31 janeiro 2010

"Fins"

Não sei se ficar nostálgica e um pouco triste com "fins" seja estranheza; se for, eu sou estranha. Aliás, tenho tantas manias esquisitas, mas é melhor não comentar hoje; vim falar de outra coisa. Sobre o que eu quero falar hoje? Sobre saudade antecipada. Sim, é que Janeiro já vai embora. Veja, agora, exatamente agora, são 23:31, e meu coração está pesado; diria pressionado por uma mão que eu não sei de quem é ou do que é. Aliás, é um pouco de nostalgia, aflição, agonia... - tudo junto e, sim, misturado.
Não sei a razão da minha aflição com a passagem dos dias. Seria medo da morte? Não, não é isso. Acho que é culpa; culpa de não ter feito tudo o que eu quis por covardia ou preguiça. E isso não é um dos melhores sentimentos; não mesmo.
Eu sinto saudade: do primeiro dia do ano, do primeiro fim de semana... Sinto saudade de Janeiro.
Tudo bem, eu sei que eu perdi a autonomia sobre Janeiro; sei bem. Mas dói, não dói? Claro que dói, principalmente quem sente e sabe que não viveu, não sugou todos os nutrientes, por assim dizer, dos dias de Janeiro - meu caso.
E a promessa de não fazer promessa, apenas viver - não deixa de ser uma promessa -, fracassaram. Mas hoje, como quem acende uma fogueira, eu reacendo o prometido: viver fevereiro, viver o restante dos meus dias. Mas eu não vivo? Eu acho que eu vivo, mas não sei qual tipo de viver eu procuro. É porque eu não consigo enxergar a simplicidade da vida, de se viver, como muitos dizem:
"Ora, como se vive a vida? Vivendo!".
Mas é só isso? Viver é tanto. Viver é renunciar a todo instante, e o que deixamos pra trás é o que incomoda, o que nos angustiará no fim.
E hoje é o fim de Janeiro.
É, eu sei que isso parece exagerado e dramático ao extremo; mas eu sou assim, eu sinto isso e eu irei me derramar assim, exageradamente.
Escrevendo, eu posso dissipar, de certo modo e com uma certa medida, essas agonias internas, essa angústia que vez ou outra me sufoca. E isso não é ser triste, é ser humana; porque o que não é humano é sufocar o que se sente apenas para alimentar as convenções. Aliás, eu estou farta das convenções e dos subordinados à elas. Tolos e fracos são os que se submetem a ela completamente, porque não serei hipócrita a ponto de dizer que não tenho que me render a nenhuma convenção que seja. Nós sempre temos, pois, do contrário, ninguém nos aguentaria. Mas olha, ultimamente minha preocupação em relação ao quanto e a quem me suporta é mínima.
Eu gosto mais das minhas verdades e das minhas convicções do que das convenções e dos supostos benefícios delas.
Fevereiro bate a porta, são 23:50. Vem, Fevereiro!
Vem, quero te viver! Quero te absorver por completo e poder, ao fim, dizer que de pouco me arrependi e me culpei; de muito pouco. Até porque, infelizmente ou felizmente, nós sempre iremos nos arrepender de algo; somos imperfeitos e faltosos com nós mesmos.

(Erica Ferro)



P.s: O 'pós-texto' será curto, pois o texto foi praticamente (ou totalmente) um desabafo. A ideia que eu mencionei ontem e prometi revelar hoje, será mantida em segredo, porque eu estou amadurecendo a ideia e organizando-a.
Estou feliz e orgulhosa de mim (Ui! haha), pois consegui retribuir todas (sim, todas!) as visitas que eu estava devendo desde o ano passado e as desse ano; e por também não estar acumulando muitas tarefas bloguísticas (se eu acumulo, é culpa da minha preguiça - coisa que eu tentarei eliminar dos meus dias).
Enfim, enquanto a isso, estou satisfeita e me amando (Que lindo!).
É isso, pessoal, um último abraço de Janeiro pra vocês!
Até a próxima.

30 janeiro 2010

Queda de energia

Eletrônicos desligados
Desliga a modernidade
Desliga a superficialidade
Liga a emoção
Liga os sentimentos
Entrelaça as mãos

No escuro uma luz surge
Uma luz tão clara e alegre
Luz que ilumina
Que o coração enche de contentamento
Um lindo sentimento

(...)

