17/10/10

Sobre o que importa e o que não importa

Há mais ou menos um mês estou lendo "O viajante e o mundo da lua". É um livro interessante, perturbador, confuso e ao mesmo tempo bom. É verdade que recentemente fiz umas críticas nada positivas em relação ao livro no twitter, mas retiro-as.
Não é o livro mais objetivo, mais claro, mais envolvente e mais apaixonante que já li. Sabe um livro misterioso, que não se sabe bem o que ele quer dizer, que mensagem quer transmitir e o que ele causa em você, mas, mesmo assim, em um trecho e outro, se vê nas linhas e nas entrelinhas daquelas palavras?
"O viajante e o mundo da lua" é assim. E hoje o livro me tocou profundamente. Não foi uma passagem romântica que li, nenhuma solução para qualquer agonia minha; apenas pude ler o que eu sempre preguei e acreditei. É um belo resumo daquele ditado que diz: "Dinheiro não traz felicidade".
Gostei tanto de poder ler as minhas ideias ali, a síntese do que acredito e penso sobre a relação entre dinheiro e felicidade, que precisei compartilhar isso aqui no meu cantinho. Eis o trecho:

"Por dinheiro você não adquire nada que seja importante, e o que você adquire com dinheiro talvez seja necessário para a vida, embora não tenha importância.
O que de fato vale a pena nunca custa dinheiro. Não custam um centavo o espírito, a infinita maravilha das coisas, a ciência. Não custam um centavo você estar na Itália, ou ter o céu italiano sobre você, caminhar por ruas italianas, sentar-se à sombra de árvores italianas, e ao anoitecer ver o sol se pôr em italiano. Não custa um centavo agradar a uma mulher que se entrega a você. Não custa um centavo sentir-se feliz de vez em quando. Custa dinheiro apenas o que rodeia a felicidade, os acessórios estúpidos e entediantes. Não custa dinheiro estar na Itália, mas custa dinheiro viajar para cá e dormir debaixo de um teto. Não custa dinheiro a amante, mas a necessidade, nesse meio-tempo, de comer, de beber e de se vestir para poder se despir. Os burgueses, porém, vivem há tanto tempo de oferecer uns aos outros as coisas inúteis e caras que se esqueceram das coisas que não custam nada, consideram essencial o que custa muito. E essa é a maior loucura."

(O viajante e o mundo da lua - Antal Szerb)


* * *


Pronto. Era isso que tinha que ser postado hoje. Fica então a reflexão. Passo o "microfone" para vocês, agora.


(Erica Ferro)

07/10/10

Dear Diary,

Diário de July - 05/05/2005

"Quando eu não tenho nada a dizer, eu falo qualquer coisa pela simples ansiedade e agonia de não ter nada a dizer. Quando eu tenho algo a dizer, atropelo minhas próprias palavras, sou calada pela minha ansiedade e agonia de falar o que eu de fato quero falar. Não consigo ser objetiva. Não consigo falar do que todos falam. Eu não sei qual o assunto que está em pauta. Não sei quais são os problemas que assolam o mundo. Simplesmente eu sou alheia ao mundo, a todos e até alheia a mim mesma. Eu decidi me isolar até me encontrar. E eu nem sei o que quero dizer com "me encontrar". Entende como eu estou perdida, Querido Diário?
O que há comigo? Não sei o que há comigo. Eu nunca soube a razão de ser diferente de todo mundo: a única coisa que sei é que sempre fui assim: indecifrável, incompreensível e complicada.
Quando digo diferente, é que eu sou diferente mesmo. Ora, eu sei que ninguém é igual a ninguém: todo mundo tem suas características físicas, suas ideias e tudo o mais. Mas quando falo que nasci diferente de todo mundo, me refiro a não ser como a grande maioria: que se acostuma com as mudanças rapidamente, que se satisfaz com pouco ou com aquilo que não era inicialmente a sua preferência e tantas outras coisas.
Eu nasci diferente porque vivo ansiosa por uma coisa que eu ainda não descobri o que é. Me entristeço por coisas que outras pessoas acham ridículo ou estranho. Eu choro quando alguma flor morre; na verdade, eu sempre quis ser um flor. Não sei porque, mas acho que as flores fazem parte do grupo das coisas mais belas da vida. Eu choro quando vejo em noticiários sobre mortes de jovens por balas perdidas, acidentes e todas essas tragédias que tanto se vê por aí. E é por esses casos serem tão corriqueiros, que as pessoas se acostumam e nem acham mais tão lamentável e tão triste. Eu passo horas pensando em como o tal jovem poderia ter vivido mais. Quantas conquistas poderia ter tido. Quantos amores ele poderia viver. Quantas pessoas ele poderia fazer feliz. O quanto que ele poderia ser feliz. E eu choro, porque eu não quero morrer jovem. Eu só tenho 16 anos e sinto que a vida pesa uma tonelada e que ela cai por cima de mim, me deixando sem ar. E eu sei que isso é deprimente e até um pouco dramático se eu contar isso a alguém, Diário. Por isso que eu escrevo. Por isso que eu me confesso aqui. Ninguém me discrimina. Ninguém me descrimina. Ninguém me culpa. Simplesmente faço meu monólogo e me sinto bem, ou menos pior.
Ah! Preciso dormir. Preciso fazer minha cabeça parar de pensar um pouco. Amanhã a vida me acordará às 06:45, e eu não posso me atrasar.

