13 janeiro 2017

Precisamos falar sobre Kéfera Buchmann

Para quem não sabe, Kéfera Buchmann é uma YouTuber, mas também é atriz, já fez trabalhos como dubladora, atuou em filmes, apresentou programa de TV e escreveu livros. Ela começou a sua "corrida rumo a realização de seus sonhos" quando criou o canal 5inco Minutos no YouTube. Kéfera tem 23 anos e, segundo pesquisas, ela foi eleita pela Forbes, no ano passado, como uma das jovens mais promissoras do Brasil.

O canal de Kéfera tem mais de dez milhões de inscritos. DEZ MILHÕES. Não é pouca coisa, hein? É muita coisa, muita mesmo. Nunca li os livros que ela escreveu nem assisti a seus filmes. Porém, já assisti uns tantos vídeos dessa moça. Gostei de uns, de outros nem tanto e de alguns não gostei nada. Questão de gosto, certo? Certo. Porém, entretanto e contudo, o último vídeo dessa mocinha me incomodou sobremaneira, logo eu que sou tão de boas com quase todo tipo de piadas obscuras.

No último vídeo da Kéfera, intitulado Que calor da por..., ela discorre sobre as sofrências pela qual somos obrigados a passar por conta do calor desgramado que anda fazendo nos quatro cantos do país. A temática parece banal, mas divertida de se conversar e rir um pouco, né? Pois é. No entanto, não consegui rir com o vídeo. Do início ao fim, todas as gracinhas que a Kéfera tentou fazer soaram forçadas e sem um pingo de graça, na minha concepção. Mas, velho do céu, a gota d'água de todo o vídeo foi quando ela fez "piada" envolvendo Deus e masturbação. No minuto 3:15 do vídeo, ela discorre sobre uma coisa que a irrita profundamente, que é o fato de algumas mulheres conseguirem se manterem lindas no verão. E daí diz que essas tais mulheres parecem terem sido criadas por Deus num momento em que ele estava se masturbando, de tão perfeitas elas que são. Um efeito de raio, então, surge no vídeo, e Kéfera solta um monte de palavrões, dizendo a Deus que não precisava daquele "puta susto" e que iria se expressar de outra forma, para que Ele não ficasse "ofendidinho".  

Antes de mais nada, quero dizer que não, eu não sou puritana, também não sou uma louca religiosa e não sou beata, mas achei esse parte do vídeo bem ruim. Por quê? Primeiro, porque não teve a mínima graça, na minha opinião. Segundo, porque claramente esse trecho do vídeo parece ter sido pensado previamente com o intuito de chamar atenção e gerar polêmica e visibilidade depois de lançado. Terceiro, porque ofende os fãs dela que são cristãos. Ofendeu terrivelmente. Se bem que essa questão de ofender ou não a religião do próximo é complicada, porque não tem como respeitarmos todas as religiões. Por exemplo, quando vemos uma vaca, não vamos ver nela um ser sagrado, com os hindus veem. E isso os ofenderia. Percebem? É complexo. Poderia citar muitos outros exemplos com outras religiões, mas deixo aqui só o exemplo da vaca. Quarto, porque não teve a mínima graça. Sim, já disse isso no primeiro motivo, mas repito aqui, e digo mais, que é o ponto-chave da minha crítica: Porta dos Fundos sim sabe fazer um humor subversivo sobre religiões, que, ao contrário da tentativa de piada da Kéfera, tem um fundo de reflexão, de chamamento para rever alguns conceitos tão arraigados na sociedade e que deixamos passar batidos por puro comodismo. Ou seja, na minha opinião, se a Kéfera quer ser de fato subversiva ao fazer humor com temática religiosa, precisa assistir uns vídeos do Porta dos Fundos pra aprender como se faz esse tipo de humor.

Não sei se já mencionei no texto, mas não tenho absolutamente nada contra a pessoa da Kéfera. A minha crítica é única e exclusivamente ao vídeo já mencionado nesse texto. Mas, poxa vida, uma coisa eu tenho que dizer: o que a Kéfera recebeu de comentários extremamente cheios de ódio e de condenação não dá pra listar. Fui a página dela e vi por alto. Uma barbaridade. Pessoas que se dizem cristãs malhando a Kéfera sem dó nem piedade. Discordo totalmente desse comportamento de alguns ditos cristãos. Deus é amor e é justiça, eu sei disso, meus amigos cristãos. Só que eu não acho que Deus precise da nossa ajuda pra fazer justiça. Não me vejo no direito de trucidar a Kéfera, de dizer que ela merece queimar no mármore do inferno, que ela é uma herege e tantas outras coisas do gênero. Isso não me parece muito cristão. Ela falou uma merda sem tamanho, de acordo com o cristianismo? Sim, falou! Falou mesmo! Mas nós não podemos brincar de Deus e dizer qual será ou não o castigo dela. Se houver de fato um castigo pra o que ela disse, não somos nós quem vamos dar. Não somos Deus. Não somos perfeitos pra termos o direito de julgar a conduta de ninguém. Sabe o lance de tirar a trave do olho, antes de pensar em tirar a trave do olho alheio? Já tiramos a nossa? Então, pronto.

