20 agosto 2011

Moleque travesso




Querido Pietro,

Eu sou covarde, eu sei, você também sabe. E é por isso que eu recorri à essa missiva para resolver o que há tempos precisa ser solucionado. Não me orgulho disso. Queria ser forte o suficiente e dizer-lhe tudo o que será dito nessa carta face a face. Mas eu não conseguiria...
Parte da minha covardia é bondosa, acredite. Eu não poderia suportar o seu olhar depois de confessar esse segredo terrível que eu guardo por tanto tempo.
Por favor, creia em mim, eu não sou leviana, não fiz nada deliberadamente. Não sei como isso se deu... Como uma flor que nasce numa rocha. Estranho. Improvável. Mas aconteceu.
Pietro, você também bem sabe que, além de covarde, sou complicada. Todas as minhas tentativas de explicar-me frustram-se. Não consigo fazer-me entender. Você diz que esse é um dos meus charmes. Amo (ou amava?) quando você diz isso.
Oh, meu caro, como tudo isso foi acontecer? Por quê? Você não merecia isso.
Não consigo mais, preciso revelar o que está rasgando-me o coração dia a dia, perturbando-me a alma, sugando-me a lucidez. Eu me apaixonei pelo... pelo seu melhor amigo.
Oh meu Deus! Você irá odiar-me para o resto da vida. O amor que sente por mim se transformará, rapidamente, em ódio mortal. Mas não odeie-me, não me queira mal. Eu lhe quero tanto bem, Pietro, tanto bem que não pude mais esconder isso. Não é certo com você nem comigo.
Não, nunca te trai. O seu amigo nem sabe do que eu sinto por ele, talvez ele nem sinta nada semelhante por mim. Eu estou desolada. Totalmente perdida. O amor brinca com a gente. Surge subitamente, desaparece do mesmo modo e depois resurge onde menos se espera, nos deixando atônitos, sem saber como agir, que trilha seguir.
Eu não escolhi deixar de te amar, Pietro. Eu não escolhi amar outro alguém, muito menos o seu melhor amigo. O amor é um moleque travesso, incrivelmente misterioso e incompreensível.
Estranhamente, sinto a necessidade de pedir-lhe perdão pelo crime que não cometi.
A vida tem dessas coisas confusas e aparentemente sem lógica, Pietro.
Continuarei lhe querendo muito bem.
Perdoe-me e siga em frente. Tentarei fazer o mesmo.

Sinceramente,
Virgínia

* * *

Mais do mesmo. Sim, postagem dramática, melosa e fictícia. Adoro escrever coisas assim!
Hoje estou no Gurias Arretadas. Visitem-me.
Hasta la vista!
Um abraço da @ericona.

6 comentários:

  1. A gente não manda mesmo no coração, e quando essas coisas acontecem só nos resta ser sinceros. Conosco e com quem está ao nosso lado.

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  2. Eu tou solteira há tanto tempo que não posso opinar!!!

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  3. Como tu é sacana, dona Virgínia! Má pessoa!

    =P

    Gosto dos teus contos, Ferro, adoro-os, mas achei uma tolinha essa guria. Poor Pietro...

    Aliás, coitado mesmo é esse amigo que nada fez e tá no meio disso. Pobre pessoa.

    Gostei!

    =D

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  4. Seus contos são sempre tão ótimos! Adorei! *-*

    Infelizmente, o amor é mesmo um moleque travesso. Moleque travesso, mas obediente ao coração.

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  5. Esse tal de amor gosta de sambar nos corações das pessoas, né?

    Adorei. Nem sempre podemos escolher, mandar em nossos sentimentos, isso é algo natural e ele nos transporta para algo que menos esperamos.

    Beijo, Erica

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  6. Sou totalmente a favor da verdade, de colocar tudo as claras. Eu julgo que ela fez o certo, mas deveria tê-lo feito pessoalmente.

    Beijos, Ericona.

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Fico feliz que tenha visitado o Sacudindo Palavras! Sempre que sentir saudade, volte. Será muito bem-vindo (a).

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