30 março 2015

A você, com amor - Vinicius de Moraes

A você, com amor
Vinicius de Moraes

O amor é o murmúrio da terra 
quando as estrelas se apagam 
e os ventos da aurora vagam 
no nascimento do dia... 
O ridente abandono, 
a rútila alegria 
dos lábios, da fonte 
e da onda que arremete 
do mar...

O amor é a memória 
que o tempo não mata, 
a canção bem-amada 
feliz e absurda...

E a música inaudível...

O silêncio que treme 
e parece ocupar 
o coração que freme 
quando a melodia 
do canto de um pássaro 
parece ficar...

O amor é Deus em plenitude 
a infinita medida 
das dádivas que vêm 
com o sol e com a chuva 
seja na montanha 
seja na planura 
a chuva que corre 
e o tesouro armazenado 
no fim do arco-íris.

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Nota rápida:
Olá, povo. Não, eu não morri. Apenas ando ocupada e um tanto sem inspiração e ânimo para gerar conteúdo para esse querido blog. Como não gosto de me forçar a fazer coisas que amo, como, por exemplo, escrever, que é o caso em questão, estou dando tempo ao tempo e aguardando o meu período produtivo voltar. 
Hoje estava com vontade de cair de cabeça num mar de poesia, então resolvi ouvir e ler Vinicius de Moraes, que tanto gosto. Esse poema A você, com amor  me chamou atenção em especial e eu quis compartilhá-lo com vocês, os meus queridos amigos seguidores. Não sei se vocês conhecem o site dedicado ao Vinicius, o poetinha, mas se não conhecem, sugiro que conheçam clicando aqui. É um espaço maravilhoso no qual, em suma, figuram diversos conteúdos sobre a vida e obra de Vininha.
Agradeço a todos que passam por aqui, deixam um comentário, um elogio, um carinho, uma crítica construtiva etc. São essas coisas que me alegram e colaboram para que eu continue blogando.
Um grande abraço a todos.
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Hasta la vista.

Erica Ferro

09 março 2015

Pelo direito de ser quem se é!

Muitos podem achar que ser deficiente é algo sofrido, difícil, triste e sombrio. Na verdade, ser deficiente não é o problema. Pelo menos eu, pessoa com deficiência, não vejo a minha deficiência como um problema. O problema é a falta de acessibilidade – que vai bem além de calçadas e rampas. E de conhecimento por parte dos não deficientes, claro.
Duas coisas que facilitariam bastante a vida das pessoas com deficiência: acessibilidade e o debate constante e maciço sobre o tema deficiência. Porque, veja bem, se as pessoas com deficiência tivessem assegurado o seu direito de ir e vir, bem como oportunidades de desenvolverem e aplicarem suas habilidades, seja no meio escolar/acadêmico e/ou no mercado de trabalho, muitos dos constrangimentos e lutas judiciais não precisariam existir.
Dia desses eu tive o desprazer de ler uma matéria a respeito da falta de acessibilidade enfrentada por umadvogado cadeirante num fórum de São Francisco de Paula/RS. O que mais me chocou não foi só a falta de acessibilidade, mas sim o que o magistrado disse para o cliente do advogado: “Por que tu não botou um outro advogado? Sabia que ia ser assim.”. Tocante isso, não? Quer dizer que não evoluímos nada ao longo desses anos? Quer dizer que a sociedade continua pensando pequeno em relação à causa das pessoas com deficiência? Quer dizer que nós, porque temos uma deficiência, devemos ficar em casa, sem estudar ou trabalhar porque, aparentemente, a sociedade acha mais fácil e prático nos excluir do que investir em acessibilidade para que todos, sem exceção, possam ser livres para viver e executar as suas atividades com plenitude? Eita sociedade caduca! Será que esse quadro um dia vai mudar? Ou a nossa luta se resumirá a dar murro em ponta de faca? Oh, não! God não permita!
Bem, bem, depois do momento desabafo, porque não, eu não consigo falar acerca de deficiência sem “soltar os cachorros”, nem que seja só um pouquinho. Eu tento não me estressar com todos os absurdos que eu vejo envolvendo a pessoa com deficiência, mas é impossível, já que não me estressar seria aceitar e me acomodar em relação ao descaso e a falta de respeito que nós, deficientes, encaramos todos os dias. No entanto, em contrapartida, há uma gente linda e boa que luta todos os dias para que deficientes sejam vistos como verdadeiramente são: humanos. Gente bela que mostra por meio de poesia, literatura e arte que todos somos diferentes, mas que as nossas diferenças podem conviver lado a lado e, juntas, formarem uma bonita diversidade.
Eu vi uma animação linda-de-viver chamada “Por que Heloísa?”Segundo as minhas pesquisas, a animação é a continuação de um livro homônimo, escrito por Cristiana Soares. O roteiro é de Cristiana e Carolina Ziskind e as ilustrações são de Ari Nicolosi. O curta é uma realização em parceria entre Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo e a TV Cultura. Se quiser saber mais, é só clicar aqui e conhecer melhor esse trabalho.



É um curta com uma dose de poesia que diz mais ou menos o seguinte: “Olha, as pessoas com deficiência não são de outro mundo. Você não precisa ter medo delas. Você precisa conhecê-las e, junto com elas, lutar para que cada vez mais todos tenhamos o direito de ser quem somos, fazer o que nos apraz e andar por onde quisermos andar, seja com as pernas, com próteses ou sobre rodas.”. E essa é a mensagem que eu queria deixar aqui hoje. Espero que você, leitor, assista essa animação, absorva os seus ensinamentos e possa praticar no seu dia-a-dia. O mundo só mudará se mudarmos a nós mesmos primeiro.

Eis a animação:



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Um abraço da @ericona.
Hasta la vista!