30 abril 2010

O que sobrou do baile

Fui convidada a um baile a fantasia,
me fantasiei de mim mesma.
Lá, me ofereceram uma bandeja com

porções de raiva,
indignação e desgosto.
Devorei-as, não como quem
degusta um belo banquete, com iguarias raras
e finas, mas como quem se farta do
veneno que o inimigo, amanhã, será
obrigado a se fartar.

Me presentearam com uma justa pulseira
de espinhos,
que foi cravada em minha pele
que o sol queima todas as manhãs.
Choveu sangue no chão,
sangue do meu pulso,
sangue que adubou a terra seca.

Do baile, onde provei
dos venenos da morte e me foi dada
a pulseira que dilacerou-me a vida,
sobrou a música que ecoava em minha cabeça,
doce e suave,
enquanto a vida ia-me fugindo levemente,
lentamente...

(Erica Ferro)



Hoje eu estou cansada...
Sabe quando você cansa? Que a rotina te dá um abraço de urso e faz suas costelas doerem? Pronto, eu estou cansada.
Cansada em vários aspectos, mas prefiro deixar isso em segredo, revelado metaforicamente nesse poema, se é que se pode chamar assim.
E anônimos nunca mais! Cansei de brincar com seres chatos, que preferem esconder o que pensam ou que, na pior das hipóteses, apenas gostam de machucar as pessoas, de tirar uma "onda" com quem não deveriam tirar, por não conhecerem direito, por não terem o direito de ofender. Aliás, tais anônimos deveriam procurar algo mais útil do que ficar o dia inteiro na internet, procurando quem ofender, quem criticar mascaradamente. Bando de mal amados e covardes!
Bem... De qualquer modo, acabou o mês e isso não é um motivo muito feliz. Sei lá, já disse que não gosto de finais, não é? Sentirei falta de abril. Mas beleza, Maio está aí, todo lindo, todo cheio de charme, me chamando, me implorando que eu o explore sem pudor. Beleza, Maio, te segura que lá vou eu!
Amanhã estarei no Divã Cor de Rosa - espero vocês lá!
Um abraço da @ericona sem juízo!


29 abril 2010

Aulinha da Ericona

Dez lições do cotidiano

I - A vida nos deixa diversas marcas. Evite espremer espinhas.
II - Nunca diga que algo ou alguém é uma matéria fecal, sério. Tenha uma experiência próxima com tal coisa e, certamente, aprenderá isso. Seja lá o que for ou quem for, é uma comparação muito pesada (e fedida).
III - Nunca confie no fornecimento de energia, ele é um marido cafajeste; te trairá. Se está fazendo algum trabalho de relativa ou alta importância no computador, não seja idiota; salve, à medida que o for concluindo, para não quebrar a cabeça, quando a mesma encontrar com a parede, num acesso de fúria e loucura. Não adiantará, meu amigo. Só irá ter mais gastos. Isso é, se o computador não queimar de vez. Gastos com remédios por uma cabeça açoitada e um computador novo cabem no seu orçamento? Então, vá em frente.
IV - Quer descobrir o quanto seu amigo é, de fato, seu amigo? Simule um assalto. Se ele for esperto, te largará no meio da estrada, sob a mira de um revólver. Entenda, é questão de sobrevivência. Não se zangue. E vai ser uma simulação mesmo. Agora, só falta você ser muito azarado e ser assaltado pra valer, porque o mundo anda muito pacífico ultimamente, não é? A chance de ser assaltado é quase zero.
V - Como é? Você é vestibulando, sua vida anda uma loucura, nem tempo pra namorar tem? Largue tudo, vá viver. Nas questões abertas, deixe sua imaginação fluir. Acredite, saber encher linguiça é o que há! Nas questões de multípla escola, faça aquela velha e boa tática da "mamãe mandou". É batata! Foi assim que eu não passei no vestibular.
VI - Quer muito esconder uma coisa? Não a esconda. O resultado é sempre o inverso. Confie nisso e sorria.
VII - A vida é uma caixinha de surpresa. Dê duas doses de pinga para a sua mulher e descubra tudo o que você não descobriu em anos de casamento. É o poder da pinga!
VIII - Pule a cerca, mas se certifique, antes, se tem espinhos.
IX - Não queira resolver os problemas alheios. Se conselho fosse bom, eu não estaria aqui escrevendo tais asneiras. Mas, por favor, não pare de ler agora.
X - E, por último, mas não menos importante, não faça postagens idiotas como essas. Eu corro um sério risco de levar uma "tomatada" na cara. Mas, meus caros leitores, a intenção foi boa (e esqueçam aquele ditado que "de intenções boas, o inferno está cheio").

