06 fevereiro 2015

Libertes o meu nobre cavalheiro!


Não alimento o hábito de mentir, ainda mais para ti, muito menos agora, nobre cavalheiro. Tu, por muito tempo, foste a minha maior fonte de doçura e inspiração. Ver-te e estar em teus braços invariavelmente me fazia inenarrável bem. Não que isso tenha mudado completamente, meu cavalheiro, apenas passei a ver o que antes a paixão desconcertante ocultava de mim: a sua considerável coleção de excentricidades. Se eu queria que tu fosses perfeito? Não, não queria tal coisa. Eu sei que a graça reside justamente em crescermos, evoluirmos e sermos melhores a cada dia sem nunca, porém, alcançarmos a perfeição. No entanto, eu queria que tu conseguisses abdicar um pouco das tuas excentricidades por ti mesmo, pelo teu bem, pela tua plenitude. Tu não notas que algumas das tuas esquisitices não te fazem bem e, em certa medida, te afasta do que realmente importa, inclusive te impele para longe de ti mesmo? 
Apesar de os teus melhores componentes serem a doçura, a bondade e a capacidade infinda de sonhar, tu praticas a autossabotagem. Tu podes duvidar, mas te vi como alguém jamais te viu. E te vejo de um jeito tão além dos que os olhos físicos podem ver, que se eu o dissesse, tomarias um grande susto.
Tu colocaste uma capa que julgas protetora, mas que tem a função de encobrir teus medos e fragilidades. Tu ensaias quase que todas as tuas falas e passos. Só comigo que tu atingiste uma segurança de ser quem tu de fato és: um ser humano como outro qualquer, feito de receios, fraquezas e sentimentos diversos e adversos. E, ainda assim, e por ser assim, é quem eu quero tanto bem.
Quero que tu te mostre aos outros como tu te mostras a mim, com naturalidade e com verdade. Porque, meu nobre, não é feio assumir a sua humanidade, leste isto? Não é feio e nem motivo de vergonha. 
Vergonhoso é passar a vida toda escondendo a própria personalidade, dizendo o que querem que tu digas e fazendo o que almejam que tu faças.
Mais do que tu mesmo, eu sei da tua capacidade de largar todos os ilusórios desejos de agradar a gregos e troianos e de ser bem quisto do Oiapoque ao Chuí. Sei que tu és capaz de libertar o meu real nobre cavalheiro, que só eu vi e vejo e sei que está em ti, no mais profundo do teu ser.
Graves isto em teu coração: não importa a proximidade de nossos corpos físicos, mas sim a ligação de nossas mentes e o laço de nossos corações.
De minha parte, há um amor bonito e puro dirigido a ti. Creio que sempre haverá.
Contudo, o amor precisa ser cuidado, para que não feneça nem se entristeça. Amor entristecido é uma doença deveras mortal, sabes? Não te quero triste nem me quero triste, então ajuda-me a te ajudar, auxilia-me a te conduzir por um caminho mais fidedigno de quem tu és, que seja mais bonito e bom para ti, porque assim também o será para mim, para nós.

Da sua dama,
Giovanna Marianna
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(Erica Ferro)

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Um abraço da @ericona.
Hasta la vista!

2 comentários:

  1. Ah Ericona, me lembrei de várias pessoas lendo teu texto. Inclusive de mim há uns dois anos atrás. Engraçado esse reconhecimento.
    Mas lembrei mais ainda daquele mocinho de olhos verdes encantadores.
    Algumas pessoas, por mais que o tempo passe, por mais que apanhem da vida, nunca conseguem largar suas excentricidades, o superego e vivem usando máscaras, várias inclusive. Uma diferente pra cada ocasião.

    Amei o texto!

    Beijo

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  2. Oi, Érica!
    O mundo seria bem melhor se as pessoas se mostrassem como realmente são, mas entram no circulo vicioso da sociedade que estabelece condutas e as máscaras são impostas. Enfim, possamos reconhecer as pessoas verdadeiras e não nos deixar levar pelas aparências.
    Boa semana!!
    Beijus,

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