22/07/10

Amo. Sem sonhos.

Canso-me do não-ser e resolvo não querer mais nada.
Canso-me do não querer mais nada e volto a querer muito, tudo.
Canso-me das coisas improváveis da vida e perco a fé em qualquer palavra bonita.
Canso-me de viver sem nenhum tipo de crença e volto a crer no amor.

É preciso amor. Amor em suas variadas formas.
Amor em sua melhor forma: o amor despretensioso.

Você chegou num dia em que eu não queria mais nada.
Pois eu já tinha cansado de tudo que não foi.
A não-reciprocidade me sugou quase todo o meu acreditar.
Mas ainda bem que ela deixou intacta a minha capacidade de amar.
E eu voltei a querer tudo.
Voltei a querer ser a melodia da canção de alguém.

E há tempo cansei-me de novo. De novo e sempre.
Cansei de esperar retorno de qualquer coisa, da vida, eu diria.
Das coisas da vida.
Entendi que há beleza no amor despretensioso.
No amor só por amar. Sem esperar. Sem devanear.
Eu te amo sem sonhar. E isso me basta. Hoje me basta.

(Erica Ferro)

* * *

Oi, oi! Como estão?
Como viram, não demorei muito pra voltar. Tenho algumas coisas que querem sair da "cachola", mas essa de hoje era a mais urgente.
[...]
Visitem o Pensamentos Devaneantes.
Um abraço da @ericona.


17/07/10

A gente reclama - Nivaldo Pereira

A gente reclama do calor. Que bafo! Não dá para caminhar na rua! O sol está de torrar os miolos. Imagine quem tem que trabalhar no campo. Se a gente estivesse na praia, não fazia um sol desses.

A gente reclama do frio. Meu Deus! É de renguear cusco. Isso é lugar para viver? Isso é clima de gente? É dose sair de casa entrouxado. E levantar da cama? E a hora do banho? Horrível! Viver aqui é desumano.

A gente reclama da meia estação. Credo, quatro estações num dia é para matar! Tinha sol há 15 minutos, e olha a cerração! Assim não há saúde que aguente. É um tal de tirar roupa e botar roupa... Ah, ainda ganho na loteria e caio fora daqui.

A gente reclama da fila no caixa eletrônico. Gentalha burra! Que adianta informatizar tudo num país de analfabetos? Aquela nem sabe usar o cartão. Aquele ali vai levar uma eternidade com tanta conta a pagar. Ah, não, dia de pagamento de aposentadorias...

A gente reclama na fila do bufê. Essa gorda vai fuçar tudo até achar o pedaço que quer. Esse aí não sabe do que gosta. Olha a lenta! Ah, não, mãe fazendo prato de criança, ninguém merece. Senhor, dai-me paciência, senão eu tomo o azeite da mão dessa lesma.

A gente reclama de quem cria. Que bobagem. Que horror. Coisa feia. Quanto amadorismo. Sempre os mesmos. Poupe-me. Eu é que não vou pagar para ver isso.

A gente reclama de quem não cria. Nada para fazer numa cidade desse tamanho. Os artistas não se mexem. Tanta história legal para resgatar. Tanto potencial. Não tem cabimento essa miséria cultural. Onde estão os produtores?

A gente reclama de quem reclama. Que gente insatisfeita. Nada presta, nada vale, por que não vão embora? Que mania de criticar. Reclamam de barriga cheia.

A gente reclama de quem não reclama. Por isso o Brasil está desse jeito. Povinho acomodado. Políticos determinam e ninguém se mexe, ninguém faz nada. Que saudade do movimento estudantil. Em outro país, isso seria motivo de revolução.

A gente reclama por reclamar. A gente só sabe reclamar.

A gente é você, ele, nós. A gente é todo mundo.

E eu? Ah, eu estou aqui, outra vez, querendo reclamar não sei bem de quê...

