20 fevereiro 2016

Ninguém ama ninguém

Ninguém ama ninguém,
canta Ville Valo,
com a sua voz intensamente
sedutora.

Ninguém ama ninguém,
disso sempre desconfiei.
Todos sempre voltados para os
próprios umbigos,
embevecidos por si mesmos,
encantados pelos seus reflexos
no espelho.

Ninguém ama ninguém,
todos se desencontram na fracassada
tentativa de amar e ser amado.
Ama-se a ideia que se tem do outro,
nunca o outro.

Ninguém ama ninguém,
porque o amor exige resiliência
de aceitar o outro como ele é,
por inteiro,
sem reservas,
sem máscaras,
sem ressalvas.

Ninguém ama ninguém,
pois amar é para quem não tem 
pressa de ouvir o outro,
de tentar entender,
de se envolver por completo,
de procurar somar
ao viver do seu dito amor.

Ninguém ama ninguém,
afinal porque amar dá trabalho.
Quem ama, se entrega, se doa, se dá
em prol do sentimento imenso que sente
pulsar dentro do peito.

Amor é para os loucos,
os insistentes, os que não
fogem da raia.
Amor é para quem não
tem medo dos obstáculos
da estrada esburacada que leva
ao sentimento tocante
de amor na mais pura substância.

Amor é para quem encara os horrores
e belezas dessa vida com a mesma
coragem.

Porque o amor é a melhor
arma de evolução e de revolução.
Agarremo-nos ao amor e deixe
que ele nos transforme,
pois, assim,
poderemos fazer do mundo
um cantinho mais aprazível,
colorido e com perfume de
rosas ou violetas.

Amor para
mudar.
Amor para transformar.
Amor para revolucionar.
Amor para tornar os dias
mais gostosos.

Findo, pedindo:
"Garçom, me vê um café
e um amor, por favor!".

(Erica Ferro)



 It's strange what desire will make foolish people do
I'd never dreamed that I'd need somebody like you
And I'd never dreamed that I'd knew somebody like you
No, I don't wanna fall in love
This world is always gonna break your heart 

(Wicked Game - HIM)


13 fevereiro 2016

Desejos #3

Olá, pessoas queridas! Como estão? E o carnaval, foi tri louco ou tranquilo?
Eu estou bem, curtindo um sábado de muita preguiça, penúltimo dia de descanso desse longo feriado de carnaval.

Eu amo livros, quem me conhece sabe disso. No entanto, há um tempo que estou meio impossibilitada de adquirir livros, por meio de compra, permuta ou em forma de presente. O motivo é que não há mais espaço na minha estante de livros. Depois de uns tempos sendo parceria de uma editora bacaninha, minha estante ficou lotadíssima. Alguns livros são ótimos e eu não quero abrir mão deles. Outros eu ainda não li, mas pretendo ler, então não posso dar adeus. E, por fim, há os que não eu li e não tenho interesse em ler, e por isso pretendo passá-los adiante. Só assim terei espaço pra obter livros que são do meu interesse e que até então não podia por não haver mais espaço pra guardá-los. Em breve, pretendo separar os livros e, finalmente, doá-los. Afinal, um livro que pode não ter me cativado, pode, facilmente, cativar outro alguém. Acredito piamente todos que podem vir a ser leitores. Basta, apenas, encontrar o livro que desperte interesse e devorar como se não houvesse amanhã. 

Dentre muitos livros que quero ter, listarei aqui, abaixo, alguns títulos de editoras que respeito e gosto bastante do trabalho:

Título: O cinema de meus olhos
Autoria: Vinicius de Morais
Organização: Carlos Augusto Calil
Páginas: 512
Gênero: Literatura Nacional / Cinema
Lançamento: 08/12/2015
Editora: Companhia das Letras

Sinopse: Vinicius de Moraes amava o cinema. Mantinha o hábito de frequentar a sala escura, escrevia críticas e comentários, acompanhava as mudanças - tecnológicas e estéticas - da sétima arte. Essa convivência com filmes aumentou bastante quando, no final da década de 1940, o então jovem diplomata foi servir no consulado geral do Brasil em Los Angeles. Nameca do cinema, pôde conviver com estrelas como Orson Welles e Carmen Miranda, entre outras. Esta edição, organizada pelo crítico Carlos Augusto Calil, traz novos textos de Vinicius de Moraes sobre o cinema, seus grandes diretores, as grandes estrelas. Líricos, por vezes críticos, sempre muito bem-informados, os escritos cinematográficos do grande poeta brasileiro continuam um convite ao prazer das telas e das páginas.


