20/03/10

O maior que um dia você já encontrou

Despertaste um lado sombrio em mim
Lado gelado
Espinhoso
Ruim

Tenho vontade de fazer o melhor que eu posso
E me exibir em sua frente
Não por ver sua cara de contente
Aprovando o meu desempenho
Quero ver você com raiva
Lamentando o que perdeu
Chorando lágrimas quentes por meu desprezo
O desprezo que hoje lhe tenho

É, você despertou um lado cruel
Um lado que eu nem sequer sabia que existia
Mas que adorei conhecer

É assim que hoje você me inspira
Tornaste-se meu ódio predileto
Minha insatisfação mais deliciosa
Meu desafeto mais querido
Meu vício mais maldito

Eu te odeio tanto, mas tanto
Que eu poderia matar você com dois beijos de ódio
Dois abraços de rancor
Mas não...
Não quero nada disso!
É só uma farsa
Uma maneira de fugir do que eu sinto

Por mais que eu negue
Que eu tente reprimir
Lhe tenho o amor maior e mais puro que você um dia já encontrou

(Erica Ferro)



P.s: Mais um daqueles que eu não deveria publicar, mas eu publico! Sei que, quem deveria ler, não lerá. Melhor assim!
Não tenho muito o que colocar nesse P.s, só espero que estejam bem e é isso.
Aquele abraço!

19/03/10

Limpando a sujeira do umbigo

Hoje acordei com a ligeira impressão de que nunca serei. É, eu nunca serei nada. Eu sempre estarei algo. E sabe, você também.
Não sei bem o que estou dizendo, mas acho que não somos seres definidos ou definitivos. Somos algo que não sabemos bem o que é, mas sabemos que é complexo, misterioso e instigante talvez por esses motivos. Definitivo é algo que a gente não é mesmo, mesmo que a gente se esforce ao máximo. Hoje você acorda sendo conformado e desistente de lutar por sua vida, amanhã você acorda com uma força descomunal, com uma fome sobrenatural de guerrear por você e por seus ideiais; hoje você gosta de rock, amanhã você prefere bossa nova; hoje você quer comer sushi, amanhã você prefere uma feijoada.
Somos seres indefinidos e mutáveis. Somos um mistério a nós mesmos, e muito mais a quem nos vê, quem busca nos conhecer e mergulhar em nossa alma.
Às vezes eu fico pensando: "Que estranha a vida! Por que ela é essa coisa tão grande, tão cheia de disponibilidades, mas que chega a aterrorizar justamente por ser imensa e por ter essa capacidade tremenda de nos meter medo e nos confundir tanto?"
Viver é complicado? O ser humano é complicado? O que é simples? O que é complicado? O que se pode querer do tempo? O que se pode querer de si mesmo? Procurar respostas é quebrar o encantamento da vida? Será que viver excede respostas? O sentido é viver, mesmo sem saber porquê?
Eu não sei, mas acho que não alcanço a vida. Eu sou uma viva perdida, quase morta, que não sei bem o meu espaço, a minha função e temo o futuro. Mas não é um temor que prende a respiração, que causa um tremor em minhas pernas. É um temor que me traz um frio leve ao coração, um desconforto calmo, uma leve pressão na cabeça.
Não sei bem o que estou escrevendo, dizendo, enfim... Porém a vida é algo pesado demais para os meus ombros, mesmo que eles sejam fortes e belos. A vida é tão pesada, mas não é um peso ruim. Quero dizer, é um pacote recheado de delícias, de cores bonitas, mas que eu não tenho tato para manusear tais coisas. Temo magoá-las, quebrá-las ou própria quebrar-me e ferir-me. O bom, se usado em demasia, pode ser prejudicial também. Sempre temi as feridas e as lágrimas, por isso me privo tanto da vida. Mas a vida pesa... E eu queria conhecer todo essa bagagem, desarrumar todas essas coisas e viver.
Ah! Hoje eu só queria falar muitas coisas sem falar nada concreto, correto ou lógico.
Só queria ser incoerente diante de um público que me ouviria calado, sem aplausos e acenos carismáticos.
Só queria ser incoerente a sociedade e coerente a mim mesma. Porque eu me importo comigo e minhas teorias baseadas no pulsar do meu coração.
A sociedade se importa com ela mesma, com a sujeira do seu próprio umbigo.
Hoje eu limpei o meu umbigo. Hoje fui coerente comigo.

(Erica Ferro)



P.s: Se antes eu tinha medo de expor minha loucura, minhas lamúrias, hoje não tenho mais. O Sacudindo Palavras é isso, é o meu sacudir de letras, de ideias loucas, de ideias minhas. Acima de tudo, o que escrevo faz sentido para mim. Quando faz sentido para outro alguém, é algo mágico e muito bonito. Mas não é a ideia principal. A ideia principal é despejar o que eu estou sentido, pensando e deveneando.
A postagem de hoje foi um devaneio, só mais um dos tantos que eu costumo ter e discutir comigo mesma. Acho que conversar sozinha não é tão ruim assim, é conhecer a si mesmo, é estreitar ainda mais o laço com você mesmo. O risco que se corre ao fazer isso é apenas te chamarem de louco ou de fato você enlouquecer. Risco bobo!
A lucidez é algo cansativo. Enlouqueçamos todos!
(...)
Propagandas:
1º Quem me lê, também lê Pensamentos Devaneantes.
2º Amanhã estarei no Divã Cor de Rosa, me leiam por lá.
(...)
Bom fim de semana!
Aquele abraço da Erica Ferro.

18/03/10

Poesia de quinta


Inatingível te fizeram
Sobre um altar te puseram
Fizeram de ti um deus
O deus da soberba e da autossuficiência

Ninguém teve a audácia que tive
Ninguém ousou tirar a coroa dourada que repousava em tua cabeça
Ninguém quis te aplacar
Te enfrentar

Você não me mete medo
Não me reprime
Na tua cara eu cuspo
A tua autoridade não causa efeito algum em mim
As tuas regras, eu quebro
Nos teus mandamentos, desmando

Precisas saber que tua majestade é um erro
Que a tua autossuficiência é uma farsa
Que tua empáfia nada mais é do que medo e fraqueza disfarçados

De você, sinto pena
Pena que você nunca mereceu
Mas meu lado humanoide não foi congelado ao longo desse tempo
Por aqueles acontecimentos

A vida lateja em minhas veias
Dói
Incomoda
Mas é a certificação de que meu coração bate
E sim, ele ainda está inteiro

Você não me destruiu, falso cavalheiro!

(Erica Ferro)



P.s: Poesia de quinta? Sim, porque hoje é quinta-feira, não é? Se é de quinta, em relação a qualidade, só quem lê é que pode dizer. Para mim, são sentimentos maquiados e revolta de modo metafórico e indireto. Não há porque ser tão clara; às vezes se percebe tudo à meia luz.
(...)
Não disse que estava de volta realmente? Pois é! As coisas do blog, finalmente, estão em ordem: comentários e visitas retribuídas, voltei a acompanhar quase que fielmente os quase duzentos blogs que acompanho, enfim... Amo muuuuuito toda essa blogosfera, de verdade! Vocês me fazem muito bem. Só tenho a agradecer.
Aquele abraço da Erica Ferro.