19 abril 2015

Cansei de ser só


É quase meia-noite aqui. Aí, onde você está, é uma da madrugada. O que você está fazendo? Eu estava aqui pensando que, sei lá, bem que poderíamos marcar um passeio, uma viagem. É, uma viagem. Você, que é mochileiro de carteirinha, poderia escolher o destino. Confio no seu bom gosto. Juro que não iria implicar com a sua preferência por viagens noturnas. Pelo contrário, ultimamente tenho refletido no quanto que deve ser empolgante viajar por essas horas sombrias. Porque, como num passe de mágica, tudo renasce, o sol aparece num céu mesclado pelo alaranjado e azulado, nos dando mais uma chance de sermos felizes. Poderíamos colocar nossas músicas prediletas pra tocar no volume máximo, enquanto nós nos mexíamos no ritmo delas. Ou você poderia cantar pra mim, mesmo porque a sua voz que é tão linda. 
Com o perdão pela hipérbole, eu passaria a vida ouvindo você cantar. É a minha voz preferida, a que eu gostaria de ouvir todas as manhãs, dizendo um bom dia meio tímido, meio fraco pela noite de sono mal dormida, meio rouco porque seria muito cedo. A voz que eu gostaria de escutar ao fim da noite, bem perto dos meus ouvidos, que proferiria coisas do tipo o dia foi tão bom porque você estava ao meu lado; gosto muito de você, minha pequena; conhecer você foi um dos presentes que o Universo me concedeu; te quero sempre aqui, perto de mim, haja o que houver.  
Sabe o que é? Eu gosto de você. Eu quero estar perto de você. Sem exigir nada, sem reivindicar nenhum direito, apenas o de poder estar junto de você. 
E por quê? Porque eu quero, porque seria tão bom poder te ter mais junto a mim. Porque seríamos tão mais felizes juntos. Conversaríamos sobre as nossas incertezas, auxiliaríamos um ao outro em momentos conflituosos, você vibraria com cada conquista minha e eu seria a pessoa mais feliz do mundo ao te ver sorrir ao galgar lugares cada vez mais altos.
Formaríamos uma bela dupla, um belo par. Sem idealizações, apenas viveríamos o que há de melhor para viver nessa vida. Sem contratos, apenas desfrutaríamos o amor na sua forma mais genuína, pura e livre.
Contratos, assinaturas, amarras. Tudo isso me cansa e, pelo que conheço de você, também te enfada. 
Eu seria feliz ao seu lado, usando um vestido florido, calçando sandálias sem salto, morando numa casinha de madeira, com uma cama pequena, que coubesse nós dois encolhidinhos, como dois pássaros num ninho.
Bobinho, eu sei, mas às vezes devaneio assim, crio realidades paralelas, futuros que são difíceis de acontecer pelo simples fato de que não depende só de mim. Depende de mim e de você. De você, sobretudo, que cala mais do que fala, que pensa mais do que diz. O oposto de mim, que falo mais do que deveria e normalmente digo tudo o que me vem a mente. 
Eu iria sacudir a sua vida com momentos insanos, mas divertidos. E você iria me colocar nos trilhos quando me visse sucumbir a irracionalidade, tomada pelos meus momentos de fúria e revolta extremas.
Eu sou a sua cura, em forma de loucura. Você é o meu remédio, em forma de calmaria regada a doce cantoria.
Sejamos nós. Cansei de ser . Você não?

Erica Ferro

◘ ◘ ◘
Um abraço da @ericona.
Hasta la vista!