Por quê? Porque eu amo as canções e as poesias de Vinicius de Moraes, e há pouco tempo brotou em mim o desejo de saber mais sobre cinema. Quero, um dia, poder dizer que entendo de cinema - pelo menos um pouquinho. Será uma experiência muito prazerosa ver o cinema pelos olhos do Poetinha.


Título: Mulheres de Cinzas #1
Autoria: Mia Couto
Páginas: 344
Gênero: Literatura Estrangeira / Romance Histórico
Lançamento: 16/11/2015
Editora: Companhia das Letras

Sinopse: Primeiro livro da trilogia As Areias do Imperador, Mulheres de cinzas é um romance histórico sobre a época em que o sul de Moçambique era governado por Ngungunyane (ou Gungunhane, como ficou conhecido pelos portugueses), o último dos líderes do Estado de Gaza - segundo maior império no continente comandado por um africano.
Em fins do século XIX, o sargento português Germano de Melo foi enviado ao vilarejo de Nkokolani para a batalha contra o imperador que ameaçava o domínio colonial. Ali o militar encontra Imani, uma garota de quinze anos que aprendeu a língua dos europeus e será sua intérprete. Ela pertence à tribo dos VaChopi, uma das poucas que ousou se opor à invasão de Ngungunyane. Mas, enquanto um de seus irmãos lutava pela Coroa de Portugal, o outro se unia ao exército dos guerreiros do imperador africano.
O envolvimento entre Germano e Imani passa a ser cada vez maior, malgrado todas as diferenças entre seus mundos. Porém, ela sabe que num país assombrado pela guerra dos homens, a única saída para uma mulher é passar despercebida, como se fosse feita de sombras ou de cinzas.
Ao unir sua prosa lírica característica a uma extensa pesquisa histórica, Mia Couto construiu um romance belo e vívido, narrado alternadamente entre a voz da jovem africana e as cartas escritas pelo sargento português.
“Um romance notável, de grande força expressiva.” - Milton Hatoum

Por quê? Porque o lirismo e as reflexões causadas pela literatura de Mia Couto são verdadeiros bálsamos para mente e para o coração. Me encantei por Mia quando li O Fio das Missangas, coletânea contendo 29 tocantes contos. Tenho certeza que esse livro é ótimo, pelo fato de ser de autoria de Mia, bem como por se tratar de um romance histórico. Eu amo romances históricos!


Título: Uma História de Solidão
Autoria: John Boyne
Páginas: 416
Gênero: Literatura Estrangeira / Ficção
Lançamento: 15/01/2016
Editora: Companhia das Letras
Sinopse: Odran Yates era um garoto tímido nascido na Irlanda dos anos 1950. O país tinha uma longa tradição católica, e as leis da Igreja moldavam a sociedade com rigor claustrofóbico. Filho de um pai alcoólatra, que morreu com a certeza de que era um grande ator, e de uma mãe que abandonara a carreira de aeromoça para cuidar da família, Odran abraçou o caminho eclesiástico como único destino possível.
Primogênito de um lar disfuncional, que se tornou sufocante após uma tragédia familiar, Odran obedece à mãe e vai estudar em um seminário, onde conhece Tom Cardle, de quem se torna amigo. Ao contrário de Odran, tímido, inocente e reservado, Tom era irritadiço e rebelde. Não fossem os maus-tratos constantes do pai, ele nunca teria nem sequer passado em frente a uma igreja. Já Odran concluiria mais tarde que o sacerdócio era realmente adequado à sua personalidade.
Antes de se formar e ainda muito jovem, Odran fora designado para uma missão no Vaticano: caberia a ele servir pontualmente o café da manhã e o leite noturno do sumo pontífice - durante um ano, sete dias por semana -, incumbência que cumpriu com o rigor e o silêncio de “um fantasma”, como descreveria.
Da ingenuidade dos primeiros anos de colégio à descoberta dos segredos mais bem guardados da Igreja, o padre Odran Yates descreve uma Irlanda repleta de contradições e ódio por trás de um projeto social baseado nos bons costumes. Vive a decadência de seu ofício, que, diante de tantas denúncias de abuso sexual, passa a ser visto com desconfiança.
Mais do que lidar com a vida sofrida daqueles que ama e as implicações políticas de seu trabalho, o padre Yates tenta fazer um acerto de contas com a própria consciência, depois de ter sido convencido de que era inocente demais para entender o que ocorria ao seu redor.

