11 julho 2015

Escreva alguma coisa



Mantenha a calma e escreva alguma coisa


Há um tempo que tenho pensado muito sobre essa coisa de escrever, em como me faz falta o exercício de reservar algumas horas do meu dia, sentar, ordenar as ideias (ou não) e deixar os dedos deslizar pelo teclado. Escrever, simplesmente. Qualquer coisa que seja; escrever regularmente é algo que eu gostava muito de fazer e, de repente, passei a negligenciar. Quando se tem um hábito e, por uma razão ou outra, ele é deixado de lado, é um pouco difícil retomá-lo. É o que acontece comigo há um bom tempo. Nos últimos quatro anos, tenho produzido bem menos em relação à escrita. O meu blog teve muito mais postagens nos anos de 2009 e 2010. Quantidade não é qualidade, tenho compreensão disso. No entanto, eu escrevia. De uma forma ou outra, a chama da inspiração se mantinha acessa em mim. Se os conteúdos eram ou não relevantes, se a escrita era ou não interessante, eu conseguia escrever sem dificuldades, sem “travar”, sem passar meses sem postar nada no blog.
Sou muito mais madura do que em 2009 e 2010, e é claro que isso se reflete nos temas que costumo abordar e no modo como escrevo hoje em dia. O que considero lamentável é que atualmente eu não tenho a mesma disposição de transformar parte dos meus pensamentos que deixam a minha cabeça fervilhando em palavras. Isso é péssimo. Digo o porquê: pra mim, escrever é terapia (mas não só isso, óbvio). Sei que dizer isso é piegas e clichê, mas é o que a escrita mais representa na minha vida. Faço questão de dizer que não me considero escritora, pois seria ousadia, e até mentira. Sou escritora porque escrevo, mas não acho que os meus escritos possam ser considerados como literatura, bem como nunca me passou pela cabeça viver da escrita. Porque, sim, há pessoas que nascem, crescem e têm em mente que são escritoras e que precisam viver daquilo, e para elas outra coisa não serve de jeito nenhum. Levam-se a sério demais, eu diria. Explico: focam-se tanto em escrever para publicar, para viver de escrever e vender livros, que acabam perdendo a diversão de escrever pelo prazer de escrever, de simplesmente viajar pelo mundo das palavras sem pretensão e/ou pressão.
A última postagem desse blog data do dia 31/05/2015. Lembro-me como se fosse hoje. Mentira, não lembro com precisão. Não lembro muito bem o que eu sentia ou o tempo que estava fazendo em Maceió nesse dia. Não lembro o que eu comi antes de começar a escrever ou que sonho eu tive na madrugada seguinte ao post. Não que isso importe, mas, talvez, se eu estivesse escrito algo ontem, eu relembraria melhor sobre o que eu vivi no dia anterior e poderia fazer um gancho no que estou escrevendo agora. A postagem de hoje é bem na linha dos devaneios, das filosofias baratas e da tristeza de alguém que tinha o hábito de escrever e o deixou de lado e agora quer inclui-lo novamente nos seus dias.
Keep calm and write something. Farei esse trato comigo mesma. Não sei se todos os dias, mas, com a maior frequência possível, sentarei em frente ao computador, ordenarei as ideias (ou não) e escreverei.
Porque escrever é algo do qual necessito pra me manter lúcida e leve. Quando escrevo, caço um fantasma e o envio de volta pra o além-mundo. Se escrevo, me sinto melhor. Escrever é se aliviar. É um dos modos de deixar vir à tona o que se passa em nossa mente e em nosso coração.
Faço um convite a você que está lendo isso agora: escreva alguma coisa também. Como você está hoje? Como está sendo o seu ano de 2015? Quais os planos que conseguiu atingir e quais não foram bem sucedidos? O que você gostaria de estar fazendo agora? Por que não faz?
Escreva! Alivie-se!

Erica Ferro

* * *
Esse é um daqueles posts de "Estou de volta, de novo e sempre".
Espero que eu não precise fazer outro por muito tempo!
Um abraço da @ericona.

8 comentários:

  1. Escrever para mim também é uma forma de alivio, de busca de lucides e meu exercício favorito de memória... Além de minha forma de encontrar comigo mesma e minha coragem. Quando percebo que passei um longo tempo sem escrever, sem atualizar meu blog sofro, a blogosfera e ser blogueira faz parte do que sou, abdicar disso é abdicar de um pedaço de mim, então quando vejo que estou deixando isso de lado corro e retomo minha pena e volto a contar minhas histórias... minhas leituras, minhas saudades, medos, sonhos, realizações... recortes...

    A Ana escreveu um post dizendo que a música para ela era uma necessidade para mim é ler e escrever...

