05 dezembro 2008

Mundo eriçado de antenas;

"O mundo eriçado de antenas, e eu captando o sinal."
(Clarice Lispector)



O mundo, a vida, a morte... cheios de mistérios; aparentemente, sem algumas respostas para certas perguntas. Mas será mesmo que não há respostas? Como é possível não haver respostas para algo? É como se eu tivesse feito um problema matemático, e para o mesmo não houvesse resultado. Até entenderia a ausência de um resultado se eu tivesse formulado mal o meu problema. Acho que algo só não terá uma resposta se não formularmos bem a pergunta. Tudo deve ter uma razão de ser. Certa música diz que querer entender o sentido de tudo é querer saber demais... Talvez eu queira saber demais. Tenho quase certeza disso. Talvez morra sem entender um terço daquilo que quero entender. Mas minha busca será insaciável, será intensa, será permanente. Permanente até o momento em que eu mudar. O ser humano está sujeito à mutações. Por isso não posso determinar nada PERMANENTE. A única coisa que posso afirmar de permanente é que diariamente mudarei, serei assim, uma mudança, uma mudança positiva. Avançar, nunca regredir. E é nessa lógica que eu vou captando o sinal, que eu vou entendendo o sentido das coisas, que eu vou entendendo o sentido da minha existência. Hoje, acredito que o sentido da vida é, realmente, viver. Viver sem medo, sem medo do desconhecido, sem medo do que possa nos ocorrer.


Devemos ter sempre coragem. A covardia não nos trará nenhum bem. Só nos trará a certeza do que poderíamos ser se não fôssemos tão covardes. Então, deixemos de lado a covardia. Tenhamos coragem de ser o que somos. Tenhamos coragem de enxergar o que vemos. Tenhamos um contato direto com a antena do mundo. Tenhamos um contato claro com a nossa própria antena interior. Tenhamos a coragem de entender aquilo que não se quer ser entendido. Às vezes não queremos entender algo, pois, para nós, não faz o mínimo sentido ou é assim que queremos: que não o faça, pela simples razão de não nos convir ou até mesmo para não largarmos o cobertor da ilusão. Pois, em certas ocasiões, a mentira, a ilusão, é mais doce, nos traz um bem mascarado, o bem de açúcar, que, em meio à chuva, vai-se derretendo. E só aí percebemos a mentira cômoda tão incômoda. Eu estou captando. Espero não perder o sinal. Espero não perder a visão. Espero sempre ter o discernimento para entender as coisas como elas são, para não me enganar, não me iludir e não distorcer o que eu captei.

{Erica Ferro}

Um comentário:

  1. Entendo perfeitamente.
    Eu sou assim,sempre querendo razão para as coisas,sempre querendo saber o porquê de tudo.
    Mas às vezes isso não é o essencial,é preciso apenas deixar-se viver,mesmo sem saber...
    Ou talvez não.

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