Segunda-feira, Novembro 07, 2011

It's me

Não, por favor, não exija coerência de mim. Aliás, não requeira coisa alguma de minha pessoa. Bastam-me as pressões que exerço sobre mim mesma.
Perdoa-me, mas sou insana. Ou melhor, retiro a petição de escusa: foge ao que acredito ser correto rogar indulgência por quem sou.
Sim, eu sou desatinada. Porque não temo inspecionar dentro de mim. Reviro o meu coração, vasculho os meus pensamentos, revisto a minha alma. Não, não direi que é fácil faxinar a si mesma. É um trabalho árduo e infinito, porém necessário. Eu diria que é mais do que necessário: é essencial.
Honestamente, não sei como certas pessoas conseguem sobreviver fugindo de si mesmas. Diga-me, que fobia é essa de sentir? Que pavor é esse de se entender? Que pânico é esse de externar o que arde dentro do coração? Que mania é essa debandar de si mesmo?
Sim, eu sou maluca. Porque eu pleiteio comigo mesma, grito, ralho, me desespero e, depois de uns bons rounds, volto às boas com o meu eu.
É, nasci sem a capacidade de ignorar. Não ignoro o meu interior nem o meu exterior. Eu me importo. Importo-me com o que acho iníquo e me entristeço imensamente com pessoas que insistem em serem injustas umas com as outras.
Como alguém consegue meramente não se importar?
Com toda a minha sinceridade, aderir ao "deixa pra lá" é mais do que eu possa suportar.
Prefiro ser doida a ignorar o que me incomoda.
It's me.

Erica Ferro

* * *

Sábado estive no Gurias Arretadas.
Confira clicando aqui.
Um abraço da @ericona.

12 sacudiram palavras:

Jess. disse...

Sabe, Erica? É exatamente esse o ponto. Ando divagando muito sobre eu comigo mesma e sobre a extenuação de tudo que eu quero mudar, questionar ou manter. O triste da coisa é que as pessoas não compreendem essa necessidade de louca de ser eu mesma. De mudar de eu pra mim. De não fazer o mínimo sentido.
I can feel you, buddy :)
Lindo texto.

Leonardo B. disse...

[mais que sacudir o pó, o pó das palavras,

agir como se o nosso eu, a nossa casa em reconstrução permanente]

pela partilha, pela a admiração

Um imenso abraço, Erica

Leonardo B.

HONORATO,Sandro. disse...

Olá :)
Sou exatamente assim *-*
E adorei a ultima frase..Prefiro ser doida a ignorar o que me incomoda...
perfeito :)

Beijos e tudo de bom

Gabriela Andrade disse...

Você é fofa, Ferro.

sobrefatalismos disse...

Existencialismo, minha cara. E eu já estava com saudades de te ler.
Abraços.

Ana Carolina Lima Da Rosa disse...

ah gostei do post =*
As pessoas insiste em querer tanta coerência nossa, mas o que adianta se nosso psicológico não está bem. As pessoas tentam criar um tipo de refugio,para fugir, das brigas, dos problemas, sua vida. Temos que as vezes parar e refletir sobre nós mesmo, consigo mesmo.

Allyne Araújo disse...

chega uma hora em que fugir de si mesmo se torna insuportável. Mas do que tenta mentir, o mais difícil é tentar enganar a si mesmo... Acho q comentamos muito sobre isso esses dias. Não vou me repeti, beijoo e ate!

Jeniffer Yara disse...

Eu tento Érica, tenho me ignorar ás vezes, mas não consigo mesmo; preciso fazer faxina em mim toda vez que vejo que aqui dentro tá uma bagunça, sou perfeccionista e não dá pra ignorar bagunça,rs.

Belo texto, muitas pessoas precisam lê-lo para se tocarem que se entender é uma boa coisa :}

Beijos

Tita disse...

Não exija coerência de mim... Amei!!!! Logo q li isso eu pensei: "Erica, somos gêmeas q foram separadas!!!"
É fundamental se questionar, se descobrir, se conhecer. Faremos isso a vida toda. Q delícia, né?
Beijocas
Dona Coisinha

Ana Silva disse...

Já alguém dizia que o maior cego é aquele que não quer ver. Os problemas de maneira alguma se resolvem apenas se os ignorar-mos. :)

Dayane Pereira disse...

É o jeito peculiar, jeito Ferro de ser!

Christian V. Louis disse...

Eu percebi através do pouco contato que tivemos que você é uma pessoa bem transparente, tanto consigo mesma quanto com os outros.
Também penso que não há como fugir de nós mesmos, visto que estamos em companhia nossa o tempo todo.
Houve um tempo em que eu também não conseguia "deixar para lá" o que era externo, hoje já vejo uma necessidade de fazer isto, porque é como sempre digo, cada um só pensa em si próprio e foi a partir desta conclusão que preferi ignorar mais as coisas injustas dos demais e me focar em mim.
Admito que não foi fácil, entretanto, foi uma vitória que considero ter conquistado. Embora respeite os pontos de vista de cada um, a mim não estava fazendo nada bem.