27 agosto 2012

Resenha: A linguagem das flores - Vanessa Diffenbaugh



A linguagem das flores, de Vanessa Diffenbaugh
(Editora Arqueiro; 304 páginas) 
Victoria Jones sempre foi uma menina arredia, temperamental e carrancuda. Por causa de sua personalidade difícil, passou a vida sendo jogada de um abrigo para outro, de uma família para outra, até ser considerada inapta para adoção. Ainda criança, se apaixonou pelas flores e por suas mensagens secretas. Quem lhe ensinou tudo sobre o assunto foi Elizabeth, uma de suas mães adotivas, a única que a menina amou e com quem quis ficar... até pôr tudo a perder. Agora, aos 18 anos e emancipada, ela não tem para onde ir nem com quem contar. Sozinha, passa as noites numa praça pública, onde cultiva um pequeno jardim particular. Quando uma florista local lhe dá um emprego e descobre seu talento, a vida de Victoria parece prestes a entrar nos eixos. Mas então ela conhece um misterioso vendedor do mercado de flores e esse encontro a obriga a enfrentar os fantasmas que a assombram. Em seu livro de estreia, Vanessa Diffenbaugh cria uma heroína intensa e inesquecível. Misturando passado e presente num intricado quebra-cabeça, A linguagem das flores é essencialmente uma história de amor – entre mãe e filha, entre homem e mulher e, sobretudo, de amor-próprio. 

Ouso dizer que, de todas as minhas leituras de 2012, A linguagem das flores foi o livro que mais me afetou no sentido de me tocar, ora positivamente, ora negativamente.
O livro é narrado por Victoria, o que nos deixa ainda mais próximos do que se passa em sua mente e em seu coração.
Os capítulos d'A linguagem das flores se alternam entre presente e passado. Acompanhamos o presente de Victoria: a sua emancipação, as dificuldades de estar sozinha no mundo, sem ninguém com quem contar, as suas noites dormindo em praça pública, cultivando seu jardim particular, até quando ela consegue um emprego em uma floricultura local. Sua vida melhora, ela ganha o suficiente pra não dormir mais na rua e poder se alimentar regularmente. Renata, dona da floricultura, logo percebe o talento incrível de Victoria com as flores. Com isso, Victoria ganha não só a admiração e a confiança de Renata como também a de seus clientes, que solicitam o trabalho de Victoria, por acreditar que, o talento dela aliado a linguagem das flores, tem o poder de mudar a vida deles.
Em meio a isso, Victoria nos transporta para o passado, nos contando a sua vida atribulada em diversos abrigos e lares adotivos, até que ela nos fala de Elizabeth, uma de suas mães adotivas, a única pessoa a quem Victoria amou e por quem foi amada em sua infância.
A verdade é que Victoria sempre teve um gênio muito difícil: avessa a carinhos e incapaz de sentir empatia por alguém. Isso mudou quando Elizabeth conquistou, pouco a pouco, o seu coração. Victoria descobriu que tinha a capacidade de amar e sentiu em si mesma o poder transformador do amor. Porém, Victoria fez algo grave, que culminou na separação das duas. Ela voltou a viver em abrigos até a sua emancipação.
O motivo da separação das duas é revelado gradativamente; e, aos poucos, compreendemos a razão de a Victoria ser quem é, reclusa, amargurada, atormentada por fantasmas do passado e cheia de culpa. O encontro com Grant, um rapaz que trabalha no mercado de flores, a faz encarar o passado e resolver questões que foram adiadas por tempo demais. Daí por diante, notamos uma bela e importante transformação na vida e na personalidade de Victoria.
Victoria é uma das protagonistas mais marcantes que já conheci em livros. Ela nos provoca sentimentos diversos, como pena, afeto, raiva, indignação e amor de novo. Não compreendemos inicialmente algumas de suas ações e decisões, mas aprendemos a enxergá-la e sentir amor por ela da maneira que ela é. Nossa afeição por ela cresce ainda mais quando, a certo ponto do livro, ela se encontra consigo mesma e consegue se perdoar por todo o mal que julgou causar a todos que conviveram com ela.
Um dos pontos mais bonitos do livro é o amor de Victoria pelas flores (amor esse herdado de Elizabeth, que é quem lhe ensina tudo sobre as flores e os seus significados). Eu não entendo nada de flores, por isso foi meio difícil no começo visualizar as flores que eram descritas no livro, mas nada que atrapalhasse a leitura ou tirasse o encanto do livro. Muito pelo contrário, se interessar pelas flores e se deslumbrar por seus significados é algo fácil e quase automático quando se lê A linguagem das flores.
A linguagem das flores é sobre arrependimento, crescimento, remissão e, sobretudo, sobre o poder transformador do amor. Indico a quem aprecia tramas com personagens marcantes e singulares, com histórias de vidas contundentes, que nos tiram da zona de conforto e nos impulsionam a enxergar a vida por novos ângulos.