Poema metafórico. Poema que fiz na tentativa de traduzir a alegria de uma noite sem energia elétrica. A família toda reunida, finalmente conversando, rindo, brincando.
Minutos antes estava cada um no seu mundo. Um assistindo um canal esportivo. Outro na cozinha preparando um lanche. Outro deitado vendo uma novela qualquer, e deixando a novela da própria vida passar. Outro na internet começa a navegar. Mas eis que tudo muda. Não há mais energia elétrica. Todos se juntam. Todos se unem e esperam a luz. E a luz vem, e não é luz elétrica. É uma luz da alma, a luz da alegria, a luz... A luz mais pura, mais clara.
E eu quero que muitas quedas de energia elétrica venham, só pra ter esse prazer, essa alegria junto da minha família, de pessoas que só no escuro eu tenho a capacidade, a sensibilidade, de ver uma luz deles emanar. É a tecnologia, a modernidade, toda essa superficiliadade que afeta a minha visão, que me rouba o tempo (se bem que eu deixo que ele roube, confesso). Mas não deixarei mais. As rugas chegarão não muito futuramente. Mas não é com as rugas que me preocupo. E sim com a vida que deixei em cada ano, em cada dia, em que passei me matando.

(Erica Ferro, 22/07/2009)



P.s: Bem, eu queria MUITO postar hoje. Por isso, resolvi postar algo que tinha escrito há muito tempo (algo singelo se comparado ao que escrevo ultimamente), mas nunca tinha publicado aqui. Não sei se vão absorver o que eu quis passar; não por duvidar da capacidade de interpretação de vocês, mas da minha maneira sempre complicada de mostrar o que eu penso.
De qualquer modo, foi essa a mensagem que quis passar hoje.
Ah, gente! Estou muito feliz: consegui retribuir as visitas do ano passado (mês de dezembro) e as desse ano; só falta retribuir as visitas que me fizeram no último post.
Mais uma vez me desculpem pela demora de visitar vocês, mas acho que agora tomo jeito e não deixo acumular tantas visitas assim, certo?
Outra coisa: tenho umas ideias em mente, amanhã falo o que é. Se der certo, a partir de segunda coloco em prática.
Hoje foi meu dia no Divã cor de rosa; se quiserem conferir, cliquem aqui.
Fico por aqui, gente.
Até amanhã!
E aquele abraço...♫

28 janeiro 2010

(Des)aperte o (s)into!

Aperte o sinto, entendes? Reprime o sentir, pois isso não está mais na moda, talvez nunca tenha estado. A tendência dessa estação, ou de todas, é apertar o sinto, colocar um sorriso nos lábios enquanto o coração está em frangalhos, estraçalhado, irreconhecível, pois já diria uma frase de um sábio-homem-burro, se é que isso possa existir, que diz que essa é a maior virtude de um ser humano.
Virtude? Hipocrisia!
Aperte o sinto, ora, todos gritam. Por que chorar? Para que fazer da sua dor algo público? Ora, te disseram "Bom dia. Tudo bem?!", diga que está um dia lindo, que está tudo bem, maravilhosamente bem e que, se melhorar, estraga.
Aperte o sinto. A sociedade gosta disso.
Olhe, olhe, consegue ver? Tem alguém no meio da sociedade, um membro desta mesma, mas... Olhe, olhe bem, ele quer se rebelar, se revoltar. Olhe, ele soltou o sinto, ele está chorando, ele está gritando, contando todos os seus problemas.
Agora ele tira uma mão de alguém ferozmente da boca dele, a intenção era calá-lo. Olhe, vês? Alguém mandou-o sorrir, deixar de cena dramática, pois eles só gostam de cenas felizes.
Cena. Aperte o sinto e faça cena. Porque, olha, é mais agradável ver sorrisos do que choro, não é verdade?
Aperte o sinto e não busque soluções para o que tu sentes. As coisas são mais fáceis assim, não é?
Não é melhor fechar os olhos e fingir que não há nada, que está tudo lindo e perfeito? É, é sim! É a teoria do aperte o sinto.
Ora, que teoria mais idiota! E mais idiota é quem adere à ela.
Solte o sinto, sinta e chore. Sorria, dance, cante, pule e faça poesia se isso for o que teu sentir pedir.
Sinta e faça questão de mostrar isso a quem quer que seja. Ande de cara limpa, sem blush, batom ou qualquer coisa do gênero. Limpa, pura e unicamente verdadeira, você, pessoa, que sente e que não faz questão de apertar o sinto.