Por quê? John Boyne é um escritor estrangeiro que há muito tempo vem me chamando a atenção. Ainda não conheço a sua escrita, mas absolutamente todas as resenhas e sinopses que leio acerca de seus livros são sempre incríveis, intrigantes e convidativas. Faz muito tempo que eu quero mergulhar em um dos romances de Boyne, que, segundo a maioria dos que o conhece, são densos, repletos de sentimentos e reflexões extremamente válidas. Essa temática, então, me interessou pelo fato de eu ter minhas curiosidades e críticas em relação aos dogmas e costumes da igreja católica. Penso que pode ser uma leitura bastante satisfatória.


Título: O Nadador
Autoria: Joakim Zander
Páginas: 320
Gênero: Literatura Estrangeira / Ficção
Lançamento: 22/01/2016
Editora: Intrínseca
Sinopse: Damasco, Síria, início dos anos 1980. Um agente secreto norte-americano abandona a filha recém-nascida em meio a um bombardeio, entregando-a a um destino incerto. A incapacidade de se perdoar o faz fugir do passado, levando-o ao Líbano, ao Afeganistão, ao Iraque - a qualquer lugar onde o perigo e a tensão o permitam esquecer seu erro.
Klara Walldéen foi criada pelos avós em uma ilha remota na Suécia. Assessora em início de carreira no Parlamento Europeu, em Bruxelas, ainda está aprendendo a navegar pelo ardiloso mundo da política quando acessa informações que não deveria, e se torna alvo de uma perigosa perseguição pela Europa. Apenas o ex-agente secreto poderá salvá-la. Mas, para isso, os dois precisarão revelar quem são. E o tempo está se esgotando.
Alternando habilmente entre passado e presente, entre Suécia, Síria e Estados Unidos, Joakim Zander tece uma rede de intrigas e suspense em um estilo sofisticado e descritivo que transformou O nadador em um estrondoso sucesso.

Por quê? Recentemente uma amiga querida compartilhou um post-divulgação da Intrínseca na minha linha do tempo no Facebook. Tratava-se de um trecho do livro O Nadador, de Joakim Zander. Desconhecia o título e o autor, até então. Pois bem, transcrevarei aqui: "Nadar mantém a culpa longe de mim. A repetição e o hábito a mantêm longe de mim. Na água, estou temporariamente seguro. Assim que paro, ouço o som da ignição do carro, vejo a imagem de uma criança muito pequena sob cacos de vidro, pedaços de concreto."
A maioria que me lê sabe que eu sou fissurada por natação, é tanto que sou nadadora paralímpica e nado cinco vezes por semana pra alimentar a minha paixão. Quando li esse trecho, senti empatia. Fiquei curiosa em saber do quê, ou de quem, o personagem vive a fugir. A estória que Joakim criou, segundo a Intrínseca, é um Thriller de tirar o fôlego. Poderia deixar de desejar esse livro? Não!


Título: A Arte do Descaso
Autoria: Cristina Tardáguila     
Páginas: 192
Gênero: Literatura Nacional / Não Ficção
Lançamento: 31/01/2016
Sinopse: Em pleno Carnaval, quatro homens invadiram o Museu da Chácara do Céu, no bairro de Santa Teresa no Rio de Janeiro, e roubaram cinco obras de arte: um Dalí, um Matisse, um Monet e dois Picassos, cujo valor estimado, na época, ultrapassava 10 milhões de dólares. Naquela tarde de 24 de fevereiro de 2006, os ladrões, de posse de uma granada, renderam os três seguranças, desligaram o sistema de câmeras de vigilância e fizeram nove reféns. Um dos invasores subiu em um móvel histórico para, com uma faca, cortar os fios de náilon que seguravam um dos quadros. Meia hora depois, saíram pela mata para nunca mais serem vistos. Até hoje se trata do maior roubo de arte do Brasil e do oitavo do mundo.
Decidida a desvendar o mistério, a jornalista Cristina Tardáguila chegou a se colocar em situações de risco a fim de encontrar respostas. Em sua jornada, ela viajou para a Europa e mergulhou no mundo obscuro dos crimes de arte. A partir de meticulosa apuração dos eventos, muito maior do que a da própria polícia, a autora produziu uma narrativa vibrante, cheia de reviravoltas dignas de um thriller, construída apenas com fatos.