08 abril 2015

Filme: O Jardim das Palavras


Título: O Jardim das Palavras
Ano: 2013
Direção: Makoto Shinkai
Duração: 46 minutos
Classificação: Não recomendado para menores de 10 anos
Gênero: Animação; Drama; Romance
País de Origem: Japão
Sinopse: Takao, que está treinando para ser sapateiro, matou aula e está desenhando sapatos em um jardim Japonês. Ele conhece uma misteriosa mulher, Yukino, que é mais velha do que ele. Então, sem marcar os horários, os dois começam a se ver periodicamente, mas somente em dias chuvosos. Eles aprofundam sua relação e se abrem um para o outro, mas o fim da temporada de chuva logo se aproxima…

Kotonoha no Niwa em japonês, The Garden of Words em inglês, O Jardim das Palavras em português e sinônimo de singeleza, sutileza e beleza em todos os idiomas. Cara criatura que me lê nesse momento, quero te fazer uma pergunta: você já assistiu a algo que te encantou sem fazer quase nenhum esforço, que fez cócegas em seu coração com somente um gesto ou uma palavra? Assim é O Jardim das Palavras. Produzido pela CoMix Wave Films em 2013, escrito e dirigido por Makoto Shinkai, O Jardim das Palavras é um filme nos moldes de anime que encanta pela simplicidade e pelos elementos reflexivos implícitos em cada cena. 


Takao é um rapaz de quinze anos que sonha em ser designer de sapatos. É um moço muito responsável, trabalha, estuda e ainda dá conta de cuidar da casa, já que vive em um ambiente desestruturado no qual cada indivíduo parece viver a sua própria vida sem se importar muito com a dos outros. Quando chove, Takao mata aula para praticar o seu dom de desenhar sapatos no parque nacional Shinjuku Gyoen. É a sua terapia. É a forma como ele para, senta e se põe a desenhar, seja para aprimorar a sua habilidade na arte de criar modelos de sapatos, seja para desanuviar a mente. Yukino é uma mulher de vinte e sete anos que passou por momentos ruins no passado e, por essa razão, desenvolveu uma melancolia profunda e não conseguia sair da inércia, lidar e superar os problemas.Yukino também fazia do parque Shinjuku Gyoen a sua sala de terapia.


Takao e Yukino se encontravam nas manhãs chuvosas. Ele, com seu caderno e lápis, desenhando seus sapatos. Ela, com as suas cervejas e seus chocolates. Pouco a pouco, surgiu uma relação bonita, baseada muito mais nas entrelinhas do que nos diálogos propriamente ditos. Takao contou da sua vontade de se tornar um designer de sapatos e um pouco de si mesmo. Yukino não falava muito através de palavras, mas Takao sentia a sua essência e era capaz de captar as suas emoções. Ambos precisavam aprender a andar melhor. Os dois ansiavam superar os seus problemas, angústias e sofrimentos. 


De uma maneira sutil, singela e pura, os dois cuidavam um do outro a cada encontro matutino. A chuva representava suas dores e seus desalentos. Sem perceber, um se tornou o terapeuta do outro. Em alguns momentos, os gestos eram suficientes. Palavras eram desnecessárias diante dos olhares acolhedores e das ações transbordantes de carinho e cuidado.


Takao auxiliou Yukino a sair do poço frio e sombrio no qual havia caído, ao passo que Yukino incentivou Takao, direta ou indiretamente, a acreditar em si mesmo e em seus objetivos. O Jardim das Palavras é um animação belíssima que trata de um amor imediatamente impossível, mas que deixa no ar a possibilidade num futuro não tão distante. Sobretudo, a mensagem principal é acerca da superação de medos e traumas. Esse belo anime diz respeito ao amor que cada um pode dar para auxiliar a mudança de uma vida, na medida em que outrem consegue nos ajudar a modificar a nossa positivamente.


A explosão de sentimentos e pensamentos fecha bem essa película de 46 minutos, na qual as palavras nem sempre são usadas, mas são sentidas e quase ditas em cada ato e olhar. É um anime tão bom, tão gostoso e envolvente, que eu juro que não senti a passagem dos 46 minutos. Pensei até que só havia assistido a uns 10 minutos de filme quando notei que ele já tinha acabado. A arte toda é tão bem feita. Ver cada cena é um deleite para os olhos. Os desenhos bem elaborados em cada detalhe é de arrancar suspiros e aplausos. A trilha sonora também é outro ponto forte desse anime. O conjunto de imagem e som é capaz de cativar o espectador com facilidade.
Há algum ponto negativo ou algo que me desagradou? Sim, só uma coisinha, mas não dá para revelar que coisa é essa sem contar um pouco da estória. Direi que desaprovei um ato de Takao, ainda que seus sentimentos expliquem a razão que o impulsionaram a tomar uma atitude reprovável, mas que, mesmo assim, considero injustificável. 
Segundo a Wikipédia, ainda em 2013, no ano de lançamento do filme, O Jardim das Palavras também virou mangá com ilustrações de Midori Motohashi e romance pelo próprio Shinkai.
Para finalizar, indico esse O Jardim das Palavras a quem se interessa por singelezas, entrelinhas, poesias, sutilezas e amor. É um filme para quem não tem medo de mergulhar na vastidão dos sentimentos e que se deixa tocar pela arte.

