29 setembro 2011

Amor atemporal

"Não há garantias nessa vida...". Disseram-me certa vez.
Refleti, entendi e hoje creio nessas duras, porém, sábias palavras.
Não, realmente não há. Mas que diabos! Viver é como andar numa corda bamba com o chão a 100 metros de você. Há gente que morre de medo de correr riscos. Há quem tenha verdadeiro fascínio por viver cercado pela morte, pelo perigo, simplesmente por achar isso divertido. Eu não sei que tipo de gente eu sou. Pelo amor de Deus, não diga-me que vivo em cima do muro, que não tenho o desprendimento suficiente para decidir entre uma coisa e outra. Não que não seja verdade, mas não diga, ora! Ao longo dos meus 50 anos, tenho escutado tanto isso. Até de minha Maria Lúcia, minha eterna namorada, minha esposa, minha amada! E em pensar que, nos meus momentos de irracional fúria, pensei em mandá-la para Marte por aconselhar-me, por dizer o que eu precisava ouvir. É que eu não entendia. E agora eu entendo, entendo tanto, entendo tudo! Eu sempre soube da intensidade do meu amor, do meu apreço e do quanto necessito de Maria Lúcia, mas agora é diferente. Oh céus, é tão diferente...! Oh, amigos, perdoem-me as lágrimas que saem nervosas de meus olhos nesse momento. Maria Lúcia, a minha Maria Lúcia, foi diagnosticada com uma doença incurável, está em estado terminal, com uma expectativa de vida máxima de seis meses! Não pode ser verdade, não pode, não pode! Oh, por Deus, não pode ser verdade! Deus, cura a minha Maria Lúcia! Como viverei sem ela? Deus do céu, por que não percebi que havia algo de errado com ela antes? Culpo-me tanto, tanto, tanto! Ainda que os médicos digam: "Senhor Pedro, não é culpa sua, acalme-se. É um caso tão raro, os sintomas foram tão sutis, é compreensível que nem ela mesma tenha percebido logo. Não se martirize assim, matenha a calma."
Não! Não consigo me acalmar! Sinto-me mortificado por dentro, com o coração em frangalhos, a alma entorpecida pela tristeza, pela desolação.
Meu Deus! Maria Lúcia, minha doce Maria Lúcia, 48 anos, tanto vida pela frente... Destino, com qual direito roubaste a vida de minha amada? Com qual direito?!
Ah, mesmo definhando dia a dia, Maria Lúcia tem se mantido forte, com o seu sorriso incomparavelmente belo, com suas feições plácidas, como se quisesse dizer: "Pedro, não chore, eu estou bem, apesar de tudo. Seja forte, como eu tenho tentado ser forte. Eu te amo. Para sempre vou te amar, você sabe disso...".
Deus, não é justo! Morrer assim não é justo! A morte não é justa! Nada nessa vida é justo! Não há justiça!
Sinto-me desolado, porém preciso me recompor, juntar as poucas forças que me restaram e encarar essa dura realidade que vivo hoje. Maria Lúcia precisa de mim, do meu amor, do meu apoio. Tentarei ser um homem forte, só por ti, Maria Lúcia! Estarei contigo em todos os teus momentos, de dor ou de agonia. Não te deixarei sozinha nem por um só momento, mesmo que vê-la morrendo aos poucos me mate também. Nunca me perdoaria se sucumbisse a minha própria covardia e deixasse de te amparar nesse momento que mais precisas de mim, minha eterna namorada.

(Erica Ferro)

* * *

Não sei de onde tirei inspiração para escrever esse conto, sinceramente.
Simplesmente comecei a escrever e, quando vi, dei a vida a essa história tão tocante.
(...)
Notícias sobre a Erica Ferro: está cada vez mais enlouquecida
pela proximidade da prova do ENEM.
Tem tentado estudar o máximo que pode.
Espera honestamente entrar na UFAL ano que vem.
Biblioteconomia é o que ela pretende cursar.
(...)
Hasta, amigos!
Um abraço da @ericona.

4 comentários:

  1. Ai, como fiquei aflita, Erica!

    oO

    Boa sorte com a prova e as coisas todas aí.

    Beijos.

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  2. Se eu não estivesse ouvindo Creedence, tu teria me deixado depressiva.

    Gosto de te ver de volta aos contos!

    Adorei!

    E não surte com o ENEM (nem te falei isso umas mil vezes, né?)

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  3. A vida é a melhor inspiração.

    Também adoro seus escritos.
    beijos

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  4. Oi. Tempos que não apareço por aqui. Adorei o conto, mas, não tento pensar muito sobre a vida, morte, sobre a (in)justiça de tudo isso. Me deixa triste, sem perspectiva. Quanto ao ENEM, boa sorte. Não posso nem dizer: não desespere! Porque eu mesma estou a beira de um colapso faltando 1 ano e meio pra minha monografia.

    :)

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