01 fevereiro 2015

Sobre a verdadeira bênção


Certa vez alguém disse que a ignorância é uma bênção, eu diria que a ilusão também tenta ser.
Nas redes sociais – e para além dela –, nota-se uma ânsia por parte de muita gente em reinventar a sua realidade, excluindo os defeitos e as partes obscuras, e exaltando, exacerbadamente, as qualidades, mentindo para os outros e, sobretudo, para si mesma, o que é mais preocupante.
Algumas criaturas, à medida que mais e mais postam assertivas de felicidade e prosperidade, transmutam a vida numa espécie de teatro, assumindo personagens incrivelmente bem-sucedidos, contentes e que gozam de uma harmonia imensa nos mais diversos setores de sua vida.
Entretanto, quando estão sozinhos consigo mesmos, caem em si e sofrem, calados, envergonhados das suas mazelas, como se sofrer fosse extremamente indecente e feio, mas, ainda que o sofrimento seja grande e a desolação, desconcertante, preferem perseverar na ilusão cômoda a externar os seus ferimentos e buscar por uma existência de fato feliz, que pode até não ser um mar de rosas contínuo, mas é real, é verdadeira, é palpável.
A vida, para ser apreciada, não precisa ser perfeita. Aliás, se fosse perfeita, duvido que fosse interessante, afinal não existiriam desafios a serem vencidos, metas a serem atingidas e obstáculos a serem transpostos. 
Anunciar aos quatro cantos uma vida perfeita, por medo do olhar de compaixão de outrem, é mais triste do que assumir o quanto se é humano, e humano sangra, se zanga, chora, sofre, mas é capaz de superar qualquer coisa quando se propõe a esse fim.
Que a vida seja dura, igual a rapadura, e desde já me desculpo pela rima tola, mas que também seja doce e que valha a pena.
Toda negatividade pode ser convertida em positividade, basta que se use a criatividade. Só a mentira não pode ser convertida em verdade.
Por essa razão, a bênção não vem da ignorância ou da ilusão, mas sim do se jogar no que é real, passar pelos becos sombrios da existência, a fim de chegar, lá na frente, a um lugar bonito e repleto de luz, de flores e de deliciosos sabores.
Viver, de forma a sentir tudo o que for para sentir, é que é uma bênção.

Erica Ferro

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7 comentários:

  1. Quando aprendemos a amar ate mesmo as nossas mazelas, conseguimos dar a volta por cima e seguir confiantes em rumo a real felicidade.
    Eu sinto repúdio por essa ostentação de felicidade que vejo por ai, essa exibição de relacionamentos e vida perfeita.
    No mundo que eu vivo não existe perfeição. Já no deles, rs

    beijo

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  2. Ericona, esse é o melhor texto que já li aqui no teu blog. Sério mesmo. Amei.
    Acho que, apesar de queremos, a vida nunca será perfeita. Teremos momentos bons assim como momentos ruins. E que cada um encontre o lugar bonito e repleto de luz, pois só cada um sabe a luz que te ilumina.
    Parabéns!!!
    Abraços Mika,
    Pensamentos Viajantes

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  3. Erica, na internet - e na vida - (aliás, como excluir a internet de nossa convivência?!), tento ser o máximo que posso de mim mesma. Também me preocupa essa "vida dupla" que muita gente leva, em busca de outra identidade, de passar uma imagem cheia de pretensões.

    Creio que é necessário amor próprio para entender quem somos e por qual motivo estamos aqui. Sim, é difícil definirmo-nos. Mas autoconhecimento é válido.

    Assim como considero super válido o seu texto.

    Beijo.

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  4. Lindíssimas palavras, realmente sensíveis e muito bem escritas.

    bjs

    http://rgqueen.blogspot.com.br/

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  5. As nossas imperfeições também merecem o seu espaço, pois elas fazem parte de nós. Contudo, a necessidade de perfeição e a necessidade criticar as imperfeições dos outros viraram um hábito de muitos. É uma pena! Viver de ilusão não está com nada. Beijinhos.

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  6. Ótimo post, Erica!
    Sinto que as pessoas não só mostram seu lado bom e falso nas redes sociais, mas também desabafam e dizem que estão tristes pra chamar atenção, sabe?
    As vezes até evito entrar no facebook por essa chateação.
    Beijos, Ana do dia ♥

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  7. às vezes eu me sinto a rainha do drama, com a vida mais sofrida que a de maria do bairro. acho que aprendi a enxergar a tristeza com os mesmos óculos que as pessoas enxergam a felicidade.

    viver e não ter a vergonha de chorar o que sempre quis.

    beijas, Erica! :*

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