02/02/16

Ah, a morte...

A morte é uma piada
Martha Medeiros

Assisti a algumas imagens do velório do Bussunda, quando os colegas do Casseta & Planeta deram seus depoimentos. Parecia que a qualquer instante iria estourar uma piada. Estava tudo sério demais, faltava a esculhambação, a zombaria, a desestruturação da cena. Mas nada acontecia ali de risível, era só dor e perplexidade, que é mesmo o que a morte causa em todos os que ficam. A verdade é que não havia nada a acrescentar no roteiro: a morte, por si só, é uma piada pronta. Morrer é ridículo. 

Você combinou de jantar com a namorada, está em pleno tratamento dentário, tem planos pra semana que vem, precisa autenticar um documento em cartório, colocar gasolina no carro e no meio da tarde morre. Como assim? E os e-mails que você ainda não abriu, o livro que ficou pela metade, o telefonema que você prometeu dar à tardinha para um cliente? 

Não sei de onde tiraram esta idéia: morrer. A troco? Você passou mais de dez anos da sua vida dentro de um colégio estudando fórmulas químicas que não serviriam pra nada, mas se manteve lá, fez as provas, foi em frente. Praticou muita educação física, quase perdeu o fôlego, mas não desistiu. Passou madrugadas sem dormir para estudar pro vestibular mesmo sem ter certeza do que gostaria de fazer da vida, cheio de dúvidas quanto à profissão escolhida, mas era hora de decidir, então decidiu, e mais uma vez foi em frente. De uma hora pra outra, tudo isso termina numa colisão na freeway, numa artéria entupida, num disparo feito por um delinqüente que gostou do seu tênis. Qual é? 

Morrer é um chiste. Obriga você a sair no melhor da festa sem se despedir de ninguém, sem ter dançado com a garota mais linda, sem ter tido tempo de ouvir outra vez sua música preferida. Você deixou em casa suas camisas penduradas nos cabides, sua toalha úmida no varal, e penduradas também algumas contas. Os outros vão ser obrigados a arrumar suas tralhas, a mexer nas suas gavetas, a apagar as pistas que você deixou durante uma vida inteira. Logo você, que sempre dizia: das minhas coisas cuido eu,

Que pegadinha macabra: você sai sem tomar café e talvez não almoce, caminha por uma rua e talvez não chegue na próxima esquina, começa a falar e talvez não conclua o que pretende dizer. Não faz exames médicos, fuma dois maços por dia, bebe de tudo, curte costelas gordas e mulheres magras e morre num sábado de manhã. Se faz check-up regularmente e não possui vícios, morre do mesmo jeito. Isso é para ser levado a sério? 

Tendo mais de cem anos de idade, vá lá, o sono eterno pode ser bem-vindo. Já não há mesmo muito a fazer, o corpo não acompanha a mente, e a mente também já rateia, sem falar que há quase nada guardado nas gavetas. Ok, hora de descansar em paz. Mas antes de viver tudo, antes de viver até a rapa? Não se faz. Morrer cedo é uma transgressão, desfaz a ordem natural das coisas. Morrer é um exagero. E, como se sabe, o exagero é a matéria-prima das piadas. Só que essa não tem graça nenhuma. 

* * *
Faz tempo que li Doidas e Santas, livro no qual consta essa e outras crônicas da querida Martha Medeiros. Hoje a morte me angustiou e eu não consegui organizar os meus pensamentos pra poder transformá-los em palavras. Foi então que eu lembrei dessa crônica e me senti abraçada pela Martha. Concordo com cada palavra escrita por ela.
Nessa terça-feira chuvosa, vi amigas queridas sofrendo a perda de um amigo muito querido delas, amigo esse que não tive chance de conhecer direito. E ele era tão jovem! Pelo que pude perceber, era um ser tão sensato, tão disposto a fazer diferença nessa vida onde a maioria quer fazer tudo igual, e o pior: de uma maneira negativa ou pouco produtiva. 
Eu tenho medo da morte. Admiti isso hoje. Tenho um medo lascado de morrer. Um medo enorme de deixar de respirar, de ser interrompida bruscamente de continuar trabalhando na construção dos meus sonhos e de não mais poder compartilhar a vida ao lado das pessoas que gosto. Tenho um tremenedo medo de sofrer pela perda de pessoas queridas. 
A morte é uma piada, como a Martha disse, e muita da sem graça. A morte me deixa triste, temerosa, reflexiva e, ao mesmo tempo, com uma vontade imensa de sugar a vida com todas as minhas forças. Quero viver tudo o que tenho pra viver. Quero amar as pessoas como se não houvesse amanhã. Quero proteger a minha alma e o meu coração de toda a negatividade. Quero ser só amor e paz. Quero disseminar o que houver de melhor em mim e fazer a minha parte pra transformar esse mundo num lugar melhor, mais digno, mais igualitário e bonito.
A morte precisa nos despertar pra vida. Só temos o agora e isso é assustador, mas é tudo o que temos. Não podemos adiar a morte, mas podemos parar de adiar a vida. Vivamos, pois!