    O problema é que a vida as vezes parece nos atropelar néh Erica, ou nos afogar... sei lá, a gente perde o folego... ao passado eu escrevi 60 vezes na Caixa, esse ano foram 20! Eu olho esses números e fico assim... Meu Deus, será que estou me perdendo de mim? Claro, tenho lá outros blogs, o da Elaine, a Estante e ainda o do Alexandre, mas a Caixa é minha casa é onde me encontro comigo mesma... não posso negligencia-la... e ainda assim negligencio kkkk #MinhaCulpaMinhaMáximaCulpa

    Adorei esse post, me fez pensar, me causou empatia... é por posts assim que amo a blogosfera.

    Ah, obrigada por sua passada lá na Caixa! Demorei anos para compreender, mas um post não é completo sem os comentários, um blog só é completo com os leitores... Escrita - Leitura - escrita e leitura de comentários é o que fazem blogar ser uma experiencia de escrita única!

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  2. Se ajude, hahaha.
    Que texto massa.
    Na verdade, acho que 30% do que eu escrevo, ou menos, é pra publicar. Muito nem chega a isso. E realmente, antes de pensar em publicar um livro por publicar, temos que nos divertir com isso. Mas também depende do que se escreve. Às vezes é algo tenso, nem tem como haver diversão.
    Beijo, tu arrasa. <3

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  3. Ericona, compreendo esse sentimento perfeitamente. Venho tentando retomar meu humilde blog, e também meus caderninhos. Sempre tive muitas anotações, ainda que fossem citações copiadas - repetidamente, diga-se de passagem - da internet, uma canção que insistia em ficar na minha cabeça ou algo que me ocorria num momento de devaneio. Escrever sempre me trouxe uma clareza de quem eu sou, e talvez só agora eu me de conta disso. Quando escrevo, mesmo sem saber exatamente o que quero escrever ou o porque, enxergo aquilo que não me daria conta se não sentasse pra observar e transcrever. Não vou mentir e dizer que tem sido uma prática diária, claro que não. Mas pelo menos todo domingo eu me permito essa nutrição, sento e escrevo pra mim <3

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  4. Oie Ericona, minha flor. Tudo bem? Entendo perfeitamente essa falta de inspiração sua. Também passo por isso vez ou outra. Acho que é um mal que todo escritor passa e odeia. kkkkkkkkkkk Realmente isso de escrever todos os dias, nem que seja apenas uma página é super válido. A escrita vai sendo lapidada aos poucos e o cérebro se acostuma a ter aquilo como uma necessidade. E faz tão bem, não é mesmo? Também vou fazer esse trato comigo mesmo. Não podemos fugir daquilo que amamos e nos faz tão bem. Sorte para nós, mocinha!
    Beijos,
    Monólogo de Julieta

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  5. Escrever é sempre muito bom!
    Me faz relaxar. Belo post!

    http://plantaoonline.blogspot.com.br/

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  6. Ericona, parece que combinamos hein!? Agora entendo o seu comentário no blog.
    Bom, eu voltei e lá explico minhas férias do blog. Tive férias do blog, mas não da escrita. No entanto, sinto que preciso escrever mais e não me negligenciar.
    Vamos escrever Ericona \o/
    Abraços Mika
    Pensamentos Viajantes

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  7. Oi Erica, preciso primeiro agradecer sua mensagem tão carinhosa no blog essa semana. Eu fico tocada quando alguém lembra de mim assim <3

    Quanto ao texto, entendo bem como se sente. Eu também não sou escritora - nunca pensei em escrever nada além de pequenos textos que posto regularmente no blog, apesar de uma ideia estar quicando na minha cabeça há meses para começar a escrever um livro - quando, e se será, é outra coisa.

    Também tenho na escrita uma forma de desabafar. Mesmo que eu não consiga dizer inteiramente o que sinto (sou daquelas que nunca fala nada do que se passa por dentro, lá no fundo), só em partes, aquelas partes que eu deixo vazar são meu consolo, fazem bem.

    E escreva sim Erica, eu gosto dos seus textos, das suas ideias. Apareça mais. Às vezes a falta de vontade pode ser por estar cansada e tudo o mais, mas ainda assim a terapia funciona.

    Beijos

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  8. OI, Erica!
    Me identifiquei muito, porque quando era mais nova, adorava escrever contos. Tenho um pendrive com muito arquivos.
    Mas com o tempo, fui perdendo o hábito de escrever. Acho até que estou enferrujada.
    Preciso seguir o seu conselho!
    Beijão, Ana do dia ♥

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Fico feliz que tenha visitado o Sacudindo Palavras! Sempre que sentir saudade, volte. Será muito bem-vindo (a).

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