21/10/09

A praia de Pajuçara...

Mergulhar no mar
Ver a dor lá ficar
Não fiquei lá
Só a dor

Eu entrei
Eu busquei
Eu esqueci
Não mais sofri

No mar mergulhei
De cabeça me joguei
Lavei minhas feridas
Dei novas cores à minha vida

Azul e verde são as cores
A cor do mar
A cor da praia
Da praia de pajuçara

(Erica Ferro)



P.s: Oi, meus amigos!
Estou bem melhor, viu? Agradeço, de coração, todo o apoio e todo o carinho. O mais tocante de tudo foi ver pessoas se identificando com a minha dor e com a minha agonia. Enfim, relatar o que me dói e ainda, de quebra, relatar, sem querer, de forma indireta, o que outra pessoa também sente, também sofre.
Com certeza, o sol sempre vem, a dor sempre passa e praia de pajuçara traz a graça, a vivacidade, que estava faltando em minha vida. Talvez tenha sido só aquele empurrãozinho, mas que, sem ele, não iria pra frente.
É, hoje eu fui a praia. Na verdade, eu saí de casa na esperança de, depois de quase dois meses (a piscina que eu treino resolveu, do nada, vazar e atrapalhar todo o meu treinamento) sem treinar, nadar. Mas não, sempre tem alguma coisa, algum impecilho. Dessa vez, o transporte que iria nos levar a outra piscina pra, enfim, treinarmos, não foi liberado. Ou seja, a equipe não teve como ir (detalhe: eu não sabia onde era a outra piscina, dependia do transporte pra ir). Então, não queria perder o dia, por assim dizer, resolvi ir a praia com alguns amigos, de lá mesmo. Cheguei em casa quase 17:00, mas cheguei muito bem. Renovada, mais viva e mais confiante. Deixei as dores todas na praia. Espero que tenham ficado lá, não as vi atrás de mim, nem ao meu lado ao longo do caminho de volta pra casa.
Bem, esse poema foi pura inspiração da praia de pajuçara. Não conhecem? É uma das mais belas praias de Maceió. Sim, eu moro em Maceió. Alagoas - Paraíso das Águas, assim é conhecido o meu estado.
Okay, chega de exibicionismo.
Grande abraço pra vocês, meus queridos blogueiros!

19/10/09

Anseio por alforria...

Sorriso largo, olhar amigo, mãos sempre solidárias. Tenho medo.
Medo dessa solidariedade desmedida, soa falsa. Mas por que essa desconfiança? Será que não pode haver mais sinceridade no mundo?
Pode, eu sei que pode. Mas não vem marcando na fronte, ou seja, não tenho como saber. As circunstâncias me ensinaram a temer. Recuar e fugir do perigo.
O esconderijo é o meu abrigo, me escondo e respiro aliviada - menos uma facada.
É estranho, é. É covarde, também é.
A solução é sabida por mim. O cálculo, as fórmulas... Tudo isso é deveras complicado. Eu corro o risco de não conseguir chegar ao resultado certo da equação e tirar zero na avaliação.
A vida toda é uma prova: de força, de coragem, de vontade...
Vontade eu tenho, coragem eu tenho, força... Bem, eu também tenho. Mas tudo isso está perdido e obscuro dentro de mim. Não consigo achar, não consigo me agarrar à essas coisas e, finalmente, ir.
Ir por caminhos que eu sempre quis trilhar. Sem medo do lobo mau, ir pela floresta, pela estrada à fora.
Acomodei-me ao seguro, mas que eu sempre soube que era uma segurança ilusória que, no fim das contas, só me prejudica e me adia.
Cansei de me adiar, de atrasar a minha vida. Aliás, eu cansei de me matar, de matar a vida... A minha vida.
Até quando continuarei adiando? Disfarçando não ver o claro do dia e o escuro da noite pela minha janela?
E a janela me chama, a porta grita por mim, as grades do portão de casa tremem e ameaçam cair. Só ameaçam, eu me ameaço. Eu digo: "Sim, estou indo...". Mas adio a minha ida, a minha libertação.
Quero deixar de ser escrava, eu preciso deixar.
Não aguento mais ser açoitada pelos senhores de engenho dos meus pensamentos e da minha alma atormentada.
As feridas estão abertas, mas não sinto mais tanta dor. Porém temo que as feridas comecem a arder de novo. E é por isso, acredite, só por isso que me escondo.
Mas o sol me convida, o calor me convida. E eu, mais uma vez, ameaço ir, mas nem saio do lugar.
Então, a noite vem, bonita e encantadora, faz um charme, as estrelas dos olhos da noite piscam pra mim, eu me derreto, confesso. Ameaço, mais uma vez, sair da toca, mas tudo farsa, joguinho dos meus nervos.
Preciso arrumar um jeito de controlar meus medos, de conseguir a minha libertação, escrava já não posso mais ser. Nunca deveria ter sido.
A liberdade está em mim. Tudo o que eu preciso pra seguir em frente está em mim.
É só questão de me encontrar, de me decifrar, ainda que seja um pouco.
É mais uma noite. Noite de segunda-feira, outubro, 2009.
Amanhã o sol brilhará e invadirá a janela do meu quarto.
O que farei? Usarei de ameaças baratas? Terei coragem?
Não sei, mas as coisas, definitivamente, não podem continuar nessa decadência.

