sentimentos benignos.


Só o amor transforma. Só o amor cura. Só o amor liberta. Só o amor pode nos ajudar a superar e a vencer todas as barreiras dessa vida. A força do amor é tremenda e, diante dessa força inigualável, mal algum sobrevive. Porque o amor é revolucionário. O amor tem revolucionado a minha vida. O amor tem transformado a minha existência e dado sentido aos meus dias. Os meus sonhos são pautados no amor que eu sinto por vários elementos e pessoas. São os meus sonhos cheios de amor que me levam além. E indo além é que chegarei a lugares tranquilos, que irão me proporcionar aprendizados e paz de espírito.

Erica Ferro

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31/12/15

Em 2015? Vivi (ainda mais)!

Antes de começar a escrever essa retrospectiva, li a que fiz no dia 31/12/2014. E, caramba, parece que foi ontem! Imagina a minha felicidade ao constatar que esse ano de 2015 conseguiu ser ainda mais incrível do que o de 2014! 
Segui sonhando e trabalhando para que eles se tornassem reais. Prossegui nadando com e por amor. Bloguei muito pouco, mas creio que essa parte está resolvida, certo? Não li e/ou assisti tudo o que precisava/desejava, obviamente. Em 2016, me comprometo, comigo mesma, a procrastinar o menos possível. No ano que em breve há de nascer, quero mergulhar ainda mais profundamente naquilo que me faz bem, me sacode, me possibilita a me tornar alguém melhor e acrescenta algo de positivo ao meu viver. 

Agora, quero mostrar-lhes o meu 2015 em fotos.

MARÇO


Regional Norte/Nordeste, Recife/PE. Obrigada, Recife! Você foi palco de muitos aprendizados. Saldo da competição: 6 ouros e 1 prata.


ABRIL


Swimming Open Championship CAIXA Loterias, São Paulo/SP. Essa fotografia de Pedro Ernesto ficou lindíssima. Obrigada, Pedro, pelo clique!


Obrigada, Ibirapuera! Que massa ter nadado a minha primeira competição internacional nesse lugar encantador. Nadar ao lado das melhores nadadoras do mundo e ter a chance de trocar ideias com gente do mundo todo foi sensacional. Foi uma das coisas mais emocionantes que já vivenciei ao longo dos meus 25 anos.


JUNHO


II Aberto de São Paulo, Campinas/SP. O aberto de São Paulo faz parte do rol das competições em que viajo sozinha e sem técnico. É sempre desafiador, mas a parte boa é que tenho amigos espalhados pelo Brasil afora e quase sempre há um pouco deles pra me fazer companhia e me passar boas energias. Grata a Julio Pistarini e sua equipe, que sempre me acolhe nessas minhas aventuras no interior de São Paulo.
Saldo da competição: 2 ouros e 1 bronze.


Meus amigos moebitas foram me ver depois da competição e me levaram a uma pizzaria. Foi uma das coisas mais lindas que me aconteceram nos últimos tempos! Imagina ver, de pertinho, pessoas muito semelhantes a mim, com a mesma síndrome. Foi único! Um grande abraço pra Amanda e o Gabriel. E a Julia, amiga da Amanda, "a bendita entre os moebitas".


Na volta pra casa, fiz uma conexão no aeroporto de Recife. E uma linda pessoa foi me ver lá: Tailany Costa, do blog Despindo Estórias. Na internet, ela é linda. Pessoalmente, ela é muito mais linda. Amei te ver, Tailany! Que nos encontremos tão logo nos for possível, coisa linda!


AGOSTO


VI Jogos Aquáticos do Ceará, Fortaleza/CE. Competir em Fortaleza é uma delícia! Eu amo esse lugar e as pessoas maravilhosas que moram lá! Rever amigos, ter momentos felizes e superar a mim mesma dentro e fora d'água vale mais do que qualquer riqueza do mundo. Saldo da competição: 7 ouros.


SETEMBRO


I Alagoano de Natação Paralímpica. É ótimo nadar em casa e poder mostrar aos meus conterrâneos um pouco do esporte que eu tanto amo e que tanto transformou a minha vida. Saldo da competição 5 ouros.


Trend House 2015. Desfilei num cast formado apenas por pessoas com deficiência. Foi uma experiência muito marcante pra mim, pois, como disse nesse post aqui, "provei a mim mesma que eu posso vencer meus "traumas" e encarar cerca de 150 pessoas 'do mundo da moda' sem me sentir menos interessante do que todos os outros seres do universo que não possuem a minha síndrome. Encarei os muitos flashes com tranquilidade e naturalidade. Mostrei, com muita desenvoltura, esse rostinho paralisado congênito e esse meu olhar 'asiático' na passarela. Cada passo que dei na ida e na volta da passarela foi um modo de dizer a mim e principalmente aos outros que 'pessoas são extraordinárias não pelo que elas aparentam fisicamente, mas sim pela energia e vibração que elas transmitem'.".


