26 março 2016

Sobre o que ceifa o amor

Ele era apenas um garoto que achava que nada nesse mundo o atingiria.
Ele era apenas um garoto trabalhador que todas as tardes voltava pra casa frustrado e ia pra aula todas as noites.
Ele era apenas um garoto que sonhava dar uma vida melhor pra sua família humilde através de seus estudos e suas lutas diárias.
Era apenas um garoto que num único deslize deu boas vindas a paternidade antes da hora.
Ele era apenas um garoto que se deixou ser manipulado, manipulado pela mídia, manipulado por "amigos", manipulado pela vida.
E tornou-se em um homem fragilizado, mas que adora se fazer de forte. E hoje é um homem que ganha muito com o seu trabalho tedioso, ajuda seus pais, tios e irmãos, mas, que, quando chega em casa, não consegue se sentir feliz consigo mesmo. Há um vazio dentro dele. Todos os dias, pelo menos por cinco minutos, ele se auto examina, se vasculha, se chacoalha, mas não consegue solucionar o vão que há entre a alma e o seu corpo. O que lhe falta? O que lhe sobra? O que lhe impede de ser pleno?
O que lhe falta no coração?
Ele se olha no espelho mas não se enxerga. Só consegue ver uma sombra. Talvez a sombra do seu orgulho, receios e medos.
Ele tem muito medo de perder o seu orgulho. Ele não consegue sequer cogitar perder só um pouquinho da empáfia que, segundo ele, foi forçado a ter.
Ele, tolo que é, confunde empáfia com saber se impor. Ele, tolo que é, escolheu ser esnobe a ser firme com exatas doses de gentilezas.
Ele, todo que é, deixou passar uma moça que era sonhos e poesia. Ela, todinha, era um poesia belíssima. Ela o amava com toda a sua alma. Ela não era ruim da visão, não. Enxergava-o muito bem, com seus defeitos, manias e pequenos delitos. No entanto, achava que ele poderia mudar, que ele poderia se apegar ao bem que acreditava existir dentro dele.
Ela, a menina-mulher repleta de poesia e de amor, tinha uma alma purinha, quase igual ao de uma criança. Acreditava tanto, mas tanto, no poder transformador do amor. Mas ele... ah, ele não. Ele era amargurado, nunca foi capaz de abrir o seu coração. Achava que a felicidade era só uma palavra e que jamais poderia sair do papel.
Onde ele se perdeu? Ele tinha sonhos, lembra vagamente de que, sim!, ele tinha sonhos. Muitos sonhos.
Onde ele se perdeu? Na infância? Ao longo da juventude? Quando a melancolia foi tomando espaço e a frustração tomou conta de todo o seu ser?
Os sonhos podem ter se perdido na autossuficiência disfarçada de sabedoria.
Os sonhos se perderam no egocentrismo disfarçado de simpatia.
E junto com os sonhos, ele se perdeu também e hoje é apenas um ser cuja existência é insignificante.
Ele não toca mais ninguém. Ele não toca porque não consegue e porque não quer conseguir. Ele se acomodou a ser mais um que não faz nada para ser notado.
E ela... Ah, ela encontrou outro amor, um amor que também a amava com verdade e pureza, que enxergou e amou toda a poesia que sempre houve nela.
Sem ele, ela cresceu, amadureceu, mas sem deixar de ser poesia bonita, sorridente e ingênua. Não ingênua tola, que facilmente é passada pra trás. Ingênua no sentido de conseguir ver um lado bom até nas coisas mais emaranhadas e complicadas, nas ditas coisas perdidas do mundo. Porque, pra ela, tudo é uma questão de querer, de escolher viver a vida com amor, se apegando aos sonhos e ao que é bom.
Ela espera que ele se encontre, se não no amor, que seja na sorte, em algum sonho ou com os tombos da vida.

(Ariana Coimbra & Erica Ferro)

* * *
E saiu o segundo escrito em parceria com a senhorita Ariana! Clicando aqui vocês poderão ler o resultado da primeira parceria.
É sempre bom escrever com essa moça! 
Espero que vocês, meus queridões, também gostem. 
Beijos na alma!

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12 comentários:

  1. Olá, Erica.
    Parabéns pelo texto lindo. Triste mas lindo ao mesmo tempo. É uma pena que ele perdeu o amor por causa dele mesmo.

    Blog Prefácio

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    1. Nós perdemos tanto por causa de nosso orgulho, né? O ser humano é estranho demais! (risos)

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  2. Oi, Erica, tudo bem?

    Parabéns para você e para a Ariana pelo belíssimo texto. E o pior de tudo é que a gente cansa de conhecer gente assim, né? Gente perdida na própria vida, gente que abre mãos de felicidades genuínas por nada...triste, mas acontece.

    Beijo
    - Tamires
    Blog Meu Epílogo | Instagram | Facebook

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    1. Que bom que gostou da parceria! Pois é, triste, mas acontece. :(

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  3. Oie,
    adorei o texto. muito lindo!

    bjos
    http://blog.vanessasueroz.com.br

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  4. Oi, Erica e Ariana! Tudo bem? Meninas, vocês arrasaram! O texto ficou muito lindo, triste e emocionante. Adorei! <3

    Abraço

    http://tonylucasblog.blogspot.com.br/

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  5. Oi Erica, tudo bem?
    Parabéns às duas pelo texto, arrasaram!
    Gostei muito da personagem feminina, fico feliz que ela tenha se encontrado, amadurecido e continuado com a sua essência. <3
    Beijos,

    Priscilla
    Infinitas Vidas

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    1. Ai, é verdade, Priih! Manter a nossa essência, mesmo diante de todos os problemas e obstáculos, é difícil, mas é necessário.

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  6. Que texto forte! Muito lindo, parabéns.
    Me li em certas partes :( Mas vai dar tudo certo o/

    rastrosmeus.wordpress.com

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    1. Acho muito bacana quando alguém diz se ler nos meus textos. É gratificante!

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Fico feliz que tenha visitado o Sacudindo Palavras! Sempre que sentir saudade, volte. Será muito bem-vindo (a).

E então, quais as palavras que você irá sacudir?