(Erica Ferro)



P.s: Olá, meus caros amigos.
Bem, como podem perceber, não estou muito bem. Porém não se preocupem, esses pensamentos, essas brigas interiores, sempre são presentes em minha vida. Mas, acreditem, elas me deixam por um certo período de tempo. Então, eu tenho paz, eu posso sentir a felicidade pulsar em mim. É normal, não é?

É normal se sentir triste, perdido e aflito. Todo mundo tem seus conflitos interiores, seus tramas, seus medos, suas mágoas.
Preciso, apenas, saber lidar com tudo isso e seguir adiante.
E é o que eu, definitivamente, preciso fazer.
Seguir adiante e confiante.
Olha só, sei que estou devendo umas visitas em alguns blogs que me visitaram, alguns comentários precisam ser retribuídos também. Entretanto tenho andado desanimada e melancólica. Porém, amanhã, o sol brilhará e eu, finalmente, terei energia para rir e a felicidade me tomará de novo. Então, amanhã, provavelmente, visitarei os blogs que me deram a alegria de vê-los no Sacudindo Palavras.
Essa postagem ficou muito depressiva, foi um desabafo. Espero, o mais breve possível, ter condições e vontade de falar de coisas alegres e agradáveis.
Grande abraço pra vocês.
Fiquem bem.

16/10/09

Desabafo de cupidos...