(Erica Ferro)

* * *

Sério, não me matem por causa dessa postagem, hein? Foi uma ideia meio tosca, eu sei; mas eu queria escrever e publicar essa ideia idiotinha; afinal eu não tenho o menor problema de parecer idiota ou ridícula. Felizes são os idiotas e os ridículos (outra lição! haha)!
E que os anônimos sejam bonzinhos ou, melhor, que nem apareçam porque hoje faz sol e eu não quero chorar. Vixe! Que drama. Parei, hein? Um cacho de bananas para os anônimos (é cientificamente comprovado que banana é excelente para cãimbras!).
Um abraço da @ericona pra vocês.

28 abril 2010

Uma só bala

Diário, meu diário,

Hoje eu só tenho você. Aliás, quem eu tinha ontem? Deixe-me ver... Ninguém. Achei que tinha um ombro para me apoiar, tirar um cochilo, chorar, ou apenas descansar. Pensei que o sorriso que via todos os dias era amostra de uma verdade que no peito se escondia. Que a voz aveludada que comigo falava era fruto de uma tal árvore do amor. Que aquele corpo forte e convidativo queria o meu na mesma medida que eu o queria, ou pelo menos com a mesma verdade. Mas eu escorreguei, caí das alturas e quebrei duas costelas. "Mais uma de amor"? Não sei. Porque eu não sei o que é esse amor que eu nunca toquei.
Diário, eu não gosto de igrejas, de pastores ou de padres. Talvez se eu gostasse, eu fosse me confessar, me aconselhar com esse homens de tanta fé, ou que dizem ser. Acredito mais na segunda possibilidade. Sim, diário, eu não tenho fé nas pessoas e, infelizmente, não consigo acreditar em deus (minúsculo mesmo). Eu não acredito nem em mim. Não sei das minhas forças, de onde eu posso chegar, o que posso fazer. Na verdade, ando por aí feito louca, com os olhos vermelhos, torcendo as mãos. Ai! Eu enlouqueci! "Talvez eu passe um tempo longe da cidade", mas será que essa seria a solução? Não consigo fugir de mim mesma, das minhas próprias frustrações, desse desencontro que tenho com um amor mútuo. Seria inútil.
Diário, se você fosse gente, eu agarrava em sua mão e deixava você me guiar, porque eu só tenho você, só confio em você. Mas, diário... Você não é gente. Nem sei se eu sou gente ou se sou um fantasma, vagando sobre essa terra de poucos, poucos felizes.
É, eu sou um fantasma; morri quando uma bala chamada amor acertou em cheio meu peito. Mortal, diário. Foi mortal.

(Erica Ferro)

* * *

Conto para edição musical do projeto Bloínquês.

* * *
Meu povo! Agora é sério. Mil anos que não venho aqui, que não leio nenhum blog; que saudade!
Minha internet está muito ruim, muito mesmo. Quando eu penso em postar, ela fica cheia de frescura. Agora, momento raro, ele está "navegável" (só quero ver quanto dura isso, haha). Aproveitei e resolvi escrever algo. Não tinha ideia do que escrever; aliás, tinha e tenho, mas são ideias loucas que eu preciso organizar. Então dei uma olhada nos temas de alguns projetos e me surgiu a ideia de criar esse conto sofrido (sempre sofrido). É, deve ter alguma pessoa por aí, nesse mundão, que deva estar sentindo coisas semelhantes, frustrações semelhantes. Porque, sinceramente, sempre há um ser em cada esquina com o coração latejando, seja de dor ou ainda naquela fase de encantamento. A paixão paira no ar, meus amigos (haha!).
Um abraço da @ericona, doidíssima, mas que gosta muito de vocês e desse cantinho!