Por quê? Sabe quando batemos os olhos numa sinopse e soltamos um animado "Esse livro parece ótimo! Quero!"? Foi o que aconteceu comigo quando li a sinopse desse livro de não-ficção da Cristina Tardáguila . Não conhecia a autora nem os seus trabalhos como jornalista e repórter, mas essa sinopse foi o suficiente pra me fazer querer conhecê-la. Tardáguila me pareceu ser como os jornalistas e repórteres que tanto admiro: destemidos e que se jogam em uma investigação para buscar todas as respostas que brotam em suas mentes criativas e inteligentes. Claro que preciso conhecer esse trabalho da Cristina!

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Por hoje, é só, coisas lindas!
Essa foi a minha pequena lista de desejos literários. Quem quiser me fazer feliz contribuindo para aquisição desses lindos livros, favor enviar um e-mail para sacudindopalavras@live.com e eu passo as instruções sobre como me mandar presentes. Como devem ter percebido, não há timidez em mim quando se trata de adquirir livros. Sinto muito prazer em trocar, comprar e ganhar livros! Sobretudo, ganhar! (risos)
Um grande abraço.
Hasta la vista!  
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09 fevereiro 2016

A difícil arte de ser resiliente

Sabe, a vida às vezes pode ser difícil pra cacete. Tem dias que nada faz sentido, que dá uma vontade de desistir de tudo, de si mesmo, dos outros, do mundo... Da vida. Tem dias que pensamos seriamente em jogar tudo pra o ar. Quando a gente apanha muito da vida, se enche de cicatrizes que parecem nunca sarar por completo, a vida fica pesada e quanto mais a gente pensa nisso, mais a gente se afunda e sufoca. "Não tá tranquilo, não tá favorável", dizemos pra nós mesmos. "Tá complicado, tá dolorido, tá impossível. Eu não vou conseguir suportar mais um dia", é o que repetimos incessantemente.

Repete tanto que isso acaba virando um mantra diário.  As pálpebras pesam e os olhos choram sem parar. As horas passam, o dia acaba mas nossas paranoias permanecem. É difícil acreditar num amanhã melhor quando tudo o que nos acontece, quando todos os pensamentos que nos assolam são cinzas e reforçam o nosso medo.

Esse inferno mental é insuportável, é enlouquecedor. O que fazer pra abrandar isso? Onde conseguir esperanças quando dentro de si não existe resquícios de pensamentos positivos? O que eu faço com toda essa tristeza e desespero? Como posso me ver livre dos meus fantasmas? Como posso vencer tudo isso? Eu posso vencer? Ou essa luta eu já perdi? Não consigo mais suportar. A confusão e o cansaço mental tragaram a minha paz e já há mais vigor em meu corpo.

Se já perdi a luta eu não sei, mas tenho procurado não entregar os pontos.  Tenho tentado levantar a cabeça, e mesmo com chuva nos olhos seguir. Eu sei que não é nada fácil,  sei que é difícil acreditar num amanhã melhor. Mas se eu não acreditar e não lutar, ninguém fará isso por mim. Porque não há remédio e terapia que resolva o ócio que me assolou.  Então mesmo que a luz no fim do túnel esteja apagada, eu levanto, lavo o rosto e vou enfrentar o monstro do dia e mais quantos vierem. A vida anda é pra frente.  Então o jeito é seguir.

Erica Ferro & Ariana Coimbra

* * *
Conversa no WhatsApp:
- Pensa rápido, Ariana. Vamos escrever agora? - pergunto.
- Agora? Sobre o quê? - responde Ariana.
- Sim! Sobre qualquer coisa. Eu começo.