- Gabrielzinho, meu filho. Venha ver o absurdo aqui, venha. - Mateus falou todo indignado e ressentido.
- O que foi? - Gabriel respondeu com a mesma calma de sempre. Era um cupido exemplar, ao contrário de Mateus, que era todo atrapalhado, desengonçado, mas era engraçado - era isso que o tornava tão encantador.
- Veja só essa blasfêmia contra nós, no jornal virtual cupido online!
- Ah, mas essas acusações de novo? Esse povo não se cansa não, é?
- É o que eu digo, bando de burro! Quebra a cara nos relacionamentos, e ainda nos culpa. É mole um negócio desses? Eu fico indignado. - Disse num fôlego só o cupido, revoltado.
- Calma, Mateus. Assim você enfarta, rapaz. Olha, acho um desrespeito você comparar esse povo com os burros. Coitado dos burros!
- É, você tem razão. Falta de respeito com os burros, né? É... Enfim, esse povo não usa o raciocínio lógico que lhes foi dado.
- Falou bonito!
- Ai! Não tira sarro da minha cara agora, tá? Eu tô estressado com isso, sério. - Pausa para respiração, afinal, não queria enfartar -. Todos os dias essas mesmas reclamações, essas ofensas...Aliás, no começo, tudo são flores. "Ai, amiga, tenho um cupido super bom de mira. Tô namorando um gatinho, cabelos loirinhos, olhinhos verdinhos e blá blá blá...". Aí, depois quando se deixam contaminar pelo o ciúme, brigam com os namoradinhos e ligam pras amigas "Me enganei! Ô cupido burro, viu? Parece que não enxerga direito, o bichinho!". - Tentou se acalmar e prosseguiu -. Gabriel, não dá pra continuar assim.
- É, meu amigo, não dá. Eles, realmente, não sabem qual é a nossa função e qual é a deles. Nós somos responsáveis só pela parte orquestral da coisa. Sabe, não é? "Ai, amor, quando estou com você, escuto músicas...". E a gente lá, todo empolgado, tocando a harpinha pros pombinhos dançarem, flutuarem até. Lembra daquela vez que ficamos tocando quase um dia sem parar? Sério, achei que aqueles dois não iriam se desgrudar mais.
- Ah, lembro. Eu já tava pra ir embora, já. Não tava aguentando mais não. Nem parei pra almoçar, veja que absurdo! Olha, sinceramente, temos que arrumar um jeito de fazer esse povo entender que não somos culpados pela desilusão amorosa de seu ninguém! Eles que não sabem cuidar do amor que sentem. Aliás, não sabem amar.
- Muito bem, Mateus! É isso aí mesmo. Esses humanos, que eu não ouso chamar de burros, pois seria uma ofensa aos coitados dos burros, precisam entender de uma vez por todas que eles é que escolhem os seus amores, eles é que são responsáveis pelo sucesso do relacionamento, e não nós. Somos só mais um detalhe, mais um apetrecho no cenário desses romances. Enfim, ficamos lá, arrumadinhos, de fraldinhas limpinhas, cabelos devidamente cacheados, tocando nossas harpinhas, fazendo aquelas magicazinhas, que os deixam com os corações acelerados (é aí que usamos as flechinhas, apenas pra fazer acelerar o que, de fato, já vive pulsando desordenado), as mãos suadas e aqueles sorrisos de bestas nos rostos.
- Pois é, meu amigo... Será que um dia essa cambada de burr... ops, de irracionais entendem de uma vez que eles que são uns bestas, uns incompetentes em termos de amar e, finalmente, aprendem a amar verdadeiramente?
- Ah, meu amigo! Sinceramente, eu não sei. Esse povinho é bem estranho, sabe? Muito estranho, complicado e burr... ops, irracionais! Mas, claro, não podemos deixar a esperança morrer. - Gabriel olha no relógio e se espanta -. Eita! Vamos, anda, temos um encontro.
- Hã? Cuma? Nós somos cupidos, não temos encontros. Afinal, não existem cupidas, existem?!
- Você é todo engraçadinho, né? Tô falando daquele casal, Mateus! Aquele lá, todo apaixonadinho de ontem. Lembra, não? Temos que fazer nosso papel, cara. Prepara as flechas aí, as harpas e vamos ao trabalho.
- Ô vida dura essa de cupido! A gente trabalha tanto, mas só nos esculhambam. É, não é fácil ser cupido... - Falou, por fim, desolado o cupido Mateus.

Coitado, tem razão. Não deveriam tratar os cupidos assim.


(Erica Ferro)



Pauta para o Blorkutando.
Tema: Operação Cupido.



P.s: Oi, meu povo! Como estão? Ah, eu tô ótima.
Viram? Hoje aderi a uma linguagem mais informal e até viajei na estorinha, num foi? Espero que tenham gostado desse meu lado humorístico e informal.
Só queria fazer aquele agradecimento que já é de costume (29 comentários fofos em um dia são motivos de muita alegria!), deixar um forte abraço e desejar um ótimo fim de semana pra vocês.
Ah, não esqueçam que amanhã tem Erica Ferro no Divã cor de rosa.

Fiquem bem, meus queridos!