(Erica Ferro)



P.s: Opa! O quê? Uma semana sem postar aqui? Parece mentira, mas não é. E o que há com a Erica Ferro? Não consegue mais sacudir palavras? Talvez. Mas o meu cérebro anda bastante inquieto, sacudido, por isso não tenho conseguido organizar minhas ideias e escrever o que se passa comigo ou o que eu gostaria que se passasse.
Bem, hoje, eu queria falar sobre muitas coisas, sobre várias e várias coisas. De estresse a alegria extrema. Da delícia do primeiro amor e do fim do mesmo. Eu poderia falar de várias, realmente; mas foi isso que saiu.
A ideia do texto devo ao Rafael Guimarães, não que ela tenha dito o que escrever, mas foi algo que ele disse no MSN, algo que me fez ter a ideia de escrever isso. Estava Rafael, Letícia Christmann (uma das moçoilas que escreve no Pensamentos Devaneantes comigo... Visitem lá, certo?) e eu no MSN; Letícia inicia a conversa com: "Atenção, senhoras e senhores, convoco quem está online." Rafael prossegue com a brincadeira: "O avião está prestes a decolar. Queiram sentar-se em seus assentos, apertar os sintos, de preferência com "C".
Nisso, eu disse que ele era um gênio e que eu o amava, o que é bem verdade, as duas afirmações.
Rafael é meu amigo querido, conselheiro amoroso, enfim... É o meu nerd cearense; adoro o sotaque dele.
Pois é, foi dessa frase do Rafael, dos "sintos", que eu tive a mirabolante ideia desse texto. Enfim, caiu como uma luva para o que já vinha me atormentando e pedindo aparição. Pode-se dizer que é um desabafo. É, pode-se sim.
(...)
Olha, eu estou muito feliz com uma coisinha: o Sacudindo Palavras chegou ao seguidor de número 200. Não sei quando foi, porque minha internet me deixou na mão sexta-feira passada e só voltou na segunda. Então, quando eu voltei, vi essa coisa linda. E quem é o meu seguidor de número 200? É o Henrique Montenegro, coisa linda, meu amigo querido, que quer tirar uma foto comigo, mas eu sempre fujo disso, hehe. Não gosto de fotos, receio em queimar a câmera, coisa assim, sabe? É, eu sou traumatizada e louca. E não, eu não vou mudar, porque eu sou rebelde, e eu não sigo os demais (piada infame, hein? não matem-me, obrigada).
E bem, amigos da rede blogueira, eu ando muito em dívida com vocês, sério. Não retribuo mais as visitas - e são muitas que eu devo, que vergonha. Mas, pelo menos quem eu sigo, eu não tenho abandonado. Mas olha, quando eu criar vergonha (ok, mais vergonha, porque, mesmo sendo pouca, eu ainda tenho, hehe), eu visitarei, pouco a pouco, quem tem me visitado, me deixado lindos comentários, alguns críticos, puxando-me as orelhas, mas que sempre me fazem muito bem. Eu queria agradecer, viu? A todos, aos velhos amigos, aos novos, a vocês que fazem a minha vida ficar mais sacudidamente feliz.
E olha (eu falo muito "olha" e "enfim", enfim... me desculpem por isso? hehe), não prometo não me afastar tanto daqui, porque eu ando louca e sem sentido, por isso tenho fugido da caneta, do papel, do word, do bloco de notas. Tenho fugido por medo de falar algo que eu não quero ler, ou descobrir. Tomara que isso passe logo, pois não é algo bom.
E isso não foi um P.s, isso foi um texto, maior do que o próprio post. Isto é uma vergonha (hahaha)!
Certo, chega de tanta coisa, de tanto sacudir palavrinhas, melhor ficar por aqui.
Um abraço da Erica Ferro, a doida, a traumatizada, mas que ama muito isso daqui.

21 janeiro 2010

Paixão-sangue-chama-cegueira

Fervilha um sangue estranho em minhas veias.
É quente,
grosso, de difícil
circulação.
Sangue-paixão?

Há uma chama dentro do meu ser,
abrasadora, destruidora,
mas sinto um prazer indizível graças a ela.
Chama-paixão?

