01 setembro 2013

Tomada por uma enorme tranquilidade

O final de 2012 e o início de 2013 foram os piores tempos da minha vida. Estudei excessivamente para o ENEM 2012, e o pior: me enchi de medo e de expectativas. Tracei mil possibilidades de fracasso e sucesso em relação ao resultado do ENEM. Temia e queria ao mesmo tempo entrar na UFAL, cursar Biblioteconomia e finalmente viver plenamente como sempre soube que deveria viver; culpo as minhas paranoias, que não me deixavam sair da inércia. Eu pensava, enquanto estudava, "já tenho 22 anos, preciso dar um rumo a vida, preciso parar de ter medo de viver". Vocês podem se perguntar "como assim medo de viver, Erica?", e eu perguntarei, completamente indignada, "como assim vocês não leram esse post?". Leiam e entendam.
Resumindo toda essa fase horrivelmente horrível da minha vida: somou o medo de não passar na UFAL com o medo de passar (porque, cara, se eu passasse, de fato teria que começar a viver, teria que dar a cara a tapa, pagar pra ver, mostrar a minha cara ao Brasil... ok, exagerei ~risos~), que comecei a ter crises de ansiedade. E, como disse num post em que falei sobre a síndrome do pânico, crises de ansiedade são verdadeiras amostras de como é estar morrendo. Você de fato pensa que vai bater as botas, mas você não bate. Você melhora, depois tem outra crise, e assim o ciclo nunca para. Ou melhor, para, ou pelo menos é quebrado se quem sofre desse mal procurar ajuda. Eu procurei porque não aguentava mais me sentir à beira da morte todos os dias. Desde fevereiro que estou me tratando da síndrome do pânico. Confesso que não foi fácil encontrar o equilíbrio, que, mesmo em tratamento, os sintomas aparecem de quando em quando, ora menos agressivos, ora com força total, mas creio que tenho conseguido manter a tranquilidade quando a tontura, a pressão na cabeça e a sensação de desmaio e de sufocamento aparecem. 
Esses dois últimos meses foram os mais tranquilos em relação aos sintomas, com exceção de algumas ocasiões, em que eu iria fazer algo diferente, novo e desafiador, que me deixava muito ansiosa, por mais que eu tentasse manter a calma. Fora isso, tenho vivido muito bem. Finalizei o primeiro período com boas notas, caí nas graças dos colegas de turma e dos professores, fui chamada para fazer parte de um projeto de iniciação científica (na verdade, fui chamada para dois, mas só pude aceitar um, porque não se pode ser bolsista de dois projetos ao mesmo tempo). É, as coisas estão indo muito bem na minha vida acadêmica. Muitos dizem que eu devo ser mesmo uma aluna notável, porque ser indicada a um projeto desse nível logo no primeiro período é coisa para poucos. A professora que me indicou à orientadora do projeto que aceitei, com alegria, fazer parte traçou um perfil muito bonito sobre mim: disse que eu era "muito dinâmica e antenada". Cara, quando uma professora que você admira, por qual tem um carinho gratuito, te indica a um projeto PIBIC, dizendo tais coisas sobre você, há uma elevação da segurança e fé em si mesmo(a). Foi o que aconteceu comigo. Se eu já estava bem comigo mesma antes disso, depois disso, então, me senti ainda melhor e até um pouco ridícula por ter temido tanto entrar na UFAL, pois vi que todos os meus medos eram bobos e que professores e colegas de turma me tratam como de fato sou: um ser pensante, com seus defeitos e qualidades, um ser que pode deixar sua marca, sua contribuição para o mundo.
