30 novembro 2014

Resenha: Jardim de Inverno - Kristin Hannah


Jardim de Inverno
Kristin Hannah
Novo Conceito
416 páginas
☺☺☺☺☺ ♥
Sinopse: Meredith e Nina Whiston são tão diferentes quanto duas irmãs podem ser. Uma ficou em casa para cuidar dos filhos e da família. A outra seguiu seus sonhos e viajou o mundo para tornar-se uma fotojornalista famosa. No entanto, com a doença de seu amado pai, as irmãs encontram-se novamente, agora ao lado de sua fria mãe, Anya, que, mesmo nesta situação, não consegue oferecer qualquer conforto às filhas. A verdade é que Anya tem um motivo muito forte para ser assim distante: uma comovente história de amor que se estende por mais de 65 anos entre a gelada Leningrado da Segunda Guerra e o não menos frio Alasca. Para cumprir uma promessa ao pai em seu leito de morte, as irmãs Whiston deverão se esforçar e fazer com que a mãe lhes conte esta extraordinária história. Meredith e Nina vão, finalmente, conhecer o passado secreto de sua mãe e descobrir uma verdade tão terrível que abalará o alicerce de sua família… E mudará tudo o que elas pensam que são. “Difícil não rir um tanto e chorar ainda mais com a história de mãe e filhas que se descobrem no último momento.” – Publishers Weekly A história que sua mãe conta é como nenhuma outra já ouvida por elas antes — uma história de amor cativante e misteriosa que dura mais de sessenta anos e parte da Leningrado congelada e devastada pela guerra até o Alasca, nos dias atuais. A obsessão de Nina por esconder a verdade as levará a uma inesperada jornada ao passado de sua mãe, onde descobrirão um segredo tão chocante, que abala a estrutura da família e muda quem elas acreditam ser.

Jardim de Inverno é um livro contundente. Essa é a palavra. É um livro que tem um poder incrível de nos tocar, de nos chacoalhar, de nos envolver. Kristin Hannah construiu uma obra maravilhosa que envolve amor, em suas mais variadas formas, guerra, perdas e conto de fadas.
Quanto mais leio, mais me convenço de que o melhor é não pesquisar muito antes de ler um livro. É, não leia muitas resenhas, não se apegue muito ao que os outros disseram sobre tal livro. Prefira as resenhas que pouco dizem sobre o enredo, mas se apegam mais ao contexto da obra e às emoções que brotaram no coração do leitor ao longo da leitura.
Assim foi comigo com Jardim de Inverno. Eu não pesquisei muito. Para ser sincera, eu não lembro de ter pesquisado ou procurado opiniões sobre o livro em nenhum momento. Na verdade, o que me chamou a atenção desde a primeira vez que vi esse livro e o tive em minhas mãos foi a capa e a sinopse. Eu sabia que havia uma grande estória por trás desse livro. E não me enganei. Nem um pouco.
Aterei-me muito pouco ao conteúdo do livro, quero dizer, direi muito pouco da estória: prefiro contar dos sentimentos que afloraram com o decorrer da leitura.
Meredith e Nina Whiston tiveram uma infância um tanto difícil no âmbito familiar. Não era o relacionamento dos pais que causava transtorno no lar. Era a frieza da mãe para com as filhas. O pai tentava a todo momento remediar todas as grosserias que a Mamãe Anya fazia ou dizia com as meninas. No entanto, nem mesmo o amor do pai - que era tão grande - era capaz de curar as dores e cicatrizar as feridas causadas pela indiferença de Mamãe Anya. Por um tempo, Meredith tentou se aproximar da mãe, mas sempre era empurrada para longe. Vendo que Meredith tentava, inutilmente, se achegar a mãe, Nina sequer tentava. O único momento em que a mãe falava com as filhas era à noite, quando contava a estória de um príncipe e uma camponesa e um reino de gelo. O mais curioso é que Mamãe nunca terminava de contar a estória. Obviamente, ter a mãe nesses breves momentos noturnos não era suficiente. Por essa razão, ambas as irmãs aprenderam a esconder seus sentimentos e a seguir em frente, mesmo magoadas, mesmo com um vazio no peito, mesmo com as mágoas e os rancores fervendo dentro de suas almas de quando em quando.
Mas, caro(a) leitor(a), sabe aquela frase que diz que "o mundo dá voltas"? É verdadeira e sempre que possível ela se faz comprovar no nosso dia a dia. Não foi diferente com Mamãe Anya, Meredith e Nina. Papai ficou muito doente e acabou falecendo. Antes de falecer, porém, pediu que Meredith e Nina tivessem paciência com a Mamãe Anya e que não desistissem de fazê-la contar todo o conto de fadas do reino gelado. No momento, as irmãs não conseguiram entender muito bem o que o Papai queria dizer com aquilo e como o simples fato de ouvir a mãe contar uma estória iria aproximá-las. 
E é nesse ponto que a estória que Kristin Hannah se agiganta e nos prende de uma maneira quase mágica. À medida que Mamãe vai contando o misterioso e longo conto de fadas, Nina e Meredith iniciam uma pesquisa pela vida da mãe e por todo o seu passado. É o momento no qual as três entram num processo de autodescoberta e de descoberta, porque, com todas as revelações, elas conseguem não só conviver melhor uma com a outra, como também largam medos do passado e ousam ser quem sempre quiseram ser.
A estória de Anya é tão pesada, tão forte, e é bonita, ainda que seja mais triste do que bonita. É que há uma poesia tristeza, uma canção melancólica em volta da vida de Anya. Ela vivenciou coisas tão terríveis, tão dolorosas, tão inacreditavelmente chocantes. Não há mente e coração que consigam permanecer os mesmos depois do que ela viveu. Só com muito amor, muita compreensão e muita insistência para quebrar o gelo que se formou em volta dessa mulher.
O desenrolar do livro me prendeu imensamente. Eu não conseguia deixar de ler Jardim de Inverno por muito tempo. Fiquei muito contente com a evolução das personagens, o quanto que elas cresceram como seres humanos e o quanto elas conseguiram dar passos importantes na jornada rumo a felicidade e a paz de espírito. O livro ensina, nas entrelinhas, a quebrar o gelo, quebrar as barreiras que nos separam do mundo e dos outros. Ensina-nos, também, a ter paciência e tentar compreender antes de julgar, a olhar com mais amor e menos reprovação para as pessoas que nos cercam. Por razões óbvias, a de ser um livro encantador e arrebatador, entrou para a minha lista de favoritos. 
Indico essa obra a quem gostar de livros que abordem a temática família, guerra, perdas, autodescobertas, descobertas e superação.

• • •
Por hoje, é só. Fiquem em paz
Curtam a fan page do blog e sigam o perfil do Sacudindo Palavras no Twitter.
Um grande abraço da @ericona.
Hasta la vista!