Faz tempo que há uma película em meus olhos,
que me impediu de ver a estrada por onde caminhava,
e a chegada do trem;
mas isso agora pouco importa,
eu perdi o trem.
E foi por causa de uma cegueira.
Cegueira-paixão?

Antes eu tinha noites bem dormidas,
sonhava às vezes,
sonhos bons ou maus;
mas sonhava raramente.

Agora é diferente, sonho sempre.
Com ele, o moço da estação, com um 'nós' inexistente.
Ilusão insistente,
que não se vai,
não dá trégua.

Paixão que se transfornou em sangue,
que, com dificuldade, corre em minhas veias.
Paixão que me faz queimar a todo instante,
me vejo em brasas,
destruída por te ver passar,
e nem ao menos acenar,
me notar.
Paixão que me turvou a visão,
me fez perder o rumo,
o prumo,
o que sobrou de mim.

E hoje eu sou toda paixão-sangue-chama-cegueira.
E hoje eu sou toda esperança.
E hoje eu só queria te fazer uma poesia.
E hoje eu só queria que tudo o que eu sinto por ti,
tu sentiste por mim.
Não na mesma medida, com a mesma intensidade,
com a mesma loucura,
mas que me amasse,
que me esperasse ansiosamente,
que quisesse partir comigo no trem das 17:00,
porque o das 16:00 eu já perdi,
e foi por causa de ti.

(Erica Ferro)



P.s: Fala, coração! Fala o que tu não consegues evitar. Fala de paixão, coisa que tu só consegues falar. E tu és todo egoísta, todo cheio de 'si'. Então fales, mas fales tudo, já não aguento mais "bater na mesma tecla".
(...)
Depois de brigar com o meu coração, me dirijo a vocês:
É aquilo, sabe? Gostaria de falar de outra coisa, de mudar o disco, mas, se eu não escrever, piro. Preciso externar isso de algum modo, já que não posso ser direta. Aliás, não é que não posso, não devo, não tenho coragem pra isso. Prefiro ficar escondida, subentendida-mais-que-entendida.
Porque acho que, enfim, não dá pra se esconder o que já foi exposto tantas vezes e de uma forma tão escancarada, mesmo que a intenção fosse ocultar fortemente. É que eu não sei disfarçar, sabe? Não aprendi ainda.
(...)
Vocês estão bem? O que fazem? O que querem da vida? O que sonham? O que, o que, o quê?
Certo, chega de tanta 'florentina', me despeço.
Um abraço da Erica Ferro.

20 janeiro 2010

Repetitivo

Hoje eu acordei querendo escrever um livro,
Um livro infinito.
Hoje eu acordei querendo falar de amores,
Amores incorrespondidos.
Hoje eu acordei querendo escrever um livro.

Hoje acordei querendo escrever um livro,
Um livro infinito.
Hoje eu acordei querendo falar de dor,
A dor do desamor.
Hoje eu acordei querendo escrever um livro.

Hoje eu acordei querendo escrever um livro,
Um livro infinito.
Hoje eu acordei querendo contar piadas sem graça,
Só para te ver rindo de um modo idiota na praça.
Hoje eu acordei querendo escrever um livro.

Hoje eu acordei querendo escrever um livro,
Um livro infinito.
Hoje eu quero rimar "você" com "viver",
Te dizer que te odeio só por despeito.
Hoje eu acordei querendo escrever um livro,
Um livro repetitivo,
Chato e cansativo.

Hoje eu só queria falar do amor,
Aquele que não cansa de arder dentro do meu peito,
Que dói sem direito,
Sem piedade.
Porém de amor eu não falo mais,
Não desse.
Me nego a falar desse rapaz,
O da poesia,
O da música,
O que me intriga.

Não, hoje eu não quero falar do que já estou falando.
Finalizo, pois, com a promessa de não falar mais,
Não falarei mais de ti.
Só por hoje.
Amanhã é incerto,
E mais incerta e fraca sou eu.
E eu só te amo.
.

(Erica Ferro)



P.s: Eu prometi a mim mesma que tentaria não postar essas coisas apaixonadas e melosas por aqui. Essas coisas que me denunciam muito, mas eu não consegui, como podem ver. Enfim... nem digo muita coisa. Afinal, foi mais um desabafo, mais um sei lá o quê. Mas essa sou eu, sem sentido, sem jeito... E Erica Ferro.
Espero que vocês, coisas meigas, estejam bem, aproveitando bem essa vida, cantando enquanto varrem a casa, lavam a louça, o carro e tudo o mais. Certo?
Um abraço carinhoso pra vocês!
Até a próxima, gente boa.