NOVEMBRO


VII Meeting Cearense de Natação Paralímpica, Fortaleza/CE. Sim, eu realmente amo o Ceará! Participar dos campeonatos de natação paralímpica do Ceará virou tradição na minha vida. É o máximo! O Meeting, verdadeiramente, é um encontro de amigos, um grande festival, no qual se nada o maior número de provas possível, em prol de um objetivo maior: levar a equipe ao top três da competição. A ADEFAL, minha equipe, ficou em 2º lugar entre as equipes participantes. Minhas 10 medalhas de ouro devem ter ajudado nisso. Adorei!


No dia posterior ao Meeting, o Aterro de Iracema foi palco da penúltima etapa do Circuito Nacional Rei e Rainha do Mar. Claro que eu não poderia deixar de participar! Nadei a prova Sprint (1km) no mar. Foi super gostoso! Que energia boa, a do Rei e Rainha! Que organização! Fiquei verdadeiramente encantada e, em 2016, quero participar de muitas outras etapas desse baita evento. Saldo do Sprint: uma linda medalha finisher.


Essa foto ficou tão maravilhosa, mas tão maravilhosa, que a coloquei como imagem de capa do meu perfil no Facebook!


Encontro anual da Associação Moebius do Brasil, São Paulo/SP. Quero, mais uma vez, agradecer ao Reinaldo e a Marli, presidentes da AMOB, por me darem a oportunidade de vivenciar momentos ímpares ao lado de portadores e familiares que lidam com as delícias e os dissabores da Síndrome de Moebius diariamente. Foi uma honra dar o meu breve depoimento sobre como o esporte foi de fundamental importância para que eu conseguisse superar os traumas provenientes da síndrome e me transformar na pessoa que sou hoje.


Depois de um dia maravilhoso ao lado dos meus amigos moebitas, teve uma noite magnífica no Teatro Frei Caneca. Com quem, com quem? Claro, com o meu querido Fabio Porchat!
Na foto: Gabriel, também portador da síndrome e filho dos presidentes da AMOB, Fabio Porchat e eu. Adoramos te ver, Porchat!


"Porchat, por favor, queira colocar no pescoço as nossas dez medalhas do Meeting e a medalha finisher do Rei e Rainha do Mar. Preciso tirar uma foto disso!". E ele colocou! E a foto, como vocês podem ver, ficou extremamente linda. 


Esse abraço, quase esmagador, reflete bem o amor que eu sinto por esse ser humano que, sem exageros, é fora do normal. Esse abraço demonstra a minha gratidão por tudo o que o Fabio, sua produção e familiares fazem por mim. É o abraço que traduz a minha admiração e o meu carinho por esse homem de sorriso lindo e de coração ainda mais lindo. Você é um cara excepcional, senhor Fabio Porchat. Que em 2016 a nossa parceria floresça mais e mais!


DEZEMBRO


Travessia Troféu Reinaldo Malta, Maceió/AL. Depois do Rei e Rainha do Mar, fiquei apaixonada pela natação no mar e resolvi, então, fazer a minha primeira travessia na minha terra. Minha navegação no mar é péssima e eu me perdi várias vezes durante a prova, mas só o fato de concluir a prova tranquilamente foi uma vitória e tanto! 
No pescoço: a medalha finisher e a medalha de ouro na categoria Master A. 


Essa linda e meiga foto foi tirada em dezembro de 2014, no jardim secreto da Tita. Lugar mágico que pude conhecer ao lado de duas pessoas que me são muito queridas: a própria Tita e a minha cara Tchê Seerig. Essa foto é pra ilustrar o que quero dizer a seguir: no dia 7, Ana publicou uma matéria acerca da minha fofa pessoa. Por favor, cliquem aqui e leiam as palavras da Ana Seerig sobre a minha carreira na natação paralímpica e alguns detalhes sobre a minha vida pessoal. Muito obrigada, Tchê, por lembrar de mim quando o assunto é esporte paralímpico. Acho que não poderia ser diferente, né? Nos conhecemos há tempos e isso fez com que você acompanhasse a minha vida de atleta e aprendesse um pouco comigo sobre esse mundo paralímpico. Amei!

* * *

Assim foi o meu 2015. Obviamente que houve outros momentos dignos de nota, mas, se eu fosse colocar todos eles, seria difícil finalizar essa postagem. O que vale frisar e registrar aqui é que cada dia desse ano foi uma chance que eu tive de fazer a minha vida e os meus sonhos valerem a pena.
A virada do ano é só um jeito de nós, humanos, marcarmos o tempo. Na realidade, como diz naquele comercial da Rede Globo, "o futuro já começou.". E começou mesmo. A nossa vida é uma só e é agora. E já foi. Devemos fazer o que nos apraz agora. Temos que nos jogar no presente, porque o futuro é incerto.
Enfim, meus amigos, que me leem, que vibram com cada conquista minha, que se matam de rir com as minhas palhaçadas, quero desejar-lhes doses de paz, amor, felicidade e saúde diárias. Saibam que podem contar comigo!
FELIZ 2016!