Um abraço carinhoso,
Erica Ferro

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29/01/16

Sacudindo Palavras na revista eletrônica obvious!

E aí, povo! Tudo bem com todos vocês?
Quero convidá-los a fazer uma visita ao meu espaço na revista eletrônica obvious.

Sobre a obvious:

"A obvious é uma porta para desvendar novos territórios criativos. Aqui se cruzam as artes, o design, a arquitetura, o cinema, a música e as ciências, abrindo pistas às mentes curiosas e revelando novas tendências.
Uma das maiores referências no Brasil e Portugal, com uma audiência de milhões de leitores."
(Descrição extraída da fan page da revista) 

Por que escrevo na obvious:

Poder sacudir palavras num espaço no qual há uma imensidão de escritores que escrevem artigos criativos e interessantes é uma oportunidade única de aprendizado e deleite, ao passo que escrever é um prazer e ler os artigos alheios, uma chance de ampliar os pensamentos e conhecimentos.

Alcance da obvious:

A obvious é formada por vários escritores que tem liberdade para escrever e, ao mesmo tempo, têm seus artigos avaliados pelos editores da revista. Quando eles chamam a atenção dos editores, as publicações são escolhidas para comporem a homepage da revista e, posteriormente, são divulgadas nas redes sociais da mesma. No Facebook, a obvious tem 1.053.279; no Twitter, 24,4 mil; e no Instagram, 24 mil.

Meus artigos na obvious:

Publiquei três artigos na obvious até o momento. Os três foram destacados na homepage e divulgados nas redes sociais. Imaginem a minha surpresa ao receber e-mail da revista me avisando que o artigo que eu recém havia postado tinha sido escolhido pelos editores ou votado pelos outros escritores da magazine para ser um dos destaques. Uma sensação pra lá de boa! Não escrevo para ter muitos leitores. Escrevo para que bons leitores possam conhecer as minhas ideias e, quem sabe, se identificar com elas, bem como trocar ideias e acrescentar reflexões pertinentes ao que eu escrevi.
Abaixo, irei deixar o link e o resumo de cada artigo para que vocês possam lê-los. Caso gostem, espalhem-os por aí. 


Nesse artigo, discorro sobre o meu primeiro contato com o escritor moçambicano Mia Couto através do livro O fio das missangas, uma coletânea de 29 contos. Seleciono alguns contos que mais me tocaram e, enlevada, falo da poesia e do lirismo contidos em cada palavra de Mia e o impacto que esses elementos causou em mim.


"Para Sempre Alice" é um filme que nos encaminha a reflexões extremamente válidas sobre a existência. Ao vermos o drama de Alice nos chocamos e nos emocionamos porque a realidade em que ela vive, de um contínuo esquecimento de si e dos outros, é palpável. Poderia ser você ou eu na pele de Alice. Isso é assustador. A vida é um emaranhado mistério. O que temos é o agora. Aproveitemos o presente, pois o depois não pertence a nós.


Permita-se sentir tristeza, dor, desalento. Deixe-se mergulhar na imensidão dos sentimentos. Toda dor é uma oportunidade de evolução e autoconhecimento. Entregar-se às emoções é sentir-se (mais) humano. A ciranda da vida não para e nós devemos nos manter em movimento, nessa girar de emoções, que nos leva além do que nós mesmos pensávamos que poderíamos chegar. A vida é um jardim - e lindo! -, basta que saibamos cuidar dele. Que o nosso jardim seja bem florido e com o mínimo de ervas daninhas possível! 

Erica Ferro

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26/01/16

Música: Amo covers!

E aí, povo! Tudo certinho?
Quem me lê há mais tempo sabe da paixão que eu tenho pela música, embora não cante nada nem toque instrumento musical algum.
Eu sou uma admiradora da boa música e mergulho nesse universo de sons em busca de agradáveis descobertas.
Recentemente descobri duas estrelas do YouTube, por assim dizer, e gostei bastante de seus respectivos canais. Falo da alemã Nicole Cross e de Leroy Sanchez, espanhol que mora nos Estados Unidos desde 2011 a fim de concretizar o seu sonho de ser um grande nome da música. Descobri-os totalmente por acaso, vasculhando o YouTube, e adorei as suas vozes singulares e tocantes. São vozes afinadas e ótimas de se ouvir. São jovens talentosos com um promissor futuro.