17 janeiro 2010

Sobre traumas...

Ah, meus traumas! Meus tantos traumas, meus pesadelos de olhos fechados, abertos, entreabertos...
Quem não os tem? Atire-me a primeira pedra. Não, é melhor não, porque é bem capaz de um engraçadinho querer acertar-me uma pedra no meio da minha da testa e eu hei de morrer por causa de uma pedrada. Porque vocês sabem que a hipocrisia impera, não é? O problema está lá, com o outro, nunca com a gente, sempre somos os mais certos, os mais belos. E não adianta negar. Não digo que todo mundo é assim sempre. Mas pense, relembre-se, você já usou de hipocrisia, de falsidade. Eu já, por que você não?
Mas não venho aqui dizer-lhe desaforos, caro leitor, afinal hoje é domingo, dia leve, de descanso; não quero o importunar, não hoje, certo?
O fato é que os traumas são uns espinhos nos nossos pés, na nossa pele, na nossa mente. São incovenientes, chatos, insistentes, malditos. E chega a um ponto que os traumas são tantos, que qualquer movimento, qualquer voz, qualquer risinho parece uma ameaça à nós, uma afronta à nossa sobrevivência. E andar pelas ruas torna-se perigoso, porque certo dia você viu um trausente correr loucamente atrás de você... mas, no fim, não era atrás de você, ele não pretendia lhe alcançar; ele só queria pegar o ônibus, ir para casa e descansar.
E de repente, qualquer sussuro parece de um fastama do passado, lembrando-te dos teus erros, das tuas promessas não cumpridas. Mas ora, era só tua mãe te mandando lavar a louça. Não há motivos para tremedeira, suor excessivo e tontura. Ah, os traumas!
E de repente, sair às ruas, olhar fixamente para as pessoas tornou-se uma impossibilidade. Elas sorriem para você e você fica na dúvida se é para você ou de você. Ah, os traumas!
Você não consegue respirar sem ter medo de machucar-se, de engasgar-se.
Você não consegue mais andar, por medo de tropeçar, de cair e ferir-se e, consequentemente, sangrar. Ora, que sangre! Só sangra quem é vivo.
Ah, os traumas! Usemos as facas da coragem, retiremos essa casca chamada trauma que se encrustou em nossa alma, nos tornando fracos e vacilantes.
Matemos este mal que nos massacra dia a dia. Massacremos, pois.
Mandemos ele aos infernos, ao buraco negro e profundo do não é mais, do comigo você não pode mais.
Agarre-se à força. Agarre-se ao que você quer ser e não é por causa dos traumas.
E olha, antes que você me critique, isto não é auto-ajuda (não quero te convencer a nada e muito menos dizer o que deves fazer). Eu estou apenas me ajudando, me aconselhando. Agora, se isto te servir, sinta-se à vontade para segurar a minha mão e seguiremos matando os traumas e nos embebedando de vida.

(Erica Ferro)



P.s: Não tenho muito o que dizer, o texto fala por mim, fala o que eu queria dizer hoje. Espero que estejam bem, que estejam se fartando e quase infartando de vida. Porque isso, sim, é que é imprescindível.
Aquele abraço e os votos de uma ótima semana.
Até a próxima, caros!

15 janeiro 2010

Quanto tu passaste, tudo passou...

Naquela rua passaste por mim
Passaste e apagaste tudo o que um dia existiu
Passaste e arrebataste quem fui e quem eu queria ser
No esquecimento meus planos ficaram
Pretérito perfeito, mas desfalecido

Tu tornaste-se o meu futuro perfeito
Todos os meus planos passaram a estar contigo
Quero o que tu queres
E tu tudo podes fazer comigo

De submissão me cubro
Amor a tudo se submete-se, não?
Disseram-me isto certo dia
É errado, por acaso?
Porém eu te amo e a tudo que tu dizes acato