Minha amiga Ana Seerig costuma dizer, de maneira brincalhona, que geminianas deveriam fazer terapia logo após ao nascimento. De fato, as geminianas que conheço são extremamente inseguras, temperamentais, medrosas, se machucam por pouco ou por puro engano (porque se doem até por coisas que não existem ou não eram direcionadas a elas). Geminianas são difíceis de lidar, são extremamente emotivas e por isso entram em crise existencial numa frequência maior do que a do resto do mundo.
Sério mesmo que eu estou falando de signos? (risos) Na verdade, eu nem entendo de signos. Não entendo de pessoas também, mas curto esse negócio de explorar a mente humana. O erro que eu cometia era explorar a mente alheia antes da minha.
Citando outra vez a Seerig, ela costuma falar que eu sou uma "geminiana evoluída" e diz acreditar nos enormes benefícios da terapia na vida das geminianas (risos). Claro, galhofeiramente. A Seerig é uma avacalhadora de marca maior. E sim, isso foi um elogio. 
Penso que as mudanças no meu jeito de ser derivaram do modo como encarei e lidei com as experiências ruins que passei no período que citei anteriormente. Terapia não é algo inútil, tem sua utilidade, mas a terapia, sem a nossa vontade de mudar, sem a nossa disposição de nos autoavaliarmos, não teria validade. Melhorar, mudar positivamente, evoluir, buscar o equilíbrio depende de cada um, do querer de cada um. 
A tranquilidade vem da consciência livre, do coração despido de qualquer negatividade, da alma leve. Isso só se consegue quando paramos para nos avaliar, analisar o que e como temos feito. 
As respostas, os esclarecimentos e a paz que tanta gente busca e almeja podem estar dentro delas próprias. 
Creio plenamente nisso. Não sou a pessoa mais feliz do mundo, não sou a pessoa mais sábia do universo, mas tenho procurado me manter equilibrada, focada em fazer o melhor que eu puder, do jeito que eu puder, porque só isso já é pra lá de válido. Evito me cobrar, criar mil e uma fantasias sobre um mesmo tema/acontecimento/ocasião, e isso me poupa estresse, aborrecimentos, frustrações e tantos outros sentimentos desagradáveis. Cada dia que passa eu sinto mais facilidade em levar a vida de modo leve, com simplicidade. Isso se deve à terapia, como brinca a minha gaúcha favorita Ana Seerig? Creio que não. Eu sou uma pessoa vaidosa e não darei esse mérito a terapia. Não mesmo. O mérito é todo meu (risos).
Terapia não muda as pessoas. Terapia não cura feridas. Não a terapia em si. A terapia pode ser um meio de enxergar as coisas que sabíamos que sempre estavam ali, mas que tínhamos medo de olhar, de encarar. E então, cabe ao ser escolher se quer encarar ou se querer fugir. O trabalho todo será feito pelo dito ser. Ele e ele mesmo. Ele e os seus demônios. É assim que funciona, ao meu ver.
Esse post ficou mais longo e mais profundo do que eu pretendia. Eu sou prolixa, e isso não é uma qualidade. Não mesmo.
Com tudo isso, eu só queria dizer que estou grata por todas as coisas maravilhosas que estão acontecendo na minha vida, tanto como atleta quanto como acadêmica. Estou contentíssima em relação ao meu estado de espírito. Espero que a minha vida continue nessa constante de conquistas, aprendizados, vitórias e alegrias.
Começo setembro com fé em dias ainda melhores. Amanhã inicio o segundo semestre do curso de Biblioteconomia e o meu desejo é que ele seja tão (ou mais) sensacional e divertido como foi o primeiro período.
Que setembro seja doce pra mim e pra vocês.
Porque ser feliz depende de cada um de nós.
Então não esperemos mais. 
Sejamos felizes, cada qual ao seu modo, mas sejamos felizes sem demora. 
Vamos, a vida nos chama!