Erica Ferro

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Um abraço da @ericona.

24 agosto 2012

Não sei mais...

(link da imagem)

Agora, mais do que nunca, entendo o que o Raulzito queria dizer com "não pense que a cabeça aguenta se você parar..."
Parei há tempo e agora, que preciso urgentemente continuar, não sei mais.
Perdi-me pelo caminho, estou totalmente perdida. Sei que preciso seguir adiante, mas as minhas pernas não respondem.
Sei que preciso mover-me para dar continuidade a projetos há tanto tempo traçados, mas é que eu fiz uma pausa de descanso na hora errada. E agora é chegado o momento de continuar, de retomar a andança. Aliás, eu já estou atrasada, eu já deveria estar caminhando. Acho que estou com medo novamente. Medo de frustrar-me de novo. Eu sei que frustrações fazem parte da vida, mas nem por isso devemos nos privar de tentar realizar nossas metas. É um risco do jogo da vida. Mas, de verdade, eu não sei como seguir. Travei aqui no meio da estrada e não sei o que devo fazer para prosseguir. É só dar um passo, que o outro vem quase que automaticamente, certo? Mas tenho medo de dar um passo, desequilibrar e cair dolorosamente ao chão. 
Eu não deveria ter parado. Eu não deveria ter dado pausa alguma. Deveria ter seguido adiante sem descanso, com afinco e com voracidade. 
Mas a verdade é que eu parei, que eu perdi o ritmo, que estou perdida e não sei o que fazer. Esses são os fatos. 
E agora, o que eu faço? Esperarei a coragem me tomar, a força se apossar de cada músculo do meu corpo e a fé dominar a minha alma, para que eu possa voltar a caminhar, com a tranquilidade e a confiança de antes.
E se tais coisas demorarem a chegar, irei no impulso, sem armas, sem fé, sem nada, apenas com a loucura de querer continuar, mesmo sem saber ao certo o que me aguarda no fim da estrada.

Erica Ferro

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(...)
 Um abraço da @ericona.

15 agosto 2012

Resultado da promoção "Pollyanna" - Eleanor H. Porter

Olá, pessoas!
Hoje é dia de revelar quem ganhou o livro "Pollyanna", um dos clássicos da literatura infanto-juvenil, escrito por Eleanor H. Porter. Como resenhei aqui, é um livro encantador, que nos ensina coisas valiosas: a ter um olhar mais otimista sobre a vida, por exemplo. Acredito que o ganhador ou ganhadora se encantará pelo livro tal como eu me encantei.
Foram 162 participações, número bem maior que a primeira promoção que fiz no blog, coisa que me deixou bem contente. Quero agradecer a todos que participaram, de coração.

Mas, bem, sem mais delongas, é hora de sortear:



E quem receberá em casa o livro "Pollyanna" é...



(clique para ampliar a imagem)


Parabéns, Vanessa Bittencourt!
Enviarei um e-mail requerendo os seus dados. Você tem quatro dias para me responder.

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É isso, pessoas. Até qualquer hora.
Oops, já ia esquecendo: sigam e curtam o blog.
Um abraço da @ericona.
Hasta!