Trailer:


Trilha sonora:


A sinopse e outros dados da ficha técnica foram retirados do site Filmow. Todas as imagens contidas nessa postagem foram retiradas do Google. Caso alguma seja de sua autoria, favor entrar em contato comigo através do e-mail sacudindopalavras@live.com, que não hesitarei nem por um só momento em dar-lhe os devidos créditos. 
Não consegui incorporar aqui à postagem o vídeo no qual o trailer era legendado em português brasileiro. No entanto, tenho uma ótima notícia! Se quiser assistir O Jardim das Palavras online, ele está disponível aqui. Bom proveito, caro(a) leitor(a)!

Erica Ferro

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05 abril 2015

♫ Bailando... ♫

E aí, queridões e queridonas! Como estão vocês? Lindos(as), leves e soltos(as)? Olha, eu espero que sim!
Hoje, eu queria falar um pouco de algo que gosto muito mesmo: dançar. Em outras palavras, remexer o esqueleto, sacudir o corpitcho, bailar adoidado! Dançar é tão legal, tão relaxante, que se pode dizer que, quem dança, seus males espanta.
Participei de uma aula de dança na academia na qual faço musculação na última quarta-feira e fiquei assim, toda animadinha sobre tudo que envolve dança e já quero ir a todas as aulas (o problema é arranjar tempo pra isso). Confesso que pensei duas vezes se entrava na aula, por dois motivos: cansaço porque já havia feito a minha sessão diária de musculação e natação, e o segundo é porque estava com receio de todo mundo dançar muito bem e eu ser a descoordenada da turma. No entanto, foi ótimo. Ri bastante enquanto dançava, não só de mim quando errava os passos, mas dos outros que também se perdiam e/ou paravam um pouco de dançar quando o fôlego sumia. E, geeente do céu, nunca suei tanto na vida! Exercício aeróbico fabuloso! Fabulosa foi a forma como eu saí da academia, mal me mantendo em pé. Fiquei mortinha, mas valeu a pena. Foi um dia produtivo, cansativo, mas o que mais valeu foi por ter sido bem alegre. Sério, aflorou em mim uma Shakira na aula de dança, 'cês não têm noção do fenômeno chamado Ericona quebrando as cadeiras! (*risos*) 
Há quem tenha um gingado natural e consiga decorar os passos com facilidade. Eu não acho que eu tenha gingado e sou meio descoordenada, mas, meus amigos, me divirto loucamente quando me ponho a dançar, do meu jeitinho mesmo, todo torto e louquinho. E, caramba, é assim que tem que ser, não é? Temos que nos sentir bem conosco mesmos, com nossos corpos e nos alegrar da melhor maneira que podemos. O que não devemos é nos privar da alegria e da ousadia por acharmos que passaremos vergonha ou por temer que alguém vai nos olhar atravessado e rir dos nossos alucinados passos. Que achem graça! Que riam à vontade! Que nós ríamos mais ainda, botando o nosso corpinho pra balançar e fazendo a nossa festa particular.
Fiz uma seleção de músicas bem alto astral e altamente dançante (em sua maioria, latinas), para que permitamos que o/a dançarino(a) que existe em nós venha à tona.
DJ, pode soltar a batida que é a hora do nosso show!