Um abraço da @ericona.

06/07/14

De fato, o Rio é lindo!

12h45min: a hora em que comecei a escrever essa crônica. Há um mês, nesse mesmo horário, eu estava num avião rumo ao Rio de Janeiro. Foi a primeira viagem que fiz sozinha. Como suponho que você saiba, caro(a) leitor(a), já viajei outras vezes para outros estados, mas sempre com destino a alguma competição e sempre acompanhada da minha equipe de natação. Agora, tirar folga da rotina, viajar sozinha, apenas com o intuito de me divertir e de conhecer pessoas maravilhosas... Ah! Foi a primeira vez mesmo!
Sabe, por mais que alguns amigos comentassem que a minha escrita era bonita, envolvente e tocante, eu nunca pensei que ela poderia me levar a lugares e a pessoas tão incríveis como está me levando. Essa viagem foi um baita presente que recebi de três pessoas maravilhosas: Isabella, Alice e Americo. Pessoas que, aparentemente, conquistei a simpatia e admiração por meio da minha escrita e da minha maneira apaixonada de viver e de lutar pelos meus ideais e sonhos. Fui recebida com muito carinho e cuidado pela Isabella, Alice e Americo. Trataram-me como a uma grande amiga. Sabe aquele carinho e cuidado que só são demonstrados por pessoas que verdadeiramente gostam de você? Pronto, senti isso de uma forma latente. Senti-me bem, à vontade. Senti-me imensamente grata por ter a oportunidade de partilhar de um fim de semana ao lado de pessoas que apoiam os meus projetos e acreditam no meu potencial, seja como graduanda em Biblioteconomia, seja como nadadora paralímpica.
Ouso dizer que me diverti como nunca antes! Foram momentos inigualáveis e ímpares! Em algumas ocasiões, cheguei a me beliscar para ter certeza de que tudo aquilo era real. No dia 07/06, no sábado, fui ao Centro do Rio com a Isa. Estava toda animada para conhecer a Biblioteca Nacional e o Theatro Municipal. Chegando lá, o que descobrimos? Que a Biblioteca Nacional estava em greve. Sim, exatamente. A Biblioteca Nacional estava em greve e, aparentemente, não foi noticiado em nenhum lugar. O Theatro Municipal também estava em greve. Uma tristeza só! Não fiquei realmente triste porque os outros acontecimentos da minha estadia no Rio de Janeiro preencheram totalmente o meu ser de contentamento e alegria.

Parte externa da Biblioteca Nacional.

Além de me levar ao centro do Rio, Isabella também me apresentou o Aterro do Flamengo, a lagoa Rodrigo de Freitas, a praia de Copacabana e a fachada do hotel Copacabana Palace. Puro luxo mesmo, hein! Lindas paisagens, lindos lugares, que estão guardados na minha mente. No sábado à noite, pude conhecer pessoalmente alguém que admiro há tempo e por quem nutro um carinho imenso. Falo de Fabio Porchat. Isabella me levou ao teatro do Shopping da Gávea para assistir ao penúltimo dia da temporada do stand up “Fora do Normal” no Rio de Janeiro. Levei dois presentes para o Fabio e tinha escrito nas paredes da minha mente palavras que o meu coração queria muito dizer a ele. Tentaria entregar os presentes e falar com ele após a apresentação. Tive a alegria de vê-lo na entrada, antes do espetáculo, e pude dar um rápido abraço nele antes que ele entrasse no palco. Mal consegui falar. Acho que nem cheguei a dizer nada. Não lembro. Ele era tão alto, tão sorridente e bonito, que confesso que fiquei momentaneamente sem palavras. O espetáculo foi sensacional! Sabia que o Fabinho tinha o dom de fazer os outros rirem, mas vê-lo de tão perto e tão incrível em cena foi muito além do que imaginava, realmente foi fora do normal. Houve momentos em que achei que ficaria sem ar de tanto rir. Foi incrível, perfeito e inesquecível!

No camarim. Na real, não me importei em não ter movimentos faciais para sorrir nesse momento. Foi um momento tão bonito, que bastava estar explodindo de felicidade e sorrindo por dentro. Sem falar que, com esse sorriso, Fabio estava sorrindo por mim e por ele.  Lindo! 