(Nivaldo Pereira)

* * *

Alô, blogosfera! Depois de uma semana, exatamente uma semana, eis-me aqui, com a mesma face, com a mesma loucura e é isso aí. A mente anda meio louca, perturbada e, por isso, as ideias estão num estado de confusão total. É normal, é normal. Ser louco é normal; o anormal mesmo é ser normal. E tenho dito!
[...]
Bela crônica do Nivaldo, não é? Um beslicãozinho no bracinho dos reclamões (estou nesse grupo que reclama um bocado, e de quase tudo). Reclamemos menos e vivamos mais, tentando sempre ver o lado positivo de todas as coisas.
Ah! Uma notícia muito boa pra vocês, blogueiros: o autor dessa crônica, grande jornalista, cronista e etc., Nivaldo Pereira, entrou para blogosfera. Sim, isso mesmo! E vocês podem encontrá-lo na Terceira Casa. Visitem-o, conheçam-o e apaixonem-se pelas palavras do grande Nivaldo!
[...]
E, gente, não sei quando volto a atualizar o Sacudindo Palavras. Talvez seja amanhã, talvez seja daqui a uma semana, um mês... Não sei, não sei mesmo. Estou numa fase de insatisfação muito grande com tudo, isso inclui o que eu escrevo. Enfim, enfim... É isso!
Um abraço da @ericona.

10/07/10

Eis a graça

Não, eu não quero ouvir o que eles dizem. O que eles dizem? Eles dizem tantas coisas, mas tantas coisas, que eu não posso sequer pensar e dizer qualquer coisa que seja.
Eles pensam e dizem por mim. E eu não quero mais isso. Eu quero me isolar e descobrir quem eu sou, o que eu penso e sinto: sem influências ou qualquer outro contato com alguém "pronto".
Há alguém pronto, aliás? Não! Eu estou falando besteiras. Não existe ninguém pronto. Já diria Raul: somos uma metamorfose ambulante. Estamos sempre em formação, em mutação de ideias e comportamentos. Mas, entenda, eu não quero ver, ouvir ou sentir o mundo. Eu quero me ver, me ouvir e me sentir. Sentir a minha essência. A minha! O mundo me confunde e me tira de mim. As pessoas bagunçam o meu cérebro, expulsam minhas ideias, me impregnam com as delas. Não! Não me chame de fraca ou de influenciável. Olhe pra você e me diga o que é você, só você, em você. Me diga! Você não é original. Você é uma mistura de tudo o que já foram. Você é uma mistura de tudo o que vê e ouve. Eu sou assim também.
E essa é agonia: é saber que você não é você; que você se perdeu de você desde que passou a conhecer o mundo.
Somos o mundo? Espere! Somos o mundo?! Somos o que vemos e ouvimos? Não há problemas em sermos um pouco de tudo que há e do que houve um dia? Não há como se formar sozinho, sem deixar se influenciar e ser tocado pelas coisas existentes nessa vida?
O problema é que não há problema? Isso é realmente um problema. É preciso ter um problema a ser resolvido. Não ter problemas na vida é algo que verdadeiramente frustra. O que resolverei se já está tudo resolvido? Não haveria motivos para chorar ou mover um músculo do meu corpo.
Baguncemos tudo! Coloquemos o mundo de cabeça para baixo. Desgovernemos o trem das onze e meia. Tentemos entender essa loucura, ainda que nunca concluamos nada em definitivo. Tentar é o que vale. Tentar qualquer coisa que seja prova a nós mesmos que estamos vivos, que podemos nos mexer; e, nesse movimento, podemos chegar a algum lugar.
E é por isso que eu ando. E é por isso que eu enlouqueço. E é por isso que eu devaneio. E, enquanto vou vivendo, vou tentando entender a complexidade da vida. Eis a graça de se estar vivo.

(Erica Ferro)

* * *

Cacilda! Que texto devaneado, louco, doidão! Bem no estilo do Pensamentos Devaneantes (visitem, visitem!). Mas enfim, são pensamentos agoniados, meio dramáticos e insanos, porém são meus, e eu não me envergonho deles.
O negócio é o seguinte: hoje é o meu último post no Divã Cor de Rosa. Sim, é o meu "adeus". Lá explico tudo direitinho, vejam aqui.
Um abraço.
Hasta!