Concluindo essa bagaça que já está ficando gigantesca: a Kéfera errou, segundo o cristianismo. Pelo o que foi visto, com isso, ofendeu cristãos. No entanto, ninguém tem o direito de atirar nenhuma pedra em direção a ela por isso, porque ninguém é perfeito e livre de erros. No cristianismo, não existe pecado, pecadinho ou pecadão. Todos os erros, sejam quais erros forem, são pecados. O intuito desse texto era criticar a qualidade do conteúdo, que, na minha opinião, foi bem baixa. Desprovido de um humor inteligente, o vídeo da Kéfera foi apenas vazio e culminou em perda de um bocado de seguidores e o recebimento de uma porção de comentários raivosos.

Percebam, há uma diferença enorme no que eu produzo e no que a Kéfera produz: não atinjo muita gente, como ela atinge, e às vezes isso é até melhor, porque se eu soltar alguma merda, não vou ter uma horda louca me linchando virtualmente. Mas, mesmo sem ter um vasto público, eu penso bem no que vou postar aqui ou nas minhas redes sociais. Assim como não gosto que ofendam o que eu gosto, o que sou e o que eu acredito, tento não fazer o mesmo com os outros. Não que eu viva me policiando, me podando. De forma alguma, sou a favor de ser quem a gente é, doa a quem doer. Porém, temos que saber reagir às críticas e aos resultados das nossas ações com maturidade. Se queremos ser subversivos, que sejamos com maestria, com inteligência e com coragem, não como seres imaturos, que gritam, mas que não dizem nada de coerente e/ou aproveitável.  

6 comentários:

  1. Que bom ler esse texto, vindo de uma moça tão nova como você, Erica. S3 fosse eu a escrever, diriam.que é porque sou mais velha, penso "de outra maneira". Não há maneira diferente de pensar, nesse caso. Essa moça anda extrapolando.

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  2. Olha, só conheço essa Kéfera de nome, se bem que acho que alguém já me mostrou algum vídeo desse canal. Nunca fui muito interessada por youtubers. Até vi protestos religiosos sobre ela na minha timeline, mas não tinha entendido nada. Realmente tem gente que apela demais e é desnecessário. Acho que a fama sobe à cabeça dessa gente e eles não sabem o que fazem/dizem, perdem o limite. Vou ver o tal vídeo agora (ou ao menos tentar), só pra entender o nível de absurdo.

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  3. Já não gosto muito dessa moça, desde e que ela esnobou uma das minhas youtubers favoritas (Ana, do canal Assombrados ♡), mas, não acho que isso seja o suficiente para julgá-la. Pra mim esses vlogueiros estão *muito* sem graça, falam muito palavrão, e forçam pra ser engraçados. E pra mim esses foram os erros dela, além disso, achar que só porque falou de assunto polêmico (Como sexo, religião, feminismo e outro) acha que está intocável, a única coisa que percebo é que a intolerância, o preconceito e o machismo só se perduram com essas "piadinhas" de muito mal gosto.
    Ah, não sou cristã e mesmo assim detestei o modo com que ela tratou o tema. Muito inteligente sua crítica ao vídeo ;)

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  4. Precisamos mesmo falar sobre ela...
    Acho lamentável tantos jovens terem essa mulher como referencial. Uma das coisas que me chama a atenção é o vocabulário chulo dela, principalmente nos vídeos que fazia com o namorado (ou ex .sei lá... )

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  5. Aaaah Ericaaaa eu adoro vacas! Acho tão fácil acreditar que ela é sagrada, o argumento dos hindus é tão bom: ela da leite e seu esterco fertiliza a terra, a vaca é mãe pooohhh!!! hahaha Eu tento muito respeitar e compreender os tabus religiosos dos outros, apesar de achar que eles devem ser constantemente pensados e repensados, pq aquilo que fere, maltrata e mata não pode ser tido como sagrado, quando a religião diz que sim ai é hora de repensar! Mas seu texto não é sobre isso, eu só estou sendo eu e devaneando néh amiga, pq olha duas geminianas conversando kkkk Apesar desse meu discurso sobre religião eu acho mais problematico a Kefera bater na tecla de um padrão de beleza, de afirmar certo tipo de mulher como bonita e sendo assim produto de alguma ação especial de uma divindade... Nós não precisamos a esse ponto de nosso caminho disso! Meninas fora do padrão não precisam vê um ícone batendo nessa tecla de que existem mulheres que por sua estetica são mais especiais que as outras ou ficam bonitas mesmo no calor... Isso é lasca! Também não gosto da forma como a Kefera é tratada por algumas pessoas, como se ela fosse algo menos que um ser humano, como se ela fosse um alvo ótimo para o ódio. Isso é terrível, não devia ser aceito como normal ou tolerado por ela... mas enfim... é complicado! E sim, adorei o desfecho do texto, ser subversivo é legal, mas vamos fazer isso direito néh?!?!

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  6. Oi Érica!
    Eu conheço essa Kefera só de nome, não tenho paciência para ver vídeos então estou por fora dessa moda do YouTube. Mas pelo jeito ela foi beeem infeliz nesses comentários, hein! Mais um motivo para eu gastar meu tempo lendo meus livros.

    Beijos,
    Sora - Meu Jardim de Livros

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