Toda errada, toda insensata tornei-me
Culpa tua, fiques certo
Antes era a dita "politicamente correta"
Contudo não condeno-te
Todo esse amor devaneado transformou-me
Mudou-me e moldou-me
Hoje sou o que sou por ti
Porque tu me fizeste assim
Apaixonada, louca de amores
Presa às suas correntes
Correntes de paixão
Correntes de submissão

(Erica Ferro)



P.s: Ei, povo! Olha quem voltou, o tal do "P.s"!
Espero que estejam bem, porque eu tô ótima, né? Linda (essa parte é mentira, mas tudo bem...) e ótima (isso é verdade).
O Divã Cor de Rosa está no ar novamente, depois de nossas férias. E amanhã é o meu dia de sentar no divã e falar um monte de besteiras. Se quiserem passar lá, cliquem aqui.
Fica meu abraço carinhoso a vocês.
Até a próxima, caros blogueiros!

14 janeiro 2010

E volta o cão arrependido...

As ameaças foram muitas:
"Se você excluir seu blog, te dou umas porradas!".
"Se você tiver a audácia de fechar seu blog, eu te mato, me ouviu bem?!".
"Tu és doida? Pra quê excluir o blog, tás maluca?!"
(...)

Não quis morrer, ficar toda machucada de tanto levar porradas e nem quis atestar minha loucura. Por isso, voltei!
Sim, eu voltei, mas não foi por causa de nenhuma ameaça (só quis fazer graça, hehe)! Voltei porque tive um encontro romântico (ui!) com elas - as palavras.
Elas me disseram, quase chorando:
"Erica, desculpe-nos, nós estávamos apenas brincando de pique-esconde contigo. Não percebeste? Nós realmente gostamos de você, adoramos quando você nos sacode, faz da gente o que bem quer. A gente só queria correr um pouco, ver você suar por correr tanto atrás de nós. Nunca pensamos que tu ias desistir da gente. Ficamos em estado de choque, então resolvemos vir aqui pra te implorar a sua permanência em seu cantinho de 'sacudidas'. Não desista da poesia! Não desista de sacudir palavras! Fique, tome-nos em seus braços e nos sacuda bastante. Tu não podes esquecer do que tu és... Sacudidora de palavras!"

Tem como resistir a tamanho pedido? Tem como negar-se a poesia quando, como diz a Mari Andrade, já está em nossas veias? Não há como escapar do que já está enraizado em nosso peito, em nossos dedos, em nossa boca, por toda parte do nosso corpo.

E eu voltei! Eu voltei com vontade de sacudir palavras adoidado. Sacudir palavras e formar poesias. Sacudir palavras e criar fantasias. Sacudir palavras e criticar o cotidiano cruel de muitos. Sacudir palavras e denunciar o que me é mal. Sacudir palavras e vê-las tomar formas de salvação. Sacudir palavras para aliviar o que arde dentro d'alma. Sacudir para não transbordar. Sacudir para ser. Sacudir... Sacudir... Sacudir palavras...! É o que farei até o meu último suspiro.

Quero agradecer de coração a todos que pediram para que eu não tomasse nenhuma decisão precipitada, por cada "fica" que li, por cada frase de carinho, respeito e admiração.
Vocês são lindos, pessoas maravilhosas e não exagero quando digo isso. Vocês devem saber do valor que vocês tem. Não conseguiria me afastar da blogosfera... No fundo, eu sei que não. Como viveria sem ler vocês? Com certeza, conseguiria sobreviver, sim, claro. Mas e a cor que vocês dão a minha vida? Nada substituiria! Preciso de vocês, de verdade!

Sinceramente? Eu sou louca, sim. Faço e falo coisas por impulso, sim. E não é algo que tenha muito orgulho e tento mudar para o meu próprio bem. Se bem que essa mania de ser impulsiva é bom às vezes. Bem legal, assim a vida fica mais interessante, não é?! Então que minha "carga" de impulsividade não se vá de todo; que fique um pouco para apimentar a minha existência. Dar sabor e cor!

Não quero subestimar a capacidade de enxergar de vocês, mas vocês viram que eu mudei o layout do blog? O que acharam? Euzinha que me meti a fazer... E não é que eu gostei do resultado?!
Mas tanta gente me ajudou! Tanta!
A Maria Fernanda foi quem me deu o primeiro empurrão. Foi graças a ela que eu tentei fazer o meu próprio lay. Valeu, doce!
Depois, vieram muitas outras pessoas que me ajudaram, tanto com dicas como com opiniões.
A Babizinha, a Yasmin e a Jana me ajudaram muito no processo de criação do novo layout do Sacudindo Palavras. Elas são demais nesse negócio de webdesign, sério! Eu não entendo quase nada, mas tudo bem.
E um monte de gente viu todo o desenrolar do lay, deram suas opiniões e eu fui filtrando cada coisa e melhorando-o (agradeço desde sempre as opiniões dessas pessoas!). Então ficou assim! Gostaram?