Quando conheci os canais da Nicole e do Leroy, não senti o desejo de saber muito mais sobre eles naquele momento. Estava muito entretida os ouvindo e me bastava saber que Nicole era da Alemanha, tinha 22 anos e amava cantar. Com a exceção da minha desconfiança acerca da sua origem espanhola, por conta do seu sobrenome, pouco sabia sobre Leroy, pois a sua bio no YouTube não me dizia quase nada. Tudo bem, estava ocupada vendo vídeo após vídeo, muito encantada com o jeito doce de cantar desse rapaz. 

Óbvio que poderia fazer um post apenas com os vídeos, sem mais nenhuma informação adicional. Entretanto, achei mais bacana investigar sobre eles e, assim, publicar algo não só sobre as músicas deles mas também acerca de suas vidas e carreiras. E, olhem só, descobri bastante coisa!


Nicole Cross


Nicole, jovem cantora alemã, tem 22 anos e é natural de Nuremberg. Antes de ser famosa no YouTube, trabalhou como enfermeira. Atualmente, Nicole tem 653.504 inscritos em seu canal, no qual posta seus covers, geralmente de músicas que estão em alta no momento. No dia 23 de dezembro de 2015, ela postou um cover da canção Hello, da cantora Adele, e foi um sucesso, ainda mais quando o ator hollywoodiano Ashton Kutcher compartilhou o seu vídeo. Posterior ao compartilhamento de Kutcher, Nicole passou a ser contactada por gravadoras e a moça está analisando as opções com cuidado, mas, de pronto, anuncia que muita coisa boa acontecerá em 2016 em sua carreira. 


Leroy Sanchez


De acordo com a bio no site oficial de Leroy, esse belo moço é natural de Vitoria, Espanha, e desde a mais tenra infância demonstrou ter uma voz poderosa e encantadora, capaz de cativar a muitos. É um músico autodidata, o que fez com que minha admiração por ele crescesse um pouco mais. Músicos e cantores autodidatas me fazem pensar que há pessoas que nasceram com o dom inteiramente desenvolvido e trabalhado de (en)cantar. Há os que possuem talento, mas precisam se esforçarem mais, é como o dom tivesse que passar por um processo de lapidação diário, árduo e contínuo. Não é demérito, afinal, precisamos trabalhar nossas habilidades a fim de ter um rendimento cada vez melhor - e isso se aplica a tudo na vida. Contudo, é impressionante quando observamos algumas pessoas que aparentemente já nasceram prontas para brilhar e ganhar o mundo. São pessoas que nasceram com "a bunda virada pra lua"? Não sei, nunca saberei. Apenas sei que isso é uma dávida e que não pode jamais ser desperdiçado. Aos 15 anos, postou o seu primeiro vídeo no YouTube e, desde então, tem sido sucesso de visualizações em todo o mundo. Em 2011, segundo informações encontradas na Wikipédia, o produtor Jim Jonsin, que já produziu grandes músicas de cantores como Beyoncé, Usher e Lil Wayne, viu alguns vídeos desse talentoso espanhol e se interessou pela música dele. Após alguns acordos e reuniões por intermédio de seu produtor, Leroy assinou um contrato com a gravadora Rebel Rock, fundada em 2006 pelo próprio Jim, e em breve lançará o seu primeiro álbum de estúdio. Hoje, o canal de Leroy conta com 1.520.215 inscritos. 

Agora, vamos conhecer as vozes desses dois jovens. Escolhi três músicas que ambos fizeram covers e lançaram em seus canais, então será bem bacana ouvir a versão de cada um de "Love Me Like You Do", de Ellie Goulding, "Thinking Out Loud", de Ed Sheeran, e "Hello", de Adele, exatamente nessa ordem.

Nicole cantando Ellie Goulding:



Leroy cantando Ellie Goulding:



Nicole cantando Ed Sheeran:



Leroy cantando Ed Sheeran:



Nicole cantando Adele:



Leroy cantando Adele:



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Por hoje, é só. Espero que tenham gostado da postagem de hoje.
Postem nos comentários as suas opiniões e, se tiverem indicações de alguns cantores e/ou bandas que fazem covers, não deixem de me apresentar.

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