E assim nasceu esse texto. Ariana Coimbra é uma mulher forte e valiosa, muito embora às vezes esqueça disso. Ela é uma das seletas pessoas com as quais converso sobre tudo, sem medo de ser julgada louca ou perturbada. E eu sei que ela também se abre comigo. Passamos por coisas semelhantes na vida, sobretudo no que diz respeito aos sentimentos e sensações que muitas vezes não conseguimos domar e eles acabam nos dominando, nos sufocando e causando uma verdadeira bagunça na nossa vida. Somos duas criaturas sensíveis, mas já fomos bem mais. Queríamos muito ser mais racionais, porque já tivemos provas suficientes de que sentimentais sofrem um bocado nessa vida louca. Mas o que podemos fazer? É o nosso jeito, é a nossa essência. Por esses e outros motivos, escrevemos e tentamos, por meio da escrita, nos tranquilizar e plantar um pouco de paz em nossas mentes e corações. Adorei escrever esse texto, assim, na lata, sem pensar muito, com a minha cara Ariana. Foi algo espontâneo, vindo mesmo do coração e dos nossos cérebros por vezes sobrecarregados e alucinados.
Nunca mais havia escrito assim, em parceria. Foi ótimo retomar essa forma de escrever. E que bom que foi com essa blogueira que conheço de longa data. Que outras parcerias venham, Ariana!

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06 fevereiro 2016

Sou toda amor por você


Eu encontrei-a quando não quis
Mais procurar o meu amor
E quanto levou foi pr'eu merecer
Antes um mês e eu já não sei

E até quem me vê lendo o jornal
Na fila do pão, sabe que eu te encontrei
E ninguém dirá que é tarde demais
Que é tão diferente assim
Do nosso amor a gente é que sabe, pequena

(Último Romance - Los Hermanos)


Quando já não havia mais esperanças em mim, eis que encontrei o que sempre procurei: a personalização do amor. Você... Sim, você! Esse ser doce, sincero, amigo, companheiro e que me arranca suspiros e risos com extrema facilidade.
É você - e só você - que me prende em conversas loucas e divertidas até altas horas da madrugada. Você me tira o sono à noite e invade os meus pensamentos durante o dia. Eu não sou romântica, você sabe. Aliás, acho que eu não quero parecer romântica, mas, no fundo, você desconfia que eu sou mesmo uma bobalhona, apaixonada e entregue a esse seu sorriso que desfaz toda e qualquer tristeza que queira habitar em mim.
Você me envolveu com sua voz mansa, cantadinha e rouca. Quando você fala, assim, baixinho, rente ao meu ouvido, não consigo segurar um suspiro e sinto gelar o meu estômago. Sua voz é música, e você, por inteiro, é poesia. Demorei pra te conhecer, mas agora, que você está comigo, não vou te deixar partir.
Entrelacei os meus dedos nos seus e o seu coração já se misturou ao meu. Somos duas criaturas alucinadamente apaixonados. Nossos dias são regados a vinho e poesia. Você tem sido a minha melhor companhia.
Obrigada por ser assim, alguém que me ama como sou, com meus defeitos e devaneios. O amor que lhe tenho é sincero e puro, disso nunca questione nem duvide por um segundo.


Erica Ferro


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02 fevereiro 2016

Ah, a morte...

A morte é uma piada
Martha Medeiros

Assisti a algumas imagens do velório do Bussunda, quando os colegas do Casseta & Planeta deram seus depoimentos. Parecia que a qualquer instante iria estourar uma piada. Estava tudo sério demais, faltava a esculhambação, a zombaria, a desestruturação da cena. Mas nada acontecia ali de risível, era só dor e perplexidade, que é mesmo o que a morte causa em todos os que ficam. A verdade é que não havia nada a acrescentar no roteiro: a morte, por si só, é uma piada pronta. Morrer é ridículo. 

Você combinou de jantar com a namorada, está em pleno tratamento dentário, tem planos pra semana que vem, precisa autenticar um documento em cartório, colocar gasolina no carro e no meio da tarde morre. Como assim? E os e-mails que você ainda não abriu, o livro que ficou pela metade, o telefonema que você prometeu dar à tardinha para um cliente? 