Sacudindo Palavras de cara nova!
Erica Ferro de volta!
A poesia mais viva do que nunca!
E o meu carinho por vocês cada vez maior e mais sincero!

(Erica Ferro)

10 janeiro 2010

É o fim!

Oh! Não grite, Silêncio!
Não vês que tua voz fere meus ouvidos
Cega-me a visão
Vês a incoerência que tu causas?
Vês toda essa desgraça?
Tu que causaste, satisfeito?
Pois sim
Creio que estás!

Ris de mim, eu escuto
Este teu risinho quase diabólico
Ris porque eu não sei mais o que falar
Ris porque só consigo enxergar o negro
Ris porque o meu quarto está oco
Vazio e sem cheiro
Neutro...
É tudo o que hoje sou

Tu, Silêncio, vestiu-me de neutralidade
De insensibilidade
De impossibilidade

Vês, não consigo mais fingir
Não consigo mais mentir em poesias
Nem em poemas
Nem em contos mal contados de amor

Eis o fim de uma amante das palavras
Eis o fim de uma pseudopoetisa
Eis o fim da poesia de uma sacudidora de palavras

(Erica Ferro)



P.s: Sim, é o fim. Ou parece ser. O fato é que não consigo escrever nada que seja interessante, não que um dia eu tenha escrito. Mas a gente sabe quando o estrume virou algo pior do que o próprio estrume. É hora de tchau, amigos.
E quem sabe um abracinho, pra ficar tudo no diminutivozinho (que redundância, "diminutivozinho", vejam, então, a decadência da pessoa...).

Eis o fim, o fim...
Estou me segurando para não excluir de uma vez o blog, mas não sei se me segurarei por muito tempo. Afinal, não tenho muito auto-controle. Então, se não me encontrarem por aqui mais, liguem-me, mandem-me um telegrama, qualquer coisa... Enfim, é isso.
Um abraço daquela que um dia dera-se bem com as palavras, Erica Ferro.

02 janeiro 2010

O todo

Toda loucura tem pitadas de sanidade.
Toda abstinência tem gotas de fome.
Toda tempestade esconde um sol em seus trovões.
Todo não-querer quer algo com todo furor,
Mas repreende-se por pudor.

Todo desejo oculta uma paixão,
Uma inquietação.
Toda fortaleza maquia uma fraqueza.
Toda incompreensão encobre um ceticismo.

Todo silêncio abafa um grito.
Todo grito grita por silêncio.
Todo falar pede um ouvir.
Todo ouvir pede um falar.
Todo pensar pede um agir.
Todo agir pede um pensar.

Todo amor guarda uma paixão.
Toda paixão arde em desejo.
Todo desejo pede assassinato.
Todo assassinato mata uma fome,
Seja por barriga vazia,
Insanidade,
Agonia,
Medo,
Impiedade
Ou maldade.

Toda busca demonstra um desencontro.
Todo desencontro anseia por uma busca.
Todo desencontro chama uma loucura.
Toda loucura grita por um amor.
Todo o amor morre com um grito,
Um grito de não reciprocidade.

E todo amor morto renasce com outro.

(Erica Ferro)



P.s: Aêêê! Primeiro poema e primeiro post do ano!
Ah, eu queria ter escrito algo ontem, mas a inspiração não veio. Fazer o que, né?
A virada de ano foi boazinha; não foi como eu queria, mas nem tudo é como a gente quer que seja.
Eu supero (mais) isso.
E a de vocês, como foi?
Bem, já estamos no fim do segundo dia de janeiro. Até agora tudo permanece igual. Até agora, né?
Porque, enfim, os projetos são muitos, muitíssimos.
Vamos em frente, sonhando e vivendo os sonhos!
Vamos ter um feliz 2010, ou pelo menos tentar ter; isso já é algo relevante.
Fico por aqui.
Um abraço, meus queridos blogueiros.