Para abrir, escolhi Bailando, de Enrique Iglesias, com participação de Luan Santana. Não acompanho a carreira de nenhum dos dois, mas, quando ouvi essa música na rádio, gostei dela e me pus a dançar. Fala de fogo, loucura e suor. Ui, danadinhos! (*risos*) Ei-la:


Quando era adolescente, um dos sucessos latinos de quem mais se ouvia falar era Ricky Martin. O ritmo das músicas é envolvente pra caramba e eu adoro dançar ao som de Ricky. Escolhi duas músicas dessa criatura sensual, a primeira é Maria.


A segunda é Livin' La Vida Loca. Que possamos colocar um pouco de loucura boa na nossa vida e aproveitar cada momento intensamente.


Claro que nessa seleção quase que exclusivamente latina não poderia faltar a diva da Colômbia, senhorita Shakira, de voz e gingado ímpares. A primeira que escolhi foi Hips Don't Lie. Caramba, essa mulher dança de um modo muito único e tem um molejo no corpo que não é normal, não. Detona, essa tal de Shakira!


A segunda que escolhi da Shakira, o furacão colombiano, foi Waka Waka. Gente, sério, essa é a melhor música-tema de uma copa. Eu adorei a Copa da África. Sei lá, teve uma magia muito bacana e muito envolvente que, infelizmente, não houve aqui no Brasil. Mesmo depois da Copa do Mundo, fiquei ouvindo por bastante tempo Waka Waka, pela sensação boa que dá e pelo ritmo que dá um desejo enorme de dançar.


E, para finalizar a lista, Timber, de Ke$ha com Pitbull (na realidade, não sei direito quem são esses dois). Eu conheci essa música no site da academia que frequento e gostei tanto do ritmo, que resolvi descobri que diacho de música chiclete era aquela. E, claro, é bem dançante! 


Assim, findo a lista. Espero que curtam, nem que seja um pouco, essa seleção musical tresloucada e balancem pelo menos um dedinho do pé!
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Um abraço da @ericona.
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03 abril 2015

E já era



Que a tristeza faz parte da vida, eu sei. Se eu acho que não ela deveria fazer parte? Não, não é isso. Só acho que ela gosta de ser sorrateira, entende? Você entende? A tristeza só espera uma brecha pra se instalar, chacoalhar e acinzentar o nosso dia. E, céus, não importa se o dia foi alegre, se nós nos divertimos, pois, ao fim do dia, tudo fica frio e sombrio quando a tal da tristeza resolve nos visitar. E a tristeza é sacana, porque começa sendo só uma dorzinha no peito, somente uma coisinha incômoda na alma, há um chorinho brando, e, de repente, estamos nos lembrando de coisas terrivelmente dolorosas, resmungando em alto e bom som, praguejando aos quatro cantos, chorando aos gritos. A tristeza é sorrateira e sacana. Dessa, eu não gosto. Dessa tristeza que vem pra derrubar, pra jogar recordações ruins na nossa cara... Ah, eu não gosto nada! 
Não tenho problemas em ser triste. O que eu não sou nem quero ser é amarga. Porque a amargura é algo como veneno: mata aos poucos. Que a minha tristeza seja só tristeza, que me faça chorar baixinho ou desacreditar, apenas por uns segundinhos, de mim e dos meus sonhos, mas que depois eu consiga voltar a ver cores e a sentir sabores. Não quero uma vida amarga nem doce demais. Só quero uma vida que seja boa de viver, que me proporcione momentos de alegrias e de plenitude. Não espero muito de ninguém. Para ser mais exata, não espero nada. Não sou descrente nem crente em relação ao ser humano. É que, depois de levar umas surras da vida, ficamos meio ressabiados e achamos que o melhor caminho é não idealizar, não fantasiar e não aguardar que satisfaçam nossas expectativas, que, em sua grande maioria, são muito altas e irrealizáveis. O ser humano é falho. O ser humano é ruim. O ser humano é podre. O ser humano é o seu principal algoz. No entanto, o ser humano também pode acertar, ser bom e ser limpo, entretanto não em todos os momentos. Somos uma mistura do bem e do mal. Somos essa mescla complexa de céu e inferno. Estamos sempre balançando entre lá e cá, cá e lá. E os relógios continuam a fazer tic tac, tic tac, tic tac. E a vida foi ontem, é agora e já era. Tic tac, tic tac. E já era.

Erica Ferro

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