08/07/10

Ele nasceu para o nada

Foto retirada do Tumblr


"Tô cansado! Cansado de tudo. Vivo numa eterna agonia, um desespero sem nome e aparentemente sem solução. Vivia deslocado, pelos cantos, o excluído, o esquisito, sem vida sem social; que não falava o que pensava ou o que desejava, um covarde, que negava usar a vida que Deus lhe deu. Só não sei viver, não sei para quê vim ao mundo, não descobri o sentido da minha vida e talvez nunca descubra - esse é o meu inferno, o motivo de todas as minhas crises e todos os meus choros. Foi, então, que adotei um estilo de vida radical: skate na mão, rumando a praça perto de casa, sentindo a vida rodopiar e o sangue correr mais rápido por minhas veias. Foi o modo que eu encontrei de me sentir vivo, mesmo sem sentido, mesmo desse modo perigoso. Radical. É tudo que a minha vida não é. Não adianta negar, cansei do skate, cansei todas as manobras que eu já fiz, desde as simples até as mais perigosas. Desisti de viver assim. Eu não sou um cara que vê sentido em viver radicalmente; talvez eu só entrei nessa vida louca porque já estava cansado de ser o idiota da família, o cara que terminou o colegial e vivia enfiado nos livros, mas sem nenhum desejo de seguir uma carreira específica, sem nenhum caminho certo a seguir. Na verdade, eu queria provar que eu era alguém interessante ou que eu poderia ser alguém interessante, porque, na verdade, nem sei o que sou, se sou interessante ou não. Só sei que a minha vida foi um grande nada. E acredite quando digo nada. Acho que nasci para isso mesmo: para o nada. E isso é o que me agonia desde o meu primeiro choro."

(Erica Ferro)

* * *

"Mini-conto" para a 18ª edição do projeto "Mil palavras", idealizado pela Bárbara Farias, do blog Ella en palabras.
Espero que não relacionem o texto comigo; é sempre frustrante constatar que algumas pessoas acham que tudo que se escreve é autobiográfico.
Só mais uma coisa: em toda a minha vida bloguística, já recebi inúmeros selos, memes e essas coisas fofinhas que os blogueiros repassam e tudo mais, mas nunca tive paciência para postar os que ganho (peço desculpas por isso, mas é coisa minha...). O que eu quero dizer é que me sinto feliz quando vocês lembram de mim na hora indicar os "blogueiros ganhadores" de tais mimos, mas infelizmente eu não tenho disposição para postá-los aqui. Vocês hão de me entender ou, no mínimo, respeitar essa minha chatice (risos). Sim, sou bastante chata.
Um abraço da @ericona.

05/07/10

O inevitável da vida

As pessoas mudam. É, isso é uma máxima muito verdadeira. As pessoas mudam, para melhor, para pior: mudam. As pessoas não são perfeitas e nunca serão. Isso também é uma máxima verdadeiríssima. Ainda que as pessoas não sejam perfeitas, nós exigimos isso delas. Não uma perfeição total, mas desejamos o máximo de acertos possíveis da parte delas. E, quando elas nos decepcionam, em atos feitos e/ou não feitos, logicamente, elas "caem" no nosso conceito. É inevitável se entristecer com as pessoas. Sim, eu sei que é inevitável e normal. E também sei que as pessoas irão nos decepcionar sempre. Mas o fato é: as pessoas mudam. E em nome de que devemos mudar? Mudar por si mesmo, por achar que há um necessidade maior dentro de si que clama por isso, é uma razão para modificar nosso caráter e nossas ações. Mudar para satisfazer a própria vontade e a vontade do outro, para que, assim, se possa ter uma convivência melhor e mais harmoniosa, tudo bem - é uma causa nobre e totalmente digna. Mas mudar para agradar a um grupo dominante, para se adequar ao que chamam de "certo", quando o certo pode (e deve) ser questionado, testado uma, duas, quantas vezes for necessário. Seguir a maioria, fazer das palavras do outro as suas, sem sequer questioná-las, sem sequer tomar um posicionamento sobre o que foi abordado, é lamentável, é algo que só as pessoas "fracas" fazem. É triste ver que certas pessoas que nós considerávamos admiráveis, de "personalidade própria", pouco influenciáveis, mudaram para pior, abafaram seus conceitos e suas leis para falar em nome de uma causa indigna, levantando a bandeira da corrupção e das ideias condenáveis.
É realmente frustrante ver que, cada vez mais, as pessoas anulam-se em função das outras, dos pensamentos formados por um ser qualquer. As pessoas acomodaram-se às regras, aos dogmas e todas as coisas já criadas. Falta ousadia, falta vontade de quebrar todo o mundo e recriá-lo à maneira delas.

(Erica Ferro)

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Faz muito, muito tempo mesmo que não venho aqui, não é?
Larguei, mesmo, a vida bloguística. Me desculpem, de verdade.
Não é falta de tempo, é falta de vontade, de ânimo, eu diria. É, essa é a palavra: ânimo.
A blogosfera pode ser um espaço tão bom e aproveitável quanto tão inútil e fútil.
É bem verdade que conheci pessoas fantásticas por aqui, sinceras em suas opinião e incríveis em seus belos textos. O que quero dizer é que algumas pessoas infelizmente esperam apenas um comentário, mais um seguidor, e isso me desmotiva a escrever aqui. Então deixarei claro: quem visitar o meu blog apenas com segundas intenções, com o pensamento de receber mais um comentário e mais um seguidor, aqui não é o lugar. Aqui é onde compartilho dos meus pensamentos e sentimentos com todos, mas me alegro com pessoas que realmente comentam despretensiosamente, pelo prazer de comentar, de falar o que entendeu, o que sentiu ao me ler. Agradeço aos que sempre estão comigo, independente das minhas retribuições, independente de tudo, enfim. A vocês, deixo o meu abraço sincero e a promessa de que não me demoro. E se demorar, é certo que eu sempre voltarei.
Até!

23/06/10

amor que me emudeceu

As palavras que tanto queria dizer a você
ficam presas em meu coração
flutuando por minha mente
me prendendo a uma mudez que eu não queria

E eu grito meus segredos em pensamento
e rezo, mentalmente,
para que você escute
e que saiba que é você
quem faz as rimas em forma de mão
que me arranca o sono e me faz pensar
em como seria bom se eu rimasse uma bela poesia
que eu traduzisse o amor que corre em tuas veias
em um beijo
e que de amor fôssemos criados e (re)criados
com o nascer da aurora.

(Erica Ferro)

* * *

Sim, é um post de Erica Ferro. Não, não morri; quem disse isso mentiu feio pra você.
Os posts estão sendo semanais, é isso? Vixe, não gosto disso; mas tudo bem, isso é o de menos.
A situação no nordeste está realmente séria; as chuvas castigaram bastante Alagoas e Pernambuco. Moro em Maceió, na capital de Alagoas; a minha cidade não foi tão afetada, tão destruída como muitos municípios aqui do estado. Muita gente desabrigada, muita gente desaparecida, números significativos de mortes confirmadas; enfim, uma tristeza que se assolou sobre o nordeste. Há campanhas que estão circulando pela Internet, que é justamente o SOS ALAGOAS e SOS PERNAMBUCO. Pelo o que eu entendi, dá para ajudar, também, por aqui, pela internet. Então, se você puder ajudar, da maneira que você puder, como você puder, saiba que estará minimizando, pelo menos momentaneamente, a agonia de várias pessoas.
Desde já, fica o meu muito obrigada e o meu abraço a vocês.