09 agosto 2012

♫ Confie em si mesmo... ♫

Com quem realmente posso contar?
Já me fiz tanto essa pergunta, e creio que você que está lendo isso agora também.
Porque, olha, encontrar alguém que ria com a gente é fácil demais. Qualquer um pode engatar uma conversa em qualquer lugar, uma conversa divertida e animada, que nos faça esquecer por uns minutos ou horas os nossos problemas, nossas dores e dúvidas, e sei lá o quê mais. Mas, e confiar? Em quem a gente pode confiar? Paro pra listar as pessoas com as quais posso contar, nas quais posso confiar, e são tão poucas. Tão poucas. E, obviamente, não é com alegria que eu constato isso. Não é novidade pra ninguém que nos decepcionamos constantemente na vida, seja com as pessoas ou seja com nós mesmos. Mas hoje eu quero falar das pessoas. É muito deprimente gostar de alguém, confiar, até mesmo amar, e esse alguém, de uma hora pra outra, nos apunhalar pelas costas. Traição. Falsidade. É disso que estou falando. Se há uma coisa que prezo é a sinceridade. Sim, todo mundo preza pela sinceridade, você pode dizer. Será que preza mesmo? Se prezasse não existiria tanta gente farsante por aí. O fato é que as pessoas mentem, traem, fingem, machucam, pisam umas nas outras. Essa é a cruel verdade. Verdade bem conhecida, diga-se de passagem. Porém, pela milésima vez, eu estou revoltada com o tema. Por que é impossível pra alguns ser verdadeiro? Por que fingir ser amigo de alguém quando não se é, quando não se sente algo pela pessoa? Por que falar mal de alguém quando esse alguém está ausente?
Já disseram que eu era supersincera. Francamente? Eu prefiro magoar alguém dizendo o que eu penso a dizer o que ela quer ouvir e fingir ser algo que eu não sou. Não, eu não quero dizer aqui que eu sou certinha. Não se trata de fazer as coisas certas. Ou não só disso. Se trata de não fazer com os outros o que não queremos que façam conosco. Sim, é clichê. Muito clichê. Mas quem, na hora de agir, lembra disso? Quantos lembram?
De verdade, isso me entristece demais. E o que me entristece ainda mais é que, de onde menos esperamos, vem a punhalada. E quem dá a punhalada é aquele amigo nosso. Aquele que a gente jurava que podia contar pra todas as horas, pra todos os momentos. Aquele que a gente pensava que poderia falar de tudo, porque o que disséssemos estaria totalmente seguro. E, pasmos e desconcertados, descobrimos que o amigo era um desgraçado, fingido de uma figa, que fala mal de nós pelas nossas costas, que ri de nós na nossa ausência. Descobrimos que não, nós não podemos contar com tal pessoa. E, então, é aí que a gente se fecha no nosso mundinho, tristes e descrentes de tudo e todos, e ninguém entende a razão. Ou finge não entender a razão. Porque, sinceramente, algumas pessoas são muito desavergonhadas, essa é a palavra, desculpa. Fazem pouco caso da amizade que devotamos a elas, nos machucam, nos pisam, nos ferem, nos traem, e depois não entendem a causa do nosso afastamento, da nossa reclusão. Essas pessoas seriam engraçadas se não fossem desprezíveis.
Olha, Renato Russo estava certo: se nós quisermos alguém em quem possamos confiar, o mais sensato é confiarmos em nós mesmos.

Erica Ferro

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Últimos dias pra participar da promoção Pollyanna. Corre, ainda dá tempo! Um abraço da @ericona.

01 agosto 2012

Fugindo...


(fonte da imagem aqui)

Estou fugindo.
Fugindo de... 
Não sei bem de quê ou por que. Mas estou fugindo, correndo insanamente, à toda. Fugindo, desesperadamente. Fugindo e fugindo, incansavelmente. 
Eu cansei de uma pá de coisas e resolvi fugir antes que a fadiga me sufocasse e me matasse. É que eu não quero morrer, eu só quero fugir. Não, não funda a sua mente tentando entender as razões da minha fuga. Talvez nem haja lógica nessa minha louca evasão. Mas quem disse que tem que ter lógica? Ah, que se dane a lógica. Eu só quero fugir, me esconder, ficar quietinha num canto, me recuperando de não sei bem o quê. 
Eu não gosto de ser repetitiva, mas é inevitável quando se trata do tema vida. Eu já disse que a vida é por demais cansativa, entretanto eu tenho que dizer hoje novamente. A vida cansa. Mas cansa muito. Muito mesmo. E quando a vida cansa, pesa, chega a hora em que temos que tirar nosso time de campo, pedir um intervalo, tomar uma água, respirar fundo e voltar a jogar. Eu sou assim. Eu preciso de um tempo de tempos em tempos, compreende?
E eu escrevo nesses tempos de cansaço, escrevo muito, pois é quando estou perdida que encontro as palavras. Escrevo muitas asneiras, é verdade, não faço esforço para negar isso. Mas eu gosto de deixar os dedos escreverem, livres, revelando o que se esconde na alma e se passa na mente. E, por isso, eu até gosto dessa confusão mental, dessa fuga maluca. Escrever é libertador.
A vida é cansativa, mas é boa, é bonita, é divertida. Viver é um mistério que nem em um milhão de anos eu poderia desvendar. Aliás, tentar desvendar o mistério da vida não é tão importante quanto parece. O bom mesmo é viver, mesmo sem entender.  

Erica Ferro

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Primeiro post de agosto. Que lindo! Que seja um mês muito positivo pra mim e pra vocês. Nada de desgostos, hein, agosto?  
Ah! Não esqueçam de participar do sorteio do livro Pollyanna, okay? As regras são simples e o livro é encantador. O convite está mais do que feito. 
Um abraço da @ericona. E até mais ver.