17/03/10

"Continue a nadar, continue a nadar...♫"

"Se a gente perder, que seja derrota suada, sofrida, roubada
De mão beijada nem a pau!
Se a gente ganhar, que seja vitória disputada, merecida, conquistada..."
(Jay Vaquer - Tal do amor)


O trecho dessa música fala muito ao meu coração quando a escuto. Deve ser por seu significado e por ter relação com o meu lado atleta. Tal do amor se tornou "a música" nas competições. Antes de cair na água, tenho que escutá-la e sentir uma onda de adrenalina correr por todo o meu corpo, fazendo meus pêlos arrepiarem-se quase que instantaneamente.
Quinta-feira passada, às 05:50 eu e mais quatro nadadores, amigos meus, estavámos dentro de um avião, rumo a Belém - PA. Nunca tinha entrado num avião e, claro, voado. Estava tão nervosa e tensa, que mal podia me mover na poltrona. E o resto do grupo se divertia com a minha tensão. Meu técnico, cortês como sempre, tentou me acalmar. Funcionou um pouco, mas não tanto... Depois de decolar, pude relaxar um pouco. Voar é realmente fantástico! A impressão que dá é que o avião mal sai do lugar. Imagina se não! Se eu não me engano, o piloto do avião disse, em certo momento, que estávamos a 800 quilômetros por hora. Não sei ao certo, mas... Que coisa, não?! E o que eu pensei naquele instante? Se esse avião bate, a gente morre na hora (risos)!
A verdade é que quando você viaja a primeira vez de avião, você tende a pensar em todas as tragédias áreas e, consequentemente, acha que a próxima será protagonizada pelo avião que você está. Eu sei, eu sou louca... Enfim, deu tudo certo. Até chegar em Belém, peguei três aviões. E haja conexões! Ou seja, andei de avião seis vezes. Que lindo!
Falemos um pouco do que me levou até lá. Parte da minha equipe embarcou para Belém (não poderam ir todos, devido a falta de passagens) competir o regional que as loterias caixa juntamente com o Comitê Paraolímpico Brasileiro organizam todo ano. O desejo? Só um: conseguir índice técnico para as etapas nacionais, que serão realizadas nas cidades de São Paulo, Fortaleza e Porto Alegre.
Eu estava muito nervosa, me sentindo pressionada por mim mesma e por quem esperava resultados expressivos de minha parte e acreditava em mim, mesmo que a pressão não fosse explícita. Eu tinha tido a chance de ir para Belém, mesmo com todo o sufoco para conseguir as passagens áreas. Tinham me dado esse crédito, e eu precisava honrar essa chance. Só que meus músculos não conseguiam relaxar, minha mente não se acalmava - eu temia não conseguir, temia o fracasso!
Na primeira noite, véspera da primeira etapa da competição, que seria no sábado, não consegui dormir logo. Eu precisava dormir, descansar, mas não foi fácil. Quando conseguir pegar no sono, era quase três da manhã, e eu precisava acordar às seis. Imagina como acordei!
A minha prova com mais chance de índice técnico era os 50m livre, mas essa prova só aconteceria no sábado à tarde. Pela manhã, só teria os 100m livre e os 100m costas, duas provas em que eu estou mais distante de obter os tais índices. Nos 100m livre forcei ao máximo, saí da prova com a sensação de dever cumprido, pelo menos ao que diz respeito às minhas marcas pessoais. Claro que ao longo da prova tive erros, ao que diz respeito a técnica do nado e tudo o mais. E é nisso que preciso trabalhar agora, e muito.
Os 100m costas, nadei tranquilamente, foi a primeira vez que nadei essa prova. O que viesse nela era lucro.
E veio a segunda etapa, o tal esperado 50m livre. Todo o meu corpo tremia, a pressão era muito grande, eu não conseguia me acalmar. Eu precisava conseguir o tal índice! A largada foi dada, eu caí desesgraçadamente na água... A saída mais horrível que eu já fiz em toda a minha vida, perdi muito tempo embaixo d'água, perdi a chance de conseguir o índice e saí da piscina com um nó na garganta, uma raiva de mim mesma absurda. E chorei... Chorei de tristeza, de raiva, de vergonha... Me senti miserável. Era a minha chance, e eu tinha falhado! Culpa de quem? Minha? Do meu nervosismo? São coisas que acontecem, disse alguém. É, infelizmente acontecem. Você treina tanto, coloca tanta fé em tal coisa, mas chega na hora e dá tudo errado. Não é a sua vez, não é A VEZ! E você espera a sua vez chegar, e que não demore. A raiva, a tristeza e a descrença em mim passaram. Não há mais nada a fazer, não se pode voltar ao passado e corrigir aquela saída. Não se pode!
"Continue a nadar, continue a nadar...♫". É isso que eu farei, continuarei a nadar, a treinar e a buscar os tais índices, o lugar mais alto do ranking.
Domingo nadei mal também, graças a uma dor de barriga desgraçada que deu em quase todos os atletas. Disseram que foi a carne do almoço, enfim... A prova dos 100m peito foi agoniante por isso.
Balanço geral dessa competição:
- Viagem super divertida, nunca estivemos tão unidos como dessa vez;
- Perdi mais ainda a minha timidez ao que diz respeito a fazer novas amizades e em me aproximar de minhas "rivais" fora da piscina;
- Melhorei minhas marcas pessoais;
- Me sinto ainda mais impulsionada a nadar e a crescer dia a dia como atleta;
- De qualquer modo, mesmo sem índice técnico obtido, é tão lindo olhar para as minhas quatro medalhinhas que consegui naquela piscina da UEPA. Duas de ouro e duas de prata. Ano que vem quero consegui-las numa etapa nacional!