Erica Ferro

* * *
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(...)
Um abraço da @ericona.
Hasta la vista!

12 comentários:

  1. Tu tá certa, não é a terapia que muda as pessoas. Acho que a questão da terapia é que, quando a gente se ouve falando certas coisas em voz alta, vê como é besteira ou como é absurdo o que pensamos de nós ou dos que nos cercam.
    E, como já te disse antes, fico tri feliz em ver como tu está mais tranquila consigo mesma e aproveitando as coisas boas ao teu redor.

    Ana Seerig
    Responsável pela campanha Por Um Mundo Onde Geminianos Iniciam Terapia Assim Que Nascem

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  2. A mudança só pode acontecer se a gente deixar. Eu conheço uma pessoa que tem síndrome do pânico, sei o quanto é difícil de lidar com os tais sintomas, mas não é impossível. A própria pessoa fala: eu preciso melhorar. E a pessoa luta por isso. Eu tenho ansiedade elevadíssima, mas criei uma técnica para tentar amenizar isso. No fundo, as grandes mudanças em nossas vidas só dependem de nós mesmos. Tenha um ótimo setembro e um ótimo semestre. Este mês, se Deus quiser, será a conclusão da minha pós. Beijinhos.

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  3. as mudanças sempre ocorrem na hora certa, Deus coloca adversidades pra te fazer mais forte e mais justa com os outros, fico feliz por tudo estar nos eixos!

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  4. È Èrica a vida é difícil, mas temos que ser persistentes! Mudanças acontecem por nós mesmos, é difícil, mas temos que seguir em frente. Fico feliz que esteja atuando melhor na sua caminhada.
    Beijos!
    Paloma Viricio-Jornalismo na Alma.

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  5. Oi Érica!
    A terapia não muda as pessoas, mas acho que dá uma ajuda imensa! Eu nunca fiz, mas uma amiga tinha depressão e isso a ajudou bastante.
    Claro que o seu modo de olhar as coisas também pode ajudar... Mantenha o pensamento positivo e foque no que é mais importante para você.

    Beijos,
    Sora - Meu Jardim de Livros

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  6. Terapia sem a vontade de mudar realmente não vale nada. Acho que já te contei de alguns anos atrás na fase do pânico.
    Hoje a análise só me ajuda a desvendar uma Ariana oculta pra resolver várias coisas, e me ajudou a tomar coragem pra enfrentar o mundo de frente.
    Me lembro bem da sua luta, dos seus medos, crises e mais uma vez preciso dizer.
    Te admiro pacas, você é super guerreira.

    Beijos

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  7. Nossa, que desabafo bonito, fico muito feliz por você ter se encontrado. Essas dúvidas são normal, acontecem com todo mundo e você ta liando muito bem com elas.

    Espero que setembro seja muito bom para todos nós, inclusive eu, que terminei a faculdade de Letras em julho e estou completamente perdida na vida. Viu, acontece com todo mundo.

    Bjs, @dnisin
    www.seja-cult.com

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  8. Érica lembro bem da fase de ansiedade e tensão do vestibular e da ansiedade imensa que lhe fez adoecer, ainda bem que esses últimos meses têm sido tranquilo e que você teve boas notas e conseguiu relaxar, muito feliz por vc amiga, eu que ando em tensão, pelo meu casamento, hehe, um ótimo segundo semestre no seu curso e um doce e tranquilo setembro, beijinhos amiga

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  9. Erica...
    Olha eu aqui pra palpitar...
    Hahaha...
    Quando eu estava prestes a entrar na faculdade sofri com febres altíssimas e nenhum médico achou explicação pro meu mal...
    Eu sim...
    Ansiedade...
    A vida vem e vai e nesse intervalo é a sua hora...
    Hora de mostrar a que você veio...
    Eu passei por perrengues razoáveis e o mais engraçado...
    Sobrevivi a todos...
    Por que?!
    Eu quis sobreviver...
    Tenho pra mim o seguinte lema...
    Quando queremos viver, nada pode nos impedir de viver...
    A vida não é só os capítulos tristes...
    Adorei sua viagem analítica!!!

    Bjo, bjo!!!

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  10. Convivo com uma geminiana, minha mãe HAHAHAHA
    'Difícil de lidar' é pouco HAHAHAHA

    Fico muito feliz Érica e pelas coisas que você têm conquistado.

    Espero que Setembro traga mais coisas boas pra você.. tal mês das flores tem que 'florear' a vida do povo! HAHA

    bjs
    e boa semana
    Nana - Obsession Valley

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  11. Que setembro seja um mês de felicidade!

    http://plantaoonline.blogspot.com.br/

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  12. Menina você escreve super bem!

    Leio seu blog com bastante frequência, descobri por acaso porquê tenho crises de ansiedade e queria saber se eu sou o único ser da terra que sofre disso.

    Fiquei super feliz de saber que você está bem, continue escrevendo ok?


    Boa sorte!

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Fico feliz que tenha visitado o Sacudindo Palavras! Sempre que sentir saudade, volte. Será muito bem-vindo (a).

E então, quais as palavras que você irá sacudir?