Não sei de onde tiraram esta idéia: morrer. A troco? Você passou mais de dez anos da sua vida dentro de um colégio estudando fórmulas químicas que não serviriam pra nada, mas se manteve lá, fez as provas, foi em frente. Praticou muita educação física, quase perdeu o fôlego, mas não desistiu. Passou madrugadas sem dormir para estudar pro vestibular mesmo sem ter certeza do que gostaria de fazer da vida, cheio de dúvidas quanto à profissão escolhida, mas era hora de decidir, então decidiu, e mais uma vez foi em frente. De uma hora pra outra, tudo isso termina numa colisão na freeway, numa artéria entupida, num disparo feito por um delinqüente que gostou do seu tênis. Qual é? 

Morrer é um chiste. Obriga você a sair no melhor da festa sem se despedir de ninguém, sem ter dançado com a garota mais linda, sem ter tido tempo de ouvir outra vez sua música preferida. Você deixou em casa suas camisas penduradas nos cabides, sua toalha úmida no varal, e penduradas também algumas contas. Os outros vão ser obrigados a arrumar suas tralhas, a mexer nas suas gavetas, a apagar as pistas que você deixou durante uma vida inteira. Logo você, que sempre dizia: das minhas coisas cuido eu,

Que pegadinha macabra: você sai sem tomar café e talvez não almoce, caminha por uma rua e talvez não chegue na próxima esquina, começa a falar e talvez não conclua o que pretende dizer. Não faz exames médicos, fuma dois maços por dia, bebe de tudo, curte costelas gordas e mulheres magras e morre num sábado de manhã. Se faz check-up regularmente e não possui vícios, morre do mesmo jeito. Isso é para ser levado a sério? 

Tendo mais de cem anos de idade, vá lá, o sono eterno pode ser bem-vindo. Já não há mesmo muito a fazer, o corpo não acompanha a mente, e a mente também já rateia, sem falar que há quase nada guardado nas gavetas. Ok, hora de descansar em paz. Mas antes de viver tudo, antes de viver até a rapa? Não se faz. Morrer cedo é uma transgressão, desfaz a ordem natural das coisas. Morrer é um exagero. E, como se sabe, o exagero é a matéria-prima das piadas. Só que essa não tem graça nenhuma. 

* * *
Faz tempo que li Doidas e Santas, livro no qual consta essa e outras crônicas da querida Martha Medeiros. Hoje a morte me angustiou e eu não consegui organizar os meus pensamentos pra poder transformá-los em palavras. Foi então que eu lembrei dessa crônica e me senti abraçada pela Martha. Concordo com cada palavra escrita por ela.
Nessa terça-feira chuvosa, vi amigas queridas sofrendo a perda de um amigo muito querido delas, amigo esse que não tive chance de conhecer direito. E ele era tão jovem! Pelo que pude perceber, era um ser tão sensato, tão disposto a fazer diferença nessa vida onde a maioria quer fazer tudo igual, e o pior: de uma maneira negativa ou pouco produtiva. 
Eu tenho medo da morte. Admiti isso hoje. Tenho um medo lascado de morrer. Um medo enorme de deixar de respirar, de ser interrompida bruscamente de continuar trabalhando na construção dos meus sonhos e de não mais poder compartilhar a vida ao lado das pessoas que gosto. Tenho um tremenedo medo de sofrer pela perda de pessoas queridas. 
A morte é uma piada, como a Martha disse, e muita da sem graça. A morte me deixa triste, temerosa, reflexiva e, ao mesmo tempo, com uma vontade imensa de sugar a vida com todas as minhas forças. Quero viver tudo o que tenho pra viver. Quero amar as pessoas como se não houvesse amanhã. Quero proteger a minha alma e o meu coração de toda a negatividade. Quero ser só amor e paz. Quero disseminar o que houver de melhor em mim e fazer a minha parte pra transformar esse mundo num lugar melhor, mais digno, mais igualitário e bonito.
A morte precisa nos despertar pra vida. Só temos o agora e isso é assustador, mas é tudo o que temos. Não podemos adiar a morte, mas podemos parar de adiar a vida. Vivamos, pois!

Um abraço carinhoso,
Erica Ferro

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