Hoje recomecei meus treinos. A sede de melhorar só cresce! Que esse desejo, essa fome não se vá com o tempo. Preciso me mater firme no meu propósito!

"Vou dar braçadas, remar todos os mares do mundo!"

(Erica Ferro)



P.s: Acho que voltei definitivamente para o blog. A verdade é que eu não posso me reprimir por causa de gente estúpida que vem me criticar de modo anônimo e covarde. Críticas são sempre bem vindas, desde que sejam baseadas em argumentos convicentes e plausíveis. Me critique, mas não me humilhe. Detesto isso!
(...)
Preciso responder os comentários do post anterior; pouco a pouco faço isso.
Vocês estão bem, certo? Sentiram saudades de mim? (risos)
Um abraço da Erica Ferro.

04/03/10

Pode vir

Não quero mais te fazer nenhum poema
Minha essência não te toca
Minhas rimas não alcançam a tua rica exigência
Não consigo iniciar, desenvolver e finalizar os meus assuntos
Meus atos são os mais bobos do mundo

Sou uma criança
Uma falsa escritora
Uma idiota que caiu nas amarras do seu sorriso
Que foi presa pelos seus ditos
E que fantasiou os não-ditos

Não tenho regras
Nem métricas
Nem rimas
Só sinto e escrevo

E, agora, que venham as críticas!

(Erica Ferro)



P.s: Podem dizer: "Erica, que milagre você por aqui!".
É, apareci mais rápido do que imaginava.
Não tenho muito o que falar, nem de modo claro e nem fantasiado. Aliás, fantasias são coisas que menos me interessam no momento. Até porque o carnaval já acabou.
Aquele abraço!
Até a próxima.

03/03/10

Para você

Meus dedos começam a digitar pelo simples fato de querer me dirigir a você. Sim! Você que tanto ama meus textos, que se comove com a minha paixão e que beija o meu rosto pelo fato de eu fazer poemas tão ricos e cheios de sentido.
Você que já fez filmes hollywoodianos, estrelou peças por sua imensa capacidade de fingir.
No bilhar? És o melhor. Trapaceia como ninguém, mente o tempo inteiro, despudoradamente, pelo um prazer frio e ruim - pra alimentar seu o ego doente.
Olhe a sua manga. Cadê a carta que aí você escondia? Eu roubei! Você não contava com isso, não é mesmo? Não contava que eu pudesse te desmascarar, te arrancar a capa bonita, mas falsa que te encobria.
Infelizmente, você não conseguiu me enganar por muito tempo. Não o culpo, porque sua encenação de fato foi perfeita, como sempre é. Na verdade, a culpa é a minha por, infelizmente, ter uma visão além do normal. Enxergo no escuro. Não! Você, definitivamente, não contava com isso. Que pena! Você não deveria ter brincado comigo, não poderia ter me cutucado com vara curta. Eu te dei o bote!
Ajoelhe-se e reze, é o seu fim.
Acabou, pois nunca deveria ter começado por não ter verdade o suficiente pra ter um meio e um fim.
Infelizmente, você é um início de uma mentira que nunca terá uma continuação.
Será sempre uma obra interminada, um desejo de ser, mas a fraqueza das suas pernas te faz covarde e acomodado.
Mas olha... Você finge muito bem a força que não tem.

(Erica Ferro)



P.s: Apareceu a Eriquita, olê, olê, olá! ♫
As atualizações estão cada vez mais raras. Não me desculpo, porque sei que aqui tenho mais que leitores, tenho pessoas que se dispõe a sentir a minha alma e a me conhecer.
Quando tiver algo a ser exposto, desabafado, aparecerei.
Vocês, de algum modo, sempre estão comigo.
Agradeço àqueles que sentem um carinho sincero por mim. É disso que eu gosto: de sinceridade.
Um abraço da @ericona.