22 abril 2010

Dança estranha

Teus olhos choveram forte
depois daquela ida a praia
onde as ondas levaram a tua fé
a tua esperança em um ombro
pra chorar
um peito pra guardar
o que de melhor você poderia dar

Tu te fizeste inverno perpétuo
porque o verão já não faz parte
das tuas estações
Tu te tornaste gelo que queima quem toca
e repele pra onde as mãos
não alcançam

Tu me conquistaste com tua
dificuldade
teu destempero tão convidativo
Tu me ganhaste com essa
mania de me tirar o chão dos
pés com as tuas verdades
tão fortes e consistentes
baseadas na tua mania de entender
o mundo
e criar ideolgias para tudo

Tu me chamas e me empurras
Tu não me queres mas eu te chamo
E nós dançamos uma dança estranha
Distante mas bela de se ver
de longe
aos olhos de um sonhador
que ainda não desacreditou no amor

(Erica Ferro)

* * *

Caríssimos!
Bom, eu fiquei muito feliz com os comentários da postagem passada, porque, cara, nada melhor do que ver vocês interpretando do modo de vocês, dizendo o que vocês pensam depois de ler o que eu escrevo, sem nenhuma interferência minha depois do post, no tal P.s, como antes acontecia. Não que eu ache que vocês não iam ter algo próprio a dizer, mas antes eu me explicava, eu já revelava o X da questão, o que eu pensava quando eu escrevi tal coisa. E isso de fato não é muito legal. Porque, querendo ou não, tira um pouco o espaço de quem lê, no que diz respeito a interpretação.
É muito bom mesmo ver isso. O que é mais legal em escrever é que você pode encarnar o personagem que quiser, viver diversas situações até com certa intimidade, verdade. E, assim, seus leitores entendem como querem, ficam se perguntando se tem um pouco de você no texto ou se é totalmente você, no que você pensou naquele momento, enfim... A imaginação se amplia e, tanto quem escreve como quem lê, viaja. É! Eu que viajei escrevendo isso agora, hein? Okay, chega de devaneios! Aliás, quem lê o Sacudindo Palavras, também está convidado a ler o Pensamentos Devaneantes, que é um blog de três devaneadas, uma delas sou eu.
E, poxa, eu sei. Estou em dívida com os blogs que acompanho; não tenho os lido ultimamente, apenas estou retribuindo as visitas que vocês tem me feito. Mas acho que logo coloco minha vida "bloguística" em dia.
Um abraço da @ericona, meus queridos blogueiros!


20 abril 2010

Destemperada

Escolhi a mim entre tudo
e todos.
Escolhi a mim mesma
para ser autora da história
do mundo.
Eu vou escrever
as tragédias do existir,
as comédias do sonhar
e da diversão que é mentir.

Eu admito que sou egoísta,
rejeito todas as outras mãos
em minha direção.

Eu me basto,
porque, na verdade,
você se basta,
todos se bastam.

Você dorme sozinho,
mesmo acompanhado.
Você vive sozinho,
mesmo com inúmeras pessoas
transitando ao seu lado.
Você morrerá sozinho,
enquanto, sobre seu caixão,
chorarão três ou quatro.

Eu escolhi a mim mesma,
porque o mundo não merece
minha coletividade,
minha irmandade.
É a realidade,
crua, destemperada
e gritante.

Coloque-a na boca, mastigue
e, se não conseguir engolir,
cuspa.

(Erica Ferro)

* * *

Povo, cês tão bem, né?
Eu tô bem, feliz com meus amigos blogueiros, com tantas palavras gentis, que, certamente, me fazem acreditar que vale a pena, sim, continuar mesmo depois de cair e se ferir. Obrigada, novamente!
Um abraço enorme da @ericona.


18 abril 2010

Palavra

A palavra é faca
é lingua afiada
desenhada em letras
num alvo papel

A palavra é metáfora
é verbo ambíguo
é arma de paz
arma de guerra

A palavra é água no deserto
é fogo do inferno
que queima o poeta

A palavra é minha
é tua
é nossa

Palavra que está dentro do peito
do cérebro
na ponta do lápis

Palavra redentora
detentora da revelação
dos mistérios
que declara a minha paixão
de brincar que a Terra é minha
e que dela sou Rainha

(Erica Ferro)

* * *

Pessoal! Tudo bem com vocês?
Cara, eu estou demorando mais do que deveria pra atualizar o blog; sinceramente, não gosto disso. Porque, olha, a gente sempre tem o que dizer, sempre. Então, por que eu não escrevo? Ai, sou uma coisa mesmo!
Estou meio triste, confesso; com algumas coisas aqui no blog. Anônimos chatinhos, que vem ofender e falar do que não sabe; que acha que me conhece, enfim... Não gosto. São coisas que desanimam, mas, bem, eu não posso deixar de escrever e excluir meu blog por causa de pessoas desocupadas, que não sabem argumentar mostrando a bela face. O que me resta? Ignorá-los!
É isso que farei. Continuarei escrevendo, postando aqui e dando a minha cara a tapa, porque é isso que qualquer blogueiro, escritor ou qualquer coisa assim, quando resolve se "mostrar", faz. São as consequências de ser. Pelo menos eu não me escondo, não é mesmo?
Assumo quem sou, escrevo o que sinto, imagino e penso. Não sou covarde, não nego a mim mesma. E sigamos em frente, caros amigos!
Para finalizar, uma frase da minha diva Clarice Lispector: "A palavra é meu domínio sobre o mundo."
Um abraço da @ericona louca.

