10 julho 2013

Quanto tempo o tempo tem

Ao que parece, antes de postar o texto eu tenho que me apresentar. Bueno, meu nome é Ana Seerig e, quem acompanha a Erica, em algum momento da vida deve ter lido meu nome - ou lerá, pelo simples fato de que há anos que nos aturamos (no sentido exato da palavra) virtualmente. Além do fato de que nós duas participamos do mesmo blog coletivo: o Gurias Arretadas. Meu blog é o Alguma Coisa a Mais Pra Ti Ler, mas no momento ele está meio abandonado. Não me julguem, é por uma boa causa. Estou passando o ano de 2013 na Alemanha como au pair e estou registrando tudo que se passa por aqui num outro blog, o Blogário de Au Pair pra não ter que ficar contando as mesmas histórias mil vezes. Enfim, vamos ao meu texto, que fala justamente sobre estar desse lado do mundo. 

Sempre fui apegada ao tempo e isso, por vezes, é enlouquecedor. Faço média de páginas a serem lidas para que eu termine um livro em certo número de dias; olho atenta quantos minutos de jogo restam; me organizo para levantar e sair no horário certo; sempre tento estar adiantada, em caso de algum imprevisto. Desde meus 10 anos tenho um relógio no pulso e quando eu o tiro é possível ver uma incrível faixa branca no meu pulso. Mesmo olhando muitas vezes as horas no celular, ficar sem um relógio no pulso me angustia. 

Mas minha cabeça trabalha mais quando o tempo não é minutos nem horas, é dia, mês ou estação do ano. Cá estou do outro lado do mundo há seis meses. Em julho passado, nem sonhava com isso. Em agosto passado fui convidada pra ser au pair na Alemanha, em meses fui organizando tudo e, quanto mais próximo estava o dia da partida, mais eu duvidava. 

Quando cheguei, tanta informação nova! Língua, comunicação, trabalho, ruas, caminhos. Cada dia demorava a passar. Então, num piscar de olhos, foi-se meio ano! Se no Brasil já percebemos que depois de junho o fim do ano chega rápido, tenho certeza que aqui também será. De repente vou acordar, ver a minha estante de livros e em vez de falar “Morgen!” as pessoas me dirão “Bom dia!”. 

Aliás, o que será que eu estarei fazendo em julho de ano que vem? Enlouquecendo com o final do semestre da faculdade, possivelmente. Talvez esteja acontecendo algo que eu não imaginava. É quase certo. E aí eu vou pensar em 2013 e me perguntar: “Sério que eu passei um ano na Alemanha?”. E daqui dez anos? Será que um dia eu volto pra esse lado do mundo? 

E dez anos atrás? Isso de conviver com crianças me surpreende todo dia com uma lembrança que eu praticamente tinha esquecido. E comparar a infância daqui, de hoje, com a minha infância brasileira, anos atrás é interessante. Parece mais perto do que os últimos anos. Aqueles problemas que me angustiavam tanto parecem ter sido só um sonho ruim. Tento lembrar o que estava acontecendo nesse mesmo dia no ano passado. O que me preocupava? O que acontecia ao redor? O que eu tinha que fazer no trabalho? E na faculdade? 

Ah, maldito tempo! Esse apego a ele me faz enlouquecer lentamente com essas perguntas intermináveis sobre o que foi e o que pode vir a ser. E nem cheguei ao que poderia ter sido... E se eu não tivesse vindo? Melhor nem pensar. De um jeito ou de outro, acho que acabaria em arrependimento.

Eu nem ia falar na música, já que em si ela não tem nenhuma relação com o texto, mas eu não consigo não falar de música, especialmente sendo uma banda gaúcha. A verdade é que sempre que começo a enlouquecer me fazendo essas e outras perguntas sobre o tempo, eu lembro do verso "Tempo, tempo, tempo da minha cabeça, tempo, tempo, tempo desapareça" da música Pequeno Grande Amor, do Papas da Língua. Seria bom se ele desaparecesse, hein?

6 comentários:

  1. Eu não sou apegada ao tempo assim mas procuro não atrasar pra compromissos e não tolero atrasos. Dos meus alunos por exemplo.

    "Ah, maldito tempo! Esse apego a ele me faz enlouquecer lentamente com essas perguntas intermináveis sobre o que foi e o que pode vir a ser."

    Já cansei de me perguntar/fazer perguntas sobre o passado,quase sempre vivo nele , infelizmente.
    Espero que sua estadia ai no outro lado do mundo seja leve e que aproveite o máximo.

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  2. Eu também sou apegada ao tempo e também vejo quantas páginas eu leio para saber quando vou terminar um livro kkkk

    Adorei o texto e espero que esteja aproveitando a viajem!

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  3. Tempo admito que eu queria que o dia tivesse 36 horas para ver se eu tenho tempo pra tudo, outra coisa também não fico sem um relógio tanto que a marca no meu braço é inconfundível, não adianta a gente pensar sobre o que vai vir por que enlouqueceremos com isso.

    Bjs

    Jes

    http://blogbeyondbelief.blogspot.com.br/

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  4. Diferente de vc com relógio eu sou mto desprendida. Me atraso sempre, SEMPRE. Por mais que me organize e planeje, quando vejo, já foi, me atrasei. E eu sou simplesmente assim, parece que vivo em uma realidade paralela neste sentido.

    Agora, tenho notado o quanto o tempo está passando rápido demais. Na minha adolescência a sensação que eu tinha é que as coisas não aconteciam, o tempo não andava. E olha só, é estranho olhar pra trás, é estranho lembrar de exatos 1 ano atrás.

    Acho que nos resta aproveitar ao máximo quanto podemos cada momento.

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  5. Eu não uso relógio porque quando você usa as pessoas te perguntam que horas são e eu entro em desespero com essas perguntas! #Louca Mas o tempo é mesmo curioso, quando queremos que ele passe ele rasteja, quando queremos que ele rasteje ele corre como um desesperado... um dia, dois, três, semanas, meses, anos... uma vida...

    A letra de uma música de um anime que eu assistia quando criança dizia "Dias são horas, horas minutos, o tempo é curto..." acho isso muito verdade, quando penso que anos são meses, meses semanas, semanas dias e vou decrescendo chego a me desesperar e agora me pergunto se são as perguntas das pessoas ou esse desespero de ouvir o tic tac do relógio e sentir ele caminhando na minha pele que me impede de usar esse artefato tecnológico...

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  6. Engraçado, to meio que fazendo meu tour bloguistico ai reencontro esse texto da Ana, justamente no dia que no exercício da escrita constatei como o tempo passa rápido!

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Fico feliz que tenha visitado o Sacudindo Palavras! Sempre que sentir saudade, volte. Será muito bem-vindo (a).

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