Quando terminou o espetáculo, consegui entrar no camarim (como entrei, é um segredo que não posso revelar *risos*) e pude entregar os presentes, tirar fotos com ele e, principalmente, trocar algumas palavrinhas rápidas com ele. Rápidas mesmo porque, naquele mês, ele ainda estava gravando o longa-metragem “Entre Abelhas” (que promete ser pra lá de bom!). Minhas canelas tremiam e não era frio. Era emoção, era alegria de poder ver de pertinho e abraçar uma pessoa fora de série, de um sorriso tão lindo e de um coração tão belo. Alguém que, à distância, se alegra com os meus feitos e torce para que eu continue a galgar degraus cada vez mais altos nessa existência. É uma admiração mútua. Confesso que, assim como na entrada, não consegui dizer muita coisa, mas o abracei e quase chorei quando ele disse: “Erica, continue nadando e fazendo todas essas coisas bonitas que você faz. Isso me orgulha muito!”. Não chorei na hora porque estava muito extasiada de alegria, mas depois chorei. Enquanto escrevo isso, estou quase chorando. Há um nó na minha garganta de pura felicidade. Saber que a minha vontade de superar a mim mesma como atleta e o vício de sacudir palavras contagiam e causam orgulho e contentamento em quem me rodeia me emociona de um jeito único. Os dois presentes que levei: uma camisa que o departamento esportivo da associação que faço parte (ADEFAL – Associação dos Deficientes Físicos de Alagoas) fez para que os associados (e amigos dos associados) pudessem levar o nome da associação por onde fossem torcer pelos jogos da Copa do Mundo. A principal função da venda das camisas “ADEFAL NA COPA!” era a de arrecadar fundos para o esporte da associação, a verba será utilizada para viabilizar viagens para competições etc. 

No camarim. Fabinho com a camisa "ADEFAL NA COPA!". Um presente de todo o departamento esportivo da ADEFAL.

O segundo presente não era bem meu, mas sim de um amigo: Antônio Dutra Jr. Um cara fantástico, muito gente boa e extremamente divertido. Inicialmente, ele começou a publicar as suas crônicas com cunho humorístico aqui, na blogosfera, no blog “Que Momento!”. O blog virou livro e as crônicas publicadas virtualmente se transportaram para o papel. Antônio, ou Ton, como é mais conhecido entre o grupo “Elite Blogueira” (do qual também faço parte), ficou louquinho de alegria ao saber que eu veria o Fabio e pediu para que eu entregasse um exemplar do seu livro nas mãos do querido Porchat. Ton acompanha a carreira do Fabio (e também do coletivo humorístico Porta dos Fundos) há tempo e admira bastante o Fabio. Realizei um desejo de um amigo, ao mesmo tempo em que vivi um momento que desejava bastante. Foi um baita momento, de verdade! Quando encostei a cabeça no travesseiro, cheguei a desconfiar de que tinha vivido tudo aquilo num só sábado! As fotos tiraram todas as minhas dúvidas e me mostravam que eu realmente tinha tido a chance de viver todas aquelas emoções.

No camarim. Fabio recebendo o livro "Que Momento!", do meu amigo querido amigo Antônio Dutra Jr.

No domingo, último dia de estadia no Rio, passeei com a Alice, a criatura mais linda, louca e divertida que já conheci. Ela me levou para conhecer o JC (como é chamado O Cristo Redentor pela Alice) e outros pontos turísticos do Rio. Fiquei sabendo que o Bairro de Santa Tereza dá em, praticamente, todos os outros bairros da capital fluminense. Eu achei isso fantástico. Dá-lhe Santa Tereza! No fim da tarde de domingo, fui a Confeitaria Colombo, no Forte de Copacabana, acompanhada de pessoas fascinantes: Vilma, Vinícius e a já citada Alice. Fiquei encantada pela confeitaria e pelo Forte. Que lugar encantador! Que tarde agradável e divertida ao lado de pessoas tão legais!
Na segunda, 09/06, às 7h, me direcionava ao táxi que me levaria ao Galeão. Eu estava voltando a Maceió após um fim de semana diferente de tudo o que tinha vivido até aquele momento. A borboletinh @ericona havia ganhado asas e estava aprendendo a voar. Eu, borboleta aprendiz, sacudi um pouco do meu bom humor e amor pelo Rio de Janeiro e recebi de volta mais motivos para (só)rir e inspiração para continuar trabalhando duro a fim de concretizar tudo aquilo que ainda mora no meu imaginário.
Ficam aqui registrados alguns detalhes da minha primeira viagem sozinha e um pouco de tudo que vi, ouvi e conheci nela. E, mais uma vez, quero agradecer a família da Isabella por tudo o que fizeram e fazem por mim. Guardo essas pessoas num canto muito especial do meu coração e torço para que sejam cada dia vez mais felizes e realizadas em todos os âmbitos das suas vidas.

No Galeão. Esperando a hora de embarcar.

E o Rio é mesmo lindo! Espero poder voltar em breve e dizer: “O Rio continua lindo!”.

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Um abraço da @ericona.
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