15 abril 2010

Por um fio

Você quase conseguiu despertar a minha compaixão, fé e cuidado. Quase acreditei no seu choro ensaiado. Quase levei fé nesse seu querer sem fronteiras, mas foi por um fio, um fio redentor. Tua paixão é falsa, tão falsa quanto teus dizeres de um futuro colorido e brilhante para nós. Você não sente a paixão latejar nas veias; é mero (eu disse mero?) fingir. Você não sente a dor do adeus como eu senti na primeira vez que você bateu a porta na minha cara, antes que eu conseguisse te impedir de ir. Você não sente. Você mente. Mas espere, não venha me dizer que eu também minto, porque eu minto, sei bem disso. Porém não como você, não com a mesma habilidade e displicência para com o enganado. Parabéns! Minha admiração você tem, por conseguir enganar os outros, e não se enganar jamais. Você nunca se engana, porque você mede bem seus passos e seus atos. Não é descuido, é tudo intencional e articulado. Cérebro admirável tens tu, meu caro desafeto.
Foi por uma linha quase invisível que eu não cai num profundo abismo.
Quase me apaixonei por você. Eu disse quase! Sim, digo com firmeza e sem nenhum embaraço, porque de fato foi por pouco. Mas o que importa nisso é que o quase me segurou pela alça do vestido, me livrando de uma morte demorada e fria. Hoje eu gosto mais dos "quases". Ah, gosto muito mais!

Um último aviso: a mim, você não engana mais!

(Erica Ferro)

Pessoinhas, blog de cara nova de novo! É, de novo!
Mas agora muito mais bonito, né? Eu achei lindo, velho. Muito lindo!
Foi a Jana Barreto, minha amigona blogueira, que fez pra mim (obrigada mesmo, Jana! Você é uma querida!). Os layouts que ela faz são muito fofos, delicados e bem feitos.
Adorei mesmo!
E, ah, agora não tem mais "P.s'"; no máximo, uma notinha assim, quando eu quiser, mesmo, falar algo pra vocês que não tenha relação com o texto.
Porque agora vai ser assim: escrevo e vocês sacodem seus dizeres, seus entendimentos sobre o que foi lido.
Não vou me explicar, me desculpar, enfim... Se bem que eu sou bem contraditória, né? Já tô me explicando de novo, haha. Mas ok, é só o fim das explicações (espero eu!).
Um abraço da Erica Ferro.

11 abril 2010

Os dribles do amor

Caiu uma chuva fina na madrugada
Que molhou uma noite tão bela e enluarada
As estrelas reluzentes, em todo o seu esplendor
Um casal de namorados, num banco de praça,
faziam juras de amor

Juras fervorosas, crentes num cumprimento fiel
Brigaram dias depois
Ciúmes adolescentes
E, o amor que tinha gosto de mel,
virou fel

Aprenderam a não mais jurar
Quase perderam a capacidade de acreditar
até neles mesmos
no que diziam e no que faziam

Tentaram desvendar os segredos do amar
Logo concluíram que amar é tarefa para quem se dispõe
a encarar de peito aberto as dificuldades do trajeto
e a driblar os empecilhos do caminhar

(Erica Ferro)



P.s: Blog de cara nova! Gostaram?
Adoro azul, sabem? Enfim, tentei editar do melhor jeito, para que ficasse legal tanto pra mim quanto pra vocês.
Um abraço e até próxima!