Até amanhã, Diário. Até amanhã..."

(Erica Ferro)

* * *

Tem jeito não, né?
Perdi mesmo o hábito de escrever frequentemente.
Mas hoje não tive como fugir. July queria ganhar vida, queria falar. Então a materializei.
Até outro dia, meus amigos blogueiros!

30/09/10

Voltei para escrever

Como começar a escrever, hein?
Ops! Comecei? Assim, sem saber?
É. Acho que sim, acho que comecei. Sabe como é, faz tanto tempo que eu não escrevo. Faz tanto tempo que eu não sei o que é formar frases e expressar meus pensamentos, demonstrar meus sentimentos, retratar meus anseios, inventar estórias. Mais de um mês. Por quê? Por que me privei de algo que faz tão bem para mim? Talvez ter um blog não faça mais sentido pra mim. Talvez porque ao longo dessa minha vida de blogueira eu percebi que as pessoas não usam blog só como um meio de escape, um lugarzinho calmo para despejar o que angustia ou compartilhar das alegrias com pessoas desconhecidas - que, em alguns casos, logo se tornam conhecidas e realmente queridas para elas. Blogosfera é lugar de expor as ideias de um modo rápido, prático e gratuito. Aqui você brinca do que você quiser. Aqui você exercita seu lado escritor (o lado que você talvez nem tenha), mas que tem o direito de exercitar, de brincar de escrever e ninguém tem o poder de julgar o que você escreve, de determinar como bom ou ruim, como útil ou inútil. Aqui você encontra blogs de variados temas. Cada voltado para um determinado público. Quero dizer, certo blog interessa a uma pessoa, mas não a outra e assim por diante.
Há blogueiros estranhamente fissurados por comentários. Não sei, mas até parece que eles escrevem para os outros, diretamente para os outros, para os leitores do seu blog. Não os condeno, só não acho justo com eles próprios. Eu escrevo, especialmente e principalmente, para mim. Não tenho a intenção de que as pessoas gostem do que eu escrevo e muito menos a pretensão que achem fantástico ou vejam no que eu escrevo as palavras de salvação para algo. Não, definitivamente não.
Um dos motivos pelos quais eu me afastei da blogosfera foi justamente essa fissura que alguns tem por comentários, por querer agradar a opinião alheia, por essa obsessão em fazer bonito para terceiros, e não de ser honesto consigo mesmo. O que é interessante e bonito na blogosfera é escrever, simplesmente escrever e saber, sim, que alguém provavelmente irá ler e quem sabe gostar e quem sabe comentar. Mas poxa! A intenção maior é escrever. Repito: escrever, escrever e escrever.
Seguindo essa linha de raciocínio, eu voltarei a escrever e não me preocuparei com comentários pretensiosos, que eu realmente identificarei uma segunda intenção, a intenção de ter seu ego massageado por mais um comentário, por mais uma visita no seu blog.
Pensei em permanecer com a opção dos comentários desativada, mas, se eu fizer isso, eu vou cortar de vez a corda que me une a alguns blogueiros tão queridos, que eu realmente gosto, que eu realmente admiro. Habilitarei os comentários do Sacudindo Palavras, mas analisarei os comentários que eu realmente merecem ser retribuídos. Não que eu seja uma grande pessoa, alguém ilustre. Não, não se trata disso. Se trata do meu cansaço para coisas inúteis, para tanta hipocrisia e falsidade, seja aqui ou no mundo real.
Então é isso. Eu voltei. Voltei porque eu preciso escrever, não posso me privar desse exercício que é como uma terapia para mim.
Agradeço a quem realmente gosta do Sacudindo Palavras. A quem, por algum motivo, lê e gosta dessas minhas tortas e confusas linhas. Obrigada.
Obrigada a Jana Barreto, que me presenteou com esse lindo layout. Mais um, não é, Jana? Muito obrigada. Com o Sacudindo Palavras de cara nova, postar fica ainda mais alegre, ainda melhor.

A vocês, deixo um abraço.

Finalizo aqui o meu primeiro e último post... do mês.

Hasta la vista!

(Erica Ferro)