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Não, não estou revoltada. Esse não é um post revolts, mesmo que o título e a imagem queiram me desmentir. Quer saber? Dane-se! é o que eu tenho dito sempre que percebo que a solução de um problema não depende de mim. Uma das preciosas lições que aprendi com a Síndrome do Pânico é ser mais desencanada. Acredito que uma das coisas que me levou a desenvolver ansiedade generalizada foi o fato de eu remoer praticamente tudo. Era uma espécie de amostra grátis do inferno. Se algo de ruim acontecia, pensava no acontecido dias a fio, mastigava o episódio e revivia as emoções ruins que aquilo me fez sentir. Se eu percebia que algum amigo se mostrava um tanto distante, começava a cogitar mil e uma possibilidades que o fizeram se distanciar de mim, ainda que eu soubesse, no íntimo, que eu não havia feito nada de ruim ou que justificasse a mudança de comportamento dele. Raramente encostava o amigo na parede e perguntava qual era o problema. Preferia remoer e sofrer por algo que eu nem sabia o que era. Sim, coisa de gente meio desregulada da cabeça.
Mas eis então que eu evoluí. Glória! Aleluia! Sim, evoluí. Creio que, a cada dia, consigo evoluir um pouco mais. Com evolução, quero dizer que desde o começo de 2014 consegui adicionar a praticidade ao meu viver. Tenho um problema pessoal? Tento resolver da melhor forma possível, com a dosagem certa de calma e determinação. Há um problema que envolve outra pessoa? Busco fazer a minha parte, sacudo a outra pessoa pra que ela faça a parte dela. Ela não quer? Okay, não insisto mais, porque cada um sabe de si, das suas escolhas e deve ter o seu tempo de reagir ao que acontece em sua vida.
Na realidade, eu percebi, com anos de um comportamento autodestrutivo, que sofrer por antecipação é a maior burrada e que não adianta padecer por algo que não me cabe resolver. Descobri, à duras penas, que a vida deve ser tranquila, pra o meu bem-estar e a minha boa sanidade. Entendi que o que realmente importa é ter a minha consciência tranquila em relação aos meus atos e a minha vida de um modo geral. Não posso viver pelos outros. Não posso resolver a vida dos outros. Não posso solucionar os problemas alheios, mesmo aqueles em que estou envolvida indiretamente. A vida pele calma e coragem. Com calma, nos mantemos sãos e conscientes; e a coragem, essa, nos leva longe!
Pra não ficar apenas nas minhas palavras, ouça Paciência, de Lenine:
Erica Ferro
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