08 abril 2010

Minha maior paixão é ela



8 dia de abril - dia da Natação

Quando foi mesmo que eu te conheci, Natação? Digo conhecer "cara a "cara". Humm, deixe-me ver se eu recordo... Ah, lembrei! Foi em 2003, não é? Sim, foi! Tão linda você estava, águas azuis que me convidam a invandir-te, um perfume irresistível de cloro. Perfume que não sai mais da minha pele. Nossos encontros são diários; nosso envolvimento cada vez maior. Me perco em você.
Me acho em você. Você é a paixão mais duradoura que já tive e sei que terei até o meu último suspiro. Diria que você é uma paixão ardente, mas já posso considerá-la amor, amor sincero, que cura, que liberta, que cuida. Você cuida de mim como uma mãe, me entende como um pai e brinca comigo como um irmão.
Conversamos através de braçadas, brigamos através de pernadas. Nos reconciliamos através da volta a calma.
Quando quase tudo perde o sentido, então me vem você a mente, Natação. A única que vale a pena em qualquer momento. Você é minha bandeira, minha forma de revolução. É através de você que o mundo saberá quem sou. És elo indestrutível, motivo que me faz acordar cedo pra ir a mais um treino, mas vou feliz, com o coração leve e o corpo numa vontade louca de nadar e nadar e nadar...
Por você, eu abdico de certas boemias, de certas loucuras... Porque você tira qualquer loucura que em mim quer morar.
Posso estar com a cabeça fervilhando, o coração em frangalhos, mas quando começo a nadar, tudo passa, tudo parece tão pequeno e insignificante!
Sou nadadora. Sou atleta paraolímpica. Sou movida a água com cloro. Uso maiô, touca e óculos. Salto para um futuro dourado. Sonho com a consagração na natação paraolímpica. E realizarei.
O que me move é maior do que qualquer sonho que já sonharam ou que eu mesma sonhei. O que me move é uma paixão quase indizível, inexpressável.
O que me move é uma coisa chamada amor pelo melhor esporte do mundo.
O que impulsiona todos os dias é uma coisa chamada natação.
Ela, sim, é a minha maior paixão.

(Erica Ferro)



P.s: Para saber mais sobre a história da natação, clique aqui.
Posso confessar? Não lembrava que hoje era o dia da natação, oficialmente, digamos assim. Marcelo Mayer (um dos maiores e melhores poetas da blogosfera) que me lembrou.
Dia da natação é hoje, é amanhã, e é sempre. Pelo menos pra mim.
Falando nisso, preciso concluir o post, porque tô indo treinar.
Um abraço e até mais!

06 abril 2010

Cansei

Estou cansada de nadar a favor da maré, mas também não me atrai nadar contra a maré; me cansaria mais.
Estou fatigada dessa incompreensão que me cobre e me impede de me exibir como de fato sou.
Estou destruída por minhas próprias palavras e meus atos mal interpretados pelos olhos alheios.
Tenho uma maneira muito peculiar de ver as coisas, e essa maneira se choca quase com o resto do mundo; o que me deixa perplexa, pois as pessoas não podem pensar tão parecido, ter os mesmos conceitos e preconceitos. Alguém está mentindo. Alguém está se omitindo.
Às vezes eu penso que a vida é tão nada, tão desprezível, que não vale a pena ficar suando e sofrendo como tolos em cima desse solo ora frio, lamacento ou quente que faz nossos pés queimarem.
Mas, num lapso de revelação, penso que não; que a vida de nada tem de desprezível. O que estraga isso chamado de vida é o próprio ser humano, com sua incapacidade de ser, com sua mania de se limitar, sua preguiça de entender, de concluir sozinho qualquer que seja o tema.
A culpa é do ser humano, que é tolo o bastante pra se manter parado, em frente a uma porta que provavelmente o levará a um lugar que ele tanto almeja, mas que por um receio ridículo, por complexos velhos e que cheiram a mofo, não entra, não se arrisca a conhecer o interior da sala, do galpão por trás da porta.
As portas da vida. São tantos os portais, as possibilidades de conhecimento, de entretenimento e de frustração por trás destes, que preferimos ficar do lado de fora.
Eu fico do lado de fora. Eu estou cansada de ficar do lado de fora da vida. Eu não alcanço isso que as pessoas alcançam, esse desembaraço.
Eu sou toda errada, toda desastrada; me complico com uma simples escolha. Não sei lidar comigo mesma, eu tropeço nos meus próprios pés. Eu não consigo me resolver. Sou um enigma, um problema. E não sou entendível, acessível, lúcida e precisa. Sou uma desorganização, uma agonia em forma de gente.
É essa a graça da vida? Ser simples, sem maiores complicações, se entender e saber o que se quer da vida é frustrante? O não saber de si e dos outros é que é realmente interessante?
Não sei de mais nada. Aliás, acho que nunca soube. Só desconfio... Desconfio de tudo. Ou desconfiava.
Só hoje deixarei minha desconfiança descansar, minha agonia se calar; é que hoje eu estou muito cansada.

(Erica Ferro)



P.s.: Não tenho muito o que acrescentar; já disse o que deveria ser dito.
Recebam meu abraço cansado.
Até outra hora.

04 abril 2010

Eterno choro cansado

Só quero dizer-lhe, Pedro, que eu ainda não te esqueci, que me dói saber que uma outra te tem nos braços, tem teus beijos, teus carinhos e teus poemas.
Caro Pedro, você jamais saberá a dor que eu senti ao saber que casarás amanhã, jamais saberá a dor que se alojou no meu peito desde que soube que tu serás pai, e não serei eu quem te dará esse filho.
Ah, meu querido, por que você foi procurar o amor nos braços dela? Eu sempre estive de braços escancarados, prontos para te abraçar, te proteger, te aquecer. Por que você nunca me viu? Por que jamais conseguiu ver esse amor rosa-choque que sempre fiz questão de mostrar nas minhas frases metafóricas, nos meus silêncios gritantes, nas minhas indiretas mais que diretas?
Sei que você me acha dramática, exagerada; diz até que eu poderia ser atriz, mas... Pedro, eu não quero representar, aliás, eu não represento; não faço teatro e não tenho dom pra essas coisas. Teatro não é vida real, é uma imitação barata de uma realidade que não pode ser copiada, reproduzida.
Todas as minhas lamúrias atriz nenhuma poderia encenar; são dores puras e as mais esmagadoras que você pode um dia ter conhecimento.
A dor que eu sinto é tão aguda, tão forte, que eu não tenho mais forças pra chorar, nem sequer consigo soltar um gemido. Choro sem lágrimas, um silêncio doído; fui castigada por um destino impedioso, por uma má sorte mortal.
Não tive a benção de um amor mútuo, de um abraço sincero, nem de uma amizade despretensiosa.
Não te tenho e nunca te tive de nenhuma forma, Pedro; e isso é o que mais me dói e irá doer pra sempre.
Seja feliz, amado meu.
Seja feliz, porque eu chorarei o resto dos meus dias, mesmo de modo silencioso e cansado.

(Erica Ferro)



P.s.: Sem maiores explicações; o texto não é algo puramente real, mas também não foge tanto da minha realidade.
E o feriadão, foi massa? Comeram muito?
Fiquei esperando os chocolates e tudo mais, mas não chegou nada, hein?
Mas vocês eu perdôo!
Boa semana, meu povo; fiquem bem.
Aquele abraço da @ericona que vos ama.

01 abril 2010

Por mim, prendo-me a ti

A urgência do meu dizer
é o receio de,
por entre minhas cordas vocais,
a palavra se perder

Cuspo ditos jamais ditados,
nem ousados no teu mais frutífero pensamento

Lanço finas lanças
que por tua face correm
e cortam

Cego-te os olhos com a minha verdade reluzente
Com dizeres envolventes
que te desarmam e ganham

Tropeços surdos
Quedas sem cortes
Morte sem sangue
Denominam o meu sentir
A minha urgência de amor

Prendo-me a ti numa esperança branda
Ao contrário de tudo o que eu sou
Que clama e pede socorro

Prendo-me a ti por amor
Prendo-me a ti e anulo de vez a dor
Prendo-me a ti,
pois de nada me vale ser livre se não te tenho comigo

Prendo-me a ti e jogo a chave de cobre fora
Pela janela dou adeus a uma liberdade que me prendia a mim

Prendo-me a ti
Tropeço na minha descrença
Deparo-me com o amor
E clamo para que ele floresça
Como as flores do campo

Por mim, prendo-me a ti

(Erica Ferro)



P.s: Hey, povos e povas do meu Brasil verde, amarelo e rosa choque (hein?!). Como estão?
Tá, vou admitir: pensei em postar algo engraçado; pregar uma peça, algo assim. Um post descontraído, informal e que, enfim, fosse divertido. Mas não deu, a inspiração não me veio (ao contrário, me veio essa inspiração romanesca, essa coisa toda de amor preso, enlouquecedor e urgente). Não deu certo brincar. Aliás, é ruim de alguém cair nessas pegadinhas de primeiro de abril, né?
Certo, não é. Porque eu caí em umas duas, rá. Um a zero pra quem quase me "derruba".
Mas, enfim... Que vocês tenham mentido hoje, mas, logo após, desmentido. Até porque mentir é feio e é pecado (aham, senta lá, Cláudia...!).
E olha, se quiser mandar aquele chocolate pra mim... hummm, eu aceito MUITO, ok